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1762 - GALILEU

Terminado o percurso formativo com as cores do Sporting, Galileu Morgado de Moura teria igualmente nos “Leões” o início da sua carreira sénior. Nesse arranque, em 1946/47, o avançado começaria pela 2ª categoria, passaria depois pelos “reservas” para, em 1950/51, vir a estrear-se na equipa principal. Com Randolph Galloway, por essa altura, no comando técnico dos “Verdes e Brancos”, o polivalente atacante passaria a ser encarado, ao lado de Mário Wilson e de Pacheco Nobre, como um dos possíveis substitutos do “reformado” Peyroteo. A verdade é que as escolhas do técnico inglês não dariam muitas oportunidades ao jogador e com apenas duas partidas disputadas não passaria de terceira escolha para a posição de ponta-de-lança.
Apesar de reconhecidas as boas qualidades do jogo por si apresentado, que chegariam a valer-lhe o epíteto de “suplente de luxo”, a época seguinte à da sua estreia no conjunto principal não seria muito diferente em termos de utilização. Já a campanha de 1952/53, com o atleta mormente colocado no lugar de extremo-direito, chegaria a dar a ideia que o estatuto do atacante no seio do grupo de trabalho sportinguista estaria prestes a mudar. No entanto, a contratação de Hugo Sarmento ao Estrela de Vendas Novas, com a mudança a efectivar-se em 1953/54, deitaria por terra a imagem de Galileu como titular. Ainda assim, a utilidade do avançado jamais seria posta em causa e a sua continuidade no plantel, mesmo com a mudança de treinadores, nunca seria posta em causa.
Ao manter-se, no que diz respeito ao arrolar do alinhamento inicial, numa segunda partição de opções, Galileu, em 4 anos a trabalhar com a equipa principal, ainda assim daria um bom contributo para os vários títulos alcançados pelo Sporting. Para além da sua participação no triunfo conseguido na edição de 1953/54 da Taça de Portugal, o atacante, entre 1950/51 e a já mencionada campanha de 1953/54, também faria parte da lista de atletas a conquistar o primeiro tetracampeonato alcançado em Portugal. Já as 3 últimas épocas em que jogaria pelos “Verdes e Brancos” seriam bem diferentes em termos de vitórias colectivas. Mesmo sem qualquer troféu a enriquecer-lhe o palmarés pessoal, a época de 1955/56 voltaria a dar a impressão da possível chegada do jogador ao “onze”. Porém, a adaptação a defesa-direito, idealizada por Alejandro Scopelli, permitir-lhe-ia somente disputar pouco mais de uma dezena de partidas. Mesmo com esse novo fôlego, o jogador, na campanha do suposto alento alimentado pelo aludido técnico argentino, acabaria por ficar de fora de um dos momentos históricos do futebol mundial, ou seja, a partida de arranque da recém-criada Taça dos Clubes Campeões Europeus, disputada entre os “Leões” e os jugoslavos do Partizan Belgrado.
Com o fim da sua ligação ao Sporting a acontecer no termo das provas agendadas para a temporada de 1956/57, Galileu ainda continuaria na prática do futebol. Ao manter-se na disputa da 1ª divisão, o jogador escolheria então o Torreense como o novo emblema da sua carreira desportiva. Já depois do encerrar da campanha de 1957/58, com o atleta apenas a contar com 29 anos de idade, para grande surpresa minha, não mais encontrei qualquer registo da actividade do atacante na modalidade, o que poderá indiciar um fim precoce do seu trajecto enquanto futebolista.

1752 - PASSOS

Seria no Lusitânia de Machico, agremiação da sua terra natal, que Manuel Passos Fernandes viveria as primeiras experiências no futebol. Revelando, desde muito cedo, grande habilidade para os desafios apresentados pela modalidade, o jovem praticante depressa começaria a despertar a atenção de outras colectividades. Nesse sentido, do Funchal chegariam os primeiros convites para que mudasse de divisas. Escolheria o União da Madeira, onde entraria com a tenra idade de 15 anos. No entanto, sensivelmente um par de épocas após a chegada ao novo emblema, findada a temporada de 1938/39, o desejo de continuar a alimentar o sonho de uma carreira mais cimentada, levá-lo-ia a seguir a peugada do irmão mais velho, Vasco Fernandes. Partiria, então, na direcção da capital, onde rubricaria um contrato com o Unidos de Lisboa e, com referida colectividade associada às empresas da CUF, também aí encontraria um novo emprego.
Estrear-se-ia no emblema lisboeta na temporada de 1939/40. Contudo, com o sistema de apuramento para o Campeonato Nacional a depender dos resultados no “regional”, Passos apenas na época seguinte viria a participar na prova de maior monta do calendário luso. Essa campanha de 1940/41 seria deveras pródiga para o atleta. Por um lado, em termos individuais, as suas exibições, assentes numa atitude vincadamente aguerrida, começariam a pô-lo nas “bocas do mundo”. Paralelamente, as prestações da equipa por si representada, com a chegada às meias-finais da Taça de Portugal, contribuiriam para que a sua cotação igualmente subisse. Também a terceira época no Unidos de Lisboa, com idêntico desempenho na “Prova Rainha”, serviria para acentuar o seu valor. Então, numa altura em que chegaria a ser cogitado, por Cândido de Oliveira, para uma chamada à selecção nacional, a vida boémia do jogador sobrepor-se-ia às necessidades futebolísticas e uma tuberculose empurrá-lo-ia para um internamento no sanatório do Caramulo e para um longuíssimo período de restabelecimento.
Dado como irrecuperável para a prática desportiva, a vontade de Passos iria determinar um caminho oposto.Com José Maria Antunes, o médico que haveria de acompanhá-lo na doença, a aferir a sua cura. O interior, que mais tarde passaria a jogar a médio e principalmente a defesa-central, encetaria o caminho a levá-lo de novo ao futebol. Primeiro, viria a perda de 22kg! De seguida, os treinos no Operário Vilafranquense e, sem nunca ter jogado pelo emblema ribatejano, os testes prestados no Sporting. Nos “Leões”, diz-se que os responsáveis pelo clube, apesar de agradados com as suas qualidades, só viriam a aceitar o vínculo com o atleta depois deste prometer uma mudança radical no estilo de vida e também após assumir a rescisão do contrato caso voltasse a adoecer. As juras do jogador seriam cumpridas. Ainda assim, na temporada de 1947/48 não passaria das “reservas”. Na campanha seguinte, mais uma vez com Cândido de Oliveira na equação, estrear-se-ia no conjunto principal. Com Sándor Peics, em 1949/50, começaria a jogar com mais regularidade e com a chegada de Randolph Galloway em 1950/51, viria a assumir a titularidade.
A partir da última temporada referida no parágrafo anterior, Passos, de forma recorrente, passaria a ocupar um lugar no sector mais recuado do Sporting. Como membro habitual do “onze”, o jogador seria deveras importante para os sucessos dos “Verde e Brancos”. No que diz respeito aos títulos colectivos, ele que já tinha ajudado os “Leões” a vencer o Campeonato Nacional de 1948/49, o defesa tornar-se-ia num dos esteios daquele que viria a tornar-se no primeiro Tetracampeonato da história do futebol português. Em simultâneo surgiriam, na sua carreira, as internacionalizações. Inicialmente chamado à equipa “B” de Portugal, o atleta, depois dessa partida, disputada a 13 de Maio de 1951 frente à França, teria, a 23 de Novembro de 1952, a estreia pelo conjunto “A” luso. A chamada à peleja com a Áustria, feita por Cândido de Oliveira, encetaria uma longa caminhada e que levaria o defesa a somar 17 partidas feitas com a principal “camisola das quinas”.
Entretanto, cotado como uma das grandes figuras do futebol nacional, uma digressão pelo Brasil, em 1953, resultaria em vários convites para que o atleta ficasse do outro lado do Oceano Atlântico. Recusadas as propostas que chegariam aos 500 contos, uma enormidade para a altura, Passos regressaria ao Sporting. Como um símbolo do clube, as 9 temporadas com os “Leões” e mormente a integridade das suas exibições levá-lo-iam, por diversas vezes, a exibir a braçadeira de capitão. Nesse galgar de tempo, seria já com 35 anos de idade, mas a manter a preponderância de épocas anteriores, que viria a decidir-se pelo fim da carreira e a campanha de 1956/57 levá-lo-ia, em definitivo, a “pendurar as chuteiras”.

