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1804 - MAURO AIREZ

Após ter jogado em emblemas amadores, casos do Club Corcemar de Pipinas e o Club Social y Deportivo Verónica, a mudança, em 1987, para o Gimnasia y Esgrima motivaria o encetar da caminhada profissional de Mauro Gabriel Airez. Destacando-se como um praticante habilidoso e capaz de jogar como avançado-centro, segundo-avançado ou até como extremo, o jogador depressa chamaria a atenção dos responsáveis pela Asociación del Fútbol Argentino. Nesse sentido, no ano do ingresso no “El Lobo”, o atacante seria chamado ao contingente da “Alviceleste”, participaria nos Jogos Panamericanos e, no certame realizado em Indianápolis, ajudaria à conquista da Medalha de Bronze.
Ao dar seguimento à senda internacional, 1988 ficaria marcado pela sua participação nos Jogos Olímpicos de Seul. Pouco tempo depois da sua presença na Coreia do Sul, em concreto a 2 de Setembro, surgiria a oportunidade do avançado fazer a estreia pela selecção “A”. Após esse “amigável” frente a El Salvador, durante o qual seria orientado por Carlos Pachamé, o atleta continuaria a envergar a camisola da Argentina e ao partilhar o balneário com craques como Diego Simeone, Basualdo, Fabbri, Sensini ou Balbo, o jogador acrescentaria, ao currículo pessoal, um somatório de 5 partidas feitas pelo principal conjunto do seu país natal.
No que respeita à carreira clubística, 1989 representaria a sua transferência para o Argentinos Juniors. Ao iniciar um período mais errante, sensivelmente um ano depois dar-se-ia a transição para o Independiente. As boas exibições, conjuntamente com o percurso já traçado a nível internacional, fariam com que Mauro Airez começasse a ser cobiçado noutras paragens. Com o “calcio” a ser, à altura, o universo futebolístico mais bem cotado, a mudança do atacante para o Bari aconteceria na temporada de 1990/91. Porém, o excesso de estrangeiros, presentes no conjunto a militar na Serie A, faria com que a sua estadia no sul de Itália fosse curta. A clara escassez de oportunidades empurrá-lo-ia para outro destino e o convite surgido de Portugal, ainda na mesma campanha da sua chegada à Europa, fá-lo-ia assinar pelo Belenenses.
Com a entrada no Restelo a ocorrer com os “Azuis” a militarem na divisão de Honra, Mauro Airez, como o melhor marcador da equipa, transformar-se-ia num dos grandes pilares do regresso do conjunto lisboeta ao convívio com os “grandes”. No patamar maior do futebol luso a partir da campanha de 1991/92, o avançado continuaria a ser orientado pelo brasileiro Abel Braga e manter-se-ia como um dos nomes frequentemente arrolados ao “onze” inicial. Aliás, o estatuto de titular sabê-lo-ia manter ao longo dos anos ao serviço do Belenenses. A excepção viria na última época de ligação aos “Homens da Cruz de Cristo” e os pedidos "excêntricos" do técnico, paralelamente com os problemas financeiros do clube, acabariam por despoletar o seu afastamento e a consequente rescisão – “Depois de quatro anos como melhor marcador e jogador mais mediático do clube, a jogar com ponta-de-lança ou segundo avançado, o treinador João Alves queria que jogasse a lateral-direito (não sei onde foi buscar isso...). Eu, que já podia ter rescindido por salários em atraso, dei ao presidente dois ou três meses para resolver a situação. E, como não se resolveu, tive de me fazer à vida, como toda a gente”*.
A saída do Restelo levá-lo-ia, a meio da temporada de 1995/96, a assinar pelo Benfica. No entanto, a entrada na Luz, numa equipa que, apesar de não estar no melhor período, ainda assim tinha nos quadros nomes de grande gabarito, faria com que Mauro Airez enfrentasse uma concorrência feroz. Essa luta por um lugar no “onze” não evitaria que Mário Wilson deixasse de equacionar o atacante como um dos intérpretes a entrar em campo na derradeira partida da Taça de Portugal de 1995/96. Titular no Estádio Nacional, o jogador seria de fulcral importância para a vitória frente ao Sporting e um golo seu, seguido do tradicional festejo com acrobacias à mistura, ajudaria ao resultado final de 3-1, a favor das “Águias”.
Com mais uma época ao serviço dos “Encarnados”, mas com números abaixo das expectativas, Mauro Airez prosseguiria a carreira num Estrela da Amadora orientado, na temporada de 1997/98, por Fernando Santos. Após a temporada cumprida no emblema da Reboleira, ao seu caminho emergiria ainda uma campanha no Estoril Praia, o regresso à divisão de Honra e o fim da carreira, quando contava apenas 30 anos de idade, no termo das provas agendadas para 1998/99.
Anos mais tarde viria a sua ligação a uma empresa de agenciamento de atletas, responsável, entre outros exemplos, pela transferência de Duscher e de Quiroga para o Sporting. Porém, a crise económica de 2001 na Argentina, haveria de deitar por terra o mencionado negócio e Mauro Airez ver-se-ia no desemprego. Tal contratempo faria com que outras portas viessem a abrir-se. A oportunidade de emprego surgiria de um mundo, em tudo, desconhecido para o antigo jogador e, através de um amigo, haveria de passar a dedicar-se aos bastidores do cinema e da televisão, onde passaria a trabalhar como técnico de iluminação.

*retirado do artigo publicado a 16/07/2017, em https://www.dn.pt/

1777 - CAETANO

Apesar de ter iniciado o percurso futebolístico nas “escolas” do Feirense, seria no Boavista que António de Oliveira Caetano concluiria a fase formativa da carreira. Aliás, a época de mudança para o Bessa coincidiria com a sua estreia nos conjuntos a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. Com a primeira partida, no contexto dos sub-16, a acontecer a 12 de Fevereiro de 1983, esse jogo frente à Finlândia, durante o qual seria orientado por José Augusto, encetaria uma caminhada a levá-lo a vestir a “camisola das quinas” em diferentes escalões. A mencionada senda findaria com um total de 23 internacionalizações e teria o seu pináculo com a presença na edição de 1984 do Campeonato da Europa de sub-18.
Na equipa principal dos “Axadrezados”, onde chegaria pela mão de Henrique Calisto, Caetano, apesar de ser visto como uma boa promessa, revelaria algumas dificuldades em conquistar um lugar na equipa. Ao jogar pouco nos 3 primeiros anos, a temporada de 1986/87 parecia querer alterar esse paradigma. No entanto, o que viria a verificar-se na campanha seguinte devolveria o esquerdino ao olvido. Tal contratempo faria com que o defesa, que também actuava com a mesma facilidade no meio-campo, decidisse tentar a sorte noutros cenários e a mudança para o Estrela da Amadora fá-lo-ia reencontrar-se com uma cara muito importante no seu trajecto competitivo.
Com a chegada à Reboleira a suceder em 1988/89, o atleta voltaria a trabalhar com João Alves, seu antigo colega e treinador no Boavista. Sempre na disputa da 1ª divisão, a campanha seguinte à da sua entrada no emblema da Linha de Sintra traria, ao jogador, um dos grandes momentos da carreira. Com o Estrela da Amadora a atingir a derradeira ronda da Taça de Portugal, o jogador seria um dos eleitos do técnico referido neste parágrafo para disputar a final. Com o empate verificado nessa peleja inicial, a entrega do troféu decidir-se-ia numa segunda partida e mesmo afastado da finalíssima, Caetano viria a constar no rol de atletas vencedores da edição de 1989/90 da “Prova Rainha”.
Depois do feito relatado, com o “Luvas Pretas” a trocar os “Tricolores” pelo Boavista, Caetano, no regresso a uma casa bem conhecida, seria um dos reforços a chegar ao Bessa na temporada de 1990/91. Todavia, com João Alves a sair a meio da época e a ser apresentado, já na campanha seguinte, como o “timoneiro” do Vitória Sport Clube, o atleta, acompanhado na viagem do Porto para Guimarães por Jaime Alves e por Frederico, passaria a campanha de 1991/92 ao serviço do emblema sediado na “Cidade Berço”. Com a aludida transferência a gerar uma enorme polémica, a passagem de Caetano e Jaime Alves pelo Minho seria de curta duração e a recusa dos “Conquistadores” em pagar o montante estipulado pelas entidades gestoras do futebol português, faria com que ambos os atletas voltassem a envergar a camisola das “Panteras”.
A terceira passagem de Caetano pelo Boavista, treinado, dessa feita, por Manuel José, entregar-lhe-ia ao palmarés a vitória na Supertaça de 1992/93. Daí em diante, com alguma intermitência a afectar a sua titularidade, o jogador, ainda assim, conseguiria participar num número considerável de partidas. Também em 1992/93, o defesa voltaria a participar na final da Taça de Portugal, jogo perdido frente ao Benfica. Outro foco de interesse no decorrer dos 4 anos da sua derradeira ligação à colectividade da “Cidade Invicta”, emergiria das provas de índole continental, com os “Axadrezados” a atingirem os quartos-de-final da Taça UEFA de 1993/94. Porém, com a temporada de 1995/96 a trazer-lhe poucas oportunidades para aparecer em jogo, uma nova mudança de clube levá-lo-ia a envergar uma camisola diferente.
As duas épocas no Belenenses antecederiam a sua contratação por parte do Beira-Mar. Nessa temporada de 1998/99, como uma das caras habitualmente arrolada ao “onze” do emblema aveirense, Caetano entraria em campo na sua terceira final da Taça de Portugal. Chamado à equipa titular por António Sousa, o defesa-lateral, frente ao Campomaiorense, contribuiria para a inédita vitória dos “Auri-negros”. Na época seguinte à da conquista selada no Jamor, com os homens do Estádio Mário Duarte caídos no escalão secundário, o jogador, sem qualquer partida disputada durante a época de 1999/00, como que daria indícios de estar a aproximar-se do termo da carreira enquanto futebolista. O fim surgiria, então, com o fecho das provas agendadas para 2000/01 e com o atleta de regresso ao Feirense.
Praticamente a seguir a “pendurar as chuteiras”, Caetano encetaria a caminhada como treinador. Numa carreira com bastantes experiências como adjunto, o antigo jogador, nas funções de técnico-principal, orientaria diversos emblemas das divisões secundárias, nomeadamente o Feirense, o Desportivo da Aves, o Académico de Viseu, Sporting de Pombal, Esmoriz, Sanjoanense e Lusitânia de Lourosa.

