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1808 - MARQUES


Após terminar o percurso formativo com as cores do Benfica, José Marques regressaria ao emblema onde tinha sido juvenil para encetar a caminhada enquanto sénior. De volta ao Varzim na temporada de 1967/68, o médio, a trabalhar sob a alçada do argentino Ricardo Perez, muito mais do que fazer a estreia na 1ª divisão, assumir-se-ia como um dos titulares da equipa. No entanto, com a chegada de Monteiro da Costa, aos comandos dos “Lobos-do-Mar”, na campanha seguinte, o médio-centro, que também sabia posicionar-se à esquerda do sector intermediário, perderia algum do protagonismo alcançado. Aliás, as 4 primeiras épocas do jogador a envergar o listado alvi-negro ficariam caracterizadas por alguma alternância, com anos em que saberia arcar com um lugar no “onze” para, logo a seguir, quedar-se apenas como um dos suplentes do conjunto nortenho.
Com despromoção do Varzim no termo da campanha de 1970/71, Marques, depois de arrecadar para o currículo 4 temporadas entre os “grandes”, viveria idêntico período afastado do convívio com a elite do futebol luso. Tal deserto competitivo findaria após ajudar os “Lobos-do-Mar” a voltar à 1ª divisão. Curiosamente, o aludido regresso dar-se-ia com o atleta a exibir-se noutras cores. A mudança de divisas, a constituir-se como uma excepção àquilo que vinha e viria a ser a sua carreira clubística, levá-lo-ia ao plantel de 1975/76 do Sporting de Braga. Nos “Guerreiros” granjearia do mesmo destaque que até aí vinha a merecer. No entanto, a sua decisão, um ano cumprido sobre a sua chegada ao Minho, seria a de não só partir novamente, como a de retornar aos quadros do Varzim. 
Mais uma vez ao serviço da colectividade poveira, agora com António Teixeira ao leme, Marques somaria ao percurso outras duas campanhas de índole primodivisionário. Ainda assim, e tendo em conta os bons índices pessoais revelados no decorrer de 1977/78, o mesmo resultado haveria de ser impossível de frisar na temporada seguinte. Nesse sentido, após participar na mítica campanha de 1978/79, em que o Varzim concluiria o Campeonato Nacional na 5ª posição, mas com as suas presenças em campo a diminuírem drasticamente, o médio acabaria por procurar a sorte noutras paragens. Tal decisão, para além de levá-lo ao Ribeirão de 1979/80, faria com que o seu trajecto desportivo, depois de um somatório de 7 anos no patamar maior, ingressasse, em definitivo, nas sendas dos degraus inferiores.
Ao entrar nos derradeiros capítulos da caminhada como futebolista, com constantes mudanças de emblema a exprimir essa fase, Marques, posteriormente à última agremiação mencionada no parágrafo anterior, ainda vestiria as camisolas de mais algumas colectividades. Assim, ao Salgueiros seguir-se-iam o Neves, o Arcozelo, o Fão, o Gandra e o “pendurar das chuteiras” no fecho das provas planeadas para 1986/87.

1793 - VIEIRA

António Manuel Martins Vieira teria no Nacional da Madeira o emblema onde viria a concluir o percurso formativo. Sem deixar o listado dos “Alvi-negros”, o médio, com o cunho de Carlos Cardoso e numa altura em que ainda era júnior, acabaria também por fazer a estreia na equipa principal. Ainda nessa temporada de 1981/82, a actuar na 2ª divisão, o destaque alcançado com as suas exibições levá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos dos jovens grupos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado na agenda dos sub-18, o jogador, a 8 de Dezembro de 1981, acabaria, num rol a incluir nomes como Jaime, Venâncio ou Morato, a ser escolhido, por José Augusto, para um jogo de preparação. Depois dessa partida frente à Espanha, seguir-se-iam outras e no final do trajecto internacional, sem sair do escalão já indicado, o atleta somaria um total de 9 presenças feitas por Portugal. 
No que diz respeito à caminhada clubística, como destapado no parágrafo anterior, o Nacional da Madeira haveria de desempenhar um papel fulcral na carreira do médio. Importante não só pela estreia como sénior, mas igualmente pela extensão do laço entre o atleta e a divisa nascida na cidade do Funchal, tal ligação não terminaria, mesmo tendo em conta o estatuto internacional de Vieira, com o emblema insular a manter-se pelo patamar secundário. Fiel às refregas do clube, o centrocampista estenderia a sua caminhada com as cores nacionalistas bem para além de atingir a maturidade enquanto praticante profissional. Tal fidelidade traria os seus frutos e com a colectividade a fazer a estreia entre os “grandes” do futebol português, o atleta, na campanha de 1988/89, teria igualmente a oportunidade de experimentar a 1ª divisão.
Com Paulo Autuori, na última época aludia, à frente do Nacional da Madeira, Vieira, ao lado do capitão Ladeira, de Heitor, de Cristiano ou de Paulo Sérgio, constituir-se-ia como um dos esteios das projecções técnicas, para o sector intermediário, idealizadas pelo treinador brasileiro. Tal preferência faria com que o médio, no espraiar dessa temporada de 1988/89, conseguisse acumular um número considerável de presenças em campo. No par de campanhas seguintes, com algumas excepções pelo meio, conservaria o estatuto de titular. Todavia, contrariamente ao idealizado pela colectividade madeirense, a época de 1990/91 não terminaria com o sucesso desejado. Com o emblema insular a claudicar na luta pela manutenção, o último lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional significaria, para o jogador e para os seus colegas, a queda na divisão de Honra. Ainda assim, a fidelidade do centrocampista manter-se-ia inabalável e a ligação entre o futebolista e a divisa do Funchal continuaria até ao termo dos desafios planeados para 1993/94.
Já a abraçar a veterania, Vieira seria apresentado como reforço do plantel de 1994/95 do Machico. No emblema fundado no lado nascente da ilha da Madeira, o médio, sem mais regressar aos principais patamares competitivos, viria a manter-se durante 3 campanhas.
Tendo, em 1996/97, “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta ainda voltaria a unir-se à modalidade. Ao abraçar as tarefas de treinador, a ligação ao Camacha em 2004/05 transformar-se-ia num passo essencial para o seu futuro profissional. Nesse sentido, depois de ainda liderar o Machico e de ter regressado ao Nacional para orientar as camadas jovens, um novo convite de Leonardo Jardim, o técnico-principal durante a sua experiência na agremiação das serranias madeirenses, levá-lo-ia a aceitar ser um dos seus adjuntos. O aludido vínculo, a manter-se até aos dias de hoje, empurrá-lo-ia para as mais diferentes paragens e o Desportivo de Chaves, o Beira-Mar, o Sporting de Braga, o Sporting e, no estrangeiro, o Olympiacos, o AS Monaco, os sauditas do Al-Hilal, os cataris do Al-Rayyan, os emiradenses do Al Ahli e do Al Ain e ainda os brasileiros do Cruzeiro e do Flamengo fazem já parte do seu currículo.

1785 - AMADEU

Após cumprir a totalidade do percurso formativo no Amora, seria também na Medideira que João Amadeu Tavares Correia daria o salto para o universo sénior. Chamado à equipa principal por José Moniz, a temporada de 1980/81, numa altura em que ainda era júnior, serviria de arranque para a sua caminhada enquanto profissional.
Com entrada directa na 1ª divisão, numa campanha em que o emblema da Margem Sul também fazia a sua estreia entre os “grandes”, o jovem atacante, como resultado das qualidades apresentadas, depressa conseguiria conquistar algum espaço no plantel principal do Amora. Essa afirmação, mesmo não atingindo a titularidade, começaria a cimentar-se logo na temporada seguinte à referida no começo deste texto. O apogeu dessa sua campanha de 1981/82 emergiria com o golo marcado ao Benfica e que daria a vitória frente às “Águias”. Porém, a evolução do extremo haveria de abrandar abruptamente e o avançado, de forma um pouco surpreendente, pouco vezes apareceria em campo no espraiar da época de 1982/83.
Talvez por ter perdido alguma importância nos desenhos tácticos da equipa, Amadeu, na temporada de 1983/84, acabaria por ser cedido ao Clube de Futebol da Trafaria. A experiência ganha no ano de empréstimo faria com que o jogador regressasse à Medideira com estaleca suficiente para que, em 1984/85, recuperasse algum do brilhantismo perdido em anos transactos. Tal crescimento, com o Amora a insistir nos patamares secundários, faria com o atacante procurasse dar seguimento à carreira noutras paragens. A oportunidade, com o atleta a manter-se no mesmo escalão competitivo, surgiria da Beira Alta e a campanha de 1985/86 marcaria a sua primeira passagem pelo Académico de Viseu.
Já o regresso de Amadeu ao escalão maior do futebol português dar-se-ia no Alentejo. No entanto, esse ano passado com as cores d’ “O Elvas” terminaria com a descida dos “Azul e Oiro”. O desaire desportivo, mais uma vez, levaria o jogador a mudar de rumo e ao invés de empurrar o atacante para uma nova camisola, encaminhá-lo-ia para uma casa por si bem conhecida. De novo a exibir-se no Estádio do Fontelo, o jogador, num grupo de trabalho comandado por Carlos Alhinho, transformar-se-ia num dos pilares da promoção do Académico de Viseu aos palcos principais. Aliás, essa subida viria a permitir ao extremo completar, em 1988/89, aquela que viria a ser a sua derradeira aparição nos cenários primodivisionários. Já em definitivo a vogar pelos patamares secundários, seguir-se-iam, no seu trajecto competitivo, o Vila Real, o Peniche, o União de Lamas e finalmente a viagem de volta à região onde tinha crescido.
Curiosamente, em vez de voltar a envergar a camisola do Amora, Amadeu acabaria por aceitar o convite dos rivais do Seixal. Na nova agremiação a partir da temporada de 1994/95, o atacante, já como um verdadeiro veterano do futebol, ainda teria energia para completar um ciclo de meia dúzia de temporadas com o listado dos homens sediados no Campo do Bravo. Terminada a aludida etapa, o atacante ainda regressaria ao emblema que, aproximadamente duas décadas antes, tinha contribuído para o seu lançamento nas lides do futebol sénior. Mais uma vez na Medideira, o avançado ainda daria um forte colaboração para a subida da colectividade do 3º escalão para a 2ª divisão “B”. Por fim, após cumprir 3 temporadas ao serviço do emblema onde tinha completado a formação, o avançado, com o termo das provas agendadas para 2002/03 e numa altura em que já contava 40 anos de idade, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1767 - JOSÉ MANUEL

