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1759 - CARLTON MARTIN

Nascido em Inglaterra, mais concretamente na área de Liverpool, Carlton Martin, filho de mãe britânica e pai jamaicano, viajaria para o Canadá em Abril de 1982. Ao chegar ao referido país norte-americano, apaixonado que era pela modalidade, mas sem nunca ter praticado futebol de forma organizada, teria no Oakville Soccer Club o primeiro emblema da carreira. Curiosamente, um momento caricato haveria de encurtar a sua passagem pela mencionada colectividade dos arredores de Toronto – “No meu primeiro jogo, eu saí do banco de suplentes e fui substituído pelo treinador 20 minutos depois (…). À altura, eu era um extremo e fiz aquilo que qualquer um naquela posição faz, que são alguns bons cruzamentos e muita corrida”*.
No rescaldo do acontecido, um amigo da família, desagradado com o tal episódio, haveria de prometer ao jovem praticante uma oportunidade noutro emblema. Essa chance surgiria, pouco tempo depois, no Toronto West Indies United. Com a entrada na nova colectividade, onde passaria a ocupar a posição de defesa-central, a carreira do atleta depressa começaria a alavancar-se. Ao conquistar um lugar no “onze” titular, Martin passaria a ser considerado como um dos pilares do conjunto e seria, nesse sentido, um dos nomes mais consagrados na vitória do clube na Ontario Cup de 1973. 
Antes de chegar a Portugal, Carlton Martin haveria de representar os Toronto Italia e o First Portuguese, agremiação na qual chegaria a cruzar-se com nomes como Moniz, Narciso, Marinho ou Jacinto João. Muito à custa dos conhecimentos feitos na colectividade fundada por imigrantes lusos, de seguida, viria a travessia do Oceano Atlântico, a chegada ao “Velho Continente”, onde, na sua caminhada competitiva, emergiria então o Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, ao entrar de imediato para o patamar máximo, o jogador seria apresentado como reforço para a temporada de 1977/78. Lançado por Fernando Vaz na equipa a exibir-se com o listado verde e branco, a verdade é que o atleta, mesmo sem qualquer experiência no futebol europeu, haveria de pegar de estaca no “onze” inicial dos “Sadinos”. Tal estatuto, a asseverá-lo como um dos habituais titulares e em épocas de alguma tranquilidade classificativa, mantê-lo-ia no par de anos vindouros e numa dupla formada mormente com o internacional José Mendes. No entanto, a preponderância verificada no arrolar da equipa principal começaria a desvanecer com a chegada de Rodrigues Dias. Aliás, essa campanha de 1980/81 tornar-se-ia na derradeira do jogador no conjunto a disputar os desafios caseiros no Estádio do Bonfim e o defesa-central, a anteceder o seu regresso ao Canadá, decidir-se-ia por outra experiência na 1ª divisão.
A aposta na entrada no grupo de trabalho do Sporting de Espinho não correria de feição para o jogador. Num plantel primodivisionário que, na temporada de 1981/82, haveria de ser orientado por Manuel José, a concorrência directa por um lugar na equipa, essencialmente composta por Serra e por Balacó, faria com que Carlton Martin tivesse pouquíssimas oportunidades para que, com a camisola dos “Tigres da Costa Verde”, voltasse a sublinhar o valor revelado em Setúbal. Tamanha falta de presenças em campo levá-lo-ia a deixar as provas portuguesas e a voltar ao Canadá. No país que o havia acolhido ainda em adolescente, o defesa-central, segundo alguns dados recolhidos, terá, na época de 1983, representado os Mississauga Croatia. Também li algumas referências a dar conta de uma nova ligação entre o atleta e o First Portuguese. Todavia, não consegui confirmar esta última informação, nem sequer qualquer dado sobre a sua continuidade no futebol.

*retirado do artigo de Ron Fanfair, publicado a 10/03/2023, em https://www.ronfanfair.com/

1748 - PADINHA

Ao concluir o percurso formativo ao serviço do Benfica, seria ainda como elemento das “escolas” das “Águias” que Paulo José Vieira Padinha seria chamado aos trabalhos orientados para as jovens equipas sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os actualmente designados como sub-16, a estreia do médio-ofensivo com as cores lusas ocorreria, a 26 de Fevereiro de 1979, pela mão de Peres Bandeira. Depois desse encontro frente à Dinamarca, o atleta, ao demonstrar enorme potencial técnico e táctico, continuaria a ser arrolado aos compromissos agendados para a “camisola das quinas”. Nos anos seguintes passaria por outros escalões, participaria na edição de 1980 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA e arrecadaria, para o currículo, um total de 15 aparições por Portugal.
No que respeita ao caminho clubístico, Padinha teria na temporada de 1981/82 as primeiras oportunidades na equipa principal do Benfica. A esses passos iniciais, dados sob a orientação do magiar Lajos Baróti, seguir-se-iam outros já sob as instruções de Sven-Göran Eriksson. No entanto, na época de 1982/83, que começaria de forma bastante prometedora para o jovem atleta, um enorme revés acabaria por afectar toda a carreira do médio-ofensivo – “A lesão no joelho era grave, mas era recuperável. Fui operado e tudo. O problema foi que, quando voltei a treinar, caí sobre o tal  joelho [direito] e destruí as cartilagens todas. Nunca voltei a ser o que era. Tinha 20 anos. E com 20 anos, tens é que jogar. Quando terminei a minha carreira, com 28 anos, no Estrela da Amadora, já só jogava com o pé esquerdo. A perna direita não servia para nada. E sempre fui destro.”*
Daí em diante, o desenvolvimento de Padinha estagnaria. Com dezena e meia de partidas disputadas em 5 temporadas como sénior, para o jogador começariam a ser equacionados outros cenários competitivos. O primeiro desses plateaus surgiria com o empréstimo ao plantel de 1986/87 do Portimonense. No Algarve, sem deixar o contexto primodivisionário, pouco jogaria. Também no regresso à Luz, já na campanha de 1987/88, seriam escassas as ocasiões em que apareceria em campo. No entanto, uma nova cedência na época de 1988/89, dessa feita à uma AD Fafe estreante entre os “grandes”, revelaria, até pela quantidade de jornadas pelejadas, um médio-ofensivo com alguma esperança no futuro.
É verdade que os anos seguintes, com Padinha já desvinculado do Benfica e com o palmarés recheado pelas conquistas de 2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal, ainda conseguiriam sublinhar essa possível ventura. Todavia, mesmo ao ser um elemento preponderante no par de campanhas que precederiam o regresso do Torreense à 1ª divisão, a mudança para o plantel de 1991/92 do Estrela da Amadora, como destapado mais acima neste texto, serviria para confirmar a gravidade das sequelas deixada pelas lesões sofridas ainda ao serviço do Benfica. Nesse sentido, bastante debilitado fisicamente, o médio-ofensivo, finda a época na Reboleira e com 28 anos apenas, tomaria a decisão de terminar a carreira.  
Anos mais tarde, tendo deixado o futebol profissional, Paulo Padinha ainda voltaria a ligar-se à modalidade. Em 1995/96, pondo fim à longa sabática, voltaria a calçar as chuteiras, dessa feita para envergar a camisola do emblema sediado na sua terra natal, o Alhandra. Passados alguns anos, em 2012/13, surgir-nos-ia um registo do antigo médio-ofensivo no papel de treinador e ao serviço da AR Porto Alto participaria nos “regionais” da Associação de Futebol de Santarém. 

*retirado do artigo de Tiago Palma, publicado a 14 de Maio de 2105, em https://observador.pt

