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1562 - EMÍDIO URIA


Até aí com a totalidade da carreira cumprida ao serviço do Estoril Praia, Emídio Simões Uria seria apresentado como reforço do GD CUF para a temporada de 1958/59. Orientado, na referida campanha, por Cândido Tavares, logo o extremo conseguiria fixar-se no plantel da colectividade barreirense como uma das figuras mais sonantes. Ao manter-se como um dos atletas utilizados com maior frequência ao longo dos anos vindouros, o jogador obrigatoriamente viria a participar em diversos episódios de inolvidável importância. Nesse rol e no que diz respeito às provas de índole nacional, o grande destaque emergiria com a brilhante campanha de 1964/65. Numa equipa comandada tecnicamente por Manuel de Oliveira e composta por nomes como Mário João, Arnaldo, José Ferreira Pinto ou Abalroado, o emblema “fabril” chegaria ao pódio do Campeonato Nacional e, ao ficar atrás apenas do Benfica e do FC Porto, alcançaria o 3º posto da tabela classificativa.
Consequência do brilharete relatado no final do parágrafo anterior, surgiria a participação na Taça das Cidades com Feira e outro embate de referência histórica. Na prova de cariz continental, à CUF calharia em sorte o AC Milan. Porém, para o todo-poderoso emblema italiano, a eliminatória seria bem mais difícil de resolver do que à partida todos adivinhariam. Na 1ª mão, chamado pelo treinador Anselmo Fernandez à peleja caseira, Emídio Uria, a exibir-se no recém-estreado Estádio Alfredo da Silva, daria um enorme contributo para a vitória por 2-0. Já em Milão, ao conjunto de Trappatoni, Rivera entre outros, não seria suficiente apenas um jogo para recuperar da derrota infligida em Portugal. Com o extremo, mais uma vez a ser chamado à peleja em ambas as partidas, só no “match” de desempate é que o conjunto luso viria a claudicar, permitindo aos “Rossoneri” avançar na competição.
Anos antes, já Emídio Uria tinha sido premiado pelas boas exibições conseguidas ao serviço da CUF. Esse reconhecimento surgiria sob a forma de uma chamada aos compromissos agendados pela Federação Portuguesa de Futebol. Envolvido nos trabalhos da equipa “B”, o extremo, a 8 de Dezembro de 1960, seria incluído num “onze” a compreender também José Rita, Morato, Hilário, Mário Lino, Neto, Vicente, Carlos Duarte, Iaúca, Jorge Humberto e Rocha. No meio de tantas estrelas do desporto luso, a partida frente à França daria a oportunidade ao atacante para envergar a “camisola das quinas”. Participaria então na acção desenrolada no Estádio Nacional do Jamor e ao contribuir para o empate a 2 bolas, o atleta conseguiria adicionar ao currículo pessoal 1 internacionalização com as cores de Portugal.
No que diz respeito à senda cumprida com a CUF, Emídio Uria completaria 9 temporadas no emblema do Barreiro. No somatório de tais campanhas, só na prova de maior expressão no calendário português de futebol, o Campeonato Nacional, entraria no rectângulo de jogo em 176 ocasiões. Tal registo dar-lhe-ia o 10º lugar nos jogadores do emblema fabril com mais jornadas disputadas na 1ª divisão. Porém, a longa ligação ao clube viria a findar com o termo das provas agendadas para a temporada de 1966/67. De seguida, mesmo ao não conseguir descobrir qualquer registo da sua actividade competitiva durante alguns anos, encontrei uma referência à sua participação na edição de 1969 da canadiana National Soccer League, ao serviço do First Portuguese e ao lado de Iaúca e de Matateu.

