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683 - CANIGGIA

Apesar de todos o reconhecermos como um afamado futebolista, a verdade é que a primeira paixão de Caniggia haveria de ser o atletismo. A prática de várias disciplinas, principalmente as de velocidade, dariam ao jovem desportista algumas das qualidades que o fariam destacar-se nos relvados. Nesse sentido, ele que entraria para as escolas do River Plate a meio da adolescência, a rapidez com que conseguia movimentar-se era a sua principal arma. À custa dessa característica haveria de ganhar o epíteto de “Hijo del Viento” (Filho do Vento). Contudo, essa não era a sua única habilidade e a maneira como trabalhava a bola com os pés, haveria de, igualmente, contribuir para o seu sucesso.
Na senda dos êxitos, também a subida aos seniores haveria de ser abençoada. Promovido em 1985, os primeiros anos que passaria na equipa principal, dariam um verdadeiro impulso à sua imberbe carreira. Campeão argentino, vencedor da Copa dos Libertadores e da Taça Intercontinental, isto tudo em 1986, os troféus ganhos pelo River Plate ajudá-lo-iam a lançar-se do outro lado do Atlântico.
Ora, é já com o estatuto de internacional que o avançado chega a Itália. No Verona, ainda na ressaca do título conseguido pelo clube uns anos antes, Caniggia apruma-se como uma das grandes estrelas. No entanto, essa sua época de estreia no “Calcio”, acabaria por ficar marcada por uma grave lesão e o jogador ficaria aquém das expectativas criadas.
Na temporada de 1989/90, sensivelmente um ano após a sua chegada a Itália, o atleta muda de emblema. No Atalanta, ainda que longe dos títulos, acabaria por viver o seu melhor período em termos clubísticos. Apesar de não ser um avançado com tendência para ocupar a grande-área, a sua capacidade de distribuir jogo, mormente, a habilidade de fazer o último passe, fortaleceriam, em muito, toda a equipa. Essa sua valia, só equiparada à de Glenn Strömberg (ex-Benfica), sustentariam o grupo de uma tal forma que, durante esses anos, os de Bérgamo passariam a marcar presença na luta pelos “lugares europeus”.
Todavia, a camisola que o haveria de tornar num dos jogadores mais mediáticos dos anos 90, acabaria por ser a “alvi-celeste”. Pela Argentina haveria de ser convocado para 3 Mundiais, tendo ficado afastado de um 4º (França 1998), pela recusa em cumprir as ordens de Daniel Passarela, o seleccionar que rejeitava convocar atletas com o cabelo comprido!!!
O mais engraçado é que também naqueles em que participaria, a sua presença acabaria por originar, ou estar envolta, nalgumas histórias curiosas. Tudo começa no Itália 90, quando o seu nome parecia não estar nos planos do técnico Carlos Bilardo. É então que Maradona entra em cena. Ao que consta, “El Pibe” terá dito ao seleccionador argentino que, ou incluía Caniggia na convocatória, ou, então, também ele não estaria presente no torneio. O “aviso” parece ter surtido efeito. Caniggia, não só seria chamado, como seria uma das principais figuras da equipa na caminhada até à final de Roma.
Nos Estados Unidos, quatro anos depois, é o castigo por consumo de cocaína que iria pôr em discussão a validade da sua presença. Tendo, ao serviço da Roma, acusado positivo num controlo anti-doping, o atleta acabaria por ficar suspenso durante toda a temporada de 1993/94. Contudo, com o aproximar de mais um Campeonato do Mundo, o seu nome volta a ser cogitado nos planos da selecção. Muitas vozes se levantariam contra a sua presença. No entanto, Caniggia provaria a todos o erro da sua avaliação e, mais uma vez, encheria os campos com brilhantes exibições.
Em 2002, já na fase descendente da sua carreira, Caniggia é convocado para disputar o certame organizado pelo Japão e Coreia do Sul. Tendo do seleccionador, como o próprio jogador haveria de afirmar, a garantia de ocupar um lugar no “onze” inicial, o atacante, devido a uma lesão sofrida na final da Taça da Escócia, acaba por nunca entrar em campo. O pior é que, para além de ter passado todos os jogos na condição de suplente, e de ter visto a sua equipa a ser eliminada na fase de grupos, Caniggia conseguiria ainda a proeza de, mesmo estando no “banco”, ter averbado um cartão vermelho.
