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1033 - FREDERICO

CUF e Barreirense, os históricos emblemas da Margem Sul do Tejo, iriam fazer parte dos primeiros anos da carreira de Frederico. Depois de, na colectividade “fabril”, ter feito a transição de júnior para sénior e ainda ter conseguido estrear-se na 1º divisão, seria nos rivais que o defesa iria lançar-se no estrelato. Depois de 3 temporadas na equipa principal do primeiro clube, em que as duas últimas seriam vividas no 2º escalão, a campanha de 1978/79 devolvê-lo-ia ao patamar principal. Nos “Alvi-Rubros”, onde a sua titularidade mereceria louvores, o atleta seria orientado por Manuel de Oliveira e pelo bicampeão europeu, o antigo atleta benfiquista, José Augusto. Ora, seria exactamente nas “Águias” que o central daria o passo seguinte no seu percurso.
À chegada à “Luz”, Frederico deparar-se-ia com uma grande concorrência. As presenças de Humberto Coelho, Carlos Alhinho, Laranjeira e António Bastos Lopes empurrariam o recém-chegado jogador para uma posição ingrata. Sem conseguir de Mário Wilson as oportunidades que, por certo, desejaria, o defesa quase não jogaria nessa temporada de 1979/80. Porém, e após a entrada nos quadros técnicos do húngaro Lajos Baróti, a frequência com que apareceria em campo aumentaria. Ainda assim, essa assiduidade não seria suficiente para sustentar o atleta nos “Encarnados”. Depois de 4 anos, durante os quais acrescentaria ao seu currículo a presença na final da Taça UEFA de 1983, 2 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e 1 Supertaça, o futebolista trocaria Lisboa pela cidade do Porto.
A mudança do Benfica para o Boavista transportá-lo-ia, arrisco-me a dizer, para a fase mais importante da sua caminhada profissional. É certo que durante os 8 anos passados no Bessa, Frederico não ganharia o que havia conquistado aquando da sua passagem pelo Estádio da “Luz”. Todavia, seria pelos “Axadrezados” que o defesa conseguiria cimentar a sua carreira, passando a ser tido como um dos melhores na sua posição, a actuar em Portugal. Nesse sentido, muito contribuiriam as chamadas à selecção “A”. Depois de, ainda como atleta das “Águias” ter jogado pelos “Olímpicos” de Portugal, seria em Setembro de 1985 que faria a estreia pela principal equipa lusa. Ao tornar-se, na fase de qualificação para o Mundial de 1986, num dos nomes habituais nas convocatórias de José Torres, não surpreenderia ninguém a decisão do “Bom Gigante” de arrolar o central para a disputa da fase final do torneio organizado no México.
Tendo deixado o Boavista no final da época de 1990/91, e já após ter completado 34 anos de idade, Frederico ainda haveria de dar muito ao futebol. É certo que um pouco errante, o derradeiro troço no trajecto profissional do defesa, dar-lhe-ia bonitas recordações. Mantendo a sobriedade que sempre caracterizou as suas prestações, o central passaria a emprestar a sua experiência a emblemas como o Vitória de Guimarães, Estrela da Amadora ou Leixões. Sempre como um dos elementos mais importantes dos referidos planteis, a sua preponderância levá-lo-ia a manter-se como um dos titulares. Depois de 1 temporada na “Cidade Berço” e de, na Reboleira, ter disputado o último capítulo na 1ª divisão, o emblema de Matosinhos acabaria por acolher o remate da sua vida como futebolista. A campanha de 1994/95, vivida no Estádio do Mar, marcaria assim o fim de uma carreira que, em termos desportivos e humanos, só poderá ser adjectivada como notável.

939 - JORGE MARTINS

Numa altura em que a cidade do Barreiro, através dos seus dois principais emblemas, era um enorme viveiro de craques, Jorge Martins haveria de emergir das escolas do Barreirense. Após a promoção à categoria principal na temporada de 1973/74, e com o clube a atravessar uma fase menos boa da sua história, só na época de 1977/78 é que o guardião conseguiria estrear-se no maior escalão português. Essas partidas, feitas numa curta passagem pelo Vitória de Setúbal, serviriam de tónico para o seu regresso ao Estádio D. Manuel de Mello.
A segunda passagem pelo Barreirense haveria de começar na 1ª divisão. Contudo, aquilo que parecia ser uma nova oportunidade, uma nova chance para conseguir catapultar-se no emblema que o tinha lançado, haveria de tornar-se numa curiosa decepção. Com duas descidas consecutivas a empurrar o atleta em direcção ao 3º escalão, as suas prestações acabariam por salvá-lo de tal destino. Surpreendentemente, muito mais que um mero resgate, o “salto” que daria em 1980 seria bem maior do que a mais optimista das previsões. Acreditando nas suas qualidades, o Benfica decide contratá-lo onde, já antes, tinha encontrado um dos melhores guarda-redes da sua história. O pior é que, para Jorge Martins, seria mesmo a presença de Manuel Bento que o afastaria das fichas de jogo.
Duas temporadas volvidas após a sua chegada ao Estádio “da Luz”, e com apenas duas partidas disputadas, o guardião ver-se-ia fora do plantel “encarnado”. O Farense e, mais uma vez, a 2ª divisão seriam a “nova casa” de Jorge Martins. Todavia, e como já tinha conseguido anteriormente, o guarda-redes aproveitaria a oportunidade para relançar a sua carreira. Com os algarvios a conseguirem a promoção, a sua cotação também subiria. Quem aproveitaria essa sua evolução acabaria por ser o Vitória de Setúbal. O regresso a uma colectividade que conhecia bem, levá-lo-iam a fazer uma temporada excepcional. Tão boas seriam as suas prestações que, no final da primeira temporada, Jorge Martins seria incluído no grupo que, por Portugal, disputaria o Euro 84.
Apesar de nunca ter conseguido uma internacionalização “A”, Jorge Martins seria também convocado para o México 86. Essa presença no Campeonato do Mundo de selecções coincidiria com aquela que, provavelmente, foi a melhor fase do seu percurso profissional. Estando, por essa altura, a representar o Belenenses, a titularidade que mantinha nos da “Cruz de Cristo” também contribuiria para os sucessos do clube. Com os do “Restelo” a disputar os lugares cimeiros da tabela classificativa, a presença do grupo nas competições europeias seria um prémio mais do que merecido. A vitória frente ao Barcelona em 1987/88 e a eliminação do Bayer Leverkusen em 1988/89 tornar-se-iam em dois apogeus dessas campanhas. Para além desses feitos, outros dois momentos tornar-se-iam inesquecíveis para o jogador. As duas finais da Taça de Portugal, ambas disputadas frente ao Benfica, ficariam na sua memória. Claro está que a de 1988/89, com o guarda-redes a rubricar uma excelsa exibição, tornar-se-ia na sua favorita… ou não fosse essa vitória por 2-1 um dos grandes triunfos da sua carreira!
Após deixar o Belenenses em 1989 e de completar mais 3 campanhas com as cores do Vitória de Setúbal, Jorge Martins decidira deixar a competição profissional. Apesar de afastado dos “grandes palcos”, a verdade é que o antigo internacional sub-21 nunca deixaria esmorecer a sua paixão pela modalidade. A disputar o Campeonato de Veteranos, o guardião, alguns anos após encetar a “reforma” resolve aceitar o convite de Joaquim Meirim. Volta a calçar as luvas e, passada a barreira dos 40 anos, passa a defender a baliza da Quimigal (antiga CUF).