1512 - PERDIGÃO


Descoberto no Desportivo de Lourenço Marques, Fernando Perdigão, à chegada à “Cidade Invicta” seria inscrito, paralelamente, na equipa de futebol e no atletismo. Nas pistas, em Agosto de 1952, sagrar-se-ia campeão português do salto em altura, quebraria o recorde luso da disciplina e ajudaria o FC Porto a vencer, por equipas, o Campeonato Nacional. Já no rectângulo de jogo, a situação seria bastante diferente. Mesmo tendo conseguido, pela mão de Cândido de Oliveira, estrear-se no conjunto principal “Azul e Branco”, a temporada de 1952/53 seria ingrata para o avançado. Com Monteiro da Costa e Carlos Duarte à frente nas escolhas para o “onze”, o extremo pouco participaria nas provas agendadas para a referida campanha e ainda demorariam alguns anos para ser tido como um elemento essencial no sistema táctico dos “Dragões”.
A mudança de paradigma aconteceria na época de 1955/56. Ao posicionar-se como interior, o jogador passaria a ser uma das peças fundamentais para Dorival Yustrich. Nesse ano, como titular do FC Porto, o atleta tornar-se-ia de fulcral importância para as vitórias colectivas e um dos principais nomes na primeira “dobradinha” da história portista. Também nesse ano, resultado das boas exibições, Perdigão faria a estreia com a “camisola das quinas”. O jogo, no contexto das pelejas pensadas para a equipa “B”, decorreria a 18 de Dezembro de 1955. Depois dessa partida frente à Suíça, o atacante, dessa feita ao serviço do conjunto principal, ainda teria a oportunidade para voltar a representar Portugal. Chamado por Tavares Silva a uma das rondas correspondentes à Fase de Apuramento para o Mundial de 1958, o atacante, num encontro com a Irlanda do Norte disputado a 16 de Janeiro de 1957, conseguiria para o seu currículo 1 internacionalização “A”.
Indubitavelmente, a segunda metade da década de 1950 transformar-se-ia na fase mais prodigiosa da sua carreira enquanto futebolista. Impossível de desassociar o sucesso pessoal aos êxitos do grupo de trabalho “azul e branco”, o atacante, a par de nomes como Pedroto, Hernâni, Jaburú, Miguel Arcanjo, Teixeira, Virgílio, Osvaldo Cambalacho e outros já acima mencionados, ajudaria a construir uma das fases mais importantes na história do clube. Para além dos títulos aludidos no parágrafo anterior, há ainda a registar as vitórias na Taça de Portugal de 1957/58 e no Campeonato Nacional do ano seguinte. Impossível de esquecer seria igualmente a estreia do FC Porto nas provas clubísticas organizadas pela UEFA. Com a agremiação portuense a estrear-se nas competições de índole continental, o avançado seria um dos elementos a participar, numa ronda com o Athletic Bilbao, na 1ª eliminatória da edição de 1956/57 da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Chamado à contenda pelo brasileiro Flávio Costa, o jogador participaria na mão caseira, como na volta jogada no Estádio San Mamés. Os encontros frente aos bascos, apesar do afastamento do colectivo luso, serviriam para sublinhar Perdigão como um craque e um dos nomes míticos na longa narrativa dos “Dragões”.
Com o fim do contrato com o FC Porto a acontecer com o termo da temporada de 1963/64, Perdigão regressaria ao país natal. Voltaria a representar o Desportivo de Lourenço Marques, onde venceria os Campeonatos provinciais de 1964 e de 1966. Mormente como treinador-jogador, o avançado ainda estaria ligado às selecções de Lourenço Marques e de Moçambique, bem como ao Malhangalene e ao Clube Desportivo Indo-Português. Já no rescaldo do 25 de Abril de 1974, o antigo jogador voltaria a Portugal, instalar-se-ia em Aveiro e chegaria a treinar o Anadia.