Descoberto no CA Rio Tinto, para onde entraria em 1971/72, José Manuel Martins Moreira começaria a destacar-se como um intérprete rápido e com habilidade para chegar a zonas de golo. Ainda assim, apesar de reconhecidos os seus predicados, só alguns anos mais tarde é que o atacante teria a oportunidade de subir alguns degraus competitivos. A ocasião surgiria no Alto Alentejo e o atleta, na temporada de 1974/75, seria apresentado como reforço do Estrela de Portalegre.
Mesmo com o enorme pulo competitivo, salto a levá-lo dos “distritais” da Associação de Futebol do Porto até à 2ª divisão nacional, José Manuel não revelaria qualquer dificuldade em adaptar-se. Num grupo de trabalho onde, ao longo dos anos, iria a encontrar-se com nomes de tradição no futebol português, casos de Paris, Prieto, Figueiredo ou Leitão, as exibições que, dai em diante, iria conseguir levantar, nomeadamente na temporada de 1976/77, levá-lo-iam a ser cobiçado por outros emblemas. A referida campanha, na qual o Estrela de Portalegre, conduzido por Mourinho Félix, ficaria à beira de conseguir uma inédita subida ao escalão maior, servira de grande tónico para o seu crescimento e a transferência, consumada após o termo da aludida época, levá-lo-ia de novo ao Norte do país.
Apesar de rondado pelo FC Porto de José Maria Pedroto, José Manuel, em 1976/77, preferiria a proposta feita pelo Boavista. No entanto, no Bessa, onde passaria a ser orientado por Fernando Caiado, aquela que prometia ser a temporada da sua afirmação ficaria manchada pelas lesões. Também na época seguinte, as mazelas físicas viriam a afectá-lo. Ainda assim, jogaria com um pouco mais de frequência. Nesse sentido, nas provas internas, o extremo participaria na gloriosa campanha da Taça de Portugal, a levar os “Axadrezados” até à derradeira ronda da competição. No Jamor, tanto na final, como na finalíssima, o avançado não seria chamado, por Jimmy Hagan, a entrar em campo. Porém, com a sua participação nas eliminatórias anteriores e com a vitória, no Estádio Nacional, consumada frente ao Sporting, o atleta acabaria também arrolado como um dos homens responsáveis pela conquista do troféu correspondente à vitória na “Prova Rainha” de 1977/78.
O desaire pessoal vivido com as “Panteras” faria com que José Manuel fosse empurrado para as contendas do patamar secundário. No entanto, a entrada no plantel de 1979/80 do Amarante teria como principal proveito o regresso do jogador aos índices exibicionais de anos anteriores. Volvidas duas temporadas, surgiria a oportunidade do extremo voltar a exibir-se entre os “grandes”. Contratado pelo Rio Ave, o atacante encontrar-se-ia novamente a trabalhar sob as instruções de Mourinho Félix. Logo nessa temporada de 1981/82 seria peça importante no histórico 5º lugar, alcançado pela colectividade de Vila do Conde, no termo do Campeonato Nacional da 1ª divisão. De seguida, numa caminhada que ficaria marcada por inúmeros regressos, surgiria a contratação pelo Boavista e o atleta, de volta ao Estádio do Bessa, integraria o grupo de trabalho pensado para 1982/83.
Duas épocas, algo discretas, ao serviço dos “Axadrezados” precederiam a sua entrada no Salgueiros. Em Paranhos, inicialmente treinado por Henrique Calisto, o jogador ainda viria a recuperar alguma da preponderância passada. Porém, as mazelas trazidas de pretéritos episódios e a entrada na veterania, progressivamente acabariam por afastá-lo da titularidade. Ainda assim, a passagem de 4 temporadas pelo Estádio Vidal Pinheiro teria o condão de dar ao currículo do jogador um somatório de 9 campanhas cumpridas nos cenários primodivisionários. De seguida, com a experiência no Felgueiras de 1989/90 pelo meio, emergiriam, em definitivo nos patamares secundários, as épocas de 1988/89 e de 1990/91 com as cores do Rio Ave. Seria nesses anos de “caravela” ao peito que o atacante acabaria por ser orientado por Mário Reis e a ligação criada entre o treinador e o atleta ira alterar o futuro de José Manuel. 
Com as “chuteiras penduradas”, José Manuel passaria a dedicar-se às actividades de técnico. Como ajunto do treinador referido no final do parágrafo passado, o antigo futebolista passaria por diversos emblemas e por entre Felgueiras, Rio Ave, Salgueiros e União de Leira, o grande destaque viria para o período no Boavista e para a sua ajuda nas conquistas da Taça de Portugal de 1996/97 e na Supertaça da temporada seguinte. 

1764 - JUSTINO

Com a formação feita no Sporting, seria ainda como elemento das “escolas” leoninas que Fernando Justino começaria a ser arrolado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. No campo internacional, começaria pelos actualmente designados como sub-16. Essa partida frente à Suíça, à qual seria convocado por Peres Bandeira, serviria de arranque a uma caminhada a levá-lo à soma de 19 encontros disputados com as cores lusas. No desenovelar do mencionado trajecto, o guardião teria a oportunidade de comparecer em certames de alto gabarito. A primeira dessas participações, talvez a mais importante, surgiria no Japão, por altura do Campeonato do Mundo de sub-20 de 1979, onde, ao lado de colegas como Diamantino, Nascimento, Alberto Bastos Lopes, Zé Beto, Parente, Adão, entre outros, ajudaria Portugal a atingir os quartos-de-final da prova. Igualmente merecedor de destaque seria a sua presença na edição de 1981 do Torneio de Toulon, chamada que, no conjunto de “esperanças”, encerraria o seu percurso como jogador a envergar a “camisola das quinas”.
No que concerne ao percurso clubístico, Justino teria na temporada de 1978/79 o arranque das actividades enquanto sénior. Lançado por Milorad Pavic na equipa principal dos “Leões”, as escassas ocasiões em que apareceria em jogo, nesse novo contexto competitivo, levariam a que os responsáveis pelo Sporting começassem a equacionar a sua cedência a outros emblemas. A senda de empréstimos começaria, então, com a passagem pelo plantel de 1980/81 do Recreio de Águeda e, na época seguinte, pelo primodivisionário União de Leiria. Porém, o esperado regresso a Alvalade nunca viria a acontecer e de volta ao distrito de Aveiro, o guarda-redes, na campanha de 1982/83, voltaria a rubricar um contrato com a referida agremiação sediada nas margens do Rio Vouga.
Depois de ajudar à inédita promoção do Recreio de Águeda à 1ª divisão, o destino de Justino levá-lo-ia a assinar por outro clube. Ao retornar a Lisboa, o atleta acabaria a encetar aquela que viria a tornar-se na maior ligação da sua vida enquanto futebolista profissional. No Belenenses a partir de 1983/84, o guarda-redes viria a apanhar os “Azuis” na disputa do escalão secundário. Logo de seguida, com o título de campeão a abrilhantar o episódio, viria a subida de patamar. De novo entre os “grandes”, a época de 1984/85, durante a qual partilharia o lugar à baliza com Melo, ainda daria bons presságios para o futuro da carreira do guardião. O pior é que a campanha subsequente ficaria marcada pela contratação de Jorge Martins, com as dificuldades, no plano pessoal de afirmação, a crescerem consideravelmente. Daí em diante, poucas seriam as ocasiões em que viria a demonstrar o seu incontestável valor e a condição de suplente prolongar-se-ia por diversas épocas.
Mesmo na sombra de outros colegas, Justino, ainda assim, faria parte de grupos de trabalho que conseguiriam alcançar bonitas metas. Um desses momentos surgiria com a presença do Belenenses na final da Taça de Portugal de 1985/86. Melhor ainda, igualmente na “Prova Rainha”, a edição de 1988/89 da competição traria a vitória sobre o Benfica, com o guarda-redes, chamado ao Jamor por Marinho Peres, sentado no banco de suplentes. Ainda assim, só na campanha seguinte ao mencionado triunfo, é que o guardião voltaria a ter a oportunidade de aparecer, mais uma vez, nas pelejas do Campeonato Nacional. Curiosamente, essa e a época seguinte tornar-se-iam nas derradeiras do jogador com a “Cruz de Cristo” ao peito e na temporada de 1991/92 acabaria apresentado como reforço do Amora.
Cumpridas 8 épocas no Belenenses, Justino teria na Medideira a nova casa. Afastado em definitivo dos cenários maiores do futebol luso, o guarda-redes passaria 3 anos no emblema da Margem Sul. Entretanto, concretamente em 1994/95, voltaria a Lisboa para assinar pelo Atlético. Na Tapadinha, depois da aludida campanha, surgiriam, registados no “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol , um curioso hiato e o regresso à actividade competitiva, mais uma vez ao serviço dos homens sediados no bairro de Alcântara, já em 1997/98.
Com o termo definitivo da carreira enquanto praticante, Justino, não muito tempo depois, viria a aparecer como treinador de guarda-redes. Na nova actividade profissional, em grande parte ligada às equipas técnicas de Fernando Santos, teria, entre outras, passagens pelo Sporting, PAOK e na selecção de Portugal, para além da presença no Mundial de 2022, o antigo guardião faria parte da caminhada campeã no Euro 2016.

