148 - FALCAO

Ao vermos jogar Falcao, bastará um pouco de atenção para que consigamos concluir que o seu exímio tempo de salto e um sentido posicional quase perfeito, são nele mais do que ferramentas preciosas, são verdadeiras armas. É com elas que o jogador colombiano, que nem prima por uma grande estatura, consegue, sem esboçar grande esforço, ganhar nas áreas adversárias, tantos e tantos lances aéreos. Claro que a sua qualidade é bem mais substantiva do que isso. É também na ampla percepção que tem do jogo, no desenrolar do mesmo, que sustenta a maneira esquiva e extremamente veloz como ataca os lances. Tem ainda na valentia com que consegue imiscuir-se entre os centrais adversários, outro dos seus grandes predicados. Tudo isso faz de si um dos melhores atacantes a actuar, não só por terras lusas, como em toda a Europa!
Ainda assim, os mais cépticos poderão dizer que, finda a sua segunda temporada em Portugal, há algo que falta ao jogador para ser visto como um grande ponta-de-lança. A verdade é que a Falcao falta atingir, no nosso Campeonato, o lugar cimeiro na lista dos Melhores Marcadores. Porém, nem essa possível análise, a roçar o ridículo, consegue beliscar a imagem que já temos do avançado sul-americano. E se dúvidas houvesse sobre o seu valor, então bastaria olharmos para o seu desempenho na Liga Europa, onde, com os seus 18 remates certeiros, conseguiu conquistar o título de goleador máximo em 2010/11 e, ao mesmo tempo, quebrar o recorde de golos concretizados numa só edição da prova.

147 - HULK

Apesar da alusão à cor verde que o seu nome pode sugerir, Hulk é um super-herói de azul e branco.
Esta temporada, mais do que nunca, deu ao extremo brasileiro a oportunidade de provar o quão preponderante é para a manobra ofensiva da equipa do FC Porto. Não estamos apenas a falar dos 23 golos que concretizou durante o Campeonato e com os quais atingiu o primeiro lugar na lista dos Melhores Marcadores da Liga portuguesa. Claro que essa sua veia goleadora foi muito importante nas conquistas da época que ainda há pouco terminou. Todavia, aquilo que realmente tornou o atacante numa peça fulcral de toda a máquina portista, foi a sua capacidade de construir situações de afronta para as balizas adversárias.
Hulk, com todo o seu poder físico e contrariando aquilo que o seu aspecto corpulento poderia fazer adivinhar, é um jogador extremamente ligeiro. O seu drible em velocidade é um quebra-cabeças para qualquer oponente. Rápido, corre ao longo dos flancos, por onde facilmente consegue ultrapassar até os defesas mais velozes. Depois, com uma noção de posicionamento e uma qualidade de passe excepcionais, sabe assistir primorosamente os seus colegas de ataque, que não têm mais do que encostar a bola às redes. Foi assim em praticamente todas as partidas do Campeonato. Mas se não existissem mais provas disso, bem poderíamos pôr a depor David Luiz que, no clássico do Estádio do Dragão, acabou ridicularizado e ao nível de um qualquer e ordinário jogador.
Com todo o seu peso no colectivo, não foi estranho ouvir Pinto da Costa, ainda há uns dias, a afirmar publicamente que o único jogador insubstituível em todo o plantel era Hulk. Por isso também, não fiquem admirados que, ao tentarem levar o avançado para longe da cidade do Porto, aos clubes seja exigido todo dinheiro da cláusula de rescisão, isto é, uns míseros 100 milhões de euros!

146 - JOÃO MOUTINHO

Afinal, parece que a "Maçã Podre", a tal que ameaçava espalhar a todo o “pomar do Leão” a sua maleita, continua a ser um fruto bem sumarento!
Quem pôde acompanhar as partidas do FC Porto, por certo reparou num tal rapaz de aspecto franzino que, durante toda esta temporada, acabou por ocupar um dos lugares no meio-campo da equipa nortenha. Foi tal a naturalidade com que apresentou o seu jogo, que dificilmente alguém apostaria, nesse mesmo jogador, como um dos estreantes de "azul e branco". É verdade! João Moutinho em nada mostrou ter sido afectado pela mudança de clube, nem mesmo sabendo que essa troca tinha sido aferida como uma das mais polémicas do Verão passado.
Como é fácil de entender, uma transferência de Alvalade para o Dragão nunca passará despercebida. Já esta, tratando-se do antigo “capitão” leonino, poderia fazer adivinhar no jogador alguma instabilidade. De todo! João Moutinho soube manter os seus níveis exibicionais bem elevados; soube transpor para uma nova realidade os índices que foram a sua imagem no Sporting. Foi esta época, pela sua vontade enorme, pelo humilde sacrifício, pela excepcional capacidade de comandar o jogo ofensivo da sua equipa, uma das pedras basilares da estratégia de André Villas-Boas. Foi ele o principal responsável, o "motor" de todas as vitórias portistas do ano. Tão importante passou a ser que, com a saída do treinador para o Chelsea, os adeptos começaram a temer a sua partida para Londres.

