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1778 - SEO JUNG-WON

Ao ingressar no ensino superior na Korea University, Seo Jung-Won teria, igualmente na referida instituição, o arranque da carreira sénior. Depois desse início de caminhada na campanha de 1988, o extremo-direito, até concluir o curso, manter-se-ia a envergar a mesma camisola. Depois viria o primeiro contrato profissional e a ligação, a partir de 1992, ao Anyang LG Cheetahs. O jogador, caracterizado pela velocidade, habilidade com a bola nos pés e algum faro para o golo, rapidamente começaria a destacar-se dos demais colegas. Nesse sentido, até pelo percurso internacional já conseguido, não constituiria qualquer surpresa a sua inclusão no conjunto de sub-23 que, também em 1992, seria convocado para disputar os Jogos Olímpicos de Barcelona. As suas exibições seriam de tal ordem convincentes que, com o certame terminado, começariam a surgir alguns convites dos maiores emblemas europeus, incluindo o “gigante” FC Barcelona. O pior é que outros afazeres levariam a que não pudesse aceitar qualquer convite vindo do estrangeiro e o Serviço Militar Obrigatório levá-lo-ia de volta à Coreia do Sul.
Durante o tempo em que cumpriria os deveres com o exército, Seo Jung-Won, por empréstimo, ver-se-ia obrigado, nos escalões secundários, a representar o Sangmu FC. Depois de passar a temporada de 1993 no mencionado emblema, o atacante acabaria por retornar à agremiação detentora do seu passe. De volta ao Anyang LG Cheetahs em 1994, seria por esta altura que o extremo, mais uma vez, tentaria a sua sorte na Europa. Reprovaria nos testes feitos na Alemanha e nos Países Baixos. Contudo, esse mesmo ano de 1994 ainda viria a tornar-se deveras importante para o atleta e com a chamada ao Campeonato do Mundo realizado nos Estados Unidos da América, o avançado, ao exibir-se nas cores da selecção coreana, participaria em 3 partidas e concretizaria 1 golo.
Já em 1997/98, Seo Jung-Won voltaria a tentar fixar-se na Europa. Ao rubricar um acordo com o Benfica, o extremo-direito ainda participaria nos desafios da pré-época. Mesmo ao entrar em campo em 4 particulares feitos pelo grupo de trabalho orientado pelo escocês Graeme Souness, e com o estágio realizado nos Países Baixos a dar indicações positivas, a verdade é que o jogador acabaria por ver recusada a intenção de mudar a carreira para Portugal. A razão, à altura especulada, surgiria da intransigência nascida no seio da federação coreana de futebol (KFA) que, com a desculpa de melhor preparar a participação no Mundial de 1998, recusar-se-ia a autorizar a transferência.
Curiosamente, seria antes ainda de disputar o Campeonato do Mundo realizado na França que Seo Jung-Won, finalmente, teria a oportunidade de encetar um trajecto fora de portas. Porém, ao assinar um contrato com os gauleses do Strasbourg, o atacante, com a chegada à Ligue 1 em Janeiro de 1998, não colheria os resultados há tanto perseguidos. Sem grande impacto nos desempenhos colectivos do conjunto sediado na região da Alsácia, o avançado, com a temporada de 1998/99 em andamento, acabaria mesmo por regressar à Coreia do Sul. Ao rubricar um contrato com os Suwon Samsung Bluewings, o atleta manter-se-ia fiel à mesma divisa durante um largo período de tempo e só em 2004/05, ao entrar na derradeira fase da carreira, é que viria a assinar pelo SV Wüstenrot Salzburg.
Com a sua passagem pela Áustria a estender-se até ao final de 2007/08 e depois de, também, vestir as cores do SV Ried e do BW Feldkirch, o jogador, com o termo da temporada ainda agora aludida, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”. Ao manter-se ligado à modalidade, o antigo avançado acabaria por encetar as suas actividades enquanto treinador. Nas novas funções, começaria por colaborar com a Korean Football Association. De seguida viria o regresso ao Suwon Samsung Bluewings e a entrada, em 2021, nos chineses do Chengdu Rongcheng FC.

