1764 - JUSTINO

Com a formação feita no Sporting, seria ainda como elemento das “escolas” leoninas que Fernando Justino começaria a ser arrolado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. No campo internacional, começaria pelos actualmente designados como sub-16. Essa partida frente à Suíça, à qual seria convocado por Peres Bandeira, serviria de arranque a uma caminhada a levá-lo à soma de 19 encontros disputados com as cores lusas. No desenovelar do mencionado trajecto, o guardião teria a oportunidade de comparecer em certames de alto gabarito. A primeira dessas participações, talvez a mais importante, surgiria no Japão, por altura do Campeonato do Mundo de sub-20 de 1979, onde, ao lado de colegas como Diamantino, Nascimento, Alberto Bastos Lopes, Zé Beto, Parente, Adão, entre outros, ajudaria Portugal a atingir os quartos-de-final da prova. Igualmente merecedor de destaque seria a sua presença na edição de 1981 do Torneio de Toulon, chamada que, no conjunto de “esperanças”, encerraria o seu percurso como jogador a envergar a “camisola das quinas”.
No que concerne ao percurso clubístico, Justino teria na temporada de 1978/79 o arranque das actividades enquanto sénior. Lançado por Milorad Pavic na equipa principal dos “Leões”, as escassas ocasiões em que apareceria em jogo, nesse novo contexto competitivo, levariam a que os responsáveis pelo Sporting começassem a equacionar a sua cedência a outros emblemas. A senda de empréstimos começaria, então, com a passagem pelo plantel de 1980/81 do Recreio de Águeda e, na época seguinte, pelo primodivisionário União de Leiria. Porém, o esperado regresso a Alvalade nunca viria a acontecer e de volta ao distrito de Aveiro, o guarda-redes, na campanha de 1982/83, voltaria a rubricar um contrato com a referida agremiação sediada nas margens do Rio Vouga.
Depois de ajudar à inédita promoção do Recreio de Águeda à 1ª divisão, o destino de Justino levá-lo-ia a assinar por outro clube. Ao retornar a Lisboa, o atleta acabaria a encetar aquela que viria a tornar-se na maior ligação da sua vida enquanto futebolista profissional. No Belenenses a partir de 1983/84, o guarda-redes viria a apanhar os “Azuis” na disputa do escalão secundário. Logo de seguida, com o título de campeão a abrilhantar o episódio, viria a subida de patamar. De novo entre os “grandes”, a época de 1984/85, durante a qual partilharia o lugar à baliza com Melo, ainda daria bons presságios para o futuro da carreira do guardião. O pior é que a campanha subsequente ficaria marcada pela contratação de Jorge Martins, com as dificuldades, no plano pessoal de afirmação, a crescerem consideravelmente. Daí em diante, poucas seriam as ocasiões em que viria a demonstrar o seu incontestável valor e a condição de suplente prolongar-se-ia por diversas épocas.
Mesmo na sombra de outros colegas, Justino, ainda assim, faria parte de grupos de trabalho que conseguiriam alcançar bonitas metas. Um desses momentos surgiria com a presença do Belenenses na final da Taça de Portugal de 1985/86. Melhor ainda, igualmente na “Prova Rainha”, a edição de 1988/89 da competição traria a vitória sobre o Benfica, com o guarda-redes, chamado ao Jamor por Marinho Peres, sentado no banco de suplentes. Ainda assim, só na campanha seguinte ao mencionado triunfo, é que o guardião voltaria a ter a oportunidade de aparecer, mais uma vez, nas pelejas do Campeonato Nacional. Curiosamente, essa e a época seguinte tornar-se-iam nas derradeiras do jogador com a “Cruz de Cristo” ao peito e na temporada de 1991/92 acabaria apresentado como reforço do Amora.
Cumpridas 8 épocas no Belenenses, Justino teria na Medideira a nova casa. Afastado em definitivo dos cenários maiores do futebol luso, o guarda-redes passaria 3 anos no emblema da Margem Sul. Entretanto, concretamente em 1994/95, voltaria a Lisboa para assinar pelo Atlético. Na Tapadinha, depois da aludida campanha, surgiriam, registados no “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol , um curioso hiato e o regresso à actividade competitiva, mais uma vez ao serviço dos homens sediados no bairro de Alcântara, já em 1997/98.
Com o termo definitivo da carreira enquanto praticante, Justino, não muito tempo depois, viria a aparecer como treinador de guarda-redes. Na nova actividade profissional, em grande parte ligada às equipas técnicas de Fernando Santos, teria, entre outras, passagens pelo Sporting, PAOK e na selecção de Portugal, para além da presença no Mundial de 2022, o antigo guardião faria parte da caminhada campeã no Euro 2016.

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