1439 - FALÉ


Um ano antes de, em definitivo, mudar a sua morada para a cidade Évora, já Carlos Falé havia prestado provas com as cores do Juventude. Por falta de consentimento dos pais, o jovem praticante acabaria por regressar à sua terra natal e aos desafios agendados para o Redondense. No entanto, a qualidade dos índices exibicionais apresentados em todos os desafios faria com que outro emblema alentejano voltasse à carga e, já convencidos os progenitores da oportunidade oferecida ao filho, seria obtida a permissão para que o jogador fosse transferido para o Lusitano Ginásio Clube.
Ao entrar no novo emblema na temporada de 1951/52, Falé seria inicialmente integrado na equipa de juniores. Visto como uma grande promessa, o jovem atleta poucas partidas faria como elemento das camadas de formação do conjunto eborense. Depois dessa breve passagem, o jogador seria rapidamente promovido às “reservas” para, pouco tempo depois e ainda no decorrer da época da sua chegada, passar a jogar na categoria principal. Já a partilhar o balneário com os principais nomes da colectividade, casos de Dinis Vital, José Valle, Di Paola, Polido ou Flora, o jogador faria parte do grupo de trabalho que, sob a alçada do técnico argentino Anselmo Pisa, levaria o Lusitano de Évora, pela primeira vez na história, à 1ª divisão. Ainda assim, mesmo vendo reconhecidas as suas habilidades para jogar na defesa ou no sector intermediário, só alguns anos depois da estreia é que conseguiria assumir-se como um elemento fulcral no desenho táctico da agremiação alentejana. A mudança de paradigma aconteceria com o encetar da campanha de 1955/56 e já como uma aposta do treinador Severiano Correia.
Daí em diante, Falé, muito mais do que aferido como uma das principais figuras do emblema eborense, passaria a ser tido como um dos grandes nomes do futebol português. Nesse sentido, começaria a ser cobiçado por colectividades de outra monta, nomeadamente o Sporting. Curiosamente, a relação do jogador com os “Leões” havia sido iniciada algum tempo antes e por razão de uma grave lesão. Operado e tendo a recuperação ocorrido sob a supervisão dos responsáveis médicos do emblema lisboeta, o futebolista, como forma de agradecimento, acabaria por vestir o listado leonino, num gesto habitual para altura, por ocasião da inauguração do Estádio de Alvalade. Porém, mesmo tendo em conta as boas relações de ambos os clubes, os directores da colectividade alentejana não aceitariam a proposta vinda da capital e o jogador, com a transferência declinada, manter-se-ia com as cores dos “Geraldos”.
Outra prova da sua qualidade emergiria com as chamadas à selecção militar. Ao lado de estrelas como Coluna, Manuel Oliveira, Rocha, Galaz ou os seus colegas de equipa Vital e José Pedro, o atleta defrontaria países como a França, a Turquia, os Países Baixos ou o Egipto. Ainda assim, os maiores destaques da sua carreira ficariam indubitavelmente associados aos 16 anos passados com o Lusitano de Évora. Durante esse extenso período, há que sublinhar as 14 temporadas consecutivas que passaria entre os “grandes”. Nesse contexto competitivo, temos igualmente as 271 partidas disputadas na 1ª divisão e que fariam dele, ainda hoje o fazem, o 3º jogador com mais jornadas cumpridas pelo emblema alentejano, no patamar maior do futebol luso.
Já a terminar a carreira, Falé ainda aceitaria o convite do Grupo União Sport. Depois de 3 temporadas a actuar no emblema de Montemor-o-Novo, o jogador decidiria “pendurar as chuteiras”. Contudo, não abandonaria a modalidade e, já como treinador, orientaria as equipas de juniores do Lusitano de Évora e os seniores do Calipolense
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