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1793 - VIEIRA

António Manuel Martins Vieira teria no Nacional da Madeira o emblema onde viria a concluir o percurso formativo. Sem deixar o listado dos “Alvi-negros”, o médio, com o cunho de Carlos Cardoso e numa altura em que ainda era júnior, acabaria também por fazer a estreia na equipa principal. Ainda nessa temporada de 1981/82, a actuar na 2ª divisão, o destaque alcançado com as suas exibições levá-lo-ia a ser chamado aos trabalhos dos jovens grupos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado na agenda dos sub-18, o jogador, a 8 de Dezembro de 1981, acabaria, num rol a incluir nomes como Jaime, Venâncio ou Morato, a ser escolhido, por José Augusto, para um jogo de preparação. Depois dessa partida frente à Espanha, seguir-se-iam outras e no final do trajecto internacional, sem sair do escalão já indicado, o atleta somaria um total de 9 presenças feitas por Portugal. 
No que diz respeito à caminhada clubística, como destapado no parágrafo anterior, o Nacional da Madeira haveria de desempenhar um papel fulcral na carreira do médio. Importante não só pela estreia como sénior, mas igualmente pela extensão do laço entre o atleta e a divisa nascida na cidade do Funchal, tal ligação não terminaria, mesmo tendo em conta o estatuto internacional de Vieira, com o emblema insular a manter-se pelo patamar secundário. Fiel às refregas do clube, o centrocampista estenderia a sua caminhada com as cores nacionalistas bem para além de atingir a maturidade enquanto praticante profissional. Tal fidelidade traria os seus frutos e com a colectividade a fazer a estreia entre os “grandes” do futebol português, o atleta, na campanha de 1988/89, teria igualmente a oportunidade de experimentar a 1ª divisão.
Com Paulo Autuori, na última época aludia, à frente do Nacional da Madeira, Vieira, ao lado do capitão Ladeira, de Heitor, de Cristiano ou de Paulo Sérgio, constituir-se-ia como um dos esteios das projecções técnicas, para o sector intermediário, idealizadas pelo treinador brasileiro. Tal preferência faria com que o médio, no espraiar dessa temporada de 1988/89, conseguisse acumular um número considerável de presenças em campo. No par de campanhas seguintes, com algumas excepções pelo meio, conservaria o estatuto de titular. Todavia, contrariamente ao idealizado pela colectividade madeirense, a época de 1990/91 não terminaria com o sucesso desejado. Com o emblema insular a claudicar na luta pela manutenção, o último lugar na tabela classificativa do Campeonato Nacional significaria, para o jogador e para os seus colegas, a queda na divisão de Honra. Ainda assim, a fidelidade do centrocampista manter-se-ia inabalável e a ligação entre o futebolista e a divisa do Funchal continuaria até ao termo dos desafios planeados para 1993/94.
Já a abraçar a veterania, Vieira seria apresentado como reforço do plantel de 1994/95 do Machico. No emblema fundado no lado nascente da ilha da Madeira, o médio, sem mais regressar aos principais patamares competitivos, viria a manter-se durante 3 campanhas.
Tendo, em 1996/97, “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta ainda voltaria a unir-se à modalidade. Ao abraçar as tarefas de treinador, a ligação ao Camacha em 2004/05 transformar-se-ia num passo essencial para o seu futuro profissional. Nesse sentido, depois de ainda liderar o Machico e de ter regressado ao Nacional para orientar as camadas jovens, um novo convite de Leonardo Jardim, o técnico-principal durante a sua experiência na agremiação das serranias madeirenses, levá-lo-ia a aceitar ser um dos seus adjuntos. O aludido vínculo, a manter-se até aos dias de hoje, empurrá-lo-ia para as mais diferentes paragens e o Desportivo de Chaves, o Beira-Mar, o Sporting de Braga, o Sporting e, no estrangeiro, o Olympiacos, o AS Monaco, os sauditas do Al-Hilal, os cataris do Al-Rayyan, os emiradenses do Al Ahli e do Al Ain e ainda os brasileiros do Cruzeiro e do Flamengo fazem já parte do seu currículo.

