Mostrar mensagens com a etiqueta 2002-03. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2002-03. Mostrar todas as mensagens

1807 - MÁRIO SÉRGIO

Com o percurso formativo concluído ao serviço do Paços de Ferreira, seria também com os “Castores” que Mário Sérgio Leal Nogueira, lançado por José Mota, encetaria a caminhada entre os seniores. Depois dessa primodivisionária época de 2000/01, durante a qual pouco jogaria, a campanha seguinte, com um acréscimo substancial de presenças em campo, seria de enorme valor para o jovem atleta. Como consequência desse aumento de participações, também da Federação Portuguesa de Futebol começariam a reparar nas suas qualidades. Por Portugal, o defesa-direito entraria em jogo, pela primeira vez, a 5 de Fevereiro de 2002. No seguimento da contenda frente à Eslováquia, cumprida no âmbito dos trabalhos agendados para os sub-20, o atleta continuaria a somar internacionalizações. Nesse percurso, concluído com um total de 27 pelejas com a “camisola das quinas”, os maiores destaques emergiriam com as suas chamadas à edição de 2004 do Euro sub-21 e, ainda no mesmo ano, aos Jogos Olímpicos realizados em Atenas. O defesa chegaria igualmente a ser convocado para a equipa “A”. No entanto, no particular frente à Escócia, realizado a 20 de Novembro de em 2002, Agostinho Oliveira mantê-lo-ia no banco de suplentes e a possibilidade de participar numa contenda da principal selecção lusa gorar-se-ia nessa ocasião.
Potenciado pelas 3 temporadas feitas ao serviço do Paços de Ferreira, Mário Sérgio começaria a despertar o interesse de emblemas de maior monta. Em 2003/04, cotado como um dos intérpretes do futebol luso com maior potencial, o defesa seria apresentado como reforço do Sporting. Em Alvalade, primeiro por razão da presença de Miguel Garcia e depois com a contratação do brasileiro Rogério, o jogador, tanto com Fernando Santos, como sob a égide de José Peseiro, não viria a ter muito espaço para demonstrar as qualidades desportivas – “Já o disse anteriormente e não tenho problemas em dizê-lo novamente. Se calhar não estava 100 por cento preparado quando fui para o Sporting. Encontrei uma realidade totalmente diferente e as coisas não correram como queria”*.
A solução encontrada para a falta de jogos surgiria com o empréstimo ao Vitória Sport Clube. Concluída a temporada de 2005/06, a surpreendente despromoção do emblema de Guimarães faria com que Mário Sérgio procurasse outro emblema. Já liberto de qualquer obrigação contratual a ligá-lo aos “Leões”, o defesa-direito rubricaria uma ligação com a Naval 1º de Maio. Na Figueira da Foz, ao conquistar a titularidade, o atleta viveria o melhor período passado em Portugal. Valorizado por duas campanhas de bom nível, seria do estrangeiro que viriam os novos convites e o Leste da Europa transformar-se-ia no seu próximo destino – “Fui para a Ucrânia através do Ricardo Fernandes. Ele já lá estava e o treinador do Metalurg Donetsk disse-lhe que precisava de um lateral-direito. Ele falou-me da Ucrânia e aceitei o que me foi oferecido”*.
Instalado na colectividade sediada no Donbass a partir de 2008/09, Mário Sérgio, para além do nome referido no parágrafo anterior, jogaria ao lado do arménio Mkhitaryan e de outros atletas com passagens pelo futebol luso, casos de Filipe Teixeira, China e Kingsley. Pelo Metalurg, no decorrer de 4 campanhas, o defesa voltaria às competições continentais e na final da Taça da Ucrânia de 2009/10 marcaria presença em campo, concretizaria um golo, mas o resultado final de 3-2 penderia para o lado do SC Tavriya.
O capítulo seguinte da sua carreira viria com a mudança para o Chipre. Com a entrada no APOEL a acontecer 2012/13, Mário Sérgio, apesar de disputar as provas de um país na terceira linha do futebol europeu, cumpriria o sonho de, na temporada de 2014/15, atingir a Fase de Grupos da Liga dos Campeões. Também a nível interno, a passagem do defesa-direito pela agremiação de Nicosia haveria de trazer ao seu currículo momentos inolvidáveis e em pouco mais de 4 anos ajudaria a conquistar 5 Campeonatos, 2 Taças e 1 Supertaça.
Depois de, ainda em 2016/17, vir a integrar o plantel do Apollon Limassol, Mário Sérgio, na campanha seguinte, regressaria a Portugal. No Varzim, como posteriormente ao serviço do Felgueiras, o jogador passaria um par de campanhas. Em 2021/22, ainda com muita vontade de competir, surgiriam as provas amadoras e o Maia Lidador, para, no termo da campanha seguinte e já com as cores dos Aliados de Lordelo, tomar a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Paralelamente aos últimos capítulos da carreira enquanto atleta, Mário Sérgio, nas camadas jovens do Aliados de Lordelo, haveria de dar os primeiros passos como treinador. Também experimentaria as funções executivas, ao aceitar o cargo de director-desportivo do São Martinho. Em 2023/24 passaríamos a vê-lo de novo com a camisola do Sporting e nestas últimas 4 épocas tem actuado nas provas organizadas para as “Lengends”.

*retirado do artigo de Vítor Maia, publicado a 9/10/2021, em https://maisfutebol.iol.pt/

1237 - MOREIRA


Ainda como atleta das “escolas” do Salgueiros, onde faria a quase totalidade da sua formação, as qualidades demonstradas levariam os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol a convocá-lo aos trabalhos das jovens selecções lusas. Depois da primeira internacionalização, ocorrida em 1997 pelos sub-16, o guardião passaria a ser um dos nomes com presença habitual nas convocatórias. Passaria por todos os escalões e, em Julho 1999, juntar-se-ia ao grupo que, orientado por Agostinho Oliveira, venceria o Campeonato Europeu de sub-18.
Seria na temporada imediatamente a seguir à conquista mencionada no final do parágrafo anterior, que o guarda-redes acabaria por mudar a sua vida para Lisboa. Na campanha de 1999/00, com Jupp Heynckes no comando técnico das “Águias”, começaria por integrar os planos da equipa principal, acabando, na primeira metade da época, por fixar-se como o suplente de Robert Enke. Tapado pelo jogador alemão, e ainda com a concorrência de Carlos Bossio e Nuno Santos, só no conjunto “b” é que conseguiria algumas oportunidades para jogar. No ano seguinte, o plantel secundário dos “Encarnados”, na totalidade das partidas disputadas por si, voltaria a preencher o calendário competitivo do atleta e só em 2001/02 é que Moreira veria esse paradigma a começar a alterar.
A época de 2002/03 e também a seguinte desenrolar-se-iam já com Moreira como dono de um lugar no “onze” benfiquista. A titularidade levá-lo-ia a ser visto como um dos pilares da conquista da Taça de Portugal de 2003/04. No Estádio Nacional, frente a um FC Porto a atravessar uma fase áurea, o guarda-redes alinhar-se-ia como um verdadeiro baluarte e ajudaria as “Águias” a erguer o troféu. O êxito conseguido no Jamor empurrá-lo-ia, de forma natural, para o Europeu de sub-21 e, imediatamente a seguir, para a convocatória arrolada por Luiz Felipe Scolari. Como um dos três guardiões escolhidos para a disputa do Euro 2004, o atleta, mesmo sem ter entrado em campo no certame organizado em Portugal, faria parte do grupo que levaria a “Equipa das Quinas” até à final, mas que, em Lisboa, acabaria por perder, frente à Grécia, a derradeira peleja do torneio.
Depois de ter participado nas Olimpíadas de 2004, a contratação de Quim por parte do Benfica, levaria o jogador a perder algum do protagonismo amealhado nas épocas anteriores. Com o lugar à baliza dividido entre os dois guarda-redes, os “Encarnados”, orientados por Giovanni Trapattoni, haveriam de pôr fim a um longo jejum de 11 anos sem ganhar o Campeonato. Alguns meses após os festejos relativos ao título nacional, com Moreira a entrar em campo alinhado no “onze” inicial, chegaria ao palmarés do atleta a vitória na edição de 2005/06 da Supertaça Cândido de Oliveira. Contudo, essa última conquista como que marcaria o início de uma das piores fases da carreira do guardião. Assolado por graves lesões, poucas seriam as vezes que acabaria escolhido para titular. A excepção a essa “travessia no deserto” aconteceria apenas na temporada de 2008/09, durante a qual conseguiria alinhar num bom punhado de jogos. Esse regresso a uma realidade competitiva mais regular, levá-lo-ia a ser chamado à principal selecção portuguesa e a 12 de Agosto de 2009, num particular com o Liechtenstein, acabaria por alcançar a primeira internacionalização “A”.
O fim da ligação entre o atleta e o emblema da Luz chegaria em 2011. Seguir-se-iam algumas experiências no estrangeiro, com Moreira a aventurar-se na “Premier League. Após um ano ao serviço do Swansea, o jogador mudar-se-ia para o Chipre, onde, durante 3 campanhas, defenderia as redes do Omonia. Regressaria a Portugal já na derradeira fase da caminhada competitiva, onde Olhanense, Estoril Praia e Cova da Piedade antecipariam a conclusão da sua carreira enquanto futebolista. No entanto, e apesar de “pendurar as luvas” em 2019, o antigo guardião manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador de guarda-redes, passaria a adjuvar o romeno Lucescu e já conta com passagens pelos sauditas do Al Hilal e pelos gregos do PAOK.

