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1368 - VALTER

Com o percurso formativo feito com as cores do Barreirense, Valter subiria ao patamar seguinte ainda como atleta do emblema sediado na Margem Sul do Rio Tejo. Mormente a representar as “reservas”, mas com presença também assinalada na equipa principal, a temporada de 1968/69 marcaria o arranque da caminhada do médio enquanto sénior. Logo no ano seguinte, treinado por Manuel de Oliveira, surgiria a primeira partida do jogador no contexto primodivisionário. Aliás, daí em diante, a qualidade demonstrada pelo jovem atleta levá-lo-ia, durante muitos anos, a manter-se no escalão máximo e a alcançar voos de outra monta.
Um desses feitos resultaria do 4º posto alcançado no termo do Campeonato Nacional de 1969/70 e com a primeira classificação, na história do Barreirense, para as provas continentais. Na Taça das Cidades com Feira, Valter acabaria a jogar ambas as partidas referentes à ronda frente ao Dínamo Zagreb, mas para infelicidade do conjunto luso, a vitória por 2-0, selada na 1ª mão, seria insuficiente para levar de vencida a eliminatória e o Barreirense cairia frente à agremiação da antiga Jugoslávia.
Outra das suas glórias competitivas, ainda concretizada como elemento integrante do Barreirense, surgiria com a selecção nacional a emergir no horizonte do atleta. Numa altura em que, na sua 4ª campanha consecutiva na 1ª divisão, já tinha, no miolo do terreno, assumido a titularidade dos “Alvi-rubros”, a 3 de Abril de 1974, chamado por José Maria Pedroto ao “particular” frente a Inglaterra, Valter conseguiria para a sua carreira 1 internacionalização “A”. Já em 1981, dessa feita com a camisola da equipa “B”, o centrocampista voltaria a ser convocado e, numa peleja com a Alemanha, somaria mais uma partida com as cores de Portugal.
Já com o estatuto de internacional a colorir-lhe o currículo, Valter começaria a ser cobiçado por outros emblemas. Ao atravessar o Rio Tejo, o médio viria a rubricar um acordo contratual com o Sporting. Com a entrada em Alvalade a acontecer na temporada de 1974/75, o jogador, nessa época de estreia com os “Leões”, acabaria por não conseguir assumir-se como um dos elementos principais na táctica idealizada primeiro por Di Stéfano, depois por Osvaldo Silva e, mais tarde, por Fernando Riera. Contudo, as épocas seguintes mostrariam o contrário, com o atleta a revelar-se essencial nas manobras do “xadrez verde-branco”. Talvez por essa razão, a notícia da sua transferência para outro clube tenha emergido com alguma surpresa e, cumpridas 3 campanhas, o centrocampista acabaria por deixar a colectividade “alfacinha”.
Apesar, não sei se posso adjectivar o momento de tal forma, desse desaire, a verdade é que Valter não perderia o epíteto de bom jogador e as campanhas seguintes continuariam a ser passadas nos palcos principais do futebol português. Quase sempre como um elemento a ser chamado amiúde ao “onze”, o médio, no seguimento da saída de Alvalade, passaria as 3 temporadas precedentes ao serviço do Marítimo. Seguir-se-iam dois anos no Portimonense e a tal chamada, referida mais acima no texto, à selecção “B” de Portugal. Por fim, como termo da sua caminhada na 1ª divisão, somaria ainda a temporada de 1982/83 ao serviço do Amora.
Já a entrar na derradeira fase do percurso como jogador, Valter voltarias aos escalões secundários. Passaria pelo Estrela da Amadora, retornaria ao Barreirense e, numa carreira que terminaria com o fim da temporada de 1990/91, ainda teria tempo para vestir o equipamento do Estrela de Vendas Novas.
De seguida, mantendo-se ligado à modalidade, surgir-lhe-ia a oportunidade para abraçar a carreira de treinador. Com um percurso feito pelos patamares inferiores, o grande destaque para a caminhada de Valter Costa, entre outras experiências, viria com a longa ligação ao Alcains ou com o regresso ao Barreirense.