1736 - BARTOLOMEU

Natural da Guiné-Bissau, onde nasceria a 11 de Novembro de 1959, a primeira referência encontrada sobre Bartolomeu Só Silva viria a transportar-nos para a época de 1980/81, durante a qual representaria o Alcanenense. Tal campanha, cumprida na disputa da 3ª divisão, seria proveitosa para o portentoso avançado-centro. As boas exibições levá-lo-iam, logo na época seguinte, a escalar um degrau competitivo e a entrada no SL Cartaxo fixá-lo-ia como um intérprete capaz de manter bons números também nesse patamar, bem como em contextos mais ambiciosos.
Ao sublinhar-se como um atleta de qualidades apreciáveis, Bartolomeu, ainda dentro do escalão secundário, começaria a despertar o interesse de colectividades de maior tradição no futebol português. Nesse sentido, o plantel de 1982/83 do Sporting da Covilhã, treinado por José Domingos, daria início a uma caminhada a levá-lo igualmente a representar o União de Coimbra, o Peniche e o Gil Vicente. No entanto, com excepção do emblema sediado na histórica localidade piscatória, onde permaneceria por duas campanhas consecutivas, o ponta-de-lança nunca conseguiria fixar por mais de um ano em cada uma das outras agremiações mencionadas. Ainda assim, a experiência em Barcelos, onde acabaria orientado pelo “magriço” José Carlos, abrir-lhe-ia as portas para outras paragens e as provas de 1987/88 seriam já efectuadas ao serviço d’ “O Elvas”.
No Alto Alentejo, o avançado-centro depressa conseguiria instalar-se como um das principais figuras arroladas ao “onze” inicial. Ao ultrapassar, primeiro nas escolhas Mário Nunes e depois nas opções de Vieira Nunes, colegas como Ulisses Morais, Bartolomeu, não só conquistaria a titularidade, como viria a afirmar-se como o melhor marcador da equipa. Todavia, as prestações colectivas, abaixo do desejado pelos responsáveis directivos do clube, fariam com que a temporada aludida no final do parágrafo anterior viesse a quedar-se como a única do atleta cumprida no convívio com os “grandes”. Mesmo com a despromoção dos “Azuis e Oiro”, a verdade é que o jogador manter-se-ia fiel aos desígnios da camisola raiana e com mais dois anos a jogar no Campo Demétrio Patalino, “O Elvas” viria a transformar-se no emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista.
A entrar na derradeira fase da carreira, Bartolomeu, afastado de vez dos cenários primodivisionários, ainda teria força para, durante mais alguns anos, representar outras agremiações. Nessa última senda, o rumo escolhido pelo avançado-centro voltaria a devolvê-lo, tal como no início da sua jornada futebolística, a um percurso deveras marcado pela errância. Mirense, onde voltaria a partilhar o balneário com Ulisses Morais, o Vila Real, Lusitânia dos Açores, Beneditense e Sacavenense seriam as divisas a precederem a conclusão de um trajecto competitivo, com o ponto final assinalado pelo termo das provas planeadas para 1993/94.

1687 - ADÉRITO

Apesar de ter concluído o percurso formativo com as cores do Benfica, seria em Trás-os-Montes, de onde é natural, que Adérito Luís Gonçalves Pires daria os primeiros passos como sénior. No GD Bragança a partir da temporada de 1973/74, o médio, que chegaria a actuar como avançado-centro, começaria por disputar a 3ª divisão. Aliás, as épocas seguintes à da sua estreia pelos “Canarinhos” do nordeste português, incluindo uma pequena passagem pelo Vila Real de 1977/78, mantê-lo-iam nas contendas dos escalões inferiores do futebol português. Tal paradigma viria apenas a mudar passados 8 anos e sua transferência para outra colectividade levá-lo-ia a pôr os olhos noutros horizontes.
Com a mudança do GD Bragança para o Rio Ave em 1981/82, Adérito, nessa campanha de chegada a Vila do Conde, faria a estreia no patamar maior. Porém, o médio não ficaria contente apenas com esses primeiros passos dados entre “grandes”. Também na referida temporada, o jogador conseguiria assumir-se como um dos esteios do conjunto a trabalhar sob a alçada de Mourinho Félix. Tal preponderância nos esquemas tácticos idealizados pelo aludido técnico, levá-lo-ia a consagrar-se como um dos principais nomes do 5º lugar conquistado com o termo do Campeonato Nacional. Ao manter o estatuto nos anos vindouros, o centrocampista viria igualmente a ser chamado a outro momento de crucial importância na história dos “Rioavistas”. Com o emblema nortenho a caminhar valentemente na Taça de Portugal de 1983/84, a chegada ao derradeiro encontro da prova, levaria o atleta a ser chamado à peleja agendada para o Estádio Nacional. Titular no Jamor, o atleta veria a sua equipa claudicar perante a forte réplica dada pelo FC Porto e assistira, após a derrota por 4-1, à partida do almejado troféu na direcção da “Cidade Invicta”.
Por razão da boa campanha na “Prova Rainha”, mesmo tendo em conta o desaire ocorrido na final, a cotação do médio subiria. Esse acréscimo de valor levá-lo-ia a ser cobiçado por outras agremiações. Curiosamente, a transferência para o Marítimo de 1984/85 empurrá-lo-ia para a disputa da 2ª divisão. Ainda assim, esse pequeno retrocesso duraria pouco tempo. Com os “Verde-rubro”, logo na campanha seguinte, a regressarem ao degrau maior do futebol luso, o jogador manter-se-ia, nessa aventura funchalense, como um dos titulares de Mário Nunes e, com a saída deste, de António Oliveira. Porém, mesmo cimentado como um elemento de valor primodivisionário, Adérito, mais uma vez, tomaria uma decisão algo surpreendente para o seu trajecto competitivo e na temporada de 1986/87, descendo ao 2º escalão, acabaria apresentado como reforço do Nacional da Madeira.
O regresso do jogador à 1ª divisão dar-se-ia, na temporada de 1987/88, por convite d’ “O Elvas”. No emblema alentejano, onde voltaria a trabalhar sob a intendência de Mário Nunes, o médio-centro viveria a derradeira campanha entre os “grandes”. Depois de uma época ao serviço da colectividade raiana, e com a descida dos “Azuis e Ouro”, o jogador decidir-se-ia pelo regresso a um clube bem conhecido e ao fim de dois anos com as cores do GD Bragança, onde desempenharia as funções de treinador-jogador, Adérito, findas as provas de 1989/90, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Já retirado das lides de futebolista, Adérito abraçaria, em exclusivo, as tarefas de técnico. Nesse papel, teria algumas experiências nos escalões inferiores e chegaria a orientar emblemas como o Montalegre, o Oliveira do Hospital, o Mirandela ou o Marítimo da Graciosa.
Como curiosidade, refira-se o seu regresso à prática desportiva federada, dessa feita no futsal e com as cores do Graciosa FC de 2002/03.

1661 - JOÃO CARDOSO

Produto das “escolas” do Vitória Futebol Clube, Carlos João Guilherme Cardoso, ainda em idade de formação, seria chamado a participar nos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado no conjunto de juniores, o defesa-central, num alinhamento a contar igualmente com Laranjeira, Gregório Freixo, Edmundo Duarte, João Cardoso, Cacheira, entre outros, faria, a 5 de Dezembro de 1969, a estreia com a “camisola das quinas”. Ainda por Portugal, depois desse “particular” frente à Suíça, o atleta ainda teria a oportunidade de participar noutra peleja pelo conjunto luso e, desse modo, juntaria ao currículo um par de internacionalizações pelos actualmente designados por sub-18.
Alguns meses após as referidas contendas disputadas por Portugal, João Cardoso, chamado por José Maria Pedroto, estrear-se-ia na equipa principal do Vitória Futebol Clube. Porém, nessa campanha de 1970/71, tapado essencialmente por Carlos Cardoso e por José Mendes, o jovem atleta não conseguiria muitas oportunidades para sublinhar o seu real valor. Aliás, o mesmo ocaso verificar-se-ia nas épocas seguintes. Com o intuito de dar mais experiência competitiva ao jogador, a época 1973/74 passá-la-ia ao serviço do também primodivisionário Montijo. Para infelicidade do defesa-central, o regresso ao Estádio do Bonfim, sensivelmente um ano após a saída, nem sempre traria a tão almejada titularidade. Com excepção da época de 1974/75, durante a qual jogaria com alguma regularidade, as temporadas seguintes voltariam a empurrá-lo para a condição de suplente e, por essa razão, em 1977/78 decidiria abraçar outro projecto.
Já como praticante ao serviço do Portimonense, dando jus às suas qualidades, João Cardoso viria, de forma inequívoca, a tornar-se num dos mais utilizados da equipa. Habitualmente chamado ao “onze”, o defesa-central transformar-se-ia numa das grandes figuras do conjunto sediado no Barlavento. Durante as 4 temporadas cumpridas no Algarve, o jogador, com excepção feita à campanha de 1978/79, passaria 3 anos nas disputas primodivisionárias. A assiduidade com que apareceria em campo, frequência transversal aos diversos treinadores, dar-lhe o direito de figurar na lista dos atletas com mais presenças em campo nas disputas da 1ª divisão, pelo listado alvinegro. Tal rol de jornadas findaria com o termo da temporada de 1980/81 e o atleta, consumada a separação consumada, retornaria a uma casa por si bem conhecida.
De novo com a camisola dos “Sadinos”, João Cardoso teria na época de 1981/82, no que ao plano pessoal concerne, um ano bastante positivo. Todavia, inicialmente titular nesse novo ciclo com o listado verde e branco, a campanha seguinte no Bonfim traria ao atleta números significativamente mais baixos. Desse modo, o jogador tomaria a decisão de, mais uma vez, deixar o Vitória Futebol Clube, para dar seguimento à sua caminhada profissional noutras paragens. Seguir-se-iam, longe dos principais palcos do desporto luso e em passagens de apenas 1 ano, o Benfica e Castelo Branco, o Recreio de Águeda, o Olhanense, o Juventude de Évora e, para finalizar um trajecto de praticamente duas décadas, o Comércio e Indústria de 1987/88.

