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1751 - RAYMOND GOETHALS

Com a formação terminada ao serviço do Daring Club Bruxelles, Raymond Goethals teria também no emblema sediado na capital o primeiro capítulo enquanto sénior. Depois dessa campanha de 1940/41, parece ser consensual que o guarda-redes ter-se-á mantido no clube até ao termo da temporada de 1946/47. O pior é que, daí para a frente, não consegui confirmar, de forma fiel, o resto da sua carreira como futebolista. Por um lado, existem fontes a dar-nos a curta passagem de 1 época pelo Royal Racing Club Brussels, seguida da permanência, por 4 anos, no Hannutois e por fim os derradeiros 5 anos dessa caminhada competitiva com as cores do AS Renaisiènne. Já outras fontes garantem a ligação ao Royal Racing Club Brussels até 1951/52, antes do seu ingresso no KSK Ronse e o termo do trajecto como guarda.redes no plantel de 1956/57 do Hannutois.
No meio de tanta confusão, outra das coisas que parece ser transversal a diferentes fontes informativas, é que Raymond Goethals terá encetado a carreira de treinador com uma época no Hannutois e outra no Stade Waremmien, respectivamente em 1957/58 e em 1958/59. No entanto, o arranque modesto dessa sua nova faceta no futebol não impediria que o antigo atleta, com a entrada no plantel de 1959/60 do Sint-Truiden, não começasse a fabricar um dos seus grandes sucessos enquanto técnico. Aliás, seria o 2º lugar conquistado pelo aludido emblema, no termo do Campeonato de 1965/66, que haveria de convencer os responsáveis pela Royal Belgian FA a convidá-lo para adjunto. Na equipa nacional do seu país, começaria por adjuvar Constant Vanden Stock. Todavia, a partir de 1969, o cargo de seleccionador principal ficaria à sua responsabilidade e ao pegar nos “Diables Rouges” a meio da Fase de Qualificação, conseguiria apurar a Bélgica para o Mundial de 1970.
À frente da selecção até 1976, Raymond Goethals teria no Europeu de 1972, mormente no 3º lugar conquistado, talvez o maior feito enquanto timoneiro da Bélgica. Depois, a partir de 1976/77, viria o Anderlecht, com o já mencionado Constant Vanden Stock como presidente. Naquele que é um dos maiores emblemas do país, o treinador, em 3 temporadas, iria chegar aos grandes palcos europeus. Nesse sentido, muito mais do que sucessos internos, emergiriam os êxitos no plano continental. Tudo começaria, logo no ano da sua chegada, com o triunfo na Supertaça europeia, feito repetido em 1978/79. Para além disso, há também a arrolar o par de presenças na final da Taça dos Vencedores das Taças. Na primeira, na campanha coincidente com a sua contratação por parte da agremiação de Bruxelas, os “Les Mauve et Blanc” defrontariam e claudicariam perante o Hamburger. Já a segunda, em 1977/78, correria de forma bem distinta, com o conjunto por si orientado, onde também brilhava Franky Vercauteren, homem que viria a passar pelo comando técnico do Sporting, a bater o Austria Wien.
Seguir-se-ia a primeira experiência no estrangeiro e após a época de 1979/80 à frente do Bordeaux, viria a “escapadinha” até ao Brasil, onde, como “conselheiro” para o futebol do São Paulo, teria na relação pouco pacifica com o treinador Carlos Alberto Silva a principal fonte de notícias. De regresso à Europa, o Standard Liège, onde brilhava Michel Preud’Homme, devolvê-lo-ia aos sucessos. Como novidade no seu palmarés, viriam logo os 2 Campeonatos conquistados. Também como motivo de destaque surgiriam outras 2 vitórias, dessa feita na Supertaça da Bélgica. Por fim, os triunfos num par de edições da Taça Intertoto e mais uma presença na final da Taça dos Vencedores das Taças, concretamente na edição de 1981/82, onde, na derradeira partida da prova, sairia derrotado pelo FC Barcelona.
Seria também por essa altura que viveria uma das grandes polémicas da carreira. Com o emblema por si orientado inserido na Taça dos Vencedores das Taças, as vésperas da já referida final trariam um episódio descoberto anos mais tarde. Segundo veio a saber-se, Raymond Goethals acabaria envolvido num caso de corrupção, no qual os jogadores do Waterschei terão sido aliciados, numa partida a anteceder o embate frente ao FC Barcelona, a não magoarem os atletas do Standard Liège. Castigado e proibido de trabalhar na Bélgica, o técnico aceitaria o convite do Vitória Sport Clube e mudar-se-ia para Portugal. Em Guimarães na temporada de 1984/85, o treinador passaria a orientar um grupo de trabalho onde brilhavam nomes como Neno, Miguel, Laureta, Paquito, Costeado, Paulo Ricardo, Roldão, entre outros. Porém, apesar da qualidade do plantel, o treinador belga não iria além do 9º lugar no Campeonato Nacional e ao fim de uma campanha deixaria o Minho.
Cumprido um período mais discreto, durante o qual treinaria o Racing Jet de Bruxelles, o regresso ao Anderlecht dar-lhe-ia a vitória na Taça da Bélgica de 1988/89. Seguir-se-ia nova passagem pelo Bordeaux e a contratação pelo Olympique Marseille. No emblema do sul de França, Raymond Goethals voltariaos focos novamente para si. Logo em 1990/91, para além da vitória na Ligue 1, triunfo que repetiria nas 2 campanhas seguintes, o belga levaria o seu grupo à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Perdida a decisiva contenta frente ao Estrela Vermelha de Belgrado, a época de 1992/93, dessa feita na 1ª edição da recém-criada Champions League, traria ao técnico outra oportunidade para conquistar o almejado troféu. Na partida disputada em Munique, numa equipa com Abedi Pelé, Völler, Boksic, Deschamps, Angloma, Desailly, Sauzée e o ex-benfiquista Jean-Jacques Eydelie, um golo de Basile Boli, serviria para derrotar o AC Milan.
Para finalizar um longa carreira como treinador, Raymond Goethals, em 1995, ainda teria uma curta passagem pelo Anderlecht.

1661 - JOÃO CARDOSO

Produto das “escolas” do Vitória Futebol Clube, Carlos João Guilherme Cardoso, ainda em idade de formação, seria chamado a participar nos trabalhos das jovens equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado no conjunto de juniores, o defesa-central, num alinhamento a contar igualmente com Laranjeira, Gregório Freixo, Edmundo Duarte, João Cardoso, Cacheira, entre outros, faria, a 5 de Dezembro de 1969, a estreia com a “camisola das quinas”. Ainda por Portugal, depois desse “particular” frente à Suíça, o atleta ainda teria a oportunidade de participar noutra peleja pelo conjunto luso e, desse modo, juntaria ao currículo um par de internacionalizações pelos actualmente designados por sub-18.
Alguns meses após as referidas contendas disputadas por Portugal, João Cardoso, chamado por José Maria Pedroto, estrear-se-ia na equipa principal do Vitória Futebol Clube. Porém, nessa campanha de 1970/71, tapado essencialmente por Carlos Cardoso e por José Mendes, o jovem atleta não conseguiria muitas oportunidades para sublinhar o seu real valor. Aliás, o mesmo ocaso verificar-se-ia nas épocas seguintes. Com o intuito de dar mais experiência competitiva ao jogador, a época 1973/74 passá-la-ia ao serviço do também primodivisionário Montijo. Para infelicidade do defesa-central, o regresso ao Estádio do Bonfim, sensivelmente um ano após a saída, nem sempre traria a tão almejada titularidade. Com excepção da época de 1974/75, durante a qual jogaria com alguma regularidade, as temporadas seguintes voltariam a empurrá-lo para a condição de suplente e, por essa razão, em 1977/78 decidiria abraçar outro projecto.
Já como praticante ao serviço do Portimonense, dando jus às suas qualidades, João Cardoso viria, de forma inequívoca, a tornar-se num dos mais utilizados da equipa. Habitualmente chamado ao “onze”, o defesa-central transformar-se-ia numa das grandes figuras do conjunto sediado no Barlavento. Durante as 4 temporadas cumpridas no Algarve, o jogador, com excepção feita à campanha de 1978/79, passaria 3 anos nas disputas primodivisionárias. A assiduidade com que apareceria em campo, frequência transversal aos diversos treinadores, dar-lhe o direito de figurar na lista dos atletas com mais presenças em campo nas disputas da 1ª divisão, pelo listado alvinegro. Tal rol de jornadas findaria com o termo da temporada de 1980/81 e o atleta, consumada a separação consumada, retornaria a uma casa por si bem conhecida.
De novo com a camisola dos “Sadinos”, João Cardoso teria na época de 1981/82, no que ao plano pessoal concerne, um ano bastante positivo. Todavia, inicialmente titular nesse novo ciclo com o listado verde e branco, a campanha seguinte no Bonfim traria ao atleta números significativamente mais baixos. Desse modo, o jogador tomaria a decisão de, mais uma vez, deixar o Vitória Futebol Clube, para dar seguimento à sua caminhada profissional noutras paragens. Seguir-se-iam, longe dos principais palcos do desporto luso e em passagens de apenas 1 ano, o Benfica e Castelo Branco, o Recreio de Águeda, o Olhanense, o Juventude de Évora e, para finalizar um trajecto de praticamente duas décadas, o Comércio e Indústria de 1987/88.