943 - ARCONADA

Aos 16 anos, aquando da sua chegada à Real Sociedad, poucos apostariam que o nome de Arconada iria tornar-se numa lenda do clube. É bem verdade que não tardou muito até que os primeiros sinais começassem a surgir. A rapidez, os reflexos e, o que não é muito comum nos da sua posição, a habilidade que tinha com a bola nos pés, faziam dele uma enorme promessa. Na transição para o patamar sénior, onde começaria por representar a San Sebastián (equipa “b” da Real Sociedad), as convocatórias para as camadas jovens espanholas serviriam para sublinhar todas as esperanças nele depositadas. Depois, foi só esperar a oportunidade certa e, passados poucos anos após a sua estreia como profissional, o guardião conseguiria tornar-se no dono e senhor das balizas “Txuri-urdin” e espanhola.
Pela Real Sociedad, Arconada iria ficar associado às melhores campanhas da história da colectividade basca. Tendo, na equipa principal, chegado à titularidade na temporada de 1976/77, as suas exibições assegurar-lhe-iam um lugar no “onze” inicial durante anos a fio. Como um bastião de toda a estratégia táctica da equipa, muito dos títulos que estavam na calha dever-se-iam à segurança que passava aos seus colegas. A confiança que conseguia transmitir tinha como base, logicamente, todas as bolas que parava. Todavia, o guarda-redes, para além de exímio nas funções desportivas, também era uma voz de comando. Dentro de campo, o jogador era uma voz de incentivo, um grito de coragem, a alma de todo um conjunto.
Os títulos que conquistaria pela Real Sociedad tornar-se-iam num marco da sua carreira. No despontar da década de 80, o emblema basco conseguiria um feito único. Depois de na temporada anterior terem ameaçado a hegemonia dos seus rivais com um 2º posto na classificação final da “La Liga”, a época de 1980/81 traria o primeiro de dois títulos consecutivos de campeão nacional. A juntar a esses dois troféus, Arconada conseguiria ainda outras tantas conquistas para o seu palmarés. A Supercopa de 1982/83 e a edição de 1986/87 da Copa del Rey serviriam, desse modo, para reforçar o currículo do guardião.
Como já aqui foi dado a entender, também na selecção Arconada deixaria a sua marca. Após ser convocado para os Jogos Olímpicos de 1976 e para o Mundial de 1978, a sua presença no Europeu de 1980 já mostraria o atleta como um dos indiscutíveis nas convocatórias da “Roja”. Como jogador da equipa nacional espanhola, o guardião ainda acumularia a passagem por outros dois grandes torneios, o Mundial de 1982 e o Euro de 1984. Destacando-se em todos pela qualidade das suas exibições, o último certame aqui referido ficaria na memória de muitos pela pior das razões. Tendo a Espanha, nesse campeonato disputado em França, atingido o derradeiro jogo, a partida frente aos anfitriões ficaria manchada por um pequeno deslize do guarda-redes. Na sequência de um livre-directo assinalado à entrada da grande-área espanhola, Platini assume a marcação do castigo. A bola é rematada de forma a contornar a barreira feita pelos jogadores espanhóis. Arconada lança-se ao prejuízo e parece travá-lo. Porém, a fracção de segundo a seguir mostraria o contrário. A bola, caprichosamente, arranjaria maneira de escapar-se por entre o corpo do guardião e o relvado. Arconada ainda consegue virar-se e pular na direcção das redes. No entanto, o esforço de pouco serviria e, ingloriamente, acabaria a ver o esférico a entrar na sua baliza.

938 - BLOKHIN

Terá sido, provavelmente, o melhor jogador saído do antigo bloco soviético. É certo que em termos de popularidade teremos que o comparar com Belanov ou com o incontornável Yashin. Todavia, e perdoem-me o abuso, mas Blokhin foi o maior génio em termos técnicos saído da URSS.
Formado nas escolas do Dínamo de Kiev, Blokhin chegaria à categoria principal pelas mãos do técnico Victor Maslov. Chamado quando ainda era adolescente, os primeiros anos com os seniores serviriam para que o avançado conseguisse adaptar-se a uma realidade competitiva mais exigente. É lógico que tão precoce convocatória era o reflexo de todas as esperanças que, desde cedo, começariam a depositar-se no avançado. Excelente com a bola nos pés, a maneira como lia o jogo e a capacidade que tinha para finalizar jogadas de ataque, completavam-se com harmonia na sua pessoa. Todas essas características vincar-se-iam com maior enfase passados alguns anos e, mormente, sob o comando do mítico Valeriy Lobanovskiy.
A partir de 1972, Blokhin começa a ganhar uma preponderância enorme no seio do plantel. No final dessa campanha, orientado ainda por Aleksandr Sevidov, os 14 golos que concretizaria dar-lhe-iam o troféu de Melhor Marcador do Campeonato Soviético. Esse prémio, a juntar ao título de campeão conquistado um ano antes, serviriam de prelúdio para uma carreira recheada de vitórias. Com o referido Valeriy Lobanovskiy já como treinador, mais conquistas entrariam no seu palmarés. É certo que inserido num plantel recheado craques, mas sendo o grande esteio de toda uma dinâmica, o avançado voltaria ser a principal figura nas campanhas seguintes.
Para além das 8 conquistas no Campeonato Soviético, das 5 na Taça da URSS e mais 3 na Supertaça, seriam as competições europeias que transformariam o avançado num fenómeno global. Para tal muito contribuiriam as brilhantes vitórias na Taça dos Vencedores das Taças de 1974/75 e de 1985/86 e na Supertaça da UEFA de 1975/76. No entanto, e sem tirar valor aos outros 2 triunfos, há um momento que ficaria na memória de todos os adeptos do futebol. Numa Supertaça da UEFA ainda disputada a 2 mãos, os 3-0 do cômputo final contariam com 3 golos de Blokhin. Ainda assim, um dos golos mereceria um maior destaque do que os restantes. No primeiro embate frente ao Bayern de Munique, uma bola recuperada à saída da grande-área, acabaria nos pés do atacante. Sem que nada o intimidasse, nem o facto de estar a jogar na casa do adversário, o avançado arranca pelo campo fora. Um a um, “dribla” os adversários que se atravessam no seu caminho e, depois de deixar Franz Beckenbauer para trás, bate o guardião Sepp Maier.
Além-fronteiras, também as cores do seu país serviriam para aumentar a sua reputação. Com a estreia pela principal equipa da URSS a acontecer em 1972, esse particular frente à Finlândia daria início a uma caminhada de 112 internacionalizações e 42 golos. Os números aqui apresentados fariam do avançado o atleta com mais jogos e remates certeiros na história da selecção soviética. No contexto da equipa nacional, e mesmo sem conseguir vencer os grandes torneios em que participaria, as disputas dos Mundiais de 1982 e 1986 seriam os palcos certos para sublinhar o seu valor. Claro está, e muito à imagem da sua nação, seriam os Jogos Olímpicos a laureá-lo. Duas medalhas, ambas de bronze, seriam o rescaldo da sua participação nas edições de 1972 e 1976.
Para entender melhor a grandeza do seu futebol há que falar nos prémios individuais que, durante mais de duas décadas como futebolista, conseguiria amealhar. Já aqui foi referido o primeiro prémio que ganhou como Melhor Marcador do Campeonato. A esse teremos ainda que adicionar uma longa lista. Nesse rol de troféus há que incluir mais 4 como o goleador máximo soviético. Depois, vêm ainda os 3 galardões de Jogador Soviético do Ano, de Melhor Marcador na edição de 1985/86 da Taça das Taças, o recorde de presenças e golos no Campeonato Soviético e, como a cereja no “topo do bolo”, o Ballon d’Or de 1975.
Faltou-lhe, se analisarmos a sua carreira aos olhos de hoje, uma mudança para uma das principais ligas europeias. Curiosamente, tal esteve à beira de acontecer! O Real Madrid, após as primeiras conquistas europeias do avançado, chegaria a apresentar uma proposta pela aquisição dos seus serviços. Consta que tudo chegou a estar acordado entre os dois emblemas. No entanto, prevaleceria a lei que impedia atletas de deixar a URSS antes de completarem 29 anos de idade. Blokhin acabaria por manter-se com as cores do Dínamo de Kiev quase até ao fim do seu trajecto como futebolista. Sairia em 1988, quando já contava 35 anos, para os austríacos do Vorwärts Steyr.
No que à sua relação com a modalidade diz respeito, Blokhin acabaria também por desempenhar outras funções. Após, em 1990 e ao serviço do Aris Limassol, ter posto um ponto final na sua caminhada como atleta, o antigo atacante abraçaria as obrigações de treinador. Nessas tarefas passaria mais de uma década a orientar clubes gregos, entre os quais o Olympiacos e o AEK. No regresso ao seu país, tomaria conta da selecção e, com a Ucrânia, participaria no Mundial de 2006 e no Euro 2012. Destaque também para a sua passagem pelo Dínamo Kiev e, como dirigente, pelo Chornomorets.