1744 - ALFREDO

Nascido no Brasil, mas de nacionalidade portuguesa, Alfredo Joaquim Pais seria descoberto no Paços de Brandão para, na temporada de 1942/43, ser apresentado como reforço do FC Porto. Nos “Azuis e Brancos”, numa altura em que era treinado por Lipo Herczka, o defesa, numa dupla com Guilhar, desde cedo conseguiria fixar-se no sector mais recuado. Quase sempre titular, o jogador depressa viria a sublinhar-se como uma das caras mais consagradas entre a massa adepta da colectividade sediada na “Cidade Invicta”. A sua importância manter-se-ia ao longo de mais de uma década e apesar de ter envergado a camisola dos “Dragões” numa altura em que a agremiação portuense andava afastada dos títulos de índole nacional, o seu nome viria a inscrever-se como um dos mais notáveis do colectivo nortenho.
No sentido de conquistas das mais importantes provas do calendário futebolístico português, como referido no final do parágrafo anterior, Alfredo nada viria a acrescentar ao palmarés pessoal. Ainda assim, em termos locais, os “Azuis e Brancos”, com o Campeonato do Porto a conhecer o seu fim na campanha de 1946/47, seriam hegemónicos durante a sua passagem pelo clube. Essa dominância reflectir-se-ia também no percurso do jogador, com os 5 títulos no “regional” e 1 vitória na Taça de Honra a somarem-se ao currículo do defesa.
Todavia, mesmo com a falta de troféus, a Alfredo não faltariam momentos de inolvidável relevância na carreira competitiva. Um deles, a 6 de Maio de 1948, emergiria com brilhante amigável que, no Estádio do Lima, viria a opor o FC Porto aos ingleses do Arsenal. Nessa partida, em que o colectivo luso acabaria frente a frente a uma equipa aferida, à altura, como uma das melhores do mundo, o resultado final de 3-2 sorriria aos “Dragões” e o tal embate com os “Gunners” entregaria, ao museu dos “Azuis e Brancos”, uma taça com 250kg e 2,80m de altura!
Outro desses importantes episódios de carreira surgira, a 28 de Maio de 1952, com a inauguração do Estádio das Antas. No entanto, não só das cores do FC Porto viveria o trajecto do jogador. Alfredo, cotado como uma das grandes figuras a exibir-se nos campos lusos, também viria a apresentar-se com as divisas de Portugal. Nesse âmbito, a primeira aparição do defesa com a “camisola das quinas” aconteceria a 20 de Março de 1949. A esse encontro do conjunto “B”, disputado frente à Espanha no Estádio Riazor, suceder-se-ia, ainda nas pelejas agendas para os alinhamentos secundários à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, uma partida com França e essa vitória frente ao agregado gaulês entregar-lhe-ia, à caminhada desportiva, a 2ª internacionalização.
Já como uma figura icónica do FC Porto, Alfredo, com o final da temporada de 1952/53, decidiria ser a altura correcta para “pendurar as chuteiras”. Com o rescaldo da caminhada competitiva a trazer-lhe números surpreendentes, o defesa acabaria a despedir-se das actividades futebolísticas com um fantástico total de 267 partidas oficiais efectuadas pela principal equipa dos “Azuis e Brancos”.

1741 - MORTÁGUA

Com os registos na principal equipa do Lusitano Futebol Clube a reportarem a sua primeira presença à época de 1934/35, Joaquim D’Almeida Mortágua começaria por disputar a 2ª divisão. No entanto, com a agremiação do Sotavento a claudicar no necessário apuramento dos anos seguintes, as próximas temporadas do jovem atleta, nascido também em Vila Real de Santo António, seriam cumpridas nas disputas arroladas somente ao panorama desportivo do Algarve.
Depois dessa campanha mencionada no parágrafo anterior, na qual o Lusitano viria a vencer o “regional”, só em 1938/39 é que o clube voltaria às pelejas dos “nacionais”. Numa altura em que Domingos Lopes era, provavelmente, o nome de maior monta na colectividade, Mortágua, à altura ainda a posicionar-se como extremo, também já figurava na lista de praticantes com enorme importância no arrolar da equipa titular.
Mesmo com a importância do clube a cimentar-se peremptoriamente, como provam as sucessivas aparições do emblema algarvio no Campeonato Nacional da 2ª divisão, e com a aparição de novos craques a projectar novos voos, como seria o caso de Isaurindo, Mortágua, na temporada de 1943/44, decidiria aventurar-se por outras paragens e anuir, um pouco mais a norte na raia portuguesa, ao desafio lançado pelo Campomaiorense. No entanto, muito mais do que um simples praticante, o seu papel no plantel dos “Galgos” viria a ultrapassar as funções que, até ao momento, estava habituado. Talvez como reflexo da sua enorme polivalência em campo, característica que faria com que, ao longo da carreira, conseguisse ocupar posições no sector ofensivo, no meio-campo e também em lugares mais recuados nos mais díspares esquemas tácticos idealizados, o jogador, grande entendedor das dinâmicas futebolísticas, aceitaria assumir-se como o treinador-jogador da colectividade alentejana.
Com a passagem por Campo Maior a durar apenas uma temporada, o regresso a Vila Real de Santo António entregá-lo-ia aos melhores anos do Lusitano. Todavia, para o surgimento dessa época áurea em muito contribuiria a emergência de outros atletas. Nesse rol alocado à equipa principal, Manuel Caldeira acabaria por vir a transformar-se num dos grandes ícones da massa adepta. Ainda assim, outros conseguiriam igualmente deixar a sua marca e para além da inscrição de Mortágua nessa lista de notáveis, também Madeira, a exemplo, faria parte do grupo que contribuiria para a ascensão dos homens a jogar em casa no Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro até à 1ª divisão.
Nesse sentido, ao conseguir manter-se como um dos titulares da equipa, Mortágua, na temporada de 1947/48, transfigurar-se-ia numa das principais figuras do Lusitano na estreia entre os “grandes” do futebol luso. Essa estadia no patamar maior, que ao longo dos diferentes anos teria ainda a presença de outros atletas que também viriam a destacar-se nas competições portuguesas, casos de Luís Vasques e do incontornável José Maria Pedroto, serviria conjuntamente para sustentar o polivalente jogador como um dos históricos do conjunto algarvio. É verdade que as 64 partidas, por si disputadas nas 3 épocas passadas no degrau máximo, transformá-lo-iam numa das figuras com mais presenças, pelo clube do Sotavento, na prova de maior importância no calendário nacional. Ainda assim, há números mais surpreendentes na sua carreira e as 17 campanhas realizadas pelo atleta na agremiação sediada na foz do Guadiana, mesmo que mais nada houvesse, serviriam para inscrevê-lo nos anais da colectividade nascida em Vila Real de Santo António.

1729 - ALFREDO

Nascido e criado na zona leste de Lisboa, seria a vizinhança com o campo do SL Olivais que, desde muito cedo, despertaria a curiosidade de Alfredo Saúl Abrantes Abreu para a prática do futebol. Entre faltas à escola e as partidas de rua com os amigos, a paixão pela modalidade viria ainda a crescer mais. A primeira colectividade representada, numa altura em qua já trabalhava, seria o Desportivo das Lajes, popular agremiação do seu bairro. Depressa começaria a destacar-se como o melhor atleta do modesto emblema “alfacinha” e desafiado pelo primo António Leitão, interior à altura ainda a representar os Fósforos, tomaria a decisão de ir treinar-se à experiência no clube representado pelo referido familiar.
Depois de alguns testes, as habilidades de Alfredo agradariam aos responsáveis pela colectividade e o jovem jogador seria aceite. Poucas semanas após este passo inicial, dar-se-ia a fusão entre o Marvilense, o Chelas e o Fósforos, nascendo assim o Clube Oriental de Lisboa. Com 16 anos de idade apenas, a obrigatória autorização dos pais foi outorgada e passaria, no recém-criado emblema, a integrar o plantel de 1946/47 dos juniores. Agradado com a sua veia goleadora, o treinador Gustavo Teixeira, antiga estrela do Benfica e da selecção nacional, daria instruções para que passasse a jogar como extremo-direito. Dois anos cumpridos, chegaria a vez de representar os “reservas” e tal seria a qualidade das suas exibições que, disputadas apenas algumas rondas, haveria de ser chamado à categoria principal.
A temporada de 1948/49 marcaria, desse modo, o arranque da sua caminhada com a equipa principal do Oriental. A partida, o “derby” frente ao Atlético, levá-lo-ia, mesmo tendo como opositor directo Ben David, a rubricar uma excelente exibição. Daí em diante, numa altura em que já estava a posicionar-se como médio-centro, o jogador, mesmo tendo como companheiro de balneário Eleutério, passaria a cotar-se como uma das maiores estrelas da colectividade lisboeta. A estreia na 1ª divisão, com o 5º lugar alcançado com o termo da campanha de 1950/51, contribuiria ainda mais para o acréscimo do seu valor individual. Tal evolução, em que a subtileza e rapidez do seu desarme valer-lhe-iam a alcunha do “Três-Pés”, faria com que outros clubes fossem no seu encalço e depois de uns anos antes o Sporting ter tentado contratá-lo, seria o FC Porto e o Belenenses a fazerem nova aproximação.
Apesar do constante assédio, a sua paixão pelo Benfica fá-lo-ia recusar os diferentes convites. A espera por uma oportunidade no emblema do seu coração surtiria efeito na temporada de 1954/55. Com a mudança para as “Águias”, Alfredo, que começaria também a destacar-se como um bom médio-esquerdo e até como defesa-central, passaria a ser orientado pelo brasileiro Otto Glória. Logo na época de chegada, que coincidiria com a inauguração do Estádio da Luz, o jogador seria um dos esteios na conquista da “dobradinha”. Nisso de títulos, a passagem pelos “Encarnados” deixaria o palmarés do atleta bem recheado. No entanto, não seriam apenas as vitórias em 3 Campeonatos Nacionais e em 3 Taças de Portugal a contribuir para o seu sucesso. Também no plano continental, o polivalente futebolista haveria de brilhar e as participações na Taça Latina, com a presença na final de 1956/57, e na Taça dos Clubes Campeões Europeus serviriam igualmente para escrever momentos inolvidáveis na sua caminhada competitiva.
Seria também como atleta do Benfica que Alfredo teria a honra de envergar a “camisola das quinas”. Após ter representado a equipa “b”, a 13 de Abril de 1958, numa partida de preparação com a Espanha, a estreia pelo conjunto principal luso ocorreria no âmbito da Fase de Qualificação para o Campeonato da Europa de 1960. Nessa peleja, disputada no Estádio das Antas, a 28 de Junho de 1959, o jogador apresentar-se-ia a jogo frente à Republica Democrática da Alemanha. Chamado ao confronto por José Maria Antunes, o médio, que entraria em campo ao lado de outro colegas nos “Encarnados”, como Ângelo, Coluna e Cavém, contribuiria para a vitória por 3-2 e terminaria a partida organizada na cidade do Porto com o currículo colorido por mais uma internacionalização por Portugal.
Após deixar o Benfica, onde cumpriria 6 temporadas consecutivas, a época de 1960/61 apresentá-lo-ia como reforço do Belenenses. Mesmo com o fim da carreira à vista, o jogador ainda envergaria as divisas do “Azuis”. Durante o aludido período, onde, num total de carreira a somar 12 épocas primodivisionárias, ainda adicionaria outras 3 campanhas entre os “grandes”, o atleta teria na estreia do Belenenses nas provas continentais, um dos momentos mais altos da passagem pelos homens da “Cruz de Cristo”. Mesmo com a confiança dada pela participação na ronda frente aos escoceses do Hibernian, feita no contexto da edição de 1961/62 da Taça das Cidades com Feira, a verdade é que Alfredo não conseguiria atingir os índices exibicionais de outrora e ao perder progressivamente alguma preponderância, o termo das provas agendadas para 1964/65 levá-lo-ia a tomar a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1717 - LIBÂNIO

