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1801 - LÚCIO

Nascido no Brasil, mas com filiação portuguesa, Lúcio Soares desde cedo mostraria fortes aptidões para a prática do futebol. Depois de uma fase inicial, ainda com estatuto de amador, durante a qual representaria agremiações como o Estrelinha do Reduto, o Minas Atlético Clube de Manhumirim ou Fluvasan de Manhuaçu, a mudança para o Rio de Janeiro levá-lo-ia a encetar um percurso profissional. Primeiramente ao serviço da Portuguesa da Ilha do Governador, onde ficaria até ao ingresso no América (RJ), seria no último emblema mencionado, onde chegaria a ser treinado por Dorival Yustrich, que o defesa-central, depois de uma digressão europeia, chamaria a atenção do Sporting.
Com a mudança para Alvalade a ocorrer na temporada de 1959/60, Lúcio, ainda sob a batuta de Fernando Vaz, conseguiria logo fixar-se no “onze” dos “Leões”. A preponderância demonstrada nos desenhos tácticos da equipa, onde o forte pontapé e a exímia habilidade para a marcação de livres directos constituiriam motivo de grande destaque ao longo da sua carreira, levá-lo-iam a ser cogitado para a equipa nacional. Chamado por José Maria Antunes aos trabalhos da principal selecção portuguesa, o defesa-central estrear-se-ia com a “camisola das quinas”, a 27 de Abril de 1960. Com o arranque da caminhada internacional a dar-se num particular frente à Republica Federal da Alemanha, esse jogo, que teria como treinador de campo Otto Glória, serviria de arranque a uma caminhada que, com algum tempo de intervalo, teria continuidade cerca de um ano e meio depois. Tal reatamento empurrá-lo-ia para mais disputas com as cores lusas e o jogador embelezaria o currículo com um total de 5 partidas feitas ao serviço de Portugal e, como revelado no encetar dessa aventura, com um enorme sentido de brio – “Nem me pergunte se isso me dá prazer. Estou feliz e honrado mas sei que não sou o único. Lá longe, numa casinha em Niterói [arredores do Rio de Janeiro], onde deixei parte do meu coração, um homem e uma mulher devem ter chorado de alegria e de orgulho quando souberam que o seu filho fora chamado para defender as cores de Portugal. Nasci no Brasil, sim, mas sou português de direito e de sangue. Sabe, é que eu não sou estrangeiro, não”*.
Não só do trajecto internacional, no qual viria a tornar-se, a par de David Júlio, num dos primeiros naturalizados a representar Portugal, viveria a caminhada competitiva de Lúcio. Também no Sporting, o atleta saberia constituir-se como uma figura de referência no panorama desportivo da colectividade “alfacinha”. Curiosamente, após uma época de arranque bem auspiciosa, o defesa-central, numa segunda campanha, orientado pelo argentino Alfredo González, viria a perder a visibilidade alcançada de início. A importância desportiva viria a recuperá-la não muito tempo depois. Já restituído à titularidade, Lúcio transformar-se-ia num dos pilares de várias conquistas. O Campeonato Nacional de 1961/62 emergiria como o primeiro desses triunfos colectivos. Também a Taça de Portugal viria a enriquecer o seu palmarés. Na final de 1962/63, época em que mais vezes seria chamado a campo pelo Sporting, o jogador seria um dos escolhidos, por Juca, para defrontar o Vitória Sport Clube e, no Estádio Nacional do Jamor, um golo seu ajudaria à vitória por 4-0.
Outro importante triunfo alcançado enquanto membro do Sporting, seria a Taça dos Vencedores das Taças de 1963/64. Curiosamente, seria este importante marco que, tempos depois, levaria ao fim da ligação do jogador com os “Verde e Brancos”. A história conta-se depressa e no rescaldo da 1ª mão dos quartos-de-final da prova, derrota forasteira, por 4-1, frente ao Manchester United, o jogador, resultado de uma fraca exibição, acabaria acusado, pelos colegas de equipa, de uma enorme falta de compromisso. Após o tamanho desentendimento, o defesa-central ver-se-ia afastado da titularidade, substituído por Alexandre Baptista nas tarefas do sector mais recuado e com o termo da aludida temporada a trazer-lhe o fim da experiência enquanto atleta dos “Leões”.
Regressado ao Brasil, Lúcio ainda daria muito ao futebol. Contratado em 1964 pelo Flamengo da Varginha, o defesa-central, em 1967 regressaria, por pouco tempo, à Portuguesa do Rio de Janeiro. Por fim, voltaria ao emblema referido no começo deste parágrafo e após também exercer as funções de treinador-jogador, o final da sua carreira surgiria com o termo das provas agendadas para a campanha de 1971.

*retirado do artigo de Rui Miguel Tovar, publicado a 19/04/2021, em https://www.contacto.lu/

1800 - TITO

Muito mais do que um hábito reiterado, começa a tornar-se num verdadeiro “cliché” o encetar destes singelos textos com uma dissertação sobre a dificuldade em encontrar informações sobre um determinado futebolista. No entanto, mesmo esperançado que o conteúdo das linhas que estou a preparar-me para escrever, tal como na definição do galicismo inicialmente apresentado, não percam o seu impacto, mais uma vez tenho de começar esta biografia por afirmar que pouco, ou quase nada, sei sobre Tito!
Depois desta dramática introdução, deixai-me dizer que Tito, em abono da verdade, terá sido baptizado com o nome Carlos do Rosário Neto. Nascido a 4 de Junho de 1943, em São Nicolau – Santarém, os primeiros registos que encontrei sobre este defesa-central, que também saberia posicionar-se como médio-centro, reportaram-me, imediatamente, para o Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961. Sendo o atleta, por altura do certame disputado em Portugal, elemento dos quadros desportivos do Sport Grupo Scalabitano «Os Leões», popularmente conhecido como Leões de Santarém, tal facto constituiu a primeira grande surpresa sobre a sua convocatória ao grupo de trabalho sob a batuta da Federação Portuguesa de Futebol. Curiosamente, nesse rol elaborado por David Sequerra, não seria o único a fugir ao inventário de emblemas tradicionais nestas andanças e o sanjoanense Calhau, que já foi retratado por este “blog”, também haveria de constituir uma enorme “pedrada no charco”!
Apesar da indubitável importância da sua presença no Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961, sublinhada a relevância da sua convocação pela vitória de Portugal no certame, o jogador acabaria a prova sem que José Maria Pedroto viesse a chamá-lo para qualquer presença em campo. Curiosamente, ao invés do que tal chamada poderia indicar, a porta aberta pela maior entidade do futebol luso não teria qualquer continuidade e o defesa, no resto da carreira, não registaria qualquer internacionalização por Portugal.
Contrariamente à sua experiência com a “camisola das quinas”, o jogador, no que diz respeito à caminhada clubística, haveria de tornar-se numa das figuras icónicas dos Leões de Santarém e também, com a fusão deste emblema com outras colectividades da capital ribatejana, do União de Santarém. Todavia, também neste campo a informação por mim recolhida não dá para reconstituir o seu trajecto de uma forma consistente. Ainda assim, os dados obtidos permitem-me dizer, de forma fidedigna, que o jogador, na temporada de 1961/62 terá vestido a camisola do emblema “leonino” nas disputas consignadas ao Campeonato Nacional da 3ª divisão. Ainda nesse escalão, Tito terá entrado em campo no espraiar da campanha seguinte. A diferença viria na segunda parte da prova, com a colectividade por si representada a chegar à final. Na derradeira partida, disputada frente ao Famalicão, seriam os escalabitanos a conseguir a vitória e a sair de Coimbra, como resultado do 3-2 final, em posse do troféu correspondente à conquista do 3º escalão nacional.
Também o cromo apresentado, referente às provas de 1966/67, pode servir de fonte. Porém, daí para a frente não encontrei qualquer registo de Tito a jogar pelos Leões de Santarém. Já no que diz respeito ao União de Santarém, a sua presença far-se-ia notar nas temporadas de 1969/70 até à campanha de 1971/72. Por essa razão, e também pelo facto dos Leões, como mencionado anteriormente, terem dado origem ao União, não é difícil pressupor que o defesa ter-se-á mantido fiel ao emblema “leonino”, até à dita fusão.