1651 - SALVADO

Formado no Benfica, seria ainda como membro das “escolas” benfiquistas que Joaquim António Santos Salvado acabaria chamado às jovens selecções de Portugal. Inserido nos trabalhos das equipas juniores, o atacante surgiria pela primeira vez com a “camisola das quinas” a 20 de Fevereiro de 1975. Nessa partida forasteira frente à Itália, o jogador apresentar-se-ia ao lado de nomes que ficariam bem conhecidos no desporto luso, casos de Chalana, Formosinho, Veloso, Manuel Amaral ou até de Orlando Duarte, famoso pela sua brilhante contribuição, como treinador, no futsal luso. O referido desafio encetaria uma caminhada a levá-lo a um total de 4 internacionalizações e a dar-lhe o direito de ainda integrar, apesar de nunca ter entrado em campo, o conjunto de “esperanças”.
No que diz respeito à carreira sénior, sem lugar no conjunto principal do Benfica, Salvado deixaria a Luz para, a poucos quilómetros da “casa” onde tinha completado a formação, encontrar a oportunidade para prosseguir a sua caminhada competitiva. No Estoril Praia, num plantel de 1977/78 a digladiar-se na 1ª divisão, o atacante, orientado inicialmente por José Torres, apesar da inexperiência, valer-se-ia da qualidade do seu jogo para, desde a entrada no Estádio António Coimbra da Mota, conseguir impor-se como um dos titulares do colectivo sediado na Linha de Cascais. Nos anos seguintes, o mesmo registo e o sublinhar de uma importância cevada pelos números apresentados no final de cada campanha. Porém, o cenário mudaria. Após o revés colectivo da passagem pela 2ª divisão de 1980/81, o regresso dos “Canarinhos”, logo na época seguinte, ao convívio com os “grandes”, mostraria um atleta distante de registos anteriores e, tal contexto, fá-lo-ia mudar de rumo.
No Sporting de Espinho de 1982/83, com o clube igualmente a militar no patamar máximo, Salvado, orientado por Álvaro Carolino, conseguiria recuperar algum do brilho perdido em anos anteriores. Ainda assim, na vivência de duas temporadas com os “Tigres da Costa Verde”, o atacante, que também possuía predicados para jogar mais recuado no terreno de jogo, nunca haveria de agarrar a titularidade como um hábito transversal às diferentes rondas e desafios agendados para as provas do calendário futebolístico luso. Compreendendo o desaire, o jogador voltaria a procurar, numa nova mudança de rumo, a solução para relançar a sua carreira. No entanto, a entrada no Estrela da Amadora, apresentado como reforço para a campanha de 1984/85, afastá-lo-ia, em definitivo, dos principais palcos portugueses. Paralelamente, numa carreira que, até pela idade do atleta, parecia ainda ter muito para dar, o fim da sua caminhada desportiva viria a afigurar-se num horizonte não muito longínquo e após 3 épocas cumpridas na Reboleira, a passagem pelo Cova da Piedade de 1987/88 significaria, para o avançado de 31 anos de idade, o “pendurar das chuteiras”.

1463 - ARTUR

Concluiria a formação no emblema da sua terra natal. Porém, a passagem dos juniores para os seniores não correria como o esperado e as 4 primeiras campanhas após a dita transição passá-las-ia ao serviço das “reservas” do Varzim. Na sequência desse primeiro desaire, seria apenas na temporada de 1971/72 que o defesa-central finalmente conseguiria convencer os responsáveis técnicos do clube. Após um arranque de carreira um pouco “lento”, a verdade é que daí em diante o jogador impor-se-ia como um elemento fulcral no arranjo táctico dos “Lobos-do-mar”. Ainda assim, com o conjunto do listado alvinegro a manter-se apenas pelas lutas dos escalões secundários, seriam precisos mais alguns anos para que Artur Nogueira Ferreira chegasse ao convívio com os “grandes”. Depois de ajudar o Varzim a sagrar-se campeão da edição de 1975/76 do Campeonato Nacional da 2ª divisão, Artur seria desafiado a mudar de clube. Com a entrada no Bessa a acontecer na temporada de 1976/77, numa altura em que já contava 28 anos de idade, o defesa-central depressa começaria a conquistar um lugar de destaque no plantel do Boavista. Orientado por Mário Wilson, logo na época inicial com as “Panteras”, o jogador seria chamado à novidade da disputa da Taça dos Vencedores das Taças. Num crescimento deveras rápido, mas condizente com a regularidade, eficácia e maturidade apresentadas dentro de campo, o atleta, na época seguinte, acabaria puxado para os trabalhos dos conjuntos sob a guarda da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia, no âmbito da equipa “B” de Portugal, aconteceria a 8 de Março de 1978, num particular frente à França. Seguir-se-ia, numa altura em que o escalão admitia alguns convocados excepcionalmente fora da idade prevista, um jogo pelos “esperanças”. Por fim, com um novo desafio pelos “BB” lusos, viria a 3ª internacionalização a colorir o seu currículo. No Boavista, já na alçada de Jimmy Hagan, o jogador adicionaria ao palmarés pessoal o primeiro grande título da carreira. Chamado pelo técnico inglês para a final e para a finalíssima da Taça de Portugal de 1978/79, o defesa-central, como um dos titulares indiscutíveis nas “Panteras”, tornar-se-ia num dos elementos fulcrais para a vitória frente ao Sporting. À glória do título ganho, seria também dele o regozijo de, na condição de capitão de equipa, receber o troféu correspondente ao triunfo na “Prova Rainha”. Já na sequência da competição conquistada no Estádio Nacional do Jamor, a colectividade portuense, com Mário Lino como treinador, entraria na disputa da primeira edição da Supertaça. Num “derby” da “Cidade Invicta”, frente ao FC Porto, mais uma vez os “Axadrezados” conseguiriam superiorizar-se ao adversário. Nesse novo sucesso colectivo e depois de ajudar a derrotar os “Azuis e Brancos”, seria novamente de Artur a honra de erguer o “caneco”. Após 7 épocas ao serviço do Boavista, durante as quais conseguiria somar um total de 231 jogos oficiais, o atleta despedir-se-ia das “Panteras” para, nos derradeiros capítulos como futebolista, ainda cumprir um par de temporadas com as cores do Vitória Futebol Clube. Ao “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 1984/85, o antigo defesa-central passaria a assumir as funções de treinador. Como técnico-principal, numa senda que começaria ao serviço dos alentejanos do Estrela de Portalegre, Artur construiria uma carreira feita essencialmente em colectividades dos escalões secundários. Para além do já referido, ainda guiaria emblemas como o Oriental, “Os Marialvas”, o Recreio de Águeda, AD Guarda, o Sporting de Lamego, o Gondomar ou o Rio Tinto. No entanto, nesse trilho, o destaque iria para o seu regresso ao Bessa, para trabalhar com o plantel de 1990/91.

1449 - BALTEMAR BRITO

Com os primeiros anos como sénior passados ao serviço do Sport Recife, seria a transferência para o Santa Cruz que, na temporada de estreia pelo novo clube, levaria Baltemar Brito a juntar ao palmarés pessoal a conquista Da edição de 1973 do Campeonato Estadual de Pernambuco.
Apreciado como um defesa-central fisicamente possante e deveras intrépido, os desempenhos do jogador, após mais uma época ao serviço do Santa Cruz, levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas portugueses. No entanto, apesar de bem cotado, a verdade é que a temporada de 1974/75 e a chegada ao Vitória Sport Clube seriam bem diferentes das expectativas criadas inicialmente. Na cidade de Guimarães, numa equipa orientada por Mário Wilson, Baltemar Brito não conseguiria convencer o referido treinador a dar-lhe grandes oportunidades. Sem qualquer partida oficial disputada, seguir-se-iam os escalões secundários e o Paços de Ferreira. Porém, mesmo afastado dos principais escaparates, as 2 campanhas na “Capital do Móvel”, fariam emergir as qualidades do atleta que, com nova mudança de emblema, conseguiria a almejada estreia em desafios da 1ª divisão.
A passagem pelo plantel de 1977/78 do Feirense introduziria Baltemar Brito ao contexto competitivo daquela que é a prova de maior valor no calendário competitivo português. Contudo, para azar do jogador, os desempenhos colectivos dos “Fogaceiros” não permitiriam a sua consolidação no patamar maior do futebol luso. Tal cenário viria apenas a concretizar-se alguns anos depois e com um regresso, pelo meio, ao Paços de Ferreira. Já como elemento do grupo de trabalho do Rio Ave, após a entrada no emblema de Vila do Conde na campanha de 1980/81, a segunda temporada de “Caravela” ao peito levá-lo-ia a cimentar-se como um praticante de cariz primodivisionário. Nessa época de 1981/82, na alçada de Mourinho Félix, o atleta ajudaria os vilacondenses a superar os objectivos inicialmente traçados e a atingir a melhor posição de sempre no Campeonato Nacional, o 5º posto da tabela classificativa.
A suceder à temporada de 1982/83, passada ao serviço do Vitória Futebol Clube, o defesa-central regressaria a Vila do Conde e para participar em outro momento histórico para a agremiação nortenha. Ainda a trabalhar sob a batuta de Mourinho Félix, o Rio Ave encetaria uma brilhante caminhada na edição de 1983/84 da Taça de Portugal, a qual apenas terminaria no Estádio Nacional. Na derradeira ronda da apelidada “Prova Rainha”, Baltemar Brito, dando jus à sua importância para o colectivo, seria chamado à titularidade. Infelizmente para os “Rioavistas”, a sorte sorriria ao adversário e, com o “placard” final a assinalar 4-1, seria o FC Porto a sair do Jamor em posse do almejado troféu.
A escrever os últimos capítulos da carreira enquanto futebolista, Baltemar Brito, a partir da temporada de 1985/86, ainda envergaria a camisola do Varzim. Mesmo tendo em conta a veterania, a verdade é que o defesa, tal como até ali vinha a fazer, conseguiria manter-se como uma figura primordial no idealizar das manigâncias tácticas. Nos 3 anos a trabalhar com os “Lobos-do-mar”, o jogador manter-se-ia como um dos elementos a merecer maior destaque e concluiria a sua caminhada competitiva, no que ao trajecto feito em Portugal diz respeito, com um somatório de 8 campanhas cumpridas entre os “grandes”.
Depois de “penduradas as chuteiras”, Baltermar Brito passaria a dedicar-se às tarefas de treinador. Encetaria esse trajecto por colectividades de menor monta. Todavia, em 2001/02 receberia o convite que voltaria pô-lo nas “luzes da ribalta”. Como adjunto de José Mourinho, com quem chegou a partilhar o balneário nos tempos do Rio Ave, o antigo defesa trabalharia em equipas como a União de Leiria, o FC Porto e o Chelsea, tendo ajudado o “Special One” a vencer diversos troféus, como a Taça UEFA, a “Champions” ou a Premier League. Já ao assumir-se como técnico-principal, os maiores destaques iriam para as suas passagens por agremiações da Líbia, Emirados Árabes Unidos, Brasil, Luxemburgo ou como seleccionador do Zimbabué.