1470 - SERRA


Com um percurso futebolístico encetado no plantel de 1952/53 do Atlético do Cacém e, na campanha seguinte, feito com as cores do Oriental, seria do emblema de Marvila que Manuel Serra partiria em direcção ao Benfica de 1954/55. Inicialmente integrado na equipa de juniores, o jovem praticante, logo na época de chegada aos “Encarnados”, passaria também a representar as “reservas”. A evoluir positivamente, já na campanha de 1956/57 seria chamado, por Otto Glória, aos trabalhos do conjunto principal. Ao assumir-se como um elemento importante para o plantel, aos poucos começaria a conquistar o seu espaço e a época de 1958/59 marcaria um ponto de viragem na sua afirmação. Caracterizado pela polivalência, pela qual, com resultados igualmente seguros, podia actuar em diversas posições da defesa e do meio-campo, Serra transformar-se-ia num dos pilares dos sucessos das “Águias”. Nesse sentido e no que a títulos diz respeito, o atleta, no âmbito das pelejas lusas, contribuiria para os triunfos em 3 Campeonatos Nacionais e em 3 Taças de Portugal. Obviamente, ainda no campo das conquistas, o destaque maior emergiria com a sua presença nas lides sob a alçada da UEFA. Na senda daquela que viria a tornar-se na primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus a pertencer aos escaparates do Benfica, o jogador faria praticamente todo o percurso como titular. No entanto, uma terrível lesão na clavícula retirá-lo-ia das últimas etapas, inclusivamente da final ganha frente ao FC Barcelona. No ano seguinte, ao partilhar durante a época o lugar de defesa-direito com Mário João, Serra, mais uma vez, veria o seu nome a ser preterido, nas escolhas de Béla Guttmann, para o derradeiro desafio da competição. Ainda assim, mesmo não tendo alinhado em nenhuma das finais, fazem parte do seu currículo as vitórias nas edições de 1960/61 e 1961/62 daquela que é a prova de maior gabarito a nível mundial. O sucesso conquistado a nível do clube empurrá-lo-ia para os trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. Com a estreia a acontecer, sob a intendência de Ferreirinha, no campo de acção da equipa de “esperanças”, sensivelmente um ano após esse jogo disputado frente à África do Sul, Manuel Serra veria o seu nome incluído no rol de estrelas a participar num particular agendado frente à França. Nessa partida disputada, a 11 de Novembro de 1959, no Stade Olympique Yves-du-Manoir, o atleta, pela mão de José Maria Antunes e ao lado dos tarimbados Matateu, José Águas e Mário Coluna, alcançaria a sua primeira e única internacionalização “A”. Já nos últimos anos a exibir a camisola do Benfica, Serra perderia alguma da preponderância desportiva de anos anteriores. Porém, mesmo não sendo um dos titulares, a hombridade a representar as “Águias”, levá-lo-ia a ser visto com inegável importância e, nesse sentido, como melhor prémio para a sua nobreza de carácter, ser-lhe-ia entregue a responsabilidade de envergar a braçadeira de capitão. Relevantes seriam igualmente os números da sua experiência ao serviço dos “Encarnados”, os quais, em 9 temporadas passadas na colectividade lisboeta, revelariam um somatório de 146 partidas cumpridas pela equipa principal. Finalmente, falta revelar o percurso feito pelo jogador após a saída do Estádio da Luz e que englobaria as passagens pelo plantel de 1963/64 do Vianense, pelo Sporting da Covilhã de 1964/65 e, como termo da carreira enquanto futebolista, o regresso, na época de 1965/66, ao Atlético do Cacém.