772 - WYNTON RUFER

Num país onde o “rugby” é a modalidade com maior expressão, Wynton Rufer cresceria como adepto de futebol. Dando seguimento a essa paixão, seria no Wellington Diamond United que o avançado daria os primeiros passos como sénior. No emblema da capital neozelandesa, e em simultâneo com as presenças nas camadas jovens da equipa nacional, o avançado começaria a revelar um enorme potencial. Como resultado da habilidade demonstrada, o jogador acabaria por ser incluído nas convocatórias para a fase de apuramento do Mundial de 1982. Ainda assim, e apesar da sua estreia na selecção principal ter acontecido quando contava apenas 17 anos, a sua inclusão nessa fase adiantada da qualificação, causaria, entre os outros atletas, algum mal-estar. No entanto, essa desconfiança rapidamente desapareceria e o atacante, com os seus golos, tornar-se-ia decisivo para o sucesso do conjunto “Kiwi”.
Ainda antes da presença em Espanha, Wynton Rufer, acompanhado pelo seu irmão Shane Rufer, partiria para a Europa. A viagem até Inglaterra teria como destino o Norwich City. No emblema de Norfolk, e apesar de agradados os responsáveis técnicos, os dois atletas só vestiriam a camisola dos “Canaries” em jogos amigáveis. Tendo esbarrado em questões burocráticas, a transferência acabaria por não se concretizar e ambos os jogadores, após negada a Licença de Trabalho, regressariam a casa.
Alguns meses após a experiência no Reino Unido, é sem surpresa alguma que o nome de Wynton Rufer surge na lista de convocados para o Mundial de “nuestros hermanos”. A Nova Zelândia, estreante neste tipo de certames, acabaria por só averbar derrotas. Todavia, e apesar do desaire, a qualidade do jogador não sairia beliscada. Novos convites foram aparecendo e, numa altura em que representava o Miramar Rangers, surge a proposta do FC Zürich. Ora, tendo o seu pai nacionalidade suíça, a permissão para jogar no campeonato helvético seria conseguida com facilidade. Mais uma vez com o irmão como companheiro, Wynton Rufer partiria para nova aventura. Desta feita, e ao contrário da vivência anterior, o avançado tiraria enormes dividendos dessa sua participação. Ainda assim, e sendo considerado pela imprensa desportiva como a “descoberta do ano”, o jogador acabaria por envolver-se numa enorme polémica. Com o clube a querer impedir os irmãos Rufer de representar a selecção, atletas e dirigentes entrariam em rota de colisão. A contenda prolongar-se-ia durante anos a fio e o desfecho, 5 anos após a sua chegada, levaria à rescisão do contrato.
FC Aarau e Grasshoppers, onde, em ambos os casos, teria como treinador Ottmar Hitzfeld, seguir-se-iam na sua carreira e serviriam para alavancar o melhor capítulo da sua vida profissional. Já no Werder Bremen, onde chegaria na temporada de 1989/90, os seus golos ajudá-lo-iam a consagrar-se como um dos mais valiosos avançados a actuar na Europa. Os troféus conseguidos pelo emblema germânico haveriam de colorir o seu currículo. Contudo, a conquista da “Bundesliga” em 1992/93, as 2 Taças da Alemanha (1990/91; 1993/94) e ainda as 2 Supertaças ganhas (1993/94; 1994/95), seriam suplantadas por outra vitória. Com a derradeira partida marcada para o Estádio da “Luz”, os “Die Grün-Weißen” tinham pela frente o Monaco de Rui Barros. Um golo de Klaus Allofs e outro de Wynton Rufer serviriam para resolver a final europeia e a Taça dos Vencedores das Taças de 1991/92 seria entregue ao conjunto alemão.
Já depois de deixar o Werder Bremen, o percurso do avançado passaria por diversos emblemas. JEF United (Japão) e Kaiserslautern precederiam o regresso ao seu país. De volta à Nova Zelândia, assinaria pelo Central United. Pouco tempo depois, decide assumir outras responsabilidades e passa a conciliar o papel de jogador com o de técnico. Nessas novas funções representaria o North Shore e ainda os Auckland Kingz. Destaque também, ele que seria eleito pela FIFA como o melhor futebolista do século XX na Oceânia, para a sua passagem pelo comando da selecção da Papua-Nova Guiné.