1733 - COUCEIRO

Apesar de natural de Tentúgal, Bento Silva Soares Couceiro haveria de ter no Sporting o termo do percurso formativo. Também no que diz respeito ao encetar da caminhada sénior, seria no emblema lisboeta que o jogador, inicialmente avançado para mais tarde passar a posicionar-se como defesa, daria os primeiros passos. Porém, nessa temporada de 1951/52, o jovem atleta apenas conseguiria um lugar no conjunto de “reservas”. A época seguinte, com o intuito de ganhar mais estaleca competitiva, passá-la-ia, na disputa da 2ª divisão, ao serviço do Luso do Barreiro. De regresso ao plantel dos “Leões”, a verdade é que a sorte alcançada na campanha de 1953/54 não seria diferente da obtida na experiência anterior e sem lugar na equipa principal, os empréstimos seguintes cumpri-los-ia na Serra da Estrela.
A chegada ao Sporting da Covilhã em 1954/55 daria a oportunidade a Couceiro de fazer a estreia no escalão máximo do futebol português. Treinado por János Szabó, depressa o defesa conseguiria assegurar um lugar na canhota do sector mais recuado. A preponderância conquistada com a titularidade, faria do jogador um dos pilares daquela que viria a ser a melhor posição de sempre dos “Serranos”. Com a agremiação beirã a terminar o Campeonato Nacional de 1955/56 no 5º posto da tabela classificativa, a importância desse feito, lado-a-lado com as suas excelentes prestações, assegurar-lhe-iam o regresso a Lisboa. No entanto, a temporada de 1956/57 resultaria em números bem aquém do esperado e o atleta poucas vezes apareceria em campo pelos “Verde e Brancos”.
Já a título definitivo, Couceiro voltaria à “Capital dos Lanifícios” para, na temporada de 1957/58, passar a integrar o plantel dos “Leões da Serra”. De novo a jogar em casa no Estádio José dos Santos Pinto, o defesa apanharia o clube afastado do convívio com os “grandes”. Ainda assim, a disputa do escalão secundário seria de pouca dura para a colectividade. Campeões da 2ª divisão, a campanha de 1958/59 marcaria o regresso dos homens da Beira Baixa à prova de maior monta no calendário luso de futebol. A mencionada subida de patamar permitiria ao jogador, ao consagrar-se como uma das grandes figuras do “onze” idealizado pelos diferentes treinadores, somar ao currículo outras 4 épocas primodivisionárias. Tal registo permitir-lhe-ia sublinhar o seu nome – ainda hoje o registo é válido – como um dos atletas com mais presenças no degrau máximo, pelo Sporting da Covilhã. Ainda assim, esse não seria o maior reconhecimento dado ao atleta. Nesse sentido, a braçadeira de capitão, entregue à sua responsabilidade, tornar-se-ia num dos maiores prémios concedidos à sua carreira. Por fim, sinal também do seu valor, falta referir a chamada, ao lado de José Rita e de Fernando Cabrita, aos treinos da selecção nacional, pela qual, infelizmente, nunca chegaria a entrar em campo.
Após mais um par de épocas a representar o Sporting da Covilhã, anos cumpridos novamente na 2ª divisão, Couceiro deixaria os “Leões da Serra” para, em 1964/65, como atleta e também como treinador, passar a envergar as divisas do Gouveia. Por fim, segundo algumas fontes, informação que não consegui confirmar, Couceiro, como técnico, ainda teria experiências à frente de colectividades como a AD Fornos de Algodres, Mangualde, Académico de Viseu e AD Guarda.

1708 - DJALMA

Djalma Nascimento Freitas chegaria, em 1957 e numa altura em que ainda era júnior, à equipa principal do Caxangá EC. Pouco tempo bastaria para que, na época de 1958, assinasse o primeiro contrato como futebolista profissional. No entanto, a sua passagem pelo América de Pernambuco seria de curta duração. As suas excelsas qualidades técnicas e o enorme faro para o golo logo haveriam de pô-lo no caminho de emblemas com ambições maiores e a campanha de 1959 marcaria o início da sua ligação com o Sport Recife.
Naquela que é um das mais importantes colectividades do Estado de Pernambuco, Djalma continuaria a revelar enorme habilidade para as funções de avançado-centro. De tal forma boas seriam as aferições feitas às suas exibições, que o seu nome depressa passaria a estar na boca de todos os que, já a nível nacional, tinham por hábito acompanhar as pelejas oferecidas pela modalidade. Nesse sentido, corria a temporada de 1961, o São Paulo, orientado por Flávio Costa, treinador com duas passagens pelo FC Porto, pediria autorização ao Sport Recife para incluir o jogador numa digressão a fazer pela América do Sul. Com os jogos planeados para a viagem a correrem de feição ao jogador, à chegada ao Brasil, os responsáveis pelo “Tricolor” encetariam negociações com o clube detentor do seu passe, no sentido de uma possível transferência. Porém, as exigências tornar-se-iam altas demais e a hipotética mudança de emblema haveria de cair por terra.
Seria também por essa altura que a vinda de Djalma para Portugal haveria de estar em cima da mesa. Segundo o que haveria de ser veiculado, com o presidente do Sport Recife natural da Covilhã, as negociações com vista à sua entrada nos “ Leões da Serra” até chegariam a bom porto. Contudo, mesmo à beira de consumar a travessia atlântica, o negócio claudicaria e o avançado permaneceria ao serviço da agremiação pernambucana.
Ao manter-se com a camisola do Sport Recife, ao serviço do qual, em 1961 e 1962, viria a sagrar-se bicampeão estadual, Djalma também conquistaria, no primeiro dos anos referidos, o título de Melhor Marcador da prova. Ainda assim, mesmo com os sucessos alcançados, o atleta continuaria a alimentar o sonho de jogar fora de fronteiras. Essa oportunidade surgiria na temporada de 1965/66. Já como atleta do Vitória Sport Clube, onde, à chegada ao Minho, a manigância do presidente da colectividade vimaranense haveria de retirar 5 anos à idade oficial do jogador, o avançado-centro, desde logo, conseguiria um lugar de destaque no plantel. No entanto, muito para além das capacidades desportivas, o seu carácter irascível, associado a uma vida fora dos campos sublinhada em excessos com o álcool, variadíssimas ostentações materiais e diversos acidentes rodoviários, em pouco contribuiriam para que o atacante viesse a tornar-se numa figura consensual entre as restantes personalidades do futebol luso.
Mesmo assim, os seus desempenhos, nesse ano de estreia no Campeonato Nacional da 1ª divisão, levá-lo-iam a disputar os lugares cimeiros da tabela dos Melhores Marcadores da prova. Porém, dizem que já bastante aborrecidos com as atitudes excessivas do jogador, os dirigentes aproveitariam o interesse do FC Porto para forçarem a sua saída da cidade de Guimarães. No entanto, a chegada aos “Azuis e Brancos”, à altura comandados por José Maria Pedroto, em nada mudaria o seu estilo. Djalma, nessa temporada de 1966/67, continuaria com a pontaria bastante afinada e fora dos contextos desportivos, como até aí, manter-se-ia a alimentar a imagem de alguém com um temperamento e costumes bastante problemáticos.
Com as polémicas a sobreporem-se às capacidades futebolísticas, a verdade é que a preponderância mostrada dentro do rectângulo de jogo não deixariam o avançado afastar-se do alinhamento inicial dos “Dragões”. Tamanha importância levá-lo-ia, por exemplo, ao “onze” escolhido para a final da edição de 1967/68 da Taça de Portugal. No Jamor, mesmo sem concretizar qualquer golo, seria uma das grandes figuras do FC Porto, no triunfo frente ao Vitória Futebol Clube. Todavia, esse seria o único título ganho ao serviço da colectividade sediada na “Cidade Invicta” e o termo da temporada de 1968/69 marcaria o fim da sua ligação ao clube nortenho.
Seguir-se-ia o plantel de 1969/70 do Belenenses. Contudo, a sua passagem por Lisboa ficaria marcada, muito mais do que pelos episódios desportivos, por um novo e gravíssimo acidente de automóvel. O jogador, que viria a confessar-se embriagado e ofuscado pelos faróis de um camião, acabaria por não evitar o atropelamento mortal de três pessoas. O incidente empurrá-lo-ia para uma pena de prisão, cumprida entre as cadeias do Montijo e de Sintra. Com o termo do encarceramento, o avançado-centro ainda regressaria às contendas competitivas dos “Azuis”. Todavia, a tolerância dos responsáveis directivos pelos homens do Restelo acabaria e, cedido por empréstimo, o jogador, viveria as temporadas de 1971/72 e 1972/73, respectivamente com as cores do Oriental e do Marinhense. Por fim, quando já contava 40 anos de idade e após representar o Sporting de Espinho de 1973/74, surgiria o final da sua carreira como futebolista.