1505 - PANDURU

Estrear-se-ia como sénior, na segunda metade da década de 1980, ao serviço do CSM Resita. Embora a militar no segundo escalão romeno, Nica Panduru, muito por conta das habilidades técnicas, depressa começaria a destacar-se dos demais colegas. Essas qualidades, bem patentes nas suas exibições, levá-lo-ia a ser cobiçado por um dos emblemas de maior tradição na Europa e a transferência para o Steaua Bucaresti confirmar-se-ia na temporada de 1990/91.
Na colectividade da capital da Roménia, Panduru continuaria a sublinhar-se como um intérprete de qualidade superior. Nesse sentido, muito mais do que a afirmação em contexto interno, a preponderância revelada a nível do clube, faria com que os responsáveis federativos arrolassem o seu nome para os trabalhos da principal selecção do país do leste europeu. Com as cores da sua nação, o médio-ofensivo faria a estreia a 12 de Fevereiro de 1992. Chamado por Mircea Radulescu, o jogador, nesse amigável frente à Grécia, daria início a uma caminhada que, para além das 22 internacionalizações “A”, dar-lhe-ia ao currículo a presença no Campeonato do Mundo de 1994. No torneio disputado nos Estados Unidos da América, ao lado de craques como Popescu, Petrescu, Dumitrescu, Raducioiu ou Gheorghe Hagi, o atleta entraria em campo por duas ocasiões e, desse modo, ajudaria a sua equipa a atingir os quartos-de-final da prova.
Voltando ao percurso clubístico, Nica Panduru, como um dos esteios do Steaua Bucaresti, tornar-se-ia numa figura das conquistas do emblema por si envergado. Ao ajudar à vitória em 3 Campeonatos, 1 Taça da Roménia e 2 Supertaças, o jogador veria a sua cotação a subir. No entanto, apesar dos importantes títulos, seriam as competições de índole continental a mudar-lhe o rumo à carreira e numa partida da Liga dos Campeões de 1994/95, o médio acabaria observado por um treinador português – “O Artur Jorge fez questão de me contratar, depois de um Steaua-Benfica. Fiz um golo ao grande Michel Preud'Homme. O Benfica era um histórico, um grande clube e para mim a oportunidade pareceu-me irrecusável”*.
No Benfica a partir da campanha de 1995/96, Panduru experimentaria a instabilidade causada pelos anos da presidência de José Vale e Azevedo. Logo a meio da época de entrada na Luz, o jogador seria emprestado aos suíços do Neuchâtel Xamax. Mesmo regressado a Lisboa, a verdade é que o jogador romeno, muitas vezes acusado de ser pouco batalhador, nunca conseguiria, de forma concreta, conquistar um lugar no “onze” das “Águias”. Ainda assim, os anos passados com os “Encarnados” serviriam para conquistar 1 Taça de Portugal. No entanto, nem o referido título convenceria o atleta a continuar ao serviço da colectividade “alfacinha” e o convite vindo da “Cidade Invicta” fá-lo-ia trocar de camisola.
Na mudança para o FC Porto de 1998/99, Panduru passaria a trabalhar sob a alçada de Fernando Santos. Apesar de pouco utilizado, o médio-ofensivo teria o seu nome inscrito no último dos Campeonatos Nacionais conquistados na inolvidável senda do “Penta”. Porém, a pouca utilização faria com que, na campanha seguinte, fosse emprestado ao Salgueiros. Já o regresso às Antas, em 2000/01, não traria para a sua caminha grandes novidades. Integrado no rol de dispensados, o jogador passaria a trabalhar apenas com a equipa “b”. No decorrer da temporada de 2001/02, ainda seria veiculado por alguns órgãos de comunicação a possível transferência do atleta para os gregos do Panionios. A verdade é que tal nunca viria a concretizar-se e com o termo da época, o internacional romeno decidiria terminar a carreira enquanto futebolista.
Apesar de “pendurar as chuteiras” precocemente, Panduru voltaria a ligar-se ao futebol. Como treinador, o antigo médio tem trilhado o seu percurso essencialmente em emblemas da Roménia. Também passaria pelo papel de Director Desportivo do Steaua Bucaresti e, igualmente no seu país natal, tem emprestado ao papel de comentador televisivo a sua experiência na modalidade.