606 - ZICO


De ascendência portuguesa, Zico tinha no seu pai um grande fã do Sporting. Talvez por influência dos relatos que ia acompanhando ao lado do seu progenitor, o jovem Arthur acabaria por eleger a dita modalidade, como a sua favorita.
Nesta senda, aos 14 anos de idade, e já depois de ter dados os primeiros passos na vertente de salão, Zico chega ao Flamengo. Atravessa as camadas de formação e, em 1971, faz a sua estreia pela equipa principal. Contudo, e apesar do talento que todos reconheciam nele, o seu físico franzino era um entrave à sua afirmação. Durante os 3 anos que se seguiriam, muito mais do que evoluir dentro de campo, o seu programa de treino passaria por trabalhos de fortalecimento muscular.
Em 1974, o atleta era já uma referência no meio campo dos “Rubro-Negros”. A sua técnica de passe, finta e, acima de tudo, o excepcional entendimento do jogo, rapidamente fariam dele um “habitué” entre o rol dos titulares.
Apesar do sucesso que ia tendo, inclusive com a conquista de alguns troféus – como são exemplo os 4 Campeonatos Carioca ganhos na década de 70 –, seria com a entrada nos anos 80 que a classe do médio explodiria. A “Era Zico”, como ficou conhecida, por essa altura, a série de sucessos do Flamengo, teria no jogador o principal impulsionador das vitórias. Os 4 Campeonatos Brasileiros, mas, principalmente, a conquista da Taça dos Libertadores e da Taça Intercontinental de 1981, transformariam Zico num dos maiores ídolos dos adeptos do emblema carioca.
Todo esse sucesso com a camisola do Flamengo, levá-lo-ia à selecção. Com a camisola “canarinha”, onde Zico era visto como um dos pilares, participaria nos Mundiais de 1978, 1982 e 1986. Jogou a Copa América de 1979 e, com tudo isto, acumularia 71 internacionalizações. Os 48 golos que concretizaria ao serviço do seu país, seriam suficientes para que, atrás de Pelé, chegasse ao 2º lugar (entretanto ultrapassado por Romário) dos melhores marcadores de sempre da selecção brasileira. Faltou-lhe, no entanto, um grande troféu. Numa selecção em que era sua a batuta, nunca teve o prazer de erguer uma das grandes Taças. Fica a consolação de, na sua estreia em Campeonatos do Mundo, ter recebido a medalha de Bronze.
Nisto de camisolas, Zico também vestiu as da Udinese e Kashima Antlers. Curiosa, seria a sua passagem por Itália… aliás, o que antecedeu a sua chegada. Ora, estando a Udinese disposta a pagar 4 milhões de dólares pela sua contratação, valor recorde à altura, os protestos de outros emblemas, relativamente aos valores envolvidos, levariam a Federação a cancelar a transferência. Este impedimento levaria a que os residentes locais se manifestassem. O grito de ordem era “Ou Zico ou a Áustria”, numa clara alusão ao tempo em que a região estava sobre o domínio do Império Austríaco. A ameaça de separatismo tomaria proporções tais que, o próprio Presidente italiano, Sandro Pertini, acabaria por intervir, autorizando a contratação do futebolista brasileiro.
É no Japão que Zico também tem um grande legião de fãs. A sua passagem pelo “País do Sol Nascente” ficaria marcada por dois momentos distintos. No primeiro, o médio acabaria por ajudar o Kashima Antlers, onde pôs um ponto final na vida de jogador, a transformar-se num dos emblemas de referência no Japão. O segundo capítulo desta sua passagem pelo Oriente, dar-se-ia já ao serviço da selecção. Convidado pelo dirigente máximo da Federação, antigo Presidente do Kashima, Zico assumiria as rédeas da equipa nacional. Ao “leme” da mesma, participaria no Mundial de 2006. Mas, o maior destaque, viria com a vitória dos nipónicos na edição de 2004 da Taça da Ásia.
Muito para além da sua carreira como futebolista, treinador ou, até, as suas participações no futebol de praia, Zico “fez uma perninha” no mundo da política. Entre 1990 e 1991, durante o Governo de Fernando Collor de Mello, Zico assumiria a pasta de Secretário Nacional do Esporte.

