1819 - SKOBLAR

Ao começar a caminhada sénior com as cores do NK Zadar, Josip Skoblar viria ser descoberto por  Perica Radenković, guarda-redes internacional jugoslavo a cumprir o Serviço Militar Obrigatório naquela zona. A recomendação feita pelo guardião aos responsáveis do seu clube faria com que o jovem atacante apenas permanecesse essa época de 1958/59 no emblema croata e a temporada seguinte serviria para que fosse apresentado como reforço do OFK Beograd.
Na capital da antiga Jugoslávia, o extremo-esquerdo, muito mais do que somar títulos ao palmarés pessoal, começaria a entrar no radar da Fudbalski savez Jugoslavije. Captada a atenção dos homens à frente da federação, o atacante seria chamado aos trabalhos da selecção “A”. A estreia, a 7 de Maio de 1961, ocorreria num jogo de preparação com a Hungria. Depois dessa partida frente ao conjunto orientado por Lajos Baróti, a presença do jogador na equipa nacional manter-se bem activa e a sua chamada à Fase Final do Campeonato do Mundo de 1962 acabaria encarada com normalidade. Após o 4º lugar alcançado no certame organizado no Chile, o atleta prosseguiria o caminho com as cores da sua nação e até 1967 acrescentaria ao currículo um total de 32 internacionalizações e 11 golos.
No que respeita ao percurso feito com o clube, Skoblar teria na camisola por si envergada uma verdadeira rampa de lançamento para outros patamares europeus. Antes ainda da mudança que viria a alterar a sua vida, o extremo canhoto, glorificado pela excelente técnica, velocidade estonteante e pelo faro goleador, teria nas provas de índole continental o escaparate perfeito. Um bom exemplo surgiria no seguimento da vitória da Taça da Jugoslávia de 1961/62 e com o consequente apuramento para a Taça dos Vencedores das Taças da campanha seguinte. Na prova organizada pela UEFA, com o atleta a merecer um bom destaque, o seu emblema haveria de chegar bem longe e o OFK Beograd, após eliminar o Napoli, atingiria as meias-finais da competição, ronda na qual, para infelicidade do atacante, seria afastado pelos ingleses do Tottenham Hotspurs.
Seria após a conquista da Taça da Jugoslávia de 1965/66 que Skoblar, numa transferência pouco usual para a altura, acabaria contratado pelo Hannover 96. No entanto, o atraso no envio de alguma documentação impedi-lo-ia de fazer a estreia pela agremiação alemã, sendo, no decorrer da temporada de 1966/67, emprestado ao Olympique Marseille. As boas exibições conseguidas em França levá-lo-iam a retornar às competições germânicas onde, em 1967/68, ajudaria a colectividade sediada na Baixa Saxónia a vencer um dos grupos da Taça Intertoto. No resto das provas, nomeadamente nas de cariz interno, o avançado começaria a destacar-se pelos golos marcados. Aferido como um elemento bastante prolífero, mesmo com os resultados do seu colectivo a não ultrapassarem a suficiência, o jogador manter-se-ia no imaginário do emblema gaulês por si anteriormente representado. Recusada de início a proposta para uma possível mudança, a viagem do Presidente dos “Olympiens” até à Alemanha convenceria os responsáveis pelo Hannover 96 a concordar com a saída do atleta e o regresso do atacante à Cote d’Azur concretizar-se-ia já com a época de 1969/70 em andamento.
De volta ao Olympique Marseille, a passagem do jogador, da ala esquerda do ataque, para o centro do sector mais ofensivo cevar-lhe-ia de sobremaneira a reputação. No papel de ponta-de-lança, os desempenhos alcançados catapultá-lo-iam até à consagração do seu nome como um dos melhores intérpretes a actuar na Europa. A prova dessa glorificação emergiria com os títulos conquistados. A nível colectivo, seria uma das principais figuras das vitórias em 2 Campeonatos, 1 Taça e 1 Supertaça. Já no plano individual, o destaque seria ainda maior e o avançado, para além de vencer, em 3 anos consecutivos, o prémio de Melhor Marcador da liga gaulesa, conseguiria, à custa de 44 remates certeiros, ganhar a edição de 1971 da Bota de Ouro.
Após algum desconforto sentido com a mudança de direcção no Olympique Marseille, Skoblar deixaria o emblema gaulês para regressar ao seu país. Com a entrada no HNK Rijeka de 1975/76, o avançado passaria a desempenhar as funções de treinador-jogador. Depois de “pendurar as chuteiras” com termo das provas agendadas para a temporada de 1976/77, o antigo atleta ainda retornaria a França para uma curta experiência como director-técnico dos “Olympiens”. Mais uma vez de volta à Jugoslávia, seria então a vez de, em exclusivo, passar a dedicar-se às tarefas consignadas aos técnicos. Nesse papel, numa carreira que duraria mais de um par de décadas, teria passagens por diversos países e por diferentes emblemas. NK Orijent, de novo o HNK Rijeka, Hamburger, Dinamo Zagreb, Valladolid, Hajduk Split, NK Zagreb, Nimes, NK Zadar e a selecção do Líbano, seriam as divisas a colorirem uma caminhada que, na campanha de 1991/92, também haveria de o plantel primodivisionário do Famalicão.
Concluída a longa senda como treinador, Skoblar ainda voltaria a abraçar outro projecto desportivo e aceitaria, em 2001 e ao envergar de novo as divisas do Olympique Marseille, o cargo de consultor-técnico.

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