Claro está que, nisto da “Equipa das Pampas”, nem só de Mundiais viveu a carreira de Caniggia. Aliás, seria noutras provas que o jogador conseguiria os maiores títulos do seu currículo. Na Copa América, igualmente com 3 participações, o atacante, numa equipa em que faziam parte Batistuta ou Simeone, venceria a edição de 1991. Também a Taça das Confederações faria parte do seu rol de triunfos e a edição de 1992, a primeira da história, contaria com a vitória da Argentina.
Voltando ao seu percurso clubístico, há ainda algumas coisas para contar. Logo a seguir ao Mundial de 1994, com a ajuda financeira da Parmalat, à altura o patrocinador do Benfica, Caniggia tem uma curta passagem pelo Estádio da “Luz”. Depois vem o regresso à Argentina, a camisola do Boca Juniors e o famoso beijo na boca de Maradona. É durante esse tempo que a desgraça se abate na sua vida. O suicídio da sua mãe, leva-o a um longo luto e a um afastamento das actividades desportivas, que o faria retirar-se durante um ano.
Em 1999 regressa à Europa e começa aí um périplo que o levaria a passar por alguns campeonatos. Depois de ajudar o Atalanta a regressar à Serie A (1999/00), ingressa na Liga escocesa, onde começa por vestir as cores de Dundee FC. As boas prestações conseguidas nessa temporada de 2000/01, fazem com que o Rangers aposte na sua contratação. A mudança para Glasgow acabaria por ser prolífera, com o jogador a acumular uma série de troféus.
Se depois de ter jogado no Qatar SC, muitos pensariam que de Caniggia nada mais se veria, então erraram. Em 2012, já com 45 anos de idade, o argentino ingressa nos amadores do Wembley FC. Numa jogada de promoção, financiada por um dos patrocinadores da Taça de Inglaterra – a cervejeira Budweiser –, o pequeno clube contrata antigas estrelas do futebol. Ao lado de Daniel Dichio, Martin Keown, Ray Parlour, Graeme Le Saux, Jaime Moreno ou Brian McBride, Caniggia faz a sua última aparição, participando nas primeiras rondas da já referida prova.

620 - SAMMER

Com certeza, por influência do seu progenitor, Matthias Sammer haveria de começar a praticar futebol no Dynamo de Dresden. Passando por todas as categorias de formação do clube, o atleta, alguns anos mais tarde, chegaria à equipa principal. A sua estreia, numa altura em que o treinador era o seu pai, dar-se-ia na temporada de 1985/86. Contudo, desenganem-se aqueles que pensam que, nesta promoção, terá havido algum favorecimento. Não! Klaus Sammer sabia que o seu filho era um craque. A prová-lo, sensivelmente um ano após a sua chegada aos seniores, a estreia pela Alemanha de Leste.
Apesar desta rápida ascensão, o sucesso em que imprimia o seu percurso, não era nenhuma surpresa. No mês anterior à primeira chamada aos “AA”, o jogador tinha feito um brilharete no Europeu de S-18. Tendo em Sammer um dos principais impulsionadores, a jovem selecção da RDA acabaria por bater o pé a equipas como a Jugoslávia ou à Republica Federal Alemã. Na final, derrotaria mais uma candidata e, com essa vitória frente à Itália, acabaria por conquistar o título.
A evolução de Sammer também era sentida no clube. Tendo começado a avançado, rapidamente foi recuando no terreno de jogo. Primeiro passaria para a ala esquerda, para, mais tarde, fixar o seu jogo no centro do campo. Como médio, Sammer começou a mostrar as suas melhores qualidades. Cerebral, o jogador começou a ser fulcral para a dinâmica da sua equipa. A sua visão de jogo, aliada à maneira como, com os seus passes, pautava e distribuía as ofensivas, faziam dele um dos pilares do Dynamo de Dresden. Os títulos não demorariam a chegar. E, se a temporada de 1988/89 traria o Campeonato, a época que se seguiria brindaria o atleta, e os seus companheiros, com uma “dobradinha”!