1730 - CELESTINO

Com a formação concluída ao serviço do Famalicão, de onde é natural, Celestino da Silva depressa começaria a destacar-se como um intérprete de enorme potencial. Com a primeira inscrição sénior a acontecer na temporada de 1983/84, a permanência do emblema minhoto no escalão secundário não seria impeditiva para que colectividades de monta maior começassem a reparar nas suas habilidades. Nesse sentido, com apenas um par de campanhas cumpridas ao serviço da equipa principal, o jovem defesa-central acabaria contratado pelo FC Porto e seria, com a chegada às Antas, apresentado como reforço para a época de 1985/86.
Na equipa comandada por Artur Jorge, mesmo com a concorrência de Celso, Eduardo Luís, Lima Pereira ou Eurico, o trabalho apresentado por si, nos tempos a antecederem o arranque oficial das “hostilidades” futebolísticas, garantir-lhe-iam um lugar no plantel dos “Dragões”. Estrear-se-ia frente ao FC Barcelona, no contexto da Taça dos Clubes Campeões Europeus. No entanto, uma lesão obrigá-lo-ia a uma recuperação de vários meses. A verdade é que, depois de restaurada a sua condição física, Celestino nunca mais voltaria à linha-da-frente das opções técnicas e com partidas disputadas apenas no âmbito da Taça de Portugal, o jogador não apareceria na lista de atletas vencedores do Campeonato Nacional.
Ainda que a apresentar números aquém do esperado inicialmente, Celestino continuaria a merecer a confiança dos responsáveis pelos “Azuis e Brancos”. Tanto assim seria que a renovação do contrato apareceria e após rubricar a nova ligação, o defesa-central seria cedido, em 1986/87, ao Desportivo de Chaves. Já em Trás-os-Montes, com os “Flavienses” na disputa da 1ª divisão, o jogador emergiria com um dos elementos regularmente escolhidos por Raul Águas para o desenho inicial da equipa. Porém, mais uma vez o azar haveria de bater à sua porta e uma grave lesão num dos joelhos, ocorrida à 17ª ronda do Campeonato Nacional, atirá-lo-ia para um longuíssimo calvário de intervenções médicas. Mesmo com os prognósticos de ali ter de findar a carreira no futebol profissional, o atleta, à custa de uma enorme perseverança, reapareceria em 1988/89 e, dessa feita, já ao serviço do Rio Ave.
A chegada a Vila do Conde empurraria o jogador para um senda nos escalões secundários, a levá-lo a envergar, não só a divisa da caravela, mas também a camisola do Varzim. Depois de 4 anos nas referidas contendas, o interesse do Famalicão levá-lo-ia, em 1992/93, a regressar à sua terra natal e também às obrigações primodivisionárias. Porém, mesmo de volta ao convívio com os “grandes”, Celestino nunca conseguiria tornar-se num dos elementos preferidos de José Romão ou, já na época seguinte, de Piruta ou de Abel Braga. Ironicamente, seria durante esse período que viveria, não pelas melhores razões, um dos momentos mais marcantes da sua carreira e a goleada de 8-0 sofrida frente às “Águias” teria uma dupla intervenção sua – “Claro que tinha sido melhor marcar os dois golos na outra baliza, mas enfim. Joguei muitos anos e nunca mais marquei um golo na própria baliza. Aconteceu naquele jogo, que para meu mal foi contra o Benfica, no Estádio da Luz e estava a dar em direto na televisão. Olhe, paciência”*.
Após ter, no regresso ao Varzim em 1994/95, prolongado a sua carreira por mais 3 anos, Celestino voltaria também a dedicar-se aos estudos. Tendo ingressado na faculdade ainda na altura da sua chegada ao FC Porto, a mudança de curso levá-lo-ia ao ISMAI e à licenciatura em Desporto. Concluído o percurso académico, o antigo defesa-central, de início, continuaria ligado ao futebol, primeiro como preparador físico do mencionado emblema poveiro e depois, numa altura em que já leccionava, ligado à estrutura formativa do Vitória Sport Clube. Hoje em dia, afastado do ludopédio, dedica-se exclusivamente às tarefas relacionadas com o ensino de Educação Física.

*retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado a 2/12/2017, em https://maisfutebol.iol.pt

1727 - JOSÉ LUÍS

Nascido em Cabo Verde, José Luís Ramos Pina Furtado viajaria para Portugal para ingressar na Marinha. Já com 19 anos de idade, sem nunca ter cumprido qualquer passo no percurso formativo, mas como um jovem deveras entusiasmado pela modalidade, tomaria a decisão de prestar provas no futebol e acabaria incluído no plantel sénior do União de Montemor. Ao encetar a carreira na temporada de 1972/73, o jogador depressa viria a destacar-se como um praticante portador de surpreendentes índices físicos. Veloz, forte e com uma enorme resistência, começaria por colocar-se nas posições mais extremas do ataque. Aliás, as laterais, entre a defesa, o sector intermédio ou os lugares mais ofensivos, muito por culpa da referida rapidez, tornar-se-iam no seu campo predilecto. Assim continuaria na primeira meia dúzia de anos do seu percurso desportivo e entre o clube inicialmente a acolhê-lo e as outras 3 campanhas já cumpridas no Juventude de Évora, o atleta conseguiria despertar a atenção de agremiações de maior monta.
Sem nunca, anteriormente, ter pisado os palcos primodivisionários, a entrada no Vitória Futebol Clube levá-lo-ia a experimentar a 1ª divisão. Mesmo sem a aludida experiência, o traquejo ganho nos anos precedentes permitir-lhe-ia fixar-se no emblema da cidade de Setúbal como um dos grandes destaques para a campanha de 1978/79. Lançado por Carlos Cardoso no “onze”, José Luís, a partir do lado canhoto, faria parte de um quarteto defensivo que também incluiria Rebelo, Carlton Martin e José Mendes. Titular durante essa temporada de chegada ao Bonfim e igualmente na seguinte, o lateral-esquerdo, como resultado das boas exibições conseguidas nas provas de índole interno, continuaria a acrescentar valor ao seu currículo e a ganhar popularidade entre aqueles que assistiam às suas prestações dentro de campo. Tamanho crescimento faria com que começasse a ser cobiçado por um dos gigantes lusos e a viagem para norte apresentá-lo-ia a um listado diferente daquele a que estava habituado a envergar.
Com a entrada no FC Porto a acontecer na época de 1980/81, a verdade é que José Luís não causaria o impacto projectado com a sua contratação. Tapado, nas opções tácticas do austríaco Hermann Stessl, por Lima Pereira e também por Teixeira, poucas seriam as oportunidades que o jogador granjearia no ano passado na “Cidade Invicta”. Sem somar um grande úmero de presenças em campo pelos “Dragões”, o atleta decidiria continuar a carreira ao serviço da Sanjoanense e, logo na campanha seguinte, com as cores do Lusitano de Évora. No entanto, o par de temporadas cumprido longe do patamar máximo não faria com que viesse a perder qualquer predicado e 1983/84 voltaria a sinalizar o seu regresso ao convívio com os “grandes”.
No Farense, inicialmente comandado por Hristo Mladenov, José Luís voltaria a encontrar-se, isto na 1ª divisão, com a titularidade. Porém, mesmo tendo contribuído para a manutenção do conjunto algarvio, a verdade é que a sua continuidade no clube, de forma algo surpreendente, acabaria por não acontecer. Nesse sentido, o regresso a um emblema bem conhecida do seu trajecto competitivo atirá-lo-ia, em definitivo, para as pelejas dos degraus secundários do futebol luso. Com o percurso feito, daí em diante, também com as cores do FC Barreirense, Lusitano Arraiolense, Vasco da Gama de Sines e Mourão, o jogador, que viria a “pendurar as chuteiras com o termo das provas agendadas para 1994/95, só haveria de pôr um ponto final na carreira já depois de bem ultrapassados os 40 anos de idade!

