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1788 - PAULO SÉRGIO

Com passagens pelas “escolas” de diferentes clubes lisboetas, incluindo a do Benfica, mas com o percurso formativo concluído com as cores do Sporting, Paulo Sérgio Moreira Gonçalves, teria, na altura da transição para sénior, as suas primeiras convocatórias às equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Inicialmente incluído nos trabalhos dos sub-18, o jovem extremo, pela mão de Carlos Diniz, acabaria a estrear-se, no âmbito do Torneio Internacional Cidade de Lisboa, numa partida frente à Noruega, a 6 de Junho de 2002. Esse arranque de caminhada com a “camisola das quinas” teria continuidade nos escalões seguintes. Nesse sentido, no trajecto trilhado também pelos sub-20, sub-21 e equipa “B”, o grande destaque viria com a sua participação no Europeu sub-19 de 2003. No certame organizado pelo Liechtenstein, o atacante assumir-se-ia como uma das principais figuras do grupo de trabalho comandado pelo técnico já referido neste parágrafo e com o conjunto luso a galgar etapas, os 5 golos por si concretizados seriam um bom combustível para a chegada à final, infelizmente perdida para a Itália.
No que diz respeito ao percurso clubístico, Paulo Sérgio, como destapado neste texto, teria o arranque das actividades seniores na temporada de 2002/03. Após começar a trabalhar com a equipa “B” dos “Leões”, a época de 2003/04, haveria de trazer-lhe a oportunidade de, sob a intendência de Fernando Santos e numa partida a contar para a Taça de Portugal, fazer a estreia pelo conjunto principal do Sporting. No entanto, o que poderia ser interpretado como um bom sinal, não teria continuidade no resto da campanha. O extremo acabaria emprestado à Académica de Coimbra e as boas indicações deixadas com as cores dos “Estudantes” dar-lhe-iam, no ano seguinte, nova chance nos “Verde e Brancos”. Porém, mais uma vez, o atacante, já treinado por José Peseiro, apenas apareceria em campo numa partida da Taça UEFA. Dessa feita, haveria de ser cedido ao plantel de 2004/05 do Belenenses e ao contrário de ocasiões anteriores, o atleta não mais regressaria a Alvalade.
Sempre de empréstimo em empréstimo, Paulo Sérgio, após mais uma época no Restelo, haveria ainda de representar o Estrela da Amadora, o Desportivo das Aves e o Portimonense. Já desvinculado dos “Leões”, seria então a altura de arriscar uma primeira aventura pelo estrangeiro e vestir, no 2º escalão de Espanha, o equipamento do Salamanca. Concluída a curta passagem pelo país de “nuestros hermanos”, o regresso ao escalão máximo português dar-se-ia pelas portas do Olhanense e pela mão de Jorge Costa, uma das figuras que mais pesaria na carreira do avançado – “Foi o treinador que mais me marcou (…). Era aquela coisa da raça, do ‘Bicho’, mas como treinador era o oposto disso. Era um doce (…). A forma como unia o grupo, como dava os treinos, era incrível. O ‘sacana’ era uma jóia de pessoa” *.
Os bons resultados obtidos em dois anos com as cores do emblema algarvio, serviriam de impulso para a sua transferência para o Vitória Sport Clube de 2011/12. No Minho, apesar de entrar em campo em muitas ocasiões, a verdade é que Paulo Sérgio nunca viria a assumir-se como um dos maiores esteios do conjunto sediado na “Cidade Berço”. Talvez em busca de outro protagonismo, o jogador acabaria por arriscar outra aventura pelo estrangeiro e ao serviço dos cipriotas do AEL Limassol, inicialmente sob a intendência de Jorge Costa, seu antigo timoneiro na Académica de Coimbra e no Olhanense, o avançado, para além de participar nas rondas de qualificação para a Liga dos Campeões, contribuiria também para a conquista da edição de 2012/13 da A Kategoria.
De volta, mais uma vez, aos estádios portugueses, Paulo Sérgio, repartiria a temporada de 2013/14, sempre em cenários primodivisionários, entre o Arouca e o Olhanense. Essas presenças, que viriam a tornar-se nas derradeiras aparições do extremo nas competições lusas de seniores, antecederiam nova mudança. Dessa feita convencido pelo contexto competitivo asiático, o avançado começaria pelo DPMM FC de 2014/15, emblema do Brunei, mas, à altura, a pelejar-se nas provas de Singapura. Depois de conseguir sagrar-se campeão no último país aludido, uma nova transferência levá-lo-ia a experimentar a Indonésia. Começaria, na campanha de 2017, no Bhayangkara, onde, logo nessa época, para além de vir a conquistar a Liga, também seria eleito como o futebolista do ano. Depois, em 2019, viria a sua ligação ao Bali United, ao serviço do qual também conseguiria vencer a Liga e onde, com o termo das contendas futebolísticas agendadas para 2020, acabaria por “pendurar as chuteiras”.
Depois de pôr fim às actividades enquanto profissional sénior, Paulo Sérgio manter-se-ia ligado à modalidade. Para além das suas participações como comentador, no “Canal 11” e na “DAZN Portugal”, o antigo extremo voltaria a calçar as botas e já vestiu, no âmbito competitivo das provas dadas aos “Legends”, as camisolas do Vitória Sport Clube e a do Sporting.

