Ao ter quase a certeza da inclusão de Octávio Cambalacho, como o elemento mais velho da trindade, naquele que é um dos clãs mais famosos do futebol português, a verdade, como cheguei a explicar aquando da biografia de Osvaldo Cambalacho, é que não consigo ter a certeza sobre as relações entre as duas pessoas já mencionadas e ainda acerca da ligação de ambas a Manuel Cambalacho. Tamanha confusão vem do facto de, por um lado, já ter encontrado informações a garantirem-me que Octávio e Osvaldo são irmãos, com Manuel a ser sobrinho de ambos. Por outro, também já li que Octávio é tio de Osvaldo, o que faria de Manuel o quê?! Sobrinho-neto do primeiro?!
Sobre a carreira de Octávio Cambalacho, ocorrida, com algum grau de certeza, nas décadas de 1920 e possivelmente na de 1930, também a informação, muito para além de confusa, não parece sequer existir em quantidades suficientes. Há quem diga que o avançado terá igualmente passado pelo Seixal FC, emblema da sua terra natal e fundado em 1925. Por outro lado, já com alguma exactidão, mas sem que tenha conseguido descortinar uma escala temporal fidedigna, posso asseverar a sua passagem pelo Vitória Futebol Clube. Sobre a colectividade sediada na cidade de Setúbal, os registos encontrados reportam-se apenas ao intervalo entre a temporada de 1923/24 e a campanha de 1927/28. Mesmo ao não conhecer a data de nascimento do jogador, ainda assim é legítimo perguntar-se sobre a hipótese do atacante, previamente à primeira época a dá-lo como elemento dos “Sadinos”, ter envergado as cores de outra agremiação. Mais uma vez, certo é dizer-vos que não tenho qualquer convicção acerca do assunto!
Ao aceitar o hiato referido no parágrafo anterior e durante o qual o jogador terá vestido o listado do Vitória Futebol Clube, então há vários factos a assinalar. Sem conseguir alargar-me em demasia, Octávio Cambalacho haveria de ser uma das maiores figuras daqueles que viriam a registar-se como os primeiros grandes títulos da colectividade fundada na margem direita do Rio Sado. Refiro-me ao Campeonato de Lisboa que, por inexistência da Associação de Futebol de Setúbal, os “Sadinos”, à altura, disputavam. Na prova aludida, o emblema setubalense triunfaria por um par de vezes. A primeira dessas conquistas ocorreria na temporada de 1923/24, numa equipa em que, para além do avançado, também marcavam presença nomes como Aníbal José, Martinho de Oliveira ou João dos Santos. Já o sucesso seguinte aconteceria alguns anos depois. Nessa época de 1926/27, num plantel orientado Artur John e que também contava com Camolas, Francisco Silva, Joaquim Ferreira ou Armando Martins, o segundo título regional surgiria em antecipação à presença do conjunto na final do Campeonato de Portugal, perdida frente ao Belenenses. Por fim, falta ainda lembrar o primeiro triunfo no recém-criado Campeonato de Setúbal, ou seja, a vitória na edição de 1927/28 da prova.
Pelo meio de tudo o que já relatei, o lícito que parece figurar-se com maior fidelidade na carreira de Octávio Cambalacho é o percurso internacional. Chamado à selecção de Portugal por Cândido de Oliveira, o avançado entraria em campo a 17 de Abril de 1927, constituindo-se, atrás de Armando Martins, João dos Santos e de Camolas, como o 4º “vitoriano” a ter tamanho privilégio. Essa que viria a ser a sua única partida disputada com a “camisola das quinas”, agendada para o Stadio di Torino, ficaria marcada pala derrota frente à Itália. Ainda assim, para o atacante, o momento, por acréscimo de outro dado, tornar-se-ia de especial importância, pois, apesar do resultado de 3-1 desfavorável às pretensões da banda a que pertencia, o golo marcado pelo agremiado luso seria de sua autoria.

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