1720 - ARTUR FONTE

Produto da formação do Sporting, seria ainda como membro das “escolas” leoninas que Artur Alberto Ferreira Fonte seria inicialmente chamado às contendas agendadas para as jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. No mencionado contexto competitivo, o lateral-esquerdo acabaria incluído no grupo que, a 22 de Março de 1977, entraria no Estádio Alfredo da Silva, para defrontar a Finlândia. Depois dessa partida, dos actualmente denominados por sub-18, durante a qual seria orientado por Peres Bandeira, ao jogador seriam ainda dadas muitas mais oportunidades para envergar a “camisola das quinas”. Por entre alguns jogos de preparação e a edição de 1977 do Torneio de Cannes, o defesa seria chamado às fases finais do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1978 e ao Mundial sub-20 de 1979. Tais convocatórias, também levariam o atleta, apesar de nunca ter entrado em campo, ao conjunto “olímpico” e entregar-lhe-iam, ao currículo, um total de 20 pelejas disputadas com as cores lusas.
No que concerne ao percurso clubístico, Artur Fonte, após deixar Alvalade, teria no plantel de 1978/79 do Vila Real os primeiros passos da caminhada sénior. Recebido em Trás-os-Montes pelo treinador Mário Nunes, os dois anos passados na disputa da 3ª divisão levá-lo-iam a ganhar traquejo suficiente para merecer a confiança dos responsáveis pelo Penafiel. Na colectividade duriense, muito para além da estreia no escalão maior, a temporada de 1980/81 revelaria o defesa-lateral como um dos titulares da equipa inicialmente orientada por Luís Miguel e de seguida por António Oliveira. Com a sua presença no “onze” a espraiar-se para a época seguinte, o jogador começaria a sublinhar-se como um intérprete de cariz primodivisionário. Porém, a descida de divisão da agremiação por si representada, levá-lo-ia a uma mudança de rumo. Já o ano cumprido com as cores do Vitória Futebol Clube, mesmo com a permanência entre os “grandes”, transformar-se-ia, no plano individual, num pequeno retrocesso evolucional e finda a campanha de 1982/83, passada na cidade de Setúbal, o atleta regressaria ao Norte do país.
A temporada de 1983/84, que representaria a sua segunda passagem pelo Penafiel, serviria de interlúdio para a chegada de Artur Fonte ao Belenenses. No Restelo, onde cumpriria 4 épocas consecutivas, o jogador teria no inglês Jimmy Melia o primeiro timoneiro. Sempre no escalão principal, a segunda campanha a representar os “Azuis” encaminharia o defesa até à final da Taça de Portugal. Chamado, por Henri Depireux, ao “onze”, o decisivo encontro da “Prova Rainha” não correria de feição para o lado do lateral canhoto e haveria de ser o Benfica a deixar o Jamor na posse do almejado troféu.
Já a campanha de 1987/88 traria outro momento de inolvidável importância para a carreira do jogador. Com a participação na Taça UEFA a dar-lhe a estreia nas competições de índole continental, o novo cenário competitivo faria com que fosse o FC Barcelona a calhar em sorte ao conjunto português. Arrolado por Marinho Peres ao embate ibérico, o defesa-lateral participaria em ambas as partidas frente aos “Blaugrana” e o atleta, apesar do afastamento dos homens da “Cruz de Cristo”, teria a honra de ver o seu nome associado à vitória do clube luso na 2ª mão da referida ronda.
Mesmo como um dos homens mais utilizados pelos diferentes técnicos do Belenenses, a temporada de 1988/89 apresentá-lo-ia como reforço do Penafiel. O regresso ao conjunto sediado no Estádio 25 de Abril encetaria um novo período de 4 campanhas sucessivas sempre na disputa do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tal período, muito mais do que transformar os “Durienses” no colectivo mais representativo da sua carreira enquanto praticante, permitiria inscrever no seu trajecto profissional um invejável somatório de 12 campanhas consecutivas a disputar àquela que é a prova de maior monta no calendário futebolístico português. Findo esse capítulo, o lateral-esquerdo ainda teria força para dar seguimento à sua caminhada competitiva e só depois de dividir a época de 1992/93 entre o Valpaços e o Atlético da Malveira é que tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
Em jeito de conclusão, como curiosidade, relembro-vos que Artur Fonte é pai do campeão europeu José Fonte e do internacional português Rui Fonte.

1700 - EDMUNDO

Após concluir a formação ao serviço do Vitória Futebol Clube, Edmundo Joaquim Pascoal da Silva subiria à equipa principal dos “Sadinos” pela mão de Manuel de Oliveira. No entanto, com a preferência dada pelo referido treinador a recair em nomes como Baltemar Brito, Nunes ou Cerdeira, o jovem defesa-central pouco jogaria nessa campanha de 1982/83. Já a temporada seguinte mostraria um atleta mais participativo nos objectivos do colectivo setubalense. Ainda assim, a titularidade só viria em 1984/85 e o jogador, a partir dessa época, passaria a ser aferido como um dos mais valiosos praticantes sediados no Estádio do Bonfim.
Outro factor que igualmente contribuiria para o acréscimo do seu valor, seriam as chamadas às equipas a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. No âmbito dos “esperanças”, Edmundo entraria pela primeira vez em campo numa partida frente à antiga Checoslováquia. Após esse desafio disputado, a 13 de Outubro de 1984, no Estádio da Tapadinha, onde, no sector mais recuado, também marcariam presença Ferrinho, Morato e Samuel, seguir-se-iam, alguns meses passados sobre essa experiência inicial, outro par de pelejas. Mais uma vez titular, dessa feita ao enfrentar, em ambas as contendas, a Republica Federal da Alemanha, o defesa-central findaria o seu percurso com a “camisola das quinas” com um total de 3 internacionalizações sub-21.
A crescente evolução do jogador faria com que outros emblemas começassem a equacionar a sua contratação. Quem haveria de convencer o atleta a mudar-se seria o Benfica. Com a transferência acertada, Edmundo apresentar-se-ia como reforço das “Águias” no começo da temporada de 1986/87. Todavia, treinado inicialmente por John Mortimore, depois por Ebbe Skovdahl e, com saída do técnico dinamarquês, por Toni, o defesa-central, ao enfrentar essencialmente a concorrência de Oliveira, de Dito e de Mozer, nunca passaria da condição de suplente. Ainda assim, os dois anos passados na Luz trariam momentos de qualidade inolvidável para a sua carreira e, para além da participação na campanha que levaria os “Encarnados” à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1987/88, também acrescentariam ao seu currículo a “dobradinha” de 1986/87.
Sem espaço no Benfica, Edmundo, a partir de 1988/89, encetaria um périplo a levá-lo a envergar a camisola de diferentes colectividades. Inicialmente por empréstimo, o defesa-central regressaria ao Vitória Futebol Clube, para, na época seguinte, vestir as divisas do Belenenses. Já em termos definitivos, o jogador ainda passaria outras duas épocas ao serviço dos “Azuis”. Com a derradeira temporada no Restelo a ser vivida nas contendas do escalão secundário, o atleta, finda a campanha de 1991/92, voltaria a mudar de clube. Ainda no mesmo patamar competitivo, passaria a representar o Estrela da Amadora. Na Reboleira, onde também permaneceria por 3 anos, ajudaria os “Tricolores” a subir à 1ª divisão e, nesse regresso ao convívio com os “grandes”, viveria as últimas experiências primodivisionárias.
Com a carreira como futebolista a aproximar-se do fim, Edmundo, definitivamente afastado dos principais cenários competitivos do futebol português, voltaria novamente ao Vitória Futebol Clube. Após essa época de 1995/96, seguir-se-ia o Desportivo de Beja e finalmente o União de Montemor. Após “pendurar as chuteiras” no termo das actividades dadas a 1997/98, o antigo defesa voltaria a ligar-se à modalidade e como treinador passaria pelo Imortal, Sesimbra, Oriental Dragon, pela equipa “b” dos “Sadinos”, pelo Grandolense e, mais recentemente, pelas “escolas” do GD “Os Amarelos”.

