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1787 - GIJO

Tendo encetado a caminhada profissional no plantel de 1966 da Juventus de São Paulo, Denis D’Ugo, popularizado no mundo do futebol pela alcunha Gijo, teria um início de carreira caracterizado por uma enorme errância. Nesse sentido, depois da agremiação já referida, o jovem extremo, no decorrer da campanha de 1966/67, experimentaria a França e o modesto USBCO. De seguida, depois de, possivelmente ou não, ter passado pelo Saab de 1967 e numa etapa de carreira um pouco mais estável, surgiria o grupo de trabalho, igualmente de 1967, do Bangu. No colectivo “carioca” viria a manter-se até à mudança, na época de 1969, para o Galícia Sport Clube. Ainda no mesmo ano acabaria por rubricar outra ligação, de alguma forma, mais permanente. A actuar pelo Bahia desde essa altura, já em 1971 ajudaria a vencer o Campeonato Estadual. No entanto, uma nova transferência levá-lo-ia a envergar, naquela que viria a tornar-se na 8ª agremiação do seu trajecto, as cores do Sport e já em 1972/73 seria a vez de aterrar em Portugal.
Com a entrada no Montijo, Gijo passaria a ser orientado por Dante Bianchi, treinador brasileiro com uma forte ligação ao Sport Recife. Com o emblema da Margem Sul inserido nas pelejas da 1ª divisão, o extremo depressa conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras do plantel aldegalense. Com o jogador a quedar como um dos titulares na temporada de chegada e igualmente na seguinte, a permanência conseguida na época de 1972/73 não seria copiada na campanha subsequente. Tal desaire colectivo levaria a que o atacante experimentasse, durante um par de anos, as contendas agendadas para a Zona Sul do 2º escalão. Cumprido esse período, a sua preponderância no desenho táctico do clube manter-se-ia na nova subida de patamar e já de regresso ao convívio com os “grandes”, o atacante voltaria a brilhar como um dos melhores intérpretes a equipar de amarelo e verde.
Com nova descida a ocorrer no termo das provas agendadas para 1976/77, Gijo, ao completar 72 partidas feitas no degrau maior do Campeonato Nacional, tornar-se-ia no 2º atleta com mais jogos feitos pelo Montijo no cenário primodivisionário. Posteriormente, sem que tenha encontrado qualquer fonte a confirmar-me a sua presença em Portugal, apareceriam os registos da passagem do atleta pela Canadian National Soccer League. Com a primeira dessas referências a dar-nos conta da sua inclusão no plantel de 1977 do First Portuguese, também no decorrer dessa mesma temporada foi possível encontrar cadastros da sua participação em favor dos Toronto Croatia. Ainda no Canadá, já na época de 1978, o extremo haveria igualmente de envergar as divisas dos Toronto Panhellenic. Faltou-me confirmar em que ano terá o avançado representado os Toronto Italia, mas a alusão a esse facto na página oficial do futebolista no Facebook*, leva-me a acreditar na veracidade dessa experiência.
Ao retornar às provas lusas, a época de 1979/80 levaria Gijo de volta ao Montijo. Mais uma campanha feita com as cores do emblema da Margem Sul, faria do clube aldegalense o mais representativo da carreira do atacante. Já em 1980/81, o extremo apresentar-se-ia, durante um ano apenas, como reforço do FC Barreirense. Por fim, surgiria o Sesimbra e o hipotético final de carreira com o fecho da campanha de 1982/83.

*Fontes a darem-nos alguns passos da carreira de Gijo:

https://sumulastche.wordpress.com/2016/05/12/quem-e-quem-galicia-ba/
https://thecnsl.com/1977-2/
https://thecnsl.com/1978-2/
https://www.facebook.com/denis.dugo.3/

