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1806 - XAVIER

José Manuel Xavier Guimarães terminaria o percurso formativo com as cores do FC Porto. No entanto, com o plantel de 1974/75 dos “Azuis e Brancos”, só para o sector intermediário, recheado com nomes como António Oliveira, Peres, Marco Aurélio ou Aílton, o jovem praticante não conseguiria encontrar um lugar para desenvolver as suas qualidades desportivas. Nesse sentido, a solução encontrada para o seu percurso haveria de passar pelo grupo de trabalho do Paços de Ferreira. Na “Capital do Móvel”, o médio-ofensivo, muito mais do que cumprir a primeira temporada enquanto sénior, faria parte de uma página histórica do clube e ajudaria a equipa dos “Castores”a estrear-se na 2ª divisão.
Seguir-se-ia, já na temporada de 1975/76, a sua apresentação como reforço do plantel do Salgueiros. A entrada no conjunto a jogar em casa no Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro empurrá-lo-ia para aquela que viria a tornar-se na colectividade mais representativa da sua caminhada profissional.  Ainda assim, com o clube do popular bairro de Paranhos a militar entre o 2º e o 3º escalão luso, a passagem de 5 anos pela agremiação portuense atrasar-lhe-ia a chegada ao convívio com os “grandes”. Esse merecido prémio competitivo ainda demoraria um pouco mais a chegar e seria necessária outra transferência para que o médio-ofensivo tivesse a merecida oportunidade de mostrar as suas habilidades futebolísticas ao mais alto nível.
A mudança para o Funchal, onde, na campanha de 1980/81, rubricaria um contrato com o Marítimo, daria ao jogador a estreia na 1ª divisão. Orientado inicialmente por António Medeiros, o atleta depressa conseguiria assumir-se com uma das principais referências no sector intermediário dos “Leões do Almirante Reis”. Contudo, as prestações colectivas do conjunto insular seriam insuficientes para que granjeassem de um resultado positivo na árdua luta pela manutenção. O 15º posto na tabela classificativa do Campeonato Nacional levá-lo-ia, de novo, ao patamar secundário e depois de fazer parte da conquista do título de 1981/82 do 2º escalão, o médio-ofensivo, ao deixar os madeirenses, optaria por regressar à cidade do Porto.
Dessa feita ao integrar o plantel do Boavista, Xavier passaria a ser orientado por Hermann Stessl. Mesmo com a saída do treinador austríaco e com as posteriores chegadas de outros 3 timoneiros, o jogador, nessa primodivisionária campanha de 1982/83, nunca conseguiria afirmar-se como um dos nomes habitualmente arrolados ao “onze”. A escassez de presenças em campo faria com que o médio-ofensivo, como a opção mais positiva para o seu trajecto competitivo, equacionasse uma nova mudança de rumo. O passo seguinte nessa senda, num percurso que passaria a caracterizar-se pelas diversas mudanças de divisas, afastá-lo-ia, mais uma vez, da 1ª divisão. Já cumprida a época de 1983/84 com as cores do Famalicão, o atleta voltaria a cambiar de camisola e a entrada no Penafiel de 1984/85, onde tornaria a trabalhar sob a égide de Manuel Barbosa, o seu último técnico nas “Panteras”, coincidiria também com a sua derradeira aparição nos principais palcos lusos.
Depois da experiência com o conjunto duriense, Xavier, entregue, em definitivo, às contendas dos escalões secundários, passaria por mais uma mão cheia de emblemas. Lusitânia de Lourosa, Nacional da Madeira, Pedrouços, Rebordosa e Leça acabariam a colorir uma caminhada que conheceria o seu termo com o encerrar das competições agendadas para a temporada de 1991/92.

1763 - GARCÊS

Descoberto nas “escolas” do Olhanense, Fernando de Jesus Colucas Garcês teria no Sporting o fim da caminhada formativa. Ainda em Alvalade, concretamente no desenovelar da temporada de 1974/75, o médio-ala direito teria a oportunidade de fazer a estreia nos desafios seniores. Numa época em que os “Leões” apresentariam 3 treinadores diferentes, seria pela mão do chileno Fernando Riera que o jovem intérprete encetaria a sua presença nas principais provas do calendário luso. No entanto, apesar do potencial revelado, o atleta, tanto na campanha já referida, como na seguinte, jamais conseguiria impor-se como um elemento de alguma preponderância no desenhar táctico da equipa lisboeta e com apenas 7 jogos em 2 anos, o jogador deixaria Alvalade no final de 1975/76.
Apesar do ligeiro desaire vivido com os “Verdes e Brancos”, Garcês, na campanha de 1976/77, mesmo com a mudança de colectividade, haveria de manter o seu lugar na 1ª divisão. Aliás, a temporada a vestir a camisola do Beira-Mar tornar-se-ia numa das melhores da sua carreira. Para tal avaliação, muito mais do que a titularidade alcançada no conjunto nascido na cidade de Aveiro, viriam as chamadas para as equipas sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado para os sub-21 lusos, o médio-ala teria a estreia internacional em pleno Torneio de Toulon. Arrolado para a edição de 1977 do certame organizado em França, o futebolista entraria nas 3 rondas em que Portugal participaria e, desse modo, acrescentaria ao currículo 3 partidas com a “camisola das quinas”.
Embora tenha realizado uma temporada de enorme valor, a despromoção do emblema a jogar em casa no Estádio Mário Duarte, faria com que o percurso de Garcês, na temporada de 1977/78, passasse pelo Riopele. Curiosamente, também a agremiação de Pousada de Saramagos haveria de claudicar na luta pela manutenção. Porém, o médio-ala, mais uma vez, conseguiria escapar aos escalões secundários. De novo ao serviço do Beira-Mar, o jogador continuaria a trilhar o seu caminho pelos cenários primodivisionários. Ainda assim, numa carreira que viria a caracterizar-se por alguma errância, a estadia em Aveiro, tal como em épocas anteriores, duraria apenas um ano. De seguida viria o União de Leiria que, em 1979/80, faria a estreia entre os “grandes” e também desceria de divisão. Depois emergiria o interesse do Vitória Futebol Clube e a entrada numa fase ligeiramente mais estável do seu trajecto competitivo.
A chegada a Setúbal no arranque da época de 1980/81, onde trabalharia com Rodrigues Dias, daria início a um par de ciclos de 2 anos cada um. No primeiro desses biénios, Garcês conseguiria consagrar-se como um dos homens com mais presenças no “onze” dos “Sadinos”. No entanto, a época seguinte exprimir-se-ia exactamente pelo oposto. Tamanho decréscimo nas partidas disputadas faria com que o médio procurasse, no Estoril Praia, outra solução para a carreira. Por coincidência, a transferência para o emblema da Linha de Cascais em nada mudaria o panorama competitivo do atleta e com Mário Nunes no comando dos “Canarinhos” poucas oportunidades haveria de alcançar.
Apesar das duas temporadas menos conseguidas, 1983/84, ainda a jogar na colectividade da Amoreira, devolveria o atleta aos patamares exibicionais de campanhas anteriores. Todavia, como aconteceria algumas vezes durante a carreira do médio, a descida do Estoril Praia levá-lo-ia, mais uma vez, a dar outro rumo à sua caminhada. Dessa feita, a escolha pelo plantel do União da Madeira afastá-lo-ia do patamar máximo do futebol português. Aliás, a época de 1984/85, passada no Funchal, muito mais do que encetar aquela que acabaria a tornar-se na derradeira fase da sua senda enquanto futebolista, viria a pôr fim a um ciclo de uma década consecutiva na 1ª divisão. Seguir-se-iam, com um ano apenas em cada colectividade, o Paços de Ferreira, o Lousada, o Valpaços e, com o “pendurar das chuteiras” a surgir com a conclusão da campanha de 1988/89, a experiência no Vila Meã.