1699 - FERNANDO

Com a formação concluída no Sporting de Braga, Fernando Jorge da Conceição Martins teria na colectividade da “Cidade dos Arcebispos” a oportunidade de, pela mão de Costa Pereira, escalar até às pelejas dedicadas ao universo sénior. Com colegas mais experientes a ocupar os lugares dados ao sector mais recuado, o jovem atleta, nessa primodivisionária época de 1969/70, poucas vezes apareceria em campo. Pior viria ainda com o termo da referida campanha, com os “Guerreiros” a claudicarem na batalha pela manutenção e, como resultado do desaire colectivo, a caírem no escalão secundário.
Com a descida de degrau, a sua passagem pela 2ª divisão, mantendo-se sempre fiel ao clube, duraria até ao encetar das actividades agendadas para 1975/76. Com o traquejo ganho pelo longo trajecto cumprido longe dos “grandes”, o defesa, nesse regresso aos principais palcos do futebol luso, surgiria como uma das principais opções do técnico José Carlos. Logo na época seguinte, o jogador também seria um dos pilares de dois outros momentos de grande importância na história do Sporting de Braga. Num plantel composto por grandes nomes do cenário desportivo português, casos de Fidalgo, Agostinho Oliveira, Marinho, Manaca, Paulo Rocha, Chico Faria ou Chico Gordo, Fernando seria um dos homens chamados por Mário Lino à final da Taça de Portugal. Da partida do Estádio das Antas, a agremiação minhota sairia derrotada pelo FC Porto. No entanto, algumas semanas depois, a decisão da Taça da Federação Portuguesa de Futebol seria totalmente diferente e, já com Hilário aos comandos da equipa, e com Fernando a saltar do banco de suplentes, o troféu partiria do conimbricense Canhabé para os escaparates do Sporting de Braga.
As épocas seguintes, ao conseguir reafirmar-se como um dos titulares indiscutíveis do Sporting de Braga, fá-lo-iam usar a braçadeira de capitão e, para além dessa honra, o jogador começaria a granjear da cobiça de outras agremiações. Com a cotação em alta, potenciado o seu valor também pela participação na edição de 1978/79 da Taça UEFA, Fernando seria apresentado como reforço do FC Porto de 1980/81. Porém, mesmo tendo em conta a experiência acumulada, o defesa, sob a alçada de Hermann Stessl, pouco jogaria nessa época de estreia nas Antas. Já a campanha seguinte ocorreria de forma um pouco distinta, com o atleta a conseguir, ainda no domínio do treinador austríaco, comparecer às disputas dos “Azuis e Brancos” com uma maior consistência. Curiosamente, nem o substancial acréscimo de produtividade assegurariam ao jogador um lugar no grupo de trabalho do ano seguinte e, com o fim da ligação aos “Dragões”, o Boavista apresentar-se-ia como o próximo emblema na sua caminhada competitiva.
A época de 1982/83, na qual chegaria ao Bessa como aposta do aludido Hermann Stessl, caracterizar-se-ia por alguma discrição. Talvez já a acusar alguma veterania, a passagem pelos “Axadrezados” tornar-se-ia na derradeira experiência do defesa no contexto da 1ª divisão. Seguir-se-iam, sempre nos patamares secundários, o Académico de Viseu, o Lixa, o Atlético de Valdevez, o Amares e, com a decisão de “pendurar as chuteiras” no termo da temporada de 1987/88, as cores do Adaúfe.

1684 - REINALDO

 

Seria ao serviço do Ginásio de Alcobaça que Reinaldo Almeida Lopes da Silva teria o arranque da caminhada enquanto sénior. No entanto, 1982/83 não seria apenas a campanha de estreia do ponta-de-lança na equipa principal. Com a temporada a representar o começo do trajecto do referido clube no Campeonato Nacional da 1ª divisão, a visibilidade que o atleta conseguiria conquistar abrir-lhe-ia as portas para outros cenários competitivos. Nesse campo, as chamadas às jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol acabariam a sublinhar as expectativas depositadas no avançado. Com a partida inicial com a “camisola das quinas” a ocorrer a 13 de Abril de 1983, esse jogo de preparação disputado frente à Argélia, onde concretizaria um golo, daria jus, sempre integrado nos “esperanças” lusos, a outras partidas de cariz internacional. Seguir-se-iam mais chamadas, as quais, num total de 5 partidas por Portugal, terminariam com a sua participação, chamado por António Oliveira, à edição de 1987 do Torneio de Toulon.
Retornando ao percurso clubístico, o avançado, mesmo com a concorrência de atletas como Cavungi ou João Cabral, acabaria por merecer algumas oportunidades no conjunto sediado na região do Oeste. Se acrescentarmos, a essas partidas disputadas no âmbito das provas nacionais, os jogos cumpridos pela selecção portuguesa, então, facilmente perceberemos, perante a teimosa militância do Ginásio de Alcobaça no patamar secundário, o interesse de outras colectividades na contratação do jovem atacante.
A mudança levaria Reinaldo a ser apresentado, na temporada de 1984/85, como reforço da Académica de Coimbra. Já como elemento da “Briosa”, o ponta-de-lança apontaria a um lugar de destaque dentro do plantel. Tanto na época de chegada à “Cidade dos Estudantes, como nas seguintes, o jogador vincar-se-ia como um dos membros mais activos no seio da equipa. A sua importância para os diferentes técnicos fá-lo-ia apontar sempre para uma possível presença no “onze” inicial. Recorrentemente chamado à titularidade, a descida dos “Estudantes” no termo da campanha de 1987/88 não impediria a sua continuidade ao serviço do conjunto a vestir de negro. Todavia, a insistência da Académica de Coimbra nos resultados colectivos a impossibilitar o regresso ao convívio com os “grandes”, empurraria o ponta-de-lança para uma mudança de emblema e seria o Penafiel a acolher as suas ambições primodivisionárias.
No emblema duriense, onde, em 1990/91, voltaria a trabalhar com Vítor Manuel, seu antigo treinador na Académica, Reinaldo, tal como tinha acontecido em épocas anteriores, rapidamente asseguraria um lugar como titular. Curiosamente, o ano seguinte ao da sua entrada no Estádio Municipal 25 de Abril, no qual não seria utilizado com tanta regularidade, terminaria com a descida do clube. Depois de mais uma campanha nas pelejas do patamar secundário, uma nova mudança de colectividade acabaria a encaminhar o jogador para os principais palcos do cenário futebolístico português. Ainda assim, a transferência para o plantel de 1993/94 da União de Leiria, não cumpriria, de imediato, os objectivos da tal subida. A projectada meta emergiria apenas na época seguinte à da chegada à “Cidade do Lis”, campanha, no decorrer da qual, mais uma vez, seria orientado por Vítor Manuel.
Numa carreira a escrever os derradeiros capítulos, a passagem de um ano pelo Campomaiorense serviria para acrescentar ao seu currículo a vitória na divisão de Honra de 1996/97. Contudo, a tal conquista não viria a traduzir-se na sua continuidade na agremiação alentejana. Contrariamente ao que os desempenhos do ponta-de-lança poderiam indiciar, o retorno à divisão maior não cativaria o jogador e a sua preferência empurrá-lo-ia para o regresso a um clube, por si, bem conhecido. De volta à União de Leiria, tal como tinha acontecido ao serviço dos “Galgos”, o atleta daria um enorme contributo para o triunfo naquele que é o segundo degrau luso. Dessa feita, o avançado manter-se-ia com a mesma camisola e tal opção, na temporada de 1998/99, devolvê-lo-ia ao convívio com os “grandes”. Conservar-se-ia nesse contexto competitivo por mais uma campanha e a temporada seguinte traduzir-se-ia pelo arranque na “Cidade do Lis”, pela mudança para a Académica de Coimbra e pela decisão de “pendurar as chuteiras” com o termo de 1999/00.

1669 - ELISEU

Seria já como membro da equipa principal do Leixões que Eliseu António Teixeira Pinto entraria em campo, pela mão de Peres Bandeira, no Mundial sub-20 de 1979. O aclamado certame, disputado entre Agosto e Setembro do referido ano, serviria, para o jovem jogador, de remate a uma caminhada internacional encetada, ainda no âmbito dos sub-18, a 21 de Fevereiro de 1978. Tendo participado, ao lado de Alberto Bastos Lopes, Nascimento, Diamantino, Zé Beto ou Adão, no torneio organizado no Japão, o defesa-direito regressaria a Portugal com o currículo embelezado por um total de 8 partidas disputadas com a “camisola das quinas”. Tal tónico ajudá-lo-ia a afirmar-se como um dos bons elementos saídos dos “Bebés do Mar”. Porem, a estreia no principal escalão português ainda estaria longe e a alguns quilómetros de distância de Matosinhos.
Transferido para o plantel primodivisionário do Salgueiros na temporada de 1983/84 e após 5 anos na equipa principal do Leixões, Eliseu começaria por trabalhar sob as ordens de Octávio Machado. Titular no arranque da campanha, a verdade é que, com o avançar de época, mormente com a chegada de outros treinadores, o protagonismo que alcançaria inicialmente perder-se-ia. Sem lugar no conjunto de Paranhos, o defesa-direito procuraria dar seguimento à carreira noutras paragens. Com a oportunidade a surgir no Sporting de Espinho, o jogador acabaria por regressar às pelejas do escalão secundário. Já o regresso ao convívio com os “grandes”, viria a acontecer cumpridas algumas campanhas nas pelejas secundárias e apenas em 1987/88.
A trabalhar com Quinito, Eliseu, até pela condição de capitão de equipa, sublinhar-se-ia como um dos principais activos dos “Tigres da Costa Verde”. Outro factor que contribuiria para o acréscimo de valor na carreira do jogador, feito alcançado igualmente na última campanha referida no parágrafo anterior, seria o 6º posto obtido na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, ou seja, a melhor prestação de sempre conseguida pelo Sporting de Espinho na prova de maior relevo do calendário futebolístico português. Contudo, contrariamente ao bom desempenho feito no desenrolar de 1987/88, a época seguinte traduzir-se-ia pelo claudicar competitivo da agremiação a jogar em casa no Estádio Comendador Manuel Violas e, como consequência, a temporada de 1988/89 traria a inevitável despromoção.
Apesar do desaire colectivo, Eliseu manter-se-ia fiel ao listado alvinegro. Aliás, as 9 épocas cumpridas pelo Sporting de Espinho, não só fariam da agremiação sediada no distrito de Aveiro na mais representativa da sua caminhada desportiva, como transformariam o defesa num dos nomes históricos do clube. Outro aspecto importante emergiria com aquela que viria a tornar-se na derradeira campanha do jogador ao serviço dos “Tigres da Costa Verde”. Essa temporada de 1992/93, mais uma vez com Quinito ao leme da agremiação, marcaria o seu regresso aos palcos de maior monta e a despedida do lateral-direito do contexto primodivisionário.
Para completar uma carreira de 17 anos sobretudo a cirandar entre os dois principais patamares do futebol luso, Eliseu ingressaria, em 1994/95, no plantel do Feirense e cumpridas duas temporadas no Estádio Marcolino de Castro, o defesa-direito, com o termo das provas agendadas para 1995/96 tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1650 - ISIDRO BEATO

