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1781 - MANU


Com o percurso formativo concluído ao serviço do Alverca, seria num empréstimo ao plantel de 2001/02 do Lourinhanense que Emanuel Jesus Bonfim Evaristo, popularizado no futebol pelo diminutivo Manu, daria os passos iniciais como sénior. Apesar de empurrado até ao 3º escalão luso, a verdade é que o jovem extremo, na sua passagem pela agremiação da região do Oeste, conseguiria exibir-se a um bom nível. Tamanho sinal, faria com que o emblema ribatejano, ainda com a mencionada época a decorrer, decidisse chamar de volta o atleta. No regresso, mesmo com o desaire colectivo a sentenciar o clube à descida de patamar, o atacante teria a oportunidade de jogar na derradeira jornada do Campeonato Nacional e faria, pela mão de Vítor Manuel, a estreia na 1ª divisão.
Mesmo com a época seguinte à da sua estreia como sénior feita na 2ª divisão e ainda com o estatuto de suplente, o atacante também entraria no rol de atletas que ajudariam ao regresso do emblema da metrópole lisboeta ao convívio com os “grandes”. Talvez por nunca ter conseguido assegurar-se como um dos titulares, a época de 2003/04, repetindo a cedência do início da carreira, aconteceria com as cores do Lourinhanense. Mais uma vez, as prestações edificadas com o listado verde e branco fariam com que o regresso a Alverca acontecesse ainda no decorrer da campanha do empréstimo. Já de novo sob a alçada de José Couceiro, Manu passaria a ser utilizado com alguma frequência e o extremo acabaria por ver o Benfica a interessar-se na aquisição dos seus serviços.
Apesar da ligação contratual às “Águias”, Manu seria incapaz de, nos 2 anos seguintes, reservar para si um lugar nos planteis comandados por Giovanni Trapattoni e por Ronald Koeman. A falta de espaço faria com que o avançado voltasse aos empréstimos, tendo passado, na campanha de 2004/05 pelos italianos do Carpenedolo e do Modena, para, na época seguinte, regressar aos “plateaus” primodivisionários, com as cores do Estrela da Amadora. Apesar de tanta errância, o jogador finalmente veria o seu trabalho a dar os frutos desejados e a temporada de 2006/07, com Fernando Santos à frente dos destinos técnicos dos “Encarnados”, oferecer-lhe-ia a oportunidade de “assentar arraiais” na Luz. Ainda assim, o extremo não haveria de convencer o “Engenheiro” a dar-lhe a titularidade e as poucas aparições em campo levá-lo-iam, em 2007/08, aos gregos do AEK de Atenas. 
Já desvinculado do Benfica, Manu acabaria por rubricar um contrato com o Marítimo de 2008/09. Em abono da correcção, a experiência do avançado na Madeira, onde permaneceria por um par de campanhas, acabaria por tornar-se, talvez, no período mais pródigo da sua carreira. Curiosamente, o acréscimo de cotação fá-lo-ia aceitar o convite do Legia Varsóvia. Na capital polaca, o atacante ainda teria uma primeira temporada promissora, com a conquistada da Taça a vincar as suas boas exibições. Contudo, a época seguinte sairia muito aquém das expectativas criadas de início e a meia das provas agendadas para 2011/12, o jogador deixaria o Leste da Europa para seguir em direcção à China.
A experiência asiática, no Beijing Guoan, serviria também para vincar uma caminhada competitiva muito marcada pelas mudanças de emblema. Aliás, daí em diante, Manu ainda vestiria uma boa quantidade de camisolas. Nos anos seguintes, entre as presenças em Portugal e no estrangeiro, o extremo acabaria igualmente por envergar, sempre por pouco tempo, as divisas dos cipriotas do Ermis Aradippou, do Pafos e as cores do Vitória Futebol Clube. Já com o fim da carreira bem à vista, numa temporada de 2018/19 dividida em duas partes, o jogador ainda teria forças para vir a apresentar-se pelo SL Cartaxo e pelo Vilafranquense.