1211 - MÁRIO CARLOS

Ao emergir nas “escolas” do Vitória Futebol Clube, Mário Carlos depressa conseguiria afirmar-se não só como uma grande promessa dos “Sadinos”, mas de todo o desporto nacional. A prova disso mesmo surgiria com as constantes chamadas aos trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com a camisola lusa, em Janeiro de 1999, o extremo estrear-se-ia pelos sub-15. Seria, no entanto, ao juntar-se aos sub-16 que alcançaria o primeiro grande troféu. No Campeonato da Europa da categoria, cuja Fase Final seria organizada em Israel, ao lado de Raul Meireles, Hugo Viana, Custódio ou Ricardo Quaresma, o atacante ajudaria a vencer a edição realizada em 2000.
Mantendo-se com um dos nomes habituais nas convocatórias dos diferentes patamares das jovens selecções, onde chegaria até aos sub-21, a sua estreia como sénior encher-se-ia de grandes expectativas. Nessa época de 2002/03, mesmo com o Vitória Futebol Clube, em termos colectivos, a desiludir, a verdade é que o extremo, ao assumir-me como um dos melhores elementos do plantel faria incidir sobre si muitos holofotes. Depois do emblema setubalense não conseguir mais do que a última posição da tabela classificativa, Mário Carlos evitaria a descida ao 2º escalão. Com os ingleses do Wolverhampton Wanderers também na corrida pela sua contratação, seria a Madeira, com uma promessa à mistura, que acabaria como o destino do atacante – “Nessa altura falava-se muito que eu seria o sucessor do Quaresma no Sporting (…). O meu empresário era o Jorge Mendes, que nesse verão de 2003 meteu o Ronaldo no Manchester United e o Quaresma no Barcelona. A mim disse-me: «Vais para o Nacional que eu em dezembro ou no final da época meto-te no Sporting»”*.
Porém, apesar de um início de época auspicioso, várias lesões fá-lo-iam perder o lugar no “onze” e transformar aquilo que poderia ter sido uma rampa, numa temporada, em termos pessoais, algo frustrante. Seguir-se-ia a União de Leira e mais um episódio curioso. Depois de, no começo da temporada 2004/05, ter chegado à final da Taça Intertoto, o último dia antes do fecho do “mercado” de transferências, surpreendentemente, veria Mário Carlos ser “emprestado” ao Sporting de Espinho. Daí em diante, o percurso do jogador entraria num périplo um tanto errante. Barreirense, os romenos do Farul, o regresso à 1ª divisão e ao Vitória de Setúbal e os espanhóis do Zamora antecederiam a sua aposta na liga cipriota.
No Alki Lanarca de 2007/08 encontrar-se-ia com vários nomes conhecidos do futebol português e com um contexto, pelo menos em termos financeiros, simpático. Ao lado de Clayton, Elpídio Silva, Chaínho, entre outros, Mário Carlos voltaria a dar bons sinais desportivos. Todavia, a mudança de clubes e a crise financeira em que o país haveria de entrar, fariam com que o aspecto monetário deixasse de ser assim tão atractivo. Nesse sentido, após a passagem pelo Ermis Aradippou, a sua entrada no Chalkanoras Idaliou levá-lo-ia a ter que enfrentar vários meses de salários em atraso. Com o agravar da situação e já desiludido com o “universo” do futebol, o extremo tomaria uma decisão radical e, com apenas 29 anos, decidiria que a temporada de 2011/12 haveria de ser a sua última como praticante profissional.
De seguida mudar-se-ia para Inglaterra. Afastado da modalidade que o tinha acompanhado a vida toda, agarraria a oportunidade para trabalhar num armazém, a descarregar contentores. No desporto, voltaria a competir. Apaixonar-se-ia pelo Thai Boxe, mas as lesões, depois de ter atingido o 12º posto do “ranking” britânico, levá-lo-ia a desistir dos combates. Cambiaria de profissão e também de modalidade, agarrando-se às tarefas de Segurança e ao Culturismo. Finalmente, mais uma mudança e a oportunidade conseguida como condutor de camiões TIR.

*retirado da entrevista conduzida por Vítor Hugo Alvarenga, publicada a 12/12/2019, em https://maisfutebol.iol.pt

1007 - JOÃO TOMÁS


Filho de uma professora primária e de um professor de Educação Física, seria a carreira futebolística do pai que daria força à sua entrada na modalidade. Seguindo os passos do progenitor, que, por opção, cumpriria todo o percurso como amador no Oliveira do Bairro, o pequeno João Tomás acabaria por ir a testes no mesmo emblema. Curiosamente, a primeira tentativa abortaria. Assustado e já depois de deixado no campo, o candidato a jogador esconder-se-ia por baixo das bancadas. Descoberta a manobra de fuga, ser-lhe-ia dada uma segunda oportunidade que, bem agarrada, daria ensejo a um percurso formativo feito no já referido emblema do Distrito de Aveiro.
Aos olhos do que foi a sua carreira, o episódio seguinte da sua caminhada desportiva só pode ser visto com enorme espanto. Na transição para a categoria principal, João Tomás seria preterido pelo Oliveira do Bairro. Depois de inscrito na lista de dispensas, o atleta não hesitaria na hora de dar continuidade à sua paixão e passaria a representar o modesto Arviscal. Nas “distritais” ainda vestiria as cores do Águas Boas até que, na entrada para a 3ª campanha como sénior, dar-se-ia a sua chegada aos escalões nacionais. Ainda que na 3ª divisão, a temporada feita no plantel do Anadia tornar-se-ia de extrema importância para a sua evolução.
Depois de no Águas Boas ter passado do meio-campo para zonas mais avançadas do terreno de jogo, João Tomás começaria a temporada de 1995/96 já bem adaptado às tarefas de ponta-de-lança. Essa campanha com o Anadia, com o emblema a disputar os lugares cimeiros da sua série, despertaria o interesse de colectividades de outra monta. Na sequência de tamanho crescimento, a Académica convidá-lo-ia para prestar testes em Coimbra. Agradados com o seu desempenho, os responsáveis pelos “estudantes” aprovariam a sua integração no grupo de trabalho. O atacante, muito mais do que um futebolista com grande potencial, passaria a personificar aquele que é um dos grandes pilares da história da “Briosa”. Sem descurar o percurso escolar, a contratação do avançado serviria também para sustentar a filosofia do “atleta-estudante”.
Apesar de uma adaptação difícil, a 1ª temporada passada em Coimbra terminaria com o clube a conseguir a promoção ao escalão máximo. A subida permitiria a João Tomás fazer da campanha de 1997/98 a da sua estreia na 1ª divisão. Mesmo sem ser um dos indiscutíveis da equipa, a sua constante utilização permitir-lhe-ia, nas 2 épocas seguintes, evoluir de forma positiva. Contudo, no final de1998/99 a Académica haveria de cair novamente nos patamares secundários. Para o avançado, aquilo que poderia ser visto como um revés, tornar-se-ia numa grande oportunidade. Com a primeira metade da época bem prolífera, a quantidade de golos por si marcados abrir-lhe-iam, ao entretanto apelidado “Jardel de Coimbra”, as janelas de outros horizontes.
Com o seu empresário ligado ao Benfica, seria então José Veiga que levaria o avançado para Lisboa. Mesmo liberto dos terríveis anos de João Vale e Azevedo, o clube sofria ainda de muitas convulsões. Mesmo com o colectivo a alcançar qualificações bem abaixo das expectativas, João Tomás conseguiria boas prestações. As suas exibições acabariam por, naturalmente, levá-lo à principal selecção portuguesa. A estreia, sob a alçada de António Oliveira, aconteceria em Novembro de 2000. Depois dessa partida frente a Israel, o ponta-de-lança voltaria a ser chamado. Por Portugal, atravessando as fases de qualificação para o Mundial de 2002 e Euro 2008, conseguiria vestir a “camisola das quinas” por mais 3 ocasiões.
Outro reflexo das boas participações que teria com as cores do Benfica, seria o interesse do Real Betis. Mesmo com alguma indecisão sobre as vantagens desportivas de tal mudança, as questões financeiras acabariam por levar João Tomás à “La Liga”. Com uma primeira temporada a terminar com um saldo positivo, as graves lesões que na campanha seguinte fustigariam o avançado, deixá-lo-iam numa situação periclitante. Sem espaço no plantel sevilhano, seguir-se-iam empréstimos a Vitória de Guimarães e Sporting de Braga. A partir desse momento, o seu percurso tornar-se-ia um pouco mais errante. Com a carreira a dividir-se entre Portugal e diferentes países do Médio Oriente, o atleta jogaria no Qatar, Emiratos Árabes Unidos e, no regresso ao nosso país, com as cores do Boavista e Rio Ave.
Seria em Vila do Conde que João Tomás voltaria a ter a dimensão que merecia. Sendo um avançado de área, o seu sentido posicional e a capacidade de empurrar o esférico para dentro das balizas adversárias, acrescentariam muitos golos ao seu currículo. Mesmo com uma idade avançada para os padrões da alta competição, os remates certeiros voltariam a pô-lo nas tabelas dos melhores marcadores. Com o listado verde e branco, o internacional português chegaria aos 100 golos primodivisionários e, nessa senda finalizadora, ultrapassaria N’Hbola como o melhor marcador da história dos vilacondenses, no escalão máximo do futebol luso.
Antes de pôr um ponto final na carreira competitiva, tempo ainda para uma experiência no Recreativo do Libolo. Depois da curta passagem por Angola, o fim do seu percurso futebolístico daria azo ao regresso aos estudos universitários. Já como aluno de Mestrado, e depois de ter tido a oportunidade de ser treinador dos avançados do Sporting de Braga, João Tomás seria convidado a desempenhar as funções de dirigente. No Famalicão, entre 2017 e 2018, passaria a ocupar a posição de Director Desportivo.