*retirado da entrevista de Pedro Jorge da Cunha, publicada a 17/09/2015, em https://maisfutebol.iol.pt

882 - ROGER MILLA

E que tal para um futebolista atingir o auge já com os 40 anos à vista? E se esse pico vier depois de tomada a decisão de abandonar o desporto profissional? Dirão vocês que a probabilidade é quase nenhuma! Não, não é! Estamos apenas a falar de Roger Milla!
Foi no início dos anos 50 que o avançado camaronês nasceu. Longe, muito longe, estariam os adeptos do futebol de pensar que, em Yaoundé, acabava de vir ao Mundo uma das futuras estrelas da modalidade. Para ser correcto, mesmo alguns anos depois, aquando do início da sua carreira profissional, não sei se alguém teve tal atrevimento, tal pressentimento.
Avancemos 18 anos no tempo e, em 1970, é no Léopards Douala que Roger Milla faz a sua estreia no patamar sénior. Nessa caminhada, não foi necessário muito tempo para que, no seu currículo, começassem a aparecer alguns títulos. As vitórias nos Campeonatos de 1971/72 e 1972/73, mais valor ganhariam pelo facto do seu nome começar a figurar na lista dos melhores do continente africano. Para entender esse estatuto basta olhar aos números da sua carreira, durante esses anos iniciais. Tanto naquele que foi o seu primeiro emblema, tal como na colectividade para onde, 4 temporadas volvidas, se mudaria, o atacante jamais acabaria uma temporada sem ultrapassar a barreira dos 20 golos.
Tal como no Léopards, também na mudança para o Tonnerre Yaoundé, o goleador daria grande contributo para o sucesso do clube. Para além dos remates certeiros, a vitória na edição de 1975 da Taça dos Vencedores das Taças Africanas seria o momento mais alto dos 3 anos passados no emblema da capital. Ora tal êxito, só poderia resultar na sua mudança para um contexto competitivo bem mais interessante. Na França, onde passaria a competir a partir de 1997, vive os melhores anos do seu percurso clubístico. Valenciennes, Monaco, Bastia, Saint-Ettiénne e Montpellier seriam as cores envergadas. No entanto, sendo essa uma constante na sua carreira, o brilho maior consegui-lo-ia com a camisola do seu país.
Com os “Lions Indomptables”, Roger Milla começaria por ganhar a CAN em 1984 e 1988. Todavia, e mesmo com os títulos de Jogador Africano do Ano de 1976 e Melhor Marcador da já referida Taça de África das Nações em 1986 e 1988, não era com grande frequência que o atacante andava pelos escaparates do futebol internacional. Por essa razão, a sua inclusão na lista de convocados para disputar o Mundial de 1990 não causaria reboliço algum. Bem, talvez não seja assim tão verdade! É que, em bom abono do rigor, o atleta nem sequer fazia parte dos planos do seleccionador Valeri Nepomniatchi. A justificação? Fácil! Por altura do Campeonato do Mundo disputado em Itália, já o avançado tinha decidido abandonar o futebol profissional.
Quem interromperia as suas “férias” na Ilha de Reunião, onde representava o Saint-Pierroise, seria o Presidente dos Camarões, Paul Biya. Não agradado com o olvido do seleccionador, seria o próprio estadista que forçaria a sua inclusão na comitiva nacional. Polémicas à parte, a verdade é que tal imposição daria azo a um verdadeiro milagre. Roger Milla, muito mais do que um mero amuleto, seria a principal figura dos africanos no torneio. Os golos, a celebração dançante na bandeirola de canto e o recorde batido que, aos 38 anos, fazia dele o atleta mais velho a marcar numa fase final, torná-lo-iam numa das grandes estrelas do certame.
Não pensem, contudo, que a sua história acaba aqui! Talvez embalado pelas exibições em Itália, Roger Milla apresenta-se no próximo Mundial. Dessa feita nos Estados Unidos da América, a sua presença voltaria a entrar nos anais da competição. Com uns singelos 42 anos de idade, o avançado voltaria a acertar com a bola no interior das redes e, com esse golo, quebraria a sua própria marca, registada 4 anos antes.