1759 - CARLTON MARTIN

Nascido em Inglaterra, mais concretamente na área de Liverpool, Carlton Martin, filho de mãe britânica e pai jamaicano, viajaria para o Canadá em Abril de 1982. Ao chegar ao referido país norte-americano, apaixonado que era pela modalidade, mas sem nunca ter praticado futebol de forma organizada, teria no Oakville Soccer Club o primeiro emblema da carreira. Curiosamente, um momento caricato haveria de encurtar a sua passagem pela mencionada colectividade dos arredores de Toronto – “No meu primeiro jogo, eu saí do banco de suplentes e fui substituído pelo treinador 20 minutos depois (…). À altura, eu era um extremo e fiz aquilo que qualquer um naquela posição faz, que são alguns bons cruzamentos e muita corrida”*.
No rescaldo do acontecido, um amigo da família, desagradado com o tal episódio, haveria de prometer ao jovem praticante uma oportunidade noutro emblema. Essa chance surgiria, pouco tempo depois, no Toronto West Indies United. Com a entrada na nova colectividade, onde passaria a ocupar a posição de defesa-central, a carreira do atleta depressa começaria a alavancar-se. Ao conquistar um lugar no “onze” titular, Martin passaria a ser considerado como um dos pilares do conjunto e seria, nesse sentido, um dos nomes mais consagrados na vitória do clube na Ontario Cup de 1973. 
Antes de chegar a Portugal, Carlton Martin haveria de representar os Toronto Italia e o First Portuguese, agremiação na qual chegaria a cruzar-se com nomes como Moniz, Narciso, Marinho ou Jacinto João. Muito à custa dos conhecimentos feitos na colectividade fundada por imigrantes lusos, de seguida, viria a travessia do Oceano Atlântico, a chegada ao “Velho Continente”, onde, na sua caminhada competitiva, emergiria então o Vitória Futebol Clube. No emblema sediado na cidade de Setúbal, ao entrar de imediato para o patamar máximo, o jogador seria apresentado como reforço para a temporada de 1977/78. Lançado por Fernando Vaz na equipa a exibir-se com o listado verde e branco, a verdade é que o atleta, mesmo sem qualquer experiência no futebol europeu, haveria de pegar de estaca no “onze” inicial dos “Sadinos”. Tal estatuto, a asseverá-lo como um dos habituais titulares e em épocas de alguma tranquilidade classificativa, mantê-lo-ia no par de anos vindouros e numa dupla formada mormente com o internacional José Mendes. No entanto, a preponderância verificada no arrolar da equipa principal começaria a desvanecer com a chegada de Rodrigues Dias. Aliás, essa campanha de 1980/81 tornar-se-ia na derradeira do jogador no conjunto a disputar os desafios caseiros no Estádio do Bonfim e o defesa-central, a anteceder o seu regresso ao Canadá, decidir-se-ia por outra experiência na 1ª divisão.
A aposta na entrada no grupo de trabalho do Sporting de Espinho não correria de feição para o jogador. Num plantel primodivisionário que, na temporada de 1981/82, haveria de ser orientado por Manuel José, a concorrência directa por um lugar na equipa, essencialmente composta por Serra e por Balacó, faria com que Carlton Martin tivesse pouquíssimas oportunidades para que, com a camisola dos “Tigres da Costa Verde”, voltasse a sublinhar o valor revelado em Setúbal. Tamanha falta de presenças em campo levá-lo-ia a deixar as provas portuguesas e a voltar ao Canadá. No país que o havia acolhido ainda em adolescente, o defesa-central, segundo alguns dados recolhidos, terá, na época de 1983, representado os Mississauga Croatia. Também li algumas referências a dar conta de uma nova ligação entre o atleta e o First Portuguese. Todavia, não consegui confirmar esta última informação, nem sequer qualquer dado sobre a sua continuidade no futebol.

*retirado do artigo de Ron Fanfair, publicado a 10/03/2023, em https://www.ronfanfair.com/

1720 - ARTUR FONTE

Produto da formação do Sporting, seria ainda como membro das “escolas” leoninas que Artur Alberto Ferreira Fonte seria inicialmente chamado às contendas agendadas para as jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. No mencionado contexto competitivo, o lateral-esquerdo acabaria incluído no grupo que, a 22 de Março de 1977, entraria no Estádio Alfredo da Silva, para defrontar a Finlândia. Depois dessa partida, dos actualmente denominados por sub-18, durante a qual seria orientado por Peres Bandeira, ao jogador seriam ainda dadas muitas mais oportunidades para envergar a “camisola das quinas”. Por entre alguns jogos de preparação e a edição de 1977 do Torneio de Cannes, o defesa seria chamado às fases finais do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1978 e ao Mundial sub-20 de 1979. Tais convocatórias, também levariam o atleta, apesar de nunca ter entrado em campo, ao conjunto “olímpico” e entregar-lhe-iam, ao currículo, um total de 20 pelejas disputadas com as cores lusas.
No que concerne ao percurso clubístico, Artur Fonte, após deixar Alvalade, teria no plantel de 1978/79 do Vila Real os primeiros passos da caminhada sénior. Recebido em Trás-os-Montes pelo treinador Mário Nunes, os dois anos passados na disputa da 3ª divisão levá-lo-iam a ganhar traquejo suficiente para merecer a confiança dos responsáveis pelo Penafiel. Na colectividade duriense, muito para além da estreia no escalão maior, a temporada de 1980/81 revelaria o defesa-lateral como um dos titulares da equipa inicialmente orientada por Luís Miguel e de seguida por António Oliveira. Com a sua presença no “onze” a espraiar-se para a época seguinte, o jogador começaria a sublinhar-se como um intérprete de cariz primodivisionário. Porém, a descida de divisão da agremiação por si representada, levá-lo-ia a uma mudança de rumo. Já o ano cumprido com as cores do Vitória Futebol Clube, mesmo com a permanência entre os “grandes”, transformar-se-ia, no plano individual, num pequeno retrocesso evolucional e finda a campanha de 1982/83, passada na cidade de Setúbal, o atleta regressaria ao Norte do país.
A temporada de 1983/84, que representaria a sua segunda passagem pelo Penafiel, serviria de interlúdio para a chegada de Artur Fonte ao Belenenses. No Restelo, onde cumpriria 4 épocas consecutivas, o jogador teria no inglês Jimmy Melia o primeiro timoneiro. Sempre no escalão principal, a segunda campanha a representar os “Azuis” encaminharia o defesa até à final da Taça de Portugal. Chamado, por Henri Depireux, ao “onze”, o decisivo encontro da “Prova Rainha” não correria de feição para o lado do lateral canhoto e haveria de ser o Benfica a deixar o Jamor na posse do almejado troféu.
Já a campanha de 1987/88 traria outro momento de inolvidável importância para a carreira do jogador. Com a participação na Taça UEFA a dar-lhe a estreia nas competições de índole continental, o novo cenário competitivo faria com que fosse o FC Barcelona a calhar em sorte ao conjunto português. Arrolado por Marinho Peres ao embate ibérico, o defesa-lateral participaria em ambas as partidas frente aos “Blaugrana” e o atleta, apesar do afastamento dos homens da “Cruz de Cristo”, teria a honra de ver o seu nome associado à vitória do clube luso na 2ª mão da referida ronda.
Mesmo como um dos homens mais utilizados pelos diferentes técnicos do Belenenses, a temporada de 1988/89 apresentá-lo-ia como reforço do Penafiel. O regresso ao conjunto sediado no Estádio 25 de Abril encetaria um novo período de 4 campanhas sucessivas sempre na disputa do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tal período, muito mais do que transformar os “Durienses” no colectivo mais representativo da sua carreira enquanto praticante, permitiria inscrever no seu trajecto profissional um invejável somatório de 12 campanhas consecutivas a disputar àquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico português. Findo esse capítulo, o lateral-esquerdo ainda teria força para dar seguimento à sua caminhada competitiva e só depois de dividir a época de 1992/93 entre o Valpaços e o Atlético da Malveira é que tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Em jeito de conclusão, como curiosidade, relembro-vos que Artur Fonte é pai do campeão europeu José Fonte e do internacional português Rui Fonte.

1676 - ADEMAR

Com a formação terminada ao serviço do Sporting, Ademar Moreira Marques, ainda como membro das “escolas” leoninas, seria convocado às jovens selecções de Portugal. Na caminhada internacional, o médio-centro, a 17 de Abril de 1976, acabaria, pela primeira vez, por ser chamado a envergar a “camisola das quinas”. Depois da referida partida frente à Polónia, cumprida no âmbito dos sub-16, o atleta continuaria a envergar as cores nacionais. Ao passar por todos os escalões, incluindo os “esperanças”, o jogador também teria a oportunidade de exibir o seu talento no conjunto “A”. A primeira dessas aparições aconteceria, pela mão de Juca, num particular forasteiro frente à Bulgária. Seguir-se-iam ao desafio agendado a 16 de Dezembro de 1981, as contendas da equipa “B”, dos “olímpicos”, outra presença em campo pelo conjunto principal e uma soma a dar ao centrocampista um total de 23 jogos disputados com as insígnias lusas.
No que concerne ao percurso clubístico, a estreia de Ademar pela equipa principal do Sporting dar-se-ia no decorrer da temporada de 1977/78. Lançado por Rodrigues Dias num jogo, frente ao Benfica, a contar para a Taça de Portugal, seria na “Prova Rainha”, ainda na época de estreia como sénior, que o médio teria o primeiro grande título da carreira. Ao ser chamado pelo referido treinador à final e à finalíssima da competição, o jogador ajudaria o seu lado a derrotar o FC Porto.
Continuando a falar de troféus vencidos pelo “Leões”, então há também que fazer referência às vitórias no Campeonato Nacional de 1979/80 e à “dobradinha” de 1981/82. Ora, tanta preponderância no xadrez táctico leonino, onde, quase sempre, ocuparia uma posição de titular, tornaria ainda mais estranha a sua saída dos “Verde e Brancos” e o final da campanha de 1982/83, com alguma polémica à mistura, marcaria a sua partida de Alvalade – “(…)a opção do presidente João Rocha em 1983, ao dispensar grande parte do plantel, foi descabida. O Oliveira, o Jordão e o Manuel Fernandes eram os craques, mas os que tocavam ferrinho e bombo na parte de trás do palco, como eu, também eram”*.
De seguida, numa altura em que já era internacional “A”, apareceria uma fase da sua carreira caracterizada por uma vincada errância. Durante 4 anos, Ademar envergaria 4 camisolas diferentes. Tais experiências trariam sensações bem diferentes à sua caminhada desportiva. No Marítimo e no Vitória Futebol Clube disputaria o 2º escalão. Já no intervalo desses dois emblemas, o FC Porto de 1984/85, onde pouco jogaria, entregar-lhe-ia ao palmarés outra conquista do Campeonato Nacional. Falta fazer menção ao Belenenses e à temporada de 1985/86, período durante o qual veria o grupo de trabalho onde estava inserido, a chegar a mais uma final da Taça de Portugal.
Sucedendo-se a esse período da carreira que, convenhamos, terá sido menos conseguido, Ademar entraria no emblema que, atrás do Sporting, mais representatividade daria à sua carreira. No Farense a partir da campanha de 1987/88, o médio recuperaria a magia de temporadas pretéritas. No Algarve, com uma única passagem pela 2ª divisão, o atleta permaneceria durante meia dúzia de anos. Quase sempre como figura central das manobras idealizadas pelos diferentes treinadores, o jogador, muito mais do que contribuir para os objectivos do colectivo, tornar-se-ia, progressivamente, numa figura histórica da agremiação sediada no Sotavento. Já o fim do seu trajecto enquanto futebolista também surgira ao serviço dos “Leões” da capital algarvia e consumar-se-ia com o termo das provas disputadas em 1992/93.