Seria ainda como elemento das “escolas” do Belenenses que Isidro Miguel Palmela da Silva Beato viria a juntar-se aos trabalhos das equipas de formação a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Com os actualmente denominados sub-18, o jovem praticante, chamado por José Maria Pedroto, encetaria a caminhada internacional numa partida a contar para a Fase de Apuramento do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Tal desafio, disputado a 27 de Março de 1974, frente à Suíça, daria início a um trajecto que, ainda nesse ano, levaria o jogador à Fase Final do referido certame. Na Suécia, num grupo a contar com as presenças de Eurico, de Gomes ou de Lito, o centrocampista conseguiria assumir-se como um dos titulares do conjunto luso. Apesar dos resultados colectivos bem aquém do esperado, a competição organizada na Escandinávia, serviria para que o atleta continuasse a merecer a confiança dos responsáveis federativos e, daí para a frente, entre o já mencionado escalão e os “olímpicos”, o médio somaria um total de 12 partidas com as cores de Portugal.
No que diz respeito à sua carreira futebolística, impulsionado pelos jogos feitos com a “camisola das quinas”, Isidro Beato, na temporada de 1974/75, passaria a incorporar o plantel sénior dos “Azuis”. A trabalhar com Peres Bandeira, o médio rapidamente assumiria um papel de relevo no sector intermediário do Belenenses. Como um dos habituais titulares, o médio daria um enorme contributo para que a agremiação lisboeta fosse declarada como um das vencedoras da edição de 1975/76 da Taça Intertoto. Nisso de competições de índole continental é impossível olvidar a eliminatória da Taça UEFA disputada, em 1976/77, frente ao FC Barcelona. Como um dos elementos chamados ao “onze” por Carlos Silva, o jogador participaria, no Estádio do Restelo, no empate a 2 bolas. Já em Camp Nou ajudaria à espantosa exibição do agremiado luso, o qual, só bem perto do final do jogo, sofreria o golo a ditar a passagem dos “Culés”.
Também no plano interno, Isidro Beato contribuiria para os bons resultados que, amiúde, o Belenenses viria a registar. Porém, nas duas derradeiras temporadas no Restelo, a verdade é que a sua preponderância, nos esquemas tácticos idealizados para equipa, diminuiria substancialmente. Talvez à procura de um desafio capaz de relançar a sua carreira, o centrocampista aceitaria o repto lançado pelo Farense e acabaria por abraçar os desafios do 2º escalão. No Algarve, onde voltaria a trabalhar com António Medeiros, o atleta cumpriria apenas uma temporada. Finda essa campanha no sul do país, o jogador regressaria à Grande Lisboa, onde passaria a envergar as cores do Estoril Praia. A entrada no Estádio António Coimbra da Mota em 1982/83 devolvê-lo-ia aos principais palcos do futebol luso. Infelizmente para si, os “Canarinhos”, no final da sua segunda época no clube, claudicaria na luta pela manutenção. A partir daí, a sua caminhada ficaria definitivamente arredada dos cenários primodivisionários e mantendo-se fiel à agremiação da Linha de Cascais, o termo da sua carreira surgiria com o encerrar das provas agendadas para 1986/87.
Apesar de “penduradas as chuteiras”, Isidro Beato manter-se-ia ligado ao futebol. Numa carreira cumprida, na sua totalidade, nas pelejas dos degraus secundários, o antigo médio teria experiências, como treinador-principal, à frente de emblemas como o “O Elvas”, o Fanhões ou o Estoril Praia. No entanto, a sua carreira ficaria estreitamente ligada ao desporto açoriano e para além do Praiense, Marítimo da Graciosa, e Boavista de São Mateus, seria no União Micaelense que encontraria a colectividade mais representativa da sua caminhada enquanto técnico.

1635 - VICENTE

Tendo dado os primeiros passos no futebol sénior não muito longe da sua Moita natal, Fernando José Ferreira Vicente faria na Quimigal a transição dos escalões de formação para a equipa principal. Com a referida mudança a acontecer na temporada de 1980/81, o defesa, ao serviço do emblema com casa no Lavradio, começaria por disputar a 2ª divisão. Ao posicionar-se tanto na direita, como no centro do sector mais recuado, o jogador começaria por enfrentar a concorrência de nomes como Crisanto, Manuel Quaresma ou Oliveira. Mesmo tendo em conta o contexto por onde começaria a escrever os capítulos iniciais da sua carreira, a verdade é que o atleta conseguiria o destaque suficiente para merecer a atenção de emblemas melhor posicionados no cenário competitivo luso e a transferência, ao fim de 3 campanhas cumpridas no emblema “fabril”, viria a concretizar-se.
Com a entrada no Vitória Futebol Clube a acontecer na campanha de 1983/84, Vicente passaria a ser orientado por um nome com uma forte ligação ao seu anterior clube. Porém, sob a alçada de Manuel de Oliveira, o defesa, nessa época de estreia pelos “Sadinos”, não haveria de conquistar grandes oportunidades. Inicialmente tapado por Sobrinho, Artur ou Mota, tal paradigma alterar-se-ia rapidamente. Logo na 2ª temporada no Estádio do Bonfim, ainda a trabalhar na intendência do técnico mencionado no começo deste parágrafo, o jogador venceria a concorrência interna e abraçaria um lugar no “onze” inicial. Ao manter a titularidade, a descida de escalão, ocorrida no termo de 1985/86, empurrá-lo-ia, mais uma vez, para a disputa do patamar secundário. Ainda assim, numa altura em que já tinha, com a estreia a ocorrer a 24 de Setembro de 1985, alcançado 2 internacionalizações pelos “esperanças” portugueses, o ano passado longe dos principais palcos lusos não diminuiria a sua cotação e após ajudar a agremiação setubalense a regressar ao convívio com os “grandes”, a mudança para Trás-os-Montes apresentá-lo-ia àquele que viria a tornar-se no colectivo mais representativo da sua caminhada desportiva.
Com o Desportivo de Chaves a conseguir, pela primeira vez na história, a qualificação para uma prova de índole continental, Vicente faria parte do grupo de trabalho a estrear-se na Taça UEFA. Nesse contexto, o defesa, pela mão do treinador Raul Águas, marcaria presença em campo frente à Universitatea Craiova e ao Honvéd de Budapeste. Ao jogar 3 dos 4 desafios disputados pelos “Flavienses” na aludida prova, o atleta logo entraria para os anais do clube. Ainda assim, a meia dúzia de temporadas passadas em Trás-os-Montes, dar-lhe-ia outras razões para inscrever o seu nome como um dos mais notáveis da colectividade. Depois da entrada na agremiação transmontana na campanha de 1987/88, os anos seguintes, não só dariam outras 6 épocas primodivisionárias ao seu currículo, como fariam com que conseguisse somar, pelo listado azul e grená, 139 jornadas disputadas no escalão máximo. Tal facto, a arrolá-lo como um dos elementos com mais partidas efectuadas pela agremiação na prova de maior calibre no calendário português, serviria para cevar a sua importância e para frisá-lo como uma das figuras preferentemente estimadas pelos adeptos.
Já a entrar nos derradeiros capítulos da senda como praticante profissional, Vicente tomaria a decisão de regressar à Margem Sul. Acolhido, nesses últimos passos, pelo Montijo, o defesa ainda disputaria duas temporadas. Após “pendurar as chuteiras” no final de 1994/95, o antigo jogador ainda voltaria a ligar-se ao futebol e, num regresso à “casa” onde havia concluído o percurso formativo, passaria a assumir-se como “Team Manager” do Fabril.