551 - ROSSI


E se a carreira de um qualquer astro do futebol se resumisse apenas a um par episódios???!!! Claro, seria injusto! No entanto, a história de Paolo Rossi parece ter ficado perdida em dois momentos!
Ora, já o avançado transalpino tinha vários anos como praticante da modalidade, com passagens pela Juventus, Como, Vicenza e Perugia, quando, em 1980, rebenta o caso "Totonero". O escândalo que envolveu vários clubes e atletas do "Calcio", tinha origem num esquema de apostas, onde os resultados dentro de campo eram combinados. Entre muitos, o nome Rossi é um dos que aparece ligado à dita teia. Apesar de ter sempre alegado inocência, a pena para o atacante acabaria por ser exemplar. Três anos de suspensão (que, mais tarde, acabariam por ser reduzidos para dois), praticamente arruinavam a vida desportiva de um dos melhores pontas-de-lança de Itália. Ele, Paolo Rossi, que ainda dois anos antes, para além de ter sido o melhor marcador da Serie A, tinha feito parte da selecção que havia disputado o Mundial na Argentina, via agora a desolação a bater-lhe à porta.
Como todos concordarão, três anos para um atleta de alta competição, é, para que dela se saia sem qualquer tipo de mazela, uma grande ausência. O afastamento do Euro 80, que ainda por cima era organizado no seu país, era só mais uma das machadadas que Rossi teria de enfrentar pelos anos vindouros.
Abatido animicamente, ainda assim Rossi não baixaria os braços. Apesar de não poder participar em jogos, o avançado continuaria a treinar-se com o plantel do Vicenza, clube detentor do seu passe. Cerca de dois anos passados sobre a leitura da sentença, algo surpreendente acontece! A Juventus, onde o atleta tinha terminado a sua formação e de onde, em meados dos anos 70, havia sido dispensado, decide contratá-lo. Ainda com um ano de suspensão pela frente, o espanto pela aposta de Giovanni Trapattoni no avançado, foi geral. O mais engraçado é que este momento acabaria por ser o sinal de que a sorte de Rossi estava a mudar. Passado pouco tempo a sua pena é reduzida. Ainda consegue participar nas derradeiras rondas do Campeonato de 1981/82, e, sem que nada o fizesse prever, é nomeado como um dos atletas a seguir na comitiva para o Mundial de 1982!
É óbvio que escolha do seleccionador italiano, Enzo Bearzot, não haveria de ser bem acolhida no meio desportivo. Muito criticado pelos adeptos e atacado incessantemente pelos meios de comunicação, o treinador da "Squadra Azzurra" não vacilaria durante um só momento. Já em Espanha, as críticas sobem de tom quando na primeira fase de grupos, a Itália não consegue mais do que três empates. Por esta altura, já todos apontavam o dedo à equipa. As razões eram mais que muitas, e entre os resultados já referidos e umas exibições paupérrimas, o titularíssimo Paolo Rossi ainda não tinha marcado qualquer golo.
Mesmo neste contexto, a Itália lá chega à Segunda Fase de Grupos. Juntamente com Brasil e Argentina, aos transalpinos poucas chances eram dadas na qualificação para as meias-finais. Então, é aí que surge aquele que estava à beira de ser crucificado. Já depois da importante vitória sobre a equipa de Maradona, Rossi faz os 3 golos da vitória sobre o favorito Brasil! Na meia-final volta a marcar os dois tentos que dariam a passagem à sua equipa, para o derradeiro encontro do torneio.
Na final do Santiago de Barnabéu, a Itália defrontava a poderosa Alemanha (R.F.A.). Mais uma vez, e apesar da notória subida de forma, as probabilidades aferidas aos de azul, eram diminutas. A primeira parte não traria qualquer golo. No entanto, aos 12 minutos do segundo tempo, Rossi volta ser fulcral e, com mais um remate certeiro, volta a mostrar o caminho para a vitória.
A Itália acabaria o Mundial de Espanha com um o "placard" a mostrar 3-1 a seu favor. Paolo Rossi, com 6 golos, sagrar-se-ia como o melhor marcador. Para completar o quadro, de idílico que se tinha tornado, o avançado é, igualmente, considerado como o melhor jogador do torneio.
Como seria de esperar, tanta distinção só poderia levar a que a "France Football", nesse mesmo ano, o galardoasse com sua máxima distinção, o "Ballon d'Or". Daí em diante, a sua ligação ao caso "Totonero" foi esquecida. Paolo Rossi era agora conhecido como "Il Bambino d'Oro", e sua cotação subiria ainda mais quando, ao serviço da "Vecchia Signora", conquistaria a Taça dos vencedores das Taças de 1983/84 (frente ao FC Porto), a Supertaça Europeia e a Taça dos Campeões Europeus da época seguinte.