*retirado do artigo de Pedro Jorge da Cunha, publicado a 8/7/2020, em https://maisfutebol.iol.pt

1650 - ISIDRO BEATO

Seria ainda como elemento das “escolas” do Belenenses que Isidro Miguel Palmela da Silva Beato viria a juntar-se aos trabalhos das equipas de formação a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Com os actualmente denominados sub-18, o jovem praticante, chamado por José Maria Pedroto, encetaria a caminhada internacional numa partida a contar para a Fase de Apuramento do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Tal desafio, disputado a 27 de Março de 1974, frente à Suíça, daria início a um trajecto que, ainda nesse ano, levaria o jogador à Fase Final do referido certame. Na Suécia, num grupo a contar com as presenças de Eurico, de Gomes ou de Lito, o centrocampista conseguiria assumir-se como um dos titulares do conjunto luso. Apesar dos resultados colectivos bem aquém do esperado, a competição organizada na Escandinávia, serviria para que o atleta continuasse a merecer a confiança dos responsáveis federativos e, daí para a frente, entre o já mencionado escalão e os “olímpicos”, o médio somaria um total de 12 partidas com as cores de Portugal.
No que diz respeito à sua carreira futebolística, impulsionado pelos jogos feitos com a “camisola das quinas”, Isidro Beato, na temporada de 1974/75, passaria a incorporar o plantel sénior dos “Azuis”. A trabalhar com Peres Bandeira, o médio rapidamente assumiria um papel de relevo no sector intermediário do Belenenses. Como um dos habituais titulares, o médio daria um enorme contributo para que a agremiação lisboeta fosse declarada como um das vencedoras da edição de 1975/76 da Taça Intertoto. Nisso de competições de índole continental é impossível olvidar a eliminatória da Taça UEFA disputada, em 1976/77, frente ao FC Barcelona. Como um dos elementos chamados ao “onze” por Carlos Silva, o jogador participaria, no Estádio do Restelo, no empate a 2 bolas. Já em Camp Nou ajudaria à espantosa exibição do agremiado luso, o qual, só bem perto do final do jogo, sofreria o golo a ditar a passagem dos “Culés”.
Também no plano interno, Isidro Beato contribuiria para os bons resultados que, amiúde, o Belenenses viria a registar. Porém, nas duas derradeiras temporadas no Restelo, a verdade é que a sua preponderância, nos esquemas tácticos idealizados para equipa, diminuiria substancialmente. Talvez à procura de um desafio capaz de relançar a sua carreira, o centrocampista aceitaria o repto lançado pelo Farense e acabaria por abraçar os desafios do 2º escalão. No Algarve, onde voltaria a trabalhar com António Medeiros, o atleta cumpriria apenas uma temporada. Finda essa campanha no sul do país, o jogador regressaria à Grande Lisboa, onde passaria a envergar as cores do Estoril Praia. A entrada no Estádio António Coimbra da Mota em 1982/83 devolvê-lo-ia aos principais palcos do futebol luso. Infelizmente para si, os “Canarinhos”, no final da sua segunda época no clube, claudicaria na luta pela manutenção. A partir daí, a sua caminhada ficaria definitivamente arredada dos cenários primodivisionários e mantendo-se fiel à agremiação da Linha de Cascais, o termo da sua carreira surgiria com o encerrar das provas agendadas para 1986/87.
Apesar de “penduradas as chuteiras”, Isidro Beato manter-se-ia ligado ao futebol. Numa carreira cumprida, na sua totalidade, nas pelejas dos degraus secundários, o antigo médio teria experiências, como treinador-principal, à frente de emblemas como o “O Elvas”, o Fanhões ou o Estoril Praia. No entanto, a sua carreira ficaria estreitamente ligada ao desporto açoriano e para além do Praiense, Marítimo da Graciosa, e Boavista de São Mateus, seria no União Micaelense que encontraria a colectividade mais representativa da sua caminhada enquanto técnico.

1608 - PAULO CAMPOS


Terminado o percurso formativo ao serviço do Botafogo, Paulo Marçal Campos, sem espaço no emblema “carioca”, decidir-se-ia pelo XV de Jaú para, na temporada de 1977, dar início à caminhada enquanto sénior. Seguir-se-ia, na campanha seguinte, o Anapolina e a viagem, poucos meses depois, até Portugal.
Com a chegada ao Algarve, Paulo Campo, médio-ala ou extremo com propensão para amiúde aparecer em zonas de finalização, seria apresentado como reforço do plantel de 1978/79 do Portimonense. Com a colectividade do Barlavento orientada por Mário Lino, logo começaria por conquistar um lugar entre os mais utilizados do grupo de trabalho. Com a equipa a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa da Zona Sul do patamar secundário, o atleta, com vários golos, mas principalmente com exibições portentosas, depressa viria a cimentar-se como um dos membros mais badalados e como um esteio da luta pela almejada promoção ao escalão máximo. Já alcançada a subida, o jogador ainda teria um papel importantíssimo no desfecho da campanha. Nesse sentido, na última jornada da Fase de Apuramento do Campeão, seria seu um dos remates certeiros, numa peleja frente ao Sporting de Espinho, a decidir o triunfo por 2-1 para o listado alvinegro sulista e, por conseguinte, a selar a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão.
Com a estreia entre os “grandes” a acontecer na temporada de 1979/80, Paulo Campos, muito mais do que manter os índices exibicionais da campanha anterior, apresentaria um crescimento deveras excepcional. Ainda assim, mesmo tendo em conta os bons números conseguidos, seria a época de 1980/81, alicerçado como um dos principais destaques do Portimonense comandado por Manuel de Oliveira e num colectivo também composto por nomes como Valter, Conhé, Joaquim Murça, Vítor Gomes, Rachão, José Rafael, entre outros intérpretes de peso no cenário futebolístico luso, a catapultá-lo definitivamente. Como resultado dessa grande evolução, o Benfica surgiria interessado na sua contratação, com a transferência para a Luz a concretizar-se na campanha de 1981/82. No entanto, apesar do potencial exibido, o ano passado ao serviço das “Águias” quedar-se-ia bem longe do esperado e sem lugar no grupo sob a intendência do magiar Lajos Baróti, o médio-ala acabaria por retornar ao Algarve.
O regresso ao Sul do país, dessa feita para jogar com as cores do Farense, representaria, em certa medida, um retrocesso na sua carreira. Na capital do Algarve a partir de 1982/83, Paulo Campos encetaria um périplo de 3 anos que, para além da vincada errância, haveria de manter o jogador pelas contendas de índole secundário. Seguir-se-iam, ainda na aludida senda, as temporadas cumpridas pelo Marítimo e pelo Recreio de Águeda. Por fim, surgiria o convite a devolvê-lo à 1ª divisão. No entanto, a passagem pelo plantel de 1985/86 do Penafiel, apesar dos números condizentes com a sua categoria, não patentearia mais do que um fugaz retorno aos palcos maiores do desporto português. Logo de seguida, surgiriam o Beira-Mar, duas épocas de novo no 2º escalão e uma 3ª campanha, ainda a envergar a camisola da agremiação aveirense, mais uma vez entre os “grandes”.
Seria a época de 1988/89, a defender os interesses da colectividade a disputar os embates caseiros no Estádio Mário Duarte, a apresentar, ao jogador, a última temporada na 1ª divisão. Seguir-se-iam, numa fase a vincar alguma veterania, as passagens pelo União de Santiago, onde chegaria a trabalhar sob a alçada de Almir Amorim, colega de balneário no Anapolina e no Portimonense, e o fim da carreira no Desportivo de Beja. Aliás, seria no emblema alentejano que faria a transição para as tarefas de treinador. Nas novas funções, a sua caminhada acabaria erguida, na quase totalidade, em emblemas algarvios. Por entre várias colectividades da região, onde podem ser incluídas o Lusitano de Vila Real de Santo António, o Silves ou o Imortal, seria no Padernense que maior destaque conseguiria obter e duas subidas consecutivas levariam o clube desde os “distritais” até à 2ª divisão “b” de 2001/02.