1381 - BERNARDINO PEDROTO


Filho de José Maria Pedroto, António Carlos Bernardino, mais conhecido no mundo desportivo como Bernardino Pedroto, seguiria as passadas do pai e acabaria por fazer carreira no “jogo da bola”. Ainda como atleta das camadas de formação do Benfica, o médio, pelas qualidades demonstradas, chegaria aos trabalhos das equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com a “camisola das quinas”, o jovem praticante seria chamado à estreia a 11 de Novembro de 1971. Com José Augusto como treinador, a partida dos juniores frente à Suíça daria início ao percurso que, embora curto, ainda permitiria ao jogador outra presença pelo conjunto luso, dando ao currículo do centrocampista um total de 2 internacionalizações pelos actualmente denominados sub-18.
Já como sénior do Benfica, a qualidade dos planteis “encarnados” no início da década de 1970, que para o sector intermediário incluíam nomes como Jaime Graça, Vítor Martins ou Toni, poucas oportunidades daria ao jogador. Ainda assim, o ensejo emergiria e, após ter trabalhado com Jimmy Hagan na época anterior, a 16ª jornada do Campeonato Nacional de 1973/74 daria ao médio, pela mão de Fernando Cabrita, a ocasião para a estreia com a principal camisola das “Águias”. No entanto, esse embate frente ao Boavista, em que o atleta acabaria escolhido para o “onze” inicial, seria insuficiente para dar continuidade ao seu trajecto no Estádio da Luz e, finda a temporada, o futebolista mudaria de rumo.
O passo seguinte dá-lo-ia na direcção daquele que viria a tornar-se num dos emblemas mais representativos da sua ligação ao futebol. No Vitória Sport Clube a partir de 1974/75, com uma época de arranque discreta, começaria por trabalhar com Mário Wilson. Já com Fernando Caiado como timoneiro, atingiria a titularidade e, ao saltar do banco de suplentes, acabaria a disputar a final da Taça de Portugal de 1975/76. Daí em diante, manter-se-ia com um dos esteios do conjunto minhoto e, durante 5 temporadas consecutivas, Bernardino Pedroto cimentar-se-ia como uma das figuras da colectividade sediada na “Cidade Berço”.
Seguir-se-ia o interlúdio de 2 anos na Madeira, com as cores do Marítimo. Depois, nunca tendo perdido o estatuto de titular na experiência vivida no Funchal, viria o regresso a Guimarães onde, na temporada de 1981/82, teria a oportunidade de trabalhar sob a intendência do seu pai. Dessa nova passagem pelo Minho, Bernardino Pedroto encetaria a ligação que, com a mudança do treinador Manuel José para o Algarve, o levaria a envergar a camisola do Portimonense. No Barlavento desde a campanha de 1983/84, o médio faria parte do plantel que, fruto do 5º lugar obtido no Campeonato Nacional de 1984/85, atingiria a inédita qualificação para as competições continentais. Já época correspondente à eliminatória da Taça UEFA disputada frente ao Partizan de Belgrado, jogos em que não entraria em campo, transformar-se-ia na da sua despedida do clube e, pondo fim a um ciclo de 13 épocas primodivisionárias, no termo da sua caminhada entre os “grandes”.
Com a mudança para o Silves em 1986/87 a representar o fim do seu trajecto enquanto futebolista, a passagem pela agremiação algarvia serviria também para o antigo jogador encetar a sua carreira como técnico. Nessas funções, com ligações a vários emblemas lusos, o treinador viveria o apogeu em Portugal nos anos em que, na disputa da 1ª divisão, estaria à frente de emblemas como Vitória Sport Clube, Gil Vicente e Campomaiorense. Contudo, os grandes títulos conquistá-los-ia em Angola. Com a tirada de 13 anos pelo referido país africano a levá-lo a diferentes emblemas, os troféus embelezar-lhe-iam o currículo. Ao vencer 3 Campeonatos pelo ASA e outros 2 ao serviço do Petro de Luanda, Bernardino Pedroto ainda enriqueceria o palmarés pessoal com as conquistas de 4 Supertaças e 1 Taça de Angola pelos “Aviadores”.
Já no regresso a Portugal, Bernardino Pedroto voltaria a rubricar nova ligação aos “Conquistadores”, destacando-se o trabalho como Coordenador do futebol feminino do Vitória Sport Clube.

1379 - VÍTOR MANUEL

Apesar de emergir dos patamares de formação do Marinhense, a evolução de Vítor Manuel dentro de campo depressa abriria ao avançado outras portas. Antes ainda da subida a sénior, o atacante, resultado das promissoras virtudes, seria chamado aos trabalhos das jovens equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. No escalão agora conhecido como sub-18, a 11 de Novembro de 1968, o jogador faria a estreia com a “camisola das quinas”, numa partida frente à França. Ao lado de atletas como Carolino, Nicolau Vaqueiro, Jacinto, entre outros, o atacante daria o passo que o levaria, entre o já referido patamar e as “esperanças”, a conseguir, para a sua carreira, um total de 5 internacionalizações.
No que diz respeito ao percurso clubístico, Vítor Manuel, com a promoção aos seniores a acontecer na temporada de 1969/70, desde muito cedo começaria a ser assediado por agrupamentos de outra monta. Ao resistir aos apelos de uma mudança de emblema, o avançado prolongaria a sua estadia pela agremiação sediada na Marinha Grande por mais anos do que a sua qualidade deixaria adivinhar. Sempre na disputa da 2ª divisão, o avançado, ainda assim, viveria alguns momentos emotivos. Nessa senda, destacar-se-ia a campanha que quase levaria o conjunto da “Cidade do Vidro” à promoção ao escalão maior. No entanto, num colectivo com alguns elementos de tradição primodivisionária, casos de Florival, Carlos Pinho ou Naftal, a presença na Liguilha de 1970/71 não daria à colectividade a tão almejada subida.
Só na temporada de 1977/78 é que Vítor Manuel cambiaria de rumo futebolístico. Sem deixar a 2ª divisão, a mudança para a União de Leiria abrir-lhe-ia as portas há muito prometidas. Depois de realizar uma boa campanha ao serviço do emblema da “Cidade do Lis”, o avançado veria o Sporting a endereçar-lhe um convite. Irrecusável, o desafio levá-lo-ia a entrar em Alvalade na época de 1978/79. Porém, numa equipa que, para o sector ofensivo, contava com elementos como Manuel Fernandes, Keita, Manoel ou Jordão, as oportunidades dadas por Milorad Pavic nunca permitiriam ao atacante afirmar-se como um dos mais utilizados pelo treinador jugoslavo. Ainda assim, a sua experiência com os “Leões” não seria de avaliação negativa. Para além da estreia nas competições sob a alçada da UEFA, aos 2 jogos feitos na Taça dos Clubes Vencedores das Taças, o jogador ainda somaria, entre a Taça de Portugal e Campeonato Nacional, outras 16 partidas.
O passo seguinte encaminhá-lo-ia até ao Minho. Em Guimarães, com as cores do Vitória Sport Clube, Vítor Manuel cumpriria aquela que, atrevo-me a dizer, terá sido uma das melhores campanhas por si realizadas. Sob o comando de Mário Imbelloni e posteriormente treinado por Cassiano Gouveia, o avançado, numa linha ofensiva também composta por Joaquim Rocha e Mundinho, conseguiria ser um dos mais utilizados pelo emblema da “Cidade Berço”. Curiosamente, com o termo dessa temporada de 1979/80, dar-se-ia o regresso do atleta ao União de Leiria. De volta à Beira Litoral, às épocas seguintes, à excepção da de 1981/82, seriam passadas no segundo escalão e com a última campanha referida a tornar-se na derradeira do avançado entre os “grandes”.
Com um interregno a levá-lo, na temporada de 1983/84 até ao Desportivo de Chaves, a ligação com o União de Leiria terminaria com a campanha de 1985/86. De seguida, Vítor Manuel regressaria àquele que seria o emblema mais representativo da sua caminhada enquanto futebolista e, de novo a envergar a camisola do Marinhense, a sua carreira de praticante terminaria na época de 1987/88.