Produto das “escolas” da CUF, Libânio Gomes Avelar teria também no emblema do Barreiro a oportunidade de, no decorrer da temporada de 1948/49, subir às contendas dedicadas aos seniores. Com a colectividade “fabril” na disputa do escalão secundário, o jovem guarda-redes acabaria por demorar ainda alguns anos até ficar sob os principais holofotes do desporto português. Ainda assim, as boas exibições, conseguidas no decorrer desses primeiros anos de competição, fariam com que sua cotação rapidamente subisse e o guardião depressa passaria a ser vistos como um dos bons elementos a actuar entre os postes nacionais.
Antes ainda de conseguir sublinhar-se como um dos nomes mais admirados no cenário competitivo luso, Libânio, por razão do Serviço Militar Obrigatório, haveria de passar a temporada de 1950/51 a envergar as cores do SL Olivais. De regresso à CUF na campanha imediatamente a seguir à sua passagem pelo referido emblema de Lisboa, o guarda-redes continuaria, com boas prestações, a alimentar, de forma crescente, a sua cotação. Como um dos pilares da agremiação barreirense, o jogador acabaria por, na temporada de 1953/54, ser de extrema importância nos desempenhos colectivos e após ajudar à vitória no Campeonato Nacional da 2ª divisão, a época seguinte, orientado por Humberto Buchelli, transformar-se-ia no ano de estreia do guardião entre os “grandes”.
Titular em 1954/55 e dono de um lugar no “onze” também na campanha subsequente, Libânio, naquela que viria a tornar-se a sua terceira época primodivisionária, ver-se-ia, na luta pela titularidade, ultrapassado por José Maria. Possivelmente agastado com a situação, certo é que o guardião, em rota de colisão com o treinador magiar János Biri, acabaria por deixar a CUF. Ao manter-se no patamar máximo do futebol luso, o atleta, na campanha de 1957/58, seria apresentado como reforço do Vitória Futebol Clube. A verdade é que a mudança para o emblema da cidade de Setúbal, ao enfrentar a concorrência de Justino e de um jovem de nome Mourinho Félix, não haveria de trazer facilidades ao guarda-redes natural do Barreiro. Nesse sentido, a primeira época cumprida com os “Sadinos” ainda viria a trazer-lhe algum destaque. Porém, os anos seguintes não seriam tão proveitosos em termos individuais e o jogador ver-se-ia apartado do alinhamento inicial.
Seria após uma temporada nas pelejas da 2ª divisão que Libânio deixaria o Vitória Futebol Clube para dar o maior salto na carreira. Com o Sporting, consumada a saída de Octávio de Sá, à procura de alguém com traquejo suficiente para fazer concorrência a Carvalho, as escolhas dos responsáveis leoninos recairiam sobre a sua contratação. Com a chegada a Alvalade a acontecer na temporada de 1961/62, só no final dessa campanha é que o guarda-redes convenceria Juca a entregar-lhe a titularidade. Ainda assim, com a corrida pelo título a ser feita, taco a taco, pelo emblema “alfacinha” e pelo FC Porto, a sua presença entre os postes tornar-se-ia deveras relevante para o sucesso do colectivo. No referido contexto competitivo, o guardião, reconhecido pela tranquilidade, destreza e arrojo nas acções defensivas, tornar-se-ia de extrema importância e na derradeira jornada do Campeonato Nacional, ao contribuir para o triunfo caseiro frente ao Benfica, ajudaria a selar a conquista daquela que é a prova de maior monta no calendário luso.
O resto da sua caminhada de “leão” ao peito não traria, ao currículo pessoal, notas de maior destaque. Mesmo tendo como certa esta afirmação, é impossível de deixar de referir a sua presença no plantel do Sporting, aquando da vitória do clube português na edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças. Também não é menos verdade que, com o avançar dos anos, o jogador, igualmente atrás de Barroca, acabaria como a terceira escolha para os técnicos leoninos. Tal facto, após o termo das provas agendadas para 1964/65, empurrá-lo-ia para aventuras fora de Alvalade. Seguir-se-iam, na divisão secundária, o Atlético e o FC Barreirense. Já na 2ª época com o mencionado emblema da Margem Sul, o guardião regressaria ao escalão máximo para, na temporada de 1967/68, ter as últimas aparições no patamar maior. Depois viram as duas campanhas ao serviço do Seixal e o “pendurar das luvas” no final de 1969/70.

1715 - CESÁRIO

Cesário da Ponte Fernandes teria no Sporting de Braga os derradeiros capítulos do percurso formativo. No entanto, na altura de subir ao patamar sénior, seria no regresso à terra natal que encontraria uma porta aberta. Nessa temporada de 1947/48, o jovem guarda-redes, após a viagem de volta ao Alto Minho, passaria a representar o Desportivo de Monção. No emblema sediado na raia do distrito de Viana do Castelo, os seus préstimos seriam de tal ordem que a ordem para retornar à “Cidade dos Arcebispos” emergiria ao fim de uma campanha e o guardião, em 1948/49, apresentar-se-ia de novo com a camisola dos “Guerreiros”.
A exibir-se no Campo da Ponte, Cesário rapidamente conseguiria alcançar um lugar de destaque no seio do plantel minhoto. Titular na maior parte das partidas agendadas para o calendário competitivo do Sporting de Braga, o guarda-redes passaria a ser aferido como um dos responsáveis pela consolidação do emblema nortenho nas sendas do patamar máximo do ludopédio português. Paralelamente ao cumprimento dos objectivos colectivos dos “Arsenalistas”, a cotação do guardião, como um dos grandes activos da colectividade, também encetaria uma senda em crescendo. Esse acréscimo de valor, bem vincado desde os primeiros passos a envergar a principal divisa dos “Guerreiros”, contribuiria para que, de outros lados, começassem a olhar par si como um dos grandes intérpretes do plateau luso e o prémio, para as boas exibições alcançadas dentro do rectângulo de jogo, viria com a convocatória a levá-lo aos trabalhos sob a intendência dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol.
Chamado para o Áustria – Portugal agendado para a Fase de Qualificação do Mundial de 1954, Cesário tornar-se-ia no primeiro atleta na história do Sporting de Braga arrolado para uma partida da principal selecção lusa. Ao lado de grandes vultos do futebol nacional, casos de José Águas, Virgílio, Rogério de Carvalho, Vasques, Martins, Serafim, Travassos, entre outros, o guarda-redes apresentar-se-ia na comitiva a viajar até à contenda a disputar, a 27 de Setembro de 1953, no Praterstadion. Já em Viena, as escolhas para compor o alinhamento a envergar a “camisola das quinas” dariam preferência, no lugar entre os postes, ao portista Frederico Barrigana. Suplente do “onze” orientado por Salvador do Carmo, o guarda-redes minhoto, para além de perder a oportunidade de juntar ao currículo uma internacionalização “A”, assistiria de fora à copiosa goleada sofrida pelo agregado português e o regresso a Lisboa far-se-ia com um desastroso 9-1 a ocupar demasiado espaço na bagagem.
No caminho trilhado com o Sporting de Braga, ao lado de Elói, António Marques, Antunes, Ezequiel Baptista, Corona, Eduardo Vital, José Maria Azevedo, Ferreirinha, Imbelloni, Jorge Mendonça, Fernando Mendonça, João Mendonça ou Armando, todos com uma grande presença no futebol da agremiação minhota, como no desporto luso, Cesário tornar-se-ia numa das principais figuras das 11 campanhas dos “Arsenalistas” cumpridas na disputa da 1ª divisão. Todavia, o ciclo de uma dúzia de temporadas consecutivas terminaria, para o guardião, com o fim das provas agendadas para 1959/60. Decidido a “pendurar as luvas”, ainda assim, o apelo para regressar às lides futebolísticas, com um par de anos a alimentar uma sabática, fá-lo-ia integrar o plantel de 1962/63 dos “Guerreiros”. Adiada a reforma competitiva por mais algum tempo, o guarda-redes permaneceria outra época na colectividade da “Cidade dos Arcebispos” e viria, após alguns jogos efectuados ao serviço do Desportivo de Monção, a cessar as actividades à baliza já em 1964/65.