1439 - FALÉ


Um ano antes de, em definitivo, mudar a sua morada para a cidade Évora, já Carlos Falé havia prestado provas com as cores do Juventude. Por falta de consentimento dos pais, o jovem praticante acabaria por regressar à sua terra natal e aos desafios agendados para o Redondense. No entanto, a qualidade dos índices exibicionais apresentados em todos os desafios faria com que outro emblema alentejano voltasse à carga e, já convencidos os progenitores da oportunidade oferecida ao filho, seria obtida a permissão para que o jogador fosse transferido para o Lusitano Ginásio Clube.
Ao entrar no novo emblema na temporada de 1951/52, Falé seria inicialmente integrado na equipa de juniores. Visto como uma grande promessa, o jovem atleta poucas partidas faria como elemento das camadas de formação do conjunto eborense. Depois dessa breve passagem, o jogador seria rapidamente promovido às “reservas” para, pouco tempo depois e ainda no decorrer da época da sua chegada, passar a jogar na categoria principal. Já a partilhar o balneário com os principais nomes da colectividade, casos de Dinis Vital, José Valle, Di Paola, Polido ou Flora, o jogador faria parte do grupo de trabalho que, sob a alçada do técnico argentino Anselmo Pisa, levaria o Lusitano de Évora, pela primeira vez na história, à 1ª divisão. Ainda assim, mesmo vendo reconhecidas as suas habilidades para jogar na defesa ou no sector intermediário, só alguns anos depois da estreia é que conseguiria assumir-se como um elemento fulcral no desenho táctico da agremiação alentejana. A mudança de paradigma aconteceria com o encetar da campanha de 1955/56 e já como uma aposta do treinador Severiano Correia.
Daí em diante, Falé, muito mais do que aferido como uma das principais figuras do emblema eborense, passaria a ser tido como um dos grandes nomes do futebol português. Nesse sentido, começaria a ser cobiçado por colectividades de outra monta, nomeadamente o Sporting. Curiosamente, a relação do jogador com os “Leões” havia sido iniciada algum tempo antes e por razão de uma grave lesão. Operado e tendo a recuperação ocorrido sob a supervisão dos responsáveis médicos do emblema lisboeta, o futebolista, como forma de agradecimento, acabaria por vestir o listado leonino, num gesto habitual para altura, por ocasião da inauguração do Estádio de Alvalade. Porém, mesmo tendo em conta as boas relações de ambos os clubes, os directores da colectividade alentejana não aceitariam a proposta vinda da capital e o jogador, com a transferência declinada, manter-se-ia com as cores dos “Geraldos”.
Outra prova da sua qualidade emergiria com as chamadas à selecção militar. Ao lado de estrelas como Coluna, Manuel de Oliveira, Rocha, Galaz ou os seus colegas de equipa Vital e José Pedro, o atleta defrontaria países como a França, a Turquia, os Países Baixos ou o Egipto. Ainda assim, os maiores destaques da sua carreira ficariam indubitavelmente associados aos 16 anos passados com o Lusitano de Évora. Durante esse extenso período, há que sublinhar as 14 temporadas consecutivas que passaria entre os “grandes”. Nesse contexto competitivo, temos igualmente as 271 partidas disputadas na 1ª divisão e que fariam dele, ainda hoje o fazem, o 3º jogador com mais jornadas cumpridas pelo emblema alentejano, no patamar maior do futebol luso.
Já a terminar a carreira, Falé ainda aceitaria o convite do Grupo União Sport. Depois de 3 temporadas a actuar no emblema de Montemor-o-Novo, o jogador decidiria “pendurar as chuteiras”. Contudo, não abandonaria a modalidade e, já como treinador, orientaria as equipas de juniores do Lusitano de Évora e os seniores do Calipolense
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1373 - HUGO SARMENTO


Já com o percurso formativo terminado, seria também no Estrela de Vendas Novas que, na campanha de 1951/52, Hugo Sarmento acabaria por subir ao escalão sénior. Com o emblema alentejano a disputar a 2ª divisão, o extremo-direito depressa conseguiria destacar-se dos demais companheiros de equipa e tal seria o destaque merecido que, mesmo longe dos principais palcos do futebol luso, o jovem praticante acabaria por merecer a atenção de uma das mais poderosas colectividades nacionais.
 Com a transferência para o Sporting a ocorrer na temporada de 1953/54, Hugo Sarmento, mesmo sem grande estaleca competitiva, conseguiria, logo na época de chegada a Lisboa, convencer o treinador Joseph Szabo da sua utilidade para o “onze” leonino. Num grupo de trabalho onde ainda marcavam presença alguns dos “Cinco Violinos”, o atacante, surpreendentemente, passaria a ocupar a vaga deixada pela saída do mítico Jesus Correia.
Como um dos elementos mais utilizados no plantel, o avançado tornar-se-ia de fulcral importância para a vitória no Campeonato Nacional de 1953/54. Salvo raras excepções, como viria a acontecer na temporada de 1955/56, Hugo Sarmento manter-se-ia como um dos habituais titulares do “Leão”. Mesmo nessa campanha, ao ser chamado por Alejandro Scopelli a entrar em campo na primeira partida de sempre da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o extremo-direito acabaria por inscrever o seu nome nos anais do clube e do futebol mundial.
Outro momento de relevância na sua caminhada desportiva, seria a estreia com as cores de Portugal. Apesar de nunca ter conseguido presença alguma numa peleja da equipa principal, o avançado haveria de ser arrolado para um desafio do conjunto “B” e a 24 de Março de 1957, num jogo frente à França, somaria uma internacionalização com a “camisola das quinas”.
Como um dos elementos mais preponderantes dos diferentes grupos de trabalho do Sporting, Hugo Sarmento, na dezena de temporadas em que vestiria o listado verde e branco dos “Leões”, ajudaria à obtenção de vários títulos. Para além do já mencionado, também as vitórias nos Campeonatos de 1957/58 e de 1961/62, tal como a conquista da Taça de Portugal de 1962/63, fariam parte do seu palmarés. Porém, depois de 218 jogos oficiais contabilizados pela agremiação “alfacinha”, a sua ligação com o clube chegaria ao fim. Seguir-se-ia, com o atleta já a vogar pelos escalões secundários, a chegada ao Sporting da Covilhã de 1963/64, com a passagem pela colectividade beirã a registar um par de anos. De seguida surgiriam na sua caminhada competitiva, o Torres Novas e, numa carreira que terminaria com o fim da campanha de 1968/69, os Ferroviários do Entroncamento.