Tendo estas conquistas o seu peso, aquilo que realmente mudaria o sentido da sua carreira, haveria de ser uma campanha europeia. A Taça UEFA de 1988/89, acabaria por desempenhar um papel muito importante na sua vida profissional. Sem que bem se tenha apercebido de tal, a qualificação para as meias-finais da dita prova, acabaria por mudar o seu rumo. Nessa eliminatória, ao Dynamo de Dresden calharia em sorte o Stuttgart. Na suma dos dois encontros, os de Leste acabariam excluídos da prova. Sorte bem diferente haveriam de ter alguns jogadores. Nomes como os de Sammer ou do avançado Ulf Kirsten, chamariam a atenção… e, numa altura em que permissividade do SED (Sozialistische Einheitspartei Deutschlands) era bem maior, ambos os jogadores conseguiriam transferir-se para o emblema que os havia eliminado!
A estreia pelo Stuttgart, numa altura em que os dois campeonatos (RDA e RFA) ainda estavam separados, dar-se-ia em Agosto de 1990. Todo o contexto político vivido nessa altura, também estava a mudar o desporto germânico. Nesse sentido, em Setembro desse mesmo ano, Sammer haveria de capitanear a selecção da Alemanha Democrática, na sua última partida. A 3 de Outubro, a unificação da Alemanha, é o preâmbulo para a estreia do médio, tendo sido o primeiro nascido na RDA a fazê-lo na renascida “Mannschaft”.
A temporada de 1991/92, mostra uma “Bundesliga” resultado da unificação de uma nação. Para primeiro campeão, o Stuttgart! Ora, para Sammer, este título acaba por pô-lo, logo no ano seguinte, às portas do “Calcio”! Contudo, a transferência para o Inter de Milão acaba por não sortir o resultado esperado e, meia época volvida, o alemão volta ao seu país.
Contudo, “há males que vêm por bem”!!! O regresso à Liga Alemã, agora pela mão do Borussia de Dortmund, iria dar a Sammer os melhores momentos da sua vida profissional. Pode dizer-se que tudo começa pela mudança perpetrada por Ottmar Hitzfeld. Entendendo que o atleta renderia mais noutra posição, recua Sammer para o eixo da defesa. A líbero, a maneira batalhadora e abnegada como encarava os jogos começa a dar os seus frutos. Torna-se num dos melhores jogadores alemães e numa referência tanto a nível do clube, como nas convocatórias para a selecção.
É com a camisola germânica que disputa o Mundial de 1994. Nos Estado Unidos da América, apesar de não ter conseguido chegar além dos quartos-de-final, Sammer haveria de ser considerado como um dos melhores a actuar no torneio. Mas a glória com as cores da Alemanha, já depois de, na edição de 1992 ter perdido a final, consegui-la-ia no Euro 96. Após ter obtido o bicampeonato pelo Borussia de Dortmund (1994/95; 1995/96) e de, consequentemente, em ambas as temporadas, ter sido eleito o Melhor Jogador da Bundesliga, Sammer parte para Inglaterra. A campanha feita pela sua selecção, sem qualquer derrota, levá-lo-ia a disputar o derradeiro jogo. Nesse embate frente à República Checa, a grande surpresa do torneio, a Alemanha cumpriria o seu papel de favorita e, com a conquista da taça, daria a Sammer o único troféu conquistado, enquanto sénior, pelo seu país.
Esta sucessão de títulos, ao qual se junta o prémio de Melhor Jogador do Euro 96, encaminhá-lo-ia para outra distinção individual. O “Ballon d’Or”, atribuído pela revista France Football, é concedido ao Alemão, nesse mesmo ano. Melhor, pouco haveria para conseguir! Ainda assim, não tardou muito para que Sammer conseguisse abrilhantar, ainda mais, o seu currículo. Com Paulo Sousa na equipa, o Borussia de Dortmund conseguiria, para a temporada de 1996/97, atingir o derradeiro jogo da Liga dos Campeões! No Estádio Olímpico de Munique, o defesa, envergando a braçadeira de capitão, conduziria os seus companheiros para mais uma vitória. Desta feita, a vítima seria a Juventus e, aos fim de 90 minutos, e com o marcador a assinalar 3-1, Sammer haveria de erguer o troféu.