1637 - ALBERTO

Produto das “escolas” leoninas, Carlos Alberto Alves Fernandes Nicolau teria no derradeiro ano como júnior uma temporada de grande importância. Em primeiro lugar surgiriam as convocatórias para as jovens equipas no peloiro da Federação Portuguesa de Futebol. Com as cores lusas, sob as ordens de Peres Bandeira, o extremo-esquerdo estrear-se-ia frente à Inglaterra. Nessa partida disputada a 13 de Novembro de 1978, ao lado de João Pinto, Coelho, Parente ou Dito, o atleta encetaria uma marcha a habituá-lo aos contextos competitivos dos actualmente denominados como sub-18. Com uma dezena de aparições conseguidas pelo referido escalão, o atacante, anos mais tarde, ainda teria a oportunidade de representar os “esperanças” e alcançaria, ao participar na edição de 1981 do Torneio Internacional de Toulon, um total de 11 desafios jogados com a “camisola das quinas”.
Também na temporada de 1978/79, chamado por Milorad Pavic, Alberto estrear-se-ia como sénior do Sporting. Avaliado como um intérprete de enorme potencial, a época seguinte, inicialmente orientado por Rodrigues Dias e depois por Fernando Mendes, traduzir-se-ia pela sua integração, a tempo inteiro, na equipa principal dos “Leões”. Apesar de não conseguir impor-se como um dos principais nomes nas estratégias delineadas pelos aludidos treinadores, a verdade é que as poucas aparições em campo dar-lhe-iam o direito de juntar o seu nome ao rol de atletas vencedores do Campeonato Nacional de 1979/80. Ainda assim, a falta de utilização levariam os responsáveis pelos “Verde e Brancos” a idealizar um plano para o seu futuro próximo e o avançado, na campanha de 1980/81, passaria a representar o Recreio de Águeda.
Após o empréstimo a conduzi-lo até ao emblema sediado no distrito de Aveiro, Alberto regressaria a Alvalade. Tal como anteriormente, o extremo, à altura a trabalhar com o inglês Malcolm Allison, poucas vezes seria chamado às pelejas agendadas para o Sporting. Ainda assim, as suas prestações seriam suficientes para ser ovacionado como um dos autores da “dobradinha” de 1981/82. No entanto, o final da temporada ditaria uma sorte diferente para o jogador. Sem conseguir assegurar um lugar no plantel dos “Leões”, o avançado seria transferido para o Farense. No Algarve encetaria uma senda a empurrá-lo, durante 5 anos consecutivos, para a disputa do patamar secundário. Nessa caminhada, caracterizada pela errância, Ginásio de Alcobaça, Marítimo, Estrela da Amadora e o regresso ao Recreio de Águeda transformar-se-iam também nas cores do referido trecho. Como curiosidade maior vivida durante esse período, surgiriam as vezes em que ajudaria o clube por si representado à subida de escalão. Porém, em nenhuma dessas ocasiões seguiria com a equipa para a 1ª divisão e depois do desapontamento vivido com as colectividades sediadas no Sotavento e na Madeira, seria necessária a entrada n’ “O Elvas” para que regressasse ao convívio com os “grandes”.
No conjunto raiano, Alberto, na época de 1987/88, conseguiria impor-se como um dos titulares. Ainda assim, as suas prestações, a somar às exibições dos seus colegas, não seriam capazes de alimentar o sonho da permanência. Com nova despromoção, o extremo despedir-se-ia, de vez, do escalão máximo português. Daí em diante, num trajecto que terminaria em 1992/93, o avançado ainda envergaria as divisas da AD Fafe, Amora e Sacavenense.

1624 - BARRADAS

Encetaria a carreira sénior ao serviço do plantel de 1977/78 do Luso do Barreiro. Mantendo-se nas contendas da 2ª divisão, na campanha a seguir à referida estreia, seguir-se-ia a sua mudança para a Quimigal. Numa senda em que ganharia o traquejo necessário para outros desafios, faltaria ainda ao guarda-redes envergar outra camisola. No Salgueiros a partir de 1980/81, o atleta, no bairro de Paranhos, iniciaria a ligação a levá-lo até ao patamar máximo do futebol português. No entanto, tal meta ainda demoraria um par de anos a cumprir e seria na temporada de 1982/83 que António José Loureiro Barradas apareceria, pela primeira vez, numa disputa entre os “grandes”.
Orientado por Henrique Calisto nessa estreia primodivisionária, Barradas, muito mais do que ultrapassar a concorrência de Manuel Pinto, destacar-se-ia como um dos totalistas no Campeonato Nacional. Tal importância logo faria com que outras agremiações cogitassem o seu nome como um dos possíveis reforços para a campanha subsequente. Aferido como um intérprete que, apesar da baixa estatura, tinha na agilidade e na afoiteza as principais qualidades, seria o FC Porto a apostar na sua contratação. Todavia, a entrada nas Antas em 1983/84 apresentar-lhe-ia as dificuldades próprias de uma fortíssima competição por um lugar à baliza. Atrás, nas escolhas de José Maria Pedroto e de António Morais, de nomes como Zé Beto ou Amaral, o guardião, ainda assim, daria o seu contributo para uma época inesquecível na história dos “Dragões” e mais do que a ajuda na conquista da Taça de Portugal, o atleta faria parte do grupo de trabalho que disputaria a final da Taça dos Vencedores das Taças.
Sem espaço no plantel dos “Azuis e Brancos”, a campanha de 1985/86 marcaria a transferência do guarda-redes para o Sporting de Braga. No Minho voltaria a encontrar-se com o treinador Henrique Calisto. Regressaria igualmente a uma utilização mais regular, cumprindo essa primeira temporada, onde também viria a ser orientado por Frederico Passos, a dividir o lugar com Hélder. Já na época seguinte, durante a qual, com Humberto Coelho a dar o lugar a Manuel José, também trabalharia sob a alçada de dois técnicos diferentes, o jogador assumir-se-ia como titular. Por esse motivo, seria com alguma surpresa que o atleta deixaria os “Guerreiros” e, numa mudança a mantê-lo no patamar máximo, acabaria apresentado como elemento do Sporting da Covilhã.
Com a entrada no emblema serrano a acontecer para a campanha de 1987/88, Barradas teria na agremiação beirã a última aparição na 1ª divisão. Em abono da verdade, o guarda-redes, em cenário primodivisionário, ainda faria parte do plantel de 1988/89 do Beira-Mar. No entanto, sem jogar, o jogador, já com a época de chegada a Aveiro em andamento, decidiria mudar de rumo e assinar um novo contrato com o Joane. Daí em diante, não mais voltaria ao degrau máximo. Sempre a militar nos escalões secundários, passaria a defender os interesses de diversos emblemas do Alentejo e após representar o Lusitano de Évora, o Juventude de Évora e o Estrela de Vendas Novas, o termo das provas agendadas para 1995/96 coincidiria com o fim da sua caminhada enquanto futebolista.