1366 - RAUL

Já com o título de juniores no currículo, a época seguinte seria, para Raul, a da promoção a sénior. Mantendo-se no FC Porto, o defesa começaria a trabalhar sob a alçada de Fernando Riera. No entanto, a preferência do treinador chileno recairia sobre Guedes e a temporada de 1973/73, no que ao desempenho pessoal do lateral-esquerdo diz respeito, resumir-se-ia a 2 partidas efectuadas no âmbito do Campeonato Nacional. Seguir-se-iam a curta passagem de uma época pelo União de Coimbra e o regresso às Antas. Porém, tal como da experiência anterior, o jogador não conseguiria conquistar grande espaço entre o plantel dos “Dragões”.
A época de 1975/76 serviria para Raul encetar a ligação que viria a mudar a sua vida no futebol. A caminhada como atleta do Sporting de Espinho, começaria com o clube na 2ª divisão. Ainda assim, com os “Tigres da Costa Verde” na disputa dos lugares cimeiros, esse cenário competitivo depressa mudaria e a campanha de 1977/78 marcaria o regresso da colectividade, e do atleta, ao convívio com os “grandes”. Curiosamente, essa temporada haveria de marcar o seu futuro na modalidade e ao ter como colega de balneário Manuel José, a amizade aí nascida, resultaria, alguns anos depois, numa grande parceria.
Aferido como um jogador com algumas pechas ofensivas, os seus grandes predicados, ou seja, o sentido posicional e a postura aguerrida, mantê-lo-iam como um dos elementos mais utilizados dentro do plantel. Nesse contexto, Raul tornar-se-ia num dos grandes esteios do emblema espinhense, naquele que viria a materializar-se como o período áureo do futebol do Sporting de Espinho. Por entre as 9 temporadas consecutivas em que o defesa envergaria o listado branco e preto, o destaque, naquele que seria o encetar de 5 anos seguidos no degrau maior do futebol luso, chegaria com a época de 1979/80 e a melhor posição de sempre da agremiação no Campeonato Nacional da 1ª divisão, isto é, o 7º lugar na tabela classificativa.
Já depois de ter ao seu cuidado a braçadeira de capitão, Raul decidiria mudar de rumo. Ao trocar o Sporting de Espinho pelo União da Madeira, o defesa daria os primeiros passos de uma caminhada que, na temporada de 1985/86, o levaria até Trás-os-Montes. Integrado no plantel do Desportivo de Chaves, o lateral-esquerdo também contribuiria para um dos melhores momentos da história do emblema flaviense e ajudaria, num grupo de trabalho comandado por Raul Águas, para o 5º lugar no Campeonato Nacional de 1985/86 e, na sequência da aludida classificação, para o correspondente apuramento para as provas sob a alçada da UEFA.
Com o derradeiro capítulo da sua vida enquanto futebolista a levá-lo a vestir a camisola dos Dragões Sandinenses, Raul Sousa, com o final da temporada de 1988/89, decidiria ser a altura certa para “pendurar as chuteiras”. Não muito tempo depois, já no desempenho das funções de treinador, dar-se-ia o reencontro com Manuel José. Primeiro como adjunto no Boavista, para, mais tarde, passar pelo Marítimo, também o Benfica marcaria a sua experiência como técnico. Finalmente, como timoneiro principal, há a destacar a sua passagem pelo União de Lamas.

1353 - JÚLIO


Descoberto no Ramaldense, popular colectividade que também lançou Humberto Coelho, Júlio acabaria a sua formação já nos juniores do FC Porto e como campeão nacional da categoria. Aferido como um ponta-de-lança bastante oportuno, o jovem jogador, ainda com 17 anos, seria chamado, na época de 1971/72, à equipa principal dos “Dragões”. Com a estreia sénior a acontecer sob a alçada do treinador António Feliciano, a verdade é que nos anos vindouros, o avançado conquistaria, com algumas excepções, poucas oportunidades para envergar o listado dos “Azuis e Brancos”. Ainda assim, o atacante, por vários anos, manter-se-ia como um elemento válido dentro do plantel portista. Todavia, com a chegada de José Maria Pedroto ao Estádio das Antas, a situação do jogador, por razão da relação fleumática com o aludido técnico, pioraria e terminaria com um pedido de rescisão contratual – “Não dava, o meu feitio chocava com o dele. Ele tinha duas caras. Disse-lhe isso. Na cara. Então ò Rui, há uma digressão no Brasil e quatro/cinco jogadores não regressam a Portugal com a equipa. Diz-me ‘és o melhor do mundo’ e, de repente, no jogo seguinte, não contas para ele. Vais para a bancada enquanto os outros jogam? (…) Outra: sou suplente num jogo com a Académica. Ao intervalo, 0-0. ‘Vai lá para dentro e resolve’, disse-me ele. E resolvi, fiz o 1-0 e o 2-0. No jogo seguinte, nem convocado fui”*.
Seria também durante a primeira passagem de Júlio pelo FC Porto que as selecções entrariam no quotidiano do jogador. Arrolado primeiramente para representar as “esperanças”, a partida frente à Bulgária, a 13 de Outubro de 1973, encetaria um percurso que, num total de 5 internacionalizações, levaria o ponta-de-lança a representar a equipa “B”, os “olímpicos” e a ser listado aos trabalhos do conjunto “A”. Nesse percurso, as chamadas à equipa principal lusa trariam à história do atleta episódios peculiares e, pior que tudo, de grande infortúnio. O primeiro, em Setembro de 1980, por altura de um “amigável” disputado frente à Itália, terminaria com o jogador, contra todas as expectativas, a não sair do banco de suplentes. Novamente chamado por Juca, passados alguns meses surgiria a oportunidade de uma partida a contar para a Fase de Apuramento do Mundial de 1982. Na peleja a opor Portugal a Israel, o avançado acabaria a aquecer, mas um incidente tão curioso quanto azarado tiraria ao atacante a oportunidade de entrar em campo – “Disse-me para ir aquecer que ia entrar (…). Saí pela direita do banco, corri pela linha lateral, dei a volta à bandeirola de canto e continuei a correr pela linha de fundo (…). Sem saber, tinha o preparador-físico José Falcão a correr atrás de mim. Era um homem que usava uns óculos fundo de garrafa. Quando me viro para continuar a correr no sentido inverso, bato com o nariz nos óculos dele e parto a cana. Comecei imediatamente a sangrar”**. “O Juca vê aquilo e diz que não posso entrar com sangue. Nunca mais lhe falei. Quem entra é o Manuel Fernandes. Por essa altura, já estou no balneário a levar uns agrafos do massagista Mário Belo. Terminado o serviço, fui-me embora e nunca mais voltei à selecção”*.
Regressando ao percurso clubístico do avançado, ao fim de 6 temporadas no FC Porto e com o currículo colorido pela vitória na edição de 1976/77 da Taça de Portugal, Júlio haveria de ingressar no Varzim. No emblema da Póvoa, o ponta-de-lança acabaria por fazer uma grande campanha, a ponto de começar a despertar a cobiça de outros emblemas. O primeiro a fazer-lhe uma proposta concreta seria o Benfica, mas as divergências surgidas no momento de rubricar a nova ligação, levariam à suspensão do acto. Surgiria então o Boavista, emblema com o qual assinaria um contrato. No Bessa a partir da campanha de 1978/79, o jogador manter-se-ia como um elemento deveras importante no cumprir dos desígnios colectivos. Nesse sentido, é impossível não destacar dois momentos. O primeiro seria a final da Taça de Portugal de 1978/79, onde um golo seu empurraria a decisão da peleja para a finalíssima. Mais uma vez chamado para o “onze” por Jimmy Hagan, o avançado, com o único remate certeiro do desafio, daria o troféu aos “Axadrezados”. Para completar este capítulo, há ainda que fazer referência à Supertaça do ano seguinte, altercada frente ao FC Porto, e onde 2 tentos seus entregariam aos escaparates das “Panteras” a edição inicial do troféu.
Com 3 épocas no Bessa a revelarem elevados índices exibicionais, Júlio, mais uma vez, viria a ser contratado pelo FC Porto. Sem conseguir ser um titular indiscutível, o avançado conquistaria uma razoável fatia de preponderância nos objectivos da equipa, ajudando, logo na época de volta às Antas, à conquista da Supertaça de 1981/82. Contudo, com José Maria Pedroto de novo no comando técnico dos “Dragões”, o avançado, volvida uma campanha sobre o regresso do treinador aos “Azuis e Brancos”, pediria a rescisão da ligação laboral.
Seguir-se-iam, numa carreira a aproximar-se do fim, a época passada ao serviço do Vitória Sport Clube, onde voltaria a encontrar-se com o seu treinador no FC Porto, o austríaco Hermann Stessl. Depois surgiriam o Portimonense e o Salgueiros, numa caminhada desportiva que, com a conclusão da temporada de 1985/86 e com um total de 15 campanhas primodivisionárias, levaria Júlio a “pendurar as chuteiras”.