1766 - ELISEU

Formado no Internacional de Porto Alegre, Eliseu Erhart encetaria a carreira sénior igualmente ao serviço do emblema do Rio Grande do Sul. Ao subir a sénior em 1987, as duas primeiras campanhas passá-las-ia ainda com os “reservas”. Já na temporada de 1989 surgiria a oportunidade de fazer a estreia pelo conjunto principal. No entanto, seria na campanha seguinte que começaria a aparecer com alguma regularidade no “onze” do “Colorado”. Curiosamente, numa altura em começava a impor-se, talvez como resultado da despromoção da equipa à Serie B do “Brasileirão”, o defesa-central, na época de 1991, acabaria por ser emprestado ao Aimoré. Ainda assim, com o atleta cotado como um praticante de porte físico imponente e com grande capacidade de luta, a sua fama de bom intérprete não desapareceria e do outro lado do Oceano Atlântico acabariam por mostrar interesse na sua contratação. 
A mudança para o plantel de 1991/92 do Gil Vicente daria azo a uma caminhada a manter o jogador por largos anos a actuar em Portugal. Essa campanha da sua chegada coincidiria logo com a estreia do defesa-central na 1ª divisão. Mesmo ao assumir-se como um dos titulares da equipa a cargo de António Oliveira, curiosamente essa seria a única temporada do atleta a exibir-se com as cores do colectivo de Barcelos. De seguida viria a sua entrada no Beira-Mar e, treinado por Vítor Urbano, um inesperado decréscimo de presenças em campo. Ainda assim, logo na temporada subsequente, o jogador viria a recuperar o merecido lugar no “onze”. O mesmo estatuto conservá-lo-ia em 1994/95, Porém, para a infelicidade do grupo de trabalho por si representado, a referida época terminaria com a despromoção da agremiação aveirense e ao fugir à descida, Eliseu, na época de 1995/96, apresentar-se-ia com uma camisola diferente.
No Estrela da Amadora, onde passaria a trabalhar sob a alçada de Fernando Santos, o defesa-central voltaria a revelar algumas dificuldades em impor-se. Tal contrariedade faria com que o jogador, passado apenas um ano, voltasse a mudar de ares. A transferência para o Felgueiras teria como principal consequência o seu afastamento, por um largo período, dos principais cenários competitivos portugueses. Mesmo a actuar já há 4 anos e meio na divisão de Honra, o jogador teria a capacidade de manter bem vivas as suas qualidades desportivas. Essa constância exibicional faria com que, a meio da temporada de 2000/01, o Vitória Futebol Clube apostasse em si como um dos nomes a reforçar a luta pela subida de escalão. O risco corrido pelo emblema setubalense seria compensado e o regresso, dos “Sadinos” e do atleta, ao convívio com os “grandes” viria a materializar-se.
Com o Vitória Futebol Clube de volta às pelejas primodivisionárias, Eliseu, a escrever os derradeiros do seu trajecto enquanto futebolista, teria na temporada de 2001/02 a última presença no escalão máximo. Depois viria a aventura pela China e em 2003, ainda com as cores do Shenyang Ginde, a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1739 - VINHA

Popularizado no mundo do futebol como Vinha, Alves Nilo Marcos Lima Fortes, cabo-verdiano de nascimento, chegaria a Portugal para representar o Atlético. No emblema lisboeta, onde terá chegado, segundo algumas fontes que não consegui confirmar, transferido de um “estranho” Castilla Luanda, o jogador entraria na temporada de 1988/89. Inicialmente orientado por Norton de Matos, as prestações do, à altura, médio-centro, captariam a atenção de outras colectividades no cenário competitivo luso e a mudança, ao fim de duas campanhas passadas na Tapadinha, levá-lo-ia até ao Norte de Portugal.
Com a inclusão no plantel de 1990/91 do Salgueiros, Vinha, muito mais do que o arranque de caminhada na 1ª divisão, teria a oportunidade de participar numa histórica época em que o emblema portuense haveria de terminar o Campeonato Nacional num estrondoso 5º posto. Titular no “onze” idealizado por Zoran Filipovic, o atleta, logo na temporada seguinte, entraria em campo na estreia do clube português nas competições de índole continental. Inserida a agremiação de Paranhos na disputa da Taça UEFA, em sorte calhar-lhes-ia um Cannes onde pontuavam nomes como o jovem Zinedine Zidane, Luis Fernández, Oman-Biyik ou Aliosa Asanovic . Tendo entrado em campo nas duas mãos do referido confronto, o jogador ainda contribuiria para a vitória lusa na disputa inicial. Porém, a derrota por 1-0 já em França levaria a eliminatória para o desempate por grandes penalidades e o desfecho tombaria para o lado dos gauleses.
Com o Salgueiros a manter-se no convívio entre os “grandes”, Vinha, para além de somar épocas no escalão principal, começaria também a adoçar o apetite de alguns treinadores. Apesar de não ser um intérprete vistoso, a sua alta estatura, entrega e disponibilidade para, em situações de aperto, passar do miolo do terreno para o centro do ataque, valer-lhe-ia muitos pontos. Nesse sentido, quem ficaria deveras impressionado com os seus desempenhos, nomeadamente com as suas prestações como ponta-de-lança improvisado, seria Tomislav Ivic. Essa “paixão” do treinador jugoslavo levaria o atleta até às Antas e o jogador, na temporada de 1993/94, acabaria apresentado como o novo reforço do FC Porto para o sector avançado. 
Apesar da estranheza provocada pela transferência, o certo é que Vinha teria, de imediato, um impacto deveras positivo nos intuitos colectivos dos “Azuis e Brancos”. Um desses momentos, no contexto da Supertaça, seria o golo marcado aos 84 minutos da 2ª mão e que, levada a decisão para a finalíssima, permitiria a vitória do FC Porto frente ao Benfica. Também num jogo a opor os “Dragões” às “Águias”, dessa feita a contar para o Campeonato Nacional, o avançado-centro acabaria a fazer o “gosto ao pé”. Já no resto da campanha, mesmo não tendo assumido um papel de inquestionável relevância, outro dos seus remates certeiros seria contra o Sporting. Com tudo isso, mesmo tapado maioritariamente pela dupla formada por Kostadinov e por Domingos, não seria de espantar a sua presença na finalíssima da Taça de Portugal e a entrada em campo do ponta-de-lança, ordenada por Bobby Robson, ajudaria, em pleno Jamor, a derrotar os “Leões”.
Com a falta de oportunidades nas Antas, a decisão de Vinha, logo para a temporada de 1994/95, seria a de regressar ao Estádio Vidal Pinheiro. De volta a Paranhos, o jogador, dessa feita num ciclo que duraria outros 4 anos, faria do Salgueiros a colectividade mais representativa da sua carreira futebolística. O mencionado período, exclusivamente disputado na 1ª divisão, permitiria ao avançado que, num total de carreira, somasse ao currículo um cômputo de 8 épocas primodivisionárias. De seguida, ao entrar na derradeira fase da caminhada competitiva, o jogador, definitivamente afastado do escalão maior, ainda teria forças para representar o Paços de Ferreira, o Lousada, o Imortal e o Tirsense. Já com a decisão de “pendurar as chuteiras” no termo de 2000/01, o antigo atacante decidiria regressar ao curso de Engenharia Civil e o regresso a Cabo Verde, anos mais tarde e com a licenciatura concluída, permitir-lhe-ia exercer funções na área em que havia tido a formação académica.