1609 - ULISSES MORAIS

Júnior no Benfica, Ulisses Manuel Nogueira Morais, na altura de subir à equipa principal, veria o inglês John Mortimore a excluí-lo da lista de atletas aptos ingressar no plantel principal. Tapado por Nené e por Vítor Batista, o jovem avançado-centro encetaria assim um périplo de 2 anos primeiro com as cores do União de Montemor, para depois passar a representar o Sporting da Covilhã. De seguida, dando seguimento a uma senda erguida à imagem de um verdadeiro “globetrotter”, suceder-se-iam, com mudanças de cores a cada campanha, mais umas quantas colectividades a militar nas contendas dos escalões inferiores e o Bragança, o Mogadourense, a AD Guarda e o União de Tomar precederiam uma das fases mais estáveis na carreira do jogador.
Após a entrada no plantel de 1983/84 do Benfica e Castelo Branco, onde passaria a trabalhar sob a alçada do “magriço” Jaime Graça, o atacante manter-se-ia por 3 temporadas consecutivas ao serviço da colectividade da Beira Baixa. No entanto, com a última época dessa trindade a ser cumprida após a descida ao 3º escalão, o atleta voltaria a apostar na mudança de clube. Espantosamente, a experiência vivida ao serviço do Ermesinde, sem que abandonasse o 3º degrau do futebol luso, abrir-lhe-ia as portas do tão almejado patamar máximo. Contratado, em 1987/88, por um “O Elvas” orientado inicialmente por Mário Nunes, Ulisses Morais apresentar-se-ia na ronda inicial do Campeonato Nacional, partida disputada frente ao Penafiel, como titular dos “Azuis e Ouro”. Curiosamente, todas as inscrições do avançado-centro nas fichas de jogo dá-lo-iam como membro escolhido para o “onze” inicial. Porém, nem com o treinador já referido, nem posteriormente com Vieira Nunes, o jogador conseguiria ultrapassar a concorrência de Bartolomeu e terminaria a passagem pela agremiação raiana apenas com 3 jogos disputados.
O resto da sua carreira enquanto futebolista, à imagem dos primeiros anos, voltaria a devolvê-lo à errância e aos palcos secundários. Varzim, Peniche, Mirense, Leiria e Marrazes e, por fim, o regresso ao Sporting da Covilhã precederiam o “pendurar das chuteiras”, com o termo das provas agendadas para 1994/95. Todavia, apaixonado pela modalidade, Ulisses Morais manter-se-ia ligado ao “jogo da bola”. Como treinador, numa senda a começar também pelos patamares inferiores, seria a Naval 1º de Maio a dar-lhe a oportunidade de, na campanha de 1995/96, assumir as rédeas de uma equipa sénior. Depois da colectividade sediada na Figueira da Foz, os anos cumpridos nos Dragões Sandinenses e no Machico, transformar-se-iam no trajecto para chegar ao Estoril Praia. Na “Linha de Cascais” a partir de 2001/02, as 2 promoções consecutivas, com a última a dar ao seu currículo o título de campeão da divisão de Honra, abrir-lhe-iam outras perspectivas de carreira. Tal horizonte seria, obviamente, o 1º escalão. Porém, contra todas as expectativas, os “Canarinhos” deixariam de contar com os serviços do técnico e o Gil Vicente passaria a ser o seu novo emblema.
Em Barcelos, Ulisses Morais encetaria uma caminhada que, em definitivo, haveria de confirmá-lo como um treinador de habilidades primodivisionárias. No convívio com os “grandes”, com passagens a levá-lo também ao Marítimo, Naval 1º de Maio, Paços de Ferreira, Académica de Coimbra e Beira-Mar, o técnico somaria ao trajecto um total de 11 temporadas seguidas na 1ª divisão. Em Portugal ainda orientaria o Desportivo de Aves e o Famalicão. Depois viria o desafio lançado da Ásia e a vitória em 2 Taças e 1 Campeonato da Malásia – “(…) de repente, um argentino, o Martin Prest, que fora meu jogador no Marítimo, estava na Malásia a trabalhar com o príncipe (…). Ele disse que precisavam de um treinador para a seleção e fez-me uma exposição da situação. Fui lá para reunir com o príncipe e com ele. O príncipe achou que eu era mal empregue para aquele cargo. Porque eles não são nacionalistas, nem saudosistas, não olham para a seleção e choram como nós quando ouvimos o hino (…). O príncipe disse ao tal argentino para me convencer a ir para o Johor FC porque iam mandar o treinador embora (…)”*.

*retirado da entrevista de Alexandra Simões de Abreu, publicada a 27/03/2022, em https://tribuna.expresso.pt

1608 - PAULO CAMPOS


Terminado o percurso formativo ao serviço do Botafogo, Paulo Marçal Campos, sem espaço no emblema “carioca”, decidir-se-ia pelo XV de Jaú para, na temporada de 1977, dar início à caminhada enquanto sénior. Seguir-se-ia, na campanha seguinte, o Anapolina e a viagem, poucos meses depois, até Portugal.
Com a chegada ao Algarve, Paulo Campo, médio-ala ou extremo com propensão para amiúde aparecer em zonas de finalização, seria apresentado como reforço do plantel de 1978/79 do Portimonense. Com a colectividade do Barlavento orientada por Mário Lino, logo começaria por conquistar um lugar entre os mais utilizados do grupo de trabalho. Com a equipa a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa da Zona Sul do patamar secundário, o atleta, com vários golos, mas principalmente com exibições portentosas, depressa viria a cimentar-se como um dos membros mais badalados e como um esteio da luta pela almejada promoção ao escalão máximo. Já alcançada a subida, o jogador ainda teria um papel importantíssimo no desfecho da campanha. Nesse sentido, na última jornada da Fase de Apuramento do Campeão, seria seu um dos remates certeiros, numa peleja frente ao Sporting de Espinho, a decidir o triunfo por 2-1 para o listado alvinegro sulista e, por conseguinte, a selar a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão.
Com a estreia entre os “grandes” a acontecer na temporada de 1979/80, Paulo Campos, muito mais do que manter os índices exibicionais da campanha anterior, apresentaria um crescimento deveras excepcional. Ainda assim, mesmo tendo em conta os bons números conseguidos, seria a época de 1980/81, alicerçado como um dos principais destaques do Portimonense comandado por Manuel de Oliveira e num colectivo também composto por nomes como Valter, Conhé, Joaquim Murça, Vítor Gomes, Rachão, José Rafael, entre outros intérpretes de peso no cenário futebolístico luso, a catapultá-lo definitivamente. Como resultado dessa grande evolução, o Benfica surgiria interessado na sua contratação, com a transferência para a Luz a concretizar-se na campanha de 1981/82. No entanto, apesar do potencial exibido, o ano passado ao serviço das “Águias” quedar-se-ia bem longe do esperado e sem lugar no grupo sob a intendência do magiar Lajos Baróti, o médio-ala acabaria por retornar ao Algarve.
O regresso ao Sul do país, dessa feita para jogar com as cores do Farense, representaria, em certa medida, um retrocesso na sua carreira. Na capital do Algarve a partir de 1982/83, Paulo Campos encetaria um périplo de 3 anos que, para além da vincada errância, haveria de manter o jogador pelas contendas de índole secundário. Seguir-se-iam, ainda na aludida senda, as temporadas cumpridas pelo Marítimo e pelo Recreio de Águeda. Por fim, surgiria o convite a devolvê-lo à 1ª divisão. No entanto, a passagem pelo plantel de 1985/86 do Penafiel, apesar dos números condizentes com a sua categoria, não patentearia mais do que um fugaz retorno aos palcos maiores do desporto português. Logo de seguida, surgiriam o Beira-Mar, duas épocas de novo no 2º escalão e uma 3ª campanha, ainda a envergar a camisola da agremiação aveirense, mais uma vez entre os “grandes”.
Seria a época de 1988/89, a defender os interesses da colectividade a disputar os embates caseiros no Estádio Mário Duarte, a apresentar, ao jogador, a última temporada na 1ª divisão. Seguir-se-iam, numa fase a vincar alguma veterania, as passagens pelo União de Santiago, onde chegaria a trabalhar sob a alçada de Almir Amorim, colega de balneário no Anapolina e no Portimonense, e o fim da carreira no Desportivo de Beja. Aliás, seria no emblema alentejano que faria a transição para as tarefas de treinador. Nas novas funções, a sua caminhada acabaria erguida, na quase totalidade, em emblemas algarvios. Por entre várias colectividades da região, onde podem ser incluídas o Lusitano de Vila Real de Santo António, o Silves ou o Imortal, seria no Padernense que maior destaque conseguiria obter e duas subidas consecutivas levariam o clube desde os “distritais” até à 2ª divisão “b” de 2001/02.

1589 - MUNDINHO


Seria como um praticante bem experimentado que Edmundo Paulino Sena, popularizado no “universo da bola” como Mundinho, chegaria à alta-roda do futebol brasileiro. Apresentado pelo Treze como reforço para a temporada de 1977, o vigoroso ponta-de-lança, com 24 anos de idade, faria a estreia no “Brasileirão” ao serviço do emblema sediado em Campina Grande. Mesmo tendo, na referida prova, somado poucas presenças em campo, as suas qualidades desportivas, das quais mereceria maior destaque a disponibilidade física, fariam com que colectividades de outra monta decidissem apostar na sua contratação. Nesse sentido, o próximo emblema a emergir na carreira do atacante seria o Santa Cruz de Recife e não tendo sido capaz de passar, na campanha de 1978, da condição de suplente utilizado, ainda assim despertaria a atenção de uma das grandes referências do contexto competitivo luso.
Agradado com as competências apresentadas, Mundinho aterraria em Portugal por indicação, ao que consta, de Mário Wilson. Atleta do Vitória Sport Clube, o avançado-centro chegaria ao Minho na campanha de 1978/79. Numa época algo atribulada para os “conquistadores”, com a saída do “Velho Capitão” a dar lugar a Daniel Barreto, o jogador conseguiria impor-se como um dos nomes utilizados com boa frequência. No entanto, a sua afirmação como um dos elementos de grande preponderância para o colectivo vimaranense surgiria na temporada seguinte, sob a alçada de Mário Imbelloni e posteriormente a trabalhar com Cassiano Gouveia. Nesse sentido, o ponta-de-lança seria um dos mais chamados ao “onze” e consagrar-se-ia, ao concretizar 16 golos, como o melhor marcador da equipa na edição de 1979/80 do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Depois de uma época verdadeiramente rica em termos de desempenhos pessoais, a terceira temporada de Mundinho pelo Vitória Sport Clube, já a trabalhar com José Maria Pedroto, voltaria a traduzir-se em números mais modestos. Talvez por esse motivo, o jogador decidiria mudar de camisola e para as provas agendadas para 1981/82 viria a apresentar-se como elemento do plantel do Sporting de Braga. Ao serviço dos “Arsenalistas”, numa equipa comandada por Quinito, o ponta-de-lança faria parte do grupo de trabalho que, na época aludida neste parágrafo, chegaria à final da Taça de Portugal. Não marcaria presença no Jamor, de onde os “Guerreiros” sairiam derrotados pelo Sporting. No entanto, seria importante nas rondas a anteceder o derradeiro desafio da “Prova Rainha” e os seus golos ajudariam à caminhada até ao Estádio Nacional.
Ao deixar a “Cidade dos Arcebispos” ao fim de um ano, Mundinho abandonaria de vez o patamar máximo do futebol português. Seguir-se-iam um par de épocas com as cores do Desportivo de Chaves, o Marco, o Ermesinde, o Atei e o GD Selho. Depois surgiria a carreira de treinador em emblemas modestos como o Pinheiro, Valinha, Santiago Candoso, Gémeos ou o Abação. Paralelamente é funcionário da Câmara Municipal de Guimarães e desempenha funções no Arquivo Municipal.

