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551 - ROSSI


E se a carreira de um qualquer astro do futebol se resumisse apenas a um par episódios???!!! Claro, seria injusto! No entanto, a história de Paolo Rossi parece ter ficado perdida em dois momentos!
Ora, já o avançado transalpino tinha vários anos como praticante da modalidade, com passagens pela Juventus, Como, Vicenza e Perugia, quando, em 1980, rebenta o caso "Totonero". O escândalo que envolveu vários clubes e atletas do "Calcio", tinha origem num esquema de apostas, onde os resultados dentro de campo eram combinados. Entre muitos, o nome Rossi é um dos que aparece ligado à dita teia. Apesar de ter sempre alegado inocência, a pena para o atacante acabaria por ser exemplar. Três anos de suspensão (que, mais tarde, acabariam por ser reduzidos para dois), praticamente arruinavam a vida desportiva de um dos melhores pontas-de-lança de Itália. Ele, Paolo Rossi, que ainda dois anos antes, para além de ter sido o melhor marcador da Serie A, tinha feito parte da selecção que havia disputado o Mundial na Argentina, via agora a desolação a bater-lhe à porta.
Como todos concordarão, três anos para um atleta de alta competição, é, para que dela se saia sem qualquer tipo de mazela, uma grande ausência. O afastamento do Euro 80, que ainda por cima era organizado no seu país, era só mais uma das machadadas que Rossi teria de enfrentar pelos anos vindouros.
Abatido animicamente, ainda assim Rossi não baixaria os braços. Apesar de não poder participar em jogos, o avançado continuaria a treinar-se com o plantel do Vicenza, clube detentor do seu passe. Cerca de dois anos passados sobre a leitura da sentença, algo surpreendente acontece! A Juventus, onde o atleta tinha terminado a sua formação e de onde, em meados dos anos 70, havia sido dispensado, decide contratá-lo. Ainda com um ano de suspensão pela frente, o espanto pela aposta de Giovanni Trapattoni no avançado, foi geral. O mais engraçado é que este momento acabaria por ser o sinal de que a sorte de Rossi estava a mudar. Passado pouco tempo a sua pena é reduzida. Ainda consegue participar nas derradeiras rondas do Campeonato de 1981/82, e, sem que nada o fizesse prever, é nomeado como um dos atletas a seguir na comitiva para o Mundial de 1982!
É óbvio que escolha do seleccionador italiano, Enzo Bearzot, não haveria de ser bem acolhida no meio desportivo. Muito criticado pelos adeptos e atacado incessantemente pelos meios de comunicação, o treinador da "Squadra Azzurra" não vacilaria durante um só momento. Já em Espanha, as críticas sobem de tom quando na primeira fase de grupos, a Itália não consegue mais do que três empates. Por esta altura, já todos apontavam o dedo à equipa. As razões eram mais que muitas, e entre os resultados já referidos e umas exibições paupérrimas, o titularíssimo Paolo Rossi ainda não tinha marcado qualquer golo.
Mesmo neste contexto, a Itália lá chega à Segunda Fase de Grupos. Juntamente com Brasil e Argentina, aos transalpinos poucas chances eram dadas na qualificação para as meias-finais. Então, é aí que surge aquele que estava à beira de ser crucificado. Já depois da importante vitória sobre a equipa de Maradona, Rossi faz os 3 golos da vitória sobre o favorito Brasil! Na meia-final volta a marcar os dois tentos que dariam a passagem à sua equipa, para o derradeiro encontro do torneio.
Na final do Santiago de Barnabéu, a Itália defrontava a poderosa Alemanha (R.F.A.). Mais uma vez, e apesar da notória subida de forma, as probabilidades aferidas aos de azul, eram diminutas. A primeira parte não traria qualquer golo. No entanto, aos 12 minutos do segundo tempo, Rossi volta ser fulcral e, com mais um remate certeiro, volta a mostrar o caminho para a vitória.
A Itália acabaria o Mundial de Espanha com um o "placard" a mostrar 3-1 a seu favor. Paolo Rossi, com 6 golos, sagrar-se-ia como o melhor marcador. Para completar o quadro, de idílico que se tinha tornado, o avançado é, igualmente, considerado como o melhor jogador do torneio.
Como seria de esperar, tanta distinção só poderia levar a que a "France Football", nesse mesmo ano, o galardoasse com sua máxima distinção, o "Ballon d'Or". Daí em diante, a sua ligação ao caso "Totonero" foi esquecida. Paolo Rossi era agora conhecido como "Il Bambino d'Oro", e sua cotação subiria ainda mais quando, ao serviço da "Vecchia Signora", conquistaria a Taça dos vencedores das Taças de 1983/84 (frente ao FC Porto), a Supertaça Europeia e a Taça dos Campeões Europeus da época seguinte.