*retirado da entrevista conduzida por Rui Miguel Tovar, publicada a 30/07/2021, em https://tovarfc.pt
**retirado do artigo de Sérgio Pereira, publicado a 05/08/2010, em https://maisfutebol.iol.pt

1351 - NÉLITO

Depois de ter passado pelas “escolas” do Vilaverdense Futebol Clube, Manuel Gomes da Silva, popularizado pelo diminutivo Nélito, terminaria o percurso formativo na temporada de 1976/77, a envergar a camisola do Sporting de Braga e logo no ano em que o conjunto minhoto viria a sagrar-se campeão nacional de juniores. A aludida campanha, que terminaria em tão grandioso facto, acabaria por empurrar o jovem praticante para o radar da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse sentido, o atleta viria a ser convocado a disputar o Torneio Internacional St. Malo, em França. Com a estreia no certame a acontecer pela mão do treinador Peres Bandeira, o desafio jogado frente a Marrocos, a 9 de Abril de 1977, tornar-se-ia na sua primeira partida disputada com as cores lusas. Para além do referido troféu, já no desenovelar da época subsequente, o jogador ainda regressaria aos trabalhos das selecções nacionais, dando à sua carreira um total de 3 internacionalizações pelos, actualmente denominados, sub-18 e 1 chamada aos “esperanças”.
No que diz respeito à caminhada clubística, Nélito, no decorrer da temporada de 1977/78, seria chamado à estreia na equipa principal do Sporting de Braga. Após encetar a dita caminhada sob a batuta de Mário Imbelloni, a sua vida desportiva, durante os primeiros anos, seria dificultada pela presença no plantel de elementos mais experimentados. Sem conquistar grandes oportunidades para entrar em campo com alguma frequência, a excepção às campanhas iniciais emergiria no desenovelar da época de 1980/81 e na alçada do técnico Mário Lino. Daí em diante ainda teria de penar um pouco. Contudo, esse cenário viria a mudar em 1983/84 e a partir desse momento, o jogador, a demonstrar uma espantosa regularidade e entrega, tornar-se-ia numa das grandes referências dos “Guerreiros”.
Nas 12 campanhas consecutivas feitas por Nélito ao serviço da equipa principal do Sporting de Braga, muitos momentos haveriam de ficar na memória do atleta. Talvez as conjunturas de maior destaque tenham acabado por ser as participações do emblema da “Cidade dos Arcebispos” nas competições organizadas pela UEFA. Depois de, na temporada de 1978/79, frente aos malteses do Hibernians e dos ingleses do West Bromwich Albion, o defesa ter participado no regresso dos “Arsenalistas” às provas continentais, também as eliminatórias frente ao Swansea City (1982/83) ou ao Tottenham Hotspurs (1984/85) embelezariam o seu currículo. Claro está que, mesmo com o atleta a não participar nos derradeiros jogos dos troféus em causa, não poderia esquecer-me de fazer referência às campanhas de 1981/82 e de 1982/83, em que o seu grupo de trabalho acabaria a disputar, respectivamente, a final da Taça de Portugal e a Supertaça Cândido de Oliveira.
Com a ligação ao Sporting de Braga a conhecer o fim no termo da temporada de 1988/89 e numa altura em que a braçadeira de capitão também já fazia parte do seu palmarés, Nélito ainda daria continuidade à caminhada de futebolista por mais alguns anos. Já fora do principal escalão português, o jogador, de imediato, passaria pelo Gil Vicente, ajudando a agremiação da cidade de Barcelos à primeira promoção ao patamar máximo. Depois seguir-se-iam o Vianense e o Amares, tornando-se esta última na colectividade no emblema onde faria a transição para o papel de treinador. Nessas tarefas, numa senda recheada de experiência, dois seriam os nomes que haveriam de ilustrar tal trajecto. Por um lado, o ainda agora aludido Amares e, num regresso a uma das casas da sua formação, o Vilaverdense.

1338 - QUEIRÓ

Descoberto no Avintes pelo Boavista, António Augusto Alves de Oliveira, popularizado no futebol como Queiró, chegaria ao Bessa na temporada de 1978/79. Apesar de já ter algum traquejo como sénior, a verdade é que o salto do 3º escalão para a divisão maior do futebol português, levaria o atleta a revelar algumas dificuldades na altura de conquistar algum espaço no novo clube. Ainda assim, certos do seu valor, os responsáveis pelas “Panteras Negras” não abdicariam da sua presença no plantel e apesar de pouco utilizado durante as duas primeiras épocas, o jogador conseguiria garantir a continuidade no emblema portuense.
Curiosamente, seria durante as duas temporadas iniciais ao serviço do Boavista que chegariam ao currículo do atleta as principais distinções alcançadas no decorrer da sua carreira. Sob a alçada do inglês Jimmy Hagan, na condição de suplente utilizado, Queiró entraria em campo frente ao Sporting, tanto na final, como na finalíssima da edição de 1978/79 da Taça de Portugal. Depois da vitória na “Prova Rainha”, a campanha seguinte, na disputa da Supertaça, entregaria ao palmarés do jogador mais um troféu. Já orientado o clube “axadrezado” pelo técnico Mário Lino, o jogador, mais uma vez a saltar do banco, daria a sua contribuição na vitória frente ao FC Porto e, dessa maneira, ajudaria a levar o “caneco” para os escaparates do Bessa.
Daí em diante e na grande maioria das campanhas a envergar a camisola do Boavista, Queiró passaria a ser um dos elementos mais utilizados do plantel. Habituado às lides do sector intermediário do terreno de jogo, a mudança para a lateral-direita da defesa daria um novo estímulo à caminhada profissional do jogador. Aferido pelos diferentes treinadores como um intérprete de cariz altruísta e aguerrido, a sua constância exibicional transformá-lo-ia, não só num nome de referência das provas futebolísticas organizadas durante os anos de 1980, mas também numa das figuras míticas da história dos “Axadrezados”.
Durante um longo percurso feito com o Boavista, outro dos grandes prémios de Queiró viria com a braçadeira de capitão. Claro está que, de bastante importância, surgiriam igualmente as lutas do clube pelos lugares cimeiros das provas disputadas. Com o defesa integrado num grupo de trabalho com altas ambições, as prestações colectivas naquele que é o mais importante conjunto de pelejas do calendário luso, levaria o jogador a apresentar-se nas competições continentais. Nesse contexto além-fronteiras, a estreia do atleta surgiria durante a temporada de 1980/81. Com o 4º lugar alcançado no final do Campeonato Nacional do ano anterior, a qualificação para a Taça UEFA levá-lo-ia, nas eliminatórias frente ao Vasas e ao Sochaux, a entrar em campo nas 4 partidas disputadas pelas “Panteras Negras”.
Com o final da carreira a aproximar-se com o término da década de 1980, Queiró, durante a temporada de 1989/90, na disputa da Zona Norte da 2ª divisão, vestiria a camisola do Leixões. Na campanha seguinte à passada no Estádio do Mar, segundo o “site” da Federação Portuguesa de Futebol, o jogador voltaria a ser inscrito pelo Boavista. Aliás, a sua ligação ao clube dar-se-ia também no desempenho de outras funções. Como treinador, o antigo defesa notabilizar-se-ia pelo trabalho feito nas “escolas”. Tendo completado a formação superior na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, o seu lavor à frente das jovens equipas “axadrezadas” resultaria em diversos títulos nacionais.

1293 - LUZ

Antes ainda de aparecer na equipa principal do Boavista, já Luz brilhava nos patamares de formação dos “Axadrezados”. Igualmente avaliado pelos responsáveis técnicos da Federação como uma grande promessa, o guardião seria integrado no grupo que, com as cores de Portugal, conseguiria qualificar-se para a edição de 1969 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Sob a alçada da dupla David Sequerra (seleccionador) e Francisco Polido (treinador), depois da estreia frente à Itália ainda nas partidas de apuramento, o jovem futebolista seria arrolado à comitiva com destino à República Democrática da Alemanha e, ao lado de nomes bem conhecidos do futebol português, casos de Laranjeira, Carlos Simões, Carolino ou Barbosa, disputaria a Fase Final do referido certame.
Com o empurrão dado pelas internacionalizações somadas com a “camisola das quinas”, o guarda-redes, na temporada de 1969/70, emergiria no conjunto sénior do Boavista. Com as “Panteras” recém-regressadas à 1ª divisão, Luz, ligeiramente atrás na luta pela titularidade, acabaria por quase dividir o lugar à baliza com Quim. Todavia, apesar dos bons números apresentados, a frequência das suas presenças na ficha de jogo não teriam continuidade na campanha seguinte. Aliás, daí em diante o jogador disputaria poucas partidas pelos “Axadrezados” e, por razão da falta de oportunidades, a relação entre o atleta e o clube terminaria com o fim da campanha de 1971/72.
Com a saída do Bessa, o jogador encetaria um longo caminho longe dos palcos principais do futebol nacional. Sporting de Espinho, Salgueiros e Paços de Ferreira também fariam parte dessa etapa, cumprida durante 8 temporadas consecutivas. Seguir-se-ia, ainda na 2ª divisão, a entrada no plantel de 1979/80 do Penafiel. A chegada ao conjunto rubro-negro daria a oportunidade ao guardião de inscrever o seu nome numa das mais importantes páginas da história da colectividade sediada no Vale do Sousa. Já como um guarda-redes experimentado, Luz daria ao último reduto penafidelense a força necessária para a inédita subida ao escalão principal. Com a estreia do clube no patamar maior do futebol português a acontecer na época de 1980/81, essa campanha serviria igualmente para devolver o atleta ao convívio dos “grandes” e, de alguma forma, dar outra justiça aos números do seu currículo.
Como um dos pilares das duas primeiras campanhas primodivisionárias do Penafiel, seria com a despromoção do clube ao escalão secundário que daria início a um novo périplo. Nessa senda, depois de uma curta passagem pela Sanjoanense, Luz teria ainda a oportunidade de, na temporada de 1983/84 e ao serviço do Recreio de Águeda, voltar às pelejas da 1ª divisão. O guardião regressaria também ao Paços de Ferreira que, com mais 4 temporadas cumpridas com a camisola dos “Castores”, tornar-se-ia no emblema mais representativo de toda a sua caminhada desportiva.
Após “pendurar as luvas” no final da temporada de 1987/88, o antigo guarda-redes manter-se-ia ligado ao futebol. No Paços de Ferreira, onde em épocas idas e em paralelo aos deveres de jogador, já tinha experimentado as tarefas de treinador, António Luz passaria a dedicar-se à vida de técnico. Numa carreira que durante os primeiros anos fá-lo-ia cirandar por emblemas do norte do país, o grande destaque terá de ir para às ligações erguidas no arquipélago do Açores, nomeadamente ao serviço de agremiações como o Vitória do Pico, o Fayal Sport Club, o Lajense ou o Flamengos.

