Mostrar mensagens com a etiqueta 1995-96. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1995-96. Mostrar todas as mensagens

1738 - CAO

Conhecido no mundo do futebol pelo diminutivo Cao, Carlos Alberto Correia Fortes começaria a dar os primeiros passos na modalidade ainda em Cabo Verde. Numa altura em que, no Mindelo, já tinha representado a Académica e o Derby, o médio-defensivo, muito à custa da maneira aguerrida com que encarava cada desafio, veria o FC Porto a interessar-se pela sua contratação. Com a chegada às Antas a acontecer na temporada de 1988/89, o jogador passaria a integrar a equipa de juniores.  Já em 1990/91 começaria também a trabalhar com o conjunto principal e apesar de ter tido o seu nome numa ficha de jogo, o jovem atleta não chegaria, no decorrer da última época indicada, a entrar em campo.
O ano de 1991, também no contexto internacional, deixaria uma grande marca no percurso competitivo do médio-defensivo. Tendo escolhido representar Portugal, o jogador, numa altura em que a primeira internacionalização pelos sub-20 já remontava a 18 de Dezembro de 1990, seria arrolado por Carlos Queiroz à participação no Campeonato do Mundo da referida categoria. No certame realizado em terras lusas, o “trinco” ver-se-ia inserido num grupo de trabalho onde marcaria presença um enorme manancial de jovens craques. Pelo meio de nomes que viriam a brilhar no futebol global, a concorrência de Peixe remetê-lo-ia para o banco de suplentes. Ainda assim, a oportunidade para entrar em campo surgiria na ronda frente à Coreia* e essa partida faria com que o atleta desse o seu contributo para a vitória no Mundial de 1991.
Regressado ao cenário clubístico, Cao, com a subida definitiva ao escalão sénior, mas numa equipa em que, como concorrentes directos para a sua posição de campo, tinha nomes como André ou Kiki, veria o treinador Artur Jorge a listá-lo como um dos atletas a arrepiar caminho na defesa de outras divisas. Sem lugar no plantel dos “Azuis e Brancos”, o “trinco” haveria de encetar uma senda de sucessivos empréstimos, com a primeira cedência, ao lado de outros atletas com ligação contratual ao FC Porto, casos de Bino, Jorge Silva, Rui Jorge, Tulipa, Neto ou Gamboa, a levá-lo até ao Rio Ave orientado por Augusto Inácio. Seguir-se-ia, treinado por Rodolfo Reis, o primodivisionário Tirsense e finalmente o Leça, inicialmente conduzido por António Frasco.
Com a entrada na agremiação do concelho de Matosinhos a ocorrer na temporada de 1993/94, o jogador, depois de experimentar a 1ª divisão ao serviço dos “Jesuítas”, regressaria às pelejas do escalão secundário. No entanto, seria a chegada ao Leça que viria, de certo modo, a cimentá-lo como um atleta merecedor de outros níveis competitivos. O sublinhar dessa aferição surgiria, na campanha de 1995/96, com o regresso do clube ao convívio com os “grandes”. Os dois anos cumpridos por Cao no escalão máximo, quatro no total da sua passagem inicial pelo listado verde e branco, não só fariam do médio-defensivo um dos nomes que mais vezes jogou pela colectividade nortenha no patamar maior do futebol luso, como transformaria o aludido conjunto no mais representativo da caminha sénior do “trinco”.
Sempre no escalão principal e mantendo-se como um dos titulares das equipas por si representadas, seguir-se-iam no caminho do atleta o Salgueiros e o Campomaiorense. Já desligado em definitivo dos “Dragões”, os dois anos cumpridos em Paranhos e outros dois no Estádio Capitão César Correia contribuiriam para um total de 7 campanhas a disputar a prova de maior relevo no calendário futebolístico português. Todavia, com a despromoção do mencionado emblema alentejano a interromper essa contagem, o jogador, ao manter-se ao serviço dos “Galgos”, passaria o resto da sua carreira nos escalões secundários.
Ao entrar na derradeira fase da caminhada competitiva, Cao também regressaria aos percursos marcados pela errância. Em constante mudança de emblema, o “trinco”, daí em diante, passaria pelo Felgueiras, voltaria ao Leça e envergaria as cores do Rio Tinto. Depois, com uma sabática de dois anos, a temporada de 2008/09, feita novamente ao serviço do Salgueiros, serviria para definitivamente pôr um ponto final na sua carreira enquanto futebolista.

*a Coreira apresentou no Mundial sub-20 de 1991 uma equipa unificada, ou seja, um misto de atletas da Coreia do Norte e da Coreia do Sul

1689 - MIROSLAV

Com a entrada na equipa principal do NK Osijek a acontecer na temporada de 1986/87, não demoraria muito tempo até que Miroslav Zitnjak começasse a assumir um papel de alguma relevância no cenário futebolístico da antiga Jugoslávia. A prova da sua crescente importância chegaria com as recorrentes chamadas às jovens selecções do seu país natal. Paralelamente a essas aparições internacionais, a forma recorrente com viria a aparecer no “onze” escolhido para as pelejas do clube serviriam, igualmente, para alimentar a sua cotação e o final da temporada de 1991/92 trariam à caminhada do guarda-redes outros pontos de enorme valorização.
Chamado por Stanko Poklepovic à selecção principal da Croácia, o guardião entraria em campo ao lado de Robert Spehar, avançado que teria uma fugaz passagem pelo Sporting. Essa partida de carácter particular, disputada, a 12 de Julho de 1992 frente à Austrália, antecederia a sua transferência para o NK Zagreb. A mudança para uma colectividade a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa da recém-criada Liga croata, e com números aceitáveis a justificar a sua continuidade no clube, cimentá-lo-ia como um nome de monta naquele cenário competitivo. Ainda assim, a verdade é que a passagem de Miroslav pela nova agremiação duraria apenas um par de campanhas. Seguir-se-ia, na época de 1994/95, o regresso ao NK Osijek e, com a temporada seguinte já em andamento, surgiria a mudança para o futebol de outro país.
A chegada a Portugal dar-se-ia pelas portas da União de Leiria. Treinado, nessa temporada de 1995/96, por Vítor Manuel, o guarda-redes depressa viria a assumir-se como uma das boas contratações do clube sediado na Beira Litoral. Titular do emblema da “Cidade do Lis”, Miroslav contribuiria para alguns dos bons resultados colectivos registados durante a sua passagem pelo clube. No entanto, para além de ajudar a colectividade a atingir as meias-finais da Taça de Portugal no ano da sua entrada no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa ou de ter participado activamente no 6º lugar obtido na edição de 1998/99 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, o guardião também veria o seu currículo manchado pela descida de escalão verificada no termo das provas agendadas para a época de 1996/97.
Mesmo com altos e baixos na sua experiência leiriense, o guarda-redes transformar-se-ia numa das grandes figuras do clube na década de 1990. Numa fase em que já tinha perdido alguma da preponderância de anos anteriores, o jogador, no decorrer da temporada de 2000/01, poria termo à sua ligação à União de Leiria. Depois voltaria ao NK Osijek e, apenas alguns meses após o referido regresso, emergiria o final da carreira.
Já com as “chuteiras penduradas”, o antigo atleta passaria a dedicar-se às questões técnicas. Mantendo-se no emblema croata referido no parágrafo anterior, Miroslav começaria por desempenhar as tarefas de treinador para, posteriormente, experimentar o cargo de director-desportivo.