1703 - FLORA

Natural da Guiné-Bissau, seria em emblemas da capital da antiga colonia portuguesa que Florentino da Silva Araújo, popularizado pelo diminutivo Flora, começaria a sua carreira enquanto futebolista. Nesse sentido, pela ordem apresentada, Bissau e Benfica e Sporting de Bissau, transformar-se-iam nas duas primeiras camisolas envergadas pelo extremo-direito enquanto atleta sénior. Já numa altura em que era visto como um praticante com uma boa experiência, surgiria a oportunidade do atacante viajar até à Metrópole e à beira de completar 23 anos de idade, o jogador passaria a disputar as provas portuguesas.
Com a sua entrada no Lusitano de Évora a acontecer na temporada de 1951/52, Flora encetaria a ligação à agremiação alentejana numa época de bastante importância para o aludido colectivo. Para tal, numa equipa comanda pelo argentino Anselmo Pisa, o jogador faria parte do grupo de trabalho que conseguiria a tão almejada promoção ao escalão maior do futebol luso. Já na época seguinte, mantendo-se ainda afastado da titularidade, o atacante, ao partilhar o balneário com nomes míticos, não só do futebol eborense, mas com praticantes reconhecidos a nível nacional, como são exemplos Dinis Vital, Falé, Polido, José Pedro, Batalha ou Patalino, caminharia com o listado verde e branco na estreia, de ambos, na 1ª divisão.
Apesar de ter iniciado a sua participação nas pelejas pelos “Geraldos” de uma forma algo modesta, a temporada de 1953/54 viria a alterar esse paradigma competitivo. Incluído, amiúde, no “onze” do Lusitano de Évora, Flora começaria, e de qua maneira, a contribuir para os sucessos do clube alentejano. Nesse contexto, muito mais do que a relevância de participar nas lutas pela permanência entre os “grandes, o extremo-direito, que também chegaria a posicionar-se noutras posições do sector mais ofensivo, ajudaria, por exemplo, à chegada às meias-finais da Taça de Portugal, tal como colaboraria para o 5º posto conseguido com o termo da edição de 1956/57 do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Aliás, a última campanha mencionada no parágrafo anterior acabaria também a transformar-se, no plano individual, numa das melhores do avançado. Para tal, num jogador em que a finalização não era a sua imagem de marca, em muito contribuiriam os 13 golos por si concretizados no âmbito daquela que é a competição de maior monta no escaparate futebolístico português. Ainda no campo dos remates certeiros, outro momento mítico dessa temporada emergiria com a vitória caseira, por 3-2, frente ao FC Porto. Nesse inolvidável dia 26 de Outubro de 1956, em pleno Campo Estrela, seria o “hat-trick” de Flora a fazer pender o resultado no “placard” para o lado dos alentejanos e o resultado ajudaria a alimentar aquela que viria a tornar-se na melhor classificação de sempre do Lusitano Ginásio Clube.
Após 9 temporadas a envergar a camisola do emblema sediado na histórica cidade de Évora, sendo que 8 dessas campanhas seriam cumpridas no degrau maior, Flora, inscrito nos anais do futebol como um dos atletas com mais participações na 1ª divisão pelo Lusitano, acabaria por deixar o Alto Alentejo, com o fim das provas agendadas para 1959/60. Prosseguiria a caminhada competitiva, já nas contendas do escalão secundário, com a entrada no Marinhense e, caso não tenha prosseguido a carreira, facto que não consegui apurar com certeza absoluta, seguir-se-ia a decisão de “pendurar das chuteiras” no termo de 1960/61.

1695 - MELO

Natural de Bustelo, seria no Sport Clube de Penafiel, emblema sediado na sede de concelho da já referida freguesia, que António de Campos Melo Nogueira daria os primeiros passos no futebol. Depois dessa temporada de 1944/45, com o propósito de dar continuidade aos estudos, o jovem jogador, que chegaria a posicionar-se como avançado, partiria para a Universidade de Coimbra. Paralelamente ao curso de Medicina e ao querer manter-se ligado à modalidade, rubricaria um contrato com a Académica e a partir da campanha de 1945/46 passaria a envergar a camisola negra dos “Estudantes”.
Como atleta da “Briosa”, onde, num sistema de três defesas, haveria de jogar como o elemento colocado do lado canhoto, Melo ainda demoraria algumas temporadas até conseguir afirmar-se como um dos titulares da equipa. Recebido, nessa época de chegada à Beira Litoral, pelo técnico Eduardo Augusto, mas tapado por jogadores mais traquejados, o defesa, ainda assim, teria a oportunidade para fazer a estreia no Campeonato Nacional da 1ª Divisão. Nas épocas seguintes, mesmo tendo, em algumas desses anos, conseguido jogar mais amiúde, a verdade é que só em 1950/51 viria a cimentar-se como um dos indiscutíveis no “onze” inicial da Académica de Coimbra.
Com o argentino Óscar Tellechea no comando da equipa, depois de ajudar ao desenovelar de um Campeonato Nacional tranquilo, Melo seria um dos homens chamados pelo mencionado treinador para a disputa da final da Taça de Portugal de 1950/51. Na partida agendada para o Estádio Nacional, o defesa faria parte do alinhamento inicial escolhido, pelo técnico sul-americano, para defrontar o Benfica. Infelizmente para o lado dos “Estudantes”, as “Águias” haveriam de ser superiores na resolução do decisivo embate. Com o 5-1 a pender para o lado dos “Encarnados”, os elementos da Académica de Coimbra não teriam outro remédio senão assistirem à subida dos seus oponentes até à tribuna presidencial do Jamor e veriam os rivais lisboetas a erguerem o troféu correspondente à vitória na “Prova Rainha”.
Daí em diante, ao ter como companheiros no sector mais recuado, grandes nomes como Mário Torres, Mário Wilson ou Curado, Melo continuaria a manter-se como um dos esteios da Académica de Coimbra. Nesse contexto competitivo, o defesa seria de grande importância na manutenção dos “Estudantes” naquele que é o principal cenário do futebol português. Conservando-se a “Briosa” no patamar máximo até àquela que viria a emergir como a sua derradeira temporada como praticante, as 11 campanhas cumpridas entre os “grandes” – a época de 1948/49 passá-la-ia na 2ª divisão – traduzir-se-iam em 197 partidas disputadas e tal número posicioná-lo-ia, na história das “Capas Negras”, como um dos jogadores com mais presenças naquela que é a prova de maior relevo no panorama luso.
“Penduradas as chuteiras” com o termo das competições agendadas para a temporada de 1956/57, o defesa, só pelos números e momentos já apresentados neste pequeno texto, haveria de garantir um lugar entre os notáveis do clube conimbricense. No entanto, como destapado no parágrafo inicial, o jogador também abraçaria aquele que é um dos grandes símbolos da agremiação sediada nas margens do Rio Mondego e ainda enquanto praticante, agarrando-se com afinco às obrigações dadas aos elementos que auferem do estatuto de estudante-atleta, Melo concluiria a Licenciatura em Medicina.

1688 - NECA

Formado no Leixões, seria igualmente na colectividade fundada em Matosinhos que Manuel Joaquim Amador Magalhães, popularizado como Neca, faria a transição para as competições seniores. Com o arranque na equipa principal a acontecer na temporada de 1967/68, o jovem médio, chamado às contendas da 1ª divisão por António Teixeira, desde logo teria um enorme impacto nos resultados colectivos dos “Bebés do Mar” e contribuiria, como um dos homens mais vezes chamado ao “onze” inicial, para o 8º lugar no Campeonato Nacional.
Nas épocas seguintes, Neca conseguiria manter a preponderância inicialmente conquistada. Nesse contexto competitivo, seria chamado para a participação do Leixões na Taça das Cidades com Feira. Na edição de 1968/69 da mencionada competição de índole continental, convocado por José Águas, o médio participaria em ambas as mãos da ronda a opor o conjunto português ao Arges Pitesti. Infelizmente para o listado alvirrubro, os dois empates verificados nos dois jogos agendados para a aludida ronda, com a regra dos golos forasteiros a ditar o desempate, fariam pender a decisão da contenda para o lado do agregado romeno.
Na época de 1969/70, Neca continuaria a conservar para si um papel de fulcral importância para os desenvolvimentos tácticos da sua equipa, nomeadamente para as dinâmicas do sector intermediário. No entanto, contrariando o crescimento constatado até aí, o médio começaria a perder o fulgor a projectá-lo, inclusive, para voos de montas maiores. A partir de 1970/71, o jogador viria, progressivamente, a desaparecer dos intentos tácticos dos diferentes treinadores contratados para o comando técnico do Leixões. Mesmo ao manter números individuais bastante aceitáveis, a verdade é que deixaria de chegar à titularidade com a frequência com que havia habituado os associados da colectividade a jogar em casa no Estádio do Mar. Nesse sentido, o final da primeira metade da década de 1970 marcaria um ponto de cisão na sua carreira e a campanha de 1975/76 apresentaria o atleta como reforço do Riopele.
Com a entrada no emblema da Pousada de Saramagos, Neca passaria a disputar o 2º escalão. Todavia, com o emblema associado à indústria têxtil a investir fortemente no futebol profissional, o médio, num grupo de trabalho orientado por Ferreirinha e a incluir nomes como Jorge Jesus, Padrão, Trindade, Fonseca ou Messias, teria, na temporada de 1977/78, o regresso ao patamar máximo do futebol luso. Porém, esse revisitar da 1ª divisão, durante o qual não conseguiria conquistar a titularidade, seria de pouca dura e a sua equipa, com o termo da campanha referida neste parágrafo, acabaria por claudicar na feroz luta pela manutenção.
Ao permanecer durante mais uma temporada no emblema do concelho de Famalicão, Neca veria a emergir na época de 1979/80 um nova mudança no seu rumo profissional, com o Lusitânia de Lourosa, dessa feita, a acolher os seus préstimos competitivos. Contudo, numa caminhada desportiva a entrar nos derradeiros capítulos, o médio, ao manter-se nas contendas dos degraus inferiores, ainda representaria outras agremiações e o Vilanovense e o Leça, numa carreira que findaria com o encerrar das provas entregues a 1983/84, ainda teriam tempo para colorir o trajecto do médio.