1764 - JUSTINO

Com a formação feita no Sporting, seria ainda como elemento das “escolas” leoninas que Fernando Justino começaria a ser arrolado aos trabalhos da Federação Portuguesa de Futebol. No campo internacional, começaria pelos actualmente designados como sub-16. Essa partida frente à Suíça, à qual seria convocado por Peres Bandeira, serviria de arranque a uma caminhada a levá-lo à soma de 19 encontros disputados com as cores lusas. No desenovelar do mencionado trajecto, o guardião teria a oportunidade de comparecer em certames de alto gabarito. A primeira dessas participações, talvez a mais importante, surgiria no Japão, por altura do Campeonato do Mundo de sub-20 de 1979, onde, ao lado de colegas como Diamantino, Nascimento, Alberto Bastos Lopes, Zé Beto, Parente, Adão, entre outros, ajudaria Portugal a atingir os quartos-de-final da prova. Igualmente merecedor de destaque seria a sua presença na edição de 1981 do Torneio de Toulon, chamada que, no conjunto de “esperanças”, encerraria o seu percurso como jogador a envergar a “camisola das quinas”.
No que concerne ao percurso clubístico, Justino teria na temporada de 1978/79 o arranque das actividades enquanto sénior. Lançado por Milorad Pavic na equipa principal dos “Leões”, as escassas ocasiões em que apareceria em jogo, nesse novo contexto competitivo, levariam a que os responsáveis pelo Sporting começassem a equacionar a sua cedência a outros emblemas. A senda de empréstimos começaria, então, com a passagem pelo plantel de 1980/81 do Recreio de Águeda e, na época seguinte, pelo primodivisionário União de Leiria. Porém, o esperado regresso a Alvalade nunca viria a acontecer e de volta ao distrito de Aveiro, o guarda-redes, na campanha de 1982/83, voltaria a rubricar um contrato com a referida agremiação sediada nas margens do Rio Vouga.
Depois de ajudar à inédita promoção do Recreio de Águeda à 1ª divisão, o destino de Justino levá-lo-ia a assinar por outro clube. Ao retornar a Lisboa, o atleta acabaria a encetar aquela que viria a tornar-se na maior ligação da sua vida enquanto futebolista profissional. No Belenenses a partir de 1983/84, o guarda-redes viria a apanhar os “Azuis” na disputa do escalão secundário. Logo de seguida, com o título de campeão a abrilhantar o episódio, viria a subida de patamar. De novo entre os “grandes”, a época de 1984/85, durante a qual partilharia o lugar à baliza com Melo, ainda daria bons presságios para o futuro da carreira do guardião. O pior é que a campanha subsequente ficaria marcada pela contratação de Jorge Martins, com as dificuldades, no plano pessoal de afirmação, a crescerem consideravelmente. Daí em diante, poucas seriam as ocasiões em que viria a demonstrar o seu incontestável valor e a condição de suplente prolongar-se-ia por diversas épocas.
Mesmo na sombra de outros colegas, Justino, ainda assim, faria parte de grupos de trabalho que conseguiriam alcançar bonitas metas. Um desses momentos surgiria com a presença do Belenenses na final da Taça de Portugal de 1985/86. Melhor ainda, igualmente na “Prova Rainha”, a edição de 1988/89 da competição traria a vitória sobre o Benfica, com o guarda-redes, chamado ao Jamor por Marinho Peres, sentado no banco de suplentes. Ainda assim, só na campanha seguinte ao mencionado triunfo, é que o guardião voltaria a ter a oportunidade de aparecer, mais uma vez, nas pelejas do Campeonato Nacional. Curiosamente, essa e a época seguinte tornar-se-iam nas derradeiras do jogador com a “Cruz de Cristo” ao peito e na temporada de 1991/92 acabaria apresentado como reforço do Amora.
Cumpridas 8 épocas no Belenenses, Justino teria na Medideira a nova casa. Afastado em definitivo dos cenários maiores do futebol luso, o guarda-redes passaria 3 anos no emblema da Margem Sul. Entretanto, concretamente em 1994/95, voltaria a Lisboa para assinar pelo Atlético. Na Tapadinha, depois da aludida campanha, surgiriam, registados no “site” oficial da Federação Portuguesa de Futebol , um curioso hiato e o regresso à actividade competitiva, mais uma vez ao serviço dos homens sediados no bairro de Alcântara, já em 1997/98.
Com o termo definitivo da carreira enquanto praticante, Justino, não muito tempo depois, viria a aparecer como treinador de guarda-redes. Na nova actividade profissional, em grande parte ligada às equipas técnicas de Fernando Santos, teria, entre outras, passagens pelo Sporting, PAOK e na selecção de Portugal, para além da presença no Mundial de 2022, o antigo guardião faria parte da caminhada campeã no Euro 2016.

