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1027 - JIMMY MELIA

O destaque que conseguiria ainda como “schoolboy”, levaria Don Welsh, “manager” do Liverpool, a indicar o jovem médio interior para o emblema de Anfield. Em Merseyside faria também a transição para o patamar sénior e, depois de uma passagem pelas “reservas”, Jimmy Melia estrear-se-ia na equipa principal, na temporada de1955/56. Sendo um futebolista que tinha na visão de jogo a melhor arma, a sua adaptação à alta competição levá-lo-ia, progressivamente, a ganhar um lugar no “onze” dos “Reds”. No entanto, e com a equipa a disputar o 2º escalão inglês, seria a chegada de Bill Shankly que viria a mudar o destino tanto do jogador, como do clube.
Na senda de levantar o Liverpool e de devolvê-lo à glória perdida, o novo treinador usaria Jimmy Melia com um dos pilares da estratégia por ele idealizada. Tendo conseguido a promoção no final da campanha de 1961/62, o regresso da equipa à “division 1” em nada diminuiria o médio. Com exibições de grande nível, também da equipa nacional começariam a olhar para si como um elemento seleccionável. A estreia pela Inglaterra acabaria por acontecer logo na época da sua estreia no escalão máximo. Em Abril de 1963, numa partida frente à Escócia, o centrocampista vestiria pela primeira vez a camisola dos “3 Lions”. Num percurso internacional curto, ainda conquistaria uma segunda oportunidade. Essa disputa com a Suíça serviria também para que o jogador conseguisse marcar um golo pelo seu país.
Outra curiosidade no seu percurso, prender-se-ia com o maior troféu ganho na carreira. O título de campeão inglês chegaria ao seu palmarés em 1963/64. Porém, e tendo participado em grande parte das jornadas, Jimmy Melia não terminaria essa temporada em Anfield. Já no derradeiro terço da época, o médio aceitaria o convite vindo do Wolverhampton. Os Wanderers pagariam, à altura, uma maquia recorde na história do clube. Contudo, a sua passagem pelas Midlands seria breve. A meio da campanha seguinte, pois não contava para o treinador do Wolves, o médio seria transferido para o Southampton.
No emblema do Sul de Inglaterra, Jimmy Melia viveria os últimos anos como futebolista. Aliás, em abono da verdade, a sua derradeira presença em campo tê-la-ia já como treinador-jogador. Nesse sentido, seria com as cores do Aldershot e de seguida com o Crewe Alexandra, que o centrocampista daria os primeiros passos como técnico. No novo papel, o destaque maior viria passados alguns anos. No comando do Brighton & Hove Albion, o antigo internacional conseguiria a proeza de levar o emblema até à final da Taça de Inglaterra de 1982/83.
O que chegaria de seguida levá-lo-ia a mais uma aventura no estrangeiro. Depois de diversas experiências, ainda na década de 70, nos Estados Unidos da América, chegaria à sua carreira o Belenenses. Com os “Azuis” a sofrer os efeitos da primeira descida de escalão na sua história, Jimmy Melia encetaria a sua passagem por Portugal à 7ª jornada do Campeonato da 2ª divisão de 1983/84. Substituindo Fernando Mendes, seria dele o mérito do regresso dos da “Cruz de Cristo” ao patamar máximo do futebol nacional. Contudo, e sofrendo o mesmo destino do seu antecessor, a “chicotada psicológica” também serviria para afastá-lo. Sairia no decorrer da temporada de 1985/86 e para regressar ao seu país.
O resto da sua vida no banco de suplentes levá-lo-ia ainda a mais umas experiências engraçadas. Nos Emiratos Árabes Unidos criaria uma escola de futebol. Já alguns anos depois, e de volta à América, passaria a treinar as camadas jovens de um Liverpool nascido no Texas.