1245 - RUI LOPES

Descoberto pelo Benfica no Águias de Campo de Ourique, seria já no emblema da “Luz” que Rui Lopes terminaria a sua formação. Contudo, a promoção ao escalão sénior não seria muito proveitosa para o jovem praticante. Tapado por Nené, Eusébio, Artur Jorge ou Jordão, as únicas oportunidades conseguidas durante a temporada de 1973/74, seriam na equipa de “reservas”.
A falta de espaço no conjunto principal “encarnado”, levaria o atleta a deixar Lisboa para, bem a Sul, passar a envergar as cores do Olhanense. No Algarve, orientado pelo treinador Manuel de Oliveira e a partilhar o balneário com Jorge Jesus, Rui Lopes daria os passos inicias na 1ª divisão. Muito mais do que a estreia no escalão máximo, o avançado conseguiria destacar-se com um dos mais utilizados da equipa. Tão boas seriam as suas exibições que, logo no arranque da campanha de 1974/75, seria convocado para os trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Ele que já contava com uma internacionalização pelos juniores (sub-18), seria chamado às esperanças (sub-21) para, a 19 de Novembro de 1974, defrontar a Inglaterra.
A regularidade conseguida ao serviço do Olhanense, mesmo com a descida de divisão do colectivo “rubronegro”, valeria ao jogador a transferência para outro emblema primodivisionário. No Vitória Sport Clube a partir da campanha de 1975/76, o atacante faria parte do prolífero tridente ofensivo, composto igualmente por Tito e Pedrinho. Muito para além do 6º posto conseguido no final do Campeonato Nacional, a época da chegada de Rui Lopes à “Cidade Berço” ficaria marcada pela participação do conjunto minhoto na final da Taça de Portugal. Depois de, com um golo, ter ajudado a eliminar o FC Porto nos quartos-de-final, também na derradeira peleja da prova voltaria a marcar. No entanto, o remate certeiro contra o Boavista seria insuficiente para derrotar os “Axadrezados” e o troféu seguiria em direcção aos escaparates do Bessa.
Depois de uma primeira época auspiciosa, uma grave lesão iria atrasar o crescimento do avançado. Com uma recuperação longa, a segunda campanha em Guimarães traria poucos jogos ao seu percurso. Ainda assim, tido como um atleta veloz, perspicaz, bom nas bolas paradas, capaz de marcar golos e de assistir os seus colegas, Rui Lopes continuaria a ser aferido como um intérprete multifacetado e com habilidade para actuar mais descaído para um dos lados, nas costas do ponta-de-lança ou no centro do ataque. Tendo isso em mente, o Benfica apostaria na sua contratação. Com a entrada na “Luz” a dar-se em 1977/78, o avançado voltaria a deparar-se com uma feroz concorrência e, mais uma vez, não teria muitas oportunidades para demonstrar as suas qualidades. Ainda assim, nas 2 temporadas passadas de “encarnado” conseguiria alinhar em algumas partidas, destacando-se a participação frente ao Liverpool na Taça dos Clubes Campeões Europeus ou na edição de 1978/79 da Taça UEFA.
A falta de utilização nas “Águias” levá-lo-ia a aceitar novo convite de Manuel de Oliveira, dessa feita para envergar as cores do Marítimo. Com uma utilização algo irregular, ainda assim, os 2 anos passados no Funchal mantê-lo-iam como um atleta de cariz primodivisionário. Esse estatuto serviria para alimentar a titularidade na mudança para o Penafiel e, volvida uma campanha, para selar, em Setúbal, mais um encontro com o treinador referido no começo do parágrafo. Com 2 temporadas de Vitória Futebol Clube e outra a jogar no Farense, Rui Lopes somaria 12 campanhas consecutivas sem nunca abandonar a 1ª divisão. Seguir-se-iam, já nos escalões inferiores, as passagens pelo Estrela da Amadora, Sacavenense, Beneditense e, como atleta de pavilhão, pelo Recordação D’Apolo.
Depois de terminada a carreira como jogador em 1992, seria nesse mesmo ano que Rui Lopes encetaria as actividades enquanto treinador. Ao fazer parte das equipas técnicas de Jorge Jesus, seu colega de balneário no Olhanense, Vitória de Setúbal e Estrela da Amadora, o antigo avançado passaria muitos anos como adjunto. Numa longa caminhada, destaque ainda para as suas incursões pelo Médio Oriente, integrado no “staff” de José Garrido.

1178 - JACINTO

Elemento das camadas de formação das “Águias”, Jacinto seria chamado aos trabalhos das jovens selecções portuguesas. Como atleta das “escolas” do Benfica, conseguiria 7 internacionalizações pelos sub-18 lusos. Acabaria chamado a participar na edição de 1969 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA, mas, apesar das expectativas criadas em seu redor, alicerçadas pela carreira feita com a “camisola das quinas”, a transição para o patamar sénior afastaria o defesa da equipa principal “encarnada”. Portimonense, na temporada de 1969/70, seguido da transferência para o Marinhense, marcariam, desse modo, os seus primeiros anos como profissional.
Mesmo sendo algo normal a falta de chances dadas aos jogadores vindos dos juniores, o longo período passado longe do patamar principal tornar-se-ia num elemento surpresa. Seria já na época de 1976/77 que o jogador, finalmente, teria a oportunidade de estrear-se na 1ª divisão. Contratado pelo Leixões ao conjunto sediado na Marinha Grande, o lateral, com o largo traquejo ganho nos anos passados no escalão secundário, acabaria por não estranhar o salto competitivo e conseguiria agarrar-se a um lugar no sector mais recuado dos matosinhenses. Porém, e apesar de uma campanha, em temos individuais, aferida como positiva, a descida do conjunto do Estádio do Mar, levá-lo-ia, por atacado, de volta aos patamares inferiores. Curiosamente, a experiência seguinte, com o Famalicão, edificar-se-ia praticamente do mesmo modo. Entraria para o conjunto minhoto em 1978/79, para disputar o degrau máximo do futebol nacional. Alcançaria a titularidade e realizaria uma campanha mais do que agradável. Porém, no final da temporada, a despromoção da equipa não levaria o atleta de regresso a andanças antigas, mas ao FC Porto.
Nas Antas, sob a alçada do treinador José Maria Pedroto, Jacinto apenas disputaria a Supertaça. Sem grande espaço na equipa “azul e branca”, no decorrer da temporada de 1979/80, o defesa voltaria ao Famalicão e ao 2º patamar. Já em termos do Campeonato Nacional da 1ª divisão, seria a passagem pelo Sporting de Espinho a permitir ao atleta, em termos consecutivos, o mais longo período a disputar a competição portuguesa de maior monta. Vestiria a camisola dos “Tigres” a partir de 1980/81 e, por 2 anos sucessivos, tal como já tinha conseguido anteriormente, asseguraria diversas presenças no “onze” inicial.
O que restaria da sua carreira desportiva, acabaria por ser trilhada longe dos “palcos” principais. Com o regresso ao Leixões em 1982, Jacinto iniciaria nova caminhada pelas divisões inferiores. Nessa senda, envergaria as camisolas de Académico de Viseu, Tirsense, Infesta e, já nos “regionais” da Associação de Futebol do Porto, a do Atlético Bougadense.