1282 - ALEXANDRE ALHINHO

Ao chegar a Portugal ainda em idade adolescente e apenas para estudar, seria por desafio do irmão mais velho, o internacional Carlos Alhinho, que Alexandre aceitaria treinar à experiência nas camadas jovens da Académica. Tendo agradado, começaria na colectividade conimbricense um percurso formativo que, pela qualidade demonstrada, encaminharia o defesa para os trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Tido como um atleta de enorme potencial, seria chamado à equipa de juniores e a estreia, sob a égide do “magriço” José Augusto, aconteceria a 11 de Novembro de 1971, numa partida frente à Suíça.
Já a passagem para o patamar sénior seria um pouco atribulada. Alegadamente como represália pela mudança do irmão para o Sporting, Alexandre Alhinho cumpriria a totalidade da temporada de 1972/73 sem marcar qualquer presença na equipa principal da “Briosa”. Na campanha seguinte, a mudança para o Farense revelar-se-ia a mais acertada. Depois da estreia na 1ª divisão pela mão do treinador Carlos Silva, o defesa agarraria a titularidade. Tão espectacular seria a sua evolução que, ainda durante o decorrer da época de 1973/74, acabaria convocado à selecção “A”. Não chegaria a entrar em campo, mas a importante chamada catapultá-lo-ia para outros voos.
Com um crescimento brutal, seria o FC Porto a tomar a dianteira na corrida pela sua contratação. No entanto, à chegada às Antas, o jovem jogador deparar-se-ia com um balneário recheado de atletas de fama. A presença de nomes como Rolando, Teixeira ou até Simões, faria com os técnicos Aymoré Moreira e, posteriormente, Monteiro da Costa não dessem a Alexandre Alhinho grandes oportunidades. A falta de presenças em campo, levaria o defesa-central a mudar de rumo e o regresso à Académica de Coimbra, com 2 temporadas no escalão máximo, serviriam para confirmar o atleta como um elemento de indubitáveis qualidades primodivisionárias.
O ingresso no Belenenses de 1977/78 encetaria, provavelmente, a melhor fase da carreira do defesa. Numa caminhada com algumas mudanças de emblema, as 5 temporadas passadas com a agremiação da “Cruz de Cristo”, dariam a necessária estabilidade a um registo, mesmo que positivo, a padecer de alguma volatilidade. Ainda assim, a solidez desses anos no Restelo seria interrompida pelo, tão popular durante esses tempos, “período de férias” na North American Soccer League. Com os registos a assinalar a presença de Alhinho na época de 1979, a passagem pelos New England Tea Men, serviria de pequeno interlúdio na prolífera experiência ao serviço dos “Azuis”. Para esse bom registo em muito contribuiriam as épocas realizadas como titular no centro do sector mais recuado. Com a excepção de 1979/80, o jogador afirmar-se-ia como um dos mais importantes do plantel. Esse estatuto recuperá-lo-ia para a selecção e, durante os anos ao serviço da colectividade lisboeta, acrescentaria ao currículo 2 internacionalizações pelas “esperanças” e outras 2 pelo conjunto “B” de Portugal.
No resto da caminhada como futebolista, Alexandre Alhinho retornaria um pouco à modalidade de “saltimbanco”. Apesar de mais afastado dos cenários de maior monta, o defesa ainda voltaria a pisar os principais palcos do Campeonato Nacional. Com o regresso ao Farense a acontecer na temporada de 1982/83, o atleta ajudaria à promoção dos algarvios e, ao lado do irmão Carlos, volveria ao escalão máximo. Já a derradeira experiência primodivisionária coincidiria com a última campanha realizada pelo atleta nos relvados. Após passagens de um ano pelo Lusitano de Évora e pelo Estoril Praia, a mudança para o Académico de Viseu, depois de um par de épocas a jogar pelos beirões no patamar secundário, empurrá-lo-ia para a disputa da edição de 1988/89 da 1ª divisão.
Após “pendurar as chuteiras” e já com a Licenciatura em Educação Física terminada, o regresso ao arquipélago que o viu nascer levá-lo-ia a abraçar o ensino. Paralelamente dedicar-se-ia também às actividades de treinador. Nas aludidas funções, tem orientado emblemas do seu país natal, como a Académica do Mindelo ou o Batuque. Porém, o maior destaque terá de ser dado aos anos passados como seleccionador nacional de Cabo Verde.

1255 - MURÇA

Mano mais novo do defesa internacional Alfredo Murça, Joaquim, para além de partilhar o sector posicional com o irmão, haveria também de dar os primeiros passos no Grupo Desportivo dos Pescadores da Costa da Caparica.
No emblema do Concelho de Almada, o jovem lateral, depois de terminada a formação, subiria aos seniores. Como um elemento dotado de boa técnica, velocidade e igualmente aguerrido, as suas qualidades permitir-lhe-iam, com idêntica competência, participar nas acções defensivas e ofensivas. Terão sido esses predicados que levariam os responsáveis do Barreirense a ver nele um bom elemento. Contratado para reforçar o plantel de 1976/77, nem mesmo a disputar o 2º escalão, Murça conseguiria esconder-se de emblemas de maior monta. Nesse sentido, no final da temporada de entrada no Estádio D. Manuel de Mello, avaliadas em alta as suas prestações, seria o Sporting a requisitar os serviços do defesa.
A passagem por Alvalade, apesar das boas expectativas, resultaria num ingrato ocaso. Sem grandes oportunidades conquistadas durante as 2 temporadas de “verde e branco”, a solução encontrada para a sua carreira acabaria por ser a saída. Todavia, a dispensa, ao contrário de negativa, empurraria o atleta para a melhor fase da caminhada profissional. Depois de, pelo Sporting ter ajudado a vencer a Taça de Portugal de 1977/78, as distinções alcançadas no Sul do país elevá-lo-iam para um patamar superior.
Como membro do Portimonense a partir da campanha de 1979/80, Joaquim Murça cruzar-se-ia com Artur Jorge. Ao ser um dos habituais titulares da equipa, a entrada do referido treinador à 11ª jornada do Campeonato Nacional de 1981/82, perpetraria uma mudança no posicionamento do jogador. Aferindo-o como um praticante capaz de desempenhar outras funções, o defesa-lateral passaria a jogar mais adiantado no terreno. Como médio-ala, as suas exibições cresceriam em qualidade. Esse acréscimo de rendimento levá-lo-ia a ser equacionado para as futuras pelejas da selecção nacional. Com a principal “camisola das quinas”, estrear-se-ia pela mão de Juca, a 05 de Maio de 1982. Depois desse “amigável” frente ao Brasil, seguir-se-iam no seu trajecto mais 1 internacionalização “A” e 4 partidas com as cores do conjunto olímpico.
Depois de terminada a experiência no Algarve, seguir-se-ia a passagem de uma temporada pelo Vitória Sport Clube. Em Guimarães, ao partilhar o balneário de 1983/84,encontrar-se-ia com o seu irmão Alfredo. Outro dos destaques dessa campanha acabaria por ser a sua participação, como estreante nas provas europeias, na Taça UEFA. Contudo, apesar de utilizado com boa frequência, a verdade é que, finda a temporada, Murça transferir-se-ia para o Belenenses.
No regresso a Lisboa, o atleta encontrar-se-ia com Jimmy Melia. Com o técnico inglês a escaloná-lo, preferencialmente, para o sector mais recuado, o jogador continuaria a manter-se relevante no desenho táctico do conjunto do Restelo. Tido pelos treinadores seguintes como um elemento igualmente preponderante, a maior prova dessa importância emergiria com a chegada dos “Azuis” ao derradeiro desafio da edição de 1985/86 da Taça de Portugal. Na final frente ao Benfica, seria chamado pelo belga Henri Depireux ao “onze” inicial. Contudo, a alegria de participar em tão importante jogo seria diluída pelo 2-0 final, a indicar a vitória das “Águias”.
Às 4 temporadas com a “Cruz de Cristo” ao peito, já nos patamares inferiores, suceder-se-iam a época no Gil Vicente o derradeiro capítulo enquanto jogador, com a camisola de 1989/90 do Loures. Porém, o “pendurar das chuteiras” não significaria o afastamento da modalidade. Como técnico, destaque para o seu regresso ao Belenenses no começo da década de 1990 e para o trabalho realizado como treinador de guarda-redes.