1009 - BOBBY MOORE

Tendo mostrado largas habilidades para o desporto, Bobby Moore, ainda em idade escolar, haveria de dedicar-se ao futebol e ao cricket. No entanto, seria o “jogo da bola” que mais apaixonaria o jovem praticante. Já em 1956, com 15 anos de idade, tomaria a decisão que iria mudar a sua vida. Certo do caminho que queria, ligar-se-ia ao West Ham United e, no emblema de Londres, faria todo o percurso formativo. Passados, sensivelmente, 2 anos após a sua chegada aos “Hammers”, dar-se-ia a sua entrada na equipa principal e a estreia, a substituir o seu ídolo Malcolm Allison, empurrá-lo-ia para uma carreira de enorme sucesso.
A rápida ascensão no clube, levá-lo-ia aos trabalhos da selecção nacional. Já depois da estreia com os sub-23, a grande surpresa surgiria na listagem dos atletas que iriam disputar o Mundial de 1962. Sem nunca ter jogado pela principal equipa inglesa, Bobby Moore ver-se-ia incluído no grupo que haveria de partir para o Chile. Antes ainda do começo da fase final, o defesa conseguiria estrear-se com os “3 leões” ao peito. Nesse “particular” de preparação frente ao Peru, daria o primeiro passo que terminaria com 108 internacionalizações. Como é lógico, de entre essas partidas jogadas, as que mais mereceriam destaque seriam as disputadas durante o Campeonato do Mundo de 1966. No certame organizado em “Terras de Sua Majestade”, e numa altura em que já envergava a braçadeira de “capitão”, o central seria uma das principais figuras da vitória de Inglaterra. Para além dos já referidos torneios, a sua presença estender-se-ia a outros dois certames. Pelo seu país, Moore ainda marcaria presença no Euro 68 e no Mundial de 1970.
Não só com a camisola de Inglaterra, Booby Moore conseguiria tornar-se num ícone. Também no West Ham, com tudo o que ajudaria a conquistar, o seu estatuto elevar-se-ia à condição de estrela. Tendo participado em 16 campanhas, 2 delas haveriam de ficar para a sua história e para a do clube. Num grupo que também contava com Martin Peters e Geoff Hurts, ambos campeões do mundo em 1966, a temporada de 1963/64 traria para as vitrinas do conjunto londrino a Taça de Inglaterra. Na época seguinte à final vencida frente ao Preston North End, o defesa acrescentaria mais 2 troféus ao seu currículo. Primeiro, dividindo o título com o Liverpool, viria o FA Charity Shield. Depois, e na sequência do apuramento para a Taça dos Vencedores das Taças, chegaria ao seu palmarés a glória europeia. Na competição organizada pela UEFA, o atleta voltaria a liderar os seus colegas. Na final frente ao 1860 München, mais uma vez envergaria a braçadeira de “capitão” e, desse modo, seria ele a erguer o almejado troféu.
Apesar de não ser, para a época, um jogador típico na sua posição, Booby Moore tornar-se-ia num dos melhores executantes da história da modalidade. Aliás, seria a sua invulgar maneira de actuar que empurraria o defesa na senda do sucesso. Sem ser um portento nas bolas aéreas ou, sem ser um jogador que tinha na força física a maior arma, a leitura que fazia do jogo permitia-lhe levar de vencido muitos dos confrontos com os avançados contrários. A maneira como conseguia chegar aos lances antes dos adversários, valer-lhe-iam rasgados elogios. Pelé, na sequência dos embates entre ambos, chegaria a afirmar que o inglês era o atleta mais difícil de ultrapassar. Com a notoriedade que acabaria por alcançar, várias seriam as distinções ganhas ao longo do seu percurso profissional. Entre muitos prémios, ser-lhe-iam entregues o FWA Footballer of the Year de 1964, o BBC Sports Personality of the Year de 1966 ou, já a título póstumo, o PFA Player of the Century.
Em 1974 chegaria ao fim a sua ligação com os “Hammers”. Naqueles que seriam os últimos capítulos da sua carreira, Bobby Moore passaria ainda por mais alguns emblemas. Em Inglaterra, o defesa vestiria as cores do Fulham. Com o novo emblema conseguiria, mais uma vez, atingir a final da FA Cup. No desafio disputado em Wembley, o West Ham seria o adversário. Contudo, o atleta, com o seu conjunto a perder a peleja, teria que viver com a consolação de ver o seu antigo clube vencer o troféu.
Antes ainda de passar a dedicar-se às tarefas de “manager”, Bobby Moore teria ainda tempo para uma passagem pelos Estados Unidos da América e pela Dinamarca. Já como técnico, numa carreira bem longe do sucesso que havia granjeado como futebolista, o antigo internacional orientaria apenas conjuntos de menor monta. Essa curta experiência seria preenchida por Oxford, Southend United e, em Hong Kong, pelo Eastern AA.