982- JANKAUSKAS


A carreira daquele que, até aos dias de hoje, pode ser visto como um dos melhores futebolistas do seu país começaria no Zalgiris Vilnius. A ida para o novo clube, onde faria a estreia sénior ainda em idade adolescente, permitir-lhe-ia, quase automaticamente, a estreia pela selecção nacional. Com as cores da Lituânia conseguiria frente à Estónia, e com 16 anos apenas, a primeira internacionalização “A”. Essa edição de 1991 da Taça do Báltico acabaria por representar um pouco mais no seu trajecto desportivo e, com a vitória da sua equipa no torneio, dar-lhe-ia também o primeiro troféu da carreira.
Com o andar dos anos, com os golos que abrilhantariam as suas exibições e com as competições ganhas, o seu valor começaria a subir. Mesmo não tendo a Liga lituana grande visibilidade, a verdade é que a proximidade histórica e geográfica com a Rússia levaria a que alguns clubes desse país reparassem nas capacidades de Jankauskas. Fisicamente possante e com um bom sentido de área, o CSKA de Moscovo veria no ponta-de-lança um bom reforço. Após ter vencido 2 Ligas e 3 Taças no seu país, a mudança para a capital russa representaria um grande desafio. No entanto, o atleta não deixaria amedrontar-se e no já referido emblema, tal como na mudança para o Torpedo, o avançado continuaria a brindar os adeptos com jogos de qualidade superior.
Depois de ter chegado à Rússia em 1996, seria para a temporada de 1997/98 que nova mudança surgiria na sua caminhada profissional. A transferência para o Club Brugge acabaria por catapultar o estatuto do atleta. A vitória na “Pro League”, logo na época da sua chegada, e a conquista da Supertaça da campanha seguinte, serviriam, a par da constância dos seus golos, para colorir ainda mais o seu percurso. Em Janeiro de 2000, conseguiria alcançar mais uma marca para a sua carreira e para o desporto do seu país. Com a Real Sociedad a comprar o seu “passe”, os valores envolvidos nesse negócio transformariam Jankauskas no praticante mais caro de sempre na história do futebol lituano.
O capítulo seguinte na sua carreira seria, sem sombra de dúvidas, o mais prolífero. Apesar do sucesso alcançado ter sido vivido mais a Norte, a sua entrada em Portugal far-se-ia através de um “empréstimo” ao Benfica. Depois de meia temporada sob a orientação de Jesualdo Ferreira, o FC Porto conseguiria passar à frente das “Águias” e, em definitivo, contratar o ponta-de-lança. Com os “Azuis e Brancos” na alçada de José Mourinho, o clube atravessaria uma das mais brilhantes fases da sua história recente. O resultado desses dois anos de Jankauskas na “Cidade Invicta” saldar-se-ia por, nada mais que a vitória em 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça, 1 Taça UEFA e 1 Liga dos Campeões.
Com a substituição de Mourinho por Luigi Del Neri e, logo de seguida, com a contratação do espanhol Víctor Fernandez, o ponta-de-lança acabaria por perder o seu espaço no plantel do FC Porto. A solução encontrada na sua cedência ao Nice levaria Jankauskas a entrar numa fase mais errante. Com presença em 8 países e 9 emblemas diferentes, destaque para a sua presença sua passagem pelos escoceses do Hearts, pela MLS e, num curto regresso a Portugal, a meia temporada feita pelo Belenenses.
Já os seus últimos anos como futebolista seriam passados em convivência com os primeiros passos que daria como treinador. Tendo começado nas tarefas de adjunto em emblemas como o Hearts ou Lokomotiv de Moscovo, esse percurso levá-lo-ia ao cargo de seleccionador da Lituânia. Como timoneiro principal da equipa nacional do seu país, o antigo avançado faria a Fase de Qualificação para o Mundial de 2018 e a UEFA Nations League.

962 - AGOSTINHO

Com presenças regulares nos diversos patamares das jovens selecções nacionais, Agostinho perfilava-se para ser uma das grandes estrelas do futebol português. A participação no Europeu sub-16 de 1992 e, numa altura em que já tinha feito a sua estreia pelo escalão sénior do seu clube, a chamada ao Mundial sub-20 de 1995, serviriam para sublinhar toda a esperança nele depositada.
Logo após essa presença no Campeonato do Mundo organizado no Qatar, os rumores da sua transferência começariam a circular nos títulos dos jornais. Remontando a sua estreia na equipa principal do Vitória de Guimarães à temporada de 1993/94, os resultados apresentados nas duas campanhas realizadas até aí davam azo a muitas especulações. Mesmo sem conseguir conquistar um lugar como titular, o extremo, pelo potencial revelado, era um atleta apetecível. Vaticinado pelos periódicos desportivos como futuro jogador, a exemplo, do Benfica, a verdade é que o destino do jovem esquerdino acabaria por ser bem diferente.
Sem conseguir resistir ao “glamour” do Real Madrid, o atacante acabaria por rumar a Espanha. Nos “Merengues”, sem lugar no conjunto principal, Agostinho acabaria por ser integrado nos trabalhos da equipa “B”. Daí até à transferência para o Sevilla seria um pequeno salto. Contudo, tanto num emblema como no outro, a desilusão seria o único resultado da mudança para o “país vizinho”. Nem a presença de Toni no clube andaluz daria ao atacante a força necessária para vencer o novo desafio. O extremo esquerdo acabaria por não conseguir impor-se nessa temporada de1995/96 e só após alguns anos eclipsado nos escalões secundários é que o futebolista português voltaria a ter a chance de conseguir estrear-se na “La Liga”.
Após passagens pelo Salamanca e pelo Las Palmas, a sua ida para o Málaga voltaria a pô-lo na rota dos grandes palcos. Tendo sido contratado para a temporada de 1998/99, o final dessa campanha e a promoção alcançada no final da mesma, dariam a oportunidade para Agostinho disputar o escalão máximo do futebol espanhol. Ao contrário do que até então tinha acontecido, o avançado, finalmente, conseguiria mostrar a sua habilidade. Com presenças regulares nas fichas de jogo, o atleta viveria essas duas campanhas primodivisionárias como, provavelmente, as melhores da sua carreira.
Daí em diante o seu trajecto voltaria a entrar numa errância que, em pouco, o beneficiaria. Paris Saint-Germain e o regresso à 1ª divisão “lusa” pelas mãos do Moreirense seriam os passos iniciais de um trajecto que retomaria as constantes mudanças da fase inaugural da sua caminhada profissional. Entre Portugal e Espanha acabariam divididas as apostas feitas por si. Nesse desenrolar, destaque para a temporada de 2005/06, durante a qual o Rio Ave representaria a derradeira experiência entre os “grandes”. Poli Ejido, Felgueiras, Valdevez, Palencia e mais alguns emblemas de cariz amador seriam os nomes que também colorariam esse último período.