868 - IVANOV

Muitos perguntarão o porquê de Ivanov estar a ser colado. É natural que assim o façam, pois nem todos terão dado pela sua presença em Portugal. A verdade é que o defesa russo, já nos últimos anos como futebolista, teria uma participação discreta nos nossos campeonatos. Obviamente, a sua carreira profissional haveria de começar muitos antes da passagem pelo nosso país. O atleta apareceria no Spartak de Moscovo em meados da década de 80 e, tendo algumas dificuldades para conquistar um lugar na equipa, passaria por dois empréstimos, em dois emblemas diferentes.
SKA-Energiya Khabarovsk e FC Guria Lanchkuti (clube sediado na actual Georgia) antecederiam a sua afirmação no emblema da capital. Aliás, o período entre as temporadas de 1991 e 1994 acabaria por ser o mais importante da sua carreira. Nesse sentido, e logo no decorrer da primeira época, Ivanov receberia a primeira convocatória para a principal selecção da União Soviética. Pela mão de Anatoliy Byshovets, o defesa estrear-se-ia num particular frente à Suécia. Esse amigável serviria de ponto de partida para que, um ano após a referida partida, o jogador marcasse presença no Euro 92.
Também a conquista de troféus haveria de marcar esse dito período. Tendo em 1989 vencido pela primeira vez a Liga Soviética, Ivanov ajudaria o Spartak de Moscovo a repetir o feito em 1992 e 1993. Ainda pela “Narodnaya komanda” (Equipa do Povo), o defesa juntaria outros triunfos ao seu currículo. A vitória na Taça em 1992 acabaria por ser mais um bom exemplo daqueles que seriam os anos de maior sucesso no seu percurso profissional.
A partir de 1995 a sua carreira entraria numa fase mais discreta e, talvez consequência disso, bastante mais errante. Tendo nos anos seguintes, saltitado entre diversos emblemas, Ivanov acabaria por vestir as cores de dois outros “grandes” moscovitas. CSKA e Dynamo, tendo pelo meio uma última passagem pelo Spartak de Moscovo, antecederiam as primeiras aventuras no estrangeiro. Seria durante essas temporadas, após representar os austríacos do Tirol Innsbruck e os alemães do Greuther Fürth, que o defesa chegaria a Portugal. No Alverca, e com o emblema ribatejano a disputar a 1ª divisão, o atleta pouco contribuiria para a campanha de 1998/99. Apesar do estatuto de internacional, o jogador seria incapaz de conquistar um lugar no “onze” inicial e acabaria por nunca jogar no campeonato.
Em 2000 regressaria à Rússia para uma última temporada. Ao serviço do FK Nika Moskva, o defesa poria um ponto final no seu percurso como atleta de alta competição. O afastamento da modalidade levariam o antigo jogador, nos anos a seguir à sua despedida, a entregar-se aos vícios do álcool. A dependência acabaria por ter um fim trágico, com Ivanov a pôr termo à sua vida em 2009.