1704 - ALFREDO MOREIRA

Natural da cidade de Setúbal, Alfredo Teixeira Moreira seria chamado aos trabalhos seniores do Vitória Futebol Clube no decorrer da temporada de 1957/58. Apesar de treinar com as estrelas dos “Sadinos”, a verdade é que o treinador uruguaio Humberto Buchelli, mesmo tendo em conta o potencial aferido ao defesa-central, só na campanha seguinte daria ao jovem praticante a oportunidade de fazer a estreia pelos homens a envergar o listado verde e branco. A partir desse momento, tirando raras excepções e tendo como parceiros no sector mais recuado jogadores como Polido, Manuel Joaquim, Galaz, Torpes ou Herculano, o atleta conseguiria manter-se como um dos elementos mais preponderantes da agremiação a actuar em casa no Campo dos Arcos.
A importância auferida, no colectivo por si representado, faria com que, na campanha de 1961/62, numa altura em que os “Sadinos” militavam na 2ª divisão, fosse um dos elementos escolhidos, por Filpo Nuñez, para disputar a derradeira partida da Taça de Portugal. No Estádio Nacional, a peleja frente ao Benfica não correria de feição para o seu lado. Todavia, apesar do desaire vivido no Jamor, a referida temporada, ao fim de dois anos afastado dos palcos principais do futebol português, representaria também a subida de escalão. Já de regresso ao convívio com os “grandes”, Alfredo Moreira passaria a destacar-se como um dos melhores atletas, da sua posição, a actuar no contexto competitivo luso e, tamanho destaque, levá-lo-ia a ser cobiçado por emblemas de outra monta.
Com a cotação em alta, o defesa-central, na campanha de 1963/64, seria apresentado como reforço do Sporting Clube de Portugal. Mesmo não tendo, à chegada a Alvalade, alcançado a titularidade de forma incontestável, as suas exibições dar-lhe-iam, para além da participação nas rondas planeadas para o Campeonato Nacional, o direito de disputar as eliminatórias da Taça dos Vencedores das Taças. Nos desafios de índole continental, ainda sob a alçada técnica de Gentil Martins, o atleta alinharia, em 3 partidas da mencionada prova, frente ao APOEL de Chipre e com o Manchester United. Como resultado de tais contendas, numa caminhada em que não participaria na final ou na finalíssima de Antuérpia, Alfredo Moreira, face ao triunfo dos “Leões” com o MTK Budapeste, veria o seu nome incluído no rol de personalidades triunfantes na competição organizada pela UEFA e entraria, de forma meritória, para o rol de notáveis a colorir a história dos “Verde e Brancos”.
Já a temporada de 1964/65, em termos individuais, terá sido uma das melhores da carreira do defesa-central. Para a apreciação por fim feita, em muito contribuiria a titularidade alcançada no Sporting. Ainda assim, não querendo menosprezar tal facto, haveria de surgir outro episódio que, durante a referida época, catapultaria o jogador para um patamar bem superior. Ao nunca ter tido a oportunidade de, em qualquer escalão, envergar a “camisola das quinas”, o dia 24 de Junho de 1965, alteraria essa conjuntura. Chamado por Manuel da Luz Afonso e orientado em campo por Otto Glória, a aludida data serviria de ocasião para a sua estreia na principal equipa de Portugal e a partida disputada na cidade do Porto, frente ao Brasil, entregar-lhe-ia, ao currículo profissional, 1 internacionalização “A” com as cores lusas.
Quando tudo apontava para Alfredo Moreira como um dos esteios do Sporting, uma grave lesão, contraída praticamente no encetar da época de 1965/66, deitaria abaixo muita dessa certeza. Já recuperado, mas definitivamente ultrapassado pela dupla composta por José Carlos e por Alexandre Baptista, o defesa-central jamais recuperaria a titularidade. Aliás, do incidente físico em diante, pouco mais jogaria na equipa principal leonina e após cumprir longos períodos nas “reservas” dos “Verde e Brancos”, o atleta, no termo da temporada de 1967/68, deixaria Alvalade para partir em direcção a Setúbal.
De regresso ao Vitória Futebol Clube na campanha de 1968/69, Alfredo Moreira, ao cumprir as 2 derradeiras épocas da carreira, instalar-se-ia, nas disputas primodivisionárias, como um dos principais actores da equipa. A trabalhar na intendência de Fernando Vaz, o defesa-central transformar-se-ia num dos esteios da agremiação setubalense e no escrever daquele que terá sido o capítulo mais faustoso da história do colectivo sediado no Bonfim, o jogador também daria um enorme contributo para as brilhantes participações internas e além-fronteiras. Nesse contexto resplandecente, surgiria o 3º lugar no Campeonato Nacional de 1969/70. Porém, o grande destaque emergiria da participação na Taça das Cidades com Feira, com o atleta, ao entrar em campo em ambas as edições da prova, a inscrever o seu nome na chegada do emblema português aos quartos-de-final de 1968/69 e, no ano seguinte, aos oitavos-de-final da competição.

1678 - IAÚCA

Beira-Mar, Desportivo de Benguela e Sporting de Catumbela seriam os clubes que, na Angola dos primeiros anos da sua caminhada competitiva, lançariam para o estrelato o avançado António Fernandes, popularizado pelo apelido Iaúca – “Herdei a alcunha do meu avô e gosto muito dela. Mas não se escreve Yaúca, escreve-se Iaúca, com I, tal como ele escrevia”*.
Como um atleta veloz, com um bom drible e com um enorme sentido goleador, a fama de Iaúca depressa começaria a despertar os interesses dos maiores emblemas da metrópole. Nessa corrida pelos seus préstimos, à frente apareceria o Sporting. Depois, com uma proposta mais tentadora, viriam as “Águias” e finalmente surgiria o emblema que conseguiria convencer o atleta a deixar a família – “Se não fosse a rápida interferência do capitão Soares da Cunha eu tinha ingressado no Benfica. Felizmente acabei por ir para o Belenenses. E digo felizmente, porque sinto orgulho no meu clube e encontrei nele uma camaradagem e um espírito de solidariedade que me impressionou profundamente”**.
Curiosamente, não consegui descortinar, de forma segura, a época da chegada do avançado à agremiação “alfacinha”. Há fontes a garantirem-nos a entrada de Iaúca na temporada de 1957/58. Por outro lado, não parece haver qualquer tipo de dúvida quanto à participação do jogador, pelos “Azuis”, nas provas agendadas para 1958/59. Aquilo que aparenta ser igualmente certo é dizer-se do enorme impacto que a sua contracção haveria de ter nos esquemas tácticos do Belenenses. Nesse sentido, num plantel a contar, só para o sector ofensivo, com Matateu, Dimas, Martinho ou Tonho, o avançado, que podia exibir-se no centro ou nas pontas do ataque, depressa convenceria Fernando Vaz da mais-valia da sua titularidade.
Como um dos membros mais importantes do “onze” do Belenenses, a projecção de Iaúca levá-lo-ia, com naturalidade, a ser chamado às pelejas da selecção nacional. O avançado que, durante a caminhada competitiva, também envergaria as divisas dos “esperanças” e do conjunto “B”, teria a estreia com a principal “camisola das quinas” a 11 de Novembro de 1959. Após essa partida frente a França, chamado ao desafio gaulês por José Maria Antunes, o atacante continuaria nos planos de Portugal. Apesar de apenas ter voltado a representar o agregado luso sensivelmente 1 ano e 4 meses depois, o atleta, na segunda aparição, brindaria o Luxemburgo com um “hat-trick”. Daí em diante e com maior regularidade, o avançado somaria mais jogos e conseguiria, para o currículo, um total de 10 internacionalizações “A”.
A preponderância nos desempenhos colectivos do Belenenses levá-lo-ia a viver momentos de enorme importância para o clube. O primeiro desses feitos viria com a edição de 1959/60 da Taça de Portugal, na qual, chamado por Otto Glória, marcaria presença na final disputada no Jamor e ajudaria, frente ao Sporting, à vitória dos “Azuis”. Mais à frente, emergiria o arranque dos homens do Restelo nas competições de índole continental. Nessa estreia, alcançada no âmbito da Taça das Cidades com Feira de 1961/62, Iaúca entraria em campo em ambas as mãos frente ao Hibernian. Já na época seguinte, na disputa da mesma prova, o avançado participaria na ronda com o FC Barcelona e contribuiria para os dois inesquecíveis empates conseguidos frente aos “Culés”.
Com a cotação a subir acentuadamente, Iaúca, no reavivar de um “namoro” antigo, encetaria negociações com o Benfica, com vista à sua mudança para a Luz. Depois do pagamento de bem mais de 2000 contos, à altura o recorde português para uma transferência, o jogador chegaria às “Águias” para integrar o plantel de 1963/64. Nesse primeira época com os “Encarnados”, mesmo no seio de tantas estrelas, o jogador manter-se-ia como uma figura influente. Todavia, daí em diante, o avançado quase desapareceria das intenções tácticas dos diferentes treinadores e no final da temporada de 1967/68, com o palmarés recheado pelas conquistas de 4 Campeonatos Nacionais e de outra Taça de Portugal, o atacante daria um novo rumo à carreira.
À procura de outros desafios, Iaúca, acompanhado por Germano, Santana e Melo, seria apresentado, na campanha de 1968/69, como reforço do Salgueiros. No emblema da cidade do Porto ainda jogaria na época seguinte. Depois viria a passagem pela América do Norte, onde, nas épocas de 1969 e de 1970, ao lado de Matateu e de Uria, integraria os planteis do First Portuguese vencedores das referidas edições da Canadian National Soccer League. Finalmente, o regresso a Portugal, para representar o Famalicão de 1970/71.

*retirado do artigo de Afonso de Melo, publicado a 31/03/2021, em https://ionline.sapo.pt
**retirado da revista “Ídolos do Desporto – 2ª série, nº3”, publicada a 31 de Outubro de 1959