Este sucesso como que anunciaria a recta final na carreira de Sammer. Assolado por lesões, o internacional alemão acabaria por pôr um ponto final na vida de futebolista em 1999. Pouco tempo depois, tomava as rédeas da equipa, estreando-se nas tarefas de treinador. Já depois de, também nas mesmas funções, ter estado à frente do Stuttgart, Sammer deixaria o banco dos suplentes. É, agora (2015/16), Director Desportivo de outro colosso alemão, os bávaros do Bayern de Munique.

494 - LAMOUCHI

A sua primeira experiência como profissional dar-se-ia na Segunda Divisão francesa. Ao serviço do Olympique Alès, Lamouchi começaria a destacar-se no meio campo pelo seu jogo acutilante, a maneira como entendia toda a dinâmica ofensiva da equipa e, até, pelos seus golos. Foi então que, no Verão de 1994, Guy Roux, mítico técnico gaulês, entendeu que o atleta seria um excelente reforço para o sector intermediário do seu grupo. No Auxerre, Lamouchi rapidamente passou de mais uma opção dentro do plantel para um elemento fulcral. Titular, a força que acabaria por trazer para dentro do relvado, seria, posso dizê-lo, o principal motor para aquilo que o emblema sediado na Borgonha, perseguia já havia uns anos. A tão almejada "Ligue 1" acabá-la-iam por vencer terminada a temporada de 1995/96. A este título juntariam, igualmente, a "Coupe de France"... e para Lamouchi, o melhor prémio da época seria a estreia pela principal selecção francesa e a presença no Euro realizado em Inglaterra.
Quatro anos após a sua estreia no principal escalão francês, e com mais uma Taça no currículo, a Intertoto de 1997/98, Lamouchi acaba por encetar uma nova aventura. A tal mudança leva-o ao Mónaco e ao emblema com o mesmo nome do Principado fundado pela família Grimaldi. Aí, ainda que com menor preponderância que no seu antigo clube, acaba por conseguir a conquista de mais troféus para a sua carreira. Ao lado de nomes bem conhecidos do futebol português, casos de Pontus Farnerud (Sporting); Pablo Contreras (Sporting; Sp. Braga) e do nosso internacional Costinha, Lamouchi acabaria por vencer a Liga Francesa de 1999/00.
O título ganho acaba por servir de empurrão para o centrocampista. Assim, o novo capítulo que aqui enceta levá-lo-ia a outro campeonato e à "Serie A" italiana. Primeiro ao serviço do Parma, onde chega a vencer a Taça de Itália e onde se cruza com Sérgio Conceição, depois no Inter e por fim com as cores do Genoa, a sua passagem pelo "Calcio" acaba por ficar, longe de ser negativa, um pouco aquém das expectativas.
O regresso ao seu país natal dá-se em 2004 e numa fase já final da sua vida de futebolista. A experiência no Marseille acaba por ser apenas um interlúdio para um final, pelo menos no campo financeiro, brilhante. No Qatar, depois de representar Al-Rayyan, Umm-Salal e Al Kharaitiyat, Lamouchi decide pôr um ponto final na sua carreira.
Após de ter "pendurado" as chuteiras, a paixão que sempre nutriu pela modalidade não o deixou ficar afastado da mesma durante muito tempo. Foi por essa razão que, em 2012, aceitou o desafio de orientar a selecção da Costa do Marfim. Apesar de ter ao seu serviço uma série de jogadores de topo mundial, as prestações de Sabri Lamouchi à frente dos "Éléphants", não podem ser classificadas como positivas. Tanto na última CAN (2013), onde não passou dos quartos-de-final, como no Mundial que ainda agora terminou (2014), onde se quedou pela fase de grupos, a Costa do Marfim acabaria por desiludir.
Apesar deste começo desastroso, e ter perdido o emprego logo a seguir ao desaire no Brasil, Lamouchi continua a alimentar um sonho... o de, um dia, orientar os "Le Bleu"!

434 - MATTHÄUS

Começar a jogar num clube da cidade que alberga a sede da Adidas, pode ser um bom prenúncio. Para Lothar Matthäus, foi.