1675 - MARTINHO

Existem 2 questões na carreira de Martinho que não consegui ver respondidas. A primeira prende-se com a entrada do jogador no Atlético e com a possibilidade, ou não, de ter representado, anteriormente, outro emblema. Já a segunda dúvida surgiu-me pelo facto de não ter descoberto, na totalidade dos registos por mim pesquisados, qualquer referência à sua participação nas provas agendadas para a temporada de 1951/52. A hipotética falha levou-me, de seguida, a outra pergunta e, na tentativa de desvendar o mistério, muito menos encontrei qualquer justificação para o tal “desaparecimento”.
Adiantando este texto e contrariamente ao que está testemunhado em fontes mais recentes, que apenas mostram Carlos Martinho Gomes no Atlético a partir de 1947/48, as referências mais antigas, contemporâneas à carreira do avançado-centro, dizem-nos que a sua ligação ao emblema do popular bairro de Alcântara terá começado na campanha anterior, ou seja, durante a temporada de 1946/47. No entanto, naquilo que consegui investigar, nomeadamente nos registos do Campeonato Nacional da 1ª divisão, não achei qualquer dado que permita dizer que o jogador terá participado na prova de maior relevo no plano português.
O que consigo asseverar é a sua entrada em campo, pela equipa principal do Atlético, na edição de 1947/48 do escalão maior luso. Nesse contexto, não só o avançado apareceria como um dos nomes arrolado ao campo de jogos, como passaria, ao lado de Ben David, Armando Carneiro, Eduardo Vital ou Ernesto, a comparecer às pelejas da agremiação alcantarense na condição de membro regular do seu “onze”. Aliás, a titularidade conquistada levá-lo-ia a ser uma das escolhas do treinador Pedro Areso para a final da edição de 1948/49 da Taça de Portugal. Na partida disputada no Estádio Nacional, o ponta-de-lança inscreveria o seu nome no rol de marcadores. Porém, com a vitória a sorrir ao Benfica, o jogador veria o tão almejado troféu partir em direcção aos escaparates das “Águias”
Como uma das estrelas, não só do emblema “alfacinha”, mas do cenário futebolístico português, Martinho continuaria a sublinhar o alto gabarito das suas habilidades, a contrapor à baixa estatura física. Tais qualidades dariam um enorme contributo para os êxitos do conjunto a jogar em casa no Estádio da Tapadinha. Um bom exemplo desses sucessos colectivos viria com o 3º lugar alcançado na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1949/50. Ainda assim, a melhor honra surgiria com as chamadas aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. No contexto internacional, a 12 de Maio de 1951, numa digressão pelo Reino Unido, o avançado entraria em campo num “onze” onde também estariam Ben David e Ernesto. Passados apenas alguns dias sobre o jogo frente ao País de Gales, seguir-se-ia a sua entrada em campo, mais uma vez pela mão de Tavares da Silva, numa peleja a opor o grupo luso a Inglaterra. Na sequência dessas partidas de selecções, o atleta, como prova o planeamento do embate contra a Bélgica marcado para a 17 de Junho de 1951, ainda voltaria a ser chamado. Todavia, apesar de convocado, o ponta-de-lança não mais entraria em campo pelo seu país e, desse modo, acumularia 2 presenças com a “camisola das quinas”.
No resto da carreira, onde o tal hiato referido no parágrafo inicial poderá ser explicado por uma grave lesão ou até pela chamada ao Serviço Militar Obrigatório, outro momento de especial importância viria a ser a transferência para o maior rival do Atlético.Com os alcantarenses no 2º escalão, Martinho anuiria ao desafio lançado pelo Belenenses e, na campanha de 1958/59, passar-se-ia para o Restelo. Na sequência da aludida mudança, o jogador começaria por integrar o grupo de trabalho comandado por Fernando Vaz. No entanto, as 2 épocas seguintes, como resultado da veterania apresentada pelo avançado, entregá-lo-iam, na maioria das ocasiões, aos desafios dos “reservas”. Por fim, surgiria o plantel da CUF e fim da caminhada como futebolista com o termo das provas planeadas para 1961/62.

1671 - JOSÉ MOTA

Natural da freguesia de Santa Maria Maior, no Funchal, José Mota veria na temporada de 1936/37 a campanha de ingresso no Clube Sport Marítimo. Daí em diante, por não ter conseguido apurar qualquer outra informação acerca da sua carreira enquanto atleta dos “Leões do Almirante Reis”, nomeadamente em que categorias teria participado, não posso apresentar qualquer outro dado sobre a caminhada competitiva deste avançado madeirense. Ainda assim, posso excluir a sua participação em momentos como as edições de 1936/37 e 1937/38 do Campeonato de Portugal ou até da Taça de Portugal de 1939/40. Já com os emblemas insulares excluídos da participação no Campeonato Nacional e com as colectividades madeirenses, supostamente pela dificuldade nos transportes, a não participar, por vários anos, na “Prova Rainha”, falta-me saber da contribuição do atacante para os títulos conquistados pelos “Verde-rubros”, no Campeonato Regional do Funchal, em 1939/40 e 1940/41.
Certo é que a temporada de 1944/45 marcaria a entrada de José Mota no Estoril Praia. Logo nessa época de chegada à Amoreira, mesmo não sendo um dos habituais titulares dos “Canarinhos”, o avançado mereceria a confiança do treinador Augusto Silva e acabaria por estrear-se, tal como o emblema por si representado, na 1ª divisão. Já a época seguinte, com a presença no “nacional” a depender do desempenho classificativo conseguido no “regional”, traduzir-se-ia pelo afastamento da colectividade da Linha de Cascais da prova de maior monta no calendário futebolístico português. Já a campanha de 1946/47, muito para além de marcar o regresso do atacante ao patamar máximo, assinalaria o fim da qualificação a partir dos Campeonatos Regional, para passar ao sistema de promoções e descidas ainda hoje vigente.
Daí em diante, José Mota assumir-se-ia como um dos principais esteios dos esquemas tácticos idealizados para as pelejas do Estoril Praia. Tal razão faria com que, mais uma vez, fizesse parte de um novo recorde dos “Canarinhos”, isto é, o 4º lugar conquistado no Campeonato Nacional. Tamanha preponderância levaria a que o avançado-centro começasse a ser equacionado para os trabalhos da selecção nacional. No contexto internacional, o atacante começaria por ser chamado aos duelos do conjunto “B”, como prova a convocatória para a contenda frente à Espanha, realizada a 20 de Março de 1949. Não muito tempo depois desse jogo realizado no Estádio Riazor, no qual não chegaria a entrar em campo, viriam as presenças na equipa “A”. Com a principal “camisola das quinas”, o atleta teria a estreia, pela mão de Armando Sampaio, a 15 de Maio de 1949. A vitória com o País de Gales, brindada com um golo de sua autoria, seria sucedida por um “particular” com a República da Irlanda e, desse modo, o currículo do futebolista madeirense ficaria colorido por dois desafios cumpridos por Portugal.
Apesar de ser um dos pilares do Estoril Praia e com a agremiação da Linha de Cascais a manter-se nas lutas primodivisionárias, a temporada de 1950/51 daria à caminhada do avançado um novo emblema. Apresentado como reforço do Vitória Sport Clube, José Mota, na campanha já mencionada e na seguinte, ambas ao serviço do emblema minhoto, manter-se-ia como um dos praticantes do patamar máximo. Já após deixar a “Cidade Berço”, o atacante regressaria aos “Canarinhos” para, em 1952/53, ter a derradeira aparição entre os “grandes”. Com a descida do emblema da Amoreira, seriam os cenários secundários, daí para a frente, a preencher a sua usança desportiva, rotina que, segundo algumas fontes, duraria até 1956/57.

