1773 - RAUL FIGUEIREDO

Filho de Raul Figueiredo “Tamanqueiro” e irmão mais velho de Manuel Filipe Figueiredo, antigo atleta do Benfica e do Torreense, Raul António Leandro de Figueiredo também viria a brilhar no futebol. Curiosamente, só com alguma idade é que o futuro defesa-central acabaria convencido a iniciar-se na modalidade. Primeiro, ao dar seguimento à sugestão de um velho amigo do pai, tentaria o Benfica. Ao falhar nos testes, passados uns tempos, por insistência do patrão da altura, viria a prestar provas no Belenenses. Mais uma vez ficaria aquém do esperado e só numa segunda tentativa haveria de conseguir ser aprovado pelos responsáveis técnicos dos “Azuis”.
Com a entrada nas “escolas” do Belenenses a acontecer em 1945, Raul Figueiredo teria na temporada de 1948/49 a derradeira campanha como júnior. Depois viria a passagem pelos “reservas” e ainda na época de 1949/50, no âmbito de uma digressão pela Alemanha, a estreia pelo conjunto principal. No entanto, apesar de aferido como um elemento de enorme potencial, o jogador, durante alguns anos, apenas conseguiria conquistar um lugar na equipa de secundária dos homens da “Cruz de Cristo”. A mudança de paradigma, com a primeira aparição, numa partida oficial da equipa de honra a acontecer pela mão de Fernando Vaz, começaria a despontar apenas em 1952/53. Ainda assim, a titularidade só viria a assumi-la na época seguinte e numa altura em que Feliciano já começava a aproximar-se do final da ligação ao clube lisboeta.
Daí em diante Raul Figueiredo passaria a figurar como um das figuras centrais nas metas traçadas pelo grupo de trabalho. Um dos momentos que viria a marcar a sua carreira acabaria por ser o Campeonato Nacional de 1954/55, perdido nos instantes finais da prova – “Foi a quatro minutos do fim, Di Pace cometeu falta a meio campo: Travassos marcou o «livre» para Mokuna. Avancei para o congolês e ele rematou contra a minha perna direita, ressaltando a bola para o lado de Martins, que estava desmarcado, pois Pires, na ânsia de me ajudar, deixara-o em liberdade. O Martins estava em «off-side», mas como a bola me batera na perna, estava em jogo quando rematou e fez o tento… Nem quero pensar na mágoa que senti… Foi tremendo!”*
Outro desses episódios surgiria, já com Raul Figueiredo a capitanear a equipa, na inauguração do Estádio do Restelo, a 23 de Setembro de 1956. Também entraria nesse rol de importância, apesar da sua ausência na final, a vitória na Taça de Portugal de 1959/60. No entanto, pelo meio de tantos momentos inolvidáveis, as 3 internacionalizações alcanças por Portugal tomariam outro peso na edificação da sua carreira. Tido como um intérprete incansável, de invejável estampa física, bom no jogo aéreo e com capacidade para controlar a bola com ambos os pés, o defesa-central teria, a 3 de Junho de 1959, a primeira partida disputada com as cores lusas. Depois de já ter sido convocado, sem entrar em campo, para os trabalhos da equipa “B” e até ter representado a selecção de Lisboa, o “amigável” frente à Escócia, durante o qual seria conduzido por José Maria Antunes, daria início a um trajecto que, ainda no decorrer do mesmo ano civil, dar-lhe-ia, no âmbito do apuramento para o Europeu de 1960, mais duas partidas frente à Republica Democrática da Alemanha.
Por fim, com termo da sua carreira como futebolista a acontecer no encerramento das provas agendadas para a temporada de 1959/60, falta assinalar os números a consagrar uma caminhada dedicada, em exclusivo, ao Belenenses e no espraiar da qual, num total de 11 épocas enquanto sénior, o defesa-central participaria em 126 jogos oficiais.

*retirado da entrevista publicada na revista “Crónica Desportiva nº25”, a 29/09/1957

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