499 - HERRERA

Deixámos para último "post" do mês, aquele que foi o mais badalado e, entre os adeptos, o mais popular seleccionador deste último Mundial. Claro que a ligação do treinador do México com a modalidade, não vem apenas do torneio disputado no Brasil. Herrera também foi jogador de futebol.
Dentro de campo, apesar de ter começado como atacante, a posição que o destacaria como profissional haveria de ser a de defesa direito. Tendo começado no Atlante, a carreira do antigo internacional mexicano haveria de ser feita, integralmente, por emblemas do seu país natal. Santos Laguna, Querétaro e Neza FC também compõem o percurso deste antigo futebolísta. Contudo, para ser correcto e ir de encontro àquilo que já aqui disse, há que referir que, na sua vida dentro dos relvados, ainda houve uma quinta camisola. A "verde" do México terá sido, e sem dúvida continua a ser, o seu maior orgulho. Mas como em quase tudo, aquilo que de bom tem uma coisa, também tem, em iguais proporções, algo de negativo. Ora, para si, o que de decepcionante teve a sua selecção prende-se, exactamente, com aquilo que agora o tornou globalmente famoso, isto é, um Mundial de futebol! A história conta-se assim. Em vésperas do certame organizado pelos Estados Unidos (1994), o nome de Herrera era um dos mais certos nas previsões para a convocatória da equipa nacional do México. Tendo sido um dos mais utilizados durante a fase de qualificação, esta sua assiduidade a juntar à velocidade, garra e coragem que mostrava em todos os desafios, faziam dele, à partida, um dos eleitos. O pior é que, uns tempos antes de ser sabida essa chamada, Herrera, no fim de uma partida que opunha o Atlante ao Leon, haveria de, depois de provocado verbalmente, agredir um adepto. Dizem que esse momento seria determinante para a relação entre o lateral e o seleccionador à altura, Miguel Mejía Barón. Se foi esta, ou não, a causa do desentendimento entre os dois, não o sei. O que é certo é que na altura de ser revelar a lista de eleitos para o Mundial, o nome de Herrera não fazia parte.
20 anos depois deu-se a sua estreia, naquele que é o maior certame de futebol do planeta. O México haveria de ter uma passagem positiva, com a qualificação para os oitavos de final e, acima de tudo, com exibições de "encher o olho". O mais giro é que num grupo pontuado com nomes como os de Hernandez, Márquez, Guardado ou Giovani dos Santos, haveria de ser o seleccionador que captaria a maior parte das atenções. A razão? Muito simples e prende-se com a maneira efusiva como Miguel Herrera haveria de viver cada momento do jogo. Gritos, expressões extasiantes, saltos e toda uma panóplia de festejos, foram a sua imagem de marca durante o torneio. Surpresa? Claro que não! Ou melhor, só para quem antes nunca o tinha visto em exibição!!!
Todo este seu estilo colérico de ser, juntamente com a maneira sábia como consegue aproximar-se de público e jogadores, têm sido a chave do seu sucesso. Foi assim à frente do América, clube pelo qual venceu o Campeonato "Clausura 2013", e tem sido assim desde que, interinamente, assumiu funções na selecção. Sim, "interinamente"!!! É que Herrera, aquele que agora é um dos predilectos no planeta do futebol, era para ter comandado o México apenas no "play-off" de acesso ao Mundial!!!

320 - EMMANUEL MABOANG

Dos jogos de rua para a equipa do liceu e já ao serviço do clube da sua cidade, o AS Bafia, o futebol de Emmanuel Maboang ia evoluindo a olhos vistos. Sem nunca esperar muito daquilo que, para si, era apenas um prazeroso passatempo, um dia viu surgir a oportunidade para ingressar num dos "gigantes" do seu país - "Nunca pensei que fosse muito avante. Então, um dia, alguém viu-me jogar e tratou de tudo para que eu fosse para Yaounde. Lá cheguei sem nada. Mas, obviamente, eu era um bom jogador e pediram-me para me juntar ao Canon Yaounde, que era uma das equipas topo no país"*.
Desses episódios iniciais à estreia na selecção dos Camarões foi apenas um pequeno passo. Seguiram-se as presenças na CAN de 1990, repetida passados 2 anos, e o Mundial de Futebol disputado em Itália. No entanto, mesmo ao contar com alguma experiência internacional, Emmanuel Maboang, um jovem de 21 anos, tal como alguns dos companheiros de equipa, veria a convocatória para o certame de envergadura global a soerguer algum receio e a estreia frente ao conjunto campeão em título tornar-se-ia numa experiência um tanto arrebatadora – "Lembro-me antes do jogo contra a Argentina. Eu só esperava que o treinador não chamasse pelo meu nome, pois eu estava demasiado nervoso"*.
A prestação dos "Indomitable Lions" haveria de ser excepcional, com a equipa nacional camaronesa, para além de vencer a partida inaugural, a conseguir a proeza de atingir os quartos-de-final, algo nunca antes alcançado por uma selecção vinda de África. Depois dessa gloriosa caminhada, que apenas terminaria aos pés da Inglaterra de Lineker, Gascoine, entre outros, muitos dos nomes que nela participaram, começariam a ser cobiçados no "Velho Continente". Emmanuel Maboang haveria de ser um deles e o médio-ofensivo acabaria a aterrar em Portugal, para ingressar no plantel de 1991/92 do Portimonense.
 Um ano depois da chegada ao Algarve, o atleta rumaria a norte para envergar as cores do Rio Ave. Contudo, apesar do talento, da maneira excepcional como comandava as manobras ofensivas das suas equipas, nada haveria de servir como argumento para que conseguisse chegar ao patamar devido, ou seja, a 1ª divisão. Um pouco desiludido pelo rumo da sua vida desportiva, já depois de participar no Mundial de 1994, realizado nos Estados Unidos da América, Emmanuel Maboang, após uma passagem pelo futebol indonésio e sem ainda completar 30 anos de idade, decidiria pôr um ponto final na sua carreira. “Penduradas as chuteiras” e convencido que a ganância a imperar no futebol tem de ser combatida, o antigo internacional resolveria enveredar pela carreira de empresário e, com tal decisão, passaria a trabalhar pela salvaguarda dos interesses de jovens praticantes em ascensão.