1580 - VICENTE

Com o percurso formativo concluído com as cores do Varzim, Vicente Fangueiro Pereira teria a primeira oportunidade como sénior ao serviço do modesto Aguçadoura FC. Com um arranque de caminhada discreto que, após a estreia na temporada de 1984/85, ainda abrangeria, no par de campanhas seguintes, passagens por Marinhas e Ribeirão, seria a época de 1987/88 a apresentá-lo a uma colectividade de maior peso no cenário futebolístico português. Com a entrada no Famalicão, o médio passaria a disputar a 2ª divisão. No emblema minhoto, a caminhada do jogador tornar-se-ia numa roda-viva, com uma descida no termo do primeiro ano e com duas subidas consecutivas nos dois anos subsequentes. Contudo, mesmo tendo feito parte do grupo a ajudar à promoção ao escalão maior, o atleta haveria de mudar de colectividade e apresentar-se-ia, nas provas agendadas para 1990/91, a envergar novas cores.
Cobiçado por ser um elemento pleno de raça, a transferência para o União da Madeira introduzi-lo-ia na mesma à 1ª divisão. Num grupo de trabalho orientado por Rui Mâncio e com nomes míticos na história da colectividade insular, como Marco Aurélio, Lepi, Nelinho, Dragan ou Jairo, Vicente demoraria ainda algum tempo até conseguir asseverar-se como um dos pilares dos estratagemas tácticos montados. Tal afirmação emergiria com a temporada seguinte à da sua chegada ao emblema funchalense. Todavia, as várias aparições em campo seriam insuficientes para contrariar as fracas exibições colectivas e, por conseguinte, o 18º posto na tabela classificativa.
Mesmo com a descida, o médio manter-se-ia fiel ao clube e continuaria ligado ao União por mais uma campanha. Já de regresso ao continente, Vicente acabaria por assinar contrato com aquele que viria a tornar-se no emblema mais representativo da sua carreira. Com a chegada ao Felgueiras na temporada de 1993/94, o atleta faria parte da caminhada mais faustosa da história do conjunto a vestir de azul e grená. Ao encetar tal colaboração ainda na disputa da divisão de Honra, seria a entrada de Jorge Jesus para o comando técnico da equipa que viria a alterar todo o paradigma competitivo. Nesse sentido, seria com o termo das provas agendadas para 1994/95 que o jogador, juntamente com os companheiros de balneário, festejaria o regresso ao convívio com os “grandes”. Por outro lado, a época seguinte à ainda agora mencionada, daria ao centrocampista, com a estreia do emblema do Tâmega e Sousa na 1ª divisão, a oportunidade de inscrever o seu nome nos anais do clube. Contudo, mesmo num plantel composto por Sérgio Conceição, Leal, José Carlos, Teixeira, Abel Silva, Clint, Costa, Lewis, Coelho, Baroni, Amaral, Rosário, Earl, Krstic, Bozinovski, entre outros nomes consagrados no futebol luso, a verdade é que uma segunda volta desastrosa no Campeonato Nacional ditaria a descida da agremiação.
Com a temporada de 1997/98 a ditar o fim da ligação entre o médio e o Felgueiras, o atleta entraria na fase mais errante da caminhada enquanto futebolista. Longe dos principais palcos do futebol, os regressos ao Varzim e ao Famalicão, dariam início a diferentes experiências, todas elas de um ano apenas, a levá-lo ainda a envergar as camisolas do Bragança, Paredes, Ermesinde e Tirsense. Em 2002/03, depois de, com as cores dos “Jesuítas”, ter “pendurado as chuteiras”, surgira a altura certa para Vicente calçar as sapatilhas e nas quadras de futsal passar a representar o Rio Ave.

1537 - CHICO SILVA

Revelado pelo Vianense, onde viria a terminar o percurso formativo, Chico Silva subiria à categoria principal da histórica agremiação minhota na temporada de 1985/86. Mesmo a jogar entre os segundo e terceiro escalões, o defesa-lateral conseguiria erguer exibições suficientemente positivas para chamar a atenção de emblemas com outras ambições. Transferido para o Sporting de Braga, o jogador estrear-se-ia na 1ª divisão pela mão do treinador Vítor Manuel e logo nessa campanha de 1988/89, mesmo sem qualquer traquejo no escalão máximo, o esquerdino conseguiria impor-se como um dos atletas mais utilizados do plantel.
Daí em diante, sempre a actuar pelo conjunto da “Cidade dos Arcebispos”, Chico Silva continuaria a cimentar-se como um dos esteios da equipa. Titular nas primeiras 3 temporadas, a campanha de 1991/92 viria a tornar-se, não digo num ponto de viragem na sua carreira, mas a mudar um pouco a preponderância que até aí vinha a auferir no delinear dos esquemas tácticos idealizados pelos técnicos à frente do grupo de trabalho bracarense. Ainda assim, o jogador não deixaria de ser importante no cumprir das metas colectivas. Nesse campo, com o Sporting de Braga longe das épocas mais faustosas do seu historial, o defesa-esquerdo manter-se-ia como um elemento relevante e ajudaria a cumprir as épocas, mais ou menos, tranquilas que os “Guerreiros” fariam ao longo da longa passagem do atleta pelas cores dos “Arsenalistas”.
Depois de 8 temporadas consecutivas ao serviço do Sporting de Braga, a campanha de 1996/97 voltaria a marcar uma nova mudança no rumo da sua caminhada profissional. Ao mudar-se para o Beira-Mar, Chico Silva, ao passar a discutir o Campeonato Nacional da 2ª divisão, afastar-se-ia de vez do convívio com os “grandes”. A sua vivência no Estádio Mário Duarte seria curta e o atleta, passado apenas um ano sobre a chegada a Aveiro, ingressaria no Gil Vicente. De regresso ao Minho, mas mantendo-se nas disputas secundárias, o defesa-lateral encontrar-se-ia com Lila, antigo colega no Vianense. Tirando essa curiosidade, a sua passagem por Barcelos não traria muito mais à sua caminhada. Seguir-se-ia, naquela que terá sido a fase mais errante da sua carreira, a mudança para o Sporting de Espinho e, cumpridos um par de anos com o listado preto e branco dos “Tigres da Costa Verde”, o jogador transferir-se-ia para o Vizela.
Já nos últimos capítulos da caminhada enquanto praticante, Chico Silva decidiria, na campanha de 2002/03, regressar à sua cidade natal e ao clube onde tinha feito a formação futebolística. No Vianense, numa espécie de fecho de ciclo, o defesa tomaria a decisão de deixar as funções de atleta e com o termo das provas agendadas para 2003/04 viria a “pendurar as chuteiras”.

1480 - DAOUDI

Como não poderia deixar de ser, tal é a frequência com que tenho reportado casos idênticos, o atleta que hoje aqui trago à liça foi, na investigação preparatória à construção deste texto e nas contradições encontradas em diferentes fontes, outro enorme desafio. Nesse sentido, deixo-vos o aviso para a eventualidade da existência de alguns erros nesta biografia.
Tendo deixado esta nota introdutória temos que Rachid (ou Rashid) Daoudi terá nascido em 1966 e por mudança da família para a cidade de Casablanca, aí terá encetado a carreira desportiva, nas escolas do Wydad Athletic Club, agremiação também conhecido como WAC. Segundo algumas informações recolhidas, a sua promoção à equipa principal, findo o percurso formativo no emblema referido, terá ocorrido entre 1988 e 1989. Ora, temos aqui o primeiro dado a fazer pouco sentido, pois, tendo fé na data de nascimento veiculada pela grande maioria das fontes, essa transição terá então ocorrido com o jogador a ultrapassar numa boa fatia a normal meta dos 18/19 anos de idade. Há, no entanto, outra hipótese a equacionar e que poderá justificar tal cronologia, ou seja, que o atleta, entre o último ano de júnior e o começo do trajecto como sénior, tenha andado por uma espécie de equipa “b” ou “reservas” ou, ainda, que tenha sido emprestado a outro clube.
O que parece ser verdade é que, num grupo de trabalho onde, ao longo dos anos, também marcaram presença nomes bem conhecidos do desporto luso, casos de Naybet, Saber, Hassan, M’Jid ou Fertout, Daoudi conseguiria destacar-se como um intérprete virtuoso e capaz das mais espantosas acções atacantes. Essas características do médio-ofensivo, nas quais estariam incluídas um pé esquerdo habilidoso, um potente remate e uma visão de jogo bem acima da norma, em muito contribuiriam para os sucessos do colectivo marroquino. Nesse contexto de glórias, muito para além das conquistas internas do WAC Casablanca, arrolar-se-ia ainda um grande êxito continental. Porém, também nesse cenário, tendo em conta as incongruências apresentadas no parágrafo anterior, é difícil saber, com exactidão, em quais títulos o jogador terá participado nessa primeira passagem pelo clube. Ainda assim, acho que posso listar 4 Campeonatos, com a dúvida a recair para o correspondente à época de 1985/86, 2 Taças e a edição de 1992 da Liga dos Campeões africana.
Com a preponderância conquistada ao serviço do WAC Casablanca, o médio começaria a ser incluído nas convocatórias da principal selecção de Marrocos. A presença assídua na equipa nacional empurrá-lo-ia, naturalmente, para a disputa dos torneios futebolísticos de maior monta e, nesse sentido, levado a jogo pelo alemão Werner Olk, a Taça de África das Nações de 1992 tornar-se-ia num desses certames. Outra convocatória, essa de maior importância, guiá-lo-ia ao Campeonato do Mundo de 1994. Chamado aos Estados Unidos da América por Abdellah Ajri, Daoudi, num grupo de trabalho também composto por Tahar El-Khalej, El-Hadrioui, Naybet, Hadji, M’Jid ou Hassan, destacar-se-ia suficientemente para começar a ser cobiçado por emblemas além-fronteiras. Ora, aqui surge outra dúvida, pois há fontes que referem o jogador, como reforço do plantel do Tirsense, vindo do Wydad, enquanto outras informações indicam os sauditas do Al-Shabab como a colectividade de proveniência.
Como é fácil de adivinhar depois da leitura das últimas, Dadoudi acabaria por ter uma passagem por Portugal. No entanto, o Tirsense de 1995/96, que, como prova a contratação do internacional nigeriano Siasia, até tinha apostado forte no reforço do grupo de trabalho, terminaria na última posição do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Daí em diante, com o termo da época mencionada, o médio-ofensivo, a entrar na veterania, encetaria uma fase mais errante da carreira, a qual levá-lo-ia a dois regressos ao WAC, à passagem por Espanha ao serviço do Xerez, às experiências no Médio Oriente, primeiro nos Emirados Árabes Unidos, depois no Qatar e, por fim, em Omã.

