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903 - RYAN GIGGS

Filho do jogador de rugby, e internacional galês Danny Wilson, Ryan Giggs haveria de escolher os pés como ferramenta principal para manobrar a bola. No entanto, e com toda a ironia que tal acarreta, seria a carreira do pai que acabaria por ter grande influência no seu trajecto profissional. Ora, quando era apenas uma criança, a transferência do seu progenitor para o Swinton RLFC levá-lo-ia para a Grande Manchester. Sendo um apaixonado pelo futebol, o jovem praticante teria a primeira oportunidade nos “Citizens”. Curiosamente, seria nos grandes rivais do United, para onde seria transferido passados alguns anos, que faria toda a sua caminhada sénior e onde conquistaria os mais diversos troféus.
Tendo evoluído junto com a fornada que ficaria conhecida como a “Class of 92”, seria ao lado de Gary Neville, Phill Neville, Paul Scholes, Nicky Butt e David Beckham que o extremo apareceria na primeira equipa do Manchester United. Apesar do baptismo do grupo ter sido inspirado na vitória na FA Youth Cup de 1992, a estreia de Ryan Giggs com a principal camisola dos “Red Devils” aconteceria na temporada de 1990/91. Nas mãos de Sir Alex Ferguson, o consagrado “manager” escocês, não tardou muito até que o seu nome passasse a figurar como um dos elementos mais utilizados do plantel. Pelo lado esquerdo do ataque, o destaque que mereceria seria de tal ordem que, logo na segunda e terceira época como sénior, haveria de vencer o “PFA Young Player of the Year”.
Os prémios que, nesses primeiros anos, fariam dele uma revelação no futebol britânico, haveriam de ser um prenúncio para uma carreira recheada de êxitos. Tantos sucessos teriam sempre, como é lógico, de ficar associados a uma das mais brilhantes páginas da história do Manchester United. Durante o tempo em que representou a equipa, atingiu números que conseguirão espantar qualquer um. Podemos começar com as 24 temporadas que passou com a camisola sénior do clube. Depois, temos ainda os 963 jogos seniores pelos “Red Devils” que adicionadas às partidas feitas pelas selecções (sim, plural!!!), ultrapassam as 1000 partidas. Claro está que falta aqui referir o número mais importante. Esse, um cômputo de 34 títulos, faz dele o atleta mais premiado colectivamente no universo britânico.
Nessa sua longa carreira, como é fácil de desvendar, Ryan Giggs vestiu outras camisolas. Agora, o que não é difícil de adivinhar é que, no que a selecções diz respeito, o extremo haveria de vestir 3 camisolas diferentes. Ainda nos “Schoolboys”, a sua escolha recairia pela Inglaterra. Contudo, a ligação que sempre nutriu pela sua nação natal faria com que, ainda nos sub-18, passasse a representar o País de Gales. Pelos “Dragões” faltou ao jogador disputar uma das grandes competições dedicadas às equipas nacionais. No entanto, uma excepção concedida por altura das olimpíadas de 2012, faria com que tivesse a honra de capitanear a Grã-Bretanha nos Jogos disputados em Londres.
Com a sorte de nunca ter sofrido uma lesão grave, a longevidade de Ryan Giggs no desporto também é devida a muita disciplina. Por outro lado, no campo, seriam tudo menos as regras que fariam dele um dos melhores futebolistas de todos os tempos. O atacante foi um virtuoso. Excelso na maneira como lia o jogo, o pé esquerdo, fosse no passe ou no remate, tratava a bola com delicadeza. Essas suas características permitir-lhe-iam, não só marcar muitos golos, como municionar os seus colegas de área. As 162 assistências dar-lhe-iam mais um recorde que, desde o seu afastamento dos relvados em 2014 (a meses de completar 41 anos de idade), ainda não foi batido.