1590 - MENEZES

Após representar as “escolas” do Vasco da Gama, o Maranhão e o Itabuna, Paulo Roberto Menezes, seria contratado pelo Sporting. Aconselhada a sua aquisição pelo treinador leonino Paulo Emílio, técnico que já conhecia o atleta dos tempos em que ambos frequentavam São Januário, o jovem praticante entraria em Lisboa como reforço para a temporada de 1977/78. Apesar da tenra idade e da pouca experiência enquanto sénior, a verdade é que o defesa-central depressa conquistaria um lugar de destaque no plantel dos “Leões”. Logo na época de chegada a Portugal, mesmo tendo em atenção a concorrência de Manaca, do capitão Laranjeira e de Virgílio, o jogador, dono de uma boa eficácia e com um remate portentoso, conseguiria impor-se como um dos mais utilizados no sector mais recuado. Tal preponderância, chamado já por Rodrigues Dias, levá-lo-ia a jogar a final, tal como a finalíssima, da Taça de Portugal e no Jamor ajudaria os “Verde e Brancos” a erguer o tão almejado troféu.
No que toca a conquistas e momentos inolvidáveis, o tempo passado por Menezes em Alvalade seria generoso. Logo na temporada a seguir à sua entrada no clube, como dono de um lugar no “onze”, o atleta voltaria a marcar presença na derradeira ronda da “Prova Rainha”. Porém, contrariamente à edição anterior, a prestação do defesa seria insuficiente para evitar o triunfo do Boavista. Ainda como titular, tornar-se-ia numa das peças fundamentais das estratégias montadas por Fernando Mendes na vitória do Campeonato Nacional de 1979/80. Daí em diante, o jogador acabaria por perder a importância de anos passados. Nesse sentido, depois de abandonar o lugar no alinhamento inicial, a chegada do inglês Malcolm Allison na temporada de 1981/82 vetá-lo-ia ao quase esquecimento. Ainda assim, conseguiria somar mais números ao palmarés pessoal e mesmo com poucas presenças em campo, teria lugar no rol de vencedores da “dobradinha” alcançada na última campanha referida.
O relevo perdido no Sporting empurrá-lo-ia para outro emblema. Como integrante do plantel do Farense, ajudaria a conquistar o Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1982/83. Curiosamente, ao invés de continuar na colectividade algarvia, o defesa-central, que também tinha capacidade para jogar como “trinco”, acabaria por mudar novamente de clube. Mantendo-se na disputa do patamar secundário, a época de 1983/84 apresentá-lo-ia como elemento do Belenenses. Tal como no colectivo do Sotavento, o jogador, de novo em Lisboa, mais uma vez seria uma peça marcante da vitória no segundo escalão e, por consequência, do regresso dos “Azuis” ao convívio com os “grandes”. Aliás, seria ao serviço dos homens do Restelo, conduzido por Jimmy Melia, que, na campanha de 1984/85, viveria a última época de cariz primodivisionário. Daí em diante a sua caminhada competitiva cevar-se-ia nos degraus inferiores. Após o regresso aos “Leões de Faro”, o atleta, por 3 anos, envergaria as cores do Bragança e já no grupo de trabalho de 1989/90 do Macedo de Cavaleiros decidiria ser o tempo certo para “pendurar as chuteiras”.

1589 - MUNDINHO


Seria como um praticante bem experimentado que Edmundo Paulino Sena, popularizado no “universo da bola” como Mundinho, chegaria à alta-roda do futebol brasileiro. Apresentado pelo Treze como reforço para a temporada de 1977, o vigoroso ponta-de-lança, com 24 anos de idade, faria a estreia no “Brasileirão” ao serviço do emblema sediado em Campina Grande. Mesmo tendo, na referida prova, somado poucas presenças em campo, as suas qualidades desportivas, das quais mereceria maior destaque a disponibilidade física, fariam com que colectividades de outra monta decidissem apostar na sua contratação. Nesse sentido, o próximo emblema a emergir na carreira do atacante seria o Santa Cruz de Recife e não tendo sido capaz de passar, na campanha de 1978, da condição de suplente utilizado, ainda assim despertaria a atenção de uma das grandes referências do contexto competitivo luso.
Agradado com as competências apresentadas, Mundinho aterraria em Portugal por indicação, ao que consta, de Mário Wilson. Atleta do Vitória Sport Clube, o avançado-centro chegaria ao Minho na campanha de 1978/79. Numa época algo atribulada para os “conquistadores”, com a saída do “Velho Capitão” a dar lugar a Daniel Barreto, o jogador conseguiria impor-se como um dos nomes utilizados com boa frequência. No entanto, a sua afirmação como um dos elementos de grande preponderância para o colectivo vimaranense surgiria na temporada seguinte, sob a alçada de Mário Imbelloni e posteriormente a trabalhar com Cassiano Gouveia. Nesse sentido, o ponta-de-lança seria um dos mais chamados ao “onze” e consagrar-se-ia, ao concretizar 16 golos, como o melhor marcador da equipa na edição de 1979/80 do Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Depois de uma época verdadeiramente rica em termos de desempenhos pessoais, a terceira temporada de Mundinho pelo Vitória Sport Clube, já a trabalhar com José Maria Pedroto, voltaria a traduzir-se em números mais modestos. Talvez por esse motivo, o jogador decidiria mudar de camisola e para as provas agendadas para 1981/82 viria a apresentar-se como elemento do plantel do Sporting de Braga. Ao serviço dos “Arsenalistas”, numa equipa comandada por Quinito, o ponta-de-lança faria parte do grupo de trabalho que, na época aludida neste parágrafo, chegaria à final da Taça de Portugal. Não marcaria presença no Jamor, de onde os “Guerreiros” sairiam derrotados pelo Sporting. No entanto, seria importante nas rondas a anteceder o derradeiro desafio da “Prova Rainha” e os seus golos ajudariam à caminhada até ao Estádio Nacional.
Ao deixar a “Cidade dos Arcebispos” ao fim de um ano, Mundinho abandonaria de vez o patamar máximo do futebol português. Seguir-se-iam um par de épocas com as cores do Desportivo de Chaves, o Marco, o Ermesinde, o Atei e o GD Selho. Depois surgiria a carreira de treinador em emblemas modestos como o Pinheiro, Valinha, Santiago Candoso, Gémeos ou o Abação. Paralelamente é funcionário da Câmara Municipal de Guimarães e desempenha funções no Arquivo Municipal.