1606 - MÁRIO TORRES

Podendo também posicionar-se a lateral ou como “trinco”, seria como defesa-central que Mário Torres mais conseguiria destacar-se. Ao chegar a Portugal, muito novo, vindo da cidade angolana de Nova Lisboa, actual Huambo, o jovem jogador, cuja meta principal da viagem eram os estudos, passaria a integrar a equipa de juniores da Académica de Coimbra. Logo nessa temporada de 1949/50 ajudaria os “Estudantes” a vencer o Campeonato Nacional da categoria e, ao subir à categoria principal na campanha seguinte, depressa conseguiria afirmar-se como uma das principais figuras da colectividade sediada na Beira Litoral.
Orientado na estreia como sénior pelo argentino Oscar Tellechea, Mário Torres, sem demonstrar qualquer temor pelas pelejas primodivisionárias, logo viria a consolidar-se como um dos homens mais utilizados no plantel. Tal estatuto levá-lo-ia, com grande naturalidade, à presença na final da edição de 1950/51 da Taça de Portugal. Ao lado de Capela, Bentes, Melo, Azeredo, entre outros, o jogador entraria no Estádio Nacional para defrontar o Benfica orientado por Ted Smith. Mesmo tendo a “Briosa” começado o desafio praticamente a vencer, o golo de Macedo seria insuficiente para derrotar as “Águias” e um “poker” de Rogério de Carvalho serviria para cimentar a vitória por 5-1, com que os “Encarnados” sairiam do Jamor.
Seguir-se-iam diversos anos como figura maior dos combates futebolísticos no escalão máximo português. Aliás, seria a dupla que, durante largos anos, haveria de fazer com Mário Wilson, a oferecer um dos grandes esteios de uma Académica de Coimbra consolidada entre os “grandes”. Nessa caminhada, numa altura em que “Velho Capitão” já tinha deixado as lides de futebolista para passar a comandar os “Estudantes”, a 4ª posição conquistada na tabela classificativa da edição de 1964/65 do Campeonato Nacional surgiria como um recorde para a colectividade conimbricense.
Para além desses registos colectivos, emergiriam as distinções pessoais. Um dos melhores prémios que receberia pelas excelsas exibições conseguidas ao serviço da “Briosa” surgiria a 22 de Dezembro de 1957. Nesse dia, na cidade de Milão, Mário Torres, pela primeira vez na carreira, seria laureado com a honra de envergar a principal “camisola das quinas”. Chamado à peleja frente a Itália pelo seleccionador José Maria Antunes, o atleta encetaria em San Siro uma caminhada que o levaria a outras chamadas à equipa nacional. No trajecto por Portugal entraria em campo em outras 4 ocasiões e somaria, desse modo, um total de 5 internacionalizações “A”.
No que diz respeito à Académica de Coimbra, a juntar às prestações dentro de campo, há igualmente que destacar Mário Torres como a verdadeira personificação da mítica figura do jogador/estudante. Nesse contexto, paralelamente ao futebol, o defesa-central jamais descuraria os estudos e chegaria a licenciar-se em Medicina ainda na condição de atleta. Depois viria a especialização em Genecologia e um trajecto que o levaria, anos após “pendurar as chuteiras”, a Director da Maternidade dos Hospitais da Universidade de Coimbra. No que diz respeito aos registos conseguidos com as cores dos “Estudantes”, há a sublinhar as 16 épocas, sempre na 1ª divisão, ao serviço do clube e os 373 jogos oficiais cumpridos pela agremiação beirã, 320 dos quais nas lutas primodivisionárias.

1540 - ABREU

Seria no Olhanense, depois de aí completar a formação, que Francisco Abreu faria a estreia como sénior. Essa temporada de 1950/51, com o emblema algarvio a competir na 1ª divisão, serviria para que o médio, ao lado de ilustres nomes do futebol português, casos de José Rita, Grazina ou Fernando Cabrita, conseguisse confirmar uma grande habilidade para a prática da modalidade. No entanto, seria bem mais a norte que o jogador viria a destacar-se como o intérprete de topo e a ida para Coimbra, onde viria a formar-se em Medicina, fá-lo-ia ingressar na Académica.
Mesmo não sendo um jogador ainda com uma grande experiência competitiva, a verdade é que Abreu, tal como tinha acontecido na época de estreia pela equipa principal do Olhanense, conseguiria impor-se como um dos titulares da “Briosa”. Orientado, nessa campanha de 1951/52, pelo argentino Oscar Tellechea, o médio, que, durante a carreira, também viria a posicionar-se como defesa, sublinhar-se-ia como um atleta possante, mas acima de tudo, como um elemento capaz de tratar a bola de forma distintamente superior. Nesse sentido, o jogador, nos anos seguintes, tornar-se-ia numa das figuras centrais do xadrez táctico idealizado pelos diferentes técnicos e conseguiria erguer-se à categoria dos notáveis da história dos “Estudantes”.
Ao partilhar o balneário com Mário Wilson, Bentes, Capela, Mário Torres, Melo, Curado, Augusto Rocha ou o seu irmão Leonel Abreu, a presença de Abreu, como um dos mais utilizados, ajudaria a alimentar a continuidade da Académica de Coimbra no convívio com os “grandes”. Tal preponderância, demonstrada durante anos a fio, haveria de ser justamente premiada com a chamada às equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Nesse contexto competitivo, muito para além das disputas efectuadas sob a égide da divisa “militar”, o médio seria chamado às pelejas organizadas no âmbito da equipa “B” de Portugal. Frente a França, o atleta entraria em campo numa partida efectuada em território gaulês e a 24 de Março de 1957 adicionaria outra internacionalização ao currículo pessoal.
Todavia, numa carreira que teria a curiosidade de, enquanto sénior, nunca ter abandonado o escalão máximo do futebol português, Abreu com o aproximar do derradeiro terço dessa caminhada desportiva, começaria a perder alguma da preponderância competitiva que tinha usufruído em anos anteriores. Tal facto não impediria o jogador de inscrever o nome nos anais da Académica de Coimbra e as 11 temporadas passadas ao serviço da “Briosa”, às quais teremos ainda de adicionar a campanha cumprida com o listado rubro-negro do Olhanense, deteriam no resultado final um total de 159 presenças em jornadas do Campeonato Nacional da 1ª divisão, só com as cores dos “Estudantes”.

1524 - ROCHA

Nascido em Macau, seria na antiga região sob a administração portuguesa que Augusto Rocha começaria a praticar futebol. Com a entrada no Rubro Negro na temporada de 1952/53, seria já como membro integrante do plantel de 1953/54 do Sporting de Macau que o ágil avançado começaria a chamar a atenção dos seguidores da modalidade. No entanto, o momento crucial na viragem da sua carreira chegaria num encontro em que, por razão da chamada à selecção do território referido no começo deste parágrafo, haveria de defrontar Hong Kong. Com uma exibição magistral, o jovem praticante, louvado pela imprensa, passaria a ser cobiçado pelo Benfica e pelo Desportivo de Lourenço Marques. Porém, seria o Sporting Clube de Portugal, após a intervenção do seu antigo atleta e também macaense António da Conceição, a convencer o jogador.
Em Lisboa, apesar do enorme potencial apresentado, a verdade é que Rocha não conseguiria impor-se no “onze” leonino. Depois de passar a campanha de 1954/55 nas “reservas”, a época seguinte também não seria pródiga. Ao estrear-se na equipa principal do Sporting pela mão de Alejandro Scopelli, o atacante ver-se-ia ultrapassado nas escolhas do treinador “verde e branco” por outros colegas. Ainda assim, as suas qualidades levariam os responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol a olhar para si como um bom elemento para reforçar as equipas a envergar a “camisola das quinas”. Nesse sentido, ainda no decorrer da segunda temporada no Lumiar, o jogador viria a estrear-se pelo conjunto “B” de Portugal. Essa primeira partida encaminhá-lo-ia, nos anos vindouros, para outras chamadas. À equipa “A” chegaria pela mão de José Maria Antunes, num encontro disputado frente a Espanha, a 13 de Abril de 1958. Daí em diante começaria a somar jogos, tanto pelos “esperanças”, como pelo grupo principal, acumulando, no agregado de todas as aparições com as cores lusas, um total de 11 internacionalizações.
Já como atleta da Académica de Coimbra, a mudança de Rocha para a “Cidade dos Estudantes” na temporada de 1956/57, viria a modificar radicalmente a sua carreira. Tendo rapidamente conquistado um lugar de realce no seio do plantel, o avançado passaria a assegurar um lugar no rol dos habituais titulares. Nesse contexto, o atleta tornar-se-ia num dos pilares de uma das épocas áureas da história da colectividade conimbricense, colaborando, a exemplo, para a chegada ao 2º posto da tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão de 1966/67. Igualmente, no que diz respeito a momentos inolvidáveis, o atacante também participaria nas campanhas de 1966/67 e de 1968/69 da Taça de Portugal, as quais levariam a “Briosa” até ao derradeiro desafio da competição. Em ambas as aludidas edições, o jogador marcaria presença no relvado do Jamor. No entanto, a sorte nunca sorriria ao seu lado e nas duas pelejas, o troféu seguiria na posse, respectivamente, do Vitória Futebol Clube e do Benfica.
Todavia, não só dos momentos mencionados no parágrafo anterior viveria a caminhada desportiva de Augusto Rocha. Para além do já relatado, contariam também as 15 campanhas consecutivas realizadas pelo jogador ao serviço da Académica e a braçadeira de capitão tantas vezes envergada. Nessa década e meia, o avançado, sem nunca deixar a 1ª divisão, somaria ao currículo pessoal um total de 304 contendas disputadas naquele que é o escalão máximo português e tal número torná-lo-ia num dos nomes como mais partidas cumpridas, pelo conjunto de Coimbra, na prova de maior monta do calendário futebolístico luso.