866 - ANDERS ANDERSSON

Dividida a sua formação entre o Svenstorps IF e o Malmö FF, seria no emblema do Sul da Suécia que Anders Andersson faria a transição para o patamar sénior. Tendo como companheiro de balneário o também ex-benfiquista Stefan Schwarz, a evolução do médio levá-lo-ia, logos nos primeiros anos com o plantel principal, a conquistar uma posição de destaque no meio-campo da sua equipa. De tal forma seria positiva a sua evolução que, em 1992, o seu nome seria adicionado ao rol de atletas a participar nos Jogos Olímpicos de Barcelona.
Para a estreia na selecção “A”, o atleta teria ainda de esperar mais um par de anos. Mesmo tendo conseguido a primeira internacionalização em 1994, só a partir de 1997 é que a sua presença na equipa nacional começa a ser habitual. Ao passar a ser chamado com bastante frequência, também o seu valor aumenta. No decurso dessa evolução, surge então o interesse de um clube inglês. Andersson muda-se para a Premier League na temporada de 1997/98, mas a sua passagem pelo Blackburn Rovers seria tudo menos positiva.
Raramente utilizado, o centrocampista deixa Ewood Park aproximadamente um ano após a sua chegada. Consequência da falta de presenças em campo, Anders Andersson acaba também por perder espaço na selecção sueca. É então que decide deixar Inglaterra para, noutro país, relançar a sua carreira. A escolha levá-lo-ia a viajar até à Dinamarca. As 3 épocas seguintes passá-las-ia ao serviço do Aalborg para, logo na primeira dessas campanhas, conseguir sagrar-se campeão nacional. Muito para além do troféu ganho, o atleta volta a jogar com regularidade. Esse facto fá-lo-ia regressar aos planos da selecção e, como consequência, o seu nome acabaria por fazer parte dos convocados para disputar o Euro 2000.
Com a sua cotação a crescer, é o Benfica que, dessa feita, decide apostar na sua contratação. Em Lisboa, onde chega no Verão de 2001, encontra o clube em fase de transição. Numa altura em que as “Águias” caminhavam de volta aos títulos, o sueco, ao participar nas primeiras rondas da prova, ajuda na conquista da Taça de Portugal de 2003/04. Já a meio da referida temporada, e com os olhos postos na fase final do Euro 2004, o médio decide trocar a Luz pelo Restelo. No Belenenses joga durante época e meia e, pelo meio, participa no Europeu organizado em Portugal.
O final do seu trajecto desportivo levá-lo-ia de volta ao seu país e ao emblema que, no início dos anos 90, o tinha lançado no futebol profissional. No Malmö FF joga desde 2005 até 2008, ano em que decide ser a altura certa para terminar a carreira. Desde então, o antigo internacional sueco tem dedicado o seu tempo ao comentário desportivo. Nessas funções tem colaborado com alguns jornais e programas televisivos.