1248 - SÉRGIO

Com a estreia como sénior a acontecer na temporada de 1978/79 ao serviço do Atlético Clube Marinhense, Luís Manuel David Sérgio ainda demoraria alguns anos para atingir o patamar maior do futebol português. Ao continuar na disputa da 2ª divisão, depois da campanha passada com o listado branco e negro dos “Vidreiros”, surgiria na sua curta carreira o Grupo de Desportivo de Bragança. No nordeste transmontano, longe dos principais holofotes do desporto luso, o defesa conseguiria destacar-se o suficiente para merecer a atenção de colectividades com objectivos mais ambiciosos.
O passo seguinte dá-lo-ia ao serviço do Rio Ave e com o emblema vilacondense a abrir-lhe as portas do escalão máximo. Com Mourinho Félix como o técnico responsável pela sua estreia na 1ª divisão, a temporada de 1981/82 correria de feição para o atleta. Ao granjear da preferência do aludido treinador, a falta de experiência ao mais alto nível não impediria Sérgio de conquistar um lugar no “onze”. Como um dos titulares na maioria das pelejas agendadas, destacando-se na direita do sector mais recuado, também seria dele a responsabilidade pelo honroso 5º lugar no Campeonato Nacional, que, a par da época 2017/18, ficaria registado como a melhor classificação de sempre do clube.
Na senda de episódios memoráveis, é impossível esquecer a campanha de 1983/84 e a excelsa prestação do emblema nortenho na Taça de Portugal. Depois de, nas eliminatórias precedentes, o Rio Ave afastar, a exemplo, o Vitória Sport Clube ou o Estoril Praia, calharia em sorte que, na final, tivessem de defrontar o FC Porto. Na partida agendada para o Estádio Nacional, Sérgio seria um dos escolhidos para integrar o alinhamento inicial. Infelizmente para si e para os seus colegas, o desenrolar dos 90 minutos da derradeira partida da apelidada “Prova Rainha”, traria a derrota para os de Vila de Conde e seriam os “Dragões”, após o apito final, a deixar o Jamor na posse do almejado troféu.
Ao manter-se, nas épocas seguintes, como elemento do plantel do Rio Ave, Sérgio passaria a ser visto como uma das grandes figuras do clube e, hoje em dia, é também tido como um dos históricos da colectividade. Claro está que nem só bons momentos ergueriam essa experiência com os “Rioavistas”. Nas 6 temporadas com a “caravela” ao peito, o lateral-direito acabaria também por provar o sabor amargo da descida. No entanto, a passagem pelo escalão secundário na temporada de 1985/86, rapidamente seria esquecida com a promoção alcançada no final da campanha. Para o defesa, a subida representaria o regresso ao convívio com os “grandes”, mas, por outro lado, revelaria a derradeira campanha passada com o emblema mais representativo da sua carreira de futebolista.
O verão de 1987 daria a Sérgio “Cafeteira”, alcunha cuja origem desconheço, outro rumo à caminhada profissional. Com o fim da ligação ao Rio Ave, o atleta com o registo da naturalidade a indicar-nos a vila de Sintra, tomaria a decisão de rubricar um vínculo contratual com a União de Leiria. Já numa fase descendente do percurso competitivo, as mudanças de emblema suceder-se-iam e o defesa, após passar a campanha de 1987/88 na “Cidade do Lis”, vestiria ainda a camisola do Beira-Mar, para, em 1990 e depois de representar o Feirense, dar por terminada a carreira.

1241 - JOÃO CAVALEIRO

Ao terminar a formação nas “escolas” do Académico de Viseu, seria no mesmo emblema que João Cavaleiro faria a transição para o escalão sénior. Com 17 anos de idade, a primeira partida no conjunto principal viseense, no decorrer da temporada de 1974/75, transformaria o avançado no 3º jogador mais novo de sempre a estrear-se pela equipa da Beira Alta. Para além desse facto, a sua ligação à colectividade teria muitos mais episódios. Ainda como atleta, na campanha de 1975/76, e como um dos principais elementos do grupo de trabalho, os seus golos ajudariam à promoção à 2ª divisão. Já a época seguinte, sob a orientação da glória leonina Osvaldo Siva, traduzir-se-ia na última partida, enquanto futebolista, efectuada com a camisola da agremiação beirã.
A transferência para a União de Leiria no preparar da temporada de 1977/78, serviria para sublinhar as suas qualidades ofensivas e, nesse sentido, para empurrar o atacante até ao patamar máximo do futebol português. A aposta da Académica de Coimbra na sua contratação, onde, no sector mais ofensivo, pontuavam nomes como Freitas, Aquiles, Nicolau ou o brasileiro Eldon, levá-lo-ia, sob a batuta do treinador Juca, à estreia na 1ª divisão. Sem nunca conseguir segurar um lugar no “onze” titular da “Briosa”, ainda assim o avançado entraria em campo um número de vezes suficiente para manter o seu lugar no plantel. Infelizmente, para si e para os seus colegas, essa continuidade, após o 15º lugar na tabela classificativa de 1978/79, significaria o regresso ao degrau secundário.
O afastamento do patamar maior prolongar-se-ia, na sua carreira, por diversos anos. Após mais uma campanha ao serviço dos “Estudantes”, a mudança para os rivais do União de Coimbra levá-lo-ia a abraçar um dos emblemas mais representativos da sua caminhada competitiva. Na equipa a disputar os embates caseiros no Campo da Arregaça, João Cavaleiro passaria 5 épocas. Durante essas temporadas, ajudaria a colectividade a vencer a edição de 1980/81 do Campeonato Nacional da 3ª divisão e, muito à custa de várias dezenas de bolas introduzidas nas redes adversárias, transformar-se-ia numa das figuras icónicas da história da agremiação conimbricense.
Com Vítor Urbano, seu antigo colega no União de Coimbra, como adjunto de José Domingos no Beira-Mar, João Cavaleiro, para a campanha de 1985/86, acrescentaria ao currículo uma nova camisola. No conjunto de Aveiro passaria apenas uma temporada, a mesma que anteciparia a sua chegada ao Sporting da Covilhã. Nos “Leões da Serra”, após a conquista do Campeonato da 2ª divisão de 1986/87, o atacante voltaria a disputar o escalão máximo. Logo a seguir, naquele que viria a desenrolar-se como o derradeiro capítulo do seu trajecto enquanto futebolista, viria ainda a passagem pelo Salgueiros de 1988/89 e o reencontro com Vieira Nunes, um dos seus treinadores no emblema “serrano”.
Também como técnico, João Cavaleiro erigiria uma carreira louvável. Na caminhada como treinador-principal, para além de passagem por outros emblemas como o Tondela, Moreirense ou Sanjoanense, seria à frente de conjuntos que já tinha representado como atleta que o antigo avançado conseguiria maior destaque. No Académico de Viseu, com presença em 6 temporadas, transformar-se-ia no homem que mais vezes, na história do clube, orientaria o plantel sénior. Finalmente, e de volta ao Sporting da Covilhã, a distinção chegaria com a conquista, em 2001/02, do Campeonato Nacional da 2ª divisão “B”.

1181 - JOAQUIM ROCHA

Nascido em Castelo de Paiva, ainda em criança, acompanharia a família na mudança para o Brasil. No novo país, onde os pais passariam a depositar a esperança por uma vida com melhores condições, Joaquim Rocha alimentaria a sua paixão pelo futebol. Superaria, com boa avaliação, os desafios lançados aos diferentes patamares do seu percurso formativo. Já no início da década de 70, fruto das boas qualidades entretanto desenvolvidas, seria no histórico Corinthians que o avançado daria os primeiros passos no patamar sénior. A chegada ao contexto profissional no emblema paulista, levá-lo-ia, não muito tempo depois, a equacionar um convite vindo da Europa. Tido como um elemento que, apesar de não exibir um físico impressionante, era habilidoso com a bola nos pés, seria o repto lançado pelo Sporting a sustentar o seu regresso a Portugal.
Com a entrada em Alvalade a ocorrer na época de 1971/72, Joaquim Rocha integrar-se-ia num balneário que, para só o sector mais ofensivo, contava com Lourenço, Marinho, Dinis, Chico Faria e, principalmente, com o argentino Hector Yazalde. Tão forte concorrência, faria com que, na campanha de chegada e também nos anos vindouros, poucas fossem as oportunidades conquistadas pelo atacante. Mesmo pouco utilizado, a habilidade que demonstrava ditaria, por mais alguns anos, a sua continuidade de “Leão” ao peito. Durante essas 4 temporadas, destaque para a de 1973/74 e para o enriquecimento do seu palmarés, com as vitórias no Campeonato Nacional e na Taça de Portugal.
Seguir-se-ia na sua caminhada competitiva, a Académica de Coimbra. Na “Cidade dos Estudantes”, Joaquim Rocha, finalmente teria a ocasião para provar a qualidade do seu futebol. Para além de uma técnica bem acima da média, o atleta, resultado de um bom entendimento do jogo, também demonstraria ser exímio nas movimentações. Tais predicados, levá-lo-iam a assumir-se como um elemento de enorme importância e, a partir da segunda campanha com as cores da “Briosa”, como um dos nomes imprescindíveis no alinhar da equipa inicial.
Curiosamente, quando o avançado, para além de titular, era também um dos principais goleadores da equipa, o término da campanha de 1977/78 ditaria o fim da ligação do jogador com o conjunto beirão. No Académico de Viseu daria continuidade ao seu trajecto primodivisionário e depois da experiência na referida agremiação, seria o Vitória de Guimarães a dar novo tónico à carreira do atacante. No Minho, como um dos principais elementos do colectivo, ajudaria às boas classificações no Campeonato Nacional, contribuindo, com a sua constância exibicional, para o 4º lugar na tabela classificativa de 1981/82 e para o consequente apuramento do clube para a Taça UEFA disputada no ano seguinte.
O Penafiel e a temporada de 1983/84, com Joaquim Rocha a participar em todas as jornadas do Campeonato, marcariam, depois de 13 campanhas na 1ª divisão, o adeus do avançado ao escalão máximo português. Seguir-se-iam, sempre nos patamares secundários, as passagens por diversos emblemas e o final da carreira enquanto futebolista, já em 1988, com as cores do Torralta. Depois de “pendurar as chuteiras”, manteria a residência no Algarve e, ao mesmo tento que exercia funções na área da hotelaria, continuaria a alimentar a paixão pelo futebol. Durante vários treinaria equipas dos “regionais”, tendo, posteriormente, trabalhado como adjunto do Esperança de Lagos.