1526 - CARVALHO

Terminada a formação no FC Porto, seria ainda como membro das “escolas” do emblema da “Cidade Invicta” que Fernando Carvalho acabaria chamado aos trabalhos das jovens equipas a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos juniores lusos, o jogador, a 27 de Maio de 1974, pela mão de José Maria Pedroto e ao lado de nomes como Eurico, Lito ou Gomes, ver-se-ia integrado numa peleja frente à Suíça. Já com 1 internacionalização no currículo, chegaria então a altura de subir aos seniores dos “Azuis e Brancos”. Porém, num conjunto a contar para o sector intermediário com nomes como Rodolfo Reis ou Octávio Machado, o atleta poucas oportunidades haveria de conquistar. Ainda assim, depois de um ano passado nas “reservas”, o médio estrear-se-ia na equipa principal e entraria em campo, num jogo a contar para a Taça UEFA de 1975/76, frente aos luxemburgueses do Avenir Beggen.
Com a patente falta de espaço nas Antas, sem abandonar a 1ª divisão, seguir-se-ia no seu percurso desportivo o Beira-Mar, onde, em 1976/77, partilharia o balneário com Eusébio. Já no plantel de 1977/78 do Sporting de Espinho, o médio, que também podia ocupar posições mais recuadas no terreno de jogo, acabaria por destacar-se no colectivo comandado por Mário Morais. Nesse sentido, mesmo sem ser um dos habituais titulares, os números alcançados ao serviço dos “Tigres da Costa Verde” valer-lhe-iam o regresso ao FC Porto. No entanto, tal como anteriormente, Carvalho teria muitas dificuldades para impor o seu jogo, dessa feita, pensado pelo treinador José Maria Pedroto. Ainda assim, a presença numa das jornadas do Campeonato Nacional atribuir-lhe-ia o primeiro título ao palmarés pessoal e o atleta sairia da segunda passagem pelos “Dragões” com a vitória naquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico luso.
A entrada no Varzim de 1979/80 permitiria ao atleta continuar o seu percurso nas contendas do escalão máximo. Todavia, seria o regresso ao Sporting de Espinho a elevá-lo à condição de atleta de cariz indubitavelmente primodivisionário. De volta ao emblema do distrito de Aveiro a partir de 1980/81, o médio afirmar-se-ia como um dos elementos mais importantes do conjunto. Titular ao lado de históricos como Raul, Vitorino ou João Carlos, Carvalho tornar-se-ia numa das figuras de proa das épocas seguintes e o seu trabalho contribuiria, e de que maneira, para a manutenção dos “Tigres da Costa Verde” no patamar maior do futebol luso.
Ao fim de mais 5 campanhas a envergar o listado preto e branco do Sporting de Espinho, em que a última temporada já seria passada em contexto secundário, Carvalho terminaria a sua ligação ao clube. Ao entrar na fase final da carreira enquanto futebolista, o caminho do jogador erguer-se-ia mais errante. Nas 5 épocas a preencher esses 5 derradeiros anos, seriam 5 as colectividades que ainda representaria e, nessa evolução, o União da Madeira, o Freamunde, o União de Lamas, os Dragões Sandinenses e o Pedrouços antecederiam, com o termo das provas agendadas para 1989/90, o “pendurar das chuteiras”.

1519 - RAMALHO

Ainda como elemento das camadas jovens do Benfica, João Fernando Mendes Ramalho seria chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a estreia a acontecer, pela mão de José Augusto, a 11 de Novembro de 1971, essa partida frente à Suíça, a contar para o calendário competitivo dos juniores, serviria para encetar um trajecto que levaria o atleta, entre os agora denominados sub-18 e sub-21, a somar ao currículo um total de 6 internacionalizações com a “camisola das quinas”.
Apesar de revelar qualidades promissoras, a verdade é que defesa-direito, por altura da sua subida ao patamar sénior, veria os seus caminhos barrados por atletas bem mais experientes. Tapado por Artur Correia ou Malta da Silva, o jogador decidiria deixar a Luz para, mais a norte, tentar a felicidade. Nesse sentido, ao entrar no plantel do Beira-Mar como reforço para a temporada de 1972/73, Ramalho logo conseguiria afirmar-se como um dos pilares do grupo de trabalho inicialmente às ordens de Orlando Ramín. Ao caracterizar-se como um praticante aguerrido e muito cumpridor relativamente aos aspectos tácticos do jogo, nem a baixa estatura viria a impedir a sua afirmação. Daí em diante transformar-se-ia num pilar do conjunto aveirense e, numa carreira deveras positiva, constituir-se-ia como um dos titulares dos emblemas a darem seguimento à sua caminhada desportiva.
Seguir-se-ia o Vitória Sport Clube. Com a entrada na agremiação sediada em Guimarães a acontecer em 1974/75, Ramalho depressa conquistaria um lugar no “onze” ordenado por Mário Wilson. Como um dos indiscutíveis da equipa, o lateral-direito manteria esse estatuto na época seguinte. Já sob a alçada de Fernando Caiado, o atleta tornar-se-ia numa das peças fundamentais da caminhada dos minhotos até à final da Taça de Portugal de 1975/76. Para infelicidade do jogador, depois de ter participado em várias eliminatórias da prova, inclusive na ronda que ditaria o afastamento do Sporting, o defesa não marcaria presença no derradeiro encontro da competição, a qual acabaria por ser vencida pelo Boavista.
Tirando as características competitivas, Ramalho também ficaria conhecido pela sua personalidade forte e íntegra. Tais predicados levá-lo-iam a envergar a braçadeira de capitão. Porém, seriam mesmo os aspectos desportivos a entregá-lo à galeria de notáveis do Vitória Sport Clube. Para tal, em muito contribuiriam as 9 temporadas passadas no emblema da “Cidade Berço” e, acima de tudo, as 222 partidas disputadas no Campeonato Nacional, número que ainda hoje faz dele um dos nomes com mais presenças, pelos vimaranenses, naquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico português.
A longa ligação à colectividade minhota conheceria o fim com o termo da temporada de 1982/83 e depois de contribuir, com o 4º lugar conseguido no Campeonato Nacional, para o apuramento para a Taça UEFA. De regresso ao distrito de Aveiro, Ramalho, já a aproximar-se dos derradeiros capítulos da caminhada enquanto praticante, ingressaria no Sporting de Espinho. Nos “Tigres da Costa Verde”, o defesa-direito cumpriria a sua 12ª campanha no patamar maior do futebol luso. Daí em diante, com uma época em cada agremiação, o lateral ainda envergaria as camisolas do Felgueiras e do Varzim. Na Póvoa, com a época de 1985/86 a assinalar a conclusão da sua caminhada desportiva, o jogador ainda ajudaria ao regresso dos “Lobos-do-mar” ao escalão máximo.

1501 - PERES BANDEIRA

José Augusto Peres Bandeira, num longo trajecto, transformar-se-ia num dos nomes fortemente associado ao futebol português. Com a carreira ligada a vários emblemas, seria a sua relação com três deles que maior destaque mereceria. Bem, talvez esteja a ser um pouco impreciso nesta minha pequena nota introdutória. Em abono da verdade, seria o Atlético Clube Portugal a colectividade onde haveria de merecer os primeiros louvores dignos de registo. Nesse sentido, a temporada de 1968/69 marcaria a estreia do técnico à frente da equipa principal do emblema sediado no bairro de Alcântara. Depois dessa aparição inicial no escalão máximo, assombrada pela descida de divisão, a campanha de 1971/72 dar-lhe-ia nova oportunidade no convívio entre os “grandes”. Porém, tal como na ocasião anterior, o treinador, outra vez aos comandos da referida agremiação lisboeta, não teria muito sucesso e, depois da 14ª ronda do Campeonato Nacional, acabaria substituído por Ted Smith.
Apesar dos aludidos desaires, a sua reputação não sofreria grande impacto. Pouco tempo depois da saída do Atlético, ele que, em paralelo, também mantinha um laço contratual com a Federação Portuguesa de Futebol, encetaria a sua relação com o Belenenses. A partir da 24ª ronda do Campeonato Nacional, convidado por Alejandro Scopelli, Peres Bandeira passaria a desempenhar o papel de treinador de campo dos “Azuis”. Durante várias temporadas, com destaque para o 2º lugar alcançado com o termo da época de 1972/73, o técnico, ao lado do “manager” argentino, formaria uma dupla de sucesso. Igualmente elogiado pelo trabalho realizado com os juniores, os êxitos conseguidos levá-lo-iam, em 1974/75, a assumir as rédeas da equipa sénior. Como treinador-principal do conjunto a jogar em casa no Estádio do Restelo, os grandes destaques iriam para a campanha de 1975/76, onde, para além da vitória na Taça Intertoto, asseguraria o 3º posto na 1ª divisão.
Como mencionado no parágrafo anterior, o labor de Peres Bandeira também ficaria relacionado às pelejas agendadas pela Federação Portuguesa de Futebol. Com prestações meritórias à frente das jovens equipas lusas, o treinador trabalharia em diversos escalões, nomeadamente nos actualmente conhecidos como sub-16, sub-18 e sub-20. Pelo meio de tantas participações, um par de certames mereceria honras de maior importância. Uma das duas competições seria o Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1971, onde os rapazes a envergar a “camisola das quinas”, casos de Jordão, Shéu, Vítor Pereira, Eurico Caires, Ibraim Silva, Franque, Gregório Freixo ou Rodolfo, alcançariam um dignificante 2º lugar. Alguns anos depois, em 1979, emergiria a primeira participação de Portugal num Campeonato do Mundo sub-20. No Japão, mais uma vez à frente de um enorme agregado de futuros craques, como Zé Beto, Alberto Bastos Lopes, Artur Fonte, Eliseu Pinto, Tomás, Adão, Justino, Diamantino, Nascimento, Parente ou João Gouveia, o treinador conduziria o grupo entregue às suas responsabilidades até aos quartos-de-final.
Falta fazer menção, sem esquecer as duas passagens primodivisionárias pelo Vitória Futebol Clube, àquela que viria a tornar-se na sua maior ligação enquanto homem do desporto. Com cerca de 3 décadas despendidas ao serviço do Benfica, onde também chegaria a desempenhar as funções de treinador-adjunto, Peres Bandeira destacar-se-ia como membro do Departamento de Prospecção, no qual seria responsável pela descoberta de estrelas como Vítor Paneira ou Luisão.
 