496 - HALILHODZIC


Ser criado a cerca de uma centena de metros do clube da sua terra, fez com que Halilhodzic aí quisesse dar os primeiros pontapés na bola. Mas para o rapaz, muito mais que a paixão que tinha pela modalidade, havia outras prioridades. Os estudos estavam primeiro, e como isso implicava mudar-se para a cidade mais próxima, acabaria por abandonar o FK Turbina Jablanica sem nunca realizar uma partida oficial.
Ora, a mudança de escola leva-o a Mostar. Aí, matriculado em Electrotecnia, dá continuidade ao seu percurso académico, sem, contudo, deixar o "bichinho da bola" morrer. Sem nunca almejar ser profissional, mas, por outro lado, com o irmão a insistir para que fosse fazer alguns treinos ao emblema onde jogava, o jovem decide arriscar. Agrada e acaba por ficar.
Já no Velez Mostar, clube com forte tradição no campeonato jugoslavo, Halilhodzic começaria pelas camadas de formação. Terminada esta fase, instalou-se na principal equipa, onde acabaria por ser tornar num dos atacantes mais importantes. Com um ano de interrupção, onde, por empréstimo, vestiu as cores do NK Neretva, Halilhovic jogou 10 anos pelo emblema da, agora, Bósnia-Herzegovina. Foram 10 temporadas de grande nível, à custa das quais conseguiria a estreia na selecção da Jugoslávia e a presença no seu primeiro grande certame internacional, o Euro 76.
Foi já depois desta participação que seria chamado a representar o seu país no primeiro Europeu s-21. Mais uma vez se destacaria ao vencer, para além do torneio em si, os prémios de Melhor Jogador e de Melhor Marcador. O curioso é que por esta altura já o ponta-de-lança contava com 26 anos de idade!!! Como é que é possível?! Simples! Nesta edição disputada entre 1976 e 1978, os regulamentos permitiam a inclusão de 2 atletas de idade superior à do dito escalão.
A seguir a ter vencido a Taça do seu país, e já numa idade em que não é muito normal fazerem-se apostas em atletas vindos de outras paragens, o Nantes decide contratá-lo. Chega a França já com os 30 anos à vista. No entanto, isto não o inibe de continuar a mostrar aquilo que sempre tinha feito anteriormente. Instala-se na frente de ataque e, na temporada seguinte, para além de se sagrar o melhor marcador do campeonato, ajuda o Nantes a conquistar a "Ligue 1". O feito dessa época de 1982/83, pelo menos no plano pessoal, voltaria a repeti-lo dois anos depois. No total, foram 5 temporadas no  "La Beaujoire", durante as quais, tal como já tinha feito no Velez Mostar, volta a reafirmar o seu faro para o golo.
A carreira de treinador iniciou-a dois anos depois de, no PSG, ter posto um ponto final na vida de futebolista. Regressaria à Bósnia e ao Velez Mostar, mas a decisão acabaria por se revelar, muito mais do que errada, trágica. Como sabemos, foi no início dos anos 90 que rebentou a escalada de violência nos Balcãs. Muitas vítimas trouxe tal conflito. Mortos, feridos e desalojados foram aos milhares. Um deles foi Halilhodzic que, depois de ter sido ferido em Mostar, receberia mais uma série de ameaças. Com a vida em perigo decide abandonar a região, vendo, logo de seguida, a sua residência ser pilhada e incendiada.
Depois deste episódio triste, Halilhodzic deu continuidade a sua carreia em França. Contudo, seria já à frente do Raja Casablanca que as suas vitórias mereceriam destaque. Conquista, em 1997, tanto o Campeonato de Marrocos como a Liga dos Campeões Africana e, com isso, acaba por ver a sua cotação a subir em flecha.
Apesar da sua carreira não ser muito pródiga em troféus, excepção feita ao já referido e à vitória na "Coupe de France" de 2003/04 (PSG), Halilhodzic ganhou a fama de conseguir bons resultados com parcos recursos. Foi isso mesmo que demonstrou no segundo Mundial em que participou. Depois de, na condição de jogador, ter estado em Espanha (1982), repetiu a presença, neste ano de 2014, no Brasil. Como seleccionador da Argélia, com um grupo do qual fizeram parte alguns conhecidos do futebol português - Halliche (Nacional e Académica); Yebda (Benfica); Nabil Ghilas (Vizela, Moreirense e FC Porto); Slimani (sporting) - Halilhodzic conseguiu algo nunca antes alcançado: a passagem aos 1/8 de final das "Raposas do Deserto".

460 - EDEVALDO


Ainda em tenra idade decidiu deixar para trás a terra natal para, no Rio de Janeiro, tentar a sorte no futebol. Abriram-lhe as portas do Fluminense. Como ainda hoje é reconhecido, Edevaldo soube honrar as cores do clube a acolhê-lo. Fê-lo da melhor forma. Da maneira a caracterizá-lo tanto na vida, como no desporto – “Treinava até a exaustão. Nos testes físicos era sempre o primeiro. Corria muito, chutava forte, soltava só petardo”*. Foi assim que ganhou a alcunha de "Cavalo". Foi igualmente pela força física e pela vontade em superar-se que, em 1977, no mesmo ano em que participou no Mundial sub-20, chegou à primeira categoria do referido emblema “carioca”. No entanto, apesar de apreciado pela capacidade de trabalho, pelo sacrifício, o defesa, a ocupar a lateral direita, nunca conseguiu impor-se como titular indiscutível. Transferiu-se para o Sul e foi no Internacional de Porto Alegre que começou a destacar-se como um dos melhores no "Brasileirão". Como prémio, Telê Santana veio a juntar o seu nome ao rol de convocados para o Mundial de 1982. Em Espanha, no escalonamento inicial do “Escrete”, ficou atrás de Leandro, mas, apesar de suplente, entrou em campo na 2ª Fase de Grupos e marcou presença na partida frente à Argentina.
Mesmo tendo em conta o sucesso até então alcançado, foi com a transferência para o plantel de 1983 do Vasco da Gama que Edevaldo atingiu, provavelmente, o pico da carreira. É certo que faltaram os troféus. Contudo, foram as prestações no emblema fundado por portugueses que valeram ao defesa o bilhete para jogar na Europa… precisamente em Portugal. Do outro lado do Oceano Atlântico, num FC Porto comandado por Artur Jorge, o lateral-direito não conseguiu atingir o sucesso esperado. Por outro lado, as poucas presenças em campo deram-lhe a conquista de um título e nessa temporada de 1985/86, ao serviço dos "Dragões", venceu o Campeonato Nacional da 1ª divisão.
Acabou por regressar ao Brasil, onde deu seguimento à carreira. Tal como revelada nos primeiros anos como atleta, a frescura física manteve-se como a principal imagem. Foi assim durante tantos anos que, quando decidiu pôr um fim à caminhada competitiva, Edevaldo já passava dos 40 anos de idade. Contudo, o termo do trajecto enquanto jogador, não determinou o seu afastamento da modalidade. Fundou uma “escola” de futebol em Jacarepaguá, bairro do Rio de Janeiro, e tem sido um dos esteios da formação do Fluminense, onde ajuda na formação de homens e de novos futebolistas.