*traduzido do artigo publicado a 11/02/2004, em www.fifa.com

207 - M'BOUH

Depois de uma bela prestação na época anterior, os responsáveis pelo Vitória de Guimarães decidiram que a temporada de 1990/91 merecia um investimento extra. Para além de reforçarem o ataque com o tunisino Ziad, outro dos nomes sonantes contratados acabou por ser o de Emile M'Bouh, uma das estrelas da selecção camaronesa que, fazia pouco tempo, tinha tido uma prestação brilhante no Mundial de Itália.
O médio era conhecido como um atleta de uma resistência tremenda, como exímio nas transições defesa/ataque, ou seja, um homem incansável, capaz de correr o meio-campo de lés-a-lés. A verdade é que, por estranho que pareça, os bons predicados foram insuficientes. M’Bouh nunca conseguiu impor-se no “onze” vimaranense e nem o facto de ter chegado já depois do arranque do Campeonato pareceu justificar a inaptidão. Pior ainda. Depois de um primeiro ano em que ainda jogou algumas partidas, a perspectiva de uma segunda temporada de melhor nível esfumou-se quando o atleta, por razão do excesso de estrangeiros, viu o seu nome incluído na lista de dispensas. Foi, então, emprestado ao Benfica de Castelo Branco, mas no final da campanha de 1991/92 o centrocampista acabou mesmo por partir sem nunca, em Portugal, ter demonstrado o seu real valor.
Aliás, algo que caracterizou grande parte da sua carreira foi o facto de nunca ter tido, nem em França, nem na Suíça, nem nas suas passagens pelo Qatar, Malásia ou Indonésia, grandes prestações a nível de clubes. Já pela selecção, a história é outra! A constância das suas exibições levou-o a conseguir ultrapassar a barreira das 100 internacionalizações e a envergar a braçadeira de “capitão”. De entre todas essas partidas pelos "Lions Indomptables", destacaram-se as disputadas nos Mundiais de 1990 e 1994 e, ainda, a participação na CAN de 1988, de onde sairia campeão e eleito para o “melhor onze” do certame.
Já depois de ter "pendurado as chuteiras", decidiu manter-se ligado à modalidade. Emigrou então para os Estados Unidos da América e, juntamente com o seu irmão, abriu uma escola de futebol, a "Emile Star Soccer", na qual tem dedicado o seu tempo à formação de jovens futebolistas.