PS: Apesar de não ter grandes dados sobre a carreira de futebolista de Peres Bandeira,  encontrei algumas informações a dar-me conta da sua transferência, na temporada de 1948/49, do Benfica, onde nunca terá jogado na equipa principal, para o Torreense.

1447 - MANOEL

Nascido no seio de uma família onde o irmão, Darci Maravilha, também escolheria o futebol como a modalidade de eleição, Manoel da Silva Costa encetaria o seu trajecto, em 1968, no Atlético Lansul Futebol Clube, equipa desportiva ligada à empresa de lanifícios para onde, ainda adolescente, iria trabalhar.
Cotado como um praticante com índices físicos muito acima da média, nomeadamente a força e a velocidade, o ponta-de-lança também conseguiria destacar-se pela inteligência com que aparecia em zonas de finalização. Tais predicados levá-lo-iam a uma das mais importantes colectividades sediadas no Estado do Rio Grande do Sul e, a partir de 1971, o avançado passaria a envergar a camisola do Internacional. No emblema de Porto Alegre, os seus desempenhos fariam com que os responsáveis técnicos da Confederação Brasileira de Futebol começassem a olhar para si como um bom elemento para os jovens conjuntos da “Canarinha”. Pelo seu país, ao lado de nomes como Falcão, Roberto Dinamite, Dirceu ou Abel Braga, Manoel seria chamado por Antoninho a participar nos Jogos Olímpicos de 1972 e, com o certame disputado em Munique, o avançado acabaria por somar 14 internacionalizações na referida categoria.
Apesar das convocatórias para a selecção brasileira, Manoel nunca conseguiria, de forma categórica, afirmar-se como um dos titulares do Internacional de Porto Alegre. Por essa razão, em 1974, seria emprestado ao América. Já ao serviço da agremiação do Rio de Janeiro, o traquejo ganho despertaria a atenção de outros emblemas. Com o Sporting à procura de um atleta capaz de colmatar a saída de Yazalde, Manoel surgiria como uma boa solução e com as negociações concluídas, o possante avançado-centro viajaria até ao outro lado do Oceano Atlântico para rubricar um contrato com os “Leões”.
Com a entrada em Alvalade a acontecer na metade final da temporada de 1975/76, a estreia de avançado nas provas portuguesas dar-se-ia pela mão de Juca. No entanto, seria na segunda campanha de “verde e branco”, dessa feita já sob as instruções do inglês Jimmy Hagan, que Manoel surgiria como um elemento preponderante no “onze” leonino. Porém, apesar de ser um jogador com uma boa utilização, a verdade é que o ponta-de-lança seria aferido como um atleta algo irregular. Ao formar grandes trios ofensivos com Manuel Fernandes, Keita e, mais tarde, com Jordão, os números apresentados de “leão” ao peito de longe seriam motivo para qualquer vergonha. Com 156 jogos oficiais disputados e 58 golos concretizados ao serviço do Sporting, o atacante deixaria a sua marca na passagem pelo emblema “alfacinha” e as vitórias na Taça de Portugal de 1977/78 e no Campeonato Nacional de 1979/80 seriam razões mais do que suficientes para que ficasse na memória dos adeptos leoninos, como um bom futebolista.
De forma algo surpreendente, Manoel acabaria dispensado pelo Sporting. Aparentemente sem espaço no grupo de trabalho dos “Leões”, a carreira do ponta-de-lança prosseguiria, nas edições de 1981/82 e 1982/83 da 1ª divisão, respectivamente com as cores do Portimonense e do Sporting de Braga. Porém, as épocas passadas no Algarve e no Minho mostrariam um atleta distante dos índices exibicionais revelados em Alvalade. Talvez por essa razão, numa caminhada que continuaria a fazer-se em emblemas lusos, o avançado acabaria por apostar em colectividades a militar nos escalões secundários. Depois do Académico de Viseu, surgiria, no seu trajecto, o Amora. Por fim, numa senda que conheceria o fim com o termo da campanha de 1990/91, tempo ainda para o atleta representar o Almancilense, o Loures e o Odivelas.

1397 - BRAVO

Ainda como elemento pertencente às “escolas” do Benfica, João Bravo viria a ser convocado para os trabalhos das jovens selecções portuguesas. No escalão hoje conhecido como sub-18, o atacante seria incluído num grupo de trabalho onde marcariam também presença nomes que acabariam por ficar bem conhecidos no futebol luso, casos de Formosinho, Cavungi ou Chalana. Nesse “particular” frente a França, disputado no barreirense Estádio D. Manuel de Mello, o atleta entraria em campo já no decorrer da partida e, com disputa calendarizada para 1 de Janeiro de 1975, o jogador conseguiria embelezar o seu currículo com 1 internacionalização.
Com o fim do percurso formativo, Bravo seria chamado aos seniores do Benfica. No entanto, a forte concorrência de elementos com mais traquejo no plantel sob o comando de Mário Wilson, faria com o jogador passasse a temporada de 1975/76 com as “reservas” “encarnadas”. Sem conseguir somar qualquer minuto pela equipa principal, o avançado terminaria a sua ligação às “Águias” e arrepiaria caminho com outros emblemas ao peito. No ano seguinte à saída da Luz, o jovem atleta, a vogar pela 2ª divisão, passaria a envergar a camisola do Torres Novas. Na campanha subsequente, já ao serviço do União de Tomar, o maior destaque, sem menosprezar outros acontecimentos, haveria de ir para o balneário partilhado com António Simões e com Eusébio. Falta ainda fazer referência, nesses primeiros anos, à época vivida com cores do Benfica de Castelo Branco, a qual permitiria ao atleta dar um salto qualitativo na sua caminhada profissional.
Com a sua evolução a justificar outros patamares competitivos, seria o Boavista a apostar na sua contratação. No Bessa a partir da temporada de 1980/81, Bravo conseguiria, no comando de diferentes técnicos, assumir-se como um dos principais esteios da equipa. Logo na primeira campanha com as “Panteras”, para além da estreia naquele que é o patamar maior do futebol português, também as competições continentais surgiriam na sua caminhada, com o atleta a participar nas eliminatórias da Taça UEFA frente ao Vasas e ao Sochaux, como uma verdadeira novidade. Já na quarta campanha cumprida com os “Axadrezados”, Bravo acabaria por desperdiçar algum do fulgor até aí apresentado. Com a perda de preponderância no seio do grupo de trabalho do Boavista, brilho que em anos anteriores chegaria a prometer outros voos, o fim da época de 1983/84 traria igualmente o termo da sua ligação à colectividade portuense.
Seguir-se-ia a aposta no Tirsense. Porém, aquela que viria a tornar-se na agremiação mais representativa do seu trajecto competitivo levá-lo-ia, por outro lado, a afastar-se em definitivo dos contextos competitivos primodivisionários. Daí em diante, durante meia-dúzia de temporadas consecutivas, os “Jesuítas” configurar-se-iam como a sua nova morada. Já mesmo na fase derradeira da carreira, num regresso à zona de Lisboa, o atacante ainda teria tempo para exibir a camisola do Bairro da Boavista e, na campanha de 1992/93, o emblema do Atlético do Cacém.

1377 - HÉLDER

Defesa polivalente, Hélder Jerónimo das Mercês, depois de emergir no Cova da Piedade, seria já ao serviço do Amora que, em plena caminhada sénior, conseguiria um destaque maior. No emblema com casa no Estádio da Medideira, participaria naquela que viria a tornar-se na época de ouro do clube. Ao ajudar, com o final da campanha de 1976/77, à subida ao patamar secundário, o atleta, depois de uma curta passagem de um ano pelo Seixal, retornaria à agremiação a vestir de azul para fazer parte do plantel que daria corpo a um feito inédito. Nesse sentido, após garantida a conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão de 1979/80, o jogador integraria o grupo de trabalho que, ao serviço da colectividade da Margem Sul, disputaria, pela primeira vez, o degrau máximo do futebol português.
No convívio com os “grandes”, as temporadas de 1980/81 e 1981/82 serviriam para confirmar o atleta como um praticante dono de uma sólida constância exibicional e, por essa razão, aferido como um elemento deveras confiável. Titular do Amora com o treinador Mourinho Félix e, posteriormente, sob a intendência técnica de José Moniz, a sua cotação começaria a subir. Cimentado como um dos bons intérpretes a actuar nas provas lusas, Hélder acabaria por ser cobiçado por emblemas de maior tradição e, ainda que de volta ao escalão secundário, a transferência para o Belenenses seria sinónimo do referido acréscimo de valor.
Com a entrada no Restelo a acontecer na temporada de 1982/83, Hélder, ao fazer-se acompanhar na mudança pelos antigos colegas de balneário Simões e Pereirinha, voltaria a trabalhar com Mourinho Félix. Já a época seguinte traria ao defesa dois momentos de destaque. O primeiro seria o reencontro com Jaime, o irmão mais novo e antigo parceiro no Amora. O segundo, esse de maior realce, emergiria com o trabalho feito sob o comando do inglês Jimmy Melia e que terminaria com a conquista da 2ª divisão e com o regresso do Belenenses ao escalão principal.
Os dois anos seguintes, sempre na disputa da 1ª divisão e a envergar a camisola da “Cruz de Cristo”, revelariam Hélder como um elemento importante, mas a acusar alguma veterania e a ocupar um lugar menos relevante nas escolhas dos técnicos. Ao entrar na última fase da carreira, o defesa deixaria o emblema lisboeta no final da campanha que levaria o Belenenses à disputa do derradeiro encontro da edição de 1985/86 da Taça de Portugal. Já afastado dos principais palcos nacionais, o atleta prosseguiria a caminhada competitiva no Recreio Desportivo de Águeda. Depois de uma época na colectividade sediada no distrito de Aveiro, dar-se-ia o seu regresso ao Seixal e com o termo da temporada de 1989/90, quando já contava com 38 anos de idade, o jogador decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.