1495 - RUI MANUEL

Rui Manuel Dionísio Correia destacar-se-ia ainda como elemento das camadas jovens do Torralta. De tal forma começaria a ser visto como uma enorme promessa do futebol que, da Federação Portuguesa de Futebol, não tardariam a chamá-lo aos trabalhos das jovens equipas lusas. A estreia com a “camisola das quinas”, no patamar agora denominado por sub-16, aconteceria a 3 de Março de 1984. Nessa partida, a contar para o Torneio Internacional do Algarve, o médio seria arrolado por José Augusto para, ao lado de Pacheco, Fernando Mendes, Samuel ou Lima, disputar a peleja frente à França. O encontro frente ao conjunto gaulês serviria de arranque a uma caminhada que, ao passar igualmente pelos sub-18 e pelos sub-21, terminaria com um total de 10 partidas cumpridas com as cores de Portugal.
Clubisticamente, Rui Manuel daria os primeiros passos como sénior ainda ao serviço do já mencionado Torralta. No entanto, como resultado dos bons atributos apresentados, as partidas feitas na 2ª divisão de 1985/86 seriam suficientes para que do Portimonense apostassem na sua contratação. Ao fazer a transição de clube ao lado de Pacheco, a verdade é que o arranque no escalão maior do futebol português não seria fácil para o jovem jogador. Nesse sentido, a campanha de 1986/87, com a estreia oficial a acontecer na 20ª ronda do Campeonato Nacional e já sob a alçada do brasileiro Paulo Roberto Dias, desenrolar-se-ia de forma modesta. No entanto, esse ocaso seria curto e a temporada seguinte revelaria um intérprete preparado para outros voos.
Numa altura em que também estava a ser assediado pelo Benfica, a transferência para o FC Porto orientado por Quinito transformar-se-ia no justo prémio para a sua evolução. Ainda assim, a forte concorrência encontrada no seio plantel de 1988/89 dos “Azuis e Brancos” não deixaria muito espaço ao atleta. A solução encontrada acabaria a levá-lo, por empréstimo, ao Penafiel. Porém, a perspectiva de um regresso às Antas, mesmo cumprida uma época auspiciosa, sairia gorada para o jogador que, como resultado da habilidade revelada, já desempenhava papéis tanto a médio como a defesa-lateral. Continuaria, sem deixar a 1ª divisão, como elemento da colectividade penafidelense. Seguir-se-ia, num curto regresso ao patamar secundário, a entrada no Sporting de Espinho, onde, para além de voltar a trabalhar com Quinito, ajudaria à vitória na 2ª divisão de Honra de 1991/92 e à consequente subida ao escalão máximo.
As quatro temporadas cumpridas ao serviço dos “Tigres da Costa Verde” serviriam para tornar o emblema num dos mais representativos da sua carreira profissional. Contudo, o emblema sediado em Espinho, concretamente na temporada de 1992/93, traduzir-se-ia também como a última experiência primodivisionária na caminhada desportiva do médio. Antes ainda de um regresso ao Algarve, o ingresso no Vitória Futebol Clube de 1995/96, outra vez a desafio do treinador Quinito, serviria para colorir o seu currículo com mais um histórico do panorama luso. Todavia, mesmo ao ajudar à subida dos “Sadinos”, ao seu trajecto imediato, como destapado numas linhas acima, emergiriam novas passagens pelo Portimonense que, intercaladas com a experiência ao serviço do Felgueiras, somariam mais 3 campanhas à sua caminhada. Por fim, a passagem pelo Lagoa que, após a decisão de “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 2000/01, ainda daria ao antigo futebolista uma curta vivência nas tarefas de técnico.

1377 - HÉLDER

Defesa polivalente, Hélder Jerónimo das Mercês, depois de emergir no Cova da Piedade, seria já ao serviço do Amora que, em plena caminhada sénior, conseguiria um destaque maior. No emblema com casa no Estádio da Medideira, participaria naquela que viria a tornar-se na época de ouro do clube. Ao ajudar, com o final da campanha de 1976/77, à subida ao patamar secundário, o atleta, depois de uma curta passagem de um ano pelo Seixal, retornaria à agremiação a vestir de azul para fazer parte do plantel que daria corpo a um feito inédito. Nesse sentido, após garantida a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1979/80, o jogador integraria o grupo de trabalho que, ao serviço da colectividade da Margem Sul, disputaria, pela primeira vez, o degrau máximo do futebol português.
No convívio com os “grandes”, as temporadas de 1980/81 e 1981/82 serviriam para confirmar o atleta como um praticante dono de uma sólida constância exibicional e, por essa razão, aferido como um elemento deveras confiável. Titular do Amora com o treinador Mourinho Félix e, posteriormente, sob a intendência técnica de José Moniz, a sua cotação começaria a subir. Cimentado como um dos bons intérpretes a actuar nas provas lusas, Hélder acabaria por ser cobiçado por emblemas de maior tradição e, ainda que de volta ao escalão secundário, a transferência para o Belenenses seria sinónimo do referido acréscimo de valor.
Com a entrada no Restelo a acontecer na temporada de 1982/83, Hélder, ao fazer-se acompanhar na mudança pelos antigos colegas de balneário Simões e Pereirinha, voltaria a trabalhar com Mourinho Félix. Já a época seguinte traria ao defesa dois momentos de destaque. O primeiro seria o reencontro com Jaime, o irmão mais novo e antigo parceiro no Amora. O segundo, esse de maior realce, emergiria com o trabalho feito sob o comando do inglês Jimmy Melia e que terminaria com a conquista da 2ª divisão e com o regresso do Belenenses ao escalão principal.
Os dois anos seguintes, sempre na disputa da 1ª divisão e a envergar a camisola da “Cruz de Cristo”, revelariam Hélder como um elemento importante, mas a acusar alguma veterania e a ocupar um lugar menos relevante nas escolhas dos técnicos. Ao entrar na última fase da carreira, o defesa deixaria o emblema lisboeta no final da campanha que levaria o Belenenses à disputa do derradeiro encontro da edição de 1985/86 da Taça de Portugal. Já afastado dos principais palcos nacionais, o atleta prosseguiria a caminhada competitiva no Recreio Desportivo de Águeda. Depois de uma época na colectividade sediada no distrito de Aveiro, dar-se-ia o seu regresso ao Seixal e com o termo da temporada de 1989/90, quando já contava com 38 anos de idade, o jogador decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.