864 - EMERSON

A falta de espaço na equipa sénior do Flamengo, levaria a que Emerson, atleta saído das “escolas” do emblema carioca, acabasse cedido ao Coritiba. No entanto, a passagem pelo 3º patamar do “Brasileirão” seria bem curta. Com a campanha de 1992 já a decorrer, surge o interesse de um clube português. O Belenenses, orientado pelo técnico brasileiro Moisés de Andrade, decide apostar no jovem médio e contrata-o. Nessa temporada, ajuda os “Azuis” a regressar ao escalão máximo, para em 1992/93 fazer a sua estreia na 1ª divisão.
As temporadas no “Restelo”, com destaque para aquelas passadas entre os “grandes”, levariam a que a cotação do médio subisse em flecha. Falar-se-ia na transferência para o Benfica, também no Sporting, mas acabaria por ser o FC Porto a tomar a dianteira. Por recomendação de Sir Bobby Robson, por essa altura no comando dos “Dragões”, Emerson mudar-se-ia para as Antas. Estreia-se na temporada de 1994/95 e, de imediato, torna-se num dos pilares dos primeiros Campeonatos do “Penta”.
2 anos a jogar na “Invicta” seriam suficientes para que, mais uma vez, desse um salto na carreira. Com 2 Campeonatos e 2 Supertaças a embelezaram o seu currículo, é da “Premier League” que surge novo convite. O Middlesbrough, treinado por Brian Robson, aposta no atleta para reforçar um plantel que já contava com estrelas como Juninho Paulista, Branco, Nick Barmby ou Fabrizio Ravanelli. Com um plantel forte, o conjunto do nordeste inglês chega às finais da Taça de Inglaterra e da Taça da Liga. Em sentido oposto, o desempenho da equipa no Campeonato de 1996/97 deixaria muito a desejar. O 19º lugar na tabela classificativa significaria a descida do clube e, mais uma vez, a transferência de Emerson.
O desaire britânico acabaria, em bom nome da verdade, por empurrá-lo para um dos melhores períodos da sua caminhada profissional. Na “La Liga”, onde chegaria na temporada de 1997/98, começaria por vestir as cores do Tenerife. Durante as épocas passadas em Espanha viveria 3 anos nas Ilhas Canárias. Depois viria a mudança para o Deportivo e o sonho de vestir a camisola do “Escrete” – "Esteve perto! Em 1998 eu ainda era um desconhecido e não tinha muitas esperanças, mas em 2002 o selecionador, o Emerson Leão, foi à Corunha e disse que ia chamar-me para um jogo com o Peru, mas não me convocou. Depois ele foi substituído pelo Luiz Felipe Scolari e o meu nome nunca mais foi falado"*.
Tirando a passagem pelo Atlético Madrid, onde ainda manteve o estatuto de titular, o resto da sua carreira, caracterizar-se-ia por constantes mudanças de clube. Essa “roda-viva” levá-lo-ia nos últimos anos do seu percurso, a representar 6 clubes, em 4 países diferentes. Rangers (Escócia), Vasco da Gama (Brasil), Skoda Xhanti e AEK de Atenas (Grécia) e ainda o APOEL Nicósia (Chipre), seriam os emblemas de uma carreira que, em mais um regresso ao seu país, conheceria o fim com a camisola do Madureira.
Depois de abandonar os relvados, o futebol passou para segundo plano na sua vida. Apesar de ver o filho Michel a tentar seguir os seus passos, Emerson decidiu apostar noutros ramos. Em parceria com Djalminha, seu colega no “Depor”, o antigo jogador começou a investir no ramo imobiliário. Paralelamente, a sua entrada na política foi a maneira que encontrou para tentar ajudar a sua comunidade. Tento concorrido a Perfeito de Japeri, o seu sonho não termina aqui e, para 2018, tem planos para uma candidatura a Deputado Federal.

*retirado do artigo de Carlos Nogueira, publicado a 21/05/2017, em https://www.dn.pt/

