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1404 - VASSALO


Júnior do Benfica, Pedro Vassalo acabaria chamado à selecção portuguesa a disputar certames no mesmo escalão. Com a primeira internacionalização a acontecer numa partida frente a Inglaterra e a contar para a edição de 1978 do Torneio Internacional do Mónaco, esse jogo, orientado por Peres Bandeira, encaminharia o jovem defesa-esquerdo para uma caminhada que, em exclusivo no patamar sub-18, acumularia 6 pelejas com a “camisola das quinas”. Já no que ao trajecto clubístico diz respeito, o atleta não teria tanta sorte e, terminada a formação, a sua estreia como sénior dar-se-ia longe da Luz.
Integrado no plantel de 1979/80 do Rio Maior, Vassalo daria início a um percurso dedicado às disputas dos escalões inferiores. Depois de, por um ano, experimentar a 3ª divisão, a mudança para Trás-Os-Montes levá-lo-ia a subir um degrau na escala competitiva. A visibilidade conseguida ao serviço do Desportivo de Chaves começaria a revelar, nos dois anos passados na cidade flaviense, perspectivas de um futuro risonho. O passo seguinte, no sentido de uma evolução positiva, emergiria na oportunidade oferecida pelo Salgueiros e o acordo rubricado com o emblema sediado no portuense bairro de Paranhos, dar-lhe-ia a estreia no convívio com os “grandes”.
Como membro do plantel a jogar em casa no Estádio Vidal Pinheiro, a época de1982/83, como dito no final do parágrafo anterior, serviria para Vassalo dar os passos iniciais na 1ª divisão. Orientado nessa estreia por Henrique Calisto, o defesa, mesmo ao disputar o lado canhoto do sector mais recuado com colegas mais experientes, conseguiria assumir-se como um dos elementos de maior utilização no decorrer do Campeonato Nacional. Com a época seguinte, a sua importância cresceria ainda mais. O atleta aumentaria o número de desafios cumpridos naquela que é a prova mais relevante agendada para o calendário futebolístico português e esse facto serviria para sublinhar a surpresa materializada no final da temporada, a qual resultaria da procura de outro rumo para a carreira do jogador.
A entrada no Paços de Ferreira faria de 1984/85 a primeira época de uma caminhada a afastá-lo, em definitivo, do escalão máximo do futebol luso. Aos 3 anos passados na “Capital do Móvel” seguir-se-iam outros emblemas, dos quais o destaque maior iria para o Mangualde. Na localidade do Distrito de Viseu, com uma época pelo meio ao serviço do Vila Real, o defesa jogaria 4 temporadas. Porém, mesmo com a caminhada competitiva bem sublinhada pela metade final da carreira, o tempo ainda disponibilizaria a Vassalo a oportunidade de colorir o seu trajecto com a paleta de outras agremiações. Nesse sentido, depois de mudar de residência para o Ribatejo, falta-me ainda fazer referência ao União de Almeirim, ao Atlético Futebol Clube Vale de Santarém e ao “pendurar das chuteiras” com o termo da temporada de 1996/97.