1235 - DECO


Após a passagem por vários emblemas durante o período formativo, a sua contratação por parte do Corinthians empurraria o jovem praticante, na temporada de 1996, à estreia no patamar sénior. Contudo, a pouca utilização levá-lo-ia a mudar de rumo, a rubricar uma ligação profissional com o Corinthians Alagoano e a ser “emprestado” ao CSA. Por essa altura, ao participar na Copa de São Paulo, seria observado por Toni, que, nesse ano de 1997, ocupava o cargo de director-desportivo do Benfica – “Lá vi o que todos viram. Um jogador que já tinha uma maturidade técnica e leitura de jogo que iriam fazer dele o grande jogador que foi mais tarde”*.
Com o acordo firmado com as “Águias”, Deco, inicialmente por um “empréstimo”, seguiria viagem na companhia de Cajú, outro atleta que viria a brilhar no futebol luso. No entanto, à chegada a Lisboa, os dois jovens acabariam recebidos por dirigentes do Alverca e encaminhados para o emblema ribatejano. Na colectividade, à altura, “satélite” do Benfica, o médio-ofensivo, apesar da desilusão inicial, conseguiria colorir a campanha de 1997/98 com exibições de qualidade. Porém, os “Encarnados” acabariam por recuar no momento de, em definitivo, contratar o jogador – “O Benfica não aproveitou, porque tinha de exercer a opção de compra pelo meu passe. É aí que entra o Jorge Mendes, que foi fundamental. Em dezembro desse ano [1997], tinha propostas de clubes da I Divisão do campeonato Paulista, entre os quais o Ituano e a Portuguesa Santista. Fiquei na dúvida se devia voltar ao Brasil, porque mesmo estando num clube da II Divisão portuguesa, estava a destacar-me”**.
Rejeitado pelo treinador benfiquista Graeme Souness, seria já pela mão do empresário Jorge Mendes que Deco chegaria ao Salgueiros. Em Paranhos, uma lesão atrapalharia o arranque da temporada de 1998/99. Todavia, e depois de recuperado, poucas jornadas seriam necessárias para aferir a extrema qualidade do atleta. De repente começaria a falar-se na sua transferência para emblemas de outra monta. Algumas hipóteses emergiriam de Espanha, mas seria o FC Porto a ganhar a corrida pelo criativo centrocampista. Mudar-se-ia para as Antas ainda no decorrer da campanha de chegada ao Estádio Engº. Vidal Pinheiro e, sob a batuta do técnico Fernando Santos, contribuiria para a vitória no Campeonato que selaria a conquista do mítico “Penta”.
No FC Porto, onde passaria 5 temporadas e meia, Deco participaria numa das mais gloriosas páginas da história “azul e branca”. Ao título aludido no parágrafo anterior, viria ainda a somar um longo rol de troféus. Outras 2 Ligas portuguesas, 3 Taças de Portugal e 2 Supertaças Cândido de Oliveira, serviriam para compor um ramalhete cujo destaque principal acabariam por ser as conquistas continentais. Nesse campo, já com José Mourinho a orientar o destino dos “Dragões”, o médio seria decisivo para as campanhas estonteantes na Taça UEFA de 2002/03 e na “Champions League” do ano seguinte. Respectivamente, em Sevilha frente ao Celtic, como em Gelsenkirchen contra o Monaco, o atleta seria escolhido pelo “Special One” para o alinhamento inicial. Ajudaria a vencer as duas competições e na final alemã, a que ditaria a vitória na mais importante competição mundial de clubes, ainda brindaria o resultado final com um golo da sua autoria.
Também no percurso da selecção, Deco deixaria a sua marca. Apesar de ter nascido no Brasil, o médio, após a conclusão do processo de naturalização, escolheria representar as cores de Portugal. Curiosamente, a estreia com a principal “camisola das quinas”, a 29 de Março de 2003, aconteceria frente ao “Escrete”. Chamado pelo treinador Luiz Felipe Scolari à peleja agendada para o Estádio das Antas, o centrocampista marcaria 1 golo de livre-directo e contribuiria para a vitória por 2-1. No cômputo da caminhada internacional, acumularia um total de 75 partidas e participaria em 4 fases finais de importantes torneios. Nesse contexto, para além dos Mundiais de 2006 e de 2010 e do Euro 2008, o jogador faria parte do tridente que, no miolo do terreno, conduziria a “Equipa de Todos Nós” à final do Euro 2004. Infelizmente para o grupo de trabalho conduzido pelo já citado técnico “canarinho”, a Grécia destruiria o sonho luso e, na derradeira partida disputada em Lisboa, venceria o torneio.
Seria também o certame organizado em Portugal que anteciparia a partida de Deco para Espanha. Transferido para o FC Barcelona, a caminhada trilhada na Catalunha daria continuidade à senda de sucessos alcançados do lado de cá da fronteira. Com o listado “blaugrana” venceria 2 “La Liga” e 2 Supercopas. Para além dos troféus internos, o médio voltaria a pôr a mão na Liga dos Campeões. Na final da edição de 2005/06, tal como tinha acontecido cerca de 2 anos antes, seria chamado à titularidade e ajudaria à vitória, por 2-1, frente ao Arsenal.
Seguir-se-ia na sua carreira o Chelsea orientado por Luiz Felipe Scolari e onde, no balneário, encontraria colegas como: Hilário, Ricardo Carvalho, Bosingwa, Paulo Ferreira e Ricardo Quaresma. Em Londres, apesar de um trajecto não tão faustoso em termos de títulos, a sua estadia ainda serviria para amealhar uns quantos “canecos”. Em 2 campanhas com os “Blues”, com os primeiros passos dados no Verão de 2008, o jogador conseguiria trazer para o palmarés pessoal a conquista da Premier League de 2009/10, mais 2 FA Cup e 1 FA Comunnity Shield.
Para o capítulo final da sua caminhada enquanto futebolista, Deco escolheria regressar ao Brasil e vestir as cores do Fluminense. Mais uma vez, como em quase todos os capítulos de uma carreira a tantos níveis brilhante, os troféus fariam parte dessa experiência nos “gramados”. Entre as temporadas de 2010 e 2014, e já com algumas mazelas a vincar o peso da idade, o centrocampista ainda conseguiria juntar ao currículo outros 3 títulos, a saber: o “Brasileirão” de 2010 e o de 2012 e o “Estadual Carioca” de 2012.
Depois de retirado da alta-competição, Deco, sem largar a modalidade, passaria a dedicar-se à gestão das carreiras de outros atletas. Nesse sentido, fundaria e passaria a orientar a agência “D20 Sports”, que tem ajudado nomes como Bruno Tabata (Sporting), Fabinho (Liverpool), Raphinha (Leeds Utd), Tiquinho Soares (Olympiakos), entre outros.

*retirado do artigo de João Tiago Figueiredo, publicado a 26/08/2013, em https://maisfutebol.iol.pt
**retirado do artigo publicado a 24/04/2020, em https://maisfutebol.iol.pt