145 - LUISÃO

Tão grande é a diferença entre o defesa-central que, em 2003, chegou do Cruzeiro de Belo Horizonte e aquele que a época passada povoou o meio da área do Benfica, que não seria difícil duvidarmos tratar-se da mesma pessoa!
Já nada resta daquele jogador de hábito "molengão", cuja constância de imperdoáveis falhas fizeram sobre ele pairar grande incerteza. Tornou-se num símbolo de combatividade; misturou a sua capacidade lutadora, com um sentido de colocação e um poder de corte irrepreensíveis; apimentou as suas exibições com um jogo aéreo que, para além de conseguir os mais decisivos golos, arrasa, consecutivamente, os intentos ofensivos de qualquer adversário. Em suma, Luisão tem hoje aquilo que é exigido a um defesa, ou seja, fiabilidade.
É também a confiança que transmite em campo que o põe no lugar de timoneiro. É um daqueles “capitães” que enverga a braçadeira como poucos. Porém, a sua verdadeira insígnia é a voz, é a maneira como comanda os seus colegas, encorajando-os, fazendo-lhes saber que no relvado que partilham ninguém os derrotará sem luta. Luisão sabe mostrar aos seus companheiros o caminho das vitórias e sabe, principalmente, ampará-los nas suas quedas. Desportivamente tem sido também um dos baluartes da "Luz". Foi-o nas conquistas dos campeonatos de 2004/05 e 2009/10, como na desilusão da transacta temporada, onde, reconhecidamente, evitou males maiores para a sua equipa.
Agora, ao fim de 8 temporadas com o vermelho das "Águias", com a saída de Nuno Gomes e, até, de Moreira, é ele o derradeiro guardião da "mística" benfiquista. Pelo seu regresso da Copa América, aguardam companheiros e adeptos, pois, à beira de uma nova época, num dos primeiros defesos em que, finalmente, nem da imprensa, nem dele tem vindo a ser especulada uma saída, todos esperam que consiga guiar o regresso do Benfica ao caminho das disputas e, porque não, ao das vitórias.

144 - FÁBIO COENTRÃO

"Un bólido por la izquierda"* – anunciou assim o periódico desportivo espanhol "Marca", a contratação do novo reforço do Real Madrid. No entanto, a verdade é que Fábio Coentrão nem sempre foi tido como um craque e a sua qualidade, ainda há um par de anos atrás, chegou mesmo a ser posta em causa. Com razão, muitos desconfiaram que o jovem jogador, que o Benfica tinha ido contratar ao Rio Ave, afinal não valia nem metade do que tinha prometido. Na "Luz" pouco mostrou as habilidades do tal extremo explosivo que, desde os 16 anos, por via dos seus "dribbles" e velozes arrancadas, tinha ganho lugar no balneário sénior da equipa vilacondense. O mais incrível é que, meses antes da sua chegada a Lisboa, essa mesma promessa tinha sido chamada por José Mourinho, para treinar à experiência no Chelsea! Por onde andava? Ninguém sabia!
Seguiram-se vários empréstimos – Nacional da Madeira, Zaragoza e Rio Ave. Até que Jorge Jesus, na época da sua estreia aos comandos da "Águia", decidiu recuá-lo no campo, passando-o para defesa-esquerdo. Começou a ser notório que as suas exibições melhoravam a cada partida. Então, impôs-se nova questão – Teria sido essa mudança a única razão para o "volte face"? A resposta estava numa entrevista dada pelo jogador a um jornal desportivo. Nela, o atleta fazia “mea culpa” pelos desaires na sua carreira. Para mim, a tomada de consciência de que a sua postura era a principal causa para o insucesso em que vivia, foi decisiva. O resultado não tardou a emergir e, logo nessa época de 2009/10, Fabião Coentrão consagrou-se como um dos principais esteios da vitória benfiquista no Campeonato Nacional e como um dos melhores de Portugal no Mundial da África do Sul.
O prémio maior conseguiu-o agora, após um ano fraco em títulos, mas com exibições tão ou mais conseguidas que a temporada transacta. Vai para a capital espanhola, resultado de uma das transferências mais caras do futebol português, igualando os 30 milhões de euros de Ricardo Carvalho para o Chelsea e de Pepe para o Real Madrid. Volta a encontrar Mourinho, depois de em Londres não ter conseguido convencer o técnico. Porém, desta feita o cenário é diferente e Fábio Coentrão está pronto para tomar de assalto o onze "Merengue".