*retirado do artigo de Pedro Logato, publicado a 28/09/2013, em https://odia.ig.com.br

438 - RUMMENIGGE

Quando, aos 18 anos, viu surgir o convite do Bayern Munique, o maior alívio de Rummenigge terá sido, provavelmente, relacionado com a saída do banco onde trabalhava. Porém, se realmente pensou que a nova rotina iria afastá-lo do banco, é porque, com a emoção da mudança, porventura, terá esquecido que a equipa para onde estava a mudar-se era somente a campeã europeia em título!
Foi assim que, em 1974, o talentoso médio-ofensivo – só anos mais tarde avançou no terreno – viu a sua habilidade técnica e a inteligência sentarem-se junto com os outros suplentes. Por lá andou ainda durante uns tempos e foi nessa perspectiva que assistiu à sua primeira final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Não jogou nessa derradeira partida de 1975, frente ao Leeds United, mas venceu. Já o ano seguinte trouxe-lhe uma visão bem diferente da contenda. Voltou a conquistar o troféu. Porém, dessa feita fê-lo no relvado, ao lado dos colegas de equipa.
A chegada à Bavaria do treinador Pal Csernai, o mesmo que em 1984/85 orientou o Benfica, trouxe a Rummenigge uma mudança no destino. O técnico húngaro achou que o atleta, devido às suas capacidades – velocidade, sentido posicional e veia goleadora – servia melhor junto às defesas adversárias. Não se enganou e o jogador, com a mudança, tornou-se no mais precioso capital ofensivo do emblema germânico. Com os golos a surgirem uns atrás dos outros, o avançado alcançou, por três vezes (1979/80; 1980/81; 1983/84), a marca de melhor marcador da "Bundesliga". Claro está, tantos golos transformaram-se num sério benefício para a sua equipa e muito dos 2 Campeonatos e das 2 Taças alemãs vencidas pelo Bayern Munique por essa altura são devidos à presença de "Kalle" no ataque.
Se no Bayern tudo corria de feição para o jogador, já a sua história na selecção foi um pouco mais frustrante. É verdade que Rummenigge venceu com a "Mannschaft" o Europeu de 1980. É verdade, também, que terá sido esse título a impulsioná-lo para a conquista do "Ballon d'Or" desse mesmo ano – venceria, mais uma vez, em 1981. Já perder duas finais do Campeonato do Mundo, nunca é muito bom de digerir! No entanto, apesar das derrotas frente à Itália (1982) e à Argentina (1986), o seu nome ficará, para sempre, ligado à história dos ditos certames… nem que seja por fazer parte de um dos seus episódios mais caricatos! Diz-se que durante a meia-final de 1982, frente à França, quando Rummenigge saltou do banco, François Mitterrand terá exclamado qualquer coisa como: “Mon dieu, Rummenisch!”*. A premonição do, à altura, Presidente da República de França, não poderia estar mais certa, pois à custa do avançado germânico, com um golo e com uma assistência, o “placard” sofreu um volte-face definitivo e os gauleses acabaram eliminados.
A fase final da sua carreira levou-o ao "Calcio" e, numa fase posterior, à Suíça. No Inter, não pode dizer-se que terá deixado os seus créditos por mãos alheias. É certo que não cumpriu o objectivo da sua contratação, a conquista do Scudetto. Contudo, as suas exibições acabaram por ser convincentes e só não foram de maior gabarito, pois as lesões, durante esse período, teimaram em assolar a estrela alemã.
Como já referi, Rummenigge sempre foi tido, muito à custa da sua inteligência, como alguém capaz de fazer mais do que as tarefas de um futebolista. Essa percepção também a tiveram os responsáveis do Bayern Munique que, em 1991, convidaram o antigo avançado para ocupar um dos lugares na direcção do clube, posto que, ainda nos dias de hoje, mantém.