88 - ROMÁRIO

Estreou-se em 1985, pelo Vasco da Gama. Passados 3 anos e após ser o Melhor Marcador nos Jogos Olímpicos de Seoul, transferiu-se para um PSV acabadinho de, frente ao Benfica, conquistar a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Na Holanda, durante as 5 temporadas que esteve em Eindhoven, conseguiu a sua maior série de títulos individuais e colectivos. Nessa senda, atingiu por 4 vezes o lugar cimeiro da tabela dos Melhores Marcadores e venceu 3 Campeonatos e 2 Taças.
Claro que a sua passagem pelo PSV não foi, de todo, isenta de reboliço. Uma vez por outra, lá fazia uma das suas, ainda hoje típicas, polémicas declarações. Como exemplo posso referir o episódio em que, por razão de uma lesão no tornozelo, viu-se afastado dos relvados – "O PSV depende de mim. Todos sabem que a equipe não tem condições de jogar sem Romário"*. Ironicamente a afirmação foi feita na única temporada em que não registou qualquer conquista pela equipa holandesa.
Quem haveria de mostrar interesse na sua contratação, seria outro treinador holandês. Johan Cruijff, ao comando do FC Barcelona, apadrinharia, no Verão de 1993, a sua transferência para o emblema da Catalunha. Romário não deixaria os seus créditos por mãos alheias e terminaria a época de estreia nos “blaugrana”, como o Melhor Marcador da Liga, campeão de Espanha e vencedor da Taça do Rei. Ora, os referidos registos põe-no na lista de incontornáveis para o Mundial de 1994, realizado nos Estados Unidos da América. O torneio ganha-o! E digo-o desta forma, pois o seu peso na performance da equipa brasileira seria de tal ordem que, até Cruijff passou a admiti-lo - "Na verdade, eu estou convencido de que o Brasil não ganharia o Mundial dos Estados Unidos se ele não tivesse jogado"**.
O ano de 1994 desenhou-se de ouro para o avançado carioca. Aos títulos já referidos, juntou o de Melhor Marcador no Campeonato do Mundo e, ainda, o de Jogador do Ano para FIFA. Mas a partir daí a carreira de Romário começou a perder-se. A meio da 2ª época em Barcelona, aproveitou uma proposta do Flamengo e começou a insistir na sua transferência. O clube cedeu e o jogador voltou ao Rio de Janeiro. Nunca mais, tirando algumas excepções, Romário voltou ao que era. A sua carreira começou a caracterizar-se por constantes mudanças de clube e, pior do que isso, começou a revelar-se em exibições vistas como medíocres.
Ainda voltou a Espanha e ao Valência. Porém, as suas parcas exibições fizeram com que, mais uma vez, regressasse ao Brasil. Nos anos seguintes, entre 1998 e 2003, nas passagens pelo Flamengo, Vasco da Gama e Fluminense, ainda houve quem pensasse que o "Baixinho" estava de volta. Contudo, nem os insistentes apelos dos adeptos, convenceram Scolari a chamá-lo à selecção.
Sem conseguir ser convocado para o Mundial de 2002, os anos de ribalta na sua carreira, foram dados como extintos. Mas Romário tinha ainda uma promessa que, feita anos antes, faltava cumprir – "Tenho 22 anos e garanto que ainda vou impressionar muita gente. Podem-me cobrar. Vou chegar ao milésimo gol"***. Começou, então uma verdadeira demanda que o levou aos quatro cantos do Mundo. Passou pelo Qatar (Al-Sadd), pelos Estados Unidos da América (Miami FC) e pela Austrália (Adelaide United). No entanto, seria no Brasil, novamente ao serviço do Vasco da Gama, que, no dia 20 de Maio de 2007, e já com 41 anos, atingiria os prometidos 1000 golos.
Hoje em dia, as suas lutas são outras. Passam as mesmas, com a ajuda do futebol, por encaminhar os mais novos e tirá-los dos caminhos da marginalidade. O ano passado assumiu que esse auxílio tinha que subir de patamar. Então, candidatou-se a deputado pelo Estado do Rio de Janeiro e, ao ser eleito em sexto lugar, as suas "embaixadinhas" passaram a ser feitas em Brasília.

*retirado do artigo de Lédio Carmona, publicado em Dezembro de 2004, na revista “Placar” nº1277-A
**retirado do ficheiro áudio publicado em www.folhadelondrina.com.br, a 18/05/1999
***retirado do artigo de Léo Romano, publicado em Agosto de 2003, na revista “Placar” nº1251