*manchete do jornal “Marca”, edição de 06/07/2011

143 - RUI PATRÍCIO

Muita controvérsia trouxe Paulo Bento quando arriscou e, teimosamente, decidiu manter à frente das balizas do Sporting, o recém-provido dos juniores, Rui Patrício. A inexperiência dos seus 18 anos não favoreceu, desde logo, as suas exibições. Houve quem, incluindo eu, que dissesse que toda a pressão posta às suas costas não era boa e que, talvez, estivesse a ser posta em perigo a progressão de uma das boas promessas leoninas.
Durante os primeiros anos como sénior, muitos foram os seus falhanços. De vez em quando, mais do que era suposto, lá entrava outro “franguito”! O que terá o jovem guarda-redes ganho ou perdido com a precoce promoção ao “onze”, dificilmente será mensurável. Quanto ao Sporting, a aposta facilmente traduziu-se em jogadas menos conseguidas e nos pontos que nelas ficaram perdidos. Porém, a verdade é que, não por falta de opções válidas, Rui Patrício foi-se mantendo como titular. Reflexo de ter sido bem apoiado por Paulo Bento e por todos os técnicos seguintes, casos de Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio e José Couceiro, no guardião nunca foram vistos grandes sinais de esmorecimento e a sua vontade em vingar manteve-se intacta.
Para que o seu forte estado espírito continuasse bem presente, muito contribuiu a já referida titularidade. Esse terá sido, sem dúvida alguma, o maior voto de confiança dados pelos seus treinadores. Mas uma coisa também é certa, esta sua 5ª temporada na equipa principal trouxe-nos um jogador muito diferente, bem mais maduro. Resultado de uma evolução notável, Rui Patrício, ainda dentro de uma margem de progressão inerente a qualquer um que jogue na sua posição, mostrou-se como uma das certezas do Campeonato Nacional. E se a sua presença com a camisola do "Leão" era já uma constante, onde também conseguiu consolidar-se foi nas convocatórias para a selecção “A”, pela qual já conta com algumas internacionalizações. Por todas estas razões não foi estranho ouvir, já neste defeso, as veiculadas especulações quanto à sua possível transferência para clubes como o Manchester United.

142 - PATACAS

Com percurso feito nas “escolas” do Sporting e tendo concluído a caminhada formativa numa altura em que o clube de Alvalade, à imagem de alguns emblemas da altura, tinha uma “equipa satélite”, a coisa mais normal para Patacas acabou por ser a alternância entre o “verde e branco” do conjunto lisboeta e o do Lourinhanense.
Assim aconteceu e apesar de grande parte dos primeiros tempos como sénior, tê-los passado na equipa da Zona Oeste, de vez em quando lá era chamado à "casa mãe", para “dar uma perninha”. Sob o comando de Carlos Manuel, acabou por disputar o seu primeiro encontro pelos "Leões", corria a época de 1997/98. A estreia, com lugar no onze titular, até poderia ter sido bem auspiciosa, não fosse uma tal derrota, por 3-2, imposta em Trás-os-Montes, pelo Desportivo de Chaves. Mau agoiro, ou não, a verdade é que poucas mais foram as vezes que o defesa-direito teve oportunidade de jogar pela equipa principal leonina.
Depois de mais uns anos de empréstimos, durante os quais passou pelos açorianos do Santa Clara e pelo Campomaiorense, a sua ligação contratual com o Sporting terminou e os responsáveis pelo clube decidiram não apostar mais no jovem atleta. Quem agarrou a oportunidade para ver do seu lado um jogador que, com as suas 29 internacionalizações sub-21, até já tinha algum traquejo, foi o Nacional da Madeira. Nos “Insulares”, a sua carreira mudou e o lateral, a quem pareceu nunca faltar pulmão e vontade para mais uma corrida, finalmente começou a ser visto como um dos melhores e mais preponderantes no seu flanco.
Das 13 temporadas na divisão maior do nosso campeonato, 9 passá-las-ia ao serviço do emblema madeirense. No entanto, este ano chegou ao fim a vida nos relvados do capitão "Alvi-Negro". Segundo o mesmo, “Terminar a carreira agora foi a melhor decisão”*. Patacas "pendurou" de vez as botas e aceitou novo desafio. É agora o Director-Desportivo do Nacional.

