“Chama-se Manuel Capela, nasce em Angeja a 9 de Maio de 1922 e começou a jogar futebol oficialmente pelo Ovarense na época de 40-41 onde se manteve no ano imediato. O seu valor era, porém, demasiado para que os “grandes”não o notassem e assim em 42-43, Capela apareceu a defender as balizas do Belenenses (…)”*.
Com a chegada a Lisboa, o guarda-redes, mesmo ao ser dono de uma imponente estampa física, ainda teria de batalhar de forma assaz para conseguir impor-se no emblema a jogar em casa no Estádio das Salésias. Só em 1944/45, com o magiar Sándor Peics aos comandos da equipa, é que o cenário competitivo do jogador começaria a mudar. Ainda assim, não demoraria muito mais tempo até que Capela, ao lado de Serafim, Vasco Oliveira e António Feliciano, as famosas “Torres de Belém”, atingisse a almejada titularidade. Essa temporada de 1945/46, com o guardião transformado numa das figuras do esquema montado por Augusto Silva, tornar-se-ia na mais mítica de todas as épocas a compor o longo historial dos “Azuis”. Para tal aferição, como já deverão ter adivinhado, emergiria a campanha feita no Campeonato Nacional da 1ª divisão, o qual, depois de muitas ameaças em anos anteriores, o Belenenses viria mesmo a vencer.
Não só da experiência com os “homens da Cruz de Cristo” surgiriam os feitos futebolísticos de Capela. Como “keeper” de uma das maiores colectividades do cenário luso, também da Federação Portuguesa de Futebol acabariam por requisitar os seus préstimos. Com a estreia a envergar a “camisola das quinas” a ocorrer a 5 de Janeiro de 1947, depois desse “amigável” frente à Suíça, ao qual seria chamado por Tavares da Silva, o jogador manter-se-ia nos planos do conjunto nacional. Nessa senda, a aparição seguinte seria contra a Espanha e marcaria, a 27 de Janeiro desse mesmo ano, a primeira vitória de Portugal frente à “La Roja”. Porém, a suceder-se a esse feito surgiria uma das piores manchas no registo luso. A derrota, por 10-0, ocorrida em pleno Estádio do Jamor, frente a Inglaterra, não só resultaria numa humilhação imensa, como, por despacho de Pires de Lima, Ministro da Educação Nacional, traria ao atleta, entre outros igualmente castigados, a suspensão, por 6 meses, de todas as actividades planeadas para a selecção!
No que diz respeito à ligação de Capela ao Belenenses, a mesma findaria com a temporada de 1947/48. A seguir à separação com o emblema lisboeta e também no intuito de prosseguir os estudos, o guardião seguiria caminho em direcção a Coimbra. Apresentado na Académica como reforço para a temporada de 1948/49, o atleta continuaria a exibir-se a grande nível. Titular nos “Estudantes”, o jogador, curiosamente, começaria por disputar a 2ª divisão. Logo na campanha seguinte dar-se-ia o seu regresso ao escalão maior para, em 1950/51 e pela mão de Oscar Tellechea, o jogador voltar ao Estádio Nacional, dessa feita para batalhar pela Taça de Portugal.
Nas 8 temporadas a defender as cores da “Briosa”, Capela, muito para além de conseguir manter-se como um dos nomes mais sonantes do conjunto conimbricense, saberia também conservar-se como uma das figuras válidas para os planos da selecção. No contexto das contendas agendadas para os agregados nacionais, o jogador, em Coimbra, continuaria a somar partidas ao seu trajecto. Depois de representar a equipa “B” de Portugal, o guarda-redes também voltaria a vestir a principal “camisola das quinas” e, num cômputo a juntar ambos os escalões mencionados, o atleta conseguiria cevar o currículo pessoal com a participação em 6 pelejas internacionais.
*retirado do artigo da revista “Crónica Desportiva” nº27, publicada a 13/10/1957

Sem comentários:
Enviar um comentário