1735 - FUA

Ao terminar o período formativo já serviço do Boavista, Fernando José Gomes Pinto, popularizado no mundo do futebol como Fua, encetaria na temporada de 1987/88 um longo périplo erigido em sucessivos empréstimos. Tendo iniciado essa fase da carreira na equipa principal do Estarreja, o extremo ainda demoraria alguns anos até conseguir assomar-se ao escalão máximo. De seguida, numa errância que viria a caracterizar grande parte do seu percurso competitivo, o jogador, sempre sem sair dos escalões secundários, passaria igualmente pela Ovarense, Leça e Maia. Por fim, a chegada à região do Oeste abrir-lhe-ia as portas de um Torreense de regresso ao convívio com os “grandes” e o atleta, na campanha de 1991/92, acabaria por fazer a estreia na 1ª divisão.
Numa equipa com inúmeros atletas de farta experiência futebolística, a época de Fua no Estádio Manuel Marques seria bastante auspiciosa. No entanto, apesar dos bons números apresentados no ano em que haveria de ser orientado por Manuel Cajuda, a verdade é que a temporada de 1992/93 levaria o extremo de volta ao escalão secundário. Já integrado no plantel da Académica de Coimbra, o atacante, caracterizado pela baixa estatura e igualmente por uma velocidade estonteante, voltaria a retirar do novo empréstimo exibições de indubitável categoria. Tais desempenhos mereceriam a confiança dos responsáveis pelo Boavista e ao fim de 6 cedências em 6 anos, o jogador regressaria ao Bessa.
Nos “Axadrezados”, ao contrário do que as épocas anteriores haviam prometido, Fua acabaria por revelar algumas dificuldades em impor-se no “onze” idealizado pelo técnico Manuel José. Quase sem aparecer em campo no período cumprido pela agremiação sediada na “Cidade Invicta”, o atacante ver-se-ia empurrado para um novo empréstimo. Na União de Leiria a partir de 1994/95, primeiro cedido pelas “Panteras Negras” e a título definitivo desde a segunda temporada, o jogador encetaria aquela que viria a ser a sua ligação clubística mais duradora. A estabilidade alcançada no emblema da Beira Litoral, que o faria também regressar à 1ª divisão, traria os seus frutos. Titular com Vítor Manuel, o extremo transformar-se-ia num dos pilares das boas classificações obtidas pelo clube. O 6º posto no ano da sua chegada ao Estádio Magalhães Pessoa e o 7º lugar conseguido na época seguinte trariam à sua caminhada o reconhecimento além-fronteiras e de Angola chamá-lo-iam para representar a selecção.
Meritoriamente, Fua seria incluído, por Carlos Alhinho, no grupo a disputar a edição de 1996 da CAN. Já no torneio disputado na África do Sul, ao lado de um enorme contingente de atletas a competir nas provas lusas, o atacante disputaria, sempre como titular, todos os jogos dos “Palancas Negros”, agendados no Grupo A. Infelizmente, para Angola e para o atleta, as jornadas frente ao Egipto, à equipa da casa e aos Camarões traduzir-se-iam em duas derrotas e num empate frente à última selecção mencionada. Tão parcos resultados empurrá-lo-iam para fora do principal certame do futebol africano e o extremo voltaria a Portugal com um certo “amargo de boca”.
Com a despromoção da União de Leiria no termo do Campeonato Nacional de 1996/97, a carreira de Fua também sofreria um retrocesso. Surpreendentemente, mesmo tendo em conta as boas exibições conseguidas nos 3 anos passados na colectividade da “Cidade do Lis”, o atacante não mais viria a ter lugar num plantel primodivisionário. Outra curiosidade sobre a sua carreira, é que o avançado, depois de ter ultrapassado a centena de partidas feitas na principal prova do futebol luso, mais uma vez voltaria às constantes mudanças de emblema. Com o Moreirense a encabeçar essa nova fase do seu trajecto profissional, o atleta, numa carreira a durar até 2002/03, ainda envergaria as divisas do Imortal, Machico, Oxford United, Esperança de Lagos, Pedras Rubras, Sporting de Pombal, Macedo de Cavaleiros, Monchiquense e Ferreiras.

1666 - JOÃO LUÍS

Filho de Ivo Martins, notável dirigente do Marítimo, e bisneto de Cândido Gouveia, um dos fundadores do emblema insular, João Luís Gouveia Martins só poderia ter nos “Verde-rubros” o seu clube de eleição. Nesse sentido, seria nas “escolas” dos “Leões do Almirante Reis” que o defesa-central cumpriria toda a formação. Também na transição para sénior, o jovem atleta encontraria nos “Barreiros” a sua “casa”. No entanto, com a referida passagem a acontecer ainda na temporada de 1985/86, só a campanha seguinte veria o atleta a estrear-se em campo pela equipa principal e essa última ronda do Campeonato Nacional de 1986/87, depois de lançado por Manuel de Oliveira, constituiria o arranque de uma caminhada na quase totalidade dedicada à colectividade do Funchal.
Apesar de ser um jovem talentoso, João Luís ainda demoraria alguns anos até conseguir impor-se como um dos principais elementos do plantel do Marítimo. Tal passo, após 4 campanhas de pouca utilização, dá-lo-ia na época de 1990/91. Orientado, no decorrer dessa temporada, inicialmente por Ferreira da Costa e, com a saída deste, por Paulo Autuori, o defesa-central ganharia a confiança de ambos os técnicos e, por consequência, conquistaria o estatuto de titular. Como um dos esteios do sector mais recuado da agremiação madeirense, o jogador tornar-se-ia um dos pilares do crescimento evidenciado pelo clube. Tal evolução consolidaria os “Insulares” na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa e a 1ª divisão de 1992/93 terminaria com o emblema funchalense num brilhante 5º lugar.
A posição referida no final do parágrafo anterior encaminharia o Marítimo para a estreia nas provas de índole continental. No entanto, apesar do louvor merecido ao colectivo, a verdade é que a temporada de 1993/94, em termos do desempenho individual, seria um pouco madrasta para João Luís. Ainda assim, apesar de perder o lugar no “onze”, o defesa-central, escalonado por Edinho para entrar em campo na condição de capitão de equipa, teria o orgulho de participar, frente ao Royal Antwerp, na 1ª mão da 1ª eliminatória da Taça UEFA. Daí em diante, ultrapassado por outros colegas nas escolhas dos diferentes treinadores, a sua utilização ficaria bem abaixo daquilo a que tinha habituado os adeptos. Mesmo nas épocas seguintes, o atleta não voltaria, de forma incontestável, a recuperar a titularidade e, nesse sentido, assistiria à final da Taça de Portugal de 1994/95 a partir do banco de suplentes.
A temporada de 1995/96 tornar-se-ia na última de João Luís como atleta do Marítimo. Seguir-se-ia um par de campanhas com as cores do Machico e a decisão de “pendurar as chuteiras”, com o termo das provas agendadas para 1997/98. Alguns anos mais tarde, surgiriam na vida do antigo defesa as tarefas de técnico. Tais funções, encetadas à frente do Cruzado Canicense de 2003/04, levá-lo-iam a regressar aos “Leões do Almirante Reis”, para, durante alguns anos, treinar o conjunto “B”. De seguida, após as passagens por Pontassolense e Machico, surgiriam as oportunidades de trabalhar, como adjunto de Mariano Barreto, no Recreativo do Libolo, no Al-Ahli do Bahrain, nos sauditas do Al-Qadisiyah e no FC Stumbras da Lituânia. Aliás, seria no emblema de Kaunas que voltaria a estar à frente de uma equipa. Andando um pouco mais na sua cronologia profissional, ainda lideraria, sem sair do mencionado país báltico, o FK Zalgiris e o FK Panevezys. Depois retornaria a Portugal onde, novamente ao serviço dos “Verde-rubro” seria, entre 2021 e 2023, Presidente da SAD. Finalmente emergiria, mais uma vez, como treinador-principal, dessa feita ao serviço do plantel de 2024/25 do Camacha.

1626 - AGATÃO

Após terminar o percurso formativo com as cores do Zona Azul, o salto para os seniores, sem sair da sua cidade natal, levá-lo-ia a ser apresentado como reforço do Desportivo de Beja. Ao juntar-se ao plantel de 1979/80 do emblema alentejano, Francisco José Matos Agatão acabaria a partilhar o balneário com Delfim, um dos seus 5 irmãos, todos mais velhos que o médio-defensivo e todos futebolistas com passagem pela agremiação rubro-negra.
Principiada a caminhada competitiva pela Zona Sul da 2ª divisão, o “trinco”, aquando da passagem pelo Despertar Sporting Clube de 1981/82, acabaria por cair nos “regionais”. Manter-se-ia, 1 ano depois e já de volta ao Desportivo, nas contendas distritais da Associação de Futebol de Beja. No entanto, no regresso ao conjunto mais representativo da fase inicial da sua carreira, o jogador conseguiria a proeza de chamar a atenção de emblemas bem melhor posicionados no cenário luso e seria um pouco mais a norte, com as cores d’ “O Elvas”, que viria a encontrar a rampa de lançamento para um trajecto invejável.
Com a chegada aos “Azuis e Ouro” na temporada de 1983/84, Agatão voltaria a competir na 2ª divisão. Seria ainda no referido escalão que, a trabalhar sob a alçada de Carlos Cardoso, começaria a prometer outros voos. Nesse contexto evolutivo, o médio-defensivo, um par de épocas após a entrada na agremiação raiana, veria o Boavista a apostar na sua contratação. Ao estrear-se no escalão máximo já com 25 anos de idade, o traquejo trazido de meia dúzia de campanhas a pelejar-se no futebol sénior permitir-lhe-ia fixar-se, com relativa facilidade, no plantel de 1985/86 dos “Axadrezados”. Avaliado pelo carácter determinado e aguerrido, o atleta, muito mais do que singrar no grupo de trabalho às ordens de João Alves, transformar-se-ia, ao partilhar o sector intermediário com Casaca e com Phil Walker, num dos pilares do colectivo portuense. Com excelentes exibições nos anos cumpridos no Bessa, o atleta ajudaria as “Panteras” na luta pelos lugares cimeiros da tabela classificativa do Campeonato Nacional e, acima de tudo, na qualificação para as provas sob a égide da UEFA.
Após 5 temporadas na “Cidade Invicta”, seguir-se-ia um período idêntico ao serviço do Estrela da Amadora. No emblema sediado no bairro da Reboleira, o “trinco” chegaria num ano deveras importante para os homens a jogar em casa no Estádio José Gomes. Nesse cenário histórico, Agatão participaria na disputa da Supertaça e na estreia dos “Tricolores” nas competições de índole continental, ou seja, entraria em campo na eliminatória da Taça dos Vencedores das Taças a opor o conjunto português ao Neuchâtel Xamax. Porém, a importância de tais momentos não evitaria a descida do emblema da Linha de Sintra no termo do Campeonato Nacional de 1990/91. Mesmo como um dos mais utilizados na equipa, o desaire colectivo arrastaria o jogador, mais uma vez, para o panorama secundário do futebol português. Já o regresso ao convívio com os “grandes” dar-se-ia na campanha de 1993/94 e permitiria ao médio-defensivo adicionar ao currículo outras 2 épocas primodivisionárias.
A campanha de 1995/96 viria a assumir-se de vital importância para a ligação de Agatão ao futebol. Por um lado, a aludida temporada, durante a qual vestira a camisola do Estoril Praia, tornar-se-ia na última da sua carreira enquanto praticante. Depois, como resultado de ter sido orientado por Carlos Manuel, emergiria a oportunidade de abraçar as tarefas de técnico. Como adjunto do referido treinador, o antigo “trinco” passaria por diversos emblemas do escalão maior. Salgueiros, Sporting, Sporting de Braga, Campomaiorense e Santa Clara coloririam essa fase do seu trajecto. Mais tarde, ao assumir-se como o “timoneiro” principal, regressaria aos cenários insulares onde, para além de voltar ao Santa Clara, encetaria uma longa ligação ao Operário.
Trajecto como treinador, há ainda a destacar as suas passagens pelo Recreativo de Caála e pelos iranianos do Sanat Naft, períodos onde integraria, respectivamente, as equipas de Formosinho e, mais uma vez, de Carlos Manuel. De seguida não resistiria a novo apelo dos Açores e aceitaria os convites do Praiense, do Fontinhas e do Rabo de Peixe. Finalmente, o regresso a casa e o desafio de liderar as “escolas” do Desportivo de Beja.