1159 - CARLOS CARDOSO

Produto das “escolas” sadinas, Carlos Cardoso, na temporada de 1964/65, seria chamado à equipa principal pelo treinador Fernando Vaz. Analisado pelo “olho clínico” do técnico, o promissor atleta seria, do miolo do terreno, recuado para o sector mais recuado. Logo na campanha de estreia como sénior, revelando o acréscimo de valor dado à equipa, ajudaria o Vitória Futebol Clube a vencer a Taça de Portugal. Frente ao Benfica, num jogo disputado no Estádio Nacional do Jamor, o jovem defesa-central entraria em campo como titular e, a favor do listado “verde e branco” do conjunto setubalense, contribuiria para o 3-1 final.
Carlos Cardoso viveria no emblema da terra natal, aqueles que seriam os melhores anos do conjunto sediado na margem norte do Rio Sado. Com isso, outros títulos emergiriam das pelejas disputadas no Bonfim e noutros palcos. Para além do acima referido, o atleta faria parte dos grupos que venceriam a Taça de Portugal de 1966/67 e as edições de 1968/69 e 1969/70 da Taça Ribeiro dos Reis. Ainda assim, outros momentos haveriam de aferir a glória da sua carreira. Com os setubalenses a lutar pelos lugares cimeiros das provas nacionais, como seria prova o 2º lugar conseguido na época de 1971/72, também as competições internacionais entrariam para o currículo do jogador – “Dos 70 jogos europeus do Vitória, participei em 57. Joguei com Elfsborg, Banik Ostrava, Liverpool,Tottenham, Zaglebie, Juventus, Leeds, Lyon, Fiorentina, Newcastle, Racing White, Hertha Berlim, Lausana, Hadjuk e Anderlecht entre Taça das Taças, Taça UEFA e Taça Intertoto(…)”*.
Com um percurso brilhante, Carlos Cardoso acabaria chamado aos trabalhos das equipas sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol. Convocado primeiro à formação de “Esperanças”, sensivelmente dois meses depois conseguiria estrear-se pelo conjunto principal. A 10 de Dezembro de 1969, o defesa adicionaria à sua caminhada profissional 1 internacionalização “A”. Nesse “particular” frente a Inglaterra, o atleta entraria em campo pela mão de José Maria Antunes e, apesar de titular no Estádio de Wembley, não seria capaz de evitar a derrota do seleccionado luso, por 1-0.
Mas não só como praticante seria construída a sua ligação ao futebol. Também no papel de treinador, o antigo defesa cimentaria o elo à modalidade. Ainda que longe do sucesso conseguido dentro do campo, Carlos Cardoso haveria de ter vários momentos dignos de excelsas avaliações. Depois de, com o término da temporada de 1976/77, pôr um ponto final no trajecto de futebolista, as tarefas de técnico seriam assumidas em exclusivo. Porém, ao invés da caminhada até aí feita, os passos dados levá-lo-iam a puxar para si as responsabilidades competitivas de outros emblemas. Mesmo tendo começado no Bonfim, para além da insígnia do Vitória de Setúbal, Barreirense, Nacional da Madeira, “O Elvas”, União da Madeira, Benfica de Castelo Branco e Juventude de Évora também seriam orientados pela sua pessoa.
E se em Elvas levaria os de “azul e oiro” à 1ª divisão de 1986/87, seria no regresso ao conjunto sénior do Vitória Futebol Clube que, a partir da segunda metade da década de 90, agarraria a maior parte das experiências primodivisionárias. Tantas vezes visto como um “pronto-socorro”, por razão das diversas “promoções” de adjunto ao posto cimeiro de comando, Carlos Cardoso, em várias ocasiões, afugentaria do clube os desaires competitivos. Pelo meio, a época de 1998/99 transformar-se-ia na única em que, de princípio ao fim, assumiria como treinador-principal. No final da referida campanha, os “Sadinos” atingiriam o 5º lugar da tabela classificativa e voltariam às provas organizadas pela UEFA.

*retirado da entrevista conduzida por Rui Miguel Tovar, publicada em https://tovarfc.pt, a 08/06/2020