919 - FÉHER

Já ia na segunda temporada como sénior quando o prémio de Melhor Jogador Jovem do ano foi atribuído ao avançado. O galardão conquistado em 1997, em simultâneo com a sua presença no Campeonato da Europa de sub-18, levaria a que a carreira de Miki Féher passasse a ser observada com um pouco mais de atenção.
Nesse sentido, a evolução que ia mostrando ao serviço do Gyõri ETO faria com o FC Porto decidisse apostar na sua contratação. Por altura da sua chegada ao Estádio das Antas, Féher era tido como uma das maiores esperanças do futebol magiar. No entanto, com os “Azuis e Brancos” a viver os anos do “Penta”, a adaptação do jovem atleta não seria a mais fácil. Com o sector mais ofensivo dos “Dragões” entregue a nomes como Mário Jardel, Quinzinho ou Mielcarski, o húngaro teria que contentar-se com o facto de, para a época de 1998/99, não conseguir ser mais que uma segunda ou terceira escolha.
Na segunda temporada em Portugal, e tendo em conta que a esperança depositada em si continuava bem presente, a gestão da sua carreira levaria o FC Porto a emprestá-lo a outros emblemas. Com receio que o avançado tivesse pouco espaço no plantel “Azul e Branco”, a cedência ao Salgueiros e, já na campanha seguinte, ao Sporting de Braga parecia ser a solução mais acertada. Após não ter passado da equipa “b” na primeira metade 1999/00, a ida para Paranhos acabaria por ter o resultado esperado. Com mais oportunidades para jogar, o ponta-de-lança começaria a demonstrar que a sua contratação não tinha sido um equívoco.
Os golos conseguidos durante essa temporada e meia, levariam a que o seu regresso ficasse assegurado. As portas das Antas, para a temporada 2001/02, abrir-se-iam mais uma vez ao atacante. Todavia, o que parecia ser uma nova oportunidade acabaria por tornar-se em mais um revés no seu percurso. Por alegados desentendimentos entre o seu empresário e o Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, um ultimato seria feito ao jogador. Com Féher a tomar a posição do seu representante, a consequência de tal decisão seria a sua proscrição. Ainda assim e sem conseguir jogar regularmente, a verdade é que a sua presença na selecção pouco seria afectada. Depois de ter feito a estreia pela equipa “A” húngara em Outubro de 1998, a assiduidade com que era convocado serviria de tónico para uma nova aposta. Esse desafio viria de um dos maiores rivais do FC Porto e o atleta acabaria por rumar a Sul.
No Benfica, mesmo sem conseguir conquistar um lugar como titular absoluto, tudo parecia apontar para o despontar do avançado. A segunda temporada com as “Águias”, a de 2003/04, indicava isso mesmo. Sendo um dos suplentes mais utilizados, foi sob esse estatuto que, a 25 de Janeiro de 2004, entraria em campo. A viagem a Guimarães, a contar para a 19ª jornada do Campeonato Nacional, adivinhava-se difícil. No sentido de tentar conquistar os 3 pontos, aos 59 minutos, José António Camacho faria o atacante entrar em campo. Perto do fim do encontro os “Encarnados”, com a tentativa certeira de Fernando Aguiar, conseguiriam inaugurar o “placard”. Quando tudo parecia encaminhar-se para mais uma vitória, é então que a desgraça desaba sob o Estádio D. Afonso Henriques. Já nos descontos, e logo após ver um cartão amarelo por obstruir o lançamento de Rogério Matias, Miki Féher esboça um sorriso e cai no relvado. Inanimado na sequência de um problema cardíaco fulminante, o internacional húngaro acabaria por falecer.
Durante os tempos vindouros, as homenagens suceder-se-iam. O clube anunciaria a retirada do número 29; o seu corpo, em câmara ardente no Estádio “da Luz”, receberia a visita das mais altas figuras, colegas e rivais; um busto seria esculpido em sua memória; todos os jogadores do plantel, no jogo seguinte, entrariam em campo com o seu nome nas camisolas; a Taça de Portugal, vencida nesse ano, seria a si dedicada; e, em 2009, o Benfica anunciaria um galardão com o seu nome, para premiar jovens desportistas húngaros.

851 - SIMÃO SABROSA

Nascido em Trás-os-Montes, seria na Diogo Cão, pequeno clube sediado na escola com o mesmo nome, que daria os primeiros passos na modalidade. Em Vila Real, sendo um dos melhores atletas da referida colectividade, chamaria a atenção dos responsáveis do Sporting, que acabariam por convencê-lo a vir para Lisboa.
Ainda muito novo, a mudança para a capital não seria fácil para Simão. Apesar de, por várias vezes, ter pensado em desistir, a verdade é que a paixão pela modalidade superaria as dificuldades de estar longe de casa. Tão precoce era o seu talento que, ainda em idade júnior, conseguiria estrear-se pelos seniores. Na temporada de 1996/97, o atacante faria a primeira partida pela equipa principal “leonina”. Nesse jogo frente ao Salgueiros marca um golo e sela a qualificação do clube para a “Champions”. Daí em diante, transforma-se numa das principais estrelas dos “Leões”, acabando por ser chamado à selecção nacional.
Simão Sabrosa, que até já tinha sido campeão europeu s-17 por Portugal (1996), é convocado por Humberto Coelho para um particular. Nesse encontro disputado em Novembro de 1998, e tal como tinha acontecido na estreia pelo Sporting, o atacante consegue marcar um golo frente a Israel. Todavia, e apesar de um início auspicioso, o jogador só começa a ser presença habitual com a camisola de Portugal a partir de 2000.
Resultado de uma lesão, e numa altura em que já tinha passado pelo Barcelona e defendia as cores do Benfica, o extremo falha a presença no Mundial de 2002. Devido ao tal infortúnio, a primeira grande competição de selecções em que participaria seria o Euro 2004. No torneio organizado em Portugal, Simão dá a sua ajuda em 3 partidas. Acaba por não entrar em campo na final e, do banco de suplentes, vê a sua equipa perder frente à congénere grega. 
Nisto de grandes certames, Simão também contribuiria para o 4º lugar alcançado no Mundial de 2006 e para as participações no Europeu de 2008 e Campeonato do Mundo de 2010. Claro está que estas suas participações com a “camisola das quinas”, estão relacionadas, na sua grande maioria, com as temporadas passadas ao serviço do Benfica. Pelas “Águias”, muito mais do que ser um dos prediletos da massa adepta, o extremo conseguiria conquistar títulos importantes. Venceria a Taça de Portugal de 2003/04, a Supertaça de 2005/06 e, com Giovanni Trapattoni como treinador, sagrar-se-ia campeão nacional em 2004/05.
No que diz respeito a conquistas, a sua mudança para o Atlético de Madrid ira também enriquecer-lhe o currículo. Já despois de ouvir falar-se da sua transferência para o Liverpool e Chelsea, em 2007/08 Simão Sabrosa assina contrato com os “Colchoneros”. Na capital espanhola encontra-se com inúmeros atletas conhecidos do futebol português. Tendo, ao longo de 3 temporadas e meia, partilhado o balneário com Seitaridis, Zé Castro, Costinha, Maniche, Salvio, Pongolle, Reyes, Paulo Assunção, Roberto, Elias e Diego Costa, a quantidade de troféus no seu palmarés iria crescer em qualidade. 
Mesmo sem vencer qualquer competição interna pelo Atlético de Madrid, o extremo iria conseguir erguer a Liga Europa de 2009/10 e a Supertaça Europeia da época seguinte. Surpreendentemente, alguns meses após a conquista desse último troféu, Simão deixaria a “La Liga” para ir até Istambul. Na Turquia acabaria por vencer uma Taça, mas viveria alguns momentos complicados – “(…) houve uma grande confusão, no início da época seguinte, em que o presidente e o vice-presidente foram presos [por suspeitas de corrupção], e então os jogadores que tinham sido levados por eles, como foi o meu caso, acabaram por sofrer as consequências. Como tínhamos ordenados elevadíssimos, tivemos de sair, eu mudei-me para o Espanhol, para Barcelona. Mas a Turquia é o sítio onde as pessoas são mais fanáticas por futebol. E eu adoro Istambul”*.
O regresso a Espanha para a campanha de 2012/13, coincidiria com a entrada na última fase da sua carreira como futebolista. Após dois anos a jogar pelo emblema da Catalunha, Simão, sem conseguir vincular-se com outro clube, ver-se-ia forçado a um “ano sabático”. Em 2015/16 acabaria por voltar à actividade ao serviço do NorthEast United. Na Índia, e ao lado dos portugueses Miguel Garcia e Silas, disputaria a derradeira temporada como jogador profissional.
Após “pendurar as chuteiras” o antigo “capitão” “encarnado” haveria de conseguir destacar-se como comentador desportivo. Na SporTv tem participado em diversos programas e, inclusive, apresenta o seu próprio projecto - os “Amigos do Simão”.