1335 - VÍTOR MADEIRA

Nascido no seio de uma família em que quatro dos seus irmãos também construíram carreira no futebol, Vítor Madeira entraria para as “escolas” do Desportivo de Beja. Depois de completar o percurso formativo na agremiação da sua terra natal, seria também no emblema do Baixo Alentejo que o avançado daria os primeiros passos nas competições seniores. Aliás, na etapa inicial da carreira, o jogador não sairia da província acima referida e o Vasco da Gama, de começo na mesma 3ª divisão e mais tarde no 2º escalão, completaria essa jornada inaugural.
Com a colectividade sediada em Sines a disputar a Zona Sul do escalão secundário de 1976/77, as exibições de Vítor Madeira, atacante que podia posicionar-se a ponta-de-lança, a extremo ou mesmo no apoio ao elemento mais avançado em campo, seriam suficientes para nele repararem equipas de outra monta. Com o Vitória Futebol Clube a perfilar-se como a melhor opção para a caminhada profissional do atleta, a sua mudança para a cidade de Setúbal dar-se-ia na temporada de 1977/78. Mesmo com a subida de patamar, a verdade é que o jogador não deixaria atemorizar-se pelo acréscimo de exigência das provas e na margem norte do Rio Sado, destacar-se-ia no plantel como um dos mais inscritos na ficha de jogo e igualmente como um dos elementos mais prolíferos no capítulo da finalização.
Tanto com Fernando Vaz, o seu primeiro treinador no Vitória, como sob a alçada dos técnicos seguintes, Vítor Madeira, tirando excepcionais ocasiões, conseguiria conservar o estatuto de mais utilizado. Durante 5 temporadas, com um curto intervalo nas férias, onde “fez uma perninha” na América do Norte ao serviço dos canadianos do First Portuguese, o avançado seria muito importante no cumprir dos objectivos colectivos dos “Sadinos”. Porém, apesar do destaque na equipa de Setúbal, o atacante, na campanha de 1982/83, decidiria mudar de camisola. No Estoril Praia a desafio de Mário Nunes, também ele com um passado competitivo ligado ao Desportivo de Beja, o aludido treinador teria também um papel significativo noutra etapa do trajecto do jogador e a sua mudança para a Ilha Madeira surgiria por convite do técnico.
Com o Marítimo a pelejar-se na 2ª divisão, o objectivo da subida cumprir-se-ia já com Vítor Madeira como parte do grupo de trabalho. Após essa época de estreia nos “Verde-rubros”, o regresso ao patamar máximo, sem deixar o Funchal, dar-se-ia na temporada de 1985/86. Ainda assim, o apelo daquele que viria a tornar-se no emblema mais representativo da sua carreira, faria com que o avançado voltasse a uma casa bem conhecida. De novo no Estádio do Bonfim, como reforço para a campanha de 1986/87, ajudaria o grupo liderado pelo inglês Malcolm Allison à promoção ao degrau maior do futebol português.
Depois de outras 4 temporadas em Setúbal e numa etapa de transição no futebol, Vítor Madeira assumir-se-ia como treinador-jogador do Vasco da Gama. Ainda em Sines daria continuidade à carreira de técnico, caminhada que já levou o antigo praticante a orientar diferentes conjuntos como o Alcochetense ou o Ferreirense.

1247 - EURICO

Eurico Caires terminaria a formação no Benfica, de onde sairia também para integrar os trabalhos orientados pelos técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Com as jovens selecções portuguesas, naquele que hoje é designado o escalão sub-18, o médio acumularia um total de 10 internacionalizações e seria convocado para disputar a fase final do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1971. No certame organizado na antiga Checoslováquia, o centrocampista tornar-se-ia numa das “estrelas” do conjunto comandado por Peres Bandeira. Já na final frente à Inglaterra, seria chamado ao “onze” inicial, mas, para infelicidade dos craques lusos, os britânicos venceriam a peleja por 3-0.
Não muito tempo após a realização do referido torneio, Eurico seria promovido à equipa principal do Benfica. Porém, nessa temporada de 1971/72, tapado no sector intermediário por atletas mais experientes, casos de Jaime Graça ou Toni, poucas seriam as oportunidades que conquistaria. Ainda assim, conseguiria ser chamado por Jimmy Hagan a disputar a Taça de Portugal e o Campeonato Nacional e esses jogos, um em cada prova, bastariam para embelezar o seu currículo com os respectivos troféus.
Seguir-se-iam na sua carreira, sem abandonar o patamar máximo, as passagens de uma época por Montijo e pelo Beira-Mar. Já no Estoril Praia, onde chegaria na temporada de 1974/75, voltaria a encontrar-se com Jimmy Hagan. No emblema da “Linha de Cascais”, tal como nas duas colectividades anteriores, Eurico assumir-se-ia como titular. Nesse sentido, logo na época de entrada no Estádio António Coimbra da Mota tornar-se-ia num dos pilares da conquista do Campeonato Nacional da 2ª divisão e no consequente regresso da equipa ao escalão maior. Durante o tempo passado com os “Canarinhos”, destaque também para as “férias” cumpridas na North American Soccer League (NASL). No “El Dorado” da década de 1970, o médio vestiria as camisolas dos Rochester Lancers e seria campeão na campanha de 1976, já como atleta dos Toronto Metros-Croatia.
A etapa seguinte da caminhada profissional, com início na temporada de 1977/78, vivê-la-ia com as cores do Belenenses. Apesar não ter sido uma fase tão consistente quanto a anterior, Eurico, nos anos passados no Restelo, manter-se-ia como um elemento preponderante. Para além da curiosidade de, mais uma vez, ter sido orientado pelo inglês Jimmy Hagan, o centrocampista acabaria igualmente por participar numa das piores páginas da história “Azul”. Com a despromoção no final da época de 1981/82, a primeira na história da “Cruz de Cristo”, também o jogador deixaria a 1ª divisão. Nos anos subsequentes, passaria por diversas colectividades a militar nos escalões secundários. Depois de representar o Almada e o União da Madeira, seria no Estrela da Amadora que, cumprida a campanha de 1984/85, daria por terminado o trajecto enquanto futebolista.

1204 - ARTUR


Incluído no conjunto principal do Sporting de Braga, numa altura em que a equipa militava na 2ª divisão, o primeiro grande feito vivido pelo jovem defesa seria a subida de patamar. Depois da estreia sénior de Artur na temporada de 1973/74, a referida promoção aconteceria cumpridas duas campanhas. Por essa altura, ainda sem ser um dos titulares da equipa, já a sua presença em campo começava a ser notada. No entanto, não tardaria muito até que o lateral-direito conseguisse cimentar-se como um dos esteios nas acções tácticas do combinado minhoto e a época de 1976/77 acabaria por sublinhar essa aludida importância.
Paralelamente à progressiva afirmação no “onze” do Sporting de Braga, Artur também adicionaria à sua experiência competitiva outros episódios marcantes. Logo na temporada de 1976/77, faria parte do grupo que venceria aquela que é a única edição da Taça da Federação Portuguesa de Futebol. Ainda nessa campanha, chamado ao alinhamento inicial pelo treinador Mário Lino, participaria na final da Taça de Portugal. Já na época seguinte, resultado do 4º posto alcançado no Campeonato Nacional do ano anterior, entraria em campo nas quatro partidas disputadas pelo clube na Taça UEFA.
Daí em diante, Artur passaria a ser visto como um dos nomes incontornáveis nas concepções tácticas do sector defensivo dos “Arsenalistas”. Ao tornar-se num dos indiscutíveis desses desenhos colectivos, também os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol começariam a olhar para si como um elemento válido para integrar os trabalhos das equipas nacionais. A estreia com a “camisola das quinas” aconteceria pelo conjunto “B”, numa partida frente à Áustria, em Novembro de 1978. Nem um ano passado sobre esse jogo, o defesa acabaria mesmo convocado para a equipa principal. Num “particular” jogado frente à Espanha em Setembro de 1979, o treinador Mário Wilson faria entrar em campo o lateral-direito e, com essa participação, daria ao atleta a primeira internacionalização “A”.
Voltando aos capítulos vividos com as cores do Sporting de Braga, a lógica de uma titularidade assegurada por boas exibições, mantê-lo-ia como um pilar da equipa. Mais uma vez surgiriam na caminhada do jogador momentos inolvidáveis. Mesmo sem vitórias a abrilhantarem esses episódios, seria injusto não referir certos instantes como marcantes. Dois deles aconteceriam depois da entrada na década de 80. O primeiro viria com outra participação, mais uma vez como titular, no derradeiro jogo da edição de 1981/82 da Taça de Portugal. Na sequência dessa presença no Estádio do Jamor, outra final e, dessa feita, a disputa da Supertaça de 1982/83.
As 14 temporadas ao serviço da equipa sénior dos “Guerreiros”, como é fácil de deduzir, torná-lo-iam numa figura icónica na história do emblema minhoto. Contudo, e numa altura em que já começava a perder alguma preponderância no alinhamento táctico, o fim da ligação entre o clube e o atleta conheceria o seu fim. Pelo Sporting de Espinho, a disputar a 1ª divisão, faria mais uma época e cumprida essa campanha de 1987/88, Artur decidir-se-ia pelo fim do seu trajecto enquanto futebolista. Todavia, o antigo defesa manter-se-ia ligado à modalidade. Com uma longa e respeitável carreira como treinador, tem exercido essas funções nos escalões secundários. Entre o comando de várias equipas seniores, destaque também para a sua passagem pelos escalões de formação do Sporting de Braga.