1657 - FAIA

Seria no FC Barreirense que João Júlio de Almeida e Silva encetaria a carreira no “jogo da bola”. Após terminar a formação nos “Alvirrubros”, a época de 1947/48, na qual a colectividade sediada na Margem Sul atingiria as meias-finais da Taça de Portugal, dar-lhe-ia a oportunidade de dar, ainda em idade adolescente, os primeiros passos no escalão sénior. Dando início ao percurso na equipa principal na disputa do escalão secundário, o atleta, popularizado pela alcunha Faia, teria de aguardar algumas temporadas para conseguir experimentar as pelejas travadas nos principais palcos do desporto luso. Essa oportunidade surgiria no decorrer da campanha de 1951/52 e daria azo a um dos grandes momentos da sua caminhada competitiva.
Na última temporada referida no parágrafo anterior, orientado por Artur Quaresma e com a chegada às meias-finais da Taça de Portugal como a grande proeza dessa época, Faia, como resultado das suas exibições, seria convidado pelo Sporting para integrar uma digressão agendada para o Brasil. Em “Terras de Vera Cruz”, a participação na Copa Rio daria ao ponta-de-lança o ensejo de entrar em campo frente ao Fluminense e contra os helvéticos do Grasshopers. Já no regresso a Portugal, de volta ao listado branco e vermelho do FC Barreirense, o jogador continuaria a revelar excelsas qualidades para os desempenhos das funções a si atribuídas no sector mais ofensivo da equipa. Tais habilidades, que ajudariam ao 5º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional de 1952/53, seriam suficientes para que de outros emblemas continuasse a surgir o interesse no seu concurso. A transferência viria mesmo a concretizar-se e o avançado, em 1954/55, seria apresentado como reforço da Académica de Coimbra.
Depois de um par de anos na “Cidade dos Estudantes”, a reentrada no Estádio Dom Manuel de Mello entregaria o atleta aos melhores anos da sua carreira. Uma das grandes provas do que acabo de afirmar seria a forma incontestada como assumiria a titularidade. Nesse campo, com o regresso ao FC Barreirense a acontecer em 1956/57, o avançado, na aludida época e nas duas seguintes, conseguiria ser sempre totalista no Campeonato Nacional. Outro aspecto importante emergiria com o interesse dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol nos seus préstimos. Com as cores lusas, para além das participações pela selecção militar, Faia exibir-se-ia por duas vezes, com a estreia, frente a um colectivo da região germânica de Sarre, a acontecer a 3 de Junho de 1956. Depois dessa partida, o jogador ainda vestiria mais uma vez a “camisola das quinas” e encerraria as suas participações por Portugal com duas internacionalizações “B”.
Após cumprido mais um triénio ao serviço do FC Barreirense, a despromoção da colectividade por si representadas levaria o atleta a prosseguir a sua carreira noutras paragens. Depois de deixar os “Alvirrubros” não só como um dos nomes com mais presenças no escalão máximo, os 72 golos concretizados, num total de 5 campanhas, transformá-lo-iam, até aos dias de hoje, no goleador máximo da equipa no contexto primodivisionário. Ainda assim, a sua decisão de mudar de cores levá-lo-ia, em 1959/60, a escolher os grandes rivais da CUF como o emblema seguinte na caminhada competitiva. Na colectividade fabril, mesmo não tendo atingido as metas pessoais alcançadas anteriormente, o atacante conseguiria manter-se importante para os objectivos do colectivo e, nesse sentido, seria preponderante na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, nomeadamente para o 4º posto atingido em 1961/62. Por fim, em 1963/64 e num trajecto quase exclusivamente dedicado a agremiações do Barreiro, viria o seu ingresso no Luso, emblema que representaria até à segunda metade da década de 1960.

1653 - MONTEIRO DA COSTA

António Henrique Monteiro da Costa encetaria a sua caminhada desportiva ao serviço do Sporting de Espinho. Tendo chegado à equipa principal dos “Tigres da Costa Verde” na temporada de 1946/47, não demoraria muito até ver reconhecidos os excelentes predicados como jogador. Aguerrido, resistente, com boa velocidade, excelente leitura de jogo, passe certeiro e ainda com “faro” para o golo, o jovem praticante depressa revelaria capacidades para ocupar um lugar em colectividades com ambições maiores. Seria, no entanto, já como membro do plantel de 1948/49 da UD Oliveirense que a cobiça de outras agremiações começaria a acicatar-se. Já cotado como uma excelente promessa, Benfica, Sporting e Académica de Coimbra viriam no seu encalço. Ainda assim, a sua preferência recairia sobre o emblema favorito da família e a camisola do FC Porto, a partir da campanha de 1949/50, passaria a fazer parte da sua senda competitiva.
Depois de uma enorme confusão com “fichas” rubricadas pelos “Dragões” e pela UD Oliveirense e com o Sporting de Espinho a reclamar igualmente os direitos de uma transferência, Monteiro da Costa, a troco de aproximadamente cem contos e 4 partidas disputadas, total distribuído pelas duas instituições a reclamar as compensações, lá chegaria à Constituição. Estrear-se-ia na 1ª divisão, sob as ordens de Augusto Silva, como avançado. No entanto, ao longo dos anos, dando justiça às suas habilidades de elemento polivalente, passaria por todas as posições de campo. Com tantos atributos, o jogador depressa viria a constituir-se como um dos elementos principais do plantel portista. Daí em diante, raras seriam as ocasiões em que o seu nome não marcaria presença no “onze”. Tal regularidade dar-lhe-ia o direito de figurar nos momentos mais faustosos, cumpridos durante a década de 1950, pelo FC Porto. Destacar-se-iam os títulos conquistados e, nesse campo, sobressairiam as vitórias nos Campeonatos Nacionais de 1955/56 e de 1958/59 e nas edições de 1955/56 e de 1957/58 da Taça de Portugal.
Tamanho sucesso levá-lo-ia, com alguma naturalidade, a ocupar um lugar nas convocatórias da selecção nacional. A 23 de Novembro de 1952, num grupo a contar também com Barrigana e com Carvalho, seus colegas no FC Porto, o atleta seria chamado a um jogo de preparação. Esse desafio, jogado sob a intendência de Cândido de Oliveira, serviria de arranque a uma caminhada a levá-lo a outras partidas disputadas com a “camisola das quinas”. Após a referida peleja frente à Áustria, seguir-se-iam, ainda que espaçadas, outras 3 aparições pelo conjunto “A” português, às quais, num total de 6 internacionalizações, o jogador juntaria um par de presenças feitas ao serviço da equipa “B” lusa.
Apesar da passagem pela selecção de Portugal, os maiores destaques da sua carreira surgiriam com as cores do FC Porto. Num cômputo de 328 partidas disputadas e 92 golos concretizados ao longo de 13 épocas de jogos oficiais, Monteiro da Costa transformar-se-ia numa figura mais do que merecedora de um lugar na lista dos nomes mais notáveis da história dos “Dragões”. Muito para além dos números faustosos a compor a sua longa passagem pelo emblema da “Cidade Invicta”, premiados pela íntegra utilização da braçadeira de capitão, o atleta também alcançaria feitos e faria parte de momentos de indubitável importância para a agremiação nortenha. A inauguração do Estádio das Antas, a 28 de Maio de 1952, transfigurar-se-ia num desses capítulos. Outro seria a estreia dos “Azuis e Brancos” nas competições de índole continental, onde, frente aos bascos do Athletic Bilbao, disputaria a edição de 1956/57 da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Mesmo tendo em conta a fiel ligação entre o jogador e o clube, a caminhada de Monteiro da Costa enquanto futebolista conheceria, na temporada de 1961/62, o seu termo. Afastado temporariamente do FC Porto, Monteiro da Costa daria início à carreira como treinador. O Salgueiros, a promoção à 1ª divisão conseguida ao serviço da Sanjoanense, o Varzim ou o Paços de Ferreira só seriam ultrapassados, no plano meramente pessoal, pela importância das suas passagens pelos “Dragões” onde, para além de orientar as camadas jovens, também chegaria à equipa principal, embora de forma interina, nas campanhas de 1974/75 e 1975/76.

1652 - OSVALDO CAMBALACHO

Familiar de Octávio Cambalacho e de Manuel Cambalacho*, outros dois nomes com forte passagem pelo futebol português, Osvaldo Marques Santos Cambalacho, com uma carreira notável, não deixaria o nome do clã envergonhado. Tal como a parentela referida, seria o Seixal a conferir-lhe a naturalidade. Também na Margem Sul, o defesa-esquerdo, naquele que é o emblema mais representativo da mencionada localidade, daria os primeiros passos na modalidade. Com a estreia sénior a acontecer na temporada de 1942/43, os primeiros anos do atleta seriam cumpridos nas disputas dos patamares secundários. Ainda assim, as suas qualidades não passariam despercebidas a emblemas de outra monta e na campanha de 1948/49 seria apresentado como reforço do “O Elvas”.
Com o emblema alentejano a militar na 1ª divisão, Osvaldo Cambalacho, com outros colegas a merecerem a preferência de Severiano Correia, teria uma primeira época algo discreta. Já a chegada ao comando técnico dos “Azul e Oiro” de Mariano Amaro mudaria o seu cenário competitivo, tornando-se o defesa-esquerdo num dos elementos mais utilizados no plantel da colectividade raiana. Por outro lado, essa campanha de 1949/50 ditaria a despromoção do “O Elvas” ao 2º escalão. Ainda assim, a descida de divisão em pouco beliscaria a cotação do jogador. Nesse sentido, passados 4 anos sobre a chegada ao Rossio da Fonte Nova, o atleta receberia um novo convite e a viagem até ao Norte do país levá-lo-ia a abraçar a época mais faustosa da sua carreira.
Contratado pelo FC Porto para a temporada de 1952/53, o atleta começaria a trabalhar sob as instruções do argentino Lino Taioli. No entanto, mesmo reconhecidas as suas qualidades, a presença no plantel de Virgílio e de Carvalho impediria que o jogador conseguisse agarrar um lugar na equipa. Aliás, seria necessária a introdução, por parte de Dorival Yustrich, de um sistema táctico com três defesas, para que o esquerdino tomasse lugar, de forma inequívoca, no “onze” dos “Azuis e Brancos”. Já consigo cimentado como titular, essa temporada de 1955/56 significaria também a estreia do jogador nas conquistas de cariz nacional. Nesse contexto vencedor, primeiro emergiria o triunfo no Campeonato Nacional para, de seguida, numa final com a presença de Osvaldo Cambalacho, surgir a vitória na Taça de Portugal.
Outro momento de inolvidável importância na sua carreira surgiria na temporada a seguir à conquista da “dobradinha”. Com o FC Porto, pela primeira vez na história, a participar numa prova de âmbito continental, o sorteio da Taça dos Clubes Campeões Europeus ditaria ao destino o embate entre os “Dragões” e o Athletic Bilbao e apesar da dupla derrota do conjunto português, Osvaldo Cambalacho surgiria, numa eleição do brasileiro Flávio Costa, como um dos atletas arrolados ao embate ibérico.
Numa última temporada em que Barbosa ultrapassaria Osvaldo Cambalacho na luta por um lugar na equipa, o defesa-esquerdo teria na campanha de 1957/58 a derradeira aparição ao serviço do FC Porto. Daí em diante, numa caminhada a aproximar-se do fim, tempo ainda para o atleta representar o Vila Real, o Freamunde e o Leverense. Mesmo “penduradas as chuteiras”, o antigo jogador voltaria a ligar-se ao futebol e, no papel de treinador, orientaria emblemas como o Boavista, o Juventude de Évora, o Vizela ou a UD Oliveirense.