1460 - VELEZ CARNEIRO

Remonta à longínqua temporada de 1914/15 a estreia do Sporting de Espinho em partidas oficiais, sob alçada organizativa da Associação de Futebol do Porto. Nesse desafio das 3ªs categorias, respectivamente frente ao FC Porto, participaria um jovem médio-centro de seu nome Velez Carneiro. Ao prolongar a ligação aos “Tigres da Costa Verde” por mais algumas campanhas, a qualidade do jogo por si apresentado depressa apontaria ao seu destino voos de outra magnitude. Nesse sentido, a evolução positiva da sua carreira materializar-se-ia com a decisão de viajar até à “Cidade Invicta” e aí rubricar um contrato com os “Azuis e Brancos”.
Com a sua entrada no FC Porto, segundo algumas fontes, a acontecer na época de 1918/19, o primeiro sucesso colectivo de índole nacional em que participaria, emergiria com a ufana campanha dos “Dragões” naquela que era à data a prova de maior prestígio no calendário futebolístico luso, o Campeonato de Portugal. Nessa edição de 1921/22, encontrar-se-iam na final da competição o emblema “azul e branco” e o Sporting. Depois de entrar em campo nas duas mãos correspondentes à derradeira eliminatória, Velez Carneiro seria também chamado, pelo técnico francês Adolphe Cassaigne, para o decisivo encontro da finalíssima. No “match” agendado para o Campo do Bessa, ao lado de nomes prestigiados no cenário nacional, casos dos internacionais Artur Augusto ou Balbino, o médio-centro desempenharia um papel de fulcral importância e contribuiria para a vitória do agregado portuense sobre a equipa “alfacinha”.
Ao constituir-se como um dos melhores intérpretes da colectividade nortenha, o craque Velez Carneiro depressa começaria a granjear de enorme popularidade entre os adeptos da modalidade, mormente no seio dos seguidores do FC Porto. Tal facto serviria para sublinhar, ainda mais, a tragédia que, em Maio de 1925, acabaria por preencher as conversas do público e, de forma igualmente vincada, viria a ocupar as páginas de diversos periódicos editados à altura. Segundo o investigado, dados apurados através dos relatos de algumas testemunhas oculares, o jogador, no mesmo dia em que tinha participado numa peleja amigável frente ao Deportivo La Coruña, seria abordado por uma figura masculina, à saída de um café. Os dois terão então caminhado até a uma ruela nas imediações do primeiro local, onde terá começado uma discussão deveras inflamada. A altercação, de origem passional, levaria a que o homem puxasse por uma arma de fogo e acabasse a alvejar o futebolista com vários tiros.
Gravemente ferido, Velez Carneiro chegaria ao hospital já sem vida. Nas liturgias fúnebres, as quais decorreriam durante vários dias e dando jus à popularidade do atleta, a urna seria acompanhada por um grandioso cortejo de populares. Ao seu lado, numa cerimónia mortuária com epicentro no Campo da Constituição, estariam igualmente os seus colegas do FC Porto, encabeçados na homenagem pelo capitão de equipa, Norman Hall.

1444 - YUSTRICH

Seria ainda durante a sua experiência a defender as redes do Andarahy Athlético Club que Dorival Kniper, pela parecença com o argentino, também guarda-redes, Juan Elias Yustrich, ganharia a alcunha pela qual ficaria conhecido no mundo do desporto.
De uma estampa física impressionante, com cerca de 1,90m de altura e um arcaboiço muscular invejável, seria no Flamengo que o jovem guardião prosseguiria a carreira “entre os postes”. Desde a temporada de 1935 até à campanha de 1944, o atleta não conheceria outro emblema. Depois da estreia, pela mão do treinador Flávio Costa*, numa partida a contar para o Estadual Carioca, o jogador, nos anos sequentes, manter-se-ia como um dos elementos utilizados com boa regularidade. Porém, as duas últimas campanhas de ligação ao “Mengão” empurrá-lo-iam para um período em que seria ofuscado pelos colegas de posição. Na disposição de dar outro rumo à caminhada competitiva, aceitaria o convite de outro emblema e sem deixar a “Cidade Maravilhosa” transferir-se-ia para o Vasco da Gama.
Seria já com 4 Campeonatos do Rio de Janeiro no palmarés que Yustrich deixaria o Bairro da Gávea para, sem sair da mesma urbe, assinar contrato com o Vasco da Gama. A curta experiência com os “Cruzamaltinos”, por empréstimo do Flamengo, como que serviria de interlúdio para os anos cumpridos com o América-RJ**. Já depois de “pendurar as luvas” no ano de 1950, com o empurrão dado pela conclusão do curso de Educação Física, o antigo guarda-redes passaria a abraçar as funções de técnico e daria os primeiros passos de uma carreira com vários sucessos, mas recheada de polémicas.
Como treinador, muito para além da constatada competência, Dorival Yustrich também ficaria conhecido como um indivíduo de trato difícil, quezilento e autoritário. Porém, os resultados apresentados, maior parte das vezes desculpariam o temperamento agressivo e arrogante. Tendo encetado a caminhada, em 1951, ao serviço do Atlético Mineiro, seriam muitos os emblemas a requisitar os seus serviços. Numa extensíssima lista, de onde conseguiremos retirar nomes como os do Cruzeiro, América de Minas Gerais, Siderúrgica, Coritiba, Corinthians, Flamengo, Bangu e até a selecção “canarinha”, os maiores destaques viriam com os títulos ganhos, nomeadamente, os 4 Campeonatos Mineiros ou a Taça Guanabara.
Também além-fronteiras, Yustrich haveria de ter a oportunidade de demonstrar a sua mestria e, nesse sentido, seria contratado pelo FC Porto para a temporada de 1955/56. Na“Cidade Invicta” encontraria um plantel que, para além das contratações por si aconselhadas, casos de Jaburú e Gastão, contava igualmente com Acúrsio, Miguel Arcanjo, Virgílio, Eleutério, Monteiro da Costa, Pedroto, Carlos Duarte, Teixeira, Perdigão ou Hernâni. Logo nessa campanha da sua chegada, ao dar corpo ao enorme potencial do grupo de trabalho sob a sua alçada, o técnico brasileiro conseguiria algo de inédito na existência da agremiação portuense e com a vitória no Campeonato Nacional, à qual juntaria o triunfo na Taça de Portugal, entregaria ao palmarés colectivo dos “Dragões” a primeira “dobradinha” da história.
Porém, o feitio exageradamente tirânico, também no FC Porto, como em outros episódios ocorridos ao longo da sua carreira, iriam pô-lo na porta de saída. Após várias contendas com diferentes elementos do plantel “azul e branco”, seria o confronto com Hernâni, tendo o mesmo, no final de um jogo, chegado à peleja física, que, pela pressão do grupo de trabalho, iria culminar com a sua partida no termo da temporada de 1956/57 e com o consequente regresso ao Brasil.

*treinador com 2 passagens pelo FC Porto
**há fontes que indicam o fim da sua carreira após a saída do Vasco da Gama, para, em exclusivo, passar a dedicar-se aos estudos

1431 - JAIME CERQUEIRA

Ao terminar a formação ao serviço do Amarante, Jaime Cerqueira, na temporada de 1986/87, seria promovido à equipa principal. Tido como um praticante de enorme potencial, o jovem atleta, apesar de disputar o 3º escalão, depressa conseguiria chamar a atenção de colectividades de maior ambição. Por essa razão, passada apenas uma temporada desde a sua promoção a sénior, o jogador seria desafiado por um Estrela da Amadora com aspirações a lutar por um lugar entre os “grandes” do futebol luso. Logo no ano da sua chegada ao emblema da Linha de Sintra, orientado pelo mítico Joaquim Meirim, o futebolista contribuiria para a vitória na Zona Sul da 2ª divisão e para a consequente promoção ao patamar máximo português.
Com Estrela da Amadora a estrear-se na 1ª divisão, Jaime Cerqueira, também ele como debutante no escalão máximo, acabaria por inscrever o seu nome na história do clube. Outro momento de relevância na carreira do médio chegaria com a edição de 1989/90 da Taça de Portugal. Com os “Tricolores” surpreendentemente a avançar na competição, o atleta haveria de ser chamado pelo treinador João Alves à derradeira peleja da apelidada “Prova Rainha”. No Estádio do Jamor, o jogador iniciaria a finalíssima no banco de suplentes. Porém, perto do fim dos 90 minutos regulamentares, seria chamado a entrar em campo e desse modo, frente ao Farense, contribuiria para a gloriosa vitória da sua colectividade.
Pouco utilizado na última temporada na Reboleira, para o futuro próximo de Jaime Cerqueira, muitos terão, com forte probabilidade, vaticinado um passo atrás na carreira. No entanto, a transferência para o novo clube indicaria tudo menos um retrocesso. Com João Alves a transitar para o Boavista na temporada de 1990/91, também o médio seguiria caminho até à cidade do Porto. No Bessa passaria duas épocas e mesmo sem conseguir conquistar um lugar como titular absoluto, o jogador deixaria boas indicações. Já no que toca aos melhores momentos na passagem pelos “Axadrezados”, mais uma vez vivê-los-ia na disputa da Taça de Portugal. Ainda que ausente da final frente ao FC Porto, o atleta jogaria as eliminatórias anteriores e, com essas participações, entraria para o rol de vencedores da edição de 1991/92 da prova.
Seguir-se-ia o Gil Vicente e aquela que viria a tornar-se, em termos de prestações individuais, na melhor fase da sua carreira. Em Barcelos, o médio sublinhar-se-ia como um atleta de cariz primodivisionário e para tal avaliação em muito contribuiria a titularidade conquistada com os diferentes técnicos. Depois viria a passagem pelo plantel de 1994/95 do Desportivo de Chaves e o regresso ao Minho para, mais uma vez ao serviço dos “Galos”, terminar a sua experiência nos palcos maiores do Campeonato Nacional.
Já com 8 temporadas consecutivas e 125 partidas na 1ª divisão, Jaime Cerqueira entraria nas derradeiras etapas da sua caminhada enquanto futebolista. Daí em diante sempre nos escalões secundários, Paços de Ferreira, Sporting da Covilhã, Ovarense, Sporting de Lamego, Amarante e o Aparecida completariam um currículo que viria a terminar em 2001.