1604 - LEONEL

Com passagens pelo Benfica e pelo Sporting no decorrer do percurso formativo, Leonel Augusto Graniço Morais, segundo a informação retirada do “site” da Federação Portuguesa de Futebol, seria inscrito como sénior dos “Leões” na temporada de 1987/88. Contudo, o jovem defesa-esquerdo, nem sob a batuta do inglês Keith Burkinshaw, nem já na alçada de António Morais, teria qualquer oportunidade no conjunto principal dos “Verdes e Brancos”. Tapado por Fernando Mendes e por Vítor Santos, a falta de presenças em campo levaria o lateral a procurar outro rumo para a carreira. Nesse sentido, o plantel de 1988/89 do Salgueiros abrir-lhe-ia as portas e as próximas 3 temporadas seriam cumpridas ao serviço do emblema portuense.
Curiosamente, a estadia no bairro de Paranhos poderia ter dado a Leonel a estreia na 1ª divisão. Contudo, o ocaso verificado na temporada de 1990/91 adiaria o início desse capítulo competitivo. Seguir-se-ia a transferência para a União de Leiria treinada pelo seu conterrâneo Amândio Barreiras. Na colectividade da “Cidade do Lis”, o lateral canhoto, mesmo de volta ao 2º escalão, começaria a jogar com bastante regularidade. Tal frequência torná-lo-ia num dos pilares dos esquemas tácticos dos diferentes treinadores escolhidos para orientar a equipa. Nesse sentido, Leonel tornar-se-ia numa das figuras de proa da agremiação sediada na Beira Litoral, contribuiria de forma vincada para o regresso do emblema ao convívio com os “grandes” e conseguiria, finalmente, a tão almejada partida no patamar maior do futebol luso.
A época de 1994/95, tal como destapado nas últimas linhas do parágrafo anterior, apresentaria a 1ª divisão a Leonel. A trabalhar sob as ordens de Vítor Manuel, o defesa-esquerdo manter-se-ia como um dos nomes mais badalados da União de Leiria. Ao contribuir para o 6º lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional, seria com alguma estranheza que os adeptos viriam o jogador, na campanha seguinte, ser apresentado como reforço do Desportivo de Chaves. Em Trás-os-Montes, região de onde é natural, encetaria uma nova fase da carreira que, ao mantê-lo no escalão máximo, fá-lo-ia entrar numa senda mais errante. Todavia, nada disso afectaria a sua cotação e mesmo com a descida dos “Flavienses”, o lateral veria rapidamente surgirem outros interessados na sua contratação.
No Sporting de Braga de 1996/97, Leonel manteria os bons números de anos transactos. Ainda assim, depois de ajudar à qualificação dos “Arsenalistas” para as provas de índole continental, o jogador voltaria a mudar de rumo. Dessa feita, a transferência encaminhá-lo-ia para o Alto Alentejo. No distrito de Portalegre, mais concretamente a envergar a camisola do Campomaiorense, o defesa, naquela que viria a tornar-se na 4ª campanha consecutiva em contexto primodivisionário, perderia algum do protagonismo vivido até então. A consequência imediata seria a despedida dos palcos principais. No entanto, a caminhada desportiva do lateral, longe do fim, ainda daria diversas cores ao seu currículo. Em definitivo a actuar nos cenários secundários, o Varzim surgiria como a colectividade seguinte e mais adiante, nomeadamente a partir de temporada de 2000/01, a Madeira tornar-se-ia na nova casa do jogador.
O União da Madeira, o Pontassolense e o Câmara de Lobos, por essa ordem e num total de 7 campanhas passadas na aludida região insular, inscrever-se-iam no percurso profissional de Leonel como os derradeiros capítulos dessa caminhada. Já época de 2005/06 transformar-se-ia na última etapa da sua senda enquanto futebolista.

1555 - RUI ESTEVES

Com os pais e irmãos ligados ao basquetebol, onde a irmã Carla Sofia viria a tornar-se numa das atletas das mais consagradas em Portugal, Rui Esteves também escolheria as actividades de cariz físico como um dos entreténs favoritos. Começaria no atletismo do Benfica e abraçaria igualmente a modalidade mais popularizada entre a família. Só depois chegaria o “jogo da bola”.
Seria já como praticante do “desporto rei” que um episódio viria a modificar a sua vida. Aquando da ida do seu pai, Manuel Esteves, para Moçambique, com o intuito de treinar o “basket” do Maxaquene, umas férias passadas no referido país africano levá-lo-ia a conviver com duas figuras do desporto português, ambas a orientar o futebol da aludida agremiação. Se o primeiro tratar-se-ia do mítico Joaquim Meirim, o segundo viria a mudar-lhe o rumo – “(…) há um dia em que faltavam jogadores para fazer um treino qualquer e o Rui Caçador pediu-me para ir treinar com a malta, para fazer número. Fui e ele pegou logo em mim «Tu não vais jogar mais basquetebol, tu vais jogar é futebol» (…).O Rui Caçador ligou para o prof. José Lemos que era treinador do Torreense e disse-lhe: «Vou-te mandar um puto daqui». Quando cheguei a Portugal fui ao Torreense, assinei contrato, fiquei lá e assim começou a minha carreira”*.
Com a estreia sénior pelo emblema do Oeste a acontecer no contexto da 2ª divisão de 1985/86, a falta de oportunidades conseguidas sob a égide de Pedro Gomes levá-lo-ia a procurar outro destino para a sua, ainda recente, caminhada no futebol, com a ocasião a surgir vinda do plantel de 1986/87 do Olhanense. Orientado por Manuel Cajuda, ainda no escalão secundário, o médio começaria a sublinhar as suas qualidades como um intérprete de cariz técnico apurado e com um entendimento do jogo bem acima da média. Daí para um Louletano a apostar fortemente numa possível subida ao patamar máximo, treinado inicialmente por Manuel de Oliveira e na campanha subsequente por Manuel Cajuda, passar-se-iam dois anos. Ao manter-se no Algarve, os seus desempenhos chamariam a atenção do Farense. Porém, a mudança para a equipa comandada pelo catalão Paco Fortes não traria os frutos desejados e a passagem pelo panorama primodivisionário de 1990/91, com poucos jogos disputados, transformar-se-ia num período bem discreto.
Depois de outra época no Louletano e de um regresso ao Torreense, onde voltaria a encontrar-se com Manuel Cajuda, Rui Esteves veria as portas da 1ª divisão a abrirem-se novamente. Dessa feita, a aposta surgiria do Vitória Futebol Clube de 1993/94, onde uma brilhante época, a trabalhar sob as instruções de Raul Águas, fá-lo-ia dar o maior salto da carreira. Já com a época seguinte à da chegada a Setúbal em andamento, a proposta entregue pelo Benfica aos responsáveis pelo “Sadinos” levá-lo-ia de volta a Lisboa e, por empréstimo, ao Benfica. Porém, ao serviço daquele que é o clube do seu coração, a experiência no conjunto às ordens de Artur Jorge correria muito aquém das expectativas, com o jogador curiosamente a recusar um contrato de 3 anos com as “Águias” e ainda a experimentar um terceiro emblema na temporada de 1994/95, ou seja, o Birmingham de Pedro Paulo e José Dominguez.
Após a curta e discreta passagem por Inglaterra, Rui Esteves ainda rubricaria um contrato com o Vitória Futebol Clube, rapidamente rescindido por uma alegada entrevista dada pelo jogador. Afastado do emblema de Setúbal, seguir-se-iam o famoso Belenenses de João Alves, as duas temporadas pelos “Azuis” na 1ª divisão, a recusa à proposta do Sporting de Braga de Manuel Cajuda e a aventura no Oriente. Na Coreia do Sul assinaria pelo Daewoo Royals, onde viria a sagrar-se campeão nacional. Já na China passaria a representar o Beijing Guoan, onde haveria de lesionar-se gravemente num joelho. De seguida, no regresso a Portugal, ainda receberia o convite do Felgueiras orientado por Jorge Jesus, mas recusaria. Anos mais tarde voltaria a ligar-se futebol, como treinador. Nas funções de técnico, cumpriria a totalidade do seu percurso nos patamares inferiores. Ainda assim, teria experiências em emblemas de grande história no desporto luso, casos do Torreense, Farense ou a antiga CUF, agora Fabril.