1514 - ABALROADO

Terminada a formação nas “escolas” do GD CUF, seria também no emblema do Barreiro que Francisco Abalroado, na campanha de 1957/58, faria a transição para o universo sénior. Após uma temporada no novo contexto competitivo, cumprido nas “reservas”, o defesa-esquerdo conseguiria estrear-se no conjunto principal. Sob a alçada de Cândido Tavares, o jovem atleta, ao tornar-se num dos elementos do grupo de trabalho com maior utilização, logo viria a merecer um lugar de destaque. Seguir-se-iam, nas épocas subsequentes, o mesmo registo e o jogador, com números sempre ambiciosos, acabaria por tornar-se- num dos históricos da colectividade.
Mantendo-se na agremiação sediada na Margem Sul do Rio Tejo, Abalroado, não só nas provas de índole nacional, como nas pelejas agendadas no contexto continental, participaria em inúmeros momentos dignos de registo. Internamente, o defesa canhoto, inscrevendo o seu nome no rol de intervenientes, contribuiria, depois de participar no 4º posto alcançado em 1961/62, num novo recorde classificativo na prova de maior relevo no calendário futebolístico português. Na edição de 1964/65 do Campeonato Nacional, curiosamente numa das épocas, em termos individuais, menos proveitosas para o atleta, o esquerdino, ainda assim, seria suficientemente utilizado, por Manuel de Oliveira, na senda que levaria a CUF ao 3º lugar da tabela classificativa.
O sucesso referido nas últimas linhas do parágrafo anterior daria à CUF, numa estreia absoluta no cenário continental, o direito de disputar a Taça das Cidades com Feira. Em sorte calharia ao conjunto do Barreiro, o “todo-poderoso” AC Milan. No entanto, num grupo que contava com inúmeras estrelas de renome planetário, casos de Cesari Maldini, Giovanni Trappatoni, o alemão Schnellinger, Gianni Rivera, entre outros, o grupo luso constituir-se-ia, não só como uma agradável surpresa, mas como uma verdadeira dor de cabeça para os transalpinos. Logo na 1ª mão da mencionada eliminatória, no jogo disputado em solo luso, os “Rossoneri” seriam derrotados por 2-0. Abalroado, no papel de capitão de equipa, ao substituir-se aos usais cobradores do castigo, teria um papel de fulcral importância no desfecho do resultado e ao assumir, já bem perto do desfecho do encontro, a marcação de uma grande penalidade, seria dele o segundo golo concretizado pelos da camisola verde e branca – “Chutei para a esquerda. (…) os habituais marcadores, Espírito Santo e Vieira Dias, tiveram medo”*.
Uns meses antes da partida disputada frente ao AC Milan, Francisco Abalroado também participaria noutro grande momento para a história da CUF. Refiro-me à inauguração, a 30 de Junho de 1965, do Estádio Alfredo da Silva. Aliás, seria na nova infra-estrutura desportiva que o defesa-esquerdo viria a selar-se como um dos ícones do emblema barreirense. Todavia, a ligação entre o atleta e a agremiação conheceria o fim. Depois de 14 temporadas a representar o clube, 12 delas como sénior, o jogador, com o termo das contendas agendadas para 1968/69, daria por terminada a sua ligação à colectividade. Com 226 partidas disputadas na 1ª divisão, o jogador mudar-se-ia para bem perto. Sem sair da localidade que o havia acolhido ainda bem novo, o Luso tornar-se-ia na sua nova morada. Seria no Campo da Quinta Pequena, tirando os dois interregnos que o levariam ao plantel de 1973/74 do Torres Novas e a orientar temporariamente a CUF em 1975/76, que passaria o resto da carreira e onde, no final de 1978/79, decidiria “pendurar as chuteiras”.

*retirado do artigo de Fábio Rodrigues, publicado a 14/11/2011, em www.publico.pt

1506 - AZEVEDO

Seria a campanha 1950/51 a dar a estreia sénior a Manuel Azevedo. Ao serviço do Beira-Mar, o jogador, a cumprir os primeiros anos nos escalões secundários, ainda assim conseguiria o destaque necessário para merecer a atenção de emblemas de outra monta. Observado por José Valdivieso e José Ricardo Domingues, as qualidades do avançado impressionariam os responsáveis do Benfica e a temporada de 1954/55, depois de 4 anos a envergar a principal camisola da colectividade sediada na cidade de Aveiro, tornar-se-ia na época da sua apresentação como reforço do Benfica.
Com o salto para as “Águias”, o atleta, que, preferencialmente jogava a interior ou a extremo, veria a forte concorrência a atrapalhar a sua afirmação. Num plantel com nomes como Caiado, Arsénio, Salvador, Coluna, Palmeiro ou Fialho, Azevedo veria o brasileiro Otto Glória a preferir os colegas em detrimento dos seus préstimos. Nesse sentido, mesmo chamado à equipa principal, onde faria a estreia no Campeonato Nacional, a 16 de Janeiro de 1955, num partida caseira frente ao Vitória Sport Clube, o avançado passaria as 4 temporadas de ligação contratual ao Benfica quase sempre nas pelejas da equipa “b”. Ainda assim, os anos cumpridos pela colectividade lisboeta serviriam para preencher o palmarés pessoal do atacante e ao deixar o Estádio da Luz, o jogador levaria na bagagem os triunfos em 1 Campeonato Nacional e 1 Taça de Portugal.
Curiosamente seria na época de 1957/58, a última com os “Encarnados”, que Azevedo mais vezes conseguiria entrar em campo pelo conjunto principal do Benfica. No entanto, à procura de um maior número oportunidades, o avançado decidiria aceitar o convite do primodivisionário Torreense. Na região Oeste, o atleta destacar-se-ia como um dos melhores do grupo de trabalho sob a alçada de Joseph Szabo. O pior viria com os desempenhos colectivos a ditar a 14ª posição na tabela classificativa da 1ª divisão e com a consequente descida de patamar. Ora, ao querer dar continuidade às contendas entre os “grandes”, o avançado daria seguimento à sua caminhada competitiva ao serviço do Vitória Sport Clube. Em Guimarães, como um elemento forte fisicamente e com uma técnica acima da média, o jogador, orientado pelo uruguaio Humberto Buchelli, mesmo sem conseguir ser titular indiscutível durante os desafios agendados para 1959/60, voltaria a recuperar algum do elã perdido em anos anteriores. Já o lugar no “onze” conquistá-lo-ia, em definitivo, na campanha seguinte e, sob a alçada de Artur Quaresma, seria peça fulcral na 4ª posição alcançada no Campeonato Nacional, à altura um recorde para a formação minhota.
De forma surpreendente, Azevedo, que até tinha sido totalista no Campeonato, deixaria a “Cidade Berço” para regressar ao Beira-Mar. De volta a Aveiro, dessa feita num contexto primodivisionário, o avançado manter-se-ia como um elemento preponderante no desenho táctico da equipa. Seguir-se-ia, logo na campanha seguinte, a mudança para o Leixões de 1962/63, onde voltaria a encontrar-se com a antiga estrela vimaranense Edmur e onde contribuiria para outro record classificativo, ou seja, o 5º lugar do conjunto de Matosinhos no degrau maior do futebol luso.
Daí em diante, o seu trajecto competitivo manter-se-ia errante, mormente nos escalões secundários e com o avançado a passar pelo Famalicão e de seguida a voltar ao Beira-Mar. Mais uma vez no emblema de Aveiro, com agremiação a tornar-se na mais representativa da sua carreira, o avançado contribuiria para o regresso da colectividade à 1ª divisão, fazendo com que a temporada de 1965/66, mais uma vez a trabalhar sob o comando de Artur Quaresma, fosse a última disputada por si no escalão máximo. Para terminar, surgiria ao seu caminho o Alba e o fim da caminhada enquanto futebolista, com o termo da campanha de 1967/68.

1484 - TORPES

Apesar de rejeitado algumas vezes, Carlos Torpes não deixaria de parte a sua paixão pelo futebol e ao continuar a comparecer aos treinos de captação acabaria por convencer os responsáveis do Despertar de Beja a integrá-lo na equipa de juniores, como avançado. Alguns anos passados, terminada a formação e já a posicionar-se como defesa, o jovem jogador seria promovido à equipa principal da colectividade sediada no Baixo Alentejo. Apesar de iniciar o seu trajecto enquanto sénior na 3ª divisão de 1957/58, depressa ajudaria o clube a subir um patamar e depois de um par de campanhas cumpridas na disputa do 2º escalão, as suas qualidades despertariam a cobiça de emblemas de maior monta.
Também com o Belenenses no seu encalço, Torpes aceitaria o convite do Vitória Futebol Clube para a sua transferência. Com a mudança para a cidade de Setúbal na temporada de 1960/61, o defesa-central manter-se-ia na disputa do escalão secundário, mas envolvido em pelejas de outra aspiração. Aliás, seria essa ambição, histórica na agremiação da margem norte do Rio Sado, que, na época de 1962/63, levaria o atleta à estreia na 1ª divisão. Lançado, entre os “grandes”, pelo treinador argentino Filpo Núñez, a partilha do balneário com nomes como Polido, Conceição, Herculano ou Alfredo Moreira, não iria comprometer a sua ambição e, tirando alguns períodos de excepção, o jogador assumir-se-ia como um dos nomes mais vezes requisitados pelos diferentes técnicos.
Em 8 anos passados ao serviço do Vitória Futebol Clube, para além da participação nas provas organizadas sob a intendência da UEFA, o destaque maior da sua caminhada surgiria com as 4 presenças consecutivas do emblema sadino no derradeiro desafio da Taça de Portugal. Nesse sentido, sempre pela mão do treinador Fernando Vaz, Torpes marcaria presença no Jamor na conquista da edição de 1964/65, na final perdida de 1965/66 e ajudaria, embora sem ser escolhido para a peleja agendada para o Estádio Nacional, a vencer a apelidada “Prova Raínha” de 1966/67.
Após um longo período cumprido com o listado verde e branco do conjunto a jogar em casa no Estádio do Bonfim, Torpes, pondo também fim à sua passagem pela divisão maior, ingressaria no plantel de 1968/69 do Farense. De regresso ao 3º escalão, o defesa-central faria parte de uma época histórica no emblema algarvio, que, com duas subidas consecutivas, levaria o clube, pela primeira vez, ao patamar maior do futebol luso. Contudo, o atleta já não participaria nessa estreia, pois, na campanha de 1970/71 daria início a um périplo a levá-lo inicialmente aos Nazarenos e posteriormente a representar os angolanos do Benfica de Nova Lisboa, o Gouveia e, já na condição de jogador-treinador, o Desportivo de Beja.
Aliás, seria no regresso à sua cidade natal que Torpes faria a transição para as funções de técnico. Já em exclusivo nas funções de treinador, o antigo defesa passaria por diferentes colectividades. Sempre na disputa dos escalões secundários, o destaque iria igualmente para as suas ligações ao Louletano, Sporting de Lamego, Quarteirense ou Imortal de Albufeira.

