Ainda em idade de formação, Augusto Lamela da Silva começaria a destacar-se dos demais colegas das “escolas” do Vitória Sport Clube. Tamanha virtude desportiva faria com que fosse convencido a ir prestar provas ao FC Porto. Apesar de assoberbado pela grandeza da colectividade sediada na “Cidade Invicta”, o jovem praticante, ao treinar-se perante José Valle, agradaria e seria convidado a rubricar um contrato com os “Dragões”. No entanto, na hora de tomar uma decisão, a gratidão merecida ao emblema de origem fá-lo-ia recuar. Regressaria a Guimarães e ainda em idade de júnior, chamado por Fernando Vaz, o jogador, depois de já ter representado os “reservas” do conjunto minhoto, faria a estreia na equipa principal dos “Conquistadores”.
A entrada no conjunto maior dos vimaranenses aconteceria no decorrer da campanha de 1957/58. Muito para além desse marco, o momento ficaria igualmente marcado por uma curiosidade, a saber-se, o facto de Augusto Silva, a partir daquele momento, passar a ser colega do tio António Silva, ilustre guarda-redes da equipa e a figura que o havia acolhido em casa aquando da sua mudança de Barcelos para Guimarães. Porém, apesar do apoio familiar e, acima de tudo, das qualidades reveladas até então, a verdade é que o jovem atleta, que podia posicionar-se na defesa ou no sector intermediário, na direita ou na esquerda, ainda demoraria algum tempo até conseguir afirmar-se como um dos pilares do grupo de trabalho.
Depois da estreia ainda na 2ª divisão, a subida do Vitória Sport Clube ao escalão principal faria com que Augusto Silva, na temporada de 1958/59 e com Mariano Amaro como “timoneiro”, aparecesse pela primeira vez em jogo na condição de atleta primodivisionário. Durante os anos iniciais da carreira, a sua utilização, potenciada a ausência por graves lesões, cirurgias e longos períodos de recuperação, seria escassa. Mesmo assim, o potencial apresentado pelo jogador justificaria a sua continuidade no plantel. Tal cenário, no que diz respeito às entradas em campo, começaria a mudar, com Artur Quaresma à frente da equipa, na campanha de 1960/61 e com a titularidade a surgir passada apenas uma época. Nesse sentido, 1961/62 serviria para que o defesa viesse a catapultar-se e conseguisse, principalmente, chamar a atenção dos “grandes” em Portugal.
Com o FC Porto novamente na sua ilharga, o defesa acabaria convencido pelo Benfica a mudar de camisola. Envolvidos no negócio, a Guimarães chegariam, a título definitivo, Manuel Pinto e Teodoro e por empréstimo Zeca Santos e Testas. Já Augusto Silva, com Pedras como parceiro de transferência, partiria em direcção a Lisboa para, instalado na Luz a partir de 1962/63, enfrentar uma forte concorrência, num grupo de trabalho a viver o rescaldo de duas vitórias na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Tamanha rivalidade interna não daria grande espaço para que o atleta confirmasse os seus predicados. Com Cavém, Cruz ou Ângelo a tomar a dianteira na preferência de Fernando Riera, o jogador acabaria remetido para a condição de suplente. Tal estatuto manter-se-ia inalterado ainda durante algumas temporadas. Ainda assim, a sua importância continuaria incontestável e seria, por essa razão, um dos nomes arrolados na conquista de vários troféus.
A temporada de 1965/66 viria mudar o seu uso no seio dos “Encarnados”. Com Béla Guttmann de regresso ao comando técnico do Benfica, o jogador começaria, amiúde, a fazer parte do “onze”. A época seguinte, novamente sob a alçada de Fernando Riera, começaria por prometer idêntica utilização. Porém, uma digressão das “Águias” pelo Chile terminaria em desgraça para o defesa, quando, no hotel onde a equipa estava instalada, seria vítima de um acidente vascular cerebral. Encontrado caído no quarto por Iaúca e Camolas, o jogador seria prontamente socorrido e internado num hospital de Santiago. No entanto, no final do período de convalescença, durante o qual permaneceria no país sul-americano e sempre na companhia do treinador, as mazelas sofridas dá-lo-iam definitivamente perdido para a prática desportiva. Ainda assim, o Benfica não abandonaria o antigo futebolista e, ao retirar-se da competição com o palmarés recheado pelas vitórias em 4 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal, Augusto Silva, na volta a Lisboa, ficaria a trabalhar na sede do clube, onde viria a desempenhar diversas funções.

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