1368 - VALTER

Com o percurso formativo feito com as cores do Barreirense, Valter subiria ao patamar seguinte ainda como atleta do emblema sediado na Margem Sul do Rio Tejo. Mormente a representar as “reservas”, mas com presença também assinalada na equipa principal, a temporada de 1968/69 marcaria o arranque da caminhada do médio enquanto sénior. Logo no ano seguinte, treinado por Manuel de Oliveira, surgiria a primeira partida do jogador no contexto primodivisionário. Aliás, daí em diante, a qualidade demonstrada pelo jovem atleta levá-lo-ia, durante muitos anos, a manter-se no escalão máximo e a alcançar voos de outra monta.
Um desses feitos resultaria do 4º posto alcançado no termo do Campeonato Nacional de 1969/70 e com a primeira classificação, na história do Barreirense, para as provas continentais. Na Taça das Cidades com Feira, Valter acabaria a jogar ambas as partidas referentes à ronda frente ao Dínamo Zagreb, mas para infelicidade do conjunto luso, a vitória por 2-0, selada na 1ª mão, seria insuficiente para levar de vencida a eliminatória e o Barreirense cairia frente à agremiação da antiga Jugoslávia.
Outra das suas glórias competitivas, ainda concretizada como elemento integrante do Barreirense, surgiria com a selecção nacional a emergir no horizonte do atleta. Numa altura em que, na sua 4ª campanha consecutiva na 1ª divisão, já tinha, no miolo do terreno, assumido a titularidade dos “Alvi-rubros”, a 3 de Abril de 1974, chamado por José Maria Pedroto ao “particular” frente a Inglaterra, Valter conseguiria para a sua carreira 1 internacionalização “A”. Já em 1981, dessa feita com a camisola da equipa “B”, o centrocampista voltaria a ser convocado e, numa peleja com a Alemanha, somaria mais uma partida com as cores de Portugal.
Já com o estatuto de internacional a colorir-lhe o currículo, Valter começaria a ser cobiçado por outros emblemas. Ao atravessar o Rio Tejo, o médio viria a rubricar um acordo contratual com o Sporting. Com a entrada em Alvalade a acontecer na temporada de 1974/75, o jogador, nessa época de estreia com os “Leões”, acabaria por não conseguir assumir-se como um dos elementos principais na táctica idealizada primeiro por Di Stéfano, depois por Osvaldo Silva e, mais tarde, por Fernando Riera. Contudo, as épocas seguintes mostrariam o contrário, com o atleta a revelar-se essencial nas manobras do “xadrez verde-branco”. Talvez por essa razão, a notícia da sua transferência para outro clube tenha emergido com alguma surpresa e, cumpridas 3 campanhas, o centrocampista acabaria por deixar a colectividade “alfacinha”.
Apesar, não sei se posso adjectivar o momento de tal forma, desse desaire, a verdade é que Valter não perderia o epíteto de bom jogador e as campanhas seguintes continuariam a ser passadas nos palcos principais do futebol português. Quase sempre como um elemento a ser chamado amiúde ao “onze”, o médio, no seguimento da saída de Alvalade, passaria as 3 temporadas precedentes ao serviço do Marítimo. Seguir-se-iam dois anos no Portimonense e a tal chamada, referida mais acima no texto, à selecção “B” de Portugal. Por fim, como termo da sua caminhada na 1ª divisão, somaria ainda a temporada de 1982/83 ao serviço do Amora.
Já a entrar na derradeira fase do percurso como jogador, Valter voltarias aos escalões secundários. Passaria pelo Estrela da Amadora, retornaria ao Barreirense e, numa carreira que terminaria com o fim da temporada de 1990/91, ainda teria tempo para vestir o equipamento do Estrela de Vendas Novas.
De seguida, mantendo-se ligado à modalidade, surgir-lhe-ia a oportunidade para abraçar a carreira de treinador. Com um percurso feito pelos patamares inferiores, o grande destaque para a caminhada de Valter Costa, entre outras experiências, viria com a longa ligação ao Alcains ou com o regresso ao Barreirense.

1335 - VÍTOR MADEIRA

Nascido no seio de uma família em que quatro dos seus irmãos também construíram carreira no futebol, Vítor Madeira entraria para as “escolas” do Desportivo de Beja. Depois de completar o percurso formativo na agremiação da sua terra natal, seria também no emblema do Baixo Alentejo que o avançado daria os primeiros passos nas competições seniores. Aliás, na etapa inicial da carreira, o jogador não sairia da província acima referida e o Vasco da Gama, de começo na mesma 3ª divisão e mais tarde no 2º escalão, completaria essa jornada inaugural.
Com a colectividade sediada em Sines a disputar a Zona Sul do escalão secundário de 1976/77, as exibições de Vítor Madeira, atacante que podia posicionar-se a ponta-de-lança, a extremo ou mesmo no apoio ao elemento mais avançado em campo, seriam suficientes para nele repararem equipas de outra monta. Com o Vitória Futebol Clube a perfilar-se como a melhor opção para a caminhada profissional do atleta, a sua mudança para a cidade de Setúbal dar-se-ia na temporada de 1977/78. Mesmo com a subida de patamar, a verdade é que o jogador não deixaria atemorizar-se pelo acréscimo de exigência das provas e na margem norte do Rio Sado, destacar-se-ia no plantel como um dos mais inscritos na ficha de jogo e igualmente como um dos elementos mais prolíferos no capítulo da finalização.
Tanto com Fernando Vaz, o seu primeiro treinador no Vitória, como sob a alçada dos técnicos seguintes, Vítor Madeira, tirando excepcionais ocasiões, conseguiria conservar o estatuto de mais utilizado. Durante 5 temporadas, com um curto intervalo nas férias, onde “fez uma perninha” na América do Norte ao serviço dos canadianos do First Portuguese, o avançado seria muito importante no cumprir dos objectivos colectivos dos “Sadinos”. Porém, apesar do destaque na equipa de Setúbal, o atacante, na campanha de 1982/83, decidiria mudar de camisola. No Estoril Praia a desafio de Mário Nunes, também ele com um passado competitivo ligado ao Desportivo de Beja, o aludido treinador teria também um papel significativo noutra etapa do trajecto do jogador e a sua mudança para a Ilha Madeira surgiria por convite do técnico.
Com o Marítimo a pelejar-se na 2ª divisão, o objectivo da subida cumprir-se-ia já com Vítor Madeira como parte do grupo de trabalho. Após essa época de estreia nos “Verde-rubros”, o regresso ao patamar máximo, sem deixar o Funchal, dar-se-ia na temporada de 1985/86. Ainda assim, o apelo daquele que viria a tornar-se no emblema mais representativo da sua carreira, faria com que o avançado voltasse a uma casa bem conhecida. De novo no Estádio do Bonfim, como reforço para a campanha de 1986/87, ajudaria o grupo liderado pelo inglês Malcolm Allison à promoção ao degrau maior do futebol português.
Depois de outras 4 temporadas em Setúbal e numa etapa de transição no futebol, Vítor Madeira assumir-se-ia como treinador-jogador do Vasco da Gama. Ainda em Sines daria continuidade à carreira de técnico, caminhada que já levou o antigo praticante a orientar diferentes conjuntos como o Alcochetense ou o Ferreirense.

1333 - BÖLÖNI

Seria na equipa principal do Târgu Mures que László Bölöni, na temporada de 1970/71, haveria de conseguir estrear-se como sénior. Depois dessa campanha inicial, ainda a vogar pelo segundo escalão, o médio, ao lado dos companheiros, passaria a disputar a 1ª divisão romena. Durante várias épocas, destacar-se-ia como um futebolista de grande técnica e com uma capacidade estupenda para entender e organizar o jogo. Essas qualidades haveriam de pô-lo no caminho das selecções do seu país. Com a estreia pelos “AA”, a 24 de Setembro de 1975, a acontecer numa partida frente à Grécia, a carreira do atleta colorir-se-ia com 102 partidas feitas pela Roménia. Nesse percurso, destaque para a sua presença no Euro 84, onde jogaria frente a Portugal, e para o facto de, por altura de “pendurar as chuteiras”, ainda deter o recorde de internacionalizações feitas com as cores da sua nação.
Voltando ao percurso clubístico, os 14 anos ao serviço do Târgu Mures e os 2 troféus de Melhor Jogador do Ano levariam o atleta a ser visto como um dos grandes intérpretes do futebol romeno. Tal estatuto faria com que um dos maiores clubes do país começasse a olhar para o médio como um bom elemento. Com o jogador a ser apresentado pelo Steaua Bucaresti como reforço para a temporada de 1984/85, a sua integração num dos bons planteis europeus da altura, encaminhá-lo-ia para a conquista de várias e importantes competições. Claro está, para além das vitórias em 4 edições do Campeonato e em 3 Taças da Roménia, seriam as provas organizadas sob a égide da UEFA a sublinhá-lo como um dos nomes em destaque na modalidade. Nesse sentido, é impossível esquecer as fabulosas campanhas cumpridas com os “homens do exército” e que encaminharia o atleta para um par de títulos. Com presença a titular em ambas as partidas, primeiro chegaria a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1985/86, ganha frente ao FC Barcelona. Já na época seguinte surgiria a peleja na Supertaça, dessa feita com triunfo perante o Dynamo de Kyiv.
O resto da sua carreira, com o Bloco de Leste já mais aberto ao Ocidente, seria cumprido em emblemas da Bélgica e da França. Com o Racing Jet de Bruxelas a encabeçar a lista, seriam os franceses de Créteil e do Orléans a preencher os derradeiros capítulos da sua caminhada enquanto futebolista. Contudo, mesmo retirado das lides de praticante, László Bölöni não haveria de ficar afastado por muito tempo dos balneários. Ao aceitar o convite do Nancy, o antigo médio encetaria aí a senda como técnico. Após vários anos aos comandos do referido emblema gaulês, onde orientaria Afonso Martins e Mustapha Hadji, surgiria a oportunidade de ocupar o lugar de seleccionador da Roménia. De seguida, como muitos o recordam, viriam as duas temporadas com o Sporting. Em Alvalade a partir de 2001/02, o destaque emergiria com a “dobradinha” logo na campanha de chegada e com a vitória Supertaça Cândido Oliveira do ano seguinte. Igualmente impossível de esquecer, será o facto de ter sido sob a sua alçada que Cristiano Ronaldo viria a estrear-se na equipa principal dos “Leões”.
Ainda como treinador, numa carreira que já vai bem longa, László Bölöni teria a oportunidade de treinar em vários países. Nesse sentido, há que salientar o Campeonato e as 2 Supertaças ganhas pelo Standard Liège. Da mesma maneira não podemos olvidar os regressos a França, onde ficaria à frente de Rennes, AS Monaco e Lens ou ainda as experiências no Médio Oriente com o Al Wahda dos Emirados Árabes Unidos ou com o Al-Khor do Catar. Do seu percurso fazem também parte emblemas como o PAOK, o Panathinaikos, o Antwerp e o Gent. Actualmente (2022/23) o romeno apresenta-se como “timoneiro” do Metz.