1458 - CURADO

Parte integrante das equipas de juniores da Académica de Coimbra nas temporadas de 1954/55 e 1955/56, António Nazaré Curado, sem que tenha logrado descobrir qualquer informação no hiato subsequente ao referido período, haveria de registar a primeira aparição na categoria principal da “Briosa” no decorrer da campanha de 1957/58. Porém, e numa altura em que era orientado pelo mítico Cândido de Oliveira, o jovem defesa, perante a presença de colegas bem mais experientes no sector mais recuado, casos de Mário Wilson, Mário Torres ou Marta, acabaria por revelar algumas dificuldades em impor-se no “onze” dos “Estudantes”. Ainda assim, como um dos bons valores saídos das “escolas” do clube, as suas qualidades segurá-lo-iam no plantel e o valor patente nas suas, ainda que poucas, exibições, mantê-lo-iam como elemento do grupo de trabalho.
Esse paradigma começaria a mudar a partir da temporada de 1959/60, mormente com a chegada ao comando técnico da agremiação beirã do argentino Óscar Montez. Nas campanhas seguintes, o mesmo registo de aparições, já com boa frequência, ainda sem aferir o jogador com força suficiente para assegurar um lugar a titular, mas a auspiciar, num futuro próximo, uma alteração desse contexto competitivo. A aludida transformação consolidar-se-ia na época de 1962/63 e numa altura em que a Académica de Coimbra apresentava como treinador outro nome inolvidável do futebol luso, ou seja, José Maria Pedroto. Sob a alçada do incontornável “Zé do Boné”, o defesa passaria a auferir do estatuto de indiscutível no “onze” da “Briosa”. Mesmo com a saída do referido “timoneiro” e com a entrada do seu antigo colega de balneário Mário Wilson, a sua situação no seio do grupo de trabalho manter-se-ia e, desse modo, Curado viria a figurar nos anais da agremiação como um dos pilares daqueles que surgiriam como os melhores anos da história do emblema estudantil.
Uma das temporadas mais brilhantes a preencher o seu trajecto desportivo acabaria por ser a de 1966/67. Numa equipa recheada de craques, António Curado saberia conservar-se como essencial nos sucessos do colectivo, os quais, na mencionada campanha, dariam à Académica de Coimbra o 2º lugar no Campeonato Nacional e a presença na final da Taça de Portugal. Para grande infelicidade do jogador, no Estádio Nacional, perante o Vitória Futebol Clube, o defesa, apesar de participar nas eliminatórias anteriores, não seria chamado à decisiva peleja. O mesmo aconteceria 2 anos após essa presença no Jamor, num encontro que ficara marcado pelo protesto estudantil e, dessa feita, numa partida a opor o conjunto conimbricense ao Sport Lisboa e Benfica.
Também as competições de foro continental entrariam para o currículo do atleta. Nesse âmbito, como consequência dos êxitos internos, a época de 1968/69 traria ao caminho da Académica de Coimbra a estreia nas competições internacionais de clubes. Nas partidas frente ao Olympique Lyonnais, a contar para a Taça das Cidades com Feira, Curado seria chamado ao “onze” em ambas as mãos. Já em 1969/70, a última campanha que faria como futebolista de alta-competição, o defesa, com os finlandeses do Kuopion Palloseura como adversários, participaria na 1ª ronda da Taça dos Vencedores das Taças, edição que levaria o emblema da “Cidade dos Estudantes” até aos quartos-de-final da prova.
Já depois de “pendurar as chuteiras, António Curado ainda voltaria ligar-se ao futebol, nomeadamente como treinador do Anadia.

1423 - AZUMIR

Ao ser Azumir Luís Casimiro Veríssimo uma figura de importância no cenário futebolístico português, pensei ser mais fácil descortinar a sua vida na modalidade. Em abono da verdade, o percurso do avançado feito do lado de cá do Atlântico, tirando uma pequena excepção, até é fácil de deslindar. Já no que diz respeito à sua carreira no Brasil, a ideia é bem diferente!
Comecemos por aquilo que é mais comum ler-se em relação à primeira parte do seu percurso profissional, ou sejam, as etapas trilhadas no seu país natal. Como é possível ler-se num grande número de fontes, Azumir terá feito o seguinte trajecto: Madureira (1955); Bangu (1956); Flamengo (1957); Botafogo (1958; 1959); Fluminense (1960) e Vasco da Gama (1961) (1). O pior aconteceu quando comparei essa informação com um artigo difundido na publicação electrónica “História do Futebol” e que, por ter como base alguns recortes de um periódico, parece ser bem mais fidedigno. Nessa entrevista que, segundo o autor do blog, remonta ao ano de 1959, para além de uma digressão à Europa, feita pela selecção do Departamento Autônomo, dá para descortinar alguns dos clubes iniciais da carreira do ponta-de-lança, para o caso: o Atlético Clube Nacional de Ricardo Albuquerque e o Irmãos Goulart Futebol Clube. Porém, como já devem ter reparado, aquilo que mais chama a atenção é o suposto ano da publicação e o clube por quem, à altura, o atleta jogava – “Azumir Luís Veríssimo é nilopolitano modesto. Trabalhava na Klabin (fábrica de papelão) quando lhe surgiu a oportunidade no Madureira. Conta: «Fui disputar um torneio pelo time da fábrica em Conselheiro Galvão. Estive bem e Isaac, amigo meu que conhece bem o Ápio, arranjou uma apresentação e, logo, após o primeiro treino, me convidaram a assinar contrato como não amador. Agora, felizmente, já tenho compromisso de profissional e ganho dez mil mensais»”(2).
Ao manter-me no mesmo artigo, há outro trecho que põe em causa a ordem pela qual os clubes são apresentados na biografia referida no segundo parágrafo – “Certa vez, Azumir treinou no Bangu, juntamente com Joel (hoje titular alvirrubro), mas não teve paciência de esperar a oportunidade. Revela, a propósito: «Talvez eu me tenha afobado, mas não há o que lamentar. O Madureira tem sido uma óptima escola para mim»(2). Para concluir, falta referir alguns “sites” que, ao reportar um Azumir no plantel do Madureira de 1959 (3)(4), 1960(5) e 1961(6), ajudam a corroborar o ano da referida entrevista.
Com tudo o que já aqui disse, o que parece ser certo é a chegada de Azumir ao FC Porto, para reforçar o grupo de trabalho inicialmente sob a alçada do húngaro Gyorgy Horth. Logo nessa temporada de 1961/62, o ponta-de-lança, caracterizado pela boa técnica com ambos os pés e por um bom jogo de cabeça, atingiria aquele que seria o momento mais alto da sua passagem por Portugal e com 23 golos consagrar-se-ia como o vencedor do prémio de Melhor Marcador do Campeonato Nacional. No entanto, apesar de um arranque auspicioso, as épocas seguintes revelariam o avançado a perder fulgor. Ainda assim, a época de 1962/63 sublinharia o atleta como o goleador máximo dos “Azuis e Brancos”. Pior, viria a ser o último ano nas Antas, com o jogador parcamente utilizado e, com o fim da temporada, a ser incluído na lista de nomes a dispensar.
Sem deixar as provas lusas, mas ao descer um degrau competitivo, Azumir escolheria o plantel de 1964/65 do Sporting da Covilhã para prosseguir a carreira. Seguir-se-ia, um ano depois do ingresso nos “Leões da Serra”, a transferência para o Barreirense e aquela que viria a ser a derradeira temporada do avançado nas disputas da 1ª divisão. Referência ainda para a temporada de 1967/68 e para a sua passagem pelo Desportivo de Beja. Por fim, há a acrescentar, segundo várias informações, a ligação ao Tirsense. Contudo, em nenhuma dessas fontes consegui apurar qual a duração ou o início desse hipotético contrato.

(1)https://www.zerozero.pt/jogador/azumir/79764 (25/01/2024)
(2)https://historiadofutebol.com/blog/?p=9995 (recortes da Revista Manchete)
(3) https://www.fluminense.com.br/noticia/fluminense-e-os-70-jogos-memoraveis-no-maracana
(4)https://www.rsssfbrasil.com/tablesr/rj1959.htm
(5)https://brfut.blogspot.com/2010/01/campeonato-carioca-1960-primeiro-turno.html
(6)http://mundobotafogo.blogspot.com/2011/03/botafogo-campeao-de-futebol-estadual.html