860 - PHIL BABB

Tendo saído das “escolas” do Millwall, a única oportunidade dada a Phil Babb seria na equipa de “reservas”. Sem conseguir conquistar o seu espaço no conjunto de Londres, o jogador decidiria prosseguir a carreira noutro emblema. A mudança, no entanto, acarretaria uma certa privação. Ao contrário dos “The Lions”, que em 1989/90 frequentavam o patamar máximo inglês, o seu novo clube disputava uns escalões mais abaixo.
Na época seguinte, a de 1990/91, Phil Babb faria a primeira partida numa equipa sénior. Na “third division”, o atleta acabaria por ganhar um lugar no meio-campo do Bradford City. As boas prestações, conseguidas durante os 2 anos passados no clube, trariam os seus resultados. Mesmo estando a competir num patamar inferior, a verdade é que as suas qualidades começariam a ser apreciadas por emblemas de maior nomeada. Nesse sentido, é apresentado como reforço do Coventry e, em 1992/93, volta ao convívio dos “grandes”.
Na época a seguir à sua chegada às West Midlands, a carreira do jogador sofre um verdadeiro impulso. Já a jogar mais recuado no terreno, as suas exibições deixá-lo-iam bem visto. Como defesa, o atleta veria a sua velocidade, a capacidade de desarme e de marcação a inflacionarem a sua cotação. Para juntar às qualidades como futebolistas, também como Homem começa a ser visto como um grande exemplo. Por essa razão, a braçadeira de capitão fica ao seu encargo. No final da temporada mais um prémio e o central é votado pelos adeptos como o jogador do ano.
Paralelamente a tudo isso, aparecem na carreira do jogador as cores nacionais. Apesar de nascido em Inglaterra, o central daria a sua preferência à camisola da República da Irlanda. Depois da estreia em Março de 1994, Phil Babb veria o seu nome incluído por Jack Charlton na lista de jogadores a disputar o Mundial de 1994. No torneio organizado nos Estados Unidos da América o atleta é chamado a jogo em todas as partidas, ajudando o seu país a chegar aos oitavos-de-final.
No regresso a Inglaterra, Phil Babb ainda volta ao Coventry. Começa a temporada nos “Sky Blues”, mas a sua cotação já era alta de mais para que o clube conseguisse segurá-lo. É nesse contexto que aparece o Liverpool. Procurando resolver os problemas defensivos das campanhas anteriores, os “Red” decidem apostar forte no reforço do sector mais recuado. Pela mudança do internacional irlandês, o emblema de Merseyside pagaria qualquer coisa como £3,6 milhões. Parece pouco, mas na altura haveria de estabelecer um novo recorde para a transferência mais cara de um defesa na Premier League.
Entre 1994/95 e 1998/99, e apesar de só ter conseguido 1 League Cup (1994/95) para o seu palmarés, Phil Babb afirmar-se-ia como um dos atletas mais utilizados. Contudo, a chegada de Gérard Houllier viria alterar esse paradigma. Apoquentado por algumas lesões, que o deixariam em baixo de forma, o defesa acabaria por perder algum protagonismo. Na sequência desses episódios, o técnico francês, que já tinha ao seu dispor Sami Hyypia e Henchoz, decide emprestar o atleta. Em Janeiro de 1999 muda-se para o Tranmere Rovers e ajuda o clube do 2º escalão inglês a chegar à final da League Cup.
Já o Sporting entraria na sua carreira na temporada de 2000/01. O período em que representaria os “Leões” tornar-se-ia no mais prolífero em termos de troféus. No entanto, muito mais do que conseguir amealhar a Supertaça de 2000/01 e o Campeonato e Taça de Portugal da campanha seguinte, há um episódio que Phil Babb jamais esquecerá – “ «Lembro-me quando entrou no balneário: magrinho, com um cabelo enorme, ao estilo do Steve McManaman... Recordo-me que estávamos a fazer um exercício de ataque contra defesa. Aí, todos os atacantes vinham para cima de nós e vem na minha direcção um miúdo... Finta para aqui, finta para ali, passa por mim e coloca a bola no ângulo. Viraram-se todos para mim 'Babbsy, o miúdo deu cabo de ti' e coisas assim...". Ora, a seguinte tentativa foi ligeiramente diferente... "Finta para aqui, finta para ali, consegue o remate e eu acerto-lhe com o braço e mandei-o ao chão! Ele está no chão e viro-me para ele 'nunca mais!'. Começou a olhar para mim, sem saber o que raio se estava a passar. Ficou tudo em silêncio no treino... Acho que tive uma importante influência na carreira dele. Não será preciso dizer que foi para o outro lado e nunca mais voltou"»*.
Apesar de oferecido ao jogador um novo contrato, o defesa, por razões familiares, decidiria deixar Lisboa. No regresso às provas britânicas assinaria pelo Sunderland, onde, ao cabo de 2 temporadas, decidiria pôr um ponto final na sua caminhada como futebolista. Depois do “adeus” aos relvados, o antigo internacional orientaria a sua vida em diversas direcções. Para além de ter comprado parte da revista “Golf Punk” e de, como comentador, participar em programas da Sky Sports, Phil Babb daria primeiros passos como treinador nos amadores do Hayes & Yeading.