1326 - JOSÉ CARLOS

Ao contrário do pai Marinho, antiga estrela da selecção nacional e leonina, e de Mário Tito, de quem é irmão gémeo, José Carlos faria a sua formação não no Atlético, mas no Sporting Clube de Portugal. Tal facto, muito provavelmente, terá contribuído para que o jogador fosse chamado aos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse âmbito, depois da estreia pelos sub-18 lusos a 24 de Setembro de 1985, pela mão do “Magriço” José Augusto e num particular frente à antiga Checoslováquia, o atleta ainda conseguiria adicionar ao currículo outras 3 partidas com a “camisola das quinas”, somando 4 internacionalizações no referido escalão.
Apesar de projectado como um elemento com um futuro promissor, a verdade é que José Carlos, na altura de fazer a transição para o patamar sénior, acabaria por sair de Alvalade para, a partir da temporada de 1987/88, passar a envergar as cores do Estoril Praia. No emblema da Linha de Cascais, depois das 4 primeiras campanhas a disputar o escalão secundário, a época de 1991/92 levá-lo-ia à estreia no degrau máximo do futebol luso. Já como um dos elementos regulares no lado direito do sector mais recuado, o jogador, daí em diante, manteria o estatuto de titular no esquema táctico idealizado por Fernando Santos. Por essa razão, depressa conseguiria afirmar-se como um dos nomes históricos dos “Canarinhos” e os 8 anos passados com a camisola do clube, muitos deles a partilhar o balneário com o irmão Mário Tito, ainda mais contribuiriam para alimentar essa posição.
Com Fernando Santos a orientar o Estrela da Amadora e com o Estoril Praia na disputa da divisão de Honra, José Carlos seria convidado a vestir as cores do emblema sediado no bairro da Reboleira. Apresentado no Estádio José Gomes como reforço para a temporada de 1995/96, tal como tinha acontecido na maior parte do seu percurso profissional, o defesa, que também podia subir um pouco mais até ao meio-campo, manteria o estatuto de titular. Nos anos sob a alçada do aludido treinador e também com os técnicos seguintes, a situação do atleta, no que ao “onze” inicial concerne, conservar-se-ia. Essa situação, mais uma vez, encaminhá-lo-ia para os anais da colectividade. Muito mais do que contribuir para o 7º lugar na edição de 1997/98 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, a melhor classificação da agremiação a par da conseguida em 1993/94, o jogador tornar-se-ia num dos nomes com mais partidas disputadas pelo emblema da Linha de Sintra no escalão máximo, mais concretamente, 167 jogos.
Com a saída dos “Tricolores” a acontecer com o termo da época de 2001/02, o atleta, já na fase descendente da carreira, teria ainda tempo para disputar mais algumas temporadas. Com o Torreense e o Atlético da Malveira a preencherem as últimas etapas da sua caminhada competitiva, José Carlos, ao “pendurar as chuteiras”, haveria de manter a ligação à modalidade. Praticamente de seguida, o antigo futebolista aceitaria o desafio lançado pelo Estrela da Amadora e regressaria à Reboleira para abraçar as tarefas de técnico nas camadas jovens do clube. Ainda nos patamares formativos, destaque para a sua passagem pelo Futebol Benfica.

1308 - SIMPLÍCIO

Com várias fontes a darem conta de diferentes registos, os números que caracterizam o percurso desportivo do avançado tornam-se de difícil aferição. Por um lado temos os autores que asseguram o atleta como um elemento saído das “escolas” portistas. Porém, será que no começo do século XX já os “Dragões” tinham os denominados patamares de formação?! Há ainda os que asseveram as suas participações seniores a partir da segunda metade da década de 1910. Temos também os arquivos que apenas fazem referência às suas entradas na equipa principal “azul e branca” nas temporadas dos anos de 1920. Com tudo isto, é fácil entender as dificuldades em delinear, com alguma exactidão, o caminho deste jogador. Ainda assim, Augusto Baptista Ferreira, alcunhado no contexto futebolístico como Simplício, ficou intimamente ligado à história do FC Porto. Porquê? Já desvendo a razão mais à frente no texto!
Apesar da confusão de que dei conta no parágrafo anterior, existem notas que, com alguma precisão, alinham o atacante em momentos competitivos do FC Porto. Com especial relevância nos anais dos “Dragões”, a 8 de Junho de 1924, temos a sua presença na final do Campeonato de Portugal, disputada no Campo Grande e perdida para o Olhanense. Outro apontamento, ainda referente àquela que, à altura, era a prova nacional de maior relevo, encontrei-o no “onze” de uma partida frente ao Belenenses, na época de 1926/27. Daí em diante, dos tombos emergem mais informações a destaparem a participação de Simplício tanto na competição acima referida, como no “regional” disputado na “Cidade Invicta”. Para ser correcto, também no Campeonato do Porto há muitas dúvidas relativamente à sua assiduidade nas diferentes jornadas. Mesmo assim, acho que, com alguma segurança, posso afirmar o avançado como contribuinte directo para as vitórias nas edições de 1926/27, 1927/28, 1928/29 e 1929/30 da prova portuense.
Falta agora explicar a razão para a tamanha importância de Simplício na história portista. Conta-se que, ao ser um intérprete versado nas artes gráficas, terá sido dele o desígnio de fundir o, à época, emblema do FC Porto, com o brasão da cidade. Tal ideia levou-o a combinar a simplicidade da bola azul, onde figuravam apenas as iniciais representativas do nome da agremiação, com a simbologia das armas portuenses, pontuadas com figuras como o mítico dragão. O resultado foi a insígnia conhecida pela generalidade dos adeptos do desporto e que, após a aprovação na assembleia geral de 26 de Outubro de 1922, continua a adornar as camisolas da colectividade “azul e branca”.