1340 - MÁRIO LINO


Ao encetar a caminhada no futebol ao serviço do Fayal Sport, Mário Lino, ainda em idade adolescente, rapidamente despertaria a cobiça de outros emblemas. Como resultado de uma partida feita na Ilha Terceira, a habilidade demonstrada pelo jovem atleta no jogo frente ao Lusitânia dos Açores, levaria a colectividade sediada em Angra do Heroísmo, caso inédito no arquipélago, a pagar pela transferência do à altura médio. A envergar a nova camisola a partir da temporada de 1958/59, o atleta manter-se-ia como um elemento de altos índices exibicionais. Com a chegada do húngaro János Biri ao comando técnico da delegação insular do Sporting, seria por sugestão do referido treinador que o jogador acabaria a viajar para Lisboa.
Agradados com as qualidades do atleta, Mário Lino viria a rubricar um contrato com os “Leões”. Integrado no plantel “verde e branco” na temporada de 1958/59, a campanha de estreia na 1ª divisão, em termos individuais, revelar-se-ia positiva. Daí em diante, o jogador conseguiria impor-se na luta por um lugar no “onze” sportinguista e adaptado a defesa-direito, passaria a ser um dos elementos mais preponderantes no cumprir das metas colectivas. A partir do sector mais recuado, como um intérprete de grande pujança física, boa capacidade de desarme e dono de uma técnica a dar dava azo ao apoio ofensivo, o atleta contribuiria para uma das épocas áureas do conjunto leonino. Para além da participação na conquista de 2 Campeonatos Nacionais e de 1 Taça de Portugal, há que destacar a campanha de 1963/64 na Taça dos Vencedores das Taças. Na prova organizada sob a alçada da UEFA, o futebolista, mesmo sem marcar presença na final ou na finalíssima, entraria em campo em 5 partidas e, desse modo, entraria para o rol de nomes com lugar no triunfo da aludida prova continental.
Talvez de forma não tão vincada, mas Mário Lino também acabaria por traçar o seu trajecto com as cores à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Com a camisola lusa, o defesa, depois de meses antes ter participado numa partida da equipa “B”, estrear-se-ia pelo principal conjunto da selecção de Portugal, numa disputa a contar para a fase de Apuramento do Campeonato do Mundo de 1962. Chamado por Armando Ferreira à peleja frente ao Luxemburgo, a vitória por 6-0 conseguida a 19 de Março de 1961, daria início a uma caminhada que traria ao seu currículo um total de 6 internacionalizações “A”.
Com o fim da sua carreira enquanto futebolista a acontecer no termo da temporada de 1966/67, Mário Lino, ao manter a ligação à modalidade, rapidamente assumiria o papel de técnico. Ao começar nas camadas jovens leoninas, o antigo defesa passaria também pelas tarefas de adjunto da equipa sénior. Com várias ocasiões em que, interinamente, seria chamado às funções de treinador-principal, o destaque maior dessas experiências surgiria com a presença em duas finais da Taça de Portugal, perdendo a de 1971/72 para o Benfica, mas vencendo a edição do ano seguinte frente ao Vitória Futebol Clube. Já na campanha de 1973/74, os responsáveis pelo Sporting tomariam a decisão de, em definitivo, entregar as rédeas do plantel ao seu cuidado. Numa época de excelência para o Sporting, seria ele o mentor da conquista da “dobradinha”. Curiosamente, como resultado de um desentendimento com a direcção, acabaria por não marcar presença no banco dos “Leões” na final da Taça de Portugal e daí em diante não mais voltaria a Alvalade.
Com um longo trajecto como treinador, Mário Lino ainda orientaria um largo rol de equipas. Com realce para os vários anos na disputa da 1ª divisão, Farense, Sporting de Braga, Vitória Futebol Clube, Portimonense, Marítimo e Boavista seriam alguns dos emblemas que preencheriam o resto da sua carreira. Nesse longo caminho, o destaque terá de ir para uma das passagens pelo Bessa, durante a qual, frente ao FC Porto, ganharia a Supertaça de 1979/80.