Ainda bem novo, quando representava o Herzogenaurach, seria chamado às selecções jovens da Alemanha. A sua prestação, imediatamente, chamaria a atenção de um dos grandes do futebol germânico da altura, o Borussia Mönchengladbach. Na campanha de estreia pelo novo clube, a de 1979/80, Matthäus logo experimentaria a elite do futebol, pois a sua equipa, comandada pelo conhecido Jupp Heynckes, conseguiria alcançar a final da Taça UEFA. Porém, apesar da derrota frente ao Eintracht Frankfurt, a bela campanha do médio, tanto nas competições continentais, como nas provas de cariz interno, faria com o seu nome aparecesse na lista de convocados para o Euro 80. A Republica Federal Alemã venceria o torneio ao bater a Bélgica na final e, no certame disputado em Itália, 15 minutos em campo seriam suficientes para que Matthäus pudesse levantar o primeiro grande troféu da sua carreira.
Apesar de ser um clube prestigiado, a verdade é que o Borussia Mönchengladbach estava em decadência. Tal facto faria com que o médio não resistisse a um convite do Bayern Munique, para onde viria a mudar-se em 1984. Ora, por essa altura já Matthäus era um futebolista consagrado internacionalmente. Tinha participado no Mundial de 1982, onde a sua selecção atingiria a final, e tinha alcançado, no Euro 84, a titularidade na "Mannschaft". Nesse sentido, poucos estranhariam a maneira rápida como conseguiria impor-se no emblema bávaro. Os “Die Roten” proporcionar-lhe-iam também aquilo que qualquer atleta almeja, ou seja, diversos títulos. Num rol invejável, isto na primeira passagem pelo clube, Matthäus arrecadaria 3 Bundesligas, 1 Taça da Alemanha e uma Supertaça. Também não poderia esquecer que seria por essa altura que participaria na primeira final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, perdida, em 1986/87, frente ao FC Porto.
Sendo o comandante em campo, tanto da equipa que representava, como da sua selecção, o assédio de clubes de outros campeonatos, começaria a ser normal. Já depois da derrota, na final do México 86, frente à Argentina e de mais uma participação brilhante no Europeu disputado, em 1988, no seu país, surgiria o interesse do Inter. Ainda nesse Verão, juntamente com Andreas Brehme, Matthäus viajaria para Itália. Por essa altura, o "Calcio", sem sombra de dúvida, erguia-se como o cenário competitivo mais apetecível para qualquer praticante e a mudança de ares traria ao alemão os melhores anos da carreira. Pelos "Nerazzurri" atingiria um patamar com que muitos sonham, mas que poucos conseguem alcançar. Começaria, logo no ano da chegada, numa equipa comandada por Giovanni Trapattoni, por vencer o "Scudetto". Já a temporada seguinte marcaria a desforra da Alemanha sobre a Argentina de Maradona, com os germânicos a vingarem o desfecho do Mundial disputado quatro anos antes, sagrando-se, dessa feita, campeões. Tal vitória impulsionaria Matthäus, capitão da "Mannschaft", para o primeiro titulo individual, o "Ballon d'Or" da "France Football". Já em 1991, após ajudar a vencer a Taça UEFA de 1990/91, seria a vez de ganhar a primeira edição do "FIFA World Player of the Year".
O regresso à Alemanha em 1992/93, mais uma vez para vestir a camisola do Bayern Munique, far-se-ia após uma grave lesão. A recuperação seria bastante difícil, mas a tenacidade por si mostrada dentro dos relvados, revelar-se-ia a mesma com que encararia o mencionado revés. Por outro lado, viriam os títulos e em 1993/94 voltaria a vencer a Bundesliga. Contudo, como um azar nunca vem só, 1995 marcaria uma nova dor de cabeça para o médio. Muitos, por razão da lesão no tendão de Aquiles, vaticinar-lhe-iam o final da carreira. No entanto, Matthäus, apesar de ter passado dos 30 anos de idade, teimaria na ideia de que ainda não era o tempo certo para “pendurar as chuteiras”. Ora, por altura da final da Taça UEFA de 1995/96 já ninguém, nem o próprio atleta, pareciam ter lembranças do tal episódio médico e a equipa bávara ergueria mais um troféu nas provas continentais.