1700 - EDMUNDO

Após concluir a formação ao serviço do Vitória Futebol Clube, Edmundo Joaquim Pascoal da Silva subiria à equipa principal dos “Sadinos” pela mão de Manuel de Oliveira. No entanto, com a preferência dada pelo referido treinador a recair em nomes como Baltemar Brito, Nunes ou Cerdeira, o jovem defesa-central pouco jogaria nessa campanha de 1982/83. Já a temporada seguinte mostraria um atleta mais participativo nos objectivos do colectivo setubalense. Ainda assim, a titularidade só viria em 1984/85 e o jogador, a partir dessa época, passaria a ser aferido como um dos mais valiosos praticantes sediados no Estádio do Bonfim.
Outro factor que igualmente contribuiria para o acréscimo do seu valor, seriam as chamadas às equipas a trabalhar sob a intendência da Federação Portuguesa de Futebol. No âmbito dos “esperanças”, Edmundo entraria pela primeira vez em campo numa partida frente à antiga Checoslováquia. Após esse desafio disputado, a 13 de Outubro de 1984, no Estádio da Tapadinha, onde, no sector mais recuado, também marcariam presença Ferrinho, Morato e Samuel, seguir-se-iam, alguns meses passados sobre essa experiência inicial, outro par de pelejas. Mais uma vez titular, dessa feita ao enfrentar, em ambas as contendas, a Republica Federal da Alemanha, o defesa-central findaria o seu percurso com a “camisola das quinas” com um total de 3 internacionalizações sub-21.
A crescente evolução do jogador faria com que outros emblemas começassem a equacionar a sua contratação. Quem haveria de convencer o atleta a mudar-se seria o Benfica. Com a transferência acertada, Edmundo apresentar-se-ia como reforço das “Águias” no começo da temporada de 1986/87. Todavia, treinado inicialmente por John Mortimore, depois por Ebbe Skovdahl e, com saída do técnico dinamarquês, por Toni, o defesa-central, ao enfrentar essencialmente a concorrência de Oliveira, de Dito e de Mozer, nunca passaria da condição de suplente. Ainda assim, os dois anos passados na Luz trariam momentos de qualidade inolvidável para a sua carreira e, para além da participação na campanha que levaria os “Encarnados” à final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1987/88, também acrescentariam ao seu currículo a “dobradinha” de 1986/87.
Sem espaço no Benfica, Edmundo, a partir de 1988/89, encetaria um périplo a levá-lo a envergar a camisola de diferentes colectividades. Inicialmente por empréstimo, o defesa-central regressaria ao Vitória Futebol Clube, para, na época seguinte, vestir as divisas do Belenenses. Já em termos definitivos, o jogador ainda passaria outras duas épocas ao serviço dos “Azuis”. Com a derradeira temporada no Restelo a ser vivida nas contendas do escalão secundário, o atleta, finda a campanha de 1991/92, voltaria a mudar de clube. Ainda no mesmo patamar competitivo, passaria a representar o Estrela da Amadora. Na Reboleira, onde também permaneceria por 3 anos, ajudaria os “Tricolores” a subir à 1ª divisão e, nesse regresso ao convívio com os “grandes”, viveria as últimas experiências primodivisionárias.
Com a carreira como futebolista a aproximar-se do fim, Edmundo, definitivamente afastado dos principais cenários competitivos do futebol português, voltaria novamente ao Vitória Futebol Clube. Após essa época de 1995/96, seguir-se-ia o Desportivo de Beja e finalmente o União de Montemor. Após “pendurar as chuteiras” no termo das actividades dadas a 1997/98, o antigo defesa voltaria a ligar-se à modalidade e como treinador passaria pelo Imortal, Sesimbra, Oriental Dragon, pela equipa “b” dos “Sadinos”, pelo Grandolense e, mais recentemente, pelas “escolas” do GD “Os Amarelos”.