*retirado do artigo do jornal “A Bola”, publicado a 23/05/2011

CROMOS d'OURO 2011

Com o fim da temporada, nada mais seria normal do que o "Cromo Sem Caderneta" dar a palavra aos seus leitores. O desafio foi lançado, as nomeações, num processo de isenção exemplar, foram apresentadas e muitos responderam, votando naqueles que consideraram ter as melhores prestações durante a época transacta. 
Apresentamos, neste mês de Julho, o resultado dessa escolha. Com isso, abrimos nova rubrica e revelámos ao Mundo aqueles que já são aclamados como os "Óscares" do futebol português! Não se esqueçam de nos visitar e connosco venerar os "Cromos d'Ouro 2011"!!!!

141 - PREUD'HOMME

Quando em 1994, com a chegada de Artur Jorge ao Benfica, foi anunciado a contratação de um novo guardião, a perspectiva, que logo saltou à minha vista, da dispensa de um dos jogadores que, no plantel “encarnado”, lutavam por essa posição, não foi do meu agrado. Tenho mesmo que confessar que nem as fenomenais exibições de Preud'Homme no Mundial dos Estados Unidos da América, nem a consequente conquista do prémio para o Melhor Guarda-Redes do referido torneio, foram capazes de me convencer do ganho que um reforço já com 35 anos conseguiria trazer para a baliza benfiquista.
Silvino acabaria por ser dispensado. No entanto, a mágoa de ver partir um dos meus preferidos, depressa seria substituída pelo espanto. Aquilo que evidenciara no torneio norte-americano, e que já antes era em si reconhecido, acabaria por conquistar a minha confiança. Os reflexos, as estiradas "felinas", a sua placidez e uma enorme segurança, confirmavam-se a cada jornada. Preud'Homme continuava a ser, de verdade, um atleta de excepção.
Nos cinco anos que passou em Portugal, não faltaram oportunidades para mostrar toda a sua mestria. Infelizmente, nunca viu o seu esforço recompensado, pois, ao invés do que viveu no Malines, clube de onde tinha saído para a "Luz", nunca ganhou grandes títulos. No emblema belga, entre conquistas domésticas, Preud'Homme conseguiu atingir dois dos seus maiores feitos desportivos: a vitória na Taça dos Clubes Vencedores das Taças em 1988 e a conquista Supertaça Europeia da época seguinte. Tais façanhas levaram-no a ser cobiçado por outros emblemas. Logo a seguir ao triunfo na primeira prova europeia referida, em Julho desse mesmo ano, consta que em pleno aeroporto de Milão, enquanto seguia com a comitiva do seu clube, terá sido abordado por representantes do FC Porto. O convite seria recusado e o guardião haveria de comentar com um jornalista - "Foi engraçado este assalto ao aeroporto mas não vou para lado nenhum. Fico no Malines, onde estou bem"*.
Mesmo sem contar com as prestações dentro de campo, Preud’Homme sempre conseguiu conquistar os adeptos. A simpatia que mostrava, o sorriso que sempre trazia consigo, cativavam as pessoas. O resto, talvez aquilo que nele mais apreciavam os adeptos, conseguia-o com a sua entrega, com o seu profissionalismo. Na "Luz" manteve os hábitos de uma carreira e, para os treinos, era sempre dos primeiros a equipar-se e a caminhar para o relvado e o último a regressar aos balneários.
Terminaria a sua carreira de jogador já passava dos 40 anos. E por mais que a idade possa enganar-nos, deixou os relvados ainda dono de todas as suas melhores capacidades, ainda no topo. O jogo de despedida seria em Lisboa frente ao Bayern de Munique e por cá continuou ainda durante mais algum tempo, ocupando um cargo de director. Acabaria por não resistir ao chamamento do clube do seu coração. De volta ao Standard Liège, que o formara e onde, durante 9 anos, fora profissional, haveria de estrear-se como treinador.
É certo que a sua vida à frente do balneário ainda é recente, contudo já conta no seu currículo com as conquitas do Campeonato da Bélgica (Standard) e da Holanda (FC Twente). Mas de uma coisa podem ter a certeza. Se Preud'Homme conseguir transmitir aos seus pupilos, metade da mística que com ele carregou de “Águia” ao peito, atenção, pois temos “mister” para muitos mais “canecos”.