*adaptado da entrevista de Ana Brígida, publicada a 21/10/2018, em https://tribuna.expresso.pt

1486 - AMARILDO

Filho de Zeca e sobrinho de Abel Miglietti, ambos notáveis praticantes da modalidade, Amarildo, ao seguir as pegadas dos dois familiares, acabaria também por abraçar o futebol como desporto de eleição. Porém, ao fazer grande parte do percurso formativo, primeiro com as cores do Benfica, para depois ingressar no Belenenses, a transição do jovem atleta para o patamar sénior levá-lo-ia a um contexto competitivo um pouco estranho para quem tinha, até então, feito uma caminhada entre a elite.
Apesar da mudança para o plantel de 1989/90 do Mogadourense, a disputa dos “distritais” de Bragança não iria deitar por terra o sonho do jogador em construir uma carreira sólida no mundo do futebol. Aliás, a oportunidade surgida no emblema transmontano, onde, por coincidência, também o seu pai já tinha jogado, traria novas valências ao defesa-central e ao jogar parte da primeira temporada como avançado, muito para além de revelar uma afinada finalização, Amarildo conseguiria igualar o número de golos do melhor ponta-de-lança presente no seu grupo de trabalho!
Os anos seguintes, a revelarem da sua parte uma forte resiliência, ainda seriam cumpridos longe dos grandes palcos. Mais uma época no Mogadourense e, em 1991/92 e na disputa da 3ª divisão, a experiência no União de Montemor orientado por António Carraça, serviriam de rampa de lançamento para um patamar condizente com a sua categoria. Nesse sentido, com o convite do Farense, a época de 1992/93 marcaria a estreia do defesa-central no patamar máximo do futebol nacional. A trabalhar sob a alçada do catalão Paco Fortes, Amarildo, mesmo sem ser um dos indiscutíveis da agremiação algarvia, revelaria grandes qualidades, nomeadamente na atenção dada ao desenrolar do jogo e na assertividade das disputas de bola. Essas características, mesmo com a forte concorrência de colegas como Jorge Soares, Luizão ou Stefan a resultar num relativo ocaso, serviriam para que o atleta continuasse entre os “grandes”, com o passo seguinte na caminhada desportiva a levá-lo de volta a Trás-os-Montes.
No Desportivo de Chaves a partir de 1994/95, Amarildo, na minha modesta opinião, viveria os melhores anos da carreira. Ainda que com uma temporada de estreia pelos flavienses um pouco intermitente, a campanha seguinte sublinhá-lo-ia como um intérprete indubitavelmente de cariz primodivisionário. A notoriedade conseguida à custa das exibições e titularidade com a camisola listada de azul e grená, serviria para que, na temporada de 1996/97, o defesa abraçasse um projecto de ambição diferente e, no entanto, numa casa bem sua conhecida. Contudo, no regresso ao Belenenses, o infortúnio bater-lhe-ia à porta e uma grave lesão, muito mais do que comprometer o desenrolar da referida época, iria afectar a sua caminhada no futebol.
Mesmo asseverada a sua completa recuperação pelo médico dos “Azuis” e até pelo clínico da Federação Portuguesa de Futebol, a verdade é que muitos colocariam em causa essa mesma conquista. Com vários convites a caírem por terra, surgiria então a oportunidade de, na edição de 1997/98 da 2ª divisão “B”, Amarildo dar continuidade ao percurso competitivo. A entrada no Juventude de Évora precederia outro episódio curioso na sua carreira. Através de um amigo empresário residente na Austrália, o defesa anuiria ao repto lançado em tom de brincadeira e partiria para a aventura no Canberra Cosmos. Seguir-se-ia, já retornado a Portugal uma nova senda pelos escalões secundários lusos que começaria em 2000/01 no Oliveira do Hospital e terminaria, após 4 temporadas ao serviço do Sintrense, com o jogador a “pendurar as chuteiras” com o termo da campanha de 2004/05.

1272 - VALCKX

Depois de concluir a formação no VVV-Venlo, Stan Valckx, na temporada de 1983/84, fixar-se-ia no conjunto principal do emblema fundado na província de Limburgo. Ainda a disputar o segundo escalão dos Países Baixos, o defesa logo começaria a destacar-se como um dos bons intérpretes da agremiação e, nesse sentido, tornar-se-ia num dos pilares da subida de divisão conquistada no final da campanha de 1984/85.
A estreia no patamar máximo não afastaria o atleta das boas exibições. Aferido como um defesa tranquilo, com uma capacidade técnica superior e um entendimento táctico bem acima da média, Valckx rapidamente passaria a ser visto como um dos melhores da posição, a jogar na Eredivisie. Porém, merecido o estatuto, seriam necessárias 3 temporadas a competir nas principais provas do país, para que um grande emblema neerlandês apostasse na sua contratação. Apesar da demora, a saída do VVV-Venlo levá-lo-ia ao PSV. Em Eindhoven a partir de 1988/89, o jogador passaria a competir pela titularidade com Ronald Koeman, Mitchell van der Gaag, Ivan Nielsen ou Jozef Chovanec. Mesmo assim, a forte concorrência não haveria de esmorecer o central e, logo à chegada, conquistaria um lugar no sector mais recuado.
A primeira passagem pelo PSV rechearia o palmarés do defesa com inúmeros títulos. No entanto, os 3 Campeonatos e as 2 Taças vencidas durante as 4 temporadas cumpridas no emblema sob a chancela da Philips, não seriam os únicos marcos alcançados por Valckx. Durante o referido período, como prova da sua qualidade, também da equipa nacional dos Países Baixos chegaria a convocatória que resultaria na sua primeira internacionalização “A”. Chamado a jogo pelo lendário Rinus Michels, o “particular” disputado em Itália a 26 de Setembro de 1990, encetaria para o jogador uma caminhada que o levaria a um total de 20 partidas disputadas com as cores do seu país e, ainda mais importante, à lista de futebolistas que, em 1994, partiriam para os Estados Unidos da América, para participar no Campeonato do Mundo de Selecções.
Outra figura importante na carreira profissional do defesa, seria Bobby Robson. Depois de orientado pelo inglês ainda no PSV, a sua mudança para o Sporting ficaria intimamente ligada à contratação do técnico pelos “Leões”. Com a chegada de ambos a Lisboa a acontecer para a campanha de 1992/93, o defesa faria parte de equipas que, ao integrar nomes como Figo, Peixe, Capucho, Cherbakov, Balakov, Iordanov, Cadete ou Paulo Sousa acabariam tidas como das melhores de sempre a envergar o listado verde e branco. Todavia, contrariamente à qualidade dos planteis e do futebol praticado, o conjunto leonino e Stan Valckx nada venceriam.
Com Carlos Queiroz à frente do destino técnico do clube, seria já com a época de 1994/95 em andamento que o atleta neerlandês daria por terminada a ligação ao Sporting. Ao deixar Portugal, o jogador regressaria ao PSV. Numa passagem que, como futebolista, somaria quase meia-dúzia de temporadas, os títulos voltariam a fazer parte da sua rotina. Com o defesa a ajudar na vitória de outros 2 Campeonatos, 1 Taça e 1 Supertaça, aquela que seria a segunda passagem de Valckx pelo emblema sediado no Sul dos Países Baixos, prolongar-se-ia até ao termo da campanha de 1999/00.
Depois de “pendurar as chuteiras”, o antigo central manter-se-ia ligado à colectividade de Eindhoven, mas nas tarefas de Director-Técnico. Nessas funções ou em semelhantes, tem corrido o mundo e, a juntar ao regresso ao VVV-Venlo, também conta com experiências na China, Polónia e Chipre.

1176 - JORGE SOARES

Durante vários anos dividiria a actividade desportiva entre o futebol e, com marcas de cariz nacional, o atletismo. No “jogo da bola”, começaria pelas camadas jovens do Messejanense, emblema da sua terra natal, para depois passar para o Aljustrelense. A representar as cores do emblema “mineiro”, Jorge Soares chegaria à selecção de Beja. Ao disputar o Torneio Interassociações, seria descoberto por Fernando Pires (Fanã) e, pela mão do afamado adjunto de Paco Fortes, acabaria por entrar para as “escolas” do Farense.
No Algarve terminaria a formação e, ainda no decorrer da temporada de 1989/90, seria chamado ao conjunto principal dos “Leões de Faro”. Os bons índices competitivos, que faziam dele uma das grandes promessas da equipa, levá-lo-iam também aos estágios das jovens selecções nacionais. Sem conseguir qualquer internacionalização, chegaria a treinar com o grupo que, em 1991, ganharia o Mundial sub-20. Acabaria, numa altura em que já começava a ser uma presença assídua no “onze” do Farense, por ter a oportunidade de representar os sub-21 de Portugal e de, nessa categoria, ajudar a vencer a edição de 1992 do Torneio Internacional de Toulon.
Cada vez mais uma figura de relevo na estratégia do Farense, o defesa-central começaria a ser cogitado por outros emblemas, como um possível reforço. Apesar de algumas abordagens, Jorge Soares manter-se-ia no plantel dos algarvios por largos anos. Durante esse período, depois de fazer parte do grupo que, na sua época de estreia enquanto sénior, atingiria a final da Taça de Portugal, o atleta acabaria também por participar noutro dos mais importantes momentos da história da colectividade sediada na cidade de Faro. Em 1994/95, como um dos mais utilizados durante o Campeonato Nacional, ajudaria ao 5º posto da tabela classificativa e à qualificação para as provas continentais. Já no ano seguinte, na primeira participação do clube na Taça UEFA, entraria em campo em ambos os embates frente aos franceses do Olympique Lyonnais.
Aferido como um dos bons centrais a jogar em Portugal, Jorge Soares seria contratado pelo Benfica para a temporada de 1997/98. Apesar de uma primeira campanha em que, na “Luz”, jogaria amiúde, algumas avaliações menos boas, uma grave lesão na época seguinte à sua chegada a Lisboa e a preferência do treinador Graeme Souness por outros atletas, ditariam a saída do jogador. No Marítimo a partir da campanha de 1998/99, o defesa recuperaria a titularidade e, acima de tudo, o estatuto de atleta de valor. No emblema insular, onde também participaria nas competições organizadas pela UEFA, passaria 5 temporadas e sempre com bons níveis exibicionais. Ainda no Funchal, seguir-se-ia o União da Madeira, o regresso aos escalões inferiores e a entrada na última fase da sua carreira.
Com os derradeiros anos a aproximarem-se, seria o listado vermelho e branco do Louletano que acolheria o fim da carreira do central, enquanto futebolista. Já a preparar os anos após a saída da alta-competição, Jorge Soares regressaria à escola e concluiria os estudos superiores em Educação Física. Passaria, então, a repartir o seu tempo entre as tarefas de professor e a gestão das “escolas” de futebol abertas no Algarve, em parceria com o seu antigo colega de balneário, Jorge Portela.