915 - OLIVEIRA


Tendo aparecido na primeira equipa da CUF na temporada de 1978/79, Oliveira estaria tempo suficiente no grupo do Barreiro para acompanhar a transição da colectividade para Quimigal. Mesmo tendo representado o clube numa fase em que o mesmo já estava bem distante dos anos de glória, o defesa acabaria por destacar-se pela seriedade com que encarava todas as partidas.
Com processos discretos, mas pragmáticos, as 4 épocas passadas na 2ª divisão seriam suficientes para chamar à atenção de outra estrela do futebol barreirense. Segundo consta, Manuel de Oliveira, ainda na condição de treinador do Marítimo, haveria de recomendar a contratação do central. A transferência, mesmo com o referido técnico afastado do comando dos madeirenses, acabaria mesmo por concretizar-se. Seria desse modo que, na campanha de 1982/83, Oliveira conseguiria chegar ao principal escalão português. Curiosamente, ele que faria a dita estreia já com 24 anos, a partir desse momento veria a sua carreira a crescer exponencialmente.
A primeira chamada à principal selecção portuguesa, num particular frente ao Brasil, precederia a sua mudança para o Benfica. Nas “Águias”, Oliveira conseguiria destacar-se ao ponto de, logo na temporada de 1983/84, ser um dos mais utilizados no “onze” dos “Encarnados”. Com o decorrer dos anos, o defesa conseguiria cimentar a sua posição de titular. Esse estatuto sairia ainda mais reforçado quando, em 1986, José Torres decide chamá-lo para o Mundial desse ano. Integrado na comitiva que viajaria para o México, o atleta participaria em todos os jogos dos “Infantes”. Apesar de ter visto as suas exibições tidas como positivas, o rescaldo do caso “Saltillo” afastá-lo-ia da equipa nacional. Aliás, a sua carreira, que tinha crescido de uma forma espantosa, acabaria, depois desse Campeonato do Mundo, por sofrer um volte-face igualmente surpreendente.
Regressado ao Benfica, a temporada de 1986/87 parecia correr com normalidade para o atleta. À 14ª jornada do Campeonato Nacional, o Benfica, com Oliveira a titular, haveria de apresentar-se no antigo Estádio de Alvalade. O resultado desse confronto, histórico para o futebol português, acabaria com o Sporting a vencer por 7-1. Uma das vítimas dessa goleada, para muitos transformado no bode expiatório, seria o central. A partir desse infortúnio, o defesa raramente seria chamado a jogo, aparecendo, no final dessa campanha, na lista de transferíveis.
Com 2 Campeonatos, 3 Taças de Portugal e 1 Supertaça no currículo, Oliveira deixaria o Benfica no Verão de 1987. Ainda assim, a qualidade ganha durante esses anos mantê-lo-ia na 1ª divisão. Até ao final do seu percurso profissional, o defesa não voltaria a disputar outro escalão. Primeiro no Marítimo e, nos últimos anos da carreira, com as cores do Beira-Mar, as boas exibições seriam uma constante. Aliás, seria já ao serviço dos “Verde-rubro” que o central voltaria a ser chamado à selecção. Também no emblema aveirense, o jogador haveria de viver momentos inesquecíveis. Um deles seria a disputa da Taça de Portugal. Na temporada de 1990/91, os “Auri-Negros” chegariam à derradeira partida da prova. No Jamor enfrentariam o FC Porto, e mesmo tendo em conta a derrota por 3-1, esse capítulo transformar-se-ia num marco na caminhada do atleta.
Após o fim da carreira como futebolista, Oliveira daria início ao seu percurso como treinador. Aceitando um convite do seu conterrâneo, Manuel Fernandes, iria passar pelo Campomaiorense. Ainda nas funções de adjunto, o antigo internacional português orientaria clubes como o Tirsense, Vitória de Setúbal, Santa Clara ou Penafiel.