1804 - MAURO AIREZ

Após ter jogado em emblemas amadores, casos do Club Corcemar de Pipinas e o Club Social y Deportivo Verónica, a mudança, em 1987, para o Gimnasia y Esgrima motivaria o encetar da caminhada profissional de Mauro Gabriel Airez. Destacando-se como um praticante habilidoso e capaz de jogar como avançado-centro, segundo-avançado ou até como extremo, o jogador depressa chamaria a atenção dos responsáveis pela Asociación del Fútbol Argentino. Nesse sentido, no ano do ingresso no “El Lobo”, o atacante seria chamado ao contingente da “Alviceleste”, participaria nos Jogos Panamericanos e, no certame realizado em Indianápolis, ajudaria à conquista da Medalha de Bronze.
Ao dar seguimento à senda internacional, 1988 ficaria marcado pela sua participação nos Jogos Olímpicos de Seul. Pouco tempo depois da sua presença na Coreia do Sul, em concreto a 2 de Setembro, surgiria a oportunidade do avançado fazer a estreia pela selecção “A”. Após esse “amigável” frente a El Salvador, durante o qual seria orientado por Carlos Pachamé, o atleta continuaria a envergar a camisola da Argentina e ao partilhar o balneário com craques como Diego Simeone, Basualdo, Fabbri, Sensini ou Balbo, o jogador acrescentaria, ao currículo pessoal, um somatório de 5 partidas feitas pelo principal conjunto do seu país natal.
No que respeita à carreira clubística, 1989 representaria a sua transferência para o Argentinos Juniors. Ao iniciar um período mais errante, sensivelmente um ano depois dar-se-ia a transição para o Independiente. As boas exibições, conjuntamente com o percurso já traçado a nível internacional, fariam com que Mauro Airez começasse a ser cobiçado noutras paragens. Com o “calcio” a ser, à altura, o universo futebolístico mais bem cotado, a mudança do atacante para o Bari aconteceria na temporada de 1990/91. Porém, o excesso de estrangeiros, presentes no conjunto a militar na Serie A, faria com que a sua estadia no sul de Itália fosse curta. A clara escassez de oportunidades empurrá-lo-ia para outro destino e o convite surgido de Portugal, ainda na mesma campanha da sua chegada à Europa, fá-lo-ia assinar pelo Belenenses.
Com a entrada no Restelo a ocorrer com os “Azuis” a militarem na divisão de Honra, Mauro Airez, como o melhor marcador da equipa, transformar-se-ia num dos grandes pilares do regresso do conjunto lisboeta ao convívio com os “grandes”. No patamar maior do futebol luso a partir da campanha de 1991/92, o avançado continuaria a ser orientado pelo brasileiro Abel Braga e manter-se-ia como um dos nomes frequentemente arrolados ao “onze” inicial. Aliás, o estatuto de titular sabê-lo-ia manter ao longo dos anos ao serviço do Belenenses. A excepção viria na última época de ligação aos “Homens da Cruz de Cristo” e os pedidos "excêntricos" do técnico, paralelamente com os problemas financeiros do clube, acabariam por despoletar o seu afastamento e a consequente rescisão – “Depois de quatro anos como melhor marcador e jogador mais mediático do clube, a jogar com ponta-de-lança ou segundo avançado, o treinador João Alves queria que jogasse a lateral-direito (não sei onde foi buscar isso...). Eu, que já podia ter rescindido por salários em atraso, dei ao presidente dois ou três meses para resolver a situação. E, como não se resolveu, tive de me fazer à vida, como toda a gente”*.
A saída do Restelo levá-lo-ia, a meio da temporada de 1995/96, a assinar pelo Benfica. No entanto, a entrada na Luz, numa equipa que, apesar de não estar no melhor período, ainda assim tinha nos quadros nomes de grande gabarito, faria com que Mauro Airez enfrentasse uma concorrência feroz. Essa luta por um lugar no “onze” não evitaria que Mário Wilson deixasse de equacionar o atacante como um dos intérpretes a entrar em campo na derradeira partida da Taça de Portugal de 1995/96. Titular no Estádio Nacional, o jogador seria de fulcral importância para a vitória frente ao Sporting e um golo seu, seguido do tradicional festejo com acrobacias à mistura, ajudaria ao resultado final de 3-1, a favor das “Águias”.
Com mais uma época ao serviço dos “Encarnados”, mas com números abaixo das expectativas, Mauro Airez prosseguiria a carreira num Estrela da Amadora orientado, na temporada de 1997/98, por Fernando Santos. Após a temporada cumprida no emblema da Reboleira, ao seu caminho emergiria ainda uma campanha no Estoril Praia, o regresso à divisão de Honra e o fim da carreira, quando contava apenas 30 anos de idade, no termo das provas agendadas para 1998/99.
Anos mais tarde viria a sua ligação a uma empresa de agenciamento de atletas, responsável, entre outros exemplos, pela transferência de Duscher e de Quiroga para o Sporting. Porém, a crise económica de 2001 na Argentina, haveria de deitar por terra o mencionado negócio e Mauro Airez ver-se-ia no desemprego. Tal contratempo faria com que outras portas viessem a abrir-se. A oportunidade de emprego surgiria de um mundo, em tudo, desconhecido para o antigo jogador e, através de um amigo, haveria de passar a dedicar-se aos bastidores do cinema e da televisão, onde passaria a trabalhar como técnico de iluminação.

*retirado do artigo publicado a 16/07/2017, em https://www.dn.pt/

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