1158 - TIBI

Jogava ainda como juvenil quando António Teixeira, treinador da equipa principal do Leixões, haveria de aferir as suas qualidades como suficientes para integrar o plantel sénior do conjunto de Matosinhos. Sem nunca passar pelos juniores, o salto dado na temporada de 1969/70 daria a Tibi a oportunidade de também fazer a sua estreia na 1ª divisão. Mesmo ao aparecer pouco em campo, essa campanha como que serviria de rampa para os anos seguintes. Já a titular, as suas habilidades chamariam a atenção dos responsáveis técnicos de vários emblemas de monta. Com o Benfica também na corrida pelo guardião, recairia sobre o FC Porto a sua preferência e acordado o montante, que viria a tornar-se num recorde português para a transferência de um atleta da sua posição, a mudança para as Antas consumar-se-ia com o arranque da época de 1972/73.
Por razão da chamada ao serviço militar, a primeira temporada de “dragão” ao peito seria um pouco discreta. No entanto, as campanhas seguintes mostrariam um jogador altamente preparado para os desafios maiores das competições internas e provas além-fronteiras. Com o crescer da sua popularidade, Tibi, que, por altura do Leixões, já tinha sido chamado a vestir a camisola das jovens selecções nacionais, acabaria convocado ao principal conjunto de Portugal. Listado por José Maria Pedroto para um “particular” frente à Suíça, o guarda-redes entraria ao intervalo para o lugar de Vítor Damas e, com tal substituição, faria do 13 de Novembro de 1974 a data da sua primeira internacionalização A.
Com a carreira bem vincada pelas temporadas feitas ao serviço do FC Porto, Tibi, pelo meio desses 8 anos e meio, ainda representaria, por “empréstimo” dos “Azuis e Brancos”, Varzim e Famalicão. Com os poveiros, faria uma época excepcional. Mais uma vez orientado pelo técnico António Teixeira, ajudaria o grupo, na campanha de 1977/78, a alcançar o 6º posto da tabela classificativa e, com tal registo, a talhar a melhor prestação de sempre na história primodivisionária do clube.
Já no Minho, sempre a disputar o escalão máximo, as suas exibições, apesar de louváveis, seriam insuficientes para concretizar os objectivos do colectivo. Todavia, e mesmo com a despromoção, o guardião conseguiria assegurar o regresso à “casa-mãe”. Curiosamente, pois não haveria de adicionar ao seu currículo qualquer título de campeão nacional, nas duas épocas da sua ausência, os “Dragões” conseguiriam vencer por duas vezes o Campeonato Nacional. Ainda assim, ficaria registado no palmarés do guardião a vitória na Taça de Portugal de 1976/77.
Com a saída das Antas a meio da temporada de 1982/83, Tibi, por alguns meses, regressaria ao Leixões. Seguir-se-ia o Recreio de Águeda na época precedente, numa campanha em que coincidiriam a sua derradeira temporada na 1ª divisão e a estreia do emblema do Distrito de Aveiro no escalão máximo. Depois, numa fase marcadamente descendente do percurso competitivo do guardião, Mangualde, Sporting de Espinho, Maia e o Vila Nova de Foz Côa acabariam por fazer o remate de uma caminhada que terminaria no final da década de 80.

1149 - MELO

Ao terminar a formação no União de Coimbra, seria também no emblema beirão que Joaquim Melo teria a oportunidade de iniciar-se como praticante sénior. Com os primeiros passos a dá-los na temporada de 1967/68, o jovem guardião, nas épocas seguintes, tornar-se-ia num dos suportes das subidas do clube desde a 3ª divisão até ao patamar máximo. Nesse sentido, para a colectividade conimbricense e para o atleta, a campanha de 1972/73 inscrever-se-ia como memorável e permitiria a estreia do conjunto e do futebolista no escalão maior.
Seria a referida última temporada que, com a titularidade de Melo a revelar boas exibições, permitiria um novo salto na sua carreira. Surgiria, então, o convite do Belenenses. A mudança para Lisboa, embora com uma temporada inicial em que não jogaria, confirmaria, nas campanhas subsequentes, um futebolista de cariz primodivisionário. Durante essa passagem de 4 anos pelo Restelo, o guardião acabaria convocado aos trabalhos da selecção nacional. Infelizmente, tal como já tinha acontecido nas chamadas ao escalão de juniores, o jogador não conseguiria estrear-se pela principal “equipa das quinas” e, no currículo, nunca veria inscrita a tão almejada internacionalização “A”.
Em relação às cores nacionais, Melo viria a ter a oportunidade de entrar em campo com a camisola lusa. Tal episódio aconteceria já o guarda-redes fazia parte do plantel do Vitória Sport Clube. Ao mudar-se para Guimarães na temporada de 1977/78, o jogador daria seguimento ao bom trabalho realizado pelo Belenenses. Como titular do emblema minhoto, a presença regular no “onze” levá-lo-ia a ser chamado, em Março de 1978, à equipa “b” de Portugal. No Estádio José de Alvalade, frente à congénere gaulesa, a sua presença entre os postes serviria para selar o “placard” em 1-1.
Com a chegada de Vítor Damas à “Cidade Berço”, o guarda-redes acabaria por perder a preponderância conquistada nos dois primeiros anos. Curiosamente, depois dessa campanha de 1980/81, em que pouco jogaria, os responsáveis pelo Sporting decidiriam apostar na sua presença no plantel para fazer concorrência a Meszaros e, um par de temporadas mais tarde, ao também internacional húngaro, Béla Katzirz. Com tão forte competição por um lugar à baliza, que também incluiria Delgado e Sérgio, Melo poucas oportunidades conseguiria para sublinhar o valor demonstrado em épocas anteriores. Ainda assim, a experiência em Alvalade valeria pelo enriquecimento do seu palmarés e a conquista do Campeonato Nacional de 1981/82 passaria a colorir a carreira do jogador.
Onde voltaria a vencer um troféu seria no Estrela da Amadora. Depois de um regresso ao Belenenses e de uma curta passagem pelo União da Madeira, a entrada no emblema da Linha de Sintra permitir-lhe-ia enriquecer a caminhada desportiva e entrar na história da colectividade. Na Reboleira a partir de 1986/87, a temporada seguinte à da sua chegada terminaria com os “Tricolores” a assegurar a subida, a primeira na existência do clube, ao escalão máximo do futebol luso. Já em 1989/90, ajudaria o conjunto a chegar ao derradeiro desafio da Taça de Portugal. No Estádio do Jamor, na final e na finalíssima, seria chamado pelo treinador João Alves para a “linha da frente” na peleja contra o Farense. A vitória por 2-0, conseguida no segundo encontro, permitiria ao atleta adicionar a conquista da “Prova Rainha” a uma caminhada desportiva bem rica.
Com o encerrar da temporada de 1990/91, e com o jogador a contar 41 anos de idade, dar-se-ia o final da sua carreira que, sem ter conseguido aferir a época em que tal aconteceu, também teria uma passagem pelos canadianos do First Portuguese. De seguida, dedicar-se-ia aos negócios e a uma loja consagrada à venda de artigos desportivos. Em paralelo, numa actividade em que ficaria sobejamente conhecido, começaria a comentar partidas de futebol na rádio e, hoje em dia, é uma presença assídua nos programas da Sporting TV.

1138 - CARLOS GARCIA


Com um percurso bem vincado pelas escolas do Sporting de Braga, seria ainda no último ano de júnior que Carlos Garcia seria puxado aos trabalhos da equipa principal. Todavia, mesmo com a chamada nessa campanha de 1968/69, a sua estreia em campo só aconteceria na época seguinte. Nesse sentido, a época de 1969/70, pela mão do treinador e ex-bicampeão europeu Costa Pereira, marcaria não só a estreia do médio no conjunto sénior bracarense, mas também os primeiros passos do jovem atleta na 1ª divisão.
Infelizmente, resultado de uma campanha muito atribulada para a agremiação minhota, a despromoção no final da temporada de 1969/70 iria, durante alguns anos, interromper a caminhada do jogador no patamar máximo. O regresso dar-se-ia em 1975/76 e numa altura em que Carlos Garcia já havia assumido um papel fulcral no miolo dos “Guerreiros”. Curiosamente, depois desse retorno, onde manteria a titularidade, os anos seguintes revelariam um jogador com exibições mais discretas. Com a diminuição da sua preponderância e com o decréscimo de partidas disputadas a revelar-se como o principal sintoma dessa perda, ainda assim o centrocampista ajudaria à edificação de vários marcos na história do Sporting de Braga. Depois do contributo para a chegada dos “Arsenalistas” à final da Taça de Portugal de 1976/77, seguir-se-ia, ainda na mesma época, a presença no derradeiro jogo da Taça da Federação Portuguesa de Futebol e o golo por si concretizado que, frente ao Estoril Praia, selaria a vitória na única edição da prova.
Os anos seguintes trariam ao currículo do jogador a estreia nas provas europeias, mais concretamente na Taça UEFA de 1978/79. Já a época subsequente tornar-se-ia, na ligação como atleta, na última ao serviço do Sporting de Braga. De seguida, assinaria contrato com o Penafiel e, sem nunca deixar a 1ª divisão, teria ainda uma curta passagem pelo Rio Ave de 1982/83. No entanto, o fim da carreira enquanto praticante não determinaria o seu afastamento do futebol.
Ao “pendurar as chuteiras” depois de envergar as cores dos vilacondenses e já com uma experiência, como treinador-jogador, no emblema penafidelense, Carlos Garcia passaria a dedicar-se, em exclusivo, às tarefas de técnico. Nas novas funções a sua caminhada continuaria como adjunto do Sporting de Braga. Já como treinador-principal, o Sporting de Espinho e, mais uma vez, o emblema minhoto dar-lhe-iam, na transição da década de 80 para a de 90, a oportunidade para orientar equipas na 1ª divisão. Daí em diante, a sua carreira pautar-se-ia por clubes dos escalões secundários. Nessa senda de largos anos há nomear também as suas passagens pelo Desportivo de Chaves, Moreirense, Académica, Leça, Desportivo das Aves, Vizela ou Feirense.
 
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