*retirado do artigo de Marcio Pessôa, publicado a 19/01/2006/, em www.dw.com

436 - CRUYFF

Nem todos os bons jogadores dão bons treinadores e nem todos os bons treinadores foram bons jogadores. Já Cruyff (ou Cruijff - maneira correcta de escrever) pode dizer-se que atingiu a excelência nos dois campos.
A sua história começou quando a mãe, empregada de limpezas no estádio do Ajax, pediu aos responsáveis pelo clube que dessem uma oportunidade ao filho e que o observassem. Esse momento curioso foi o primeiro passo para uma carreira brilhante. No entanto, mesmo com todos a reconhecerem a ímpar virtude do jogador, não posso deixar de referir o papel preponderante que teve, no desenvolver das suas habilidades, uma das míticas figuras do desporto mundial, isto é, o treinador Rinus Michels. Foi o falecido técnico holandês que, praticamente desde a estreia de Cruyff nos seniores, comandou a equipa do Ajax. Foi esse grupo de trabalho que, entre a última metade dos anos de 1960 e a década de 1970, arrebatou o futebol neerlandês e o europeu. Os registos dão-nos esse domínio como incontestável, por poucos alcançados e traduzidos nos seguintes números: 8 Campeonatos da Holanda; 5 Taças da Holanda; 3 Taças dos Campeões Europeus (seguidas!); 3 Supertaças da UEFA; 1 Taça Intercontinental.
É certo que no futebol, como em tantos outros desportos colectivos, um jogador sozinho, pouco ou nada vale. E num balneário onde coabitavam nomes como os de Johan Neeskens, Ruud Krol, Wim Suurbier, Arie Haan, Johnny Rep ou Piet Keizer, pouco conseguiriam destacar-se. Todavia, Johan Cruyff era mesmo de outro universo. A prova estava na maneira com se apresentava em campo. No ataque ou no apoio ao mesmo, era um jogador com uma percepção, uma inteligência e uma leitura de jogo, superior a qualquer um que, ao seu lado, estivesse no relvado. Tinha também uma capacidade de passe geométrica, o que fazia com que raramente falhasse uma assistência. Ainda por cima, como um qualquer goleador, sabia aparecer na área de finalização e marcar golos.
Melhor do que estar a tentar descrever aquilo que ele sabia, é ver um qualquer filme que ilustre o que conseguia fazer pelas suas equipas. A dinâmica que imputava ao jogo fazia com que a circulação da bola, e jogadores, fosse semelhante a um elegante carrocel. Foi nesse esquema, em que as posições de campo, fora da rigidez a que estamos habituados, eram algo muito relativo, que cresceu a selecção holandesa participante no Mundial de 1974. A famosa "Laranja Mecânica" acabaria por perder o troféu, na final, para a equipa organizadora do torneio, a Alemanha Federal. Contudo, o que ficou na retina de todos os que tiveram o prazer de ver as partidas dos Países Baixos, foi um futebol elegante e talvez o mais bonito que a história da modalidade testemunhou.
Por altura do Campeonato do Mundo referido no parágrafo anterior Cruyff representava o FC Barcelona. Antes ainda da chegada à Catalunha em 1973/74, merecidamente, já tinha conquistado diversos prémios individuais. Entre as mencionadas distinções, destacaram-se o Ballon d'Or de 1971 e de 1973 – haveria de vencer o terceiro no ano de 1974. Venceu também 4 títulos de Jogador holandês do ano e a edição de 1968 da Bota de Ouro. Em Camp Nou, para onde seguiu atrás de Rinus Michels, os triunfos voltaram a suceder-se. É certo que abaixo daquilo a que estava habituado. Ainda assim, teve o mérito de ajudar a sua equipa a levantar 1 Copa del Rey e 1 La Liga. Porém, muito mais importante do que os tais "canecos" ou das 5 temporadas em que jogou pelos “Blaugrana”, foi a admiração que conquistou entre os adeptos e, porque não dizê-lo, entre o povo catalão. Por isso mesmo, teve a oportunidade de vestir, num encontro contra a Rússia em 1976, a camisola da selecção daquela província.
A ligação com a Catalunha voltou a ter um novo encontro depois de Cruyff ter “pendurado as chuteiras”. Estou, como é óbvio, a referir-me a parte do seu percurso como treinador. No entanto, antes da passagem pelo comando técnico do FC Barcelona, Cruyff, bem à medida da sua polémica imagem, já tinha conquistado um primeiro título. Após ter ido, ainda como jogador, de Espanha para os Estados Unidos da América e de um novo regresso ao país de "nuestros hermanos", para representar o Levante, o atleta voltou ao Ajax. No entanto, apesar de planear ali terminar a carreira, os dirigentes do emblema sediado em Amesterdão recusariam tal projecto. Segundo dizem, por vingança, o jogador rumou aos rivais do Feyenoord e, em Roterdão, no papel de treinador-jogador, conquistou o Campeonato holandês de 1983/84. É verdade que a zanga não durou muito e pouco tempo após a referida vitória, mais precisamente em 1985, Cruyff estava ao leme do Ajax e pronto para vencer outros 2 Campeonatos e ainda a Taça dos Vencedores das Taças de 1986/87.
Como há pouco cheguei a dizer, a passagem de Cruyff pelo comando técnico do FC Barcelona foi também marcada pelo sucesso. E se os títulos que ganhou – 1 Taça dos Clubes Campeões Europeus; 1 Taça dos Vencedores das Taças; 1 Supertaça da UEFA; 4 Campeonatos espanhóis; 1 Copa del Rey; 3 Supertaças Espanha – sublinham a sua mestria, já a maneira como pôs toda a equipa a jogar, é a grande prova que, mesmo do lado de fora do campo, o antigo atacante sempre foi fiel à maneira como interpretou o jogo e o tornou num espectáculo ainda mais apaixonante.

6 - MESZAROS

Se em 1988, no fim da sua carreira, regressou ao nosso campeonato para defender a baliza do Vitória de Setúbal, foi em 1981 que, vindo do Vasas FC, entrou pela primeira vez em Portugal. Já depois de Alvalade, 2 épocas após a sua chegada, Meszaros rumaria a Faro e ao Sporting local. 
Embora só me lembre dele desde a sua ida para o Farense, tenho-o no meu imaginário como um dos grandes jogadores que passaram pelo nosso futebol... e um bigode daqueles nunca se esquece! 
No que a Mundiais diz respeito, Meszaros esteve presente na Fase Final de 1978, na Argentina, e em 1982, em Espanha.