842 - GEOFF HURST

Filho do antigo profissional Charlie Hurst, que representou clubes como Bristol Rovers, Oldham Athletic e Rochdale, foi também com entusiasmo que Geoff deu os primeiros passos no “jogo da bola”. Já depois das partidas de rua, a modalidade entraria no seu quotidiano através do Chipstead. Seria a jogar pela modesta colectividade que o jovem atleta viria a ser descoberto por um dos históricos do futebol inglês. Ainda adolescente entraria nos escalões de formação do West Ham para, ainda em idade menor, conseguir estrear-se na 1ª categoria.
Depois dessa primeira chamada em Dezembro de 1958, a sua integração no plantel principal aconteceria no decorrer da temporada de 1959/60. Apesar de tão precoce estreia, a verdade é que ao avançado não seriam dadas tantas oportunidades quanto ele estaria à espera. Essa falta de chamadas à equipa levaria a que Geoff Hurst pensasse em dedicar-se à sua outra paixão. Em simultâneo com o futebol, também o cricket já fazia parte da sua vida. Atleta do Essex County, o futebolista ponderaria abandonar os “Hammers” para dedicar-se em exclusivo à outra modalidade. Felizmente, a chegada de um novo treinador ao emblema londrino fá-lo-ia mudar de ideias e seria o futebol que passaria a merecer toda a sua atenção.
A chegada de Ron Greenwood ao comando do West Ham não só mudaria a sua opinião quanto ao seu futuro na modalidade, como alteraria a sua posição de campo. Tendo começado a jogar no meio-campo, o novo treinador mudá-lo-ia para funções mais avançadas no terreno de jogo. Entendendo que, defensivamente, o jogador estava muito aquém daquilo que era pedido a um centrocampista, o técnico passa a pô-lo como atacante e os bons resultados depressa apareceriam.
Foi então como avançado-centro que Geoff Hurst conseguiria destacar-se. Já nessa posição auxiliaria o clube a alcançar importantes vitórias. Na temporada de 1963/64, numa final frente ao Preston North End, um golo do ponta-de-lança ajudaria a conquistar a FA Cup (3-2). Já a época seguinte ficaria imortalizada pela campanha na Taça dos Vencedores das Taças. Depois do emblema britânico ter eliminado os espanhóis do Real Zaragoza nas meias-finais (2-1; 1-1), o embate com o TSV 1860 München (2-0) daria ao atleta o único troféu nas competições europeias.
Claro que aquilo que mais popularizou a sua carreira foi o Mundial de 1966. No torneio organizado em Inglaterra, o avançado seria um dos mais importantes membros do grupo orientado por Alf Ramsey. É verdade que dos seis desafios disputados pelos “3 Lions”, Geoff Hurst apenas participaria em metade. No entanto, os golos que marcaria seriam essenciais para a sua selecção. Mesmo só tendo entrado em campo na fase de eliminatórias, o jogador começaria logo por marcar no jogo referente aos quartos-de-final. Mas se o tento conseguido frente à Argentina seria fulcral no progredir da sua equipa, o que dizer da sua actuação no derradeiro embate do certame? Frente à República Federal Alemã, o atacante estabeleceria um novo recorde. Com um “hat-trick”, feito até hoje não repetido numa final, daria, em direcção à vitória, um importante empurrão ao conjunto inglês. Essa partida, que terminaria com o “placard” em 4-3, ficaria também marcada por um dos momentos mais controversos na história dos Campeonatos do Mundo. Aquele que seria o 3º remate certeiro para os britânicos, 2º para Hurst, ficaria envolto em enorme polémica. Depois de um chuto violento do ponta-de-lança, a bola iria acertar na trave para, de seguida, embater no chão. Wolfgang Weber ainda cabeçaria o esférico para trás da baliza. Contudo, com o aumentar dos protestos, o arbitro decide consultar o fiscal-de-linha e um golo acabaria por ser validado.
Após deixar o West Ham em direcção ao Stoke City, e naquilo que seriam os últimos anos da sua caminhada como futebolista, Geoff Hurst passaria por diversos emblemas e campeonatos. Ainda nas Midlands, o avançado vestira as cores do West Bromwich Albion. Pelo estrangeiro, primeiro por empréstimo dos “Potters”, jogaria pelos sul-africanos do Cape Town City. Também vestiria as cores dos Cork Celtic e, na liga norte-americana, dos Seattle Sounders. Depois de se retirar dos relvados, o antigo internacional ainda daria início a uma carreira como treinador. Nessas funções destaque para o seu desempenho à frente do Chelsea ou do Kuwait Sporting Club.