*retirado do artigo de Luís Aguilar, publicado a 14/04/2026, em https://expresso.pt/

691 - BETO

A terminar a formação no Sporting, o trajecto que também já levava nas selecções jovens, deixava a entender que Beto era um jogador com o futuro assegurado. Se mais provas fossem necessárias, então, a vitória no Euro sub-18, título conquistado por Portugal em 1994, serviria para aferir que o defesa fazia parte de um núcleo de atletas com inquestionáveis dotes.
Já depois da vitória no Europeu, Beto é cedido ao União de Lamas. A época passada na Divisão de Honra, a sua primeira como sénior, sublinharia tudo aquilo que se conhecia do jogador. Seguro a defender, também na construção de jogadas, o atleta mostrava ter alguma habilidade. Ainda assim, e apesar das provas dadas, o seu regresso a Alvalade acabaria por não acontecer e um novo empréstimo, desta feita ao Campomaiorense, seguir-se-ia.
O traquejo conseguido ao serviço do emblema alentejano, daria um sinal precioso aos responsáveis leoninos. Esse ano de 1ª divisão, e com a experiência aí adquirida, faria com que Beto, para a temporada de 1996/97, fosse integrado no plantel principal do Sporting. Ora, e já depois de ter participado nos Jogos Olímpicos de Atlanta, é às ordens do belga Robert Waseige que o defesa, bem depressa, haveria de conseguir conquistar um lugar no sector mais recuado dos “Leões”.
A caminhada de “verde e branco”, que duraria cerca de uma década, cimentaria o atleta como um dos melhores centrais a actuar em Portugal. O reflexo disso mesmo, acabaria por ser a constância com que o seu nome apareceria nas convocatórias para a selecção. Com a estreia a acontecer ainda na fase de qualificação para o Mundial de 1998, Beto mereceria por estar presente em 3 grandes torneios.
Tendo feito parte das comitivas nacionais que disputaram o Mundial de 2002 e os Euros de 2000 e 2004, Beto, também no seu clube, viveria momentos de grande glória. Pelo Sporting, faria parte do grupo que, ao fim de 18 anos de jejum, voltaria a vencer o Campeonato Nacional. 2 anos depois, novas conquistas. Desta feita seria a “dobradinha” de 2001/02 a colorir o seu currículo.
Mesmo tendo conseguido uma boa série de títulos, onde ainda deverão ser incluídas 2 Supertaças (2000/01; 2002/2003), à carreira do jogador faltaria um troféu europeu. A dita oportunidade, acabaria por ser desperdiçada na final da Taça UEFA de 2004/05. Como o próprio já afirmou, essa “falha”, que haveria de transformar-se numa das maiores frustrações da sua carreira, aconteceria em Lisboa. Na final disputada em pleno Estádio de Alvalade, onde Beto faria parte do “onze” inicial, o Sporting, que até inauguraria o marcador, acabaria por não conseguir derrotar o CSKA de Moscovo. Ao golo do brasileiro Rogério, os russos responderiam com mais 3 remates certeiros e o título acabaria por escapar à equipa portuguesa.
Com a chegada de Paulo Bento, Beto, que já era o “capitão” de equipa, acabaria por perder alguma preponderância. Esse afastamento faria com que o jogador pensasse em prosseguir a sua carreira noutro campeonato. O convite acabaria por surgir de França e o atleta assinaria pelo Bordeaux. No entanto, a sua passagem pelos “girondinos” haveria de ser bem curta. Depois de ter chegado a meio da época 2005/06, e sem que nunca ter conseguido afirmar-se como titular, Beto, passados alguns meses, mudar-se-ia para Espanha.
No Recreativo de Huelva, onde voltaria a encontrar-se com Silvestre Varela e Carlos Martins, o defesa acabaria por passar 3 temporadas. Tendo tido, nos dois primeiros anos, exibições de bom nível, alguns problemas físicos levariam ao seu afastamento dos relvados. Essas mesmas lesões marcariam o que restaria da sua carreira e a passagem pelo Belenenses (2009/10) acabaria por, de igual modo, ficar condicionada.
Seria após uma incursão pelos escalões secundários espanhóis, que Beto, depois de vestir as cores do UD Alzira (2010/11), poria um ponto final na sua carreira de futebolista. Contudo, o antigo jogador manteria a sua ligação à modalidade. Primeiro, regressaria ao Sporting para, durante o mandato de Godinho Lopes, desempenhar o cargo de “Director de Relações Públicas e Internacionais”. Depois, daria seguimento a um sonho antigo e, nas camadas jovens do Cova da Piedade (2016/17), é o actual treinador da equipa de Juniores.