1633 - NÉLSON MOUTINHO

José Nélson de Almeida Moutinho, ainda em tenra idade, entraria para as “escolas” do Benfica, onde cumpriria o seu percurso formativo. Ao destacar-se como um elemento dotado de uma boa técnica e com aptidão para o golo, nem a baixa estatura viria a impedir as suas presenças em campo com as cores da selecção. Chamado aos trabalhos dos sub-16 sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol, o avançado-centro estrear-se-ia com a “camisola das quinas”, no âmbito da disputa do Torneio Internacional de Saint-Malo, a 17 de Abril de 1976. Depois dessa partida frente à Polónia, contenda para a qual partilharia o balneário com Ademar, Francisco Silva, Pereirinha, Freire ou Diamantino, o atacante manter-se-ia nos planos dos agregados lusos e ao passar por diversos escalões, o jogador amealharia, para a sua ainda curta carreira, um total de 16 partidas cumpridas com as divisas de Portugal.
Apesar de ser um praticante promissor, a verdade é que a transição para o patamar sénior, mesmo tendo em conta uma participação num “amigável” de fim de época, ditaria o seu afastamento da Luz. Ainda assim, a solução para o seu trajecto enquanto futebolista profissional não viria a apartá-lo dos cenários primodivisionários. Nesse sentido, seria o Portimonense, inicialmente orientado por José Augusto, que, na temporada de 1977/78, daria a oportunidade a Nélson Moutinho para dar seguimento à carreira desportiva. Mesmo com a mudança no comando técnico a apresentar Mário Lino como o novo timoneiro, o atacante conseguiria manter-se como um dos titulares. No entanto, a despromoção do emblema algarvio travaria a afirmação do ponta-de-lança no patamar maior luso e a campanha de 1978/79 seria passada no escalão secundário.
O regresso de Nélson Moutinho à 1ª divisão aconteceria na temporada de 1979/80. Contratado pelo Beira-Mar, o avançado passaria a trabalhar na intendência de Fernando Cabrita. Curiosamente, tal como na época de arranque no algarve, o atleta veria uma “chicotada psicológica” a entregá-lo, dessa feita, às ordens de Rodrigues Dias. Similarmente, também a campanha cumprida na agremiação sediada na cidade de Aveiro, terminaria com o clube por si representado nas posições de descida. Apesar da titularidade assegurada no emblema da Beira Litoral, o referido desaire colectivo levá-lo-ia a procurar novas oportunidades, numa colectividade diferente. Infelizmente para o ponta-de-lança, a entrada no plantel de 1980/81 da União de Leiria afastá-lo-ia, em definitivo, das sendas destinadas ao patamar máximo e, daí em diante, o atacante encetaria uma caminhada a revelar uma boa mescla clubes.
FC Barreirense, Benfica e Castelo Branco, Olhanense e Silves, transformar-se-iam nas cores a colorir um trajecto que findaria com o termo das provas agendadas para a época de 1991/92. Logo de seguida, mantendo a ligação à modalidade, Nélson Moutinho, sem sair do Algarve, começaria a carreira como treinador. Principalmente na disputa dos “regionais”, mas com algumas presenças nos “nacionais” ou ainda como técnico dos escalões de formação, o antigo avançado teria experiências no Mexilhoeira Grande, Messinense, Lagoa, Silves, nas camadas de formação do Portimonense, na Escola de Futebol de Portimão e na Escola de Futebol João Moutinho, instituição baptizada com o nome de um dos seus filhos.

1619 - VASQUES

Filho de João Casimiro Vasques e sobrinho de Luís Vasques, João Manuel das Dores Vasques, tal como os seus familiares directos, começaria por brilhar com as cores do Lusitano Futebol Clube. Depois de terminar a formação na colectividade de Vila Real de Santo António, seria ainda a jogar em casa no Campo de Jogos Francisco Gomes Socorro que o extremo-direito, na temporada de 1966/67, subiria ao universo dos seniores. Mesmo a disputar o 3º escalão nacional, o jovem atleta viria a merecer os mais rasgados elogios. Ainda assim, seriam necessárias 4 campanhas para que conseguisse despertar a cobiça de emblemas de outra monta e a mudança para o Atlético, numa altura em que demonstrava possuir o traquejo necessário para voos maiores, surgira com o virar da década de 1970.
Com a entrada na agremiação do popular bairro “alfacinha”, Vasques começaria por disputar a 2ª divisão de 1970/71. No entanto, o poderio de uma equipa a contar com atletas de grande potencial, casos de Esmoriz, Baltazar ou Nogueira, levá-lo-ia, sensivelmente 1 ano após a chegada à Tapadinha, a atingir o degrau maior do futebol português. Curiosamente, já no convívio com os “grandes”, o extremo-direito, com capacidade para também actuar a médio-ofensivo, revelaria algumas dificuldades na altura de agarrar um lugar no “onze” escolhido inicialmente por Peres Bandeira. Mesmo com a chegada do britânico Ted Smith, a sua condição de suplente, no decorrer da época de 1971/72, e na seguinte, manter-se-ia inalterável. Aliás, tal estatuto só viria a modificar-se depois da despromoção ocorrida no final de 1972/73 e com o atacante, na nova promoção ao escalão máximo, a apresentar-se como um dos nomes mais vezes inscrito nas fichas de jogos.
A temporada de 1974/75 seria de vital importância para a carreira de Vasques. Ao vincar-se como um praticante de indubitável cariz primodivisionário, o jogador começaria a criar cobiça noutros emblemas. Nesse contexto, seria o Belenenses a apresentá-lo, ao lado de Esmoriz, como um dos praticantes a reforçar o plantel de 1975/76. Novamente treinado por Peres Bandeira, o extremo depressa conseguiria cimentar-se como um dos homens mais relevantes no cevar das ideias tácticas implementadas pelos “Azuis”. Logo no ano de entrada no Restelo, o avançado contribuiria para um honroso 3º lugar na tabela classificativa da 1ª divisão. Na época seguinte emergiriam as provas de índole continental. Com a sua equipa inserida na Taça UEFA, o atleta veria a sorte ditar uma peleja entre o emblema por si representado e o FC Barcelona. Nesse duplo embate, o seu nome não constaria no empate caseiro por 2-2. Já na 2ª mão, o avançado acabaria como um dos escolhidos, de Carlos Silva, para o jogo de Camp Nou e um golo seu, apesar da derrota por 3-2, faria com que saísse da Catalunha como um dos grandes destaques da inesquecível contenda ibérica.
No resto da carreira ao serviço do Belenenses, excepção feita à derradeira campanha, Vasques manter-se-ia sempre como um dos titulares da equipa. Tal estatuto dar-lhe-ia um total de 5 campanhas primodivisionárias, 129 partidas disputadas, 25 golos concretizados em jogos oficiais e o direito a usar a braçadeira de capitão. Seguir-se-ia o regresso ao Algarve para, em 1980/81, ingressar num Farense a militar no 2º escalão. Finalmente, como o último capítulo da sua caminhada como futebolista, surgiria, em 1980/81, o regresso ao Lusitano FC. A colectividade de Vila Real de Santo António serviria também para alimentar a sua senda como técnico, onde, após orientar as camadas jovens por várias ocasiões, também viria a assumir-se como o treinador-principal do conjunto sénior.

1592 - CELSO

Celebrizado pelo Botafogo de Ribeirão Preto, Celso Antônio Paschoalato ou Celso Cajuru, como ficaria conhecido no Brasil, encetaria a carreira sénior na temporada de 1980. Chamado à equipa principal pelo técnico Cláudio Garcia, os 6 anos seguintes dariam o guarda-redes como uma das figuras do emblema sediado no estado de São Paulo. Curiosamente seria após um empréstimo, ao plantel de 1986 do Grêmio Desportivo Sãocarlense, que a caminhada do jogador mudaria de rumo e após o “namoro” falhado entre uma colectividade lusa e um outro colega de posição, a escolha do referido emblema recairia sobre Celso.
Com a proposta do Farense bem acolhida pelo guardião, Celso, com a temporada de 1986/87 sensivelmente a meio, acabaria por viajar para Portugal. A trabalhar novamente com Cláudio Garcia, treinador que havia lançado o atleta no Botafogo, o guarda-redes depressa conseguiria ultrapassar a concorrência dos mais directos competidores a um lugar à baliza, para o caso, o concurso de Delgado e de Tavares. Apesar do fraco desempenho colectivo na época da sua chegada a Portugal, o alargamento da 1ª divisão para 20 equipas permitiria a continuação da agremiação algarvia no convívio com os “grandes”. Tal ocasião permitir-lhe-ia, não só continuar a exibir-se no patamar maior do futebol português, mas também a ser aferido como um dos melhores guarda-redes inscrito nas provas lusas. Titular, saberia manter esse estatuto no que restaria do seu percurso feito pela colectividade do Sotavento e a presença em 3 campanhas* desportivas dar-lhe-ia a estima entre os adeptos e um lugar entre os nomes com mais presenças no escalão máximo.
No regresso ao Brasil, o jogador começaria por integrar o grupo de trabalho de 1990 do Náutico Capibaribe. Já a mudança de colectividade, com a temporada de 1991 em andamento, introduzi-lo-ia ao Paraná e dar-lhe-ia a oportunidade para conquistar o “Estadual” Paranaense. Daí em diante, a caminhada desportiva do guarda-redes tornar-se-ia um pouco mais errante, com Celso a vestir as cores da Chapecoense, Comercial, Atlético Sorocaba e Paraguaçuense. Aqui surge a primeira grande dúvida no que concerne à sua senda competitiva. Apesar de ser esta sucessão clubística a mais consensual entre diversas fontes, a correcção exige-me afirmar a existência de outras** e que dão o futebolista como elemento de um enorme rol de agremiações!
Para terminar esta pequena biografia, falta-me referir a sua carreira académica, na qual Celso haveria de frequentar a Licenciatura em Direito e, com conclusão do aludido curso superior, passaria a exercer a profissão de advogado.