1030 - ANTÓNIO JORGE



O CD Montijo apareceria na sua vida ainda em idade júnior. Numa altura em que já estava a terminar a formação, e com o clube a viver a 3ª época na 1ª divisão, a António Jorge seria dada a oportunidade de dar os primeiros passos no escalão máximo do futebol nacional. A estreia aconteceria, nada mais, nada menos, do que no Estádio da “Luz”. Chamado a jogo por José Moniz, o avançado entraria no “onze” inicial. Porém, a sua presença em campo seria insuficiente para contrariar o poderio das “Águias” de John Mortimore. O emblema da Margem Sul, nessa 13ª jornada de 1976/77, ainda conseguiria superar-se durante grande parte do desafio. No entanto, a partida terminaria com a vitória do Benfica por 4-1.
Nessa temporada de estreia no patamar sénior, com atletas como Bolota e Gijó a tomarem a dianteira na corrida para o escalonamento da equipa, a António Jorge seriam dadas poucas chances para mostrar a sua habilidade. Com a descida do CD Montijo no final da campanha, o jovem avançado acabaria também por ser empurrado para os escalões secundários. As épocas seguintes, apesar de equipar por conjuntos com ambições aos lugares de subida, prolongariam a sua passagem pela 2ª divisão. Barreirense e Recreio de Águeda, numa senda que traria à sua carreira muita experiência, acabariam por fazer parte dessa etapa.
Com a importância que só o traquejo pode trazer, António Jorge apresentar-se-ia de novo ao escalão maior. No final da 2ª temporada a jogar pelo Recreio de Águeda, o avançado consagrar-se-ia como um dos atletas que, em 1982/83, dariam um bom contributo para a primeira subida do conjunto ao patamar máximo. A preponderância conquistada durante os anos iniciais com os aguedenses, manter-se-ia na época de estreia do emblema no escalão principal. Em 1983/84, sob a alçada do ex-sportinguista José Carlos e, depois da saída deste, com a chegada de Albano Soares, o atacante nunca deixaria de ser presença assídua nas fichas de jogo. Mesmo como um dos pilares do conjunto do Baixo Vouga, mais uma vez o jogador veria o seu grupo descer no final da campanha. Ainda assim, nem tudo seriam más recordações e o golo marcado em Alvalade à 12ª jornada, persistirá como um dos momentos inesquecíveis do seu percurso.
Depois da passagem pela agremiação do Distrito de Aveiro, as escolhas que António Jorge acabaria por fazer não voltariam a pô-lo no convívio dos “grandes”. Apesar de, em 1984/85, ter ajudado à promoção do Desportivo de Chaves, a verdade é que, na época seguinte, o destino levá-lo-ia a outras paragens. Com um papel importante na referida subida, resultado das muitas presenças em campo, a sua saída da colectividade flaviense acabaria envolta em dúvidas. O facto é que na temporada seguinte, o avançado apresentar-se-ia com as cores do Vizela. Daí em diante, e num períplo que podemos classificar como saltitante, o atleta mudaria várias vezes de clube. Lixa, Peniche, o regresso ao CD Montijo e o Moura, precederiam aquele que viria a tornar-se no derradeiro emblema do seu trajecto enquanto futebolista.
Seria no Pinhalnovense que, já na década de 90, o jogador haveria de “pendurar as chuteiras”. Não pensem, no entanto, que o antigo avançado conseguiria desligar-se da modalidade. Alguns anos depois, em 2002, António Jorge Galvão apresentar-se-ia como aspirante à presidência do CD Montijo. Ficaria no lugar, mas encontraria o histórico emblema numa situação bastante difícil – “Quando chegámos, em Julho, encontrámos um passivo de dois milhões de euros. Com este panorama, tomámos a decisão de pagar as dívidas do dia-a-dia, pois não temos a capacidade financeira para resolver todos os problemas (…). Até as taças estão penhoradas. O estádio é da Câmara, não temos terrenos, não podemos ter nada em nosso nome senão também é penhorado”*.

*retirado do artigo publicado a 22 de Janeiro de 2003, em www.record.pt

293 - NORTON DE MATOS


Ao ser sobrinho-bisneto da personalidade que dá nome à avenida onde está edificado o Estádio do Sport Lisboa e Benfica, o General Norton de Matos, não poderia haver melhor clube para dar início às lides futebolísticas do que as “Águias”. No entanto, Luís Norton de Matos, que, ao lado de craques como Shéu, até chegaria a ser campeão pelos juniores benfiquistas, nunca cumpriria um único jogo pela equipa principal “encarnada”.
Tapado por estrelas como Vítor Batista, Nené, Artur Jorge ou Jordão, a falta de oportunidades levariam o jovem avançado, depois da passagem pelas “reservas” benfiquistas, a ser cedido à Académica de Coimbra, em 1973/74. No entanto, aquela que emergiria como a solução mais lógica para o normal evoluir do jogador, não teria a continuidade desejada. Cumprido um ano sob o início do empréstimo e com o possível regresso à "Luz" em mente, a verdade revelaria ao atacante o rumo de outro emblema.
Os passos seguintes na sua carreira levá-lo-iam a 2 campanhas com as cores do Estoril Praia e depois a cumprir 1 temporada no Atlético. A crescer futebolisticamente, seria já no Belenenses que as suas habilidades ofensivas fá-lo-iam apanhar outros voos. No Restelo, na época de 1977/78, num dia em que o visado até era o atacante Manuel Amaral, os dirigentes de um clube belga ficariam deliciados com a exibição de Norton de Matos e, principalmente, com o golo marcado fora da área – “mal assinei pelo Standard, recebi da Adidas três pares de chuteiras com pitons de alumínio, outras três com pitons de borracha, fatos de treino, sapatilhas, tudo e mais alguma coisa (…). Eu, por exemplo, tinha casa de fãs espalhadas por toda a Bélgica. Em Bruxelas, Antuérpia, Charleroi… Clubes de fãs”*.
Apesar da experiência positiva, onde para além de evoluir muito como praticante ainda ganhou uma Taça da Bélgica, ao fim de três temporadas dar-se-ia o seu regresso a Portugal. No Portimonense, sob a alçada do jovem e promissor técnico Artur Jorge, a qualidade acrescida pela sua contratação ajudaria a construir uma equipa de enorme valor. O resultado dessas épocas de 1981/82 e 1982/83, seriam dois 6ºs lugares consecutivos e, para Norton de Matos, a entrada, há muito merecida, na lista de convocados para a selecção nacional “A”.
Após o regresso ao Belenenses e uma passagem pelo Estrela da Amadora, terminada a carreira de futebolista, Norton de Matos abraçaria a de treinador. Com passagens pela 1ª divisão no Salgueiros, no Vitória Futebol Clube e no Vitória Sport Clube, os seus últimos anos têm sido cumpridos entre a Guiné-Bissau, onde chegou a seleccionador, e o Senegal, onde orientou o Étoile Lusitana. Este ano aceitou o desafio de comandar o regresso da equipa “B” do Benfica. Para já os resultados estão à vista, com a segunda equipa dos “Encarnados” a ocupar os lugares cimeiros da tabela classificativa da Liga Orangina e, principalmente, com o surgimento de boas promessas.