*retirado do artigo publicado em https://benficahd.blogspot.com, em Junho de 2010

140 - MANTORRAS

Nunca vi jogador algum que conseguisse empolgar o público de tão soberba maneira. Para Mantorras basta levantar-se do banco de suplentes, para que todos nas bancadas se ergam e exaltem, tal como na vitória, aquilo que para eles é o mais querido no futebol, ou seja, a paixão com que um jogador se dá ao emblema que defende.
É nessa sua entrega que o angolano é um verdadeiro tónico. Tanto para espectadores, como para os colegas dentro de campo, a sua abnegação é inspiradora e dá a todos a necessária coragem para lutarem até ao último instante. E como por magia, dos seus pés, as oportunidades lá vão surgindo, transformando-se, muitas delas, nos tão almejados golos. Que opinem os benfiquistas quando em 2004/05, sob a égide de Trapattoni, venceram o Campeonato Nacional. Os desafios até podiam parecer perdidos, mas a entrada do avançado chegava para que a volta no "placard" conseguisse perpetrar-se. Naquele seu jeito meio atabalhoado, em que parecia avançar pelo relvado aos tropeções, Mantorras lá foi conseguindo atingir o seu objectivo e pôr o Benfica na frente! Tantos foram os pontos conseguidos nessa temporada à custa da sua vontade.
Contudo, esse seu querer não foi suficiente para que debelasse as mazelas da grave lesão que o atormentou. Em 2002 magoaria um joelho e por razão de tal episódio, percorreria um calvário que, por entre várias operações, duraria cerca de dois anos. Durante esse período praticamente não jogou e a carreira daquele que era um dos mais promissores atletas da altura, chegou a ser posta em xeque.
Mas cobiça por Mantorras começou muito cedo, ainda este jogava no Progresso, clube do bairro de Sambizanga, em Luanda. De lá saiu, à experiência, para o FC Barcelona e só não ficou porque a última vaga para extracomunitários, acabou ocupada pelo nigeriano Haruna Babangida. A oportunidade para a estreia na Europa recaiu pelo então primodivisionário Alverca. No Ribatejo, uma época bastou para que da "Luz" o quisessem. E se a primeira época de “Águia” ao peito traçou para si um futuro brilhante, a vitória no Campeonato Africano Sub-20 e o prémio da CAF como o Melhor Jogador Jovem do ano, ambos em 2001, vaticiná-lo-iam como uma das maiores promessas do mundo futebolístico. Nessa sua ascensão, foram muitos os que louvaram. Entre tantos, Eusébio chegou a dizer - "Ele tem qualidades especiais e está preparado para um grande futuro"*.
Com o seu crescimento, os adversários começaram a temer a sua força e as defesas tornaram-se cada vez mais impiedosas para consigo. O pedido de António Simões, "Deixem jogar o Mantorras", surgiria no rescaldo de mais um jogo em que só pararam o avançado à força de excessiva "pancada". Talvez tenha sido na sequência de tais lances que o seu joelho enfraqueceu. Seja como for, a verdade é que o angolano, após a malfadada lesão, passou a ser para os treinadores uma opção de recurso, um pronto-socorro mantido no seio dos planteis pela força anímica que transmitia.
Depois de participar no Mundial de 2006, foi essa mesma força que levou Manuel José a inclui-lo nos eleitos para a CAN 2010, disputada em Angola. Parco prémio, dirão, mas um grande exemplo de perseverança para todos os seus companheiros, desse que sempre será um verdadeiro jogador do povo!

*retirado do artigo publicado em https://pt.qaz.wiki/wiki/Mantorras