1296 - ROBERTO ASSIS

Filho de João Moreira, vigilante do parque de estacionamento do Estádio Olímpico Monumental, Roberto Assis seria persuadido pelo próprio pai a prestar provas no Grêmio. Dono de qualidades muito acima da média, o jovem praticante rapidamente convenceria os responsáveis pelas “escolas” do emblema de Porto Alegre do seu valor. Já integrado nos conjuntos de formação da colectividade gaúcha, o destaque dado às suas exibições levá-lo-ia também às jovens equipas à guarda da Confederação Brasileira de Futebol. Começaria pelos sub-15 e ao subir os diferentes degraus do “Escrete”, o médio-ofensivo acabaria chamado aos mais importantes certames a nível global. Nessa caminhada passaria pelo Mundial sub-16 de 1987, seria campeão na edição de 1988 do Sudamericano sub-20 e ganharia a medalha de bronze no Mundial sub-20 de 1989.
Também ao serviço do clube, a sua evolução daria indicadores muito auspiciosos. Nesse sentido e poucos dias após completar 17 anos de idade, Roberto Assis seria chamado à estreia na principal equipa do Grêmio. Porém, logo no começo dessa temporada de 1988, surgiria o assédio do Torino. Com medo de perder o atleta, que chegaria a ser fotografado com a camisola do emblema italiano, os dirigentes do emblema de Porto Alegre, com o “reforço” do contrato e a oferta de uma casa para a família, conseguiriam demover o futebolista de uma mudança para o “calcio”.
A permanência no Grêmio levaria o jogador aos primeiros troféus da carreira. Logo na campanha de estreia como sénior, Roberto Assis ajudaria o colectivo “tricolor” a conquistar o Campeonato Gaúcho. Repetiria a vitória no “estadual” nas épocas de 1989 e de 1990. Paralelamente, também a Copa do Brasil acabaria por abrilhantar o palmarés do médio. Na final de 1989, o atleta seria chamado ao “onze” inicial pelo treinador Cláudio Duarte e o golo por si concretizado logo aos 7 minutos de jogo, ajudaria o colectivo do Rio Grande do Sul a vencer a o Sport Recife por 2-1.
Já em 1991 uma grave lesão acabaria por condicionar a evolução do médio-ofensivo. Depois de recuperado, mas longe dos níveis que o tinham levado a ser aferido como uma das grandes promessas do futebol brasileiro, Roberto Assis, na temporada de 1992/93, seria apresentado como reforço do Sion. Mesmo longe dos palcos mais mediáticos do desporto mundial, os desempenhos conseguidos nas provas helvéticas e até nas pelejas sob a alçada da UEFA, levariam o Sporting a apostar na sua aquisição. Ao chegar a Alvalade ao lado de Outtara, avançado contratado à mesma agremiação suíça, o médio, nessa campanha de 1995/96, rapidamente perderia o encanto. Anunciado como um intérprete de técnica refinada, dono de um passe certeiro e capaz de entender o jogo de forma superior, também a marcação de bolas paradas serviria para publicitar as suas capacidades. Porém, a verdade revelaria um jogador completamente desenquadrado com a exigência competitiva das competições lusas. Ainda assim, contribuiria para a vitória na Supertaça, mas passados apenas alguns meses após a sua chegada a Lisboa, o futebolista seria cedido a outro emblema.
Numa senda de empréstimos, Roberto Assis vestiria as camisolas do Vasco da Gama, do Flamengo e, mais uma vez, envergaria as cores do Sion. Talvez pela “dobradinha” conquistada ao serviço do emblema helvético, uma nova oportunidade seria dada ao futebolista brasileiro e, com a temporada de 1997/98, o médio apresentar-se-ia em Alvalade. No entanto, tal como da primeira passagem pelos “Leões”, o jogador voltaria a desapontar. Já em 1998/99, também o Estrela da Amadora entraria na sua aventura portuguesa. Para infelicidade do atleta, os resultados conseguidos na Reboleira seriam parecidos aos obtidos de “verde e branco”. Seguir-se-iam, num trajecto um pouco errante, as experiências no Japão, no México, o regresso ao Brasil para representar o Corinthians e o final de carreira, em 2002, após vestir a camisola do Montpellier.
Depois de “pendurar as chuteiras”, Roberto Assis, mormente como empresário, manter-se-ia ligado ao futebol. Nessas funções, para além de representar outros atletas, passaria a gerir a carreira do seu irmão mais novo, o internacional “canarinho” Ronaldinho Gaúcho. Noutras tarefas, é dono do Porto Alegre FC, emblema fundado em 2006.

1286 - LEÃO

Augusto Pinto Duarte Maia, mais conhecido no mundo do futebol como Leão, dividiria a caminhada formativa entre Águias da Areosa, FC Porto e Salgueiros. Ao destacar-se como um atleta possante e aguerrido, o emblema sediado no bairro de Paranhos dar-lhe-ia a oportunidade para integrar o plantel principal. Com o clube, na temporada de 1989/90, a militar no escalão secundário, ainda assim não tardaria muito para que o jogador encetasse o seu trajecto nos palcos maiores do futebol luso. O título de campeão da 2ª divisão e a subida alcançada no final dessa época de estreia no patamar sénior empurrá-lo-iam em direcção ao objectivo primodivisionário.
Mantendo-se, depois da promoção do clube, sob a alçada do treinador Zoran Filipovic, Leão, aos poucos, cimentar-se-ia no grupo de trabalho. A primeira época em que sua presença no “onze” começaria a ser mais notada, coincidiria com a campanha de estreia do Salgueiros nas competições continentais. Na sequência do 5º lugar do Campeonato Nacional do ano anterior, o médio teria o ensejo de disputar a edição de 1991/92 da Taça UEFA. Seria chamado pelo aludido técnico montenegrino para a peleja agendada na 1ª mão da 1ª eliminatória e, ao entrar em campo aos 68 minutos de jogo, contribuiria para a vitória, por 1-0, frente aos franceses do Cannes.
Daí em diante, ainda que com algumas excepções, Leão tornar-se-ia num dos atletas mais utilizados e, por essa razão, começaria igualmente a ser visto como um dos elementos de maior preponderância no desenho táctico. A prova dessa importância, que tinha feito do “trinco” um dos bons intérpretes no contexto futebolístico português, chegaria com a temporada de 1997/98. Com a mudança do treinador Carlos Manuel para o Sporting a meio da referida campanha, também o jogador, acompanhado pelo defesa Renato, deixaria o Salgueiros para dar entrada em Alvalade. Porém, a aventura de “verde e branco” não correria de feição. Assolado por uma arreliante lesão, o médio-defensivo não alcançaria as oportunidades desejadas e passados uns meses após a chegada a Lisboa, veria o seu nome inscrito no rol de dispensáveis.
Apesar do desaire vivido sob a divisa leonina, o jogador não veria o seu valor diminuído. Como um intérprete de cariz vincadamente primodivisionário, não seria difícil para o “trinco” encontrar um lugar num emblema do escalão máximo. Em 1998/99, ao reforçar uma União de Leiria bem sustentada entre os “grandes”, prosseguiria a carreira num clube com a ambição a revelar-se pela disputa dos lugares com acesso às provas sob a chancela da UEFA. Para além de trabalhar com José Mourinho, nos 5 anos passados na “Cidade do Lis”, ao ser chamado por Manuel Cajuda à disputa da Taça Intertoto de 2002/03, entraria em campo na 1ª mão frente aos estónios do Levadia e, dessa maneira, participaria na estreia do emblema beirão nas competições continentais.
Depois de 13 temporadas consecutivas a disputar a 1ª divisão, a campanha de 2003/04 levá-lo-ia, em definitivo, a deixar o patamar maior. Numa fase descendente da carreira do médio, seguir-se-iam 4 épocas com as cores do Leixões. Já em 2007, o atleta decidiria ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. No entanto, apesar de retirado das actividades como futebolista, Leão haveria de voltar a ligar-se à modalidade. Como técnico, no papel de treinador-principal ou como adjunto, tem tido várias experiências nas divisões inferiores. Como exemplo, há que referir as passagens por Pedrouços, Salgueiros, Aldeia Nova e Padroense.

1276 - RUI LOJA

Com a formação dividida entre vários emblemas da região de Lisboa, Rui Loja passaria pelas “escolas” de Venda Nova, Sporting, Estrela da Amadora e Casa Pia. Nos “Gansos”, na temporada de 1990/91, faria a transição para as competições seniores, mas acabaria por ser mais a norte que, nas campanhas vindouras, daria continuidade à actividade de futebolista.
Depois da experiência nos “regionais” lisboetas ao serviço do emblema de Pina Manique, a qualidade demonstrada logo no arranque da caminhada sénior levá-lo-ia, rapidamente, a subir diversos degraus no panorama futebolístico português. Naval 1º de Maio e Oliveira do Hospital, em ambos os casos a disputar a antiga 2ª divisão “b”, serviriam para o avançado como rampa para voos de outra ambição. Aliás, seriam mesmo os anos passados com a camisola azul e branca que empurraria o jogador para a fase mais visível da sua carreira.
No que ao destaque diz respeito, seriam, de forma indubitável, os anos a jogar com as cores do Desportivo de Chaves que mereceriam maior distinção na sua caminhada profissional. Em Trás-Os-Montes, o atacante chegaria como reforço para o plantel de 1994/95. Com António Jesus, à entrada do atleta, ainda como treinador, seria já sob a alçada técnica de Vítor Urbano que Rui Loja conseguiria estrear-se na 1ª divisão. No entanto, essa partida, disputada à 6ª jornada do Campeonato Nacional, não teria grande continuidade. Talvez por sentir em demasia o salto competitivo ou por outras razões de cariz adaptativo, a verdade é que o jogador poucas oportunidades conquistaria nessa primeira campanha ao serviço da colectividade flaviense. Porém, a segunda época a competir no emblema sediado no Distrito de Vila Real seria bem diferente e, ao aparecer por diversas vezes em campo, a evolução demonstrada daria a entender um futuro risonho com os de azul-grená.
É certo que Rui Loja, no tempo passado com Desportivo de Chaves, nunca conseguiria afirmar-se como um dos titulares da equipa. Ainda assim, o crescimento revelado durante a temporada de 1995/96 tornaria a sua saída um tanto surpreendente. Seguir-se-ia o Paços de Ferreira e novo encontro com o treinador António Jesus. Todavia, e apesar da aposta no clube da divisão de honra apontar para um rápido regresso ao escalão máximo do futebol luso, tal não viria a acontecer. Aliás, para infelicidade do atleta essa “promoção” não mais viria a concretizar-se.
Com a época de 1996/97 nos “Castores” a classificar-se bem abaixo da média, o jogador acabaria por descer mais um patamar e, na campanha seguinte, juntar-se-ia ao Ribeirão e à disputa da 2ª divisão “b”. Em seguida, o convite do Olhanense levá-lo-ia até ao Algarve, onde, de forma permanente, acabaria por fixar-se. No Portimonense, numa passagem de 3 temporadas, veria, no desenrolar da campanha de 2000/01, o despertar da sua “veia” goleadora ajudar à subida do clube. Também o regresso a Olhão, Imortal, Juventude Campinense e Farense completariam essa fase da sua carreira. Contudo, “penduradas as chuteiras” em 2008, tempo ainda para experimentar o futsal e, com a camisola do Oriental Pechão, dar azo a mais um ano de actividade desportiva.
Após retirado da competição, Rui Loja tem tido algumas aparições no futebol. Depois de, nas camadas jovens do Olhanense, ter experimentado as funções de técnico, destaque para a sua entrada, nesta temporada de 2022/23, para o Moncarapachense. No emblema a disputar a Liga 3, o antigo avançado acabou por aceitar um novo desafio e passou a abraçar as tarefas de Director-Desportivo.