*retirado da entrevista de Carlos Torres, publicada em www.sabado.pt, a 19/09/2003

821 - MÁRCIO SANTOS

A sua caminhada pelas camadas jovens haveria de ser recheada de sucesso. Todavia, muito para além das conquistas conseguidas com as camisolas do Sporting e da Selecção Nacional, em Márcio Santos estava depositada a esperança de vir a ter uma grande carreira. Contudo, a transição para o patamar sénior acabaria por mostrar uma realidade um pouco diferente daquela que seria espectável e o jovem atleta não conseguiria atingir o nível exibicional anteriormente demonstrado.
Em 1996, numa altura em que o Lourinhanense era o clube “satélite” do emblema de Alvalade, a inclusão do guardião na equipa da região do Oeste foi encarada com normalidade. Tendo em conta a esperança depositada nos craques saídos das escolas leoninas, os anos aí passados eram vistos como uma maneira dos novos atletas ganharem experiência competitiva. No caso de Márcio Santos, e sendo corroboradas pelas inúmeras chamadas às diferentes “Equipas das Quinas”, todas essas temporadas seriam vistas como um bom investimento.
Se mais provas fossem necessárias para sublinhar o seu potencial, então, a aposta feita pelo Real Madrid serviria para calar qualquer “Velho do Restelo”. É certo que o jogador seria colocado no Castilla, a equipa “b” dos “Merengues”. Ainda assim era o colosso mundial a investir nele e, tal facto, só poderia ser visto como um bom agoiro. O pior é que a passagem por Espanha pouco acrescentaria à sua evolução. Depois viria o seu regresso a Portugal. Nessa volta reapareceriam os escalões secundários e, excepção feita aos anos em que vestiu as cores da Académica de Coimbra e Estrela da Amadora, os patamares inferiores do nosso futebol acabariam por preencher o seu percurso futebolístico.
Felgueiras e a, já referida, “Briosa” seriam os primeiros clubes a contratar o guarda-redes após o seu regresso ao nosso país. Apesar de um “arranque” um pouco envergonhado, a verdade é que as prestações de Márcio Santos continuavam a demonstrar que as suas qualidades estavam bem presentes. Nesse percurso, e ainda ao serviço do emblema beirão, chega ao seu currículo a 1ª divisão. No entanto, e ao contrário daquilo que tinha prometido nas épocas anteriores, essa campanha de 2002/03 não serviria para conseguir afirmar-se com um atleta de topo. Com Hilário e Pedro Roma a disputar um lugar na baliza, as oportunidades que mereceria seriam insuficientes para conseguir permanecer no clube. A sua transferência, na época seguinte, para o Estrela da Amadora, viria ainda alimentar a esperança de conseguir impor-se na mais importante competição nacional. Contudo, pouco mudaria e, aquele que tinha sido visto como um dos intérpretes de maior potencial no futebol português, acabaria vetado à discrição dos escalões inferiores.
Depois de quase uma década a cirandar por emblemas mais modestos, eis que a temporada de 2012/13 poria um ponto final na defesa das balizas. Tendo “pendurado as luvas” ao serviço do Loures, pouco tempo perderia e, sem conseguir afastar-se da modalidade, abraçaria em definitivo outras funções. Curiosamente a sua experiência como treinador vinha dos seus tempos como atleta. Em paralelo com a sua carreira de guardião, Márcio Santos já orientava equipas de jovens futebolistas. Esse traquejo fez com que o convite do Recreativo do Libolo, ainda que a um nível de exigência bem distinto, fosse encarado com alguma normalidade. No emblema angolano, e diferente do que já tinha feito até então, o antigo internacional “luso” aceitaria as funções de treinador de guarda-redes. É com essas responsabilidades que em 2015/16 chega ao Belenenses. Esta época (2017/18), e após ter auxiliado diferentes técnicos, mantém-se na equipa técnica dos da “Cruz de Cristo”, ajudando Domingos Paciência.

796 - AFONSO MARTINS

Apesar de ter nascido na Póvoa do Varzim, a ida dos seus pais para o estrangeiro fez com que aí começasse a dar alguns pontapés na bola. No país que acabaria por acolher a sua família, Afonso Martins dá também os primeiros passos como futebolista. No Nancy terminaria o seu percurso formativo e, em 1990, sobe aos patamares seniores. Durante diversos anos, alternaria entre a categoria principal e a equipa “B”. Ainda assim, e mesmo com o emblema gaulês a ser despromovido à 2ª divisão, os bons desempenhos do médio levariam a que os “scouts” da Federação reparassem no seu trabalho. Ainda a residir em França, seria chamado às selecções jovens lusas e começaria a ser cobiçado pelos maiores emblemas de Portugal.
Quem acabaria por apostar na sua contratação, seria o Sporting. À altura orientado por Carlos Queiroz, o emblema de Alvalade veria no esquerdino uma boa aposta para reforçar o seu plantel. Com um técnica apurada, uma visão de jogo bem acima da média e um bom remate, Afonso Martins, em meados da década de 90, era visto como uma das grandes promessas do nosso futebol. No final da primeira temporada em Lisboa, a convocatória para os Jogos Olímpicos de 1996, e o 4º posto alcançado por Portugal, parecia confirmar todas as esperanças nele depositadas. O pior é que, e mesmo conseguindo jogar com bastante regularidade, os níveis performativos do atleta eram insuficientes para agarrar a titularidade.
Incapaz de dar esse salto evolutivo, a temporada de 1998/99 empurraria o seu nome para a lista de dispensáveis. Pouco agradado com o cenário apresentado pelos responsáveis “leoninos”, o médio rejeitaria todas as soluções que não passassem pela sua permanência em Alvalade. Essa recusa em sair ou, pelo menos, em ser emprestado a outro clube, levaria a que o clube retaliasse. Tendo sido posto a treinar à parte, só passado cerca de ano e meio após o início dessa contenda, é que Afonso Martins voltaria a ser integrado no plantel “verde e branco”.
Com a chegada de Augusto Inácio aos comandos do Sporting, o atleta acabaria por voltar a fazer parte dos planos da equipa. Em boa hora tal aconteceria, pois, logo nessa época de 1999/00, e interrompendo um jejum de 18 anos, os “Leões” conseguiriam sagrar-se campeões nacionais. Para além desse título, nos anos em que passaria de “verde e branco”, Afonso Martins conseguiria adicionar ao seu currículo mais 2 troféus (Supertaça 1995/96; Taça de Portugal de 2001/02). Ainda assim, nada seria capaz de disfarçar o afastamento a que o jogador estava a ser, constantemente, sujeito. Mesmo vetado a ser uma segunda (ou terceira) escolha, só em 2002 é que a sua ligação ao clube conheceria o seu fim.
A ida para o Moreirense, acabaria por mostrar um atleta em pleno uso das suas capacidades futebolísticas. Tendo, nessa época de 2002/03, desempenhado muito bem o seu papel, ninguém ficou admirado quando, passada uma temporada após a mudança para o Minho, o Vitória de Guimarães anunciou a sua contratação. A verdade é que a transferência para o clube da “Cidade Berço”, no qual voltaria a encontrar-se com Inácio, revelá-lo-ia a um nível mediano e incapaz de conseguir afirmar-se como um atleta decisivo.
O seu regresso ao Moreirense em 2004/05, marcaria o começo da derradeira etapa como profissional. Depois dessa última temporada no escalão máximo do nosso futebol, e com alguns interregnos pelo meio, Afonso Martins ainda voltaria a aparecer nos “campos da bola”. Ao serviço de clubes de menor nomeada, como Lixa, Trandeiras ou Pasteleira, o internacional português terminaria o seu percurso como atleta. Manter-se-ia, no entanto, ligado à modalidade e, no emblema do popular bairro portuense, acabaria por dar os primeiros passos como treinador.

