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602 - BABAYARO

O Mundial s-17, realizado em 1993 no Japão, seria a casa da partida para um grupo de jovens futebolistas. No seio dessa selecção nigeriana, estava Celestine Babayaro, que de jovem promessa do Plateau United passaria a forte aposta do Anderlecht.
É logo na temporada de estreia pelos belgas, que o atleta entra para a história daquele que é considerado o mais apetecível troféu de clubes. No dia 23 de Novembro de 1994, frente ao Steaua de Bucareste, Babayaro, que contava com 16 anos e 87 dias, consegue estabelecer dois recordes. Torna-se, ao entrar a titular, no jogador mais jovem de sempre a participar na Liga dos Campeões … e, ao ser expulso aos 37 minutos, no jogador mais novo a levar um cartão vermelho na Liga dos Campeões!!!
Curiosidades à parte, as capacidades físicas de Babayaro, onde a velocidade era a sua maior arma, acabariam por fazer com que o jogador, mais depressa que os demais, conseguisse vingar na modalidade. A sua rápida ascensão no Anderlecht, mas, principalmente, a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1996, haveriam de transformar o defesa, num dos atletas mais apetecíveis do mercado.
Ora, é nesta senda que o Chelsea chega à sua vida. Num clube que ainda não era o portento de hoje em dia, a presença de craques como Ruud Gullit, Vialli, Zola, entre mais uns quantos, não intimidaria o nigeriano. Passo-a-passo foi conseguindo o seu lugar; contribui, logo no seu ano de estreia, para a vitória na Taça das Taças; e ao cabo da sua segunda temporada (1998/99), já era uma das presenças habituais no onze dos “Blues”.
É a chegada de José Mourinho ao comando dos londrinos, que faz com a sua preponderância na equipa diminua abruptamente. Sem espaço para expor o seu futebol, é ainda nessa época de 2004/05 que, ao fim de 7 anos e meio, Babayaro deixa o Chelsea. Contudo, o currículo que já tinha por essa altura, no qual contava com a presença em 2 Campeonatos do Mundo (1998 e 2002), fariam com que a sua colocação noutro clube fosse fácil.
Quem o recebe de braços abertos é Bobby Robson. A mudança para Newcastle trás de volta o aguerrido defesa. Forte a defender e, resultado de uma boa técnica, com os seus perigosos cruzamentos para as áreas adversárias, Babayaro volta a mostrar o seu brilho na Premier League. No entanto, esta fase inicial acaba por dar lugar a um período de azar na sua carreira. Perseguido pelas lesões e com as recuperações afectadas pelo excesso de peso, o lateral esquerdo vê o seu regresso à boa forma continuamente adiado.
Este contexto acaba por se prolongar de tal modo que, emblema e atleta chegam a um acordo para a rescisão mútua de contrato. Sem ligação a nenhum clube, Babayaro tenta relançar-se profissionalmente nos Estados Unidos da América. No entanto, a aposta nos L.A. Galaxy revela-se errada e, pouco tempo depois de assinar pelos californianos, e sem disputar qualquer partida oficial, o jogador é dispensado.
É neste trilho descendente que Babayaro regressa a Inglaterra. Treina com o Portsmouth; fala-se num contracto, mas nada acontece. Nisto, o jogador, que pouco mais tinha do que 30 anos, anuncia-se fora do futebol. Pouco tempo depois viria a pior revelação da sua vida… Babayaro havia declarado bancarrota.

