1748 - PADINHA

Ao concluir o percurso formativo ao serviço do Benfica, seria ainda como elemento das “escolas” das “Águias” que Paulo José Vieira Padinha seria chamado aos trabalhos orientados para as jovens equipas sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os actualmente designados como sub-16, a estreia do médio-ofensivo com as cores lusas ocorreria, a 26 de Fevereiro de 1979, pela mão de Peres Bandeira. Depois desse encontro frente à Dinamarca, o atleta, ao demonstrar enorme potencial técnico e táctico, continuaria a ser arrolado aos compromissos agendados para a “camisola das quinas”. Nos anos seguintes passaria por outros escalões, participaria na edição de 1980 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA e arrecadaria, para o currículo, um total de 15 aparições por Portugal.
No que respeita ao caminho clubístico, Padinha teria na temporada de 1981/82 as primeiras oportunidades na equipa principal do Benfica. A esses passos iniciais, dados sob a orientação do magiar Lajos Baróti, seguir-se-iam outros já sob as instruções de Sven-Göran Eriksson. No entanto, na época de 1982/83, que começaria de forma bastante prometedora para o jovem atleta, um enorme revés acabaria por afectar toda a carreira do médio-ofensivo – “A lesão no joelho era grave, mas era recuperável. Fui operado e tudo. O problema foi que, quando voltei a treinar, caí sobre o tal  joelho [direito] e destruí as cartilagens todas. Nunca voltei a ser o que era. Tinha 20 anos. E com 20 anos, tens é que jogar. Quando terminei a minha carreira, com 28 anos, no Estrela da Amadora, já só jogava com o pé esquerdo. A perna direita não servia para nada. E sempre fui destro.”*
Daí em diante, o desenvolvimento de Padinha estagnaria. Com dezena e meia de partidas disputadas em 5 temporadas como sénior, para o jogador começariam a ser equacionados outros cenários competitivos. O primeiro desses plateaus surgiria com o empréstimo ao plantel de 1986/87 do Portimonense. No Algarve, sem deixar o contexto primodivisionário, pouco jogaria. Também no regresso à Luz, já na campanha de 1987/88, seriam escassas as ocasiões em que apareceria em campo. No entanto, uma nova cedência na época de 1988/89, dessa feita à uma AD Fafe estreante entre os “grandes”, revelaria, até pela quantidade de jornadas pelejadas, um médio-ofensivo com alguma esperança no futuro.
É verdade que os anos seguintes, com Padinha já desvinculado do Benfica e com o palmarés recheado pelas conquistas de 2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal, ainda conseguiriam sublinhar essa possível ventura. Todavia, mesmo ao ser um elemento preponderante no par de campanhas que precederiam o regresso do Torreense à 1ª divisão, a mudança para o plantel de 1991/92 do Estrela da Amadora, como destapado mais acima neste texto, serviria para confirmar a gravidade das sequelas deixada pelas lesões sofridas ainda ao serviço do Benfica. Nesse sentido, bastante debilitado fisicamente, o médio-ofensivo, finda a época na Reboleira e com 28 anos apenas, tomaria a decisão de terminar a carreira.  
Anos mais tarde, tendo deixado o futebol profissional, Paulo Padinha ainda voltaria a ligar-se à modalidade. Em 1995/96, pondo fim à longa sabática, voltaria a calçar as chuteiras, dessa feita para envergar a camisola do emblema sediado na sua terra natal, o Alhandra. Passados alguns anos, em 2012/13, surgir-nos-ia um registo do antigo médio-ofensivo no papel de treinador e ao serviço da AR Porto Alto participaria nos “regionais” da Associação de Futebol de Santarém. 

*retirado do artigo de Tiago Palma, publicado a 14 de Maio de 2105, em https://observador.pt

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