1236 - LIPCSEI

Após cumprir o percurso formativo com as cores do popular Ferencváros, Péter Lipcsei, na temporada de 1990/91, seria promovido à equipa principal do emblema sediado em Budapeste. Visto como uma grande promessa, não tardaria muito até que o médio conseguisse conquistar um lugar no “onze” titular. Tal seria a sua evolução que, logo no início da segunda temporada como sénior, o centrocampista acabaria convocado à equipa nacional. Com as cores da selecção “A” magiar, ele que já tinha um trajecto assente nas camadas jovens do seu país, estrear-se-ia a 11 de Setembro de 1991. O “particular” frente à Republica da Irlanda, quando contava apenas 19 anos de idade, daria o arranque para um percurso longo que, ao durar até 2005, entregaria ao currículo do atleta um total de 58 internacionalizações e 1 golo.
O sucesso pessoal do atleta, até a forma precoce como surgiria, em muito ficaria associado aos bons resultados conseguidos pelo colectivo. Nessa conjuntura, os títulos ganhos pelo Ferencváros, nomeadamente os Campeonatos de 1991/92 e 1994/95, a vitória em 4 edições da Taça e a conquista de 3 Supertaças serviriam, ainda mais, para chamar à atenção para o talento que, para além de emergente, rapidamente passaria a ser visto como uma certeza. A confirmá-lo chegariam também os prémios individuais e, em 1991 e 1995, Lipcsei seria eleito o Melhor Jogador Húngaro do Ano.
É com o palmarés do médio já bem colorido, que os responsáveis do FC Porto tomariam a decisão de apostar na contratação do jogador. À “Cidade Invicta”, o atleta chegaria para reforçar um plantel comandado pelo saudoso Sir Bobby Robson. Nessa temporada de 1995/96, a sua entrega e a inteligência demonstrada dentro de campo, levariam o referido técnico a elegê-lo como um dos seus preferidos e um dos nomes mais vezes inscrito nas fichas de jogo. Ao posicionar-se no vértice mais avançado do triângulo disposto no miolo do terreno, teria um importante papel na conquista do Campeonato Nacional, o segundo da série que ficaria celebrizada como o “Penta”.
O pior viria com a 27ª jornada dessa época inicial, quando uma grave lesão num dos joelhos, muito para além de afastar o atleta até ao final da temporada, afectaria, e de que maneira, a afirmação do médio nos esquemas tácticos das épocas vindouras. Já recuperado, a falta de jogos faria com que o atleta procurasse uma solução para dar continuidade à sua carreira. Numa primeira ocasião, no decorrer da campanha de 1996/97, seria cedido ao Sporting de Espinho para, já na campanha seguinte, ainda por “empréstimo”, regressar ao Ferencváros.
A desvinculação com os “Azuis e Brancos” levaria o médio a rubricar um contrato com o SV Wüstenrot Salzburg (actual Red Bull). No entanto, Lipcsei acabaria por regressar ao clube que o tinha catapultado para o estrelato. Com a terceira passagem pelo Ferencváros a começar em 2000/01, o médio contribuiria em mais 10 temporadas do emblema húngaro. Tamanho trajecto, a aditar aos anos já vividos anteriormente, transformá-lo-iam no nome com mais partidas disputadas pelos “Zöld Sasok”. A somar aos tais 648 jogos, surgiriam ainda outros títulos, com a vitória em 2 Campeonatos, 2 Taças e 1 Supertaça a rematar uma caminhada repleta de êxitos.
Depois de em 2010, quando já contava 38 anos de idade, ter decidido “pendurar as chuteiras”, Lipcsei continuaria ligado ao futebol. Ao mudar de funções, mas mantendo-se nos quadros do Ferencváros, o antigo médio escreveria as primeiras páginas como treinador. Nessas funções, trabalharia vários anos com as camadas jovens do clube. Já em 2017, aceitaria o convite dos dirigentes do Soroksár SC e assumir-se-ia, mantendo-se no cargo ainda na última temporada (2021/22), como o técnico-principal do clube.

1184 - VERÍSSIMO

Com o percurso formativo feito, na sua grande maioria, com as cores do Benfica, Veríssimo, desde cedo, mostraria uma postura diferente dos demais colegas de equipa. Com uma maturidade bem vincada, revelada dentro e fora de campo, veria, por diversas vezes ao longo da carreira, ser-lhe confiada a braçadeira de “capitão”. A seriedade da sua entrega levá-lo-ia, a exemplo, a capitanear a equipa de juniores das “Águias”, logo na temporada de estreia no referido escalão. Ao longo dos anos, a hombridade patenteada faria dele um atleta que, longe da exuberância de alguns predestinados, pautaria as exibições pela sobriedade. Uma mentalidade positiva, aliada a um bom jogo de cabeça e a uma velocidade acima da média, torná-lo-iam num bom “alvo” para as convocatórias da Federação Portuguesa de Futebol. O crescimento apresentado nas “escolas” benfiquistas, bem como nos reptos lançados às jovens selecção nacionais, alinhariam a evolução do defesa-central para os desafios de outros patamares e a chegada a sénior dar-se-ia de “Águia” ao peito.
A primeira aparição com a camisola da principal equipa do Benfica, aconteceria na temporada de 1995/96. Depois de a época ter começado sob o comando técnico de Artur Jorge, seria a troca do referido treinador por Mário Wilson que daria a Veríssimo a oportunidade de fazer a estreia pelos seniores. Tal tomaria lugar no Estádio “da Luz”, em Março de 1996. Contudo, a presença no plantel de elementos bem mais experimentados, casos de Ricardo Gomes, Hélder ou Paulo Pereira, não facilitariam a vida ao jovem jogador. Por essa razão, a partida disputada frente ao Desportivo de Chaves tornar-se-ia, tanto nessa época, quanto nas seguintes, numa das poucas participações do defesa com a camisola dos “Encarnados”. A solução para a falta de utilização surgiria do Alverca e, para que pudesse ter mais minutos de jogo, o emblema ribatejano entraria no percurso do atleta.
O emblema, à altura, “satélite” do Benfica e a passagem, já na 1ª divisão, pela Académica de Coimbra, dariam ao jogador o traquejo suficiente para que, daí em diante, conseguisse afirmar-se como um intérprete de cariz superior. Ainda assim e com qualidade suficiente para militar no escalão maior do futebol português, a verdade é que Veríssimo nunca mais voltaria a envergar a camisola do Benfica. Na época de 1999/00 seria o Alverca, novamente, a abrir-lhe as portas e a dar azo a mais um grande rol de exibições positivas. Durante as 5 temporadas seguintes, 4 das quais no patamar principal, representaria os ribatejanos sempre com uma seriedade inabalável e, como prémio para a sua dedicação, mais uma vez, veria a braçadeira de “capitão” a ser entregue à sua custódia.
De seguida viria o período mais prolífero do seu trajecto enquanto desportista profissional. Ao serviço do Vitória Futebol Clube, nas 3 temporadas passadas à beira do Rio Sado, o central conseguiria os maiores feitos da carreira. Logo na campanha de chegada ao Bonfim, acompanharia o emblema setubalense até à final da Taça de Portugal, marcaria presença no Jamor e, mesmo sem sair do banco de suplentes, contribuiria para a conquista do troféu. Nas 2 campanhas subsequentes, voltaria a viver outros momentos dignos de destaque. Para além de nova comparência, dessa feita como titular, no derradeiro jogo da “Prova Rainha”, os anos vindouros trariam ao atleta a disputa de duas edições da Supertaça e a inclusão no grupo que, por duas vezes, participaria na Taça UEFA.
Antes ainda de “pendurar as chuteiras”, o defesa adicionaria ao currículo as participações pelo Fátima e, com a época de 2011/12 a tornar-se na da sua despedida, com as cores do Mafra. Após o ponto final da carreira como futebolista, e sem grande tempo para estar afastado da modalidade, a temporada seguinte marcaria o arranque das actividades de Nélson Veríssimo como treinador. Desde então ligado à estrutura do Benfica, o antigo futebolista tem desempenhado o seu papel, maioritariamente, ao serviço do conjunto “B”. Como adjunto ou técnico-principal, o seu trabalho tem sido pautado, à imagem dos anos como atleta, pela honestidade, paixão e rigor. Por essa razão, aquando da rescisão de Bruno Lage em 2019/20, seria ele a escolha para assumir o comando dos “Encarnados”. Já esta época, a de 2021/22, a saída de Jorge Jesus levaria o Presidente Rui Costa a elegê-lo para idêntica tarefa e, ao começar com uma “prova de fogo”, o Estádio do Dragão irá apadrinhar o seu regresso à primeira equipa das “Águias”.