733 - NUNO SANTOS

Foi nas escolas do Vitória de Setúbal, onde seria treinado por José Mourinho e Jaime Graça, que Nuno Santos faria grande parte do seu trajecto formativo. Já os primeiros anos como sénior, episódio comum a tantos jovens atletas, passá-los-ia entre empréstimos a outros emblemas e o “banco” sadino.
Caldas SC (1991/92) e Operário dos Açores (1993/94), onde jogaria ao lado de Pauleta, seriam os emblemas que abririam as portas ao guarda-redes. Preparado para os anos vindouros, Nuno Santos acabaria por conseguir um lugar no plantel do Vitória de Setúbal. Todavia, as exigências que enfrentaria, fariam com os seus primeiros jogos no Campeonato ocorressem apenas na temporada de 1996/97. Lançado por Manuel Fernandes, Nuno Santos agarraria a oportunidade de forma imaculada. Fortíssimo no um-contra-um e com uma grande agilidade, o guardião acabaria por manter o seu lugar no “onze” inicial.
A evolução que mostrava, a consistência exibicional e uma inabalável confiança, rapidamente fariam dele uma das boas revelações. Com tal progresso, bastou mais uma campanha para que, de emblemas de outra monta, começasse a surgir algum interesse no seu concurso. É nesse contexto que surge o convite do Leeds United. Orientado por George Graham, o clube, por essa altura, contava nas suas fileiras com Bruno Ribeiro. Juntando as informações dadas pelo ex-setubalense às notas recolhidas em diversas observações, o “manager” inglês decide-se pela sua contratação. Contudo, e num plantel que contava com o internacional Nigel Martyn e com o emergente Paul Robinson, as chances adivinhavam-se difíceis. Ainda assim, o guarda-redes português decide aceitar o desafio e, na temporada de 1998/99, assina contrato com o emblema da “Premier League”.
Excepção feita a algumas presenças no “banco” da equipa principal, Nuno Santos passaria grande parte da época a jogar pelas “reservas” do Leeds United. Apesar das boas exibições feitas pela “segunda equipa”, a escassez de verdadeiras oportunidades levaria o atleta a repensar o seu percurso. Por essa razão, e aquando do convite do Benfica, o guarda-redes decide voltar a Portugal. Contudo, o regresso acabaria por não trazer os resultados esperados e, depois de uma temporada assolada por diversas lesões, seguir-se-iam novos empréstimos.
Badajoz (Espanha) e Santa Clara precederiam uma época bastante positiva com as cores do Beira-Mar. O ano passado em Aveiro (2000/01) revelar-se-ia de tal maneira proveitoso que o Benfica, muito para além de exigir o seu regresso, apresentaria ao atleta uma proposta para renovar o seu contrato. Apesar das expectativas criadas, esse novo período na “Luz” acabaria por ser, mais uma vez, decepcionante. Daí em diante, Nuno Santos entraria num longo períplo, acabando por jogar em diversos emblemas e, inclusive, em diferentes campeonatos.
É no decorrer desta fase que Nuno Santos tem os primeiros registos como técnico. Depois de vestir a camisola do Vitória de Setúbal e do Santa Clara, é já como participante das ligas norte-americanas que aceita o convite da Euro Star Goalkeeper Academy. Jogando pelo Rochester Rhinos e, posteriormente, pelo Toronto FC, o guarda-redes acabaria por dividir o seu tempo entre a defesa das redes e o treino de jovens guardiões. Já a experiência seguinte tê-la-ia ao serviço do Arouca (2009/10). Com clube ainda a militar na 2ª divisão “B”, o atleta acabaria por aceitar o convite de Carlos Secretário e, em simultâneo, desempenhar as funções de futebolista e de treinador de guarda-redes.
É já depois de duas temporadas a jogar pelos cipriotas do Ethnikos Assias, que Nuno Santos decide ser a hora de “pendurar as luvas”. Após o fim da sua carreira como desportista, o antigo guardião manter-se-ia ligado à modalidade. Como treinador de guarda-redes, representaria o Farense. Hoje em dia está ligado à Federação Canadiana de Futebol e, tendo passado pelo futebol de praia, é o actual Coordenador da Formação de Guarda-Redes.

717 - PEPA

Minuto 84 do jogo frente ao Rio Ave, Graeme Souness põe em campo, para o lugar de Nuno Gomes, um dos mais prometedores atletas das camadas jovens do Benfica. Pouco tempo passado após a sua entrada e o incrível acontece – “Foi um passe do João Pinto. Se tivesse apanhado um fiscal-de-linha que tivesse dormido pouco se calhar tinha assinalado fora-de-jogo, mas eu não estava. Recebi de pé direito, ajeitei com o esquerdo e depois rematei de bico, à Romário”*. Referente à 19ª jornada da temporada de 1999/00, essa partida poderia ter sido o começo de uma história brilhante… mas não foi!
Pepa, que por essa altura tinha apenas 17 anos, era um prodígio. Talvez não tão grande quanto o próprio terá sentido, ou tanto quanto os adeptos quereriam. O avançado haveria de ser traído pela sua imaturidade. A ansiedade, o deslumbramento e, a contenda entre o seu empresário e o Presidente Luís Filipe Vieira, terão destruído o resto.
E o que foi o resto? O resto seria apenas um pequeno resquício daquilo que o jogador poderia ter conseguido, daquilo que tanto havia prometido. Nessas sobras, naquilo que sobejaria do seu trajecto enquanto atleta, restam as passagens por diferentes emblemas, sem que, em nenhuma delas, nada de gratificante dali tirasse.
Primeiro, viria o empréstimo ao Lierse. Problemas burocráticos e dificuldades de adaptação a um contexto bem diferente, fariam com que a estadia do avançado na Bélgica fosse apenas tempo perdido. Depois, Pepa teria a passagem pela equipa “b” do Benfica, uns escassos minutos entre o plantel principal e, como foi referido, a zanga entre o seu representante e o clube “encarnado”. Na resolução desta equação, a saída do atacante seria o resultado. A caminho estaria o ingresso no Varzim e, como muito se especulou por essa altura, a promessa de um lugar nas Antas.
Na Póvoa, com o emblema a disputar o escalão máximo português, o avançado até conseguiria mostrar algumas das suas qualidades. Contudo, a despromoção a que o clube seria vetado no final dessa temporada de 2002/03, como que voltaria a despertar em si os piores momentos. A partir daí, a carreira de Pepa ficaria entregue aos patamares secundários e, já depois de vestir as cores de Paços de Ferreira e Olhanense, uma grave lesão acabaria por pôr um ponto final no seu curto caminho como futebolista.
O seu regresso ao futebol dar-se-ia já depois de uma sincera reflexão sobre os anos despendidos nos relvados. Arrependido pelo percurso escolhido, a atitude que, desde então, haveria de assumir, abrir-lhe-ia diversas portas. Tendo apostado na carreira de treinador, e sendo reconhecido como um árduo e idóneo profissional, as competências que foi ganhando, levá-lo-iam a progredir nessa nova tarefa. Os anos investidos nas camadas jovens de diversos clubes, as funções de adjunto no Tondela ou o papel como coordenador das escolas benfiquistas, prepará-lo-iam para os primeiros trabalhos com técnico principal. Nesse exercício registam-se as passagens pela Sanjoanense e Feirense, que, para o começo desta época de 2016/17, levariam os responsáveis do Moreirense a dar-lhe a primeira oportunidade no universo primodivisionário.