1191 - VALTER

Descoberto por responsáveis do Sporting Clube de Portugal, ao integrar as camadas de formação do emblema leonino, depressa seria reconhecido no guarda-redes capacidades para alimentar um futuro promissor. Nesse sentido, as chamadas às jovens selecções portuguesas serviriam para confirmar tudo aquilo que dele era esperado. Com a “camisola das quinas” conseguiria várias internacionalizações nos escalões actualmente denominados como sub-18 e sub-21 e faria parte do grupo de atletas que, em 1974, disputaria a fase final do Torneio Internacional de Juniores da UEFA.
Seria na época seguinte à do certame ainda agora aludido que Valter acabaria chamado a integrar o plantel principal dos “Verde e Brancos”. No entanto, a tomar conta da baliza do Sporting estava um senhor que dava pelo nome de Vítor Damas. A presença do craque, como é de fácil dedução, inviabilizaria a presença em campo de qualquer disputante. A falta de jogos durante a campanha de 1974/75, levaria o guardião a deixar Alvalade para, com o intuito de ganhar experiência, abraçar um “empréstimo” ao Sporting de Braga. Ainda assim, e tendo em conta as diversas partidas disputadas pelos “Arsenalistas”, o regresso do jogador a Lisboa pouco mais traria ao seu currículo do que presenças no banco de suplentes. Mesmo ao conseguir conservar um lugar no plantel dos “Leões” desde 1976/77 até a campanha de 1978/79, a verdade é que o guarda-redes não teria a habilidade para conquistar mais oportunidades e a sua ligação ao clube terminaria com a transferência para o Portimonense.
Sem nunca abandonar a 1ª divisão, a mudança para o Algarve revelaria um praticante que, apesar da forte concorrência enfrentada em anos anteriores, talvez tivesse merecido mais algumas chances. Daí em diante, pelas qualidades demonstradas a cada desafio superado, Valter sublinhar-se-ia como um jogador granjeador dos palcos maiores do futebol português. Esse estatuto ficaria ainda mais visível, com a aquisição do seu “passe” pelo Sporting de Braga. Um ano após a chegada ao Portimonense, o emblema minhoto, por ventura acicatado pela memória da sua entrega, decidir-se-ia pelo retorno do guardião ao seio do plantel. De volta ao Norte do país a partir da campanha de 1980/81, o jogador, como um dos pilares da equipa, aproveitaria os anos passados com os “Guerreiros” para ajudar o conjunto a alcançar objectivos bem lisonjeiros. O primeiro desses episódios, apesar da derrota frente ao Sporting, chegaria com a presença na final da Taça de Portugal de 1981/82. Já na época imediata, surgiria a participação na Taça dos Vencedores das Taças e, mais uma vez com os “Leões” a levar a melhor, viria com a disputa da Supertaça Cândido de Oliveira.
As 5 temporadas na “Cidade dos Arcebispos” precederiam a sua contratação pelo Estrela da Amadora. No emblema da “Linha de Sintra” desde 1985/86, ainda que afastado do papel preponderante vivido no Minho, Valter faria parte dos conjuntos que escreveriam alguns dos mais importantes capítulos da história do emblema “tricolor”. Depois de, em 1988/89, ter participado na estreia do clube na 1ª divisão, a campanha seguinte traria ao seu percurso outro momento inolvidável. Mesmo sem ter entrado em campo, a sua presença, em algumas eliminatórias, no banco de suplentes, inscrevê-lo-ia no rol de atletas que participariam na caminhada até à vitória na Taça de Portugal de 1989/90.
Os últimos anos da sua carreira enquanto futebolista, já afastado dos grandes palcos, levá-lo-iam a representar Amora, Fanhões e Oriental. Aliás, seria no histórico emblema lisboeta que Valter Onofre abraçaria outro papel no desporto. Como treinador de guarda-redes, tem feito da sua experiência uma ferramenta muito útil para orientar novos atletas. Com uma extensa carreira nas referidas funções, passaria também pelas equipas técnicas de Estrela da Amadora, Trofense, Olhanense, Casa Pia, Torreense e, já nesta época de 2021/22, aceitaria o convite endereçado pelo Lusitânia de Lourosa.

1156 - TAÍ

Com passagens pelos seniores do Amarante e também pela Académica de Coimbra, seria com as cores do Boavista que, na primeira metade da década de 70, o jovem atleta começaria a destacar-se. Ainda que com algumas épocas de cariz exibicional intermitente, aos poucos o defesa-esquerdo começaria a assumir-se como um dos elementos mais importantes do plantel “axadrezado”. Já com José Maria Pedroto aos comandos das “Panteras”, a campanha de 1974/75 traria ao seu trilho competitivo um dos grandes marcos do mesmo. Ao defrontar o Benfica no Estádio Nacional, Taí, escalonado como titular, ajudaria o emblema portuense a vencer a Taça de Portuga e a trazer ao seu próprio palmarés o primeiro grande troféu.
A época seguinte à da referida vitória no Jamor, premiaria o jogador com uma nova conquista na apelidada “Prova Rainha”. Porém, para além de vencer o troféu, essa temporada de 1975/76 ficaria gravada como a da estreia de Taí na principal selecção portuguesa. Com as cores nacionais, chamado pelo seu conhecido José Maria Pedroto, o 19 de Novembro de 1975 ficaria marcado como a data da sua primeira internacionalização “A”. O empate 1-1 frente a Inglaterra registaria o começo de uma caminhada que, em outras 3 ocasiões, daria a oportunidade ao atleta de voltar a envergar a “camisola das quinas”.
O passo seguinte da carreira do lateral canhoto, mais uma vez, ficaria ligado a Pedroto. Com a transferência do treinador do Boavista para o FC Porto em 1976/77, Taí, lado-a-lado com o centrocampista Celso, acompanharia o técnico na mudança de emblema. Depois de uma primeira temporada em que o jogador, ao ocupar posição também no miolo do terreno, conseguiria manter-se como um dos nomes habituais no “onze”, o ano seguinte faria emergir um cenário bem diferente. Poucas vezes chamado às disputas dos “Azuis e Brancos”, o final da época levá-lo-ia a procurar outro rumo. Ficariam, como ponto maior dessa passagem pelo Estádio das Antas, o Campeonato Nacional ganho em 1977/78 e as duas presenças na final da Taça de Portugal, com vitória na primeira dessas duas edições.
Retornaria ao Boavista para uma viagem estendida ao longo de mais 4 épocas. Nesse trajecto, logo na etapa inicial, Taí voltaria a marcar comparência no derradeiro jogo da Taça de Portugal, transformando-se, até aos dias de hoje, no único atleta que, na história do futebol português, conseguiu disputar 5 finais consecutivas. Ajudaria as “Panteras” a vencer essa peleja frente ao Sporting e à conquista da Supertaça de 1979/80. Terminaria a ligação aos “Axadrezados” no final de 1981/82 e regressaria ao Amarante. No clube da terra natal e onde também tinha trilhado o seu percurso formativo, daria por terminado um longo percurso como futebolista. Sem sair da referida colectividade, ainda tentaria as tarefas de treinador, mas acabaria por abandonar a modalidade.
Licenciado em Ciências do Desporto, enveredaria pelo ensino de Educação Física. Recentemente, abraçaria um projecto como Presidente do Centro Cultural de Amarante, no qual desenvolveu um programa alicerçado na música e de apoio a crianças com dificuldades de aprendizagem.