*Cheguei a ler que Osvaldo seria irmão de Octávio e tio de Manuel. Recentemente, noutra versão, em que só era feita referência à relação dos dois futebolistas mais velhos, dizia-se que Osvaldo seria sobrinho de Octávio. Nunca consegui confirmar a correcção de qualquer uma das afirmações.

1639 - SEBASTIÃO

Sebastião Loureiro da Silva ingressaria no Estoril Praia na temporada de 1943/44. No entanto, seria apenas na campanha de 1946/47 que o guardião, nascido em Carcavelos, conseguiria estrear-se na categoria principal dos “Canarinhos”. Essa época de arranque, orientada a equipa pelo técnico Lippo Hertzka, levaria o jogador a ultrapassar a concorrência por um lugar à baliza e a assumir-se como um dos titulares no “onze” idealizado pelo treinador magiar. Na época seguinte, facto para o qual não consegui encontrar qualquer explicação, o guarda-redes, ao ver Laranjeira a substituí-lo no posto mais recuado do campo, acabaria o ano sem qualquer partida disputada. Ainda assim, essa curiosidade não viria a afectar o futuro da sua carreira e, daí em diante, o jogador voltaria a sublinhar-se como um dos pilares do conjunto da Linha de Cascais.
A provar a sua relevância, não só nos resultados colectivos do Estoril Praia, mas também no contexto do futebol luso, surgiria a temporada de 1948/49. Recuperada a titularidade, o guarda-redes passaria também a estar na ideia dos responsáveis pelas equipas a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, a chamada à selecção “B”, ao lado de outros elementos estorilistas, casos de Alberto de Jesus, Vieira, António Nunes, Mota e Miguel Lourenço, a levá-lo-ia estrear-se a 20 de Março de 1949. Apesar da importância da partida frente a Espanha, disputada no Estádio Riazor, aquele que viria a tornar-se no momento mais alto do atleta com a “camisola das quinas” ocorreria a 14 de Dezembro de 1952. Arrolado por Cândido de Oliveira para um “particular” frente à Argentina, Sebastião, à internacionalização obtida na aludida peleja desenrolada na Galiza, juntaria outro desafio, dessa feita agendado para o Estádio Nacional do Jamor.
Naquela que viria a ser a primeira passagem de Sebastião pelo Estoril Praia, num total de 9 anos, as temporadas de maior destaque, em termos de desempenho individual, seriam, possivelmente, as de 1949/50 e de 1952/53. Em ambas as ocasiões, o guardião conseguiria afirmar-se como um dos totalistas da prova de maior monta no calendário luso, ou seja, o Campeonato Nacional da 1ª divisão. Todavia, na última campanha mencionada, o desaire da despromoção acabaria por alterar o trajecto do jogador. Desafiado pelo Benfica, o atleta trocaria os “Canarinhos” pelas “Águias”. Apresentado como reforço dos “Encarnados” em 1953/54, o guardião, apesar da qualidade mais do que comprovada, não conseguiria sair da sombra de Bastos. Tal contratempo fá-lo-ia, passado apenas 1 ano, regressar ao Estádio António Coimbra da Mota. De volta à Amoreira, seria o escalão secundário a acolher as suas exibições e, por um par de épocas, esse seria o seu cenário competitivo.
À procura de novos desafios, Sebastião, em 1956/57, aceitaria o repto lançado pelo Atlético e, com o propósito de disputar, de novo, o escalão máximo, transferir-se-ia para a colectividade nascida no “alfacinha” bairro de Alcântara. Na Tapadinha, sob a orientação de Severiano Correia, o guardião não iria para além da condição de segunda escolha. Para contrariar tal estatuto, nova mudança sucederia na caminhada desportiva do guarda-redes. Depois de concluída a transferência para o Minho, o atleta passaria a defender as divisas do Vitória Sport Clube. Em Guimarães recuperaria a titularidade de anos anteriores. Já a trabalhar com Fernando Vaz, ajudaria os “Conquistadores”, na época a encetar as suas actividades na “Cidade Berço”, a voltar às contendas primodivisionárias e seria esse regresso ao patamar maior a confirmar, com o termo da temporada de 1958/59, a sua decisão de “pendurar as luvas”.

1632 - CARAÇA

António Joaquim Caraça começaria no futebol, na temporada de 1949/50, ao serviço dos juniores do Juventude de Évora. Com um brilhante trajecto no Campeonato Nacional da categoria, campanha a levar o emblema alentejano até às meias-finais, as prestações do jovem ponta-de-lança alimentariam a cobiça de outras agremiações. CUF, Lusitano de Évora, Vitória Futebol Clube e Benfica surgiriam como os principais interessados na sua contratação. Porém, seriam as “Águias” a convencer o avançado a mudar de camisola e o jogador, a partir da época de 1950/51, passaria a envergar as divisas dos “Encarnados”.
No Benfica, na campanha de estreia, Caraça passaria a dividir o tempo entre os juniores e as reservas. Já a temporada de 1951/52, num grupo inicialmente orientado por Ted Smith e depois por Cândido Tavares, corresponderia à época de arranque no seu trajecto enquanto futebolista sénior. No entanto, apesar da inegável qualidade, sublinhada pelo poderio físico, pela astúcia e pela mobilidade dentro da grande-área, o avançado-centro apenas viria a mostrar-se nas “reservas” e em jogos amigáveis. Tal ocaso, provocado essencialmente pela presença de José Águas, levá-lo-ia a mudar-se para o Minho e, acompanhado na viagem por José da Costa e Cesário, seria apresentado como reforço do plantel de 1952/53 do Vitória Sport Clube.
Na “Cidade Berço”, numa campanha que até começaria sob a intendência do magiar Sándor Peics, Caraça voltaria a trabalhar com Cândido Tavares. Ao integrar-se, com distinção, no esquema táctico da colectividade sediada em Guimarães, o ponta-de-lança rapidamente passaria a ser tida como uma das principais figuras do clube. Nessa temporada de entrada no Campo da Amorosa, o atleta, para além de totalista no Campeonato Nacional da 1ª divisão, viria igualmente a consagrar-se como o goleador máximo da equipa. Também a época seguinte seria de grande relevo e, mais uma vez, o jogador conseguiria ser o melhor marcador do Vitória Sport Clube.
Já aferido como um dos grandes atacantes a disputar as provas lusas, Caraça envolver-se-ia numa polémica transferência. Cobiçado pelo Lusitano de Évora, o avançado-centro, na pré-época de 1954/55, acabaria por não marcar presença no arranque dos trabalhos do Vitória Sport Clube. Sem qualquer autorização, por parte da agremiação minhota, para que negociasse uma possível mudança, seria através de um emprego oferecido na Câmara Municipal de Évora que o ponta-de-lança forçaria a desvinculação com os “Conquistadores”. Apesar dos protestos, o regresso à sua cidade natal dar-se-ia mesmo e seria de verde e branco que o jogador prosseguiria a caminhada no futebol.
Ao ingressar no Lusitano de Évora em 1954/55, Caraça voltaria a trabalhar com Cândido Tavares. Com a colectividade alentejana a viver os anos de ouro da sua história, o atacante, quase sempre como titular, manter-se-ia na disputa do escalão máximo e acabaria a participar em momentos de grande importância para o clube eborense. Nesse campo, destaque para o 5º lugar alcançado como o fim do Campeonato Nacional de 1956/57, melhor classificação de sempre para o listado verde e branco, ou as meias-finais atingidas na edição de 1958/59 da Taça de Portugal.
Para além dos capítulos já aludidos, a passagem de Caraça pelo Campo Estrela traria à caminhada competitiva do ponta-de-lança outros focos de interesse. Um deles seriam as 11 campanhas primodivisionárias vividas com o emblema alentejano. Ora, tamanha quantidade de temporadas resultariam num número igualmente elevado de partidas disputadas, pelos “Giraldos”, naquele que é o patamar maior do futebol luso. Nessa longa senda, que viria a terminar com o fecho das provas agendadas para 1964/65, o jogador disputaria 221 jornadas na 1ª divisão e tornar-se-ia no 5º atleta do Lusitano de Évora com mais desafios cumpridos no contexto da principal prova do futebol português.