946 - KING

Chega a Portugal com a temporada de 1992/93. Vindo do modesto emblema brasileiro do Nordeste, o destino de King parecia estar ligado ao Belenenses. Porém, as negociações entre o atleta e o clube lisboeta haveriam de esbarrar num qualquer impasse e o defesa acabaria desviado para o Norte do país.
Já no Minho, é com o Sporting de Braga que o central assinaria um acordo. Possante, intrépido e de métodos pragmáticos, o jogador acabaria por conseguir afirmar-se com alguma naturalidade. A sua autenticidade faria com que, durante a época seguinte, King continuasse a ser visto como um dos esteios do conjunto bracarense. Titular absoluto, o atleta acabaria por tornar-se num dos defesas mais bem cotados do nosso Campeonato. Alvo de outras equipas, e com o conjunto minhoto longe das lutas pelos lugares cimeiros, seria no Farense que haveria de dar seguimento à sua carreira.
Com o mítico Paco Fortes no comando técnico, os “Os Leões de Faro” já há muito andavam a perseguir voos maiores. Na temporada de 1994/95, a da chegada de King ao Algarve, esse objectivo acabaria por ser atingido. Com o 5º posto alcançado na tabela classificativa, e a consequente classificação para as provas da UEFA, seria com alguma naturalidade que o Farense veria alguns dos seus pilares a serem cobiçados. Resultado dessa avidez, King e Hassan, que terminaria a campanha como o Melhor Marcador do Campeonato, haveriam de seguir para Lisboa. No Benfica, a sorte de ambos seria madrasta e vítima das enormes mudanças ocorridas no clube.
Com a “revolução” perpetrada por Artur Jorge, as “Águias” acabariam bem aquém do esperado. O avançado marroquino ainda conseguiria “dar um ar da sua graça”. Já no que ao defesa diz respeito, a sua temporada na “Luz” haveria de tornar-se numa autêntica desgraça. Primeiro viriam as lesões na pré-época, que acabariam por atrapalhar a sua integração. Já com Mário Wilson à frente da equipa, surge a única oportunidade de vestir a camisola “encarnada” em partidas oficiais. No entanto, essa metade de jogo frente ao Lierse (Taça UEFA) não teria continuidade. Por fim, o desastre de carro que o afastaria dos relvados por um longo período – “Estava a conduzir em direcção a Cascais, era Inverno e apanhei um lençol de água. O carro descontrolou-se e despistei-me. Estava uma ambulância parada na berma – eu acho que já era para mim –, eu desviei-me e acabei por bater de frente contra um poste. Fracturei o fémur direito e as minhas perspectivas no Benfica morreram aí”*.
No final dessa temporada de 1995/96, King deixa o Benfica. Decide tentar a sua sorte fora do nosso país e divide a campanha seguinte entre a Liga francesa e a espanhola. Tanto no Châteauroux como no Atlético de Madrid “B” as suas prestações ficam abaixo das expectativas criadas em seu redor. Em 1998 regressa a Portugal e ao Farense. No emblema onde mais tinha conseguido destacar-se, o defesa volta às boas exibições. Alia tudo o que aqui já foi dito a outras das suas grandes qualidades e, com seu o “pontapé canhão”, também ajuda os algarvios nos propósitos ofensivos.
A sua saída de Portugal, à qual se seguiria um “ano sabático”, levá-lo-ia, mais uma vez, a outras ligas. Depois de regressar a Espanha e dessa passagem pelo Algeciras, King radica-se na Grécia. Ionikos, Veria, Kavala e Thermaikos preencheriam o derradeiro terço do seu percurso como futebolista. Agradado com o país e com as oportunidades conseguidas, o antigo atleta aí abraçaria as tarefas de treinador. Com o seu currículo a ser preenchido por experiencias como adjunto no Panathinaikos e Veria, o ex-defesa ficaria ligado a esse último emblema em funções de bastidores.

*adaptado do artigo de Pedro Jorge da Cunha, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 3 de Novembro de 2016.

872 - YURAN

Apesar de ter começado o percurso sénior ao serviço do Zorya Voroshlovgrado, seria a mudança para um dos históricos da antiga União Soviética que iria pô-lo na ribalta do futebol europeu. Mesmo tendo começado pelas divisões secundárias, as boas exibições do avançado iriam despertar a curiosidade do Dínamo de Kiev. A transferência aconteceria em 1988 e, a partir desse momento, a sua carreira mudaria.
Numa equipa recheada de estrelas e que, só no sector ofensivo, contava com Blokhin, Protasov ou Belanov, é fácil entender que a sua afirmação não foi nada fácil. Contudo, as características de Yuran seriam suficientes para que, no meio de tamanha concorrência, tivesse a confiança do mítico Valeriy Lobanovskyi. Sendo um avançado fisicamente possante, lutador e com uma boa pontaria, aos poucos iria conquistar o seu espaço. Já em 1990, talvez a sua melhor temporada no tempo da URSS, o ponta-de-lança conseguiria o destaque que há muito perseguia. Vence o Campeonato e a Taça, conquista o Europeu S-21, consegue a 1ª internacionalização com a principal selecção soviética e, em jeito de consagração, é eleito o Jogador Ucraniano do Ano.
Com o seu crescimento, dos países ocidentais começariam a surgir interessados no seu concurso. No Verão de 1991, o avançado consegue um acordo com um novo emblema. A sua chegada ao Benfica é acompanhada pela do seu companheiro de selecção, Kulkov. Aliás, para o bem e para o mal, os dois atletas fariam uma dupla inseparável. Nas “Águias” fariam parte das campanhas que levariam à vitória na Taça de Portugal de 1992/93 e na conquista do Campeonato Nacional da temporada seguinte. Por outro lado, a sua vida extra-futebol também seria alimento para os mais variados periódicos. Pior do que isso, é que esses excessos, como relembraria o técnico Toni, afectaria o bom funcionamento do plantel – “O problema, fora de campo, eram as noitadas. Aliás, nem eram as noitadas, mas o que eles faziam nessas noitadas. Lembro-me do médico ter de ir a Santo António de Cavaleiros, onde eles moravam, buscar o Iuran. 'Tenho febre', dizia ele. Está bem, está bem. 'Se tens febre o doutor vai aí ver-te!' Sabia muito aquele. Há pouco tempo, ele reconheceu que, como treinador, nunca aturaria um jogador como ele. Pudera!”*.
É após ter participado no Mundial de 1994, ele que também já tinha disputado o Euro 92, que recebe a notícia da sua dispensa. Com a troca de Toni por Artur Jorge no comando dos “Encarnados”, Yuran, tal como Kulkov, vê-se na lista de jogadores a libertar. Sem contrato, o avançado aceita o convite do FC Porto e muda-se para as Antas. Todavia, nem a mudança mudaria a atitude do jogador. Tal como na sua passagem por Lisboa, o jogador alimentar-se-ia de excessos e acabaria envolvido num acidente de viação mortal. Apesar dos comportamentos impróprios para um atleta de alta-competição, desportivamente o atacante manteria a sua importância e contribuiria para a vitória no Campeonato de 1994/95.
A passagem pela “Invicta” seria curta. Prejudicado pelo comportamento fora das “4 linhas”, o atleta, mais uma vez acompanhado por Kulkov, seria transferido um ano após a sua chegada. Daí em diante, e até “pendurar as chuteiras”, o seu percurso tornar-se-ia um pouco errante. Tendo, em primeiro lugar, voltado ao seu país, as mudanças de clube tornar-se-iam (quase) uma constante. Spartak de Moscovo (Rússia), Millwall (Inglaterra), Fortuna Düsseldorf e Bochum (Alemanha) antecederiam a sua passagem pelo Sturm Graz (Áustria) e o fim da sua carreira como futebolista.
Um par de anos após ter deixado os relvados, Yuran começaria a dedicar-se- às tarefas de treinador. Nessas funções, assumindo-se como técnico principal, conta já com experiências em diferentes clubes, com especial apetência para os emblemas do antigo bloco soviético. Como curiosidade, sublinhamos a sua passagem pelo Shinnik onde treinaria os portugueses Bruno Basto (ex-Benfica) e Ricardo Silva (ex-FC Porto).