1398 - CALHAU

Ao longo destes mais de 13 anos de existência do “blog”, deparei-me com “cromos” muito difíceis. Encontrei-me, logicamente em sentido figurado, com futebolistas, como aquele que hoje aqui apresento, cuja carreira é um verdadeiro mistério. Sem excepção, todos esses árduos trabalhos tiveram, inevitavelmente, o condão de transportar a minha ideia para o dia em que a decisão tomada fez-me querer escrever a biografia do antigo atleta do Lusitano de Évora, José Maria. Desnecessário será dizer que a apoquentação sentida com a materialização dessa opção foi tremenda. No entanto, agora entendo o exagero da tal angústia, pois a figura que escolhi para este dia, no tempo despendido à pequena investigação e leituras prévias à elaboração dos textos aqui apresentados, logo tratou de sublinhar o avançado acima referido como uma demanda bem simples!
Iniciemos a exposição…
Escolhi para publicar, como a colorida estampa já destapou, Calhau. Posso já começar por dizer-vos que nada mais sei sobre a identificação do atleta. Não conheço o seu nome completo, nem sequer se a denominação apresentada no cromo, pondo já de parte tratar-se de um nome próprio, faz referência a uma qualquer alcunha ou ao apelido a transportar-nos para a filiação. Por outro lado, penso que consegui apurar, segundo o que retirei de algumas fontes, a data de nascimento! O que li diz-me que o jogador terá nascido a 2 de Agosto de 1943. Com isto, acredito que, por esta altura, já estareis a perguntar! Então, sabes o dia do aniversário e não conheces mais nada sobre a pessoa?! Não é bem assim…
A explicação para a pergunta que, hipoteticamente, podereis estar a fazer, está relacionada com uma das poucas conjunturas competitivas que descobri sobre o futebolista. Aliás, foi esse cenário que fez nascer em mim a vontade de explorar a sua carreira. O contexto é o do Torneio Internacional de Juniores da UEFA de 1961, disputado em Portugal e que levaria a jovem “equipa das quinas” à conquista do troféu. Como agora é fácil de adivinhar, Calhau, pelas boas indicações dadas enquanto praticante a envergar as cores da Sanjoanense, foi um dos elementos escolhidos pelo seleccionador David Sequerra para fazer parte do grupo de trabalho que, às ordens de José Maria Pedroto, acabou a participar no mencionado certame. Outra informação que consegui obter foi a de que o médio – aí está outro dado de relevância – nunca terá tido a oportunidade de cumprir, no desenovelar da vitoriosa caminhada, qualquer minuto em campo.
Bom… Está praticamente a esgotar-se tudo o que consigo afiançar (é melhor desconfiarem deste termo) sobre o futebolista. Que mais há a revelar? Uma das coisas que também li, é que Calhau, em data que não consegui descortinar com precisão, mas que a lógica leva-me a dizer que terá acontecido em tempos raianos à disputa do torneio sob a alçada da entidade maior do futebol europeu, chegou a ser chamado à selecção de juniores do norte, para participar numa peleja frente à congénere do sul. Terá o encontro servido de uma espécie de audição e de possível triagem para a formação do grupo que entrou no certame de 1961? Não faço a mínima ideia!
Claro está que falta dar-vos a informação que tirei do cromo que, de alguma forma, enceta esta publicação. Pela colecção a que pertence a figura, partindo do princípio que não há qualquer erro nesta associação, Calhau terá chegado à principal equipa da Sanjoanense. Referindo-se a estampa, tal como outra que faz parte do meu espólio, à temporada de 1963/64, então deverei concluir que o atleta terá participado na Zona Norte do Campeonato Nacional da 2ª divisão, campanha que a agremiação sediada no distrito de Aveiro terá terminado na 11ª posição da tabela classificativa.
Mais?! Deixo para os especialistas!

1365 - MÁRIO REIS

Formado no Salgueiros, seria no emblema do popular bairro portuense de Paranhos que Mário Reis haveria de cumprir uma grande fatia do seu percurso enquanto futebolista. À parte do primeiro ano como sénior, fazendo fé em alguma informação, passado ao serviço do CD Portugal, o médio ganharia estaleca ao realizar diversas campanhas no conjunto a jogar em casa no Estádio Engenheiro Vidal Pinheiro.
De volta ao Salgueiros na temporada de 1967/68, Mário Reis apanharia o clube a discutir a 2ª divisão. Aliás, para infelicidade de todos os envolvidos, em particular do atleta aqui retratado, o referido período corresponderia a uma longa fase em que o emblema da “Cidade Invicta” estaria afastado do convívio com os “grandes”. Nesse sentido, os anos seguintes à campanha referida no começo deste parágrafo, seriam todos satisfeitos na disputa do patamar secundário. Ainda assim, o traquejo ganho durante mais de uma década permitiria ao médio ser visto, por outras colectividades, como um bom reforço e a mudança de emblema já no final dos anos de 1970 serviria também para alterar um pouco o paradigma da sua caminhada competitiva.
Com o Rio Ave em franca ascensão, a chegada à agremiação sediada em Vila do Conde levaria Mário Reis a participar num episódio histórico do emblema da caravela. Ao encetar a sua senda com o listado verde e branco na temporada de 1977/78, o médio manter-se-ia na 2ª divisão. Porém, em sentido contrário ao que tinha vivido no Salgueiros, a campanha de 1979/80 daria ao atleta, em paralelo com a estreia da colectividade no escalão maior, a sua primeira campanha no patamar máximo do futebol português.
Com a carreira de futebolista a aproximar-se do fim, para além do aludido, Mário Reis ainda teria oportunidade para voltar aos palcos primodivisionários. Sempre como elemento do plantel do Rio Ave, o jogador ainda manteria as funções de atleta durante algumas épocas, duas das quais nos principais palcos lusos. No entanto, com a ideia já moldada às tarefas de treinador, a sua preocupação ficaria mais virada para as funções técnicas. Com esse objectivo em mente, após, interinamente e ao lado de Soares e de Duarte, ter orientado, em 1979/80, o principal grupo “rioavista”, a derradeira campanha enquanto atleta cumpri-la-ia, em paralelo, já no exercício do papel de adjunto.
Como treinador-principal, Mário Reis, com um percurso bem longo, orientaria diversas equipas. Com várias experiências na 1ª divisão, há que exaltar as suas passagens pelo Rio Ave, Salgueiros, Vitória Futebol Clube ou União de Leiria. Contudo, o período mais prolífero da sua caminhada de técnico tê-lo-á vivido à frente do Boavista. Nas “Panteras”, encaminharia os seus discípulos para a final da edição de 1996/97 da Taça de Portugal. No Estádio Nacional do Jamor, já depois de, nas meias-finais, ter eliminado o Sporting, enfrentaria o Benfica e o tão almejado troféu, com o placard a revelar 3-2, iria parar aos escaparates do Bessa.
Logo no ano seguinte, dessa feita com o FC Porto como adversário, surgiria o momento de pelejar pela Supertaça Cândido de Oliveira. Numa competição ainda disputada a duas mãos, os seus pupilos, no agregado das partidas, conseguiriam bater os “Dragões” e enriquecer, com o tal feito, o palmarés de todo o grupo “axadrezado”.

1354 - CRISPIM

Apesar de ter completado uma boa parte da formação com as cores do Sporting, seria já como atleta da Académica que o avançado terminaria o percurso nas camadas jovens. Paralelamente, a caminhada feita pelo atacante nas equipas à guarda da Federação Portuguesa de Futebol dividir-se-ia entre o tempo do atleta em Lisboa e a posterior chegada a Coimbra. Com a “camisola das quinas”, num total de 10 internacionalizações, o extremo participaria, por duas vezes, no Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Depois da presença no certame de 1960, o destaque acabaria por ir para a edição do ano seguinte, organizada em Portugal. Num grupo seleccionado por David Sequerra e treinado por José Maria Pedroto e ao lado de nomes como Simões, Serafim, Peres, Carriço, Oliveira Duarte entre outros que viriam a brilhar no desporto luso, Crispim assumiria um papel de grande destaque. Para além de entrar em campo em todas as pelejas, teria também a responsabilidade de envergar a braçadeira de capitão e haveria, concluída a final no Estádio da Luz, de ser ele a erguer o troféu entregue pela vitória na competição.
No que ao percurso clubístico diz respeito, Crispim passaria a trilhar um percurso louvável. Com a carreira sénior dedicada exclusivamente à Académica, o extremo depressa assumiria um papel de grande relevância no plantel da “Briosa”. Depois da estreia na equipa principal a acontecer na temporada de 1961/62 e sob a alçada do treinador Alberto Gomes, a maneira como viria a contribuir para os sucessos colectivos empurrá-lo-ia para a galeria de notáveis do emblema conimbricense. Nesse campo, é impossível esquecer aquelas que terão sido, provavelmente, algumas das melhores campanhas realizadas pelos “Estudantes”. Assim, na época de 1966/67, o atacante tornar-se-ia num dos pilares do 2º posto conseguido ao termo do Campeonato Nacional. Também na Taça de Portugal, ainda nesse ano, o avançado mostraria a sua importância e, com a equipa a marcar presença na final agendada para o Estádio Nacional do Jamor, acabaria arrolado, por Mário Wilson, para o “onze” que, infelizmente para os de Coimbra, não conseguiria derrotar o Vitória Futebol Clube.
Mesmo um pouco tapado pelos outros colegas de balneário, Crispim também faria parte do plantel de 1968/69 que, mais uma vez, atingiria a final Taça de Portugal e que, frente ao Olympique de Lyon, marcaria a estreia da Académica nas competições continentais. Porém, o número mais impressionante da sua carreira desportiva, a revelar uma enorme dedicação à agremiação estudantil, seria dado pelos 30 anos de entrega ao clube. Depois de 10 temporadas, todas primodivisionárias, com a camisola negra, o antigo avançado passaria a dedicar-se às tarefas de treinador. Numa caminhada passada maioritariamente aos comandos das camadas jovens da “Briosa”, onde chegaria a orientar, a exemplo, Sérgio Conceição, o destaque maior acabaria por ir para as campanhas em que seria chamado, como técnico-principal, a comandar a equipa sénior do Calhabé.