É certo que Matthäus tem um currículo invejável, mas também não é menos verdade que é capaz de ser um dos futebolistas com mais finais perdidas. A última seria a celebre "Champions" de 1999, cujo derradeiro desafio acabaria agendado para Barcelona. O encontro, frente ao Manchester United, até parecia estar a correr de feição para os alemães. Com o Bayern Munique a dominar toda a partida, o título, com fim do jogo à vista, parecia “estar no papo". No entanto, já no período de descontos, o impensável aconteceria! Sheringham e Solskjaer, com um golo cada, virariam o "placard" a favor dos ingleses e o astro germânico, tal como em 1987 frente aos “Dragões”, veria uma reviravolta tirar-lhe das mãos o único troféu que nunca conquistou.
O ponto final como jogador aconteceria depois de uma curta passagem pelos Estados Unidos da América. De seguida iniciaria uma nova fase na vida profissional, abraçando as tarefas de treinador. Como técnico, tem estado, ao contrário daquilo que foi dentro de campo, um pouco afastado dos sucessos. Ainda assim, os seus serviços têm sido constantemente requisitados e já conta com passagens pelo comando de selecções como a Hungria ou, mais recentemente, a Bulgária. Aliás, seria por razão de estar a residir no estrangeiro que, em Outubro de 2013, as autoridades alemãs haveriam de declará-lo como morto! Ao que parece, resultado de um processo judicial interposto pela ex-mulher, o facto de determinados documentos não chegarem às suas mãos, faria com que as entidades germânicas concluíssem que Matthäus teria falecido!

375 - TAUMENT

Tendo terminado a formação no Feyenoord, haveria de ser no clube de Roterdão que o extremo começaria a carreira como profissional. Ao prometer ser uma das futuras estrelas do futebol neerlandês, Gaston Taument, pouco tempo após a promoção aos seniores, seria também chamado por Rinus Michels para representar a principal selecção da Holanda. Nessa estreia, frente a Portugal, num amigável disputado em Faro, a 12 de Fevereiro de 1992, o jogador iniciaria a um percurso que, para além de 15 internacionalizações, daria ao atleta a presença no Mundial de 1994 e no Euro 96.
Por altura do jogo particular referido no parágrafo anterior, Taument não sabia, ou sequer desconfiaria, que o país contra o qual cumpria a primeira internacionalização iria marcar um ponto de viragem, deveras importante, na sua vida como futebolista. Muito antes, surgiriam ainda uma série de épocas, talhadas de sucessos, no emblema que o havia formado. Durante essas 8 temporadas de ligação contratual – adicione-se a de 1990/91, em que, por empréstimo, esteve cedido ao Excelcior – o atacante conseguiria construir uma carreira desportiva sólida, ao ponto de ser considerado, não uma estrela de calibre mundial, mas um praticante com um nome bem reconhecido pelos amantes da modalidade.
Na sua evolução, seria uma época após a participação no Europeu organizado em Inglaterra, numa altura em que, pelo Feyenoord, já tinha conquistado 1 Campeonato, 4 Taças da Holanda e 1 Supertaça, que a ligação de Taument com Portugal começaria. Com a temporada de 1997/98 a dar os primeiros passos para os lados da Luz, Manuel José, a preparar uma campanha para fazer esquecer os desaires acumulados ao longo dos anos anteriores, passaria a contar como uma série de reforços, como o extremo dos Países Baixos, o brasileiro Paulo Nunes ou o defesa-central Carlos Gamarra. No entanto, apesar de uma equipa bem apetrechada, o sonho das “Águias”, como vinha sendo apanágio para aqueles lado da 2ª circular, cedo começaria a desmoronar-se e, num um ano de mais insucesso, o técnico português acabaria despedido e uma série de jogadores, incluindo os acima referidos, seriam surpreendentemente transferidos.
Taument sairia do Benfica, sem nunca conseguir mostrar a razão da sua fama. Acusado por alguns de revelar pouca disponibilidade e bem longe dos números conseguidos na Holanda, a janela de transferências no Inverno de 1998 serviria para que o jogador fizesse a mudança de Portugal para a Bélgica. Porém, a ida para o Anderlecht não serviria para relançar a sua carreira, mas apenas para continuar a alimentar a imagem de um atleta a viver uma fase menos boa.