 
*retirado do artigo de Nuno Travassos, em http://www.maisfutebol.iol.pt, publicado a 31/12/2007

680 - MARCOS PAULO

Tendo terminado a sua formação com as cores do Cruzeiro, seria também no emblema de Belo Horizonte que o médio daria os primeiros passos nas categorias seniores. A sua integração, pelas qualidades que, desde muito cedo, havia mostrado, acabaria por ser feita com relativa facilidade. É certo que progressivamente, mas Marcos Paulo lá foi conseguindo trilhar o seu caminho até ao “onze” inicial. Em 1998, sendo já um dos nomes mais sonantes dentro do balneário, os títulos começam a chegar. O Campeonato Mineiro e a Recopa Sul-Americana de 1998, abririam caminho para que, nos anos vindouros, o Cruzeiro conseguisse mais troféus. Nesta senda, seguir-se-iam a Copa dos Campeões Mineiros de 1999 e o reconhecimento nacional, com a vitória na Copa do Brasil de 2000.
É fácil de reconhecer, até pelas conquistas conseguidas nesses 3 anos, que o médio viveria bons – e porque não dizê-lo? – os melhores momentos da sua carreira. Se mais justificações fossem necessárias para, durante o referido período, aferir da qualidade do seu jogo, então as chamadas à “Canarinha” seriam prova suficiente para dissipar qualquer dúvida. Nesse sentido, é em 1999, sob a orientação de Vanderlei Luxemburgo, que o médio faz a sua estreia com a principal camisola do Brasil. Nesse mesmo ano participa nos primeiros torneios com as cores do seu país. Primeiro, é convocado para disputar a Copa América e, mesmo sem ter sido chamado a participar em qualquer partida, acaba por fazer parte do lote de atletas campeões. Depois, chega a vez de jogar a Taça das Confederações mas, desta feita, o Brasil não vai além do 2º lugar.
Seria já depois de disputar os Jogos Olímpicos de Sydney (2000), que, como tantos outros atletas, Marcos Paulo tenta a sua sorte na Europa. O destino levá-lo-ia a Itália e à Udinese. Contudo, aquilo que já havia demonstrado no Brasil, parecia ter sido deixado para trás. Tanto no “Calcio”, como, logo de seguida, no Sporting, o centrocampista andaria bem longe daquilo que o tinha consagrado como um futebolista acima da média. À sua chegada a Portugal, o jogador mostraria toda a sua ambição. No entanto, a sua passagem pelos “Verde e Branco” traduzir-se-ia em pouco mais de uma dúzia de partidas, divididas entre a equipa principal e os “BB” leoninos – “Fico contente por poder estar a contribuir para o Sporting. É uma grande equipa (…).Espero que dê tudo certo. Vou fazer os exames, espero poder assinar contrato e poder trabalhar com o Sporting. Fico feliz por trabalhar num novo clube”*.
Talvez pela forte concorrência existente num plantel que, no ano anterior, tinha conseguido sagrar-se campeão, Marcos Paulo jamais conseguiria impor o seu futebol em Alvalade. Consequência disso mesmo, seria o seu regresso ao Brasil e, desta feita, ao Grêmio de Porto Alegre. Ora, é por esta altura que a sua carreira entra numa fase em que as constantes mudanças de emblema começam a ser habituais. Novas passagens pela Europa, onde, pelo Maccabi Haifa, conseguiria sagrar-se campeão israelita (2003/04), seriam intercaladas com presenças nos Campeonatos brasileiros e Liga Japonesa. Depois de ter ainda representado o Metalist Kharkiv (Ucrânia), Portuguesa, Yokohama FC e Shimizu S-Pulse (ambos no Japão), o antigo internacional brasileiro, já ao serviço do Fortaleza (2011), decide pôr um ponto final no seu percurso profissional.

 
*retirado da reportagem de Magda Magalhães, em TVI 24, a 06/08/2002

510 - DERLEI

Por razão da passagem discreta pelo Guarani, ou por outros clubes de menor monta no Brasil (Madureira; América), quando Derlei, em 1999, chega à União de Leiria, era um verdadeiro desconhecido. No entanto, bastariam três temporadas para que o seu estatuto mudasse radicalmente. O seu estilo lutador, incansável na busca da bola, junto com a sua velocidade e boa técnica, fariam do avançado um dos mais cobiçados no "mercado" português.
Já depois de, um ano antes, ter sido sondado pelo Sporting, é no Verão de 2002 que Derlei veste a primeira camisola dos três "grandes". Ora, por essa altura, quem estava no comando técnico do FC Porto, era um velho conhecido seu. José Mourinho, que o havia treinado no clube da "Cidade do Lis", procurava, como é seu apanágio, atletas que, apesar de já terem provado a sua qualidade, ainda não tinham atingido estatuto de "estrela". Derlei, que acabava de marcar 21 golos no Campeonato português, enquadrava-se, e de que maneira, nesse dito perfil.
Se algumas desconfianças haviam no momento da sua contratação, Derlei, rapidamente, tratou de as dissipar. O primeiro passo foi conseguir assegurar a titularidade. A seguir, já com o lugar garantido na frente de ataque, onde preferencialmente ocupava o lugar de extremo, vieram os títulos. Neste capítulo, nada faltou ao brasileiro. Ajudou, logo na época da sua chegada, à conquista da Taça UEFA, Liga e Taça de Portugal. No ano que se seguiu, nova onda de sucessos, com a vitória na Supertaça, na Liga e, como todos se recordam, na "Champions".
Com um lugar na história dos "Dragões", cimentado pela conquista da Taça Intercontinental (2004/05), Derlei e o FC Porto pareciam ter uma relação que se adivinhava para muitos anos. É então que, na partida para as férias de Natal de 2004, um desentendimento entre o jogador e o treinador Víctor Fernandez, deita tudo a perder - "O meu filho Geovanni tinha nascido há cerca de um ano, precisamente à meia-noite do dia 1 de Janeiro. Na altura do nascimento, as coisas complicaram-se (...). Os médicos chegaram a colocar a hipótese de que ele não sobrevivesse. Ora, o que eu mais queria era ir ao Brasil e celebrar com ele, nessa altura, o seu primeiro aniversário, para agradecer o facto de ele estar vivo. O FC Porto deu-nos uma semana de folga, mas tínhamos de nos apresentar no dia 31 de Dezembro. Fui conversar com o treinador e perguntei-lhe se ele podia dar-me mais um dia de folga, explicando a situação. O Fernández disse-me que não poderia abrir essa excepção para mim, porque senão teria de fazê-lo com todos os jogadores"*. A verdade é que o atleta avisou logo que não iria acatar as ordens do treinador espanhol. Chegou com um dia de atraso e a punição para tal foi-lhe anunciada - "Quando me disseram que eu teria que treinar à parte, eu acatei. Depois já diziam que eu teria que ir treinar com a equipa B. E eu isso não aceitei". Com a última decisão o conflito agravar-se-ia e a solução para tal acabaria por ser encontrada na venda do atacante ao Dinamo de Moscovo.
Já na capital russa, num clube que apostava tudo na conquista de títulos, Derlei daria de caras com uma série de jogadores seus conhecidos. Nuno Espírito Santo, Thiago Silva, Seitaridis, Maniche e Costinha seriam os colegas que o brasileiro iria reencontrar. Se a estes juntarmos Jorge Ribeiro, Frechaut, Luís Loureiro, Danny, Enakarhire, Almani Moreira, Jorge Luís e Cícero, então, alguém, poderá começar a desconfiar que, por essa altura, todo o campeonato português se estava a mudar para a Rússia. A verdade é que a forte aposta no mercado luso, não traria para os moscovitas o resultado desejado. Longe dos títulos e com grande parte dos "reforços" a não conseguir adaptar-se a um contexto que, a todos os níveis, era muito diferente daquele a que estavam habituados, tudo começou a ser questionado. Foi, então, que se iniciou a debandada dos jogadores. Uns para um lado, outros para outro... e Derlei regressaria a Portugal.
Desta feita, o destino levá-lo-ia a Lisboa. Já não muito longe do Sporting, ainda assim do outro lado da 2ª Circular, a cor que Derlei envergaria seria o encarnado. No Benfica, a meia temporada que fez, com apenas um golo no Campeonato, não seria suficiente para conseguir convencer os responsáveis do clube na sua contratação definitiva. Mas se um de um lado se fecha uma porta, do outro pode sempre surgir uma oportunidade. A dita chance acabaria por ser o reatar de um "romance" antigo. Finalmente, Derlei e o Sporting, chegariam a um compromisso. A relação nascida nesse Verão de 2007, apesar de curta (2 anos), traria para ambos os lados, os seus frutos. Para o atleta foi a oportunidade de demonstrar que ainda não tinha perdido o talento. Já para os "Leões" seria a conquista de alguns títulos (2 Taças de Portugal e Supertaça) que, ainda longe do almejado Campeonato, adocicariam a boca aos seus adeptos.
Surpreendentemente, depois de um grande esforço - tanto por parte dos associados, como dos corpos directivos - para o convencer, Derlei, terminada a temporada de 2008/09, decide não renovar contrato com os de Alvalade. Segue para o Brasil e, daí em diante, a sua carreira apaga-se. Assina pelo Vitória, mas uma lesão só o deixa participar num jogo. O fim acabaria por acontecer pouco tempo depois, com o avançado a representar um dos emblemas do seu passado, o Madureira.