496 - HALILHODZIC


Ser criado a cerca de uma centena de metros do clube da sua terra, fez com que Halilhodzic aí quisesse dar os primeiros pontapés na bola. Mas para o rapaz, muito mais que a paixão que tinha pela modalidade, havia outras prioridades. Os estudos estavam primeiro, e como isso implicava mudar-se para a cidade mais próxima, acabaria por abandonar o FK Turbina Jablanica sem nunca realizar uma partida oficial.
Ora, a mudança de escola leva-o a Mostar. Aí, matriculado em Electrotecnia, dá continuidade ao seu percurso académico, sem, contudo, deixar o "bichinho da bola" morrer. Sem nunca almejar ser profissional, mas, por outro lado, com o irmão a insistir para que fosse fazer alguns treinos ao emblema onde jogava, o jovem decide arriscar. Agrada e acaba por ficar.
Já no Velez Mostar, clube com forte tradição no campeonato jugoslavo, Halilhodzic começaria pelas camadas de formação. Terminada esta fase, instalou-se na principal equipa, onde acabaria por ser tornar num dos atacantes mais importantes. Com um ano de interrupção, onde, por empréstimo, vestiu as cores do NK Neretva, Halilhovic jogou 10 anos pelo emblema da, agora, Bósnia-Herzegovina. Foram 10 temporadas de grande nível, à custa das quais conseguiria a estreia na selecção da Jugoslávia e a presença no seu primeiro grande certame internacional, o Euro 76.
Foi já depois desta participação que seria chamado a representar o seu país no primeiro Europeu s-21. Mais uma vez se destacaria ao vencer, para além do torneio em si, os prémios de Melhor Jogador e de Melhor Marcador. O curioso é que por esta altura já o ponta-de-lança contava com 26 anos de idade!!! Como é que é possível?! Simples! Nesta edição disputada entre 1976 e 1978, os regulamentos permitiam a inclusão de 2 atletas de idade superior à do dito escalão.
A seguir a ter vencido a Taça do seu país, e já numa idade em que não é muito normal fazerem-se apostas em atletas vindos de outras paragens, o Nantes decide contratá-lo. Chega a França já com os 30 anos à vista. No entanto, isto não o inibe de continuar a mostrar aquilo que sempre tinha feito anteriormente. Instala-se na frente de ataque e, na temporada seguinte, para além de se sagrar o melhor marcador do campeonato, ajuda o Nantes a conquistar a "Ligue 1". O feito dessa época de 1982/83, pelo menos no plano pessoal, voltaria a repeti-lo dois anos depois. No total, foram 5 temporadas no  "La Beaujoire", durante as quais, tal como já tinha feito no Velez Mostar, volta a reafirmar o seu faro para o golo.
A carreira de treinador iniciou-a dois anos depois de, no PSG, ter posto um ponto final na vida de futebolista. Regressaria à Bósnia e ao Velez Mostar, mas a decisão acabaria por se revelar, muito mais do que errada, trágica. Como sabemos, foi no início dos anos 90 que rebentou a escalada de violência nos Balcãs. Muitas vítimas trouxe tal conflito. Mortos, feridos e desalojados foram aos milhares. Um deles foi Halilhodzic que, depois de ter sido ferido em Mostar, receberia mais uma série de ameaças. Com a vida em perigo decide abandonar a região, vendo, logo de seguida, a sua residência ser pilhada e incendiada.
Depois deste episódio triste, Halilhodzic deu continuidade a sua carreia em França. Contudo, seria já à frente do Raja Casablanca que as suas vitórias mereceriam destaque. Conquista, em 1997, tanto o Campeonato de Marrocos como a Liga dos Campeões Africana e, com isso, acaba por ver a sua cotação a subir em flecha.
Apesar da sua carreira não ser muito pródiga em troféus, excepção feita ao já referido e à vitória na "Coupe de France" de 2003/04 (PSG), Halilhodzic ganhou a fama de conseguir bons resultados com parcos recursos. Foi isso mesmo que demonstrou no segundo Mundial em que participou. Depois de, na condição de jogador, ter estado em Espanha (1982), repetiu a presença, neste ano de 2014, no Brasil. Como seleccionador da Argélia, com um grupo do qual fizeram parte alguns conhecidos do futebol português - Halliche (Nacional e Académica); Yebda (Benfica); Nabil Ghilas (Vizela, Moreirense e FC Porto); Slimani (sporting) - Halilhodzic conseguiu algo nunca antes alcançado: a passagem aos 1/8 de final das "Raposas do Deserto".

6 - MESZAROS

Se em 1988, no fim da sua carreira, regressou ao nosso campeonato para defender a baliza do Vitória de Setúbal, foi em 1981 que, vindo do Vasas FC, entrou pela primeira vez em Portugal. Já depois de Alvalade, 2 épocas após a sua chegada, Meszaros rumaria a Faro e ao Sporting local. 
Embora só me lembre dele desde a sua ida para o Farense, tenho-o no meu imaginário como um dos grandes jogadores que passaram pelo nosso futebol... e um bigode daqueles nunca se esquece! 
No que a Mundiais diz respeito, Meszaros esteve presente na Fase Final de 1978, na Argentina, e em 1982, em Espanha.