1179 - SISKA

Por sugestão de Akös Teszler, à altura treinador do FC Porto, chegaria à “Cidade Invicta”, para reforçar o lugar à baliza dos “Azuis e Brancos de 1924/25, o guarda-redes húngaro Mihály Siska. Com 18 anos e vindo do Vasas de Budapeste, a contratação do jovem atleta imediatamente daria azo a uma acesa polémica. Numa altura em que o futebol português era ainda alimentado por um romântico amadorismo, o pagamento de 1000 escudos mensais ao futebolista haveria de inflamar tanto as hostes de adeptos, como algumas facções da imprensa.
Retirando as celeumas relatadas, as exibições do guardião, em jeito uníssono, depressa fariam de si um dos grandes pilares dos desempenhos colectivos. A estreia num jogo oficial dar-se-ia numa partida do “regional” portuense e logo como uma particularidade digna de registo. Nessa primeira jornada, o FC Porto calharia bater-se com o Progresso. O resultado de 6-1, em jeito de rescaldo, daria à vitória dos “Dragões” um toque de evidente superioridade. Contudo, o sexto e derradeiro golo dos “Azuis e Brancos” tornar-se-ia noutro ponto de destaque do referido embate, pois, na sequência de uma jogada corrida, o mesmo seria concretizado pelo guarda-redes magiar.
Para além da aludida conquista do Campeonato do Porto, e da repetição da vitória nas 8 edições seguintes, o seu palmarés acabaria enriquecido com o triunfo do FC Porto em 2 Campeonatos de Portugal, o primeiro realizado na campanha da sua chegada ao contexto desportivo luso e o segundo nas disputas calendarizadas para a época de 1931/32. No entanto, muito para além dos troféus ganhos nas 9 campanhas em que carregaria ao peito a insígnia portista, a sua fama alimentar-se-ia das excepcionais prestações que, de desafio em desafio, conseguiria erigir. Essas exibições, resultados de qualidades extraordinárias para o desempenho das funções de “keeper”, valer-lhe-iam o epíteto de “meio-team”. Tal importância, mesmo sem ter alcançado qualquer internacionalização pelo seu país, levá-lo-ia a ser aferido como um dos melhores da Europa na sua posição e a ser chamado a jogo pela selecção do Porto.
Tendo a sua naturalização acontecido em 1926, Mihály passaria a responder pelo nome Miguel. Porém, mesmo com o novo “passaporte”, a sua entrada nos planos da equipa nacional portuguesa acabaria também por nunca ocorrer. O que aconteceria, e de forma natural, seria a sua inscrição em vários capítulos da história do FC Porto. Apesar da carreira interrompida pela doença, Siska continuaria ligado ao devir do clube e da modalidade. Afastado das lides de futebolista no final da temporada de 1932/33, anos mais tarde assumiria o cargo de treinador-principal. Com o encetar de funções a suceder em 1935, nas funções de “timoneiro”, ao incutir vontade lutadora e instinto vencedor aos seus discípulos, levaria os “Azuis e Brancos” às vitórias nos Campeonatos Nacionais de 1938/39 e 1939/40. Mas a maleita que afectava a sua função pulmonar, acabaria, de forma idêntica, por subtrair à sua vida o banco de suplentes. Passaria, então, a trabalhar como funcionário-administrativo, na secretaria do FC Porto.
Já com uma festa de homenagem marcada, a 25 de Outubro de 1947 Siska viria a falecer vítima de um tumor nos pulmões. A partida realizar-se-ia na mesma, contando com a presença da equipa do Benfica e a receita do jogo, a rondar os 100 contos, reverteria para a subsistência da sua viúva.

1173 - CARLITOS

Ainda a partilhar o tempo entre a fábrica de teares, os treinos com a equipa sénior e os compromissos com as camadas de formação, Carlitos haveria de “estar com um pé” nas “escolas” do Benfica. No entanto, a oferta de um contrato profissional por parte dos responsáveis do Gil Vicente, faria com que o jovem atleta permanecesse no emblema da sua terra natal.
De “Galo ao Peito”, ainda em idade júnior, veria o treinador Vítor Oliveira a convocá-lo para um jogo da equipa principal. Com o Gil Vicente a disputar o escalão maior do futebol português, a tal partida, referente à 25ª jornada do Campeonato Nacional de 1994/95, levaria o extremo a defrontar o FC Porto e, nesse sentido, a estrear-se na 1ª divisão. Após esse jogo inicial, não tardaria muito até que Carlitos passasse a ser uma figura cimeira nas cogitações tácticas da colectividade de Barcelos. Logo na campanha seguinte, passaria a surgir como um dos titulares indiscutíveis. O estatuto mantê-lo-ia na temporada de 1996/97 e esse facto abrir-lhe-ia outras portas.
Com a estreia pelos sub-20 portugueses a acontecer na edição de 1997 do Torneio Internacional de Toulon, as boas exibições do atacante, a juntar à presença do conjunto luso na final e ao título de Melhor Marcador do certame organizado em solo francês, fariam com que outros emblemas começassem a olhar para Carlitos como um possível reforço. Até aí, nada de surpreendente. O maior espanto sairia, isso sim, do principal pretendente à contratação do atleta. Com Manuel Barbosa a intermediar o negócio, o avançado acabaria por assinar um vínculo com o Real Madrid. Visto como um elemento de enorme potencial, mas ainda pouco preparado para desafios maiores, o seu destino acabaria por ser, a equipa “b” dos “Merengues”, o Castilla. Todavia, a aposta não correria de feição para o jogador que, ao não conseguir adaptar-se à vida em Espanha, haveria de pedir aos responsáveis pela equipa madrilena, a sua saída do clube.
Por empréstimo seguir-se-iam, na sua ainda curta carreira, o Sporting de Braga, o Estrela da Amadora e o regresso ao Gil Vicente. Embora as duas primeiras cedências não tenham revelado o real valor do extremo-direito, a época ao serviço dos “Galos”, sublinharia um intérprete de fino recorte técnico, mortífero em duelos individuais e de uma rapidez estonteante. Com os resultados do colectivo a levar os barcelenses a terminar a temporada de 1999/00 no 5º posto da tabela classificativa, a projecção dada ao atacante seria essencial para nova mudança de rumo.
Já depois de ter rubricado um acordo com o FC Porto, a concórdia celebrada entre o Real Madrid e o Benfica, ao desviá-lo para Lisboa, deitaria por terra a mudança de Carlitos para o Estádio das Antas. Nos “Encarnados” a partir de 2000/01, depois de uma primeira campanha agradável, os anos seguintes não correriam tanto de feição. Apoquentado por várias lesões musculares, que, de alguma forma, iriam acompanhá-lo para o resto da vida desportiva, a sua afirmação ficaria comprometida. Também em termos de títulos, fruto da pesada herança dos anos sob a alçada directiva do Presidente João Vale e Azevedo, nada conseguiria acrescentar ao currículo. Com época 2003/04 a decorrer, a ligação entre o jogador e o emblema da “Luz” conheceria o seu fim e o avançado retornaria a Espanha.
No Poli Ejido, onde voltaria a encontrar-se com José Calado, passaria apenas alguns meses. De seguida, dar-se-ia o regresso ao Gil Vicente e mais 2 temporadas e meia, sempre no escalão máximo nacional, a fazer recordar aquelas campanhas que o tinham lançado no caminho dos grandes emblemas europeus. Seguir-se-ia a aposta num Belenenses orientado por Jorge Jesus, o seu antigo treinador no Estrela da Amadora. Porém, a condição física de Carlitos já não era a melhor e as lesões começariam a afectar definitivamente os seus desempenhos. Meio ano após a entrada no Restelo, o extremo mudar-se-ia para um Vitória de Guimarães acabado de voltar ao convívio dos “grandes”, para uma campanha excelente e o 3º lugar no Campeonato. Depois, mais 2 anos na “Cidade Berço”, um rol insuportável de mazelas musculares e o ponto final da carreira no Gil Vicente, com o término da época de 2010/11.
Hoje em dia, o antigo internacional sub-20, sub-21 e “B” por Portugal, divide-se entre a gestão de um restaurante, os imóveis que foi adquirindo durante a vida desportiva e o Galos de Barcelos, clube de futsal que ajudou a fundar.