Depois do clube de Bruxelas, seguir-se-iam passagens pela Grécia e pela Áustria, onde representaria, respectivamente, o OFI Creta e o Rapid Viena. Com o fim da sua carreira como futebolista a acontecer em 2002, no país dos Alpes, Taument, praticamente de seguida, passaria a abraçar as funções de treinador e regressaria, para desempenhar tais tarefas, ao Feyenoord.

211 - AMUNIKE

Transferido dos nigerianos do Julius Berger, clube pelo qual ganhou o seu primeiro Campeonato Nacional, foi no Egipto, ao serviço do Zamalek, que Amunike despoletou para o estrelato. Três anos de crescimento no seio dum dos históricos balneários africanos, alguns títulos e, principalmente, a presença em certames desportivos de peso, permitiram-lhe consolidar o seu futebol, ao ponto de começar a despertar a cobiça de alguns emblemas europeus.
Segundo consta, foi por essa altura que Sousa Cintra ficou consciente de estar à beira de perder o concurso pelo extremo nigeriano. Como último recurso, tomou a decisão de entrar num avião e ir ao Cairo resgatar o jogador da, quase certa, transferência para um emblema alemão. Para adocicar o episódio, veicularam-se as negociações pela noite dentro, com atribulações pouco normais e perigosos desentendimentos entre os dirigentes egípcios. Depois, já acertado o acordo, o relato de alguns enviados do tal clube germânico que, com uma abordagem feita no aeroporto, teriam tentado desviar o atleta do destino “verde e branco”.
Está bem, os factos até poderão ter sido um pouco romanceados! No entanto, o jogador, tido como a grande revelação de 1994, justificava, sem dúvida, todo o esforço feito pelo antigo Presidente leonino. Com o valor em alta, as razões da sua cotação, por altura da contratação pelo Sporting, já tinham extravasado o seu papel preponderante na conquista do bicampeonato egípcio. Sem diminuir o episódio, importante sem dúvida, para tocar naquilo que realmente catapultou o avançado, há que falar no que alcançou pela selecção. Por um lado, temos a conquista da edição desse ano da CAN, onde, apesar de só ter jogado a final, marcou os dois golos que, na vitória por 2-1 frente à Zâmbia, entregaram o troféu à Nigéria. Temos ainda que recordar o seu papel no Mundial organizado nos Estados Unidos da América, onde disputou todas as partidas e ajudou as “Super Eagles” a chegar aos quartos-de-final.
Foi logo após vencer mais um troféu pela equipa nacional da Nigéria, a Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos realizados em Atlanta, que o avançado deu o grande salto na carreira. No FC Barcelona, na temporada de 1996/97, apesar de cumprido o sonho de jogar por um dos “colossos” mundiais, o avançado, à custa de uma grave lesão, acabou por viver um penoso calvário. A partir desse momento, nunca mais conseguiu impressionar o futebol com a habitual pujança, técnica e velocidade. Em abono da verdade, nem no Albacete, nem nos sul-coreanos do Busan, nem mesmo na Jordânia ao serviço do Al Wihdat, Amunike voltou a ser o mesmo portento de força e talento.
Terminada a sua vida nos relvados e após de ter passado, como "olheiro", pelo Manchester United, Amunike regressou ao país natal para embarcar numa nova etapa, a de técnico-principal de futebol.

92 - WEAH

Com um arranque de carreira vitorioso, George Weah acabaria por vencer vários troféus na Libéria. A “dobradinha” ao serviço do Mighty Barrolle e, já no Invincible Eleven, a repetição da vitória no Campeonato, permitiriam ao atleta preencher o seu currículo com os primeiros títulos colectivos. Nesses capítulos iniciais, seria com as cores do último clube referido que, após ter marcado 24 golos em 23 partidas, despertaria o interesse de clubes no estrangeiro. Todavia, ainda não tinha chegado a hora de partir para a Europa. Seguir-se-iam curtas passagens pelos costa-marfinenses do Africa Sports e pelos Camarões, onde seria campeão ao serviço do Tonnerre Yaoundé.