*retirado do artigo publicado em http://www.record.pt, a 12/11/2016

795 - SRNÍCEK

Depois de ter passado por diversos clubes durante os anos de formação, seria no Banik Ostrava que Pavel Srnícek faria a estreia no patamar sénior. Com um arranque de carreira normal para um jovem atleta, as primeiras temporadas do guardião, na sombra do internacional checoslovaco Ludek Miklosko, seriam discretas. Contudo, e já na temporada de 1990/91, dar-se-ia uma mudança radical. Tendo conseguido assegurar a titularidade, a presença do emblema nas competições europeias também ajudaria a catapultar a sua carreira. Essa visibilidade faria com que outros emblemas perseguissem o seu concurso e, em Janeiro de 1991, o guarda-redes acabaria transferido.
Mesmo sem a cotação muito elevada, de Inglaterra apareceria a tal proposta para o jogador. O Newcastle, ainda que no 2º escalão, surgiria como uma oportunidade em tudo irrecusável. É certo que a vida nos “Magpies”, pelo menos nos primeiros tempos, não haveria de ser um mar de rosas para Srnícek. Ainda assim, os anos seguintes elevá-lo-iam a uma das estrelas tanto do conjunto “geordie”, como do seu país.
Aliás, um dos grandes prémios que a transferência para o Reino Unido traria, seria a sua elevação ao estatuto de internacional. Pela República Checa, Srnícek seria chamado ao apuramento para o Euro 96. Nessa partida frente à congénere de Malta, jogada em Outubro de 1994, o guardião daria o passo inicial para estar presente no primeiro grande certame da sua carreira. No referido evento de selecções, também ele disputado em Inglaterra, o atleta acabaria como um dos suplentes de Petr Kouba. Mesmo sem ter entrado em campo, ainda assim, faria parte do grupo que, contra todas as expectativas, conseguiria chegar à final do torneio. Na sequência dessa participação, e com a recusa da Alemanha em disputar a Taça das Confederações, a presença ficaria à responsabilidade da equipa 2ª classificada no Europeu. Com Pavel Srnícek já como “dono e senhor” das redes do seu país, e chamado ao “onze” inicial em todos os jogos, a República Checa acabaria por conquistar o “bronze” nessa edição de 1997.
Voltando ao seu percurso no Newcastle, os 7 anos e meio que passaria com o emblema do Norte de Inglaterra serviriam para cimentá-lo como uma referência para colegas e adeptos. Mesmo atravessando alturas em que a sua presença em campo não era a mais regular, a importância que mantinha no seio do grupo faria com que a sua dispensa, se é que alguma vez chegou a ser equacionada, nunca chegasse a concretizar-se. Muito para além de qualquer especulação, a verdade é que Srnícek participaria em momentos de extrema importância para o clube. Já com Kevin Keegan aos comandos, o guardião estaria no regresso da equipa ao escalão máximo. Depois dessa promoção à “Premier League”, conseguida no final da temporada de 1992/93, viria a luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa. A conquista do título, 3 anos após a subida de divisão, quase seria alcançada. Só não aconteceu, pois, a par de uma descida de forma do conjunto alvi-negro, um “super” Manchester United haveria de os ultrapassar na recta final dessa corrida e conseguiria arrebatar o troféu.
Tendo esse período em Inglaterra marcado a primeira metade da sua carreira, já a segunda parte caracterizar-se-ia por diversas mudanças de rumo. Com passagens por diversos campeonatos e diferentes emblemas, seria já na recta final do seu percurso profissional que Srnícek chegaria a Portugal. Foi já depois de Itália, onde vestiu as cores do Brescia e Cosenza, e de ter representado os britânicos Sheffield Wednesday, Portsmouth e West Ham, que chegaria a vez de defender a baliza do Beira-Mar. Em Aveiro ficaria duas temporadas. Após o primeiro ano, em que não conseguiria evitar a descida dos “Aurinegros”, a época de 2005/06 ficaria marcada pela conquista do Campeonato da Divisão de Honra.
Após um curto regresso ao Newcastle, Srnícek, em 2007, decidiria ser o momento certo para “pendurar as luvas”. Mantendo-se ligado à modalidade, fundaria a sua própria escola de futebol e, durante um par de anos, como treinador de guarda-redes, passaria pela equipa técnica do Sparta de Praga.
Pavel Srnícek faleceria em 2016, vítima de problemas cardíacos.