*Retirado de desporto.sapo.cv, a 08-01-2014

502 - DELFIM


Já aqui falamos de imensos jogadores que tendo sido grandes promessas, nunca disso passaram. Falta de profissionalismo; questões emocionais; preferência por outras actividades, nomeadamente as noctívagas, são algumas das razões para o sucedido. No entanto, há casos no futebol que, tendo tido o mesmo desfecho, acabariam por ter contornos bem diferentes. Delfim foi um deles.
Ainda era bem novo quando o Boavista haveria de nele reconhecer as qualidades certas para vestir de "xadrez". Foi assim que, com 15 anos apenas, Delfim deixou a sua cidade de Amarante para ir viver para o Porto. No Estádio do Bessa, o seu futebol, recheado de atributos técnicos, levá-lo-ia a frequentar as selecções jovens portuguesas. Boa percepção do jogo, um passe perfeito e um forte remate, eram as qualidades que, juntando à sua coragem e abnegação, o faziam destacar-se dos demais.
Seria já depois de ter vencido o Campeonato Nacional de Juniores (1994/95), ao lado de nomes como Mário Silva ou Nuno Gomes, que o médio seria promovido à primeira equipa do Boavista. Tendo participado em poucas partidas, Delfim, na época que se seguiria (1996/97), acabaria por ser emprestado ao Desportivo das Aves.
O regresso ao balneário das "Panteras" não lhe traria muitas mais oportunidades do que aquelas que, até aí, tinha tido. Contudo, os jogos que ia fazendo pela selecção, ainda que no escalão de "Esperanças", acabariam por dar uma visibilidade tal ao "trinco" que, finda essa época de 1997/98 e com a Supertaça como seu primeiro troféu, o Sporting havia de nele apostar. Apesar das suas qualidades inegáveis, a transferência do Bessa para Alvalade não deixou de ser uma surpresa. Ora, quem não teve dúvidas sobre a sua contratação, acabaria por ser Mirko Jozic. O técnico, que à altura estava no comando dos "Leões", logo tratou de sublinhar a sua certeza. Apostou, sem grandes reservas, no médio defensivo, fazendo dele o atleta mais utilizado nessa temporada.
Mais dois anos de "Verde e Branco" serviriam para Delfim atingir dois marcos importantes na sua carreira. O primeiro aconteceria em 1999/00, quando ajudou o Sporting a conquistar o Campeonato Nacional. Já o segundo ocorreria na época seguinte e daria ao jogador a oportunidade de, num encontro de carácter particular, se estrear pela selecção "A" portuguesa.
O pior é que este biénio traria a Delfim muito mais do que coisas boas... as lesões! Ora, sem ainda ter noção disto, é por esta altura que a sua vida muda de rumo. Até nem começa mal, pois, recuperado da maleita que lhe apoquentava o menisco, vê-se contratado pelos gauleses do Marseille. Já em França, o início da temporada de 2001/02, revela um Delfim em boa forma e capaz de mostrar todo o seu futebol. É então que numa vigem de autocarro, o médio dá um "jeito" nas costas. Diagnóstico: uma contractura lombar. Começa o tratamento e numa dessas sessões o pior acontece - "O fisioterapeuta do clube (...), de repente, efectuou um movimento extremamente brusco. De uma contractura lombar passei a uma entorse na coluna vertebral e corri o risco de ficar paraplégico".
Operado e com um período de recuperação que o levou a estar três anos afastado dos relvados, Delfim teve ainda que enfrentar a falta de carácter dos dirigentes do clube que representava - "A entidade patronal tudo fazia para que eu não voltasse a jogar futebol (...). Não tinha um problema congénito, como o clube queria fazer passar. Fui vítima de negligência e de uma gestão danosa".
Depois de ultrapassado este calvário, Delfim haveria de regressar ao futebol com as cores do Moreirense. Contratualmente ligado aos franceses, ainda regressaria ao Marseille, para, já na época 2006/07, assinar pelos helvéticos do Young Boys. Na Suíça passa por um novo azar. O clube entra numa grave crise financeira e os salários deixam de ser pagos. Sem resolução à vista para o problema, Delfim rescinde unilateralmente o acordo.
É ainda durante essa temporada que Delfim regressa a Portugal, para vestir a camisola da Naval 1º de Maio. A Figueira da Foz marca, desse modo, o começo da etapa final da sua carreira. A mesma terminaria em 2009, ao serviço do Trofense e depois de, no escalão máximo do nosso futebol, provar que continuava a dar muito à modalidade.

480 - MÁRIO SILVA


Nascido em Paranhos, freguesia da cidade do Porto historicamente ligada ao Salgueiros, foi nos grandes rivais do Boavista que Mário Silva faria grande parte da sua formação como futebolista. Nessa condição subiria à categoria principal "axadrezada" em 1995/96, acompanhando a equipa em maior parte da caminhada que culminaria com a vitória no Campeonato Nacional. A sua competitividade, bem à imagem das "Panteras", rapidez e capacidade ofensiva faziam dele um dos principais pilares do Boavista. A lateral esquerda, tanto no campo defensivo como ofensivo, eram o seu domínio; os cruzamentos para área contrária, uma das suas armas mais poderosas. Com estes seus predicados ajudaria o Boavista a vencer a Taça de Portugal de 1996/97 e a Supertaça do ano seguinte. No entanto, aquele momento histórico de já aqui fiz referência, a conquista da Liga de 2000/01, vivê-lo-ia bem ao longe, ou não tivesse, no início dessa mesma temporada, assinado contrato pelo Nantes.
Não venceu em Portugal, mas, quase em jeito de compensação, Mário Silva veria o seu novo clube a erguer o troféu de campeão gaulês. Apesar do título e de, nesse trajecto, ter tido, tanto em número como em qualidade, uma participação louvável, Mário Silva, no Verão que se seguiu à sua chegada, abandonaria França. Sem grande razão aparente, no que ao campo desportivo diz respeito, acabariam por ser outras motivações que levariam o antigo defesa a regressar a Portugal - "O meu desejo foi sempre ficar na cidade do Porto e concretizei-o ao assinar pelo FC Porto. Sem a minha família não sou nada e decidi o meu futuro pensando no meu próprio bem, na minha felicidade e na felicidade da minha família".
Pelos "Dragões", imediatamente, assumiria um plantel de destaque no "onze" principal. O seu sucesso individual vê-lo-ia reflectido na chamada à selecção principal, onde, num particular frente à Finlândia, faria a sua estreia. Contudo, nada do que ia alcançando para si era o reflexo daquilo que se passava com o conjunto que representava, com o FC Porto, em 2001/02, a quedar-se pelo 3º posto da classificação.
Ora, os anos seguintes, com a chegada de José Mourinho ao leme dos "Azuis e Brancos", trouxeram, tanto para a equipa como para o atleta, uma mudança radical. O FC Porto venceria 2 Ligas (2002/2003 e 2003/04), 1 Taça de Portugal (2002/03), a Taça UEFA (2002/03) e a Liga dos Campeões (2003/04). Já Mário Silva perderia o protagonismo que tinha alcançado à sua chegada, acabando por ser dispensado no Verão de 2004.
A sua carreira prosseguiria por Espanha, onde vestiria as camisolas do Recreativo de Huelva e do Cadiz. Depois de conseguir algum destaque no primeiro ano, a troca de emblema, apesar da mudança para o primeiro escalão da "La Liga", eclipsaria Mário Silva. Dar-se-ia novo regresso a Portugal e, desta feita, a um Boavista mergulhado numa grave crise financeira.
O seu último passo como jogador dá-lo-ia ao serviço dos cipriotas do Doxa, clube onde acabaria por fazer a transição para a carreira de treinador.