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1126 - ROLDÃO

Descoberto ainda em idade de formação, Roldão seria contratado pelo Gama, onde entraria directamente para a equipa principal. Apesar de actuar preferencialmente pelas alas do ataque, a sua habilidade permitir-lhe-ia também jogar em posições mais centrais. Ao destacar-se como um atleta veloz, com um forte remate, boa capacidade para assistir os colegas e dono de um bom instinto finalizador, o avançado rapidamente conseguiria assumir-se como um elemento importante no conjunto sediado no Distrito Federal.
Logo nas 2 primeiras temporadas como sénior, ao sagrar-se melhor marcador das edições de 1977 e 1978, ajudaria à dupla vitória do seu clube no Torneio Incentivo Brasiliense. Sempre a pautar-se como um dos melhores jogadores do plantel, em 1979 viria a conquista, a primeira na história do Gama, do Campeonato Brasiliense. Seguir-se-ia a estreia na Serie A do “Brasileirão” e, com a glória inerente a tantos feitos, a chamada, em 1980, à selecção do Distrito Federal.
Curiosamente, e com o seu crescimento a cimentá-lo como um intérprete de capacidades bem acima da média, o ano de 1981 representaria uma mudança de paradigma para o atacante. Ao jogar muito menos do que o normal, o seu lugar começou a ser posto em causa. Com uma ligação ao clube de 5 anos, interrompida apenas por pequenos empréstimos ao Goiás e Guarani, a separação, ao ser assumida por ambas as partes, transferi-lo-ia para o Atlético Paranaense. No entanto, a mudança de emblema acabaria por empurrar o atleta para episódios também pouco positivos. Depois de ter sido assolado por diversas lesões, uma acesa contenda com a direcção faria com que o avançado exigisse a saída e, menos de 1 ano após a sua chegada, já Roldão envergava outra camisola.
Anapolina, Grêmio Maringá, Colorado e Taguatinga completariam o trajecto que precederia a sua viagem para Portugal. No Vitória de Guimarães a partir de Dezembro de 1985, Roldão transformar-se-ia num dos indiscutíveis do “onze” inicial. A passagem de vários treinadores pelo comando técnico dos minhotos, em nada alteraria o seu estatuto no plantel. Na posição de extremo, o jogador seria determinante para os sucessos colectivos. Sob a alçada de Marinho Peres, auxiliaria os companheiros a levar o clube aos quartos-de-final da edição de 1986/87 da Taça UEFA e, ainda na mesma temporada, ao 3º posto no Campeonato Nacional.
Já o regresso à “Cidade Berço” em 1988, após uma enigmática passagem pela 2ª divisão e pelo Nacional da Madeira, daria ao palmarés do atleta um dos mais importantes troféus da sua carreira. Ao participar em ambas as mãos, o embate frente ao FC Porto entregaria aos escaparates vimaranenses a Supertaça Cândido de Oliveira de 1988/89.
Depois de mais 2 campanhas no Minho, a mudança para o Penafiel ainda manteria o atacante na 1ª divisão. Contudo, a sua carreira estava perto do fim e a transferência para o Moreirense em 1991/92, à altura a militar na 2ª divisão B, precipitaria o regresso de Roldão ao Brasil.

1121 - MARIANO

Após ter conseguido, na temporada de 1973/74, estrear-se pelos seniores do Sporting da Praia, com o avançar do processo da independência de Cabo Verde, Mariano decidiria deixar a terra natal e viajar para Portugal. Conta-se que ainda em Lisboa, a praticar futebol numa equipa amadora e composta por atletas da sua pátria, o defesa-central acabaria descoberto pelo Salgueiros. Mesmo ao não conseguir confirmar a veracidade de tal capítulo, o certo é que a época de 1976/77 tornar-se-ia na primeira campanha feita pelo jogador com as cores do emblema portuense.
Seria no conjunto sediado no bairro de Paranhos, que Mariano cumpriria a grande parte da carreira. Tendo, na primeira meia dúzia de anos, vogado pelos escalões secundários do futebol português, o regresso do Salgueiros ao patamar máximo, faria com que o atleta conseguisse destacar-se dos demais companheiros de equipa. Dono de um porte físico invejável, a maneira intrépida como abordava as disputas de campo assegurar-lhe-ia um lugar indiscutível no “onze” inicial. O seu estatuto de titular e as boas exibições conseguidas na temporada de 1982/83, levariam os responsáveis do FC Porto a vê-lo como um bom reforço para o sector defensivo. No entanto, à chegada às Antas encontraria grandes dificuldades para conseguir impor-se nos “Azuis e Brancos”. Com Eurico e Lima Pereira a assumirem-se como os preferidos dos treinadores, as oportunidades conseguidas sob a alçada de José Maria Pedroto, António Morais e, finalmente, com Artur Jorge seriam escassas.
Dos 2 anos de passagem de Mariano pelo FC Porto, ainda assim, ficaria para o seu currículo a vitória no Campeonato Nacional de 1984/85. Por outro lado, a sua experiência com os “Dragões” acabaria manchada por um episódio muito badalado e que passaria pela descoberta de estupefacientes e pelo consequente envolvimento do atleta no caso. Já de volta ao Salgueiros e sem deixar a 1ª divisão, o defesa daria continuidade ao seu percurso profissional. Com mais 2 anos de alto nível no Estádio Vidal Pinheiro, nem a época de 1986/87, menos conseguida em termos colectivos, afastaria o jogador do convívio com os “grandes”. Seguir-se-ia, numa fase descendente da carreira, a passagem pelo Farense. Com a temporada vivida no Algarve, Mariano concluiria o seu ciclo primodivisionário de 6 campanhas consecutivas. Depois, vestiria ainda as camisolas de Gil Vicente e Ovarense para, em 1990, dar por terminada a caminhada enquanto futebolista.
Após regressar ao seu país natal, Mariano passaria pelo comando técnico do Vitória Futebol Clube da Praia e, num regresso a uma casa bem conhecida, pelo Sporting da Praia. Já a residir nos Estados Unidos da América, o antigo internacional cabo-verdiano manter-se-ia ligado à modalidade e a algumas equipas de veteranos.