1627 - ANTÓNIO CAIADO

Irmão mais velho da trindade saída de uma das famílias mais afamadas do futebol português das décadas de 1940 e de 1950, onde também figurariam Fernando Caiado e José Caiado, António Augusto Amaral Caiado, apesar da naturalidade em Leça da Palmeira, teria no sul do país o arranque da sua carreira na modalidade.
Como indicaria a revista “Crónica Desportiva”, publicada a 17 de Novembro de 1957, o jogador teria no Atlético a sua primeira aparição oficial no “jogo da bola”. Nesse sentido, indo até contra algumas fontes a dá-lo anteriormente como praticante do Almada, seria no emblema da Tapadinha que disputaria, na temporada de 1942/43, a 2ª divisão nacional e o escalão máximo do Campeonato de Lisboa. No entanto, essa campanha que, após a junção do União Lisboa com o Carcavelinhos, corresponderia ao arranque das actividades futebolísticas do recém-criado clube do bairro de Alcântara, seria a única do médio na capital. Logo na temporada seguinte viajaria para o Algarve e encetaria um período de 3 anos, durante o qual passaria a envergar as divisas do Farense.
Com a agremiação do Sotavento a manter-se nas pelejas secundárias, seria no regresso às proximidades da sua terra natal que António Caiado viria a ingressar no emblema mais representativo da sua carreira. Nesse sentido, com a entrada no Boavista a acontecer na temporada de 1946/47 o médio que, no desenovelar da sua caminhada desportiva, jogaria em todas as posições de campo, passaria a partilhar o balneário com os dois irmãos mencionados no começo deste texto. Para além dessa curiosidade, o grande destaque no encetar da sua ligação aos “Axadrezados” emergiria da estreia do atleta no escalão maior do futebol luso. Brilhantemente, ao não acusar o salto dado, o jogador, num plantel a contar igualmente com o futuro internacional Serafim, rapidamente conquistaria um lugar de destaque e, muito mais do que a habilidade a dar-lhe a louvada polivalência, seria a sua entrega ao jogo a empurrá-lo para a galeria de figuras notáveis do colectivo portuense.
Nos 12 anos passados com as “Panteras Negras”, António Caiado viveria diversos momentos, uns de maior sucesso, outros de menor glória. Sem desprimor para as 8 temporadas que, durante o aludido período, o jogador cumpriria nas contendas primodivisionárias, o maior destaque surgiria com as prestações colectivas conseguidas no decorrer da campanha de 1951/52. Nessa época, orientado o Boavista pelo técnico Lino Taioli, o médio, à imagem dos números conseguidos até então, assumir-se-ia como um dos esteios da estratégia idealizada pelo treinador argentino. Numa caminhada de excelência, com vitórias frente ao Belenenses, ao FC Porto e ao Sporting, os “Axadrezados” somariam pontos suficientes para terminar o Campeonato Nacional da 1ª divisão no 5º lugar, posição à altura a constituir um recorde na história do clube.

1620 - VASQUES

Luís Casimiro Vasques encetaria a caminhada sénior na época de 1944/45 e durante 3 anos consecutivos representaria os interesses do Glória FC. Mesmo a vestir a camisola da modesta agremiação de Vila Real de Santo António, as suas prestações fariam com que o Lusitano FC revelasse interesse na sua contratação. A mudança aconteceria na temporada de 1947/48 e o centrocampista passaria a partilhar o balneário com jogadores como Manuel Caldeira, Isaurindo ou o seu irmão mais velho, João Vasques. Na chegada ao Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro, o atleta encontraria o novo emblema a disputar a 1ª divisão. Talvez a acusar o enorme salto competitivo, a verdade é que o atleta, mesmo vendo reconhecida a sua habilidade, teria muitas dificuldades em conquistar um lugar no “onze” do colectivo algarvio e na campanha seguinte seria apresentado como elemento de outra equipa.
Tendo viajado para a zona metropolitana de Lisboa, seria no FC Barreirense que, a partir de 1948/49, Vasques encontraria novo poiso competitivo. Inicialmente a envergar o listado alvirrubro nas pelejas da 2ª divisão, a temporada de 1951/52 devolveria o médio, que também sabia posicionar-se em lugares mais avançados do terreno de jogo, aos maiores teatros do futebol português. Integrado num grupo de trabalho a contar com nomes míticos da colectividade da Margem Sul, casos de Ricardo Vale, Carlos Silva, Francisco Silva, Faneca, entre outros, Vasques, como um dos mais utilizados no plantel, continuaria a desenhar um trajecto a encaminhá-lo para a galeria dos notáveis praticantes do emblema referido no começo deste parágrafo. Obviamente, muito desse prestígio viria dos embates primodivisionários e as 8 temporadas seguidas nesse contexto, elevá-lo-iam ao estatuto de lenda.
Obviamente, a longevidade de Vasques com as cores do FC Barreirense, 11 temporadas no total, assentar-se-ia na colaboração oferecida, pelos seus desempenhos, ao colectivo. Nesse sentido, a ajuda dada para a chegada às meias-finais da edição de 1951/52 da Taça de Portugal seria um dos momentos dignos de registo. O mesmo feito repetir-se-ia por mais um par de vezes, nomeadamente no decorrer das campanhas de 1956/57 e na seguinte. No entanto, seria mesmo o Campeonato Nacional da 1ª divisão a dar ao currículo do médio a maior glória. Naquela que é a prova de máxima monta no calendário futebolístico luso, o melhor conseguido, à data recorde para a colectividade, emergiria com o 5º posto da tabela classificativa. Tal posição, conseguida na época de 1952/53, teria como timoneiro o mítico Artur Quaresma, mas, acima de tudo, teria no médio o intérprete com mais presenças em campo.
A titularidade conseguida na maioria das temporadas cumpridas pelo colectivo, como aqui já foi mencionado, elevá-lo-ia à condição de mito. Assente esse princípio em diversos números, há um que não poderia apartar deste texto. O tal registo diz-nos que Vasques participaria em 155 jornadas do escalão máximo e esse cômputo de rondas na 1ª divisão transformaria o médio no 5º atleta com mais partidas disputadas, na história do FC Barreirense, entre os “grandes”.
Apesar da enorme ligação ao emblema sediado na margem esquerda do Rio Tejo, Vasques acabaria por terminar a carreira ao serviço de outro emblema. Com a saída da equipa a jogar os embates domésticos no Estádio Dom Manuel de Mello a ocorrer com o termo da temporada de 1958/59, o atleta prosseguiria o seu trajecto desportivo com as cores do Paio Pires e nas disputas dos “regionais” da Associação de Futebol de Setúbal, com o fim da campanha de 1961/62, viria a “pendurar as chuteiras”.

1579 - MESIANO

Nascido em Buenos Aires e com uma longa carreira na Argentina, Enrique Mesiano assentaria essa caminhada competitiva em emblemas como o Huracán e o Club Atlético Nueva Chicago. No entanto, apesar de ser um praticante de gabadas qualidades, o seu trajecto acabaria traçado, em grande parte, na disputa dos escalões secundários do mencionado país sul-americano. Tal trilho, mormente cumprido com as cores da agremiação sediada no bairro de Mataderos, escondê-lo-ia da atenção de agremiações de monta maior e afastá-lo-ia, talvez por idêntica justificação, das chamadas à camisola “alivceleste”.
Uns bons anos mais tarde, seria como dono do currículo aludido no parágrafo anterior que Mesiano entraria em Portugal. Apresentado como reforço do plantel de 1953/54 do Atlético, o extremo, por toda a habilidade logo revelada, depressa conseguiria um lugar de destaque no “onze” do emblema “alfacinha”. No popular bairro da capital lusa, o atleta começaria por encontrar-se com outros conterrâneos. Aliás, a época da sua chegada à Tapadinha coincidiria com a contratação de outro argentino, o atacante António Castiglia. Para completar a trindade de futebolistas nascidos no “País das Pampas”, Mário Imbeloni, esse com os encargos entregues a um treinador-jogador, marcaria também presença no grupo de trabalho alcantarense.
Apesar de assente o contexto competitivo da agremiação de Lisboa, não só nos intérpretes argentinos, mas num plantel riquíssimo, os anos seguintes trariam ao clube essencialmente lugares da segunda metade da tabela do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Composto o conjunto igualmente por nomes como os internacionais Ernesto, Germano, Ben David ou Carlos Martinho, a verdade é que o Atlético andaria fugido das lutas cimeiras. Já Mesiano, apesar de iniciar a senda com as cores do emblema do bairro de Alcântara como titular, veria a veterania a causar alguns estragos no que concerne à sua condição e desempenhos corporais. Tais lesões, a afectá-lo principalmente a partir da campanha de 1955/56, começariam a subtrair presenças suas ao alinhamento inicial. Progressivamente a perder o estatuto de titular, ainda assim, o jogador, com os seus predicados técnicos e tácticos a sobreporem-se às outras questões de ordem física, continuaria a justificar um lugar no plantel do clube. Pior, no que ao cenário colectivo diz respeito, viria com a temporada de 1956/57. Com o emblema “alfacinha” a não conseguir prestações a oferecer-lhe uma posição para além dos últimos postos da grelha classificativa, o termo da referida época resultaria numa despromoção e as derradeiras exibições do atacante, com a aludida descida, seriam cumpridas nas contendas secundárias.