392 - KIROVSKI

É fácil lembramo-nos de um punhado de jogadores que, apesar da sua inquestionável qualidade, nunca lograram de grande sorte no caminho que traçaram. Já outros, apesar de mais discretos a "jogar à bola", tiveram a habilidade de conseguir estar no “local certo, à hora certa”. Um desses casos foi Jovan Kirovski.
Desde muito novo considerado como um dos intérpretes mais promissores a nível planetário, ainda em idade adolescente, o avançado ver-se-ia a caminho de Inglaterra, como uma das apostas do Manchester United. Ao acabar a formação sob o olhar atento de Sir Alex Ferguson, a sua passagem para a equipa principal, de forma concreta, nunca viria a acontecer, com o jogador a entrar somente no plantel de 1995/96 das “reservas”. Ainda assim, o jovem atacante conseguiria tornar-se numa das figuras habituais nas convocatórias da principal selecção norte-americana. Nessa senda, depois da estreia em 1994, Kirovski, em 1996, acabaria chamado aos Jogos Olímpicos de Atlanta.
Apesar da estadia em Inglaterra ter ficado bem aquém do esperado, o Borussia Dortmund, uma das equipas mais fortes no panorama futebolístico em meados da década de 1990, decidiria apostar no seu potencial. Com a chegada à Alemanha a acontecer na temporada de 1996/97, Kirovski, mais uma vez, revelaria sérias dificuldades para sair da sombra de outros craques como Karl-Heinz Riedle, Stéphane Chapuisat, ou Heiko Herrlich. No entanto, como já referido, o avançado acabaria por estar no sítio correcto e no momento exacto para, logo na campanha de estreia pelo emblema germânico, vencer a Liga dos Campeões.
Depois da inglória passagem pela Alemanha, onde ainda vestiria as cores do Fortuna Köln, Kirovski veria o Sporting, consagrado como campeão nacional, a olhar para si como um bom reforço para o sector mais ofensivo do plantel. Novamente sem grande relevância desportiva, o atleta americano acabaria, de novo, a ver abençoada a sua escolha e naquela que viria a tornar-se na única temporada cumprida em Alvalade, o ponta-de-lança, mesmo ao jogar pouquíssimas partidas, veria o seu nome no rol de atletas vencedores da Supertaça Cândido de Oliveira de 2000/01.
Os anos seguintes pouco trariam de relevante à sua vida profissional. Depois de regressar a Inglaterra, onde envergaria as cores do Cristal Palace e do Birmingham, Kirovski voltaria ao país natal. Curiosamente, seria a partir do regresso aos Estados Unidos da América que o avançado, finalmente, conseguiria mostrar as suas tão propagandeadas capacidades. Nessa segunda metade da carreira, representaria os Colorado Rapids, os San José Earthquakes e os L.A. Galaxy, para, depois de “pendurar as chuteiras”, entrar para os corpos técnicos do último emblema referido.

16 - EDILSON

Quem, na época 94/95, viu jogar aquele baixinho e irrequieto avançado, de certeza que não estranhou que, passados uns anos, viesse a ser convocado pelo "Escrete", a participar no Mundial de 2002... e logo para ser campeão!
Bem, talvez não tivessem adivinhado tanto, mas o que, já na altura do Benfica, era evidente, é que este brasileiro, era um exímio jogador. Começava, para as bandas da Luz, uma temporada de opções dúbias, em que, em nome de pressupostos estranhos, alguns jogadores de comprovada qualidade, eram preteridos em nome de, tantas escolhas medíocres. Conclusão: nem a "Parmalat", patrocinadora de referência do futebol dos anos 90, salvou o clube da derrocada.
Em nada se deve ter arrependido Edilson, quando voltou ao clube onde, em 1993 e 1994, tinha sido campeão. Depois desse regresso ao Palmeiras, já em 1997, e após passagem pelo futebol nipónico, o atacante assina pelo Corinthians. No clube paulista, ajuda à vitória no Campeonatos de 1998 e 1999, e, em 2000, sagra-se campeão do mundo de clubes.
Apesar de, a nível de clubes, ter alcançado os maiores êxitos nos dois últimos referidos emblemas, Edilson, que seria eleito o Melhor Jogador do Campeonato Brasileiro de 1998, não parou por aqui. Tendo conquistado mais alguns títulos, o resto da carreira vivê-la como um verdadeiro saltimbanco. Arrolemos, então, os emblemas! Para além do já referido, no Brasil jogou ainda no Industrial ES, Tanabi, Guarani, Flamengo, Cruzeiro, Vitória, São Caetano, Vasco da Gama, e Bahia. No Japão, no Kashiwa Reysol e no Nagoya Grampus. Finlamente, no Campeonato do "petro-dolar" – desculpem, no Campeonato dos Emiratos Árabes Unidos - , vestiria as cores do Al-Ain.