*retirado do artigo de Pedro Candeias, http://expresso.sapo.pt/, publicado a 15/03/2014

790 - PETER RUFAI

Peter Rufai nasceu filho do Rei de Idimu. No entanto, e longe das obrigações da família, a sua grande paixão era o desporto. Mas nem o facto de na sua casa o futebol ser visto com pouco entusiasmo, impediria o jovem príncipe de enveredar pela modalidade que tanto gostava. Começaria a carreira no seu país, passaria pelo Benim e, finalmente, viajaria até à Europa.
A sua chegada à Bélgica em 1987, onde também concluiria os estudos, aconteceria numa altura em o guardião já tinha vestido a camisola da Nigéria. Tendo participado na CAN de 1984, o seu estatuto de internacional permitir-lhe-ia a transferência para o Lokeren. Depois de ter representado clubes como o Stationery Stores, Femo Scorpions e o Dragons de L’Oueme, o ingresso num dos campeonatos do “velho continente” faria com o que o seu valor aumentasse. Com um físico imponente, reflexos felinos e uma atitude destemida, a sua importância no seio da selecção também cresceria. Chamado à Taça de África das Nações de 1988 e peça fulcral na conquista da edição de 1994, a sua presença no Campeonato do Mundo como que cimentaria a sua relevância para a equipa nacional.
A participação no Mundial de 1994, viria numa altura em que Peter Rufai já tinha representado, para além dos emblemas acima citados, os belgas do Beveren e os holandeses do Go Ahead Eagles. Apesar da inexistência de nomes sonantes no seu percurso, as boas exibições no certame organizado pelos Estados Unidos, projectavam uma grande mudança na sua carreira. Bem, essa alteração até surgiria! Todavia, e para grande espanto, a sua preferência recairia no Sporting Clube Farense. No Algarve, o guarda-redes encontraria um clube que estava a atravessar o melhor período da sua história. Orientado pelo catalão Paco Fortes, o emblema algarvio, logo nessa época de 1994/95, consegue a primeira qualificação para as provas europeias. Também pelas “Super Eagles”, o atleta conseguiria manter-se na linha da frente e seria convocado a jogar a Taça das Confederações de 1995. É então que, entre outros convites, surge o interesse de um dos “3 grandes” – “No caso do Sporting lembro-me bem, foi mesmo o Farense que me pediu para ficar e eu aceitei. Foi no final da época em que nos apurámos para a Taça UEFA. Não queriam que eu saísse e eu pensei que jogar a Taça UEFA ia ser muito bom e como gostava muito da minha vida no Algarve escolhi ficar”*.
Tendo ficado mais ano e meio em Portugal, o convite do Hércules faria com que Peter Rufai, já no decorrer da temporada de 1996/97, mudasse de país. Meia temporada no patamar cimeiro espanhol, seria suficiente para que um dos maiores emblemas da “La Liga” o contratasse. No Deportivo La Coruña, ainda que na sombra do camaronês Jacques Songo’o, o guardião viveria o sonho de jogar num clube de grande dimensão. Curiosamente, e mesmo sem conquistar a titularidade, o seu estatuto na selecção nigeriana manter-se-ia intocável. A prova disso mesmo viria com a convocatória para o Mundial de 1998, onde conseguiria ser um dos esteios da equipa.
Foi ainda durante a passagem pela Galiza que o seu pai acabaria por falecer. A questão da sucessão ao trono fica então em cima da mesa e, para resolver esse assunto, Peter Rufai viaja até ao seu país. Contudo, e ao contrário da pretensão da sua família, o jogador acabaria por abdicar – “Nunca quis ser Rei. Se aceitasse não poderia ser futebolista. Eu sei que ia ter uma vida boa, porque eu sei como viviam os meus pais. Mas aquilo não era para mim. Não me fazia feliz. Eu queria era o futebol”*.
Já depois de ter posto um ponto final na sua carreira, decisão tomada após uma temporada ao serviço do Gil Vicente, Rufai fez questão de manter a ligação à modalidade. Tirou o curso de treinador no Reino Unido (1999/00), começou a trabalhar com jovens na Bélgica e acabaria por fundar o seu próprio empreendimento. O antigo futebolista é o mentor do projecto Dodo Mayana Soccerthon e, de volta ao seu país natal, tem ajudado a formar novos talentos e a lançá-los profissionalmente.


*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, em www.maisfutebol.iol.pt, publicado a 21/01/2016

718 - VITAL

Jogava hóquei em patins pelo Sporting de Tomar, quando recebe um pedido de ajuda. João Segorbe, guardião que por essa altura era atleta do GD Matrena, e que ao mesmo tempo aí treinava os iniciados, vê-se sem jogadores para ocupar a baliza. Sabendo que Vital estava habituado a funções semelhantes, lá consegue convencer o jovem a trocar os ringues pelos campos da bola.
Apesar da pequena estatura, a sua elasticidade, poder de elevação e segurança entre os postes, faziam de Vital um bom guarda-redes. Nesse sentido, não tardou muito que do União de Tomar chegasse o interesse na sua contratação. No emblema da “cidade templária”, criadas que estavam as condições para o surgimento dos escalões de formação, o jovem atleta é chamado a ocupar a baliza dos juniores. A aprendizagem demonstrada levaria a que, ainda em 1978/79, começasse a aparecer junto da equipa principal. No entanto, a sua integração definitiva apenas aconteceria na temporada seguinte.
É então, pelo União de Tomar que faz a sua estreia no nível sénior. Num plantel onde também estava João Segorbe, Vital acabaria por tornar-se numa enorme revelação. Mesmo sendo muito jovem, o lugar à baliza rapidamente é por si ocupado. Com tamanha evolução não foi de estranhar que, com a descida do União de Tomar à 3ª divisão, logo viessem outros emblemas no seu encalço. Rio Maior e, logo de seguida, o Lusitano de Évora acabariam por servir de trampolim para o escalão maior.
A sua estreia pelo Portimonense dá-se na temporada de 1984/85. Com Manuel José aos comandos da equipa, o clube consegue a melhor classificação na sua existência. Com o 5º lugar conquistado no ano da sua chegada, é Vital que, no ano seguinte, tem o dever de defender as redes algarvias nas provas europeias. Frente ao Partizan, o guardião é chamado ao “onze inicial”. Todavia, a sua prestação seria incapaz de evitar a passagem dos de Belgrado.
Mesmo sem nunca ter obtido uma internacionalização pela selecção principal portuguesa, Vital acabaria por integrar a lista de pré-convocados para o México 86. Ainda que sem conseguir um lugar no grupo que iria disputar a fase final do Campeonato do Mundo, as boas exibições levam a que o Sporting o vá buscar a Portimão. Em Alvalade, apesar de reconhecidas as suas qualidades, a concorrência de outros grandes futebolistas tornaria a sua afirmação muito difícil. Vítor Damas, Rui Correia e, mais tarde Rodolfo Rodriguez ou Ivkovic, acabariam por tornar a sua estadia em Lisboa em algo muito discreto.
Seriam necessários mais alguns anos, e passagens por Estrela da Amadora e Tirsense, para que Vital voltasse ao nível exibicional que havia atingido nos primeiros anos da sua carreira. No Gil Vicente, onde chegaria na temporada de 1993/94, o guardião volta a ser um atleta preponderante. Com os de Barcelos a disputar o patamar maior, o jogador acabaria por tornar-se numa das figuras do clube.
Depois de 4 anos em contendas primodivisionárias, os “gilistas” acabariam despromovidos. Essa descida coincidiria com a entrada de Vital na derradeira fase do seu percurso como atleta. A partir desse momento, o guarda-redes manter-se-ia nos escalões secundários. Já ao serviço do Esposende, quando estava bem perto de completar 40 anos de idade, o jogador decide ser altura certa para deixar os relvados. Logo de seguida, enceta as suas tarefas como treinador de guarda-redes. No cumprimento das mesmas, tirando uma curta passagem pelos “Leões”, tem defendido as cores do Sporting de Braga. Esta temporada (2016/17), coadjuvando José Peseiro, Vital continua a trabalhar em prol do sucesso dos minhotos.

664 - JOÃO OLIVEIRA PINTO

Destacado jovem promessa da formação sportinguista, João Oliveira Pinto era médio ofensivo. Ocupando a posição “10”, dentro de campo era um jogador que, tendo a bola nos pés, sabia interpretar as movimentações dos seus colegas. Este paradigma, aliado a uma capacidade de passe superior, fazia dele um belíssimo municiador do ataque ou, se quisermos, um grande apoio aos jogadores mais avançados no terreno de jogo.
Carisma era algo que nele, também, se destacava. Desde tenra idade, o que torna tudo ainda mais surpreendente, a maturidade que mostrava durante as partidas, revelava-o como um futuro craque. Com a braçadeira de capitão, durante muitos anos, o jovem atleta seria considerado como o grande “diamante” das escolas leoninas.
Quem, de igual modo, não ficaria alheado das suas qualidades, seria Carlos Queiroz. O treinador, responsável pelas jovens selecções nacionais de então, que tantas vezes já o havia chamado a representar a equipa portuguesa, junta o seu nome ao lote de convocados para o Mundial S-20 de 1991. Por essa altura, João Oliveira Pinto, ainda que nos patamares secundários, já evoluía no escalão sénior. Ao serviço do Atlético, o médio dava continuidade ao trabalho feito, tanto no Sporting, como com a “camisola das quinas”.
Ora, no já referido Campeonato do Mundo, disputado que foi em Portugal, João Oliveira Pinto não estaria no topo das prioridades tácticas. Todavia, mesmo afastado da titularidade, o médio era uma grande ajuda àquela que era a “linha da frente”. O seu contributo para a caminhada vitoriosa da nossa selecção, traduzir-se-ia, entre a fase de grupos e as subsequentes eliminatórias, em 3 partidas disputadas.
Sem que bem se entenda o motivo, ao jogador não seriam dadas grandes chances no Sporting. Na única temporada em que fez parte do plantel principal (1991/92), a sua presença em campo resumir-se-ia a pouco mais do que a chamada para disputar a Taça de Honra da Associação de Futebol de Lisboa. Ora, perante tamanha escassez de oportunidades, ao centrocampista não seria dada outra escolha, senão a de prosseguir a sua carreira ao serviço de outro emblema.
Com a sua saída de Alvalade, a carreira do médio começou a caracterizar-se por uma constante mudança de clubes. Vitória de Guimarães, Estoril-Praia, Gil Vicente, Sp. Braga, Farense e Marítimo, fazem parte da longa lista de emblemas que, durante 9 temporadas consecutivas, serviriam de morada para o atleta. Contudo, tirando a sua passagem pelos “Canarinhos”, onde ainda desempenharia um papel preponderante, todas as suas restantes épocas, ainda que primodivisionárias, ficariam marcadas por uma qualidade competitiva muito distante das suas exibições enquanto jovem.
Já depois de entrar na última etapa da sua carreira, fase essa que se estenderia quase até aos 40 anos de idade, João Oliveira Pinto, no Alfarim, clube dos “Regionais” de Setúbal, decidiria pôr fim à sua vida de futebolista. Recentemente, sem abandonar o mundo do desporto, tem desempenhado funções como Delegado aos jogos, representando o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol.