215 - MORENO

Está de regresso ao Campeonato Nacional aquele que tenho vindo a considerar como um dos bons centrais que, nos últimos tempos, actuou em Portugal. Depois de um ano, mais precisamente duas meias temporadas, em Inglaterra, Moreno, talvez um pouco desiludido com os resultados do projecto que decidiu abraçar, resolveu voltar, desta feita, para representar o Nacional da Madeira.
Ao Leicester City chegou pela mão do treinador sueco Sven-Goran Eriksson e apresentado como um dos reforços contratados no “mercado de Inverno” de 2011. Passou a partilhar o balneário com o guarda-redes internacional Ricardo e com Miguel Vítor, mas nunca conseguiu conquistar um lugar no “onze” inicial da equipa inglesa. Já na corrente campanha, com os desempenhos colectivos a reter o clube na zona intermédia da tabela classificativa do Championship e ao ver a sua situação pessoal a manter-se, a rescisão amigável acabou por ser a melhor solução para a carreira de Moreno.
Foi desse modo que, a “custo zero”, o polivalente defesa - também desempenha, com resultados muito satisfatórios, funções no meio do terreno - chegou à Choupana. Agora, com 30 anos e possivelmente no auge dos seus desempenhos, procurará, com esta nova transferência, relançar a sua carreira. Para já, o começo foi prometedor, com Moreno, para além de facilmente ganhar a titularidade, a marcar, na estreia, um dos golos que ditaram a vitória dos "Alvi-Negros" frente ao Feirense.

59 - FÁBIO FARIA

Quem diria que seria numa reunião familiar que começaria a história deste jovem futebolista?!
Ao que parece, a família Faria e a família Postiga têm elementos comuns. Num desses encontros, um casual jogo da bola haveria de ser proveitoso para Fábio Faria. Segundo consta, o pai de Hélder Postiga terá gostado das suas características. Nesse sentido, terá sido ele a aconselhá-lo ao FC Porto. Não descurando a dica, os responsáveis do clube não terão demorado muito a endereçar-lhe um convite e, ao ter agradado, lá ficou nas “escolas” do “Dragão”.
Passados alguns anos, Fábio Faria acabaria por ingressar nos escalões de formação do Rio Ave. Em Vila do Conde dar-se-ia a primeira reviravolta na sua carreira, quando o seu treinador decidiu passá-lo de médio esquerdo para a defesa. Terá sido por essa altura que Jorge Jesus, na altura pelo Restelo, conseguiria ver nele uma boa aposta - "Quando estive no Belenenses, era ele júnior no Rio Ave, tentei levá-lo para lá, mas não consegui."*. A oportunidade de tê-lo sobre a sua alçada surgiria nos “Encarnados” desta temporada. E se sobre muitos aspectos, o filho de Chico Faria ainda terá que ser limado pelo "Mister", já a sua ambição sempre esteve bem delineada – “O sonho é jogar no Estádio da Luz com a camisola do Benfica, depois ser campeão nacional e quem sabe isso me leve à selecção”**.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 04/09/2010
** retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 08/07/2010