1321 - HERNÂNI

Começaria por bilhar nos escalões de formação do Recreio de Águeda, de onde iria prestar provas ao Benfica e à Académica de Coimbra. Em ambos os emblemas, inclusive na colectividade lisboeta de quem se diz ter sido adepto, seria recusado. Algum tempo depois, muito por custa da habilidade com a bola, velocidade, passos certeiros e fintas estonteantes, acabaria por ingressar nos seniores do FC Porto. A estreia na equipa principal, na temporada de 1950/51, aconteceria à 19ª jornada do Campeonato Nacional e já depois da substituição do romeno Anton Vogel pelo treinador húngaro Gencsi Deseo. Daí em diante, Hernâni dedicar-se-ia de corpo e alma à formação da “Cidade Invicta” e por raras vezes vestiria as cores de outras agremiações.
Uma dessas excepções ocorreria por razão do Serviço Militar Obrigatório, o que levaria o atleta até Lisboa e ao cumprimento da época de 1952/53 com as cores do Estoril Praia. As outras ocasiões surgiriam nas habituais, à altura, cedências a outros emblemas por altura das digressões ao estrangeiro ou em particulares disputados com emblemas forasteiros. Nesse sentido, Hernâni acabaria por vestir as camisolas do Sporting e a do Nacional da Madeira, respectivamente numa tournée ao Brasil em Junho de 1953 e num “amigável” frente ao Deportivo Las Palmas.
Obviamente, Hernâni também brilhou com as cores de Portugal. Para além da presença na equipa “B” ou a ilustre passagem pela Selecção Militar, na qual seria de fulcral importância para a vitória lusa no Torneio Internacional Militar de 1958, o atacante viria a representar o conjunto principal. A estreia do atleta com a mais importante “camisola das quinas” aconteceria, pela mão de Salvador do Carmo, a 22 de Novembro de 1953. Esse “particular” frente à África do Sul, durante o qual um golo seu ajudaria à vitória por 3-1, encetaria uma longa caminhada e que coloriria a sua carreira com um somatório de 28 internacionalizações “A”.
Claro está que os maiores louvores, conseguidos durante o percurso competitivo, recebê-los-ia ao serviço dos “Dragões”. Muito para além das 332 partidas oficiais e dos 187 golos concretizados, por si bem demonstrativos do seu valor, houve outros momentos a sublinhar a sua importância. Tendo começado a jogar como interior-direito ou extremo para, numa fase mais adiantada da carreira, passar a actuar no miolo do terreno de jogo, Hernâni seria um dos pilares na conquista da “dobradinha” de 1955/56, na vitória na Taça de Portugal de 1957/58 e no triunfo da edição de 1958/59 do Campeonato Nacional. Por tudo isso, assumir-se-ia, ao lado de José Maria Pedroto, como um dos melhores elementos do plantel “azul e branco”, durante as décadas de 1950 e no início dos anos de 1960. A melhor prova dessa monta chegaria com o respeito dos colegas, com a inquestionável admiração dos adeptos e pela entrega da braçadeira de capitão ao seu cuidado.
Depois de retirado das actividades de futebolista, Hernâni Ferreira da Silva passaria a dedicar-se a dinamismos noutras áreas de ocupação. Apesar de ainda ter regressado ao FC Porto na condição de dirigente, seria à frente dos seus negócios como industrial e no comércio que o antigo desportista abraçaria o sucesso.

1273 - FRANÇA

Descoberto pelo Sporting ainda em idade adolescente, António dos Santos França deixaria Angola no início da segunda metade da década de 1950, para integrar a equipa de juniores dos “Leões”. Aferido como um atleta promissor, depois da campanha anterior a jogar pelas “reservas” leoninas, o médio chegaria à equipa principal na temporada de 1958/59. Estrear-se-ia na 1ª divisão pela mão do treinador uruguaio Enrique Fernández. No entanto, a presença de atletas como David Júlio ou Fernando Mendes não daria à evolução do jovem futebolista muitas oportunidades. Sem espaço no plantel “verde e branco”, o termo da época de 1959/60 conduzi-lo-ia ao fim da ligação com o emblema lisboeta e traria à sua vida a cidade de Coimbra.
Os dois anos passados na Académica seriam suficientes para pô-lo não na história do futebol da “Briosa”, mas nos anais da pátria natal. Apesar de conseguir destacar-se como um médio de boa técnica e com qualidades suficientes para alimentar uma carreira desportiva de excelência, os interesses de França levá-lo-iam noutro sentido. Membro do MPLA na clandestinidade, as manifestações estudantis em Coimbra fariam com que a PIDE começasse a monitorizar, de forma mais apertada, todos os seus movimentos. Juntamente com Chipenda, José Júlio e Araújo, seus colegas de equipa e também militantes nas lutas pela independência das antigas colonias portuguesas, escaparia ao apertado cerco montado pela polícia política e, à “boleia” de uma traineira algarvia, conseguiria fugir para África.
Ao transformar-se numa importante figura da luta pela libertação de Angola, França, que passaria a ser conhecido como Ndalu, entraria numa fase da vida bastante peculiar. Antes ainda da independência da sua nação, seria enviado para Cuba, como bolseiro, para estudar agronomia no  Instituto Superior de Ciências Agropecuárias de Havana. Com a travessia do Atlântico, ajudaria também à consolidação da emblemática revolução e, como reconhecimento pelo seu envolvimento, ser-lhe-ia concedida a nacionalidade cubana. Esse passo, após regressar à actividade futebolística ao serviço de agremiações sediadas na referida ilha antilhana, levaria o médio a aceitar o convite da selecção e a tornar-se internacional pelo país liderado por Fidel Castro.
De regresso à pátria-mãe, principalmente depois da independência, António França Ndalu transformar-se-ia num dos nomes mais importantes do contexto político e militar daquele país africano. Ao assumir altos cargos nos destinos internos da nação angolana, também conseguiria destacar-se como um prestigiado diplomata. Nesse sentido, para além dos papéis em diferentes contextos negociais, como é exemplo o badalado Acordo de Bicesse, o apelidado “General dos generais” tornar-se-ia no primeiro embaixador de Angola nos Estados Unidos da América.
Sem nunca conseguir deixar de lado a paixão pelo futebol, França seria um dos principais impulsionadores da fundação do Clube Desportivo 1º de Agosto e acabaria por tornar-se no primeiro Presidente da colectividade ligada ao Exército de Angola. Noutro sentido, de volta ao emblema leonino, faria parte da Comissão de Honra do Centenário do Sporting Clube de Portugal.

1257 - HUMBERTO FERNANDES

Saído dos escalões formativos do Sport Lisboa e Benfica, Humberto Fernandes transitaria para o patamar sénior na temporada de 1957/58. Tido como um defesa seguro e dotado de uma técnica não tão usual para os futebolistas da sua posição, o atleta, inicialmente inserido na equipa de “reservas”, chegaria ao conjunto principal das “Águias”, lançado pelo treinador Otto Glória, na campanha de 1958/59.
Essa partida a contar para o Campeonato Nacional acabaria por não ter continuidade. Aliás, a sua carreira, aferida aos olhos de hoje, erguer-se-ia numa caminhada bem peculiar. Apesar de, como sénior, ter cumprido mais de uma década de “Águia” ao peito, a verdade é que Humberto Fernandes raramente sairia da sombra de outros colegas. Mesmo tendo em conta um total de partidas oficiais disputadas pelo Benfica pouco condizente com o já referido número de temporadas passadas na “Luz”, também não é menos certo dizer-se que tamanha dedicação traria ao palmarés do jogador um importantíssimo rol de títulos.
Com 6 Campeonatos Nacionais e 4 Taças de Portugal a embelezarem o seu currículo, a ajuda dada em ambas as mãos da eliminatória frente ao Áustria de Viena, dar-lhe-ia a honra de figurar na lista de vencedores da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961/62. Todavia, para além das distinções relatadas no início deste parágrafo, o atleta participaria ainda em diversos momentos de monta. Mesmo não tendo conseguido auxiliar o clube na conquista de nenhuma das edições, Humberto Fernandes entraria em campo nas duas participações do Benfica na Taça Intercontinental. Já esses jogos frente ao Peñarol e ao Santos, não seriam as únicas finais disputadas pelo jogador. No contexto de desafios decisivos, mais uma vez assombrados os momentos pelas derrotas dos “Encarnados”, o defesa também seria chamado à ficha de jogo contra o Inter de Milão e o Manchester United, respectivamente nas participações do emblema português nas derradeiras partidas da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1962/63 e de 1967/68.
Sem nunca ter marcado um único golo em jogos oficiais pelas “Águias”, as 88 partidas feitas nesses preceitos, também seriam um parco número para quem tanto tempo dedicou ao mesmo clube. Ainda assim, é incontornável continuar a frisar que Humberto Fernandes teve a capacidade de, anos a fio, alimentar um lugar em diferentes grupos de trabalho que, ao disputarem as maiores provas a nível mundial, escreveram com letras de ouro as mais importantes páginas da história desportiva do futebol benfiquista.
Reconhecida sua entrega e tido como um grande exemplo para todos os colegas, o atleta acabaria por envergar no seu braço a faixa de “capitão”. Com tudo o que já foi dito, ainda assim, a sua ligação ao Benfica também haveria de conhecer o fim. Ao deixar os “Encarnados” com o terminar da temporada de 1969/70, Humberto ainda prolongaria a caminhada futebolística por mais uns anos. Para além da passagem pelo Estrela de Portalegre, onde voltaria a trabalhar ao lado de Mário Coluna, há registos que veiculam, sem que tenha conseguido confirmar fidedignamente as fontes, a sua posterior ligação ao Sport Lisboa e Cartaxo.