*na entrevista publicada em https://www.facebook.com/HeltonPimenta/videos/helton-pimenta-entrevista/1448659095830937/, Celso faz referência a uma passagem de 4 anos por Portugal.
**https://terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/celso-cajuru-4104

1578 - PARRA

Natural de Portalegre, Valentim José Roque Parra despontaria para o futebol com as cores do Portalegrense. Daí para as “escolas” do Sporting Clube de Portugal seria um pequeno salto. No entanto, apesar da aposta dos “Leões” nas qualidades do médio de características ofensivas, a verdade é que o momento de transição para o patamar sénior seria ingrato para o jovem intérprete. Sem lugar num grupo de trabalho ainda a viver o rescaldo da vitória na Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64, o jogador veria Fernando Caiado a preteri-lo em detrimento de outros nomes e a solução para a continuação da sua carreira viria do União de Lamas.
Com o início da carreira sénior a ocorrer nas contendas planeadas para a edição de 1967/68 da 2ª divisão, seria a mudança para o plantel de 1968/69 do Feirense a dar ao jogador a etapa mais representativa do seu trajecto desportivo. A transferência para os “Fogaceiros”, apesar de obrigar o atleta à descida de um degrau na escala competitiva do futebol luso, dar-lhe- ia a oportunidade de envergar a camisola daquela que viria a tornar-se na divisa que, por mais anos, o acompanharia. Ainda durante algum tempo a pelejar-se nas contentas do 3º escalão, a ambição da colectividade sediada em Santa Maria da Feira transformaria a temporada de 1973/74 na campanha de regresso do clube ao patamar imediatamente acima. Já como um elemento fundamental nas manobras tácticas dos diferentes treinadores, Parra começaria a cimentar-se com uma das grandes figuras da agremiação. Com companheiros de balneário como Manuel Pinto, Henrique Nunes, Cândido Araújo, António Portela, Sobreiro, Acácio Silva, entre outros históricos, o médio ajudaria à caminhada que, com os colegas ainda agora arrolados, empurraria os de azul a outro feito competitivo e a levá-los a inscrever-se como os elementos participantes da segunda aparição do emblema entre os “grandes”.
A época de regresso do Feirense à 1ª divisão teria Parra já como capitão. Nessa temporada de 1977/78, orientado o grupo de trabalho inicialmente por Eduardo Gonzalez para, a partir da 4ª jornada do Campeonato Nacional contar com a orientação técnica do Professor João Mota, o médio, apesar de utilizado com uma boa frequência, não teria a preponderância de anos anteriores. Talvez por esse motivo, não deixando de ser curioso o facto, o jogador acabaria por conhecer o termo da união aos “Fogaceiros”. Com o fim da ligação de uma década, o atleta teria no Sporting de Espinho a nova morada. Nesse sentido, também os “Tigres da Costa Verde” marcariam um novo trecho nos patamares secundários e depois de uma temporada com o listado alvinegro, o Lusitânia de Lourosa e o Esmoriz tornar-se-iam nos emblemas seguintes de uma caminhada que viria a concluir-se com o fecho da temporada de 1984/85.

1577 - BULE

Concluído o percurso formativo com as cores do Sport Lisboa e Olivais, seria no emblema lisboeta que Manuel António Caetano Bule, na temporada de 1977/78, daria os primeiros passos no escalão sénior. Com o conjunto “alfacinha” a disputar o 3º escalão, o ponta-de-lança cedo começaria a destacar-se como um intérprete dono de uma boa presença nas grande-áreas adversárias. Os golos depressa também haveriam de tornar-se num dos seus predicados. Ainda assim, o interesse de colectividades a pelejarem-se em patamares maiores demoraria a assomar-se e o surgimento do jogador na 2ª divisão dar-se-ia, após a experiência no plantel de 1979/80 do Odivelas, com as cores do União de Santarém.
Com a entrada na agremiação ribatejana a acontecer na campanha de 1980/81, Bule daria continuidade a uma caminhada que viria a caracterizar-se pela errância. Ao não permanecer mais do que uma época na maioria das suas experiências clubísticas, ainda assim o avançado-centro, resultado de uma veia goleadora bem cevada, viria a ser cobiçado por colectividades de ambições superiores. Desportivo de Chaves, Belenenses, Nacional da Madeira e Estoril Praia transformar-se-iam numa montra para o avançado e a oportunidade de partilhar o balneário com nomes que viriam a tornar-se de enorme monta no cenário futebolístico português. Nesse sentido, depois de em Trás-os-Montes ter jogado com António Borges, a passagem pelo Restelo dar-lhe-ia a oportunidade de conhecer um jovem José Mourinho. Já no Funchal teria em Oceano um dos colegas, para, na Linha de Cascais, trabalhar ao lado de Fernando Santos. Porém, apesar dos momentos inolvidáveis vividos nas colectividades já referidas, seria uma nova mudança e a chegada ao Alto Alentejo a dar ao jogador o momento mais faustoso de toda a sua senda desportiva.
Apresentado como reforço d’ “O Elvas” para a temporada de 1985/86, Bule passaria a trabalhar sob a alçada de Carlos Cardoso. Ainda que a manter-se nas contendas do degrau secundário, o ponta-de-lança, com o avançar das rondas no Campeonato Nacional começaria a aproximar-se de um objectivo nunca antes alcançado. Com o emblema raiano a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, a subida de escalão dar-lhe-ia a honra de disputar, nas provas agendadas para 1986/87, a 1ª divisão. No entanto, no convívio com os “grandes”, o atleta, ao manter-se ao serviço dos “Azuis e Ouro”, veria as habilidades de Roberto e Juan Carrasco a serem preferidas às qualidades por si oferecidas ao sector mais ofensivo da agremiação alentejana. Nesse contexto, mesmo tendo sido um suplente com uma utilização razoável, o jogador preferiria deixar o clube e, em 1987/88, voltaria a Trás-os-Montes, dessa feita para representar o Vila Real.
Sacavenense, Beneditense, Futebol Benfica e União Arcozelo completariam uma caminhada que terminaria em 1996/97, já nos “regionais” da Associação de Futebol da Guarda e com o jogador a somar no currículo aproximadamente duas décadas de carreira sénior e 13 camisolas diferentes.

1561 - GERMANO

Com a aparição na primeira equipa do GD Foz Côa a acontecer na temporada de 1971/72, José Germano Pinto de Carvalho começaria a sua caminhada sénior pelos “distritais” da Associação de Futebol da Guarda, distrito igualmente a dar-lhe a naturalidade. Apesar de bem afastado dos principais escaparates do desporto luso, o médio de pendor ofensivo, à custa do trabalho realizado nesse ano de estreia, mereceria a oportunidade dada pelo Vitória Sport Clube e ingressaria no plantel da colectividade minhota, como reforço para a campanha de 1972/73. A trabalhar sob a alçada de Mário Wilson, o atleta teria o ensejo de estrear-se no escalão máximo português. Porém, nem na época de chegada a Guimarães, nem na seguinte, o jogador conseguiria alcançar o número de jogos suficientes para justificar a sua continuidade e a época de 1974/75 marcaria nova mudança de rumo no seu trajecto competitivo.
As passagens por Famalicão, Penafiel, Feirense e Beira-Mar servir-lhe-iam de interlúdio até nova aparição na 1ª divisão. Aliás, seria no colectivo aveirense, onde despontavam jovens como Veloso e António Sousa, que o regresso ao convívio com os “grandes” viria a acontecer. Nesse sentido, com os anos a darem-lhe mais traquejo, Germano depressa viria a tornar-se num dos favoritos do grupo comandado por Fernando Cabrita. A titularidade conquistada no escalão principal dar-lhe-ia outra visibilidade, como que a prometer-lhe outros voos. Tal horizonte, a exaltar um crescimento bem sustentado, passados 3 campanhas sobre a entrada no Estádio Mário Duarte, surgiria do Sporting de Braga. Novamente no Minho a partir da temporada de 1980/81, o médio-ofensivo manteria a preponderância de anos anteriores e nas épocas subsequentes tornar-se-ia num dos nomes a averbar números dignos nas manobras dos “Guerreiros”, no arranque da década de 1980.
Em abono da verdade, Germano, que na “Cidade dos Arcebispos” viria a trabalhar com os técnicos Mário Lino, Quinito e Juca, nunca viria a sublinhar-se como um dos indiscutíveis no alinhar do “onze” titular. Ainda assim, há a destacar a sua presença no banco de suplentes na final da Taça de Portugal de 1981/82, da qual, com o desafio a decorrer no Estádio Nacional, o Sporting de Braga sairia derrotado pelo Sporting Clube de Portugal. Nisso de momentos relevantes, também não poderei esquecer a sua participação na Supertaça da época seguinte. Contudo, tais episódios seriam insuficientes para justificar a sua continuidade na colectividade minhota e com os últimos desafios pelos “Arsenalistas” a ocorrerem nas provas agendadas para 1982/83, o médio também encerraria a registo a conferir-lhe ao currículo 7 temporadas nas contendas primodivisionárias.
Seguir-se-iam os escalões secundários e, numa caminhada que levaria o atleta a continuar a competir até perto dos 40 anos de idade, uma série de diferentes emblemas. Nesse desenovelar, o regresso ao Beira-Mar precederia a sua passagem pela AD Guarda e as experiências com as cores do Vila Real, do Sporting da Mêda e do GD Foz Côa. Não muito tempo depois da decisão de “pendurar as chuteiras”, concretamente na temporada de 1992/93, Germano assumiria o comando do SC Régua. Como técnico-principal, num trajecto cumprido na sua integridade pelos cenários futebolísticos inferiores, o antigo médio, com especial enfase para os vários anos ao serviço da AD Guarda, ainda treinaria emblemas como o Alcains, o Oliveira do Hospital ou o Seia.