663 - SCOTT MINTO

Tendo dado os primeiros passos como sénior no Charlton, seria nessa mesma temporada de 1988/89 que Scott Minto faria a sua estreia no escalão máximo inglês.
Jogador com qualidades físicas interessantes, mas que, ao mesmo tempo, possuía uma técnica bem superior à dos seus colegas de sector, o lateral esquerdo, na segunda temporada com o emblema londrino, já era um dos mais utilizados no plantel.
Com um caminho a mostrar uma evolução positiva, o seu desenvolvimento haveria, de algum modo, ser travado pela despromoção do Charlton. Mesmo a jogar no segundo patamar, as boas exibições faziam com que o seu nome não fosse esquecido nas convocatórias para a selecção. Nesse sentido, ninguém ficaria surpreendido quando, com destino a Portugal, o seu nome apareceu no grupo de atletas a disputar o Mundial S-20 de 1991.
É já depois dessa passagem (discreta) pelo nosso país e de mais uns anos a jogar no segundo escalão, que surge a aposta de um outro histórico de Londres. No Chelsea, apesar de mostrar qualidades suficientes para se apresentar nos grandes palcos, as lesões começariam a assolar a sua carreira. Tendo esse “handicap” como inimigo, ainda assim, Scott Minto, quando em plena forma física, era um dos mais requisitados dentro do plantel.
Seria no final da sua melhor época com os “Blues” que, curiosamente, a sua união ao clube terminaria. Depois de ter sido um dos mais utilizados e de, na final contra o Middlesbrough (2-0), ter ajudado à vitória na Taça de Inglaterra, o defesa, a coberto da “Lei Bosman”, parte para outras paragens – “Basicamente, eu estava no meu último ano de contrato no Chelsea. Estava a correr bastante bem, mas eu não estava contente com o que me haviam oferecido, então, decidi não assinar e esperar até ao final da temporada para ver o que acontecia. O meu último jogo pelo Chelsea foi a final da FA Cup em 1997 (…). E no dia imediatamente a seguir fomos para Hong Kong, Brunei e Singapura. Foi enquanto estava lá que o meu agente ligou e disse que o Benfica tinha estado a observar-me (…)”*.
Instigado pelo ambiente proporcionado pela massa adepta e impulsionado por boas exibições, Scott Minto pega de estaca no Estádio da “Luz”. Numa altura em que as “Águias”, desportivamente, andavam na mó de baixo, o inglês haveria de encontrar um balneário com uma série de atletas de qualidade superior. Calado, Poborsky ou Nuno Gomes, são nomes que, recorrentemente, são citados por Scott Minto. No entanto, há um que continua a merecer a sua especial contemplação – “(…) a pessoa que, provavelmente, eu admirei mais foi o João Pinto, porque ele era o Eric Cantona do futebol português. Sempre que as coisas não estavam a correr bem, esperava-se que ele nos tirasse delas e ele nunca fugiu à sua responsabilidade. Ele queria sempre a bola, mesmo quando a pressão estava no estádio e os adeptos não estavam contentes. Ele pegava na bola e tentava arranjar alguma coisa extra”*.
Ano e meio em Lisboa seriam suficientes para o próprio dizer que – “o Benfica foi o clube mais importante que representei em toda a carreira”**. Ainda assim, e depois de terminado o namoro com a sua companheira de então, a solidão de viver sozinho num país estrangeiro começou a fazer-se sentir. A oportunidade de voltar a Londres surgiria, então, pela mão do técnico Harry Redknapp. Contudo, o seu regresso à “Premier League”, voltaria a trazer ao jogador velhos problemas de índole física. Com as lesões a atrapalharem a integração de Scott Minto, o atleta não voltaria ao nível de outrora. Sendo sempre uma escolha de segunda linha, ainda assim, o lateral passaria 5 temporadas ao serviço do West Ham.
Já depois de, com cores do Rotherham United, ter, na época de 2005/06, posto um ponto final na sua vida de futebolista, Scott Minto decidiu ficar ligado à modalidade, mas, desta feita, como comentador. Em 2008, pela Universidade Staffordshire, concluiria a sua formação em “Professional Sports Writing and Broadcasting”. Desde então, é um dos habituais relatadores de jogos, nos mais populares canais desportivos britânicos.

