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1303 - QUIM

Natural do Barreiro, seria na CUF que Quim Monteiro faria a transição para o patamar sénior. Chamado a jogo na 15ª ronda do Campeonato Nacional pela dupla técnica Anselmo Fernandez e João Mário, o jovem atleta, durante a campanha de estreia na 1ª divisão, só por mais uma vez conseguiria marcar presença em campo. Com poucas oportunidades, após essa temporada de 1966/67, o extremo-esquerdo decidiria dar um novo rumo à, ainda curta, carreira. No entanto, a mudança para a Académica de Coimbra orientada por Mário Wilson, não daria ao atacante muitas mais participações. Depois de um ano na “Cidade dos Estudantes”, seguir-se-ia a Guerra Colonial, o destacamento para Angola e as 2 épocas a envergar as cores do Sporting de Luanda.
O regresso à metrópole levá-lo-ia a percorrer a famosa Azinhaga dos Alfinetes. Com entrada no Oriental na temporada de 1972/73, o extremo-esquerdo sublinharia as capacidades que delem já vinham a ser aferidas como excelentes. Dotado de uma técnica acima da média, a rapidez com que ganharia um lugar no coração dos adeptos do popular emblema lisboeta, seria a mesma velocidade que transformaria as suas exibições num dos pilares da subida do clube ao escalão máximo. Nas 2 campanhas seguintes, ambas primodivisionárias, ganharia, pela curiosidade das semelhanças faciais e qualidades desportivas, o apelido de “Cruyff de Marvila” – “Um dia, no regresso a casa, estava a ler o jornal no barco e vi uma fotografia minha ao lado da dele. Fiquei muito espantado ao ver aquilo. E eles lá faziam a comparação. Eu acho que era parecido só em termos físicos, porque como jogador... ele era craque e eu era um jogador normal”*.
Muito mais do que uma alcunha, Quim, nos anos passados no Estádio Engenheiro Carlos Salema, alimentaria a cobiça das agremiações de maior monta. Falar-se-ia no Benfica, no Sporting, mas seria o FC Porto a aproximar-se mais de uma possível contratação. A mudança para um dos “grandes” nunca viria a concretizar-se. Já a saída do Oriental, onde chegaria a envergar a braçadeira de capitão, sim. Empurrado pela descida de divisão do emblema “alfacinha” no final da campanha de 1974/75, o atacante canhoto mudar-se-ia para o Estoril Praia. Deixaria o bairro de Marvila com 55 partidas disputadas na 1ª divisão, número que ainda faz dele o 10º jogador com mais jornadas disputadas pelo emblema no patamar maior do futebol luso.
Na Amoreira, onde continuaria a conciliar o trabalho de bancário, o avançado passaria outras 3 temporadas no escalão máximo. Com excepção da campanha do meio, também nos “Canarinhos” assumiria um papel de relevância. Todavia, com o termo da temporada de 1977/78, o que até aí já tinha alcançado não asseguraria ao atleta a continuidade na 1ª divisão. A mudança para o Sacavenense, emblema que viria a tornar-se no mais representativo da sua caminhada competitiva, afastá-lo-ia para sempre dos palcos principais do futebol nacional. Manter-se-ia no referido emblema durante meia-dúzia de campanhas e, com o final da época de 1983/84, decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”.

*retirado do artigo de Sara Marques, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 23/04/2014

1059 - PAULO OLIVEIRA

Pode não ter sido um jogador de topo; pode não ter sido um dos futebolistas mais populares. Ainda assim, há algo que ninguém poderá subtrair ao seu percurso na modalidade. E isso foi aquilo com que muitos atletas sonham e poucos conseguem atingir, foi a passagem pelo Campeonato Nacional da 1ª divisão!
Paulo Oliveira começaria o seu trajecto desportivo como atleta das “escolas” do Belenenses. Porém, e como tantos outros jovens sujeitos ao escrutínio da subida a sénior, o fim do trajecto formativo levá-lo-ia para longe dos palcos mais glamorosos. No Caldas, ainda assim um histórico do futebol português, ganharia a vontade necessária para entender que, por mais sinuoso que possa afigurar-se o caminho, os sonhos são tónico suficiente para irmos avante. No entanto, a experiência na 3ª divisão de 1977/78 acabaria por não trazer os resultados, pelo menos para si, esperados. O Palmense, popular emblema da capital, consumar-se-ia no passo seguinte da sua carreira. A passagem pelo “regional” lisboeta em nada enfraqueceria a vontade do defesa e a aposta em tão modesto emblema, ao contrário de um espectável mau agoiro, acabaria transformada num verdadeiro impulso.
Passado apenas um ano após o seu ingresso no clube de Lisboa, o Amora veria em Paulo Oliveira um elemento com capacidades para reforçar o seu plantel. Recebido pelo técnico Mourinho Félix, seria sob a alçada do antigo internacional português que o central, arrisco-me a dizer, viveria os melhores momentos da sua carreira. Logo no ano da chegada ao emblema da Margem Sul, o defesa, ainda que longe de conseguir a titularidade, seria um dos elementos que ajudaria o conjunto não só à subida de escalão, como à conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão. A referida promoção acabaria, invariavelmente, por inscrever o nome do jogador nos anais do clube. A subida ao patamar máximo, a primeira na história da Medideira, permitiria também ao jogador estrear-se nos principais cenários do futebol português. A sua entrada em campo nesse novo contexto competitivo, aconteceria logo à 1ª jornada da temporada de 1981/82. Frente ao Vitória de Setúbal, aos 56 minutos e depois da expulsão de dois colegas do sector mais recuado, entraria para o lugar do avançado Jorge Silva e com o objectivo de equilibrar a equipa.
Com Mourinho aos comandos da equipa, haveria ainda de conquistar mais algumas oportunidades para mostrar o seu talento. No entanto, com a saída do técnico a meio da temporada, só voltaria a entrar em campo já na derradeira fase do Campeonato Nacional. A pouca utilização viria a ditar a sua saída do Amora. Após a partida do Estádio da Medideira, Paulo Oliveira regressaria aos escalões secundários. Nessa, que seria a última fase da sua carreira de futebolista, destaque ainda para as suas passagens pelo Estrela da Amadora, Cova da Piedade, Olivais e Moscavide e Casa Pia.