1669 - ELISEU

Seria já como membro da equipa principal do Leixões que Eliseu António Teixeira Pinto entraria em campo, pela mão de Peres Bandeira, no Mundial sub-20 de 1979. O aclamado certame, disputado entre Agosto e Setembro do referido ano, serviria, para o jovem jogador, de remate a uma caminhada internacional encetada, ainda no âmbito dos sub-18, a 21 de Fevereiro de 1978. Tendo participado, ao lado de Alberto Bastos Lopes, Nascimento, Diamantino, Zé Beto ou Adão, no torneio organizado no Japão, o defesa-direito regressaria a Portugal com o currículo embelezado por um total de 8 partidas disputadas com a “camisola das quinas”. Tal tónico ajudá-lo-ia a afirmar-se como um dos bons elementos saídos dos “Bebés do Mar”. Porem, a estreia no principal escalão português ainda estaria longe e a alguns quilómetros de distância de Matosinhos.
Transferido para o plantel primodivisionário do Salgueiros na temporada de 1983/84 e após 5 anos na equipa principal do Leixões, Eliseu começaria por trabalhar sob as ordens de Octávio Machado. Titular no arranque da campanha, a verdade é que, com o avançar de época, mormente com a chegada de outros treinadores, o protagonismo que alcançaria inicialmente perder-se-ia. Sem lugar no conjunto de Paranhos, o defesa-direito procuraria dar seguimento à carreira noutras paragens. Com a oportunidade a surgir no Sporting de Espinho, o jogador acabaria por regressar às pelejas do escalão secundário. Já o regresso ao convívio com os “grandes”, viria a acontecer cumpridas algumas campanhas nas pelejas secundárias e apenas em 1987/88.
A trabalhar com Quinito, Eliseu, até pela condição de capitão de equipa, sublinhar-se-ia como um dos principais activos dos “Tigres da Costa Verde”. Outro factor que contribuiria para o acréscimo de valor na carreira do jogador, feito alcançado igualmente na última campanha referida no parágrafo anterior, seria o 6º posto obtido na tabela classificativa do Campeonato Nacional da 1ª divisão, ou seja, a melhor prestação de sempre conseguida pelo Sporting de Espinho na prova de maior relevo do calendário futebolístico português. Contudo, contrariamente ao bom desempenho feito no desenrolar de 1987/88, a época seguinte traduzir-se-ia pelo claudicar competitivo da agremiação a jogar em casa no Estádio Comendador Manuel Violas e, como consequência, a temporada de 1988/89 traria a inevitável despromoção.
Apesar do desaire colectivo, Eliseu manter-se-ia fiel ao listado alvinegro. Aliás, as 9 épocas cumpridas pelo Sporting de Espinho, não só fariam da agremiação sediada no distrito de Aveiro na mais representativa da sua caminhada desportiva, como transformariam o defesa num dos nomes históricos do clube. Outro aspecto importante emergiria com aquela que viria a tornar-se na derradeira campanha do jogador ao serviço dos “Tigres da Costa Verde”. Essa temporada de 1992/93, mais uma vez com Quinito ao leme da agremiação, marcaria o seu regresso aos palcos de maior monta e a despedida do lateral-direito do contexto primodivisionário.
Para completar uma carreira de 17 anos sobretudo a cirandar entre os dois principais patamares do futebol luso, Eliseu ingressaria, em 1994/95, no plantel do Feirense e cumpridas duas temporadas no Estádio Marcolino de Castro, o defesa-direito, com o termo das provas agendadas para 1995/96 tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.