1288 - KOSTADINOV

Formado no Trakia Plovdiv, entretanto rebaptizado como Botev Plovdiv, Kostadin Kostadinov, muito mais do que ser visto como uma das promessas saídas das “escolas” do emblema búlgaro, acabaria por tornar-se, também como resultado de uma longa ligação, numa das grandes lendas da colectividade.
Atacante que tanto podia posicionar-se no centro do sector mais ofensivo ou mais descaído para a direita, Kostadinov caracterizar-se-ia como um intérprete dono de uma grande mobilidade, rapidez e com um “faro” para o golo bem acima da média. Ao entrar na equipa principal na temporada de 1975/76, o avançado não demoraria muito até conseguir conquistar o seu espaço. Tão boa seria a evolução demonstrada que, antes ainda de completar 20 anos de idade, seria convocado para a principal selecção do seu país. Chamado por Tsevtan Ilchev a um embate frente à Roménia, esse particular agendado para a cidade de Blagoevgrad a 14 de Fevereiro de 1979, encetaria um percurso que levaria o futebolista ao maior certame de futebol. Já cimentado como uma das grandes figuras da equipa nacional, seria no México que teria um dos momentos altos da carreira. Integrado num grupo com imensos nomes com passagem por Portugal, casos de Mihaylov, Radi, Petrov, Getov, Sadakov, Dragolov, Mladenov e Gospodinov, a sua ajuda levaria a Bulgária a atingir os oitavos-de-final do Mundial de 1986.
Também ao serviço do clube, onde partilharia o balneário com outros atletas bem nossos conhecidos, como é o exemplo de Slavkov, Bota d’Ouro e antigo elemento do Desportivo de Chaves, Kostadinov viveria momentos inolvidáveis. Internamente, na senda desses brilharetes e numa liga tradicionalmente dominada por outros emblemas, há que nomear o 2º lugar do Trakia em 1985/86. Claro que o maior destaque terá de ir para a conquista da Taça da Bulgária de 1980/81, onde, ao entrar como titular na derradeira partida da prova, contribuiria para a vitória por 1-0, frente ao Pirin Blagoevgrad. Para colorir ainda mais o currículo do jogador, existem, igualmente, as várias participações nas competições organizadas sob a alçada da UEFA. Nesse sentido, tenho de sublinhar a exibição do avançado na Taça dos Vencedores das Taças de 1981/82, onde colaboraria na vitória histórica frente ao FC Barcelona. Para finalizar há que mencionar o golo por si concretizado e que, na edição de 1984/85 da prova europeia ainda agora aludida, ajudaria a derrotar o Bayern de Munique.
Numa caminhada tão rica, Kostadinov teria também a oportunidade de experimentar alguns contextos competitivos de países estrangeiros. A primeira saída do atleta dar-se-ia na temporada de 1987/88 e em direcção a Portugal. Ao disputar as provas lusas, o avançado, mesmo ao não conseguir, de forma indubitável, assumir-se como um dos principais nomes arrolados ao alinhamento inicial do Sporting de Braga, acabaria por somar números bem interessantes. Ainda assim, o destino levá-lo-ia a outras paragens e, logo na campanha seguinte, o atacante apresentar-se-ia como reforço dos gregos do Doxa Dramas.
Já a terminar o trajecto enquanto futebolista, o atleta voltaria ao emblema que o tinha formado. De regresso a Plovdiv, jogaria ainda 2 épocas que contribuiriam para firmá-lo como uma das maiores figuras do emblema. Ao “pendurar as chuteiras” em 1992 e com 350 partidas disputadas na Liga búlgara, Kostadinov tornar-se-ia no 5º jogador do clube com mais presenças na prova. Já os golos, 106 concretizados na referida competição, deixá-lo-iam um pouco mais acima na respectiva tabela e elevariam o avançado ao 2º posto dos goleadores do Botev no Campeonato.
Já depois de retirado dos relvados, o antigo jogador manteria o elo à modalidade. Em muito desse trajecto ligado ao Botev, Kostadinov tem desempenhado os papeis de treinador, mas também de director.

1278 - JOANITO

Com o percurso formativo todo cumprido com as cores da AD Estação, os bons desempenhos ao serviço da popular agremiação fundada na cidade da Covilhã, levariam João Manuel Matos Sousa, conhecido no “universo da bola” como Joanito, a ser introduzido aos trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado no conjunto de “iniciados”, seria a 06 de Maio de 1981 que entraria em campo frente à França e, desse modo, acrescentaria 1 internacionalização aos passos iniciais da sua carreira.
Ao contrário de muitos atletas que, por conta da falta de oportunidades, vêem na chegada a sénior um passo atrás na sua evolução, a transição de Joanito corresponderia a um salto deveras qualitativo. Após dar sinais promissores durante os anos de formação, o defesa seria contratado pelo Sporting da Covilhã e acabaria incluído no plantel de 1984/85 que, entre outros elementos, contava também com dois nomes que viriam a tornar-se míticos no futebol luso: os avançados César Brito e Rui Barros.
Com o comando técnico dos “Serranos” entregue às ordens do treinador Vieira Nunes, a qualidade patente nas exibições de Joanito, apesar da sua juventude, rapidamente permitiria ao atleta agarrar um lugar de destaque no “onze” do Sporting da Covilhã. Como um dos nomes a amealhar mais presenças no alinhamento inicial da equipa, o defesa, no decorrer dessa primeira época como sénior, tornar-se-ia num pilar do regresso do emblema beirão ao escalão máximo.
Com a referida promoção, a temporada de 1985/86 transformar-se-ia na sua campanha de estreia na 1ª divisão. Ao conservar a importância no desenho táctico, a solidez oferecida por si ao sector mais recuado dos “Leões da Serra”, não seria suficiente para evitar a descida do colectivo covilhanense. Curta a passagem pelo escalão secundário, pois a época de 1987/88 revelaria, mais uma vez, o emblema com casa no Estádio Municipal José dos Santos Pinto como um dos emblemas arrolados à disputa do patamar maior do futebol luso. Infelizmente para Joanito, o último lugar na tabela classificativa dessa edição do Campeonato Nacional, não deixaria outra alternativa para além de nova despromoção. Ainda assim e apesar de reconhecida a sua qualidade como capaz de pelejar em desafios primodivisionários, o defesa acompanharia a equipa no regresso aos degraus inferiores.
Mesmo com a carreira intimamente ligada ao Sporting da Covilhã, Joanito, enquanto sénior, acabaria também por vestir as cores de outras duas históricas colectividades. Porém, ao apostar na União de Leiria e depois na Académica de Coimbra, respectivamente nas campanhas de 1989/90 e 1990/91, o defesa, em ambas as experiências, veria gorada a oportunidade de retornar ao convívio dos “grandes”. Aliás, a 1ª divisão nunca mais voltaria ao percurso profissional do jogador. Regressaria, isso sim, aos “Leões da Serra” e de 1991/92 em diante, independentemente dos resultados obtidos pelo colectivo, o atleta conservar-se-ia fiel ao listado verde e branco.
“Penduradas as chuteiras” no final de 1999/00, ano em que partilharia as funções de jogador com as de treinador, a união de Joanito com o Sporting da Covilhã manter-se-ia. Sendo um nome histórico do clube, o qual chegaria a capitanear, o antigo defesa abraçaria as tarefas de adjunto e durante quase década e meia passaria a fazer parte dos quadros técnicos dos “Serranos”.