 
*retirado da entrevista de Adam Bate, “Sky Sports”, a 19/11/2012
**retirado do artigo de Pedro Jorge da Cunha, www.maisfutebol.iol.pt, a 07/03/2007

639 - STEVE HARKNESS

Marcava já algumas presenças na equipa principal do Carlisle, quando, numa partida da FA Youth Cup, fente ao Liverpool, Harkness consegue impressionar Kenny Dalglish. O escocês, antiga estrela do clube e, à altura, treinador principal em Anfield, decide contratá-lo.
É assim que Steve Harkness, apenas um adolescente, chega à cidade dos Beatles. Ainda distante da primeira equipa, tudo aquilo que prometia ser reflectia-se nas convocatórias para as selecções jovens do seu país. Contudo, a esperança que nele estava depositada, não se cumpria em chamadas à primeira equipa. Durante os dois anos seguintes, Harkness haveria de vestir a camisola das “Reservas” e nada, nem o estatuto de capitão dos sub-18 ingleses, haveria de alterar esse cenário.
Tudo mudaria com Graeme Souness ao comando dos “Reds”. A 27 de Agosto de 1991, dia do 20º aniversário de Steve Harkness, o técnico chama-o à estreia no escalão principal. Por essa altura, ele que tinha desenhado os primeiros anos da sua carreira pela polivalência, era já um lateral-esquerdo feito. A velocidade e a força que impunha no seu jogo, davam para disfarçar alguma debilidade técnica. Mesmo com essa fragilidade, a sua postura era muito apreciada pelos treinadores. A dita entrega, haveria de o manter no plantel, ainda que, na maioria das vezes, afastado das convocatórias.
A falta de presenças no “onze” do Liverpool, levaria a que Harkness pedisse a sua própria transferência. A solução encontrada, levando o atleta a representar Huddersfield e Southend United, acabaria por ser o empréstimo. Após estas cedências, o regressado defesa, finalmente, começa a conquistar o seu lugar. No entanto, uma grave lesão no final dessa temporada de 1995/96, acabaria por pôr em risco toda essa sua ascensão.
Passado um longo recobro, Harkness, já na época de 1997/98, volta à titularidade. Quando tudo estava a correr bem para si, é a chegada de Gérard Houllier (1998/99) que acaba por abalar todo um cenário idílico. Mais uma vez afastado das congeminações tácticas do Liverpool, o lateral vira-se para o estrangeiro. Quem o recebe de “braços abertos” seria alguém que, entusiasta das suas habilidades, um dia haveria de o apontar como o “Homem com que gostarias de estar nas trincheiras”.
O autor do estranho enaltecimento, Graeme Souness, era, por essa altura, o “timoneiro” do Benfica. Com o clube “encarnado” a atravessar o “reinado” de João Vale e Azevedo, a contratação do inglês tudo tinha para correr mal. Desde a sua apressada estreia, dias após a sua chegada, aos seus últimos momentos na “Luz”, onde, como diria o próprio, nem sapatilhas tinhas para treinar, Harkness passaria alguns meses em Lisboa.
Após um processo disciplinar, por alegadas ofensas aos dirigentes benfiquistas, o lateral regressa a Inglaterra. No Blackburn Rovers volta a trabalhar com Souness. Contudo, nem este reencontro serviria para reavivar a sua carreira. Daí em diante, até aos seus últimos dias como profissional, Harkness viveria num constante corrupio. Passaria pelo Sheffield Wednesday e acabaria por terminar a sua carreira nos escalões secundários, já ao serviço do modesto Chester City.