A jogar no clube camaronês, diz-se que o conselho do seleccionador daquele país, o francês Claude Le Roy, levaria Arsène Wenger a estudar as qualidades do avançado. O treinador, à altura a orientar o AS Monaco, rapidamente chegaria à conclusão que tinha encontrado uma estrela – "Weah foi uma revelação. Ele foi como o ovo de chocolate que uma criança descobre no seu jardim, no Domingo de Páscoa. Eu nunca vi outro jogador a explodir para o palco mundial como ele o fez”*.Todavia, nos 4 anos passados ao serviço dos monegascos, o atacante ganharia apenas 1 Taça de França. Decidir-se-ia, então, pela mudança para a capital gaulesa. Ao assinar pelo Paris Saint-Germain, e com as participações na “Champions”, começaria a ganhar bastante notoriedade. Com um físico poderoso e uma velocidade excepcional, os seus ataques passariam a ser tidos como uma arma mortífera e os seus golos adorados em toda a parte.
Em termos de troféus, seria em Paris que, em 1993/94, haveria de conquistar a “Ligue 1”. Na época seguinte, a última no “Parc des Princes”, ganharia o título de Melhor Marcador da Liga dos Campeões e aguçaria o apetite de outros colossos europeus. O AC Milan acabaria por ganhar essa corrida e, uma vez em Itália, Weah rapidamente confirmaria o seu estatuto de astro maior do futebol mundial. Logo na temporada de estreia, a de 1995/96, o avançado receberia uma série de louvores. Para além de ajudar a vencer a Serie A, seria também eleito o Futebolista Africano do Ano da CAF, o Melhor Jogador do Mundo da FIFA e ganharia o Ballon d’Or da France Football.
Seria ao serviço do emblema milanês que, na sua carreira desportiva, Weah atingiria o apogeu. Contudo, seria também com os “Rossoneri” que haveria de viver um episódio deveras controverso. Numa deslocação ao Estádio das Antas, Jorge Costa e o ponta-de-lança desentender-se-iam durante e após o final do jogo. Ainda no decorrer da partida, uma pisadela do defesa na mão do avançado, haveria de desencadear uma “troca de mimos”. Já no túnel de acesso aos balneários, tudo terminaria com o nariz do futebolista “azul e branco” a ser partido à cabeçada. No rescaldo da contenda, o atacante acusaria o portista de ofensas racista. Já o atleta português falaria de uma emboscada feita de forma cobarde. Como castigo pelo incidente, o internacional liberiano seria penalizado com o afastamento, por 6 partidas, das competições europeias. Curioso seria o que viria a seguir. Mesmo com a aplicação de tão dura punição, nesse ano de 1996, a FIFA galardoaria o elemento do AC Milan com o prémio “Fair Play”.
Mantendo-se em Milão até ao Verão de 2000, Weah teria tempo para ainda erguer o "Scudetto" de 1998/99. Ao deixar o “Calcio”, a carreira do avançado entraria na derradeira fase. Num périplo que, em constantes mudanças, levaria o ponta-de-lança a vestir as camisolas do Chelsea, do Manchester City e do Olympique Marseille, a sua caminhada acabaria por conhecer o fim nos Emirados Árabes Unidos e depois de representar o Al-Jazira.
Apesar de profissionalmente afastado de África, a verdade é que Weah nunca esqueceria o seu país. Muito mais do que jogar pela sua selecção, o desportista faria tudo para ajudar o seu povo. Longe da pobreza que, resultado de uma terrível guerra civil, destruiria a existência de milhares de pessoas, a estrela do futebol mundial demonstraria sempre uma vontade enorme para lutar contras as débeis condições vividas pelos seus conterrâneos. Mesmo ao participar em inúmeras iniciativas de solidariedade ou ao aceitar o papel de Embaixador da Boa-Vontade da UNESCO, o antigo avançado mostraria o desejo de contribuir ainda mais. Em 2005, o cidadão George Manneh Oppong Weah candidatar-se-ia às eleições Presidenciais da Libéria. Acabaria por perder na segunda volta, mas com a promessa de nunca desistir do sonho de, um dia, ser eleito**.

*retirado do artigo “Small countries, big names”, publicado em www.fifa.com, a 24/07/2009
**a 22 de Janeiro de 2018, depois de vencer de vencer o escrutínio de 2017, Weah tomaria posse como Presidente da Republica da Libéria