1262 - POLIDO


Intérprete polivalente que, no sector mais recuado, tanto podia posicionar-se na direita, esquerda ou no centro, Polido, ao emergir dos juniores da colectividade alentejana, chegaria ao escalão sénior do Lusitano Ginásio Clube, na temporada de 1948/49.
Lançado no conjunto principal dos eborenses na 2ª divisão, o defesa acabaria por fazer parte da equipa que, pela primeira vez na história, levaria o Lusitano de Évora ao escalão maior do futebol português. Com a referida estreia a acontecer na campanha de 1952/53, Polido continuaria a ser aferido como um dos atletas importantes no grupo de trabalho. Com o estatuto em franca evolução, ainda assim, só a partir da temporada de 1954/55, com a chegada ao comando técnico de Cândido Tavares, é que o jogador conseguiria conquistar a titularidade. O seu crescimento levá-lo-ia a ser visto como um elemento capaz de atingir metas de outra monta e a chamada à selecção acabaria por surgir como um merecido prémio.
Indiscutível no “onze” alentejano, também da Federação Portuguesa de Futebol o seu nome começaria a surgir no rol de convocados. Escolhido para o conjunto secundário, Polido vestiria pela primeira vez a “camisola das quinas” a 18 de Dezembro de 1955, num desafio agendado para o Estádio das Antas. Depois dessa partida frente à congénere austríaca, o defesa voltaria a ser chamado aos trabalhos da selecção. Apesar de nunca ter conseguido jogar pela equipa “A” de Portugal, ainda assim, ao longo da carreira, arrecadaria para o currículo pessoal, um total de 4 internacionalizações “B”.
As 129 aparições com as cores do Lusitano na 1ª divisão, ao lado de Patalino, José Pedro, Dinis Vital ou do argentino Vicente di Paola, para além de torná-lo no 10º jogador com mais partidas primodivisionárias feitas pelo emblema sediado na cidade de Évora, serviriam também para cimentar o defesa como um dos nomes apetecíveis para reforçar os planteis de outros emblemas. Depois do 5º e 6º posto conseguidos, respectivamente, nas tabelas classificativas dos Campeonatos Nacionais de 1956/57 e 1957/58, a mudança concretizar-se-ia. Com a proposta do Vitória Futebol Clube a convencê-lo a trocar de camisola, a entrada no Campo dos Arcos manteria Polido como uma das grandes estrelas das provas nacionais. Porém, após um arranque auspicioso, a época seguinte correria em sentido oposto ao esperado e, ao deixar de ser uma opção recorrente para o “onze”, o atleta veria também a sua agremiação a ser relegada ao escalão secundário.
Apesar das 2 temporadas longe do escalão máximo, os escaparates do futebol luso não escapariam ao Vitória. A presença dos “Sadinos” no derradeiro desafio da Taça de Portugal de 1961/62 serviria de prova ao poderio setubalense. Sob a alçada de Filpo Núñez, Polido seria um dos eleitos pelo treinador argentino a entrar em campo na final disputada no Estádio do Jamor. Frente ao Benfica, o defesa não evitaria a derrota por 3-0. No entanto, essa partida, muito mais do que servir de prelúdio ao regresso à 1ª divisão, daria ao jogador a oportunidade de participar nas provas organizadas pela UEFA e, na campanha seguinte, entraria em campo em ambas as partidas disputadas na Taça dos Vencedores das Taças, frente aos franceses do Saint-Étienne.
A sua carreira não duraria muito mais. Após ajudar à conquista da Taça Ribeiro dos Reis de 1962/63 e de cumprir a época de 1963/64 com as cores do Vitória Futebol Clube, o defesa decidiria ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Ainda assim, essa última época como futebolista teria outro destaque e, após o despedimento de Francisco Reboredo, Francisco Polido experimentaria as tarefas de treinador.