*retirado de “101 cromos da Bola”, Rui Miguel Tovar, Lua de Papel, Março de 2012

244 - JOÃO PINTO


Jogar 16 anos pela equipa sénior do FC Porto serão suficientes para personificar a mística de um futebolista? Para João Pinto, é claro que não!
Para o antigo defesa, todo esse tempo passado de “azul e branco”, nada significaria se o mesmo não fosse, sem excepção de um único segundo, o melhor exemplo de abnegação por um clube. Contudo, não pensem que o sacrifício ficou resumido às correrias de um normal jogo da bola! Nisso, como é fácil recordar, o lateral também era incansável. Porém, o que muitos desconhecem, é que para o jogador poucas foram as lesões que o deixaram fora de combate –  "(...) parti o dedo pequeno do pé direito e tanto o treinador como os médicos me disseram para esquecer, que não dava para jogar. Eu disse que jogava e joguei: cortei a bota para o dedo ficar de fora e pintei a meia, que era branca, de preto, para que os adversários não dessem por ela." De outra vez, como o próprio também conta - (...) estava com gripe e cheio de dores nas costas, até me custava a respirar. (...) só me diziam que devia ser uma costela partida, mas queria jogar. Ligaram-me o peito e fiz o jogo todo (...). O problema é que as dores aumentaram e no dia seguinte estava no Hospital (...). Fui operado a uma infecção na pleura"*.
Todo o seu carácter contribuiu para que, incontestavelmente, João Pinto, durante vários anos, fosse o capitão de equipa. Como resultado dessa postura inabalável, teve o prazer de erguer muitos dos troféus que venceu pelo emblema do “Dragão”. Foi nesse papel que em Viena, na noite do Praterstadion e contra todas as expectativas, levantou bem alto a Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87. Gomes, lesionado, ficou impedido de participar na referida partida e foi o defesa-direito a substituí-lo. Como curiosidade, ficou também a imagem da sua emoção, que levou o jogador a praticamente não largar o precioso prémio! Correu e correu com o “caneco” nos braços e, literalmente, só soltou a taça por dois brevíssimos instantes e para que Madjer e o Presidente Pinto da Costa pudessem comprovar o peso da conquista.
Na selecção, à imagem de todos os outros desafios, soube sempre levar para dentro de campo toda a sua garra. Fê-lo nas partidas referentes ao Europeu de 1984 e, apesar de convocado, só não repetiu a faceta no Mundial de 1986, pois ainda estava em recobro da referida pleurisia. No resto da caminhada com as cores lusas, foram tantas as vezes que vestiu a “camisola das quinas” que, em 1994, por altura da sua 67ª chamada à equipa nacional, ultrapassou o número máximo de internacionalizações seniores na história da Federação Portuguesa de Futebol. Ao referido recorde, juntou também o do atleta que em mais encontros envergou a braçadeira de capitão de Portugal, isto é, 42 vezes.
 
*adaptado do artigo publicado em https://fcportonoticias.wordpress.com, a 02/02/2012, citando www.ojogo.pt

55 - WASHINGTON

A história deste (vamos a mais um eufemismo) aguerrido jogador começa nos finais dos anos 60. Por essa altura, ainda no Flamengo, Washington não sonharia que uma futura transferência mudaria para sempre a sua vida. Assim foi!
Depois do Brasil, o defesa decidiu que o passo seguinte na sua carreira seria dado em Portugal. Por cá, apesar de ter representado, principalmente, o Varzim, também teve passagens por emblemas como o Sporting de Espinho, Rio Ave e Lusitânia de Lourosa.
Consta que terá sido num destes "entretantos" que o seu coração ficou cheio pelos encantos de uma bela moça do Norte. Dessa história de amor resultou, para além de outros dois defesas centrais, uma grande controvérsia no mundo científico! É que a cor dos olhos, a altura, o formato do cabelo, já se sabia serem fenótipos herdados geneticamente. Agora, a "arte do cacete" é uma característica que nem Darwin adivinharia ser possível passar de pai(s) para filhos!
Sejamos francos, é incontornável não pensar na Teoria de Evolução depois de conhecer a família Alves!