1247 - EURICO

Eurico Caires terminaria a formação no Benfica, de onde sairia também para integrar os trabalhos orientados pelos técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Com as jovens selecções portuguesas, naquele que hoje é designado o escalão sub-18, o médio acumularia um total de 10 internacionalizações e seria convocado para disputar a fase final do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1971. No certame organizado na antiga Checoslováquia, o centrocampista tornar-se-ia numa das “estrelas” do conjunto comandado por Peres Bandeira. Já na final frente à Inglaterra, seria chamado ao “onze” inicial, mas, para infelicidade dos craques lusos, os britânicos venceriam a peleja por 3-0.
Não muito tempo após a realização do referido torneio, Eurico seria promovido à equipa principal do Benfica. Porém, nessa temporada de 1971/72, tapado no sector intermediário por atletas mais experientes, casos de Jaime Graça ou Toni, poucas seriam as oportunidades que conquistaria. Ainda assim, conseguiria ser chamado por Jimmy Hagan a disputar a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional e esses jogos, um em cada prova, bastariam para embelezar o seu currículo com os respectivos troféus.
Seguir-se-iam na sua carreira, sem abandonar o patamar máximo, as passagens de uma época por Montijo e pelo Beira-Mar. Já no Estoril Praia, onde chegaria na temporada de 1974/75, voltaria a encontrar-se com Jimmy Hagan. No emblema da “Linha de Cascais”, tal como nas duas colectividades anteriores, Eurico assumir-se-ia como titular. Nesse sentido, logo na época de entrada no Estádio António Coimbra da Mota tornar-se-ia num dos pilares da conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão e no consequente regresso da equipa ao escalão maior. Durante o tempo passado com os “Canarinhos”, destaque também para as “férias” cumpridas na North American Soccer League (NASL). No “El Dorado” da década de 1970, o médio vestiria as camisolas dos Rochester Lancers e seria campeão na campanha de 1976, já como atleta dos Toronto Metros-Croatia.
A etapa seguinte da caminhada profissional, com início na temporada de 1977/78, vivê-la-ia com as cores do Belenenses. Apesar não ter sido uma fase tão consistente quanto a anterior, Eurico, nos anos passados no Restelo, manter-se-ia como um elemento preponderante. Para além da curiosidade de, mais uma vez, ter sido orientado pelo inglês Jimmy Hagan, o centrocampista acabaria igualmente por participar numa das piores páginas da história “Azul”. Com a despromoção no final da época de 1981/82, a primeira na história da “Cruz de Cristo”, também o jogador deixaria a 1ª divisão. Nos anos subsequentes, passaria por diversas colectividades a militar nos escalões secundários. Depois de representar o Almada e o União da Madeira, seria no Estrela da Amadora que, cumprida a campanha de 1984/85, daria por terminado o trajecto enquanto futebolista.

1241 - JOÃO CAVALEIRO

Ao terminar a formação nas “escolas” do Académico de Viseu, seria no mesmo emblema que João Cavaleiro faria a transição para o escalão sénior. Com 17 anos de idade, a primeira partida no conjunto principal viseense, no decorrer da temporada de 1974/75, transformaria o avançado no 3º jogador mais novo de sempre a estrear-se pela equipa da Beira Alta. Para além desse facto, a sua ligação à colectividade teria muitos mais episódios. Ainda como atleta, na campanha de 1975/76, e como um dos principais elementos do grupo de trabalho, os seus golos ajudariam à promoção à 2ª divisão. Já a época seguinte, sob a orientação da glória leonina Osvaldo Siva, traduzir-se-ia na última partida, enquanto futebolista, efectuada com a camisola da agremiação beirã.
A transferência para a União de Leiria no preparar da temporada de 1977/78, serviria para sublinhar as suas qualidades ofensivas e, nesse sentido, para empurrar o atacante até ao patamar máximo do futebol português. A aposta da Académica de Coimbra na sua contratação, onde, no sector mais ofensivo, pontuavam nomes como Freitas, Aquiles, Nicolau ou o brasileiro Eldon, levá-lo-ia, sob a batuta do treinador Juca, à estreia na 1ª divisão. Sem nunca conseguir segurar um lugar no “onze” titular da “Briosa”, ainda assim o avançado entraria em campo um número de vezes suficiente para manter o seu lugar no plantel. Infelizmente, para si e para os seus colegas, essa continuidade, após o 15º lugar na tabela classificativa de 1978/79, significaria o regresso ao degrau secundário.
O afastamento do patamar maior prolongar-se-ia, na sua carreira, por diversos anos. Após mais uma campanha ao serviço dos “Estudantes”, a mudança para os rivais do União de Coimbra levá-lo-ia a abraçar um dos emblemas mais representativos da sua caminhada competitiva. Na equipa a disputar os embates caseiros no Campo da Arregaça, João Cavaleiro passaria 5 épocas. Durante essas temporadas, ajudaria a colectividade a vencer a edição de 1980/81 do Campeonato Nacional da 3ª divisão e, muito à custa de várias dezenas de bolas introduzidas nas redes adversárias, transformar-se-ia numa das figuras icónicas da história da agremiação conimbricense.
Com Vítor Urbano, seu antigo colega no União de Coimbra, como adjunto de José Domingos no Beira-Mar, João Cavaleiro, para a campanha de 1985/86, acrescentaria ao currículo uma nova camisola. No conjunto de Aveiro passaria apenas uma temporada, a mesma que anteciparia a sua chegada ao Sporting da Covilhã. Nos “Leões da Serra”, após a conquista do Campeonato da 2ª divisão de 1986/87, o atacante voltaria a disputar o escalão máximo. Logo a seguir, naquele que viria a desenrolar-se como o derradeiro capítulo do seu trajecto enquanto futebolista, viria ainda a passagem pelo Salgueiros de 1988/89 e o reencontro com Vieira Nunes, um dos seus treinadores no emblema “serrano”.
Também como técnico, João Cavaleiro erigiria uma carreira louvável. Na caminhada como treinador-principal, para além de passagem por outros emblemas como o Tondela, Moreirense ou Sanjoanense, seria à frente de conjuntos que já tinha representado como atleta que o antigo avançado conseguiria maior destaque. No Académico de Viseu, com presença em 6 temporadas, transformar-se-ia no homem que mais vezes, na história do clube, orientaria o plantel sénior. Finalmente, e de volta ao Sporting da Covilhã, a distinção chegaria com a conquista, em 2001/02, do Campeonato Nacional da 2ª divisão “B”.

1204 - ARTUR


Incluído no conjunto principal do Sporting de Braga, numa altura em que a equipa militava na 2ª divisão, o primeiro grande feito vivido pelo jovem defesa seria a subida de patamar. Depois da estreia sénior de Artur na temporada de 1973/74, a referida promoção aconteceria cumpridas duas campanhas. Por essa altura, ainda sem ser um dos titulares da equipa, já a sua presença em campo começava a ser notada. No entanto, não tardaria muito até que o lateral-direito conseguisse cimentar-se como um dos esteios nas acções tácticas do combinado minhoto e a época de 1976/77 acabaria por sublinhar essa aludida importância.
Paralelamente à progressiva afirmação no “onze” do Sporting de Braga, Artur também adicionaria à sua experiência competitiva outros episódios marcantes. Logo na temporada de 1976/77, faria parte do grupo que venceria aquela que é a única edição da Taça da Federação Portuguesa de Futebol. Ainda nessa campanha, chamado ao alinhamento inicial pelo treinador Mário Lino, participaria na final da Taça de Portugal. Já na época seguinte, resultado do 4º posto alcançado no Campeonato Nacional do ano anterior, entraria em campo nas quatro partidas disputadas pelo clube na Taça UEFA.
Daí em diante, Artur passaria a ser visto como um dos nomes incontornáveis nas concepções tácticas do sector defensivo dos “Arsenalistas”. Ao tornar-se num dos indiscutíveis desses desenhos colectivos, também os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol começariam a olhar para si como um elemento válido para integrar os trabalhos das equipas nacionais. A estreia com a “camisola das quinas” aconteceria pelo conjunto “B”, numa partida frente à Áustria, em Novembro de 1978. Nem um ano passado sobre esse jogo, o defesa acabaria mesmo convocado para a equipa principal. Num “particular” jogado frente à Espanha em Setembro de 1979, o treinador Mário Wilson faria entrar em campo o lateral-direito e, com essa participação, daria ao atleta a primeira internacionalização “A”.
Voltando aos capítulos vividos com as cores do Sporting de Braga, a lógica de uma titularidade assegurada por boas exibições, mantê-lo-ia como um pilar da equipa. Mais uma vez surgiriam na caminhada do jogador momentos inolvidáveis. Mesmo sem vitórias a abrilhantarem esses episódios, seria injusto não referir certos instantes como marcantes. Dois deles aconteceriam depois da entrada na década de 80. O primeiro viria com outra participação, mais uma vez como titular, no derradeiro jogo da edição de 1981/82 da Taça de Portugal. Na sequência dessa presença no Estádio do Jamor, outra final e, dessa feita, a disputa da Supertaça de 1982/83.
As 14 temporadas ao serviço da equipa sénior dos “Guerreiros”, como é fácil de deduzir, torná-lo-iam numa figura icónica na história do emblema minhoto. Contudo, e numa altura em que já começava a perder alguma preponderância no alinhamento táctico, o fim da ligação entre o clube e o atleta conheceria o seu fim. Pelo Sporting de Espinho, a disputar a 1ª divisão, faria mais uma época e cumprida essa campanha de 1987/88, Artur decidir-se-ia pelo fim do seu trajecto enquanto futebolista. Todavia, o antigo defesa manter-se-ia ligado à modalidade. Com uma longa e respeitável carreira como treinador, tem exercido essas funções nos escalões secundários. Entre o comando de várias equipas seniores, destaque também para a sua passagem pelos escalões de formação do Sporting de Braga.