1811 - JONAS

Formado no Guarani, Jonas Gonçalves Oliveira teria na época de 2004 a chegada à equipa secundária do conjunto sediado em Campinas para, na campanha seguinte, ser chamado ao principal grupo de trabalho do “Bugre”. Mesmo com o clube por si representado a militar na Serie B do “Brasileirão”, as suas prestações, principalmente as conseguidas no patamar principal do “Paulistão”, fariam com que rapidamente outros emblemas viessem no seu encalço. No Santos, apostados os responsáveis pela colectividade na sua qualidade técnica, visão de jogo e na capacidade finalizadora, o jogador seria apresentado como reforço para a temporada de 2006. Porém, a entrada do avançado-centro na agremiação do litoral de São Paulo, também por culpa de uma grave lesão, não traria os resultados esperados inicialmente. Mesmo com um número aceitável de partidas disputadas, e a contribuição para a conquista de 2 “estaduais”, a falta de golos levaria a que a sua permanência começasse a ser questionada e o atleta, já com as provas de 2007 em andamento, haveria de trocar de camisola.
A entrada no Grêmio, ao contrário de um revés, tornar-se-ia numa verdadeira injecção de energia para a carreira do atacante. Ainda assim, os primeiros anos de Jonas em Porto Alegre seriam tudo menos fáceis. Aliás, os desempenhos do jogador, mais uma vez, ficariam bem aquém daquilo que eram as suas capacidades competitivas. A solução, dessa feita no decorrer da temporada de 2008, passaria por um empréstimo, com a mudança para a Portuguesa dos Desportos a ressuscitar sua veia goleadora. Já de volta ao emblema do Rio Grande do Sul, o avançado-centro finalmente começaria a sublinhar toda a sua qualidade. Nesse sentido, logo em 2009, o atleta ultrapassaria a barreira dos 20 remates certeiros. Contudo, a campanha seguinte seria ainda de maior proveito pessoal, com o atleta, para além de aferido como um dos principais pilares na conquista do Campeonato Gaúcho, a concretizar 42 golos e a ser laureado com o prémio Arthur Friedenreich, troféu entregue ao Melhor Marcador do ano, no somatório de todas as provas brasileiras e internacionais.
As exibições conseguidas no Grêmio fariam com que Jonas viesse a ser seguido do outro lado do oceano. Bem cotado, a sua transferência para o Valencia ocorreria com a abertura do “Mercado de Inverno” de 2010/11. Já a presença na La Liga faria com que da Confederação Brasileira de Futebol, nomeadamente o seleccionador Mano Menezes, vissem nele um bom elemento para a equipa nacional. Ao serviço da “Canarinha”, o avançado-centro teria a primeira oportunidade a 27 de Março de 2011, num particular frente à Escócia. Depois dessa partida disputada em Londres, para a qual também seriam convocados nomes com passagem pelo futebol luso, casos de Júlio César, Luisão, David Luís, Elias, Ramires e Thiago Silva, o atacante continuaria nos planos do “Escrete”. Na senda internacional, concluída com 12 partidas disputadas, o jogador, chamado por Dunga, ainda viria a participar na edição de 2016 da Copa América. No torneio a celebrar o centenário da competição, o atleta entraria em campo num par de ocasiões e com uma assistência, mesmo sem concretizar qualquer golo no certame, contribuiria para uma das vitórias do Brasil.
De volta a Espanha, o jogador continuaria a manter-se na linha da frente do Valencia. Como um dos jogadores mais usados e num plantel que, ao longo dos anos, haveria de contar com, Miguel, Ricardo Costa, Manuel Fernandes, Mathieu, Cristiano, Rami, João Pereira, Cissokho, Rúben Vezo ou Hélder Postiga, Jonas assumir-se-ia como uma das figuras responsáveis pelas boas prestações do emblema “Che”, tanto a nível interno, como no plano continental. Contudo, a chegada ao Mestalla de um novo treinador viria, de forma algo quezilenta, por fim a uma ligação de 3 anos e meio – “O único que me faltou ao respeito foi Nuno [Espírito Santo]. Disse-me: ‘Jonas, vais estar aqui e treinar connosco, embora saibas que não vais continuar’. Quando fomos treinar, fiquei separado do grupo. O resto foi normal, mas não houve respeito do treinador para comigo (…). Quando me chamou disse que ia começar a treinar normalmente até que eu decidisse o meu futuro, cinco minutos depois já estava fora”*.
A dispensa do Valencia permitiria ao Benfica, mesmo com as inscrições fechadas, contratar Jonas para reforçar o sector mais adiantado. Desde logo, o atacante brasileiro, inicialmente às ordens de Jorge Jesus, assumiria um papel de fulcral importância para o destino das “Águias”. Nos 5 anos ao serviço do “Glorioso”, o jogador, que viria a exibir-se como ponta-de-lança ou a posicionar como segundo-avançado, daria um enorme contributo para os triunfos da colectividade “alfacinha”. Mesmo com Rui Vitória ou Bruno Lage já aos comandos do clube, o atleta constituir-se-ia como um dos principais elementos construtivos e, acima de tudo, como o artilheiro mais relevante dos diferentes grupos de trabalho. Goleador prolífero, o internacional brasileiro venceria por duas vezes o prémio de Melhor Marcador da Liga. Para além dos galardões individuais, onde constariam inúmeras distinções a dá-lo como o melhor jogador mensal ou anual, o atacante auxiliaria ao triunfo em diversas competições e no termo de 2018/19, final de época em que viria a “pendurar as chuteiras”, o seu palmarés contava também com as conquistas de 4 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal, 2 Taças da Liga e 2 Supertaças.

*retirado do artigo de Eduardo Pedrosa Costa, publicado a 7/5/2024, em https://www.jn.pt/ 

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