594 - CAETANO

Depois de umas quantas temporadas a jogar pela equipa principal do Penafiel, o FC Porto lembra-se do jogador que, 4 anos antes e de “Azul e Branco” vestido, tinha posto um ponto final nas suas etapas de formação.
Os números desse futebolista, de seu nome Caetano, não se quedavam apenas pelas épocas que já levava como sénior. As partidas disputadas, os golos concretizados e, acima de tudo, as exibições de encher o olho, fariam com que Artur Jorge, nesse Verão de 1989, quisesse de volta às Antas, o atacante que, tão precocemente, abandonara o “Reino do Dragão”.
Veloz, com uma técnica que permitia ultrapassar o mais intrépido dos defesas e esforçado nas tarefas de recuperação da bola, Caetano tinha tudo para impressionar os seus treinadores. Contudo, por essa altura, no Estádio das Antas morava uma equipa que, na ressaca da vitória na Taça dos Campeões Europeus de 1987, estava carregada de craques. Ora, no lado destro da ofensiva portista morava um tal de Jaime Magalhães. Como uma sombra, o internacional português haveria de ser o principal responsável pela ofuscação do, recém-chegado ao clube, extremo direito.
Sem grandes chances de mostrar as suas, mais que certas, qualidades, Caetano haveria de deixar o emblema da “Invicta”, ao fim da campanha de 1989/90. Com o título de Campeão Nacional na bagagem, o atacante rumaria ao Tirsense. A ida para a “Cidade dos Jesuítas” que, de início, até poderia ter sido vista como um retrocesso, acabaria por se revelar uma decisão bastante acertada.
Em Santo Tirso, Caetano jogaria por 6 temporadas. A maioria delas, num corrupio constante entre a 1ª Divisão e o escalão de Honra, acabariam por não trazer nada de especial à sua carreira. Contudo, no meio de alguns desaires colectivos, a época de 1994/95 acabaria por revelar-se excepcional.
Numa equipa que haveria de divulgar nomes como os de Marcelo (Benfica; Birmingham), Paredão (Benfica; Chelsea) ou Giovanella (Belenenses; Celta de Vigo), Caetano era um dos valores certos no seio do plantel. Comandados por Eurico Gomes, o Tirsense haveria de fazer uma das melhores temporadas da sua história, atingindo o 8º posto da classificação. Ora, os reflexos da dita campanha não tardariam a chegar. Um deles seria a chamada de Caetano à Selecção Nacional, durante a qual ajudaria a “Equipa das Quinas” a conquistar a “SkyDome Cup”.
Após uma derradeira temporada (1996/97) ao serviço do Sporting de Espinho, Caetano, que apenas contava com 30 anos de idade, decide-se pelo fim da sua vida como futebolista. Depois, lançar-se-ia na carreira empresarial, onde, ainda hoje, despende maior parte do seu tempo. No entanto, a sua paixão pela modalidade não o deixaria afastar-se do universo do futebol. Seria noutras funções que Caetano regressaria ao mundo do desporto. Desta feita como dirigente, o antigo internacional português haveria de ser eleito Presidente do União Sport Clube Paredes.

484 - EDMILSON

Descoberto pelo Nacional da Madeira nas divisões secundárias do Brasil, Edmilson, que acumulava o futebol com a actividade de contabilista, chega ao Funchal em 1993 para assinar um contrato de profissional. As qualidades que, dentro de campo, logo mostrou, com a velocidade e a técnica a sobressaírem, fez com que a sua estadia na "Pérola do Atlântico" apenas durasse uma temporada. Foi então que, à sua vida, chegou a Primeira Divisão e, na altura, a camisola do Salgueiros.
Mais uma excelente época e mais um salto na sua carreira, desta vez para o FC Porto. Nas Antas, as suas exibições pelo lado direito do ataque, onde tantas vezes foi o municiador de homens como Domingos ou Jardel, elevaram-no a estrela da nossa Liga. Dois Campeonatos e uma Supertaça acabariam por ser os números dessa passagem pelos "Dragões", onde as presenças na "Champions" acabariam por projectar o seu nome além-fronteiras.
Ora, seria exactamente do estrangeiro que surgiria nova oportunidade para Edmilson e o PSG acabaria por ser a seu novo destino. No entanto, a sua estadia na capital gaulesa, acabaria em rotundo falhanço, com o atleta a ser pouco utilizado. Rapidamente se equaciona o regresso a Portugal e a um clube de monta. No entanto, a viagem que, ainda no decorrer dessa mesma temporada, o traz de volta acaba por o levar a Sul e, desta feita, ao Sporting. Com os "Leões" passa 4 anos, durante os quais assume especial importância na época de 1999/00, sendo um dos principais obreiros da vitória no Campeonato - "O Sporting não ganhava o título há 18 anos e a verdade é que o meu nome está lá, na lista de campeões".
Surpreendentemente, no ano seguinte Edmilson eclipsa-se. Regressa depois ao Brasil, mas como o seu estatuto já era bem diferente daquele com que tinha deixado o seu país natal, assina pelo Palmeiras. Mais uma vez, sem que nada aparente o consiga explicar, o atacante falha na sua passagem pela equipa paulista.
Começa, então, um périplo que o levaria a alternar a sua vida de futebolista, entre países europeus como a Bélgica, Noruega e Portugal (Portimonense) e o Brasil. Mas a verdade é que Edmilson parecia, por estes tempos, estar bem longe da forma que o tinha categorizado. Apenas representava emblemas modestos e como, a certa altura, a sua carreira parecia estar próxima do fim, fez com que o mesmo acontecesse naquele que tinha sido o seu primeiro clube e o qual, entretanto, havia comprado.
Após o términus no Colatina, Edmilson voltou ao futebol no Espírito Santo de Marilândia. Mas se as funções para as quais lá estava, em principio, não o levariam a ser mais nada do que Presidente, a verdade é que, resultado de atrasos nas inscrições de atletas, Edmilson teve de voltar a calçar as chuteiras - "Foi complicado. Eu só estava inscrito porque queria fazer mais um jogo de despedida. Mas como faltavam vários certificados de jogadores, tive de entrar em campo e fiquei empolgado".

420 - RODRIGÃO

Talvez vá para além da vossa memória, mas a primeira vez que Rodrigão mostrou as suas habilidades em Portugal, não foi quando, em 1993/94, assinou um contrato com o União da Madeira. Dois anos antes o médio tinha passado pelo nosso país… Já estão recordados?
Em 1991, por ocasião do Mundial sub-20 organizado em território luso, na selecção do Brasil, por entre outras figuras que passariam pelas competições portuguesas, casos do treinador Ernesto Paulo, Serginho Fraldinha, Serginho Cunha, Paulo Nunes ou Luiz Fernando estava também um rapaz de seu nome Rodrigo Dias Carneiro. Esse jovem promissor que, por essa altura, já havia conseguido estrear-se pela equipa principal do Flamengo, brilhava nas equipas jovens do “Escrete” e, inclusive, seria chamado a jogar a final do torneio acima referido. No trajecto clubístico, depois de vestir a camisola do Botafogo, a Rodrigão chegaria o convite vindo da Madeira. Aceitado o desafio, o médio-defensivo seria apresentado como reforço dos “Insulares” na temporada de 1993/94, onde voltaria a encontrar-se com Ernesto Paulo. No Funchal, apesar de uma primeira campanha mais modesta, o “trinco” assumir-se-ia como um sustento para o sector intermediário. A valorização conseguida durante os 3 anos passados a envergar a camisola amarela e azul, mesmo tendo de disputar a divisão de Honra de 1995/96, valer-lhe-ia a cobiça de colectividades de outra monta e o Sporting de Braga transformar-se-ia no seu próximo passo.
Na "Cidade dos Arcebispos", Rodrigão voltaria a assumir-se como um elemento importante na estratégia do clube. Tal seria a maneira brilhante como haveria de conseguir impor-se no seio dos “Guerreiros” que, ano e meio após a chegada ao Minho, de Espanha surgira um convite irrecusável. Na La Liga de 1997/98 passaria a envergar as cores do Sporting Gijon. Porém, com a entrada na equipa asturiana, o médio-defensivo perderia a preponderância alcançada anteriormente e a mudança para o Málaga, a militar, na temporada de 1998/99, no escalão secundário de “Nuestros Hermanos”, emergiria como a melhor solução para a sua carreira.
É depois da passagem pelo emblema do sul de Espanha que começam a surgir algumas dúvidas no desenrolar da sua caminhada competitiva. Por um lado, parece certo que Rodrigão terá representado o Manchego e o Guadix, respectivamente nas épocas de 1990/00 e de 2000/01. No entanto, existem fontes a dar o jogador a dividir a campanha em que terá envergado as cores do Málaga, com os venezuelanos do Mineros Guayana. Onde está a verdade? Não consegui saber!
Correcto é dizer-se que Rodrigão terá regressado a Portugal a meio da campanha de 2000/01 e mais uma vez para vestir a camisola do Sporting de Braga. Porém, ao contrário da experiência anterior, o atleta não alcançaria números tão faustosos. Meses depois, o jogador regressaria ao Brasil e é nessa temporada de 2001 que surge mais uma dúvida, pois o Botafogo que desponta no seu currículo, em algumas fontes aparece como sendo o “carioca” e noutras como a colectividade sediada em São Paulo. Já daí para a frente parece haver algum consenso em pôr o “trinco” no Vitória de Pernambuco, Atlético Paranaense e, por fim, no plantel de 2006/07 dos sauditas do Al Hilal.