1168 - OUATTARA

Começaria a jogar futebol na universidade porque, ao acompanhar um amigo aos treinos, descobriria que, ali, a prática da modalidade vinha também com a oferta do pequeno-almoço. Entretanto, a lesão de um guarda-redes levaria o treinador a querer pô-lo a jogar entre os postes. Recusaria a baliza e exigiria o seu lugar na frente. O técnico lá acederia à reivindicação do jovem atleta e, depois de 3 golos marcados, Ahmed Ouattara jamais largaria a posição de ponta-de-lança.
Seria, no entanto, a entrada no Africa Sports que lançaria o atacante para o estrelato. No emblema de Abidjan, a sua terra natal, rapidamente conseguiria assumir-se como um dos principais intérpretes dos sucessos colectivos. Logo em 1989, integraria o plantel que conquistaria o Campeonato, a Taça e a Supertaça da Costa do Marfim. Seguir-se-iam outros títulos internos. Em 1993 acrescentaria outra Taça e mais uma Supertaça ao seu currículo. Também nas competições continentais, o sucesso acompanharia o evoluir do avançado. Depois de, em 1992, ajudar à vitoria na Taça dos Vencedores das Taças de África, o ano seguinte traria ao palmarés de Ouattara a Supertaça Africana de futebol.
Com tantos sucessos, aos quais ainda acrescentaria o título de Melhor Marcador da edição de 1993 do Campeonato costa-marfinense, a selecção nacional apareceria no seu caminho de forma natural. Após a primeira internacionalização “A”, obtida em 1989, seria a Taça de África das Nações que serviria de grande montra para o avançado. Com a participação no torneio de 1994, onde, com um golo na partida de disputa do 3º e 4º lugares, ajudaria à conquista da medalha de bronze, a Europa surgiria no seu horizonte como um sonho perto de concretizar.
A tal oportunidade emergiria na Suíça e a época de 1994/95, ao serviço do FC Sion, acrescentaria à sua caminhada a Taça daquele país. Mesmo assim, as suas exibições seriam suficientes para que os dirigentes do Sporting vissem no avançado um bom reforço. Juntamente com Roberto Assis, Ouattara apresentar-se-ia em Alvalade na temporada seguinte à da chegada ao “Velho Continente”. Como um atleta com um físico possante, o início da referida campanha surgiria de forma prometedora e o golo marcado nas Antas, na 1ª jornada do Campeonato Nacional, sublinharia o ponta-de-lança como uma aposta de grande valor. Todavia, as rondas seguintes mostrariam um jogador diferente e que, sem deixar de ser voluntarioso, também revelaria alguma falta de discernimento.
Ao não conseguir afirmar-se de verde e branco, Ouattara, a meio da temporada de 1996/97, retornaria ao FC Sion. A nova experiência no emblema helvético, depois da vitória na Supertaça de 1995/96, ganha ainda com as cores do Sporting, levaria o avançado, com a conquista do Campeonato e Taça da Suíça, de volta aos títulos e às cogitações de emblemas de outra monta. Nessa senda, com a presença na CAN de 1998 a ajudar ao salto, seguir-se-iam o FC Basel e o Extremadura. Ainda assim, a carreira do avançado, com algumas lesões a assolar aos seus índices físicos, começaria a revelar alguns sinais de destaque. Sem lugar no emblema espanhol, 2000/01 acabaria marcado pelo empréstimo ao Salgueiros e a passagem discreta pelo emblema de Paranhos.
Depois de terminar a carreira já no seu país, Ouattara manter-se-ia ligado à modalidade. Nesse sentido, destaque para o seu trabalho como dirigente, ao serviço da Federação Costa-marfinense de Futebol.

1134- KIMMEL

Depois de, na temporada de 1988/89, ajudar o Fortuna de Düsseldorf a bela uma campanha, a subida de divisão levaria Michael Kimmel à estreia na 1 Bundesliga. Já a disputar o principal escalão do seu país, a escassez de partidas jogadas faria com que o médio alemão começasse a procurar outro rumo para a carreira. De volta ao patamar secundário, acabaria por ser no FC 08 Homburg que o jogador daria um novo impulso à sua, ainda curta, caminhada.
Seria do emblema sediado no estado germânico do Sarre que o centrocampista chegaria a Portugal. Com a União de Leiria a abrir-lhe as portas das provas nacionais, Kimmel rapidamente conseguiria tornar-se numa das referências do conjunto da “Cidade do Lis”. Logo na época de chegada, a de 1992/93, o atleta ocuparia no miolo do terreno um lugar de destaque. Já na temporada seguinte, mantendo-se como um dos titulares, continuaria a ser uma das peças fundamentais do esquema táctico da equipa e, sob a alçada do técnico Manuel Cajuda, tornar-se-ia numa das principais figuras do emblema beirão no regresso à 1ª divisão.
No escalão maior do futebol português, já sob o comando do treinador Vítor Manuel, Kimmel conseguiria perpetuar-se como um dos esteios do meio-campo defensivo. Durante mais duas temporadas, sempre como um dos bons elementos do conjunto leiriense, continuaria a ser o “pulmão” e o “músculo” necessário às metas colectivas. Ao pautar os 4 anos ao serviço da União de Leiria pela capacidade de luta e abnegação, seria com grande surpresa que os adeptos acompanhariam o anúncio da saída do futebolista.
Após empurrar o emblema beirão para lugares na metade superior da tabela classificativa e depois de, igualmente, pôr o seu cunho na participação na Taça Intertoto de 1995/96, a partida do médio dar-se-ia em direcção a Trás-os-Montes. No Vila Real, com o clube a apostar fortemente na promoção à divisão de Honra, Kimmel, acompanhado pelos colegas Abel e Manuel Lavos, seria recebido como um dos principais reforços para a temporada de 1996/97. No entanto, falhado o objectivo da subida, o médio decidir-se-ia por deixar o emblema transmontano para fixar-se de novo na Região Centro. Sem voltar ao escalão máximo, passaria a representar emblemas de menor monta e, um ano volvido sobre a sua partida de Leiria, o jogador assinaria contrato pelo Beneditense.
Sempre nos escalões inferiores, o atleta continuaria a caminhada desportiva em colectividades mais modestas. Para além do já referido, Bidoeirense e Alqueidão da Serra haveriam também de colorir um trajecto que conheceria o fim já na segunda metade da primeira década do século XXI. “Penduradas a chuteiras”, mas sem deixar a modalidade, Kimmel passaria a dedicar-se às artes de treinador. Após alguns anos em que conciliaria as actividades de futebolista com as de técnico, ao retirar-se dos relvados começaria a dedicar-se a uma carreira que acabaria por ter uma forte ligação às camadas jovens da União de Leira.

1096 - RUI ALBERTO

Filho do avançado Carlos Manuel, atleta com carreira firmada no FC Porto, Tirsense e Desportivo das Aves, Rui Alberto não conseguiria fugir às passadas do pai. Dividiria a formação pelos emblemas de Santo Tirso e da Vila das Aves e, para que desvio não fosse muito acentuado, acabaria também a jogar como avançado.
Já a temporada de 1984/85 daria a Rui Alberto a ocasião para conseguir a promoção ao conjunto principal dos avenses. Apesar de não ter sido muito utilizado durante a referida época, ainda assim, a chegada ao escalão sénior faria com que o seu nome ficasse para sempre ligado à história do clube. Com a subida de patamar a acontecer nessa mesma campanha, a consequente estreia na 1ª divisão arrolaria o atleta como um dos elementos de tão importante capítulo. Na sequência do referido momento, o atacante começaria a cimentar a sua carreira e a frequência com que passaria a aparecer em campo, dar-lhe-ia os alicerces para, daí em diante, ser visto como um futebolista de muito valor.
A descida de patamar, logo no final da campanha de 1985/86, acabaria por ser, de um certo modo, bem aproveitada pelo jogador. Com o traquejo ganho a traduzir-se numa boa qualidade exibicional, a regularidade apresentada dentro de campo revelar-se-ia nos golos por si concretizados. Com a “veia goleadora” como principal apanágio, os seus números começariam a revelar-lhe horizontes bem mais apetecíveis. No entanto, o tal salto ainda demoraria algum tempo a concretizar-se e com o Desportivo das Aves a perpetuar-se pelo escalão secundário, o seu regresso ao degrau maior do futebol luso parecia estar, ano após ano, a adiar-se.
O fim desse paradigma surgiria pela mão do Salgueiros. Com a oportunidade a surgir na época de 1991/92, não seria só o retorno à 1ª divisão a marcar a temporada. Com a colectividade sediada no bairro de Paranhos a participar nas competições continentais de clubes, o avançado estrear-se-ia na Taça UEFA. Convocado pelo técnico Zoran Filipovic, o atleta, em ambas as mãos, começaria as partidas como suplente. Ainda assim, conseguiria entrar em jogo e, ao saltar do banco, disputaria as duas metades da eliminatória frente aos franceses do Cannes.
Depois do Salgueiros, também o Desportivo de Chaves e o Varzim dariam cor à sua passagem pelo escalão máximo português. Numa carreira com 18 anos de sénior, os números conseguidos na 1ª divisão, traduzir-se-iam em 6 temporadas, quase centena e meia de aparições e 25 golos. Já no final do percurso como futebolista, regressaria aos emblemas onde fez a formação. Desportivo das Aves e Tirsense e, pelo meio, uma passagem pelo Moreirense, marcariam desse modo, os derradeiros capítulos da sua caminhada desportiva. O término surgiria em 2002 e depois de uma curta experiência no Maria da Fonte
.