1635 - VICENTE

Tendo dado os primeiros passos no futebol sénior não muito longe da sua Moita natal, Fernando José Ferreira Vicente faria na Quimigal a transição dos escalões de formação para a equipa principal. Com a referida mudança a acontecer na temporada de 1980/81, o defesa, ao serviço do emblema com casa no Lavradio, começaria por disputar a 2ª divisão. Ao posicionar-se tanto na direita, como no centro do sector mais recuado, o jogador começaria por enfrentar a concorrência de nomes como Crisanto, Manuel Quaresma ou Oliveira. Mesmo tendo em conta o contexto por onde começaria a escrever os capítulos iniciais da sua carreira, a verdade é que o atleta conseguiria o destaque suficiente para merecer a atenção de emblemas melhor posicionados no cenário competitivo luso e a transferência, ao fim de 3 campanhas cumpridas no emblema “fabril”, viria a concretizar-se.
Com a entrada no Vitória Futebol Clube a acontecer na campanha de 1983/84, Vicente passaria a ser orientado por um nome com uma forte ligação ao seu anterior clube. Porém, sob a alçada de Manuel de Oliveira, o defesa, nessa época de estreia pelos “Sadinos”, não haveria de conquistar grandes oportunidades. Inicialmente tapado por Sobrinho, Artur ou Mota, tal paradigma alterar-se-ia rapidamente. Logo na 2ª temporada no Estádio do Bonfim, ainda a trabalhar na intendência do técnico mencionado no começo deste parágrafo, o jogador venceria a concorrência interna e abraçaria um lugar no “onze” inicial. Ao manter a titularidade, a descida de escalão, ocorrida no termo de 1985/86, empurrá-lo-ia, mais uma vez, para a disputa do patamar secundário. Ainda assim, numa altura em que já tinha, com a estreia a ocorrer a 24 de Setembro de 1985, alcançado 2 internacionalizações pelos “esperanças” portugueses, o ano passado longe dos principais palcos lusos não diminuiria a sua cotação e após ajudar a agremiação setubalense a regressar ao convívio com os “grandes”, a mudança para Trás-os-Montes apresentá-lo-ia àquele que viria a tornar-se no colectivo mais representativo da sua caminhada desportiva.
Com o Desportivo de Chaves a conseguir, pela primeira vez na história, a qualificação para uma prova de índole continental, Vicente faria parte do grupo de trabalho a estrear-se na Taça UEFA. Nesse contexto, o defesa, pela mão do treinador Raul Águas, marcaria presença em campo frente à Universitatea Craiova e ao Honvéd de Budapeste. Ao jogar 3 dos 4 desafios disputados pelos “Flavienses” na aludida prova, o atleta logo entraria para os anais do clube. Ainda assim, a meia dúzia de temporadas passadas em Trás-os-Montes, dar-lhe-ia outras razões para inscrever o seu nome como um dos mais notáveis da colectividade. Depois da entrada na agremiação transmontana na campanha de 1987/88, os anos seguintes, não só dariam outras 6 épocas primodivisionárias ao seu currículo, como fariam com que conseguisse somar, pelo listado azul e grená, 139 jornadas disputadas no escalão máximo. Tal facto, a arrolá-lo como um dos elementos com mais partidas efectuadas pela agremiação na prova de maior calibre no calendário português, serviria para cevar a sua importância e para frisá-lo como uma das figuras preferentemente estimadas pelos adeptos.
Já a entrar nos derradeiros capítulos da senda como praticante profissional, Vicente tomaria a decisão de regressar à Margem Sul. Acolhido, nesses últimos passos, pelo Montijo, o defesa ainda disputaria duas temporadas. Após “pendurar as chuteiras” no final de 1994/95, o antigo jogador ainda voltaria a ligar-se ao futebol e, num regresso à “casa” onde havia concluído o percurso formativo, passaria a assumir-se como “Team Manager” do Fabril.

1443 - NANDO

Nascido na histórica vila de Sintra, Ângelo Fernando Conceição Santos, popularizado como Nando, começaria a senda no futebol sénior como atleta a integrar o plantel de 1981/82 do Sintrense. Apesar de ver reconhecidas as suas qualidades, a verdade é que, após esse primeiro passo, ainda demorariam mais alguns anos para que o atleta conseguisse dar o salto para uma colectividade com maiores ambições. Antes ainda, viria a temporada de 1984/85, cumprida nas “distritais” da Associação de Futebol de Lisboa, ao serviço do Sporting de Lourel. Depois, finalmente, surgiria o convite do Estoril Praia e a curta passagem pela Amoreira e que serviria de trampolim para uma carreira de enorme valia.
A época no emblema da Linha de Cascais serviria, essencialmente, para sublinhar Nando como um lateral-direito de grande apetência física, com uma resistência espantosa e que defensivamente, como em acções ofensivas, muito mais do que cumpridor, somava aos movimentos colectivos uma importância impagável. Nessa evolução, seria a apresentação como reforço do Farense que, na campanha de 1986/87, serviria para a estreia do defesa no patamar maior do futebol luso. No Algarve, lançado pelo técnico Dinis Vital, o lateral, com as exibições individuais a cimentarem tal estatuto, ganharia o rótulo de atleta de cariz primodivisionário. Um par de anos volvidos sobre a sua chegada aos “Leões de Faro”, nova oportunidade surgiria e a transferência para o Vitória Sport Clube serviria para confirmar tudo o que aqui vem sendo dito sobre as suas habilidades.
Com a chegada a Guimarães a acontecer na temporada de 1988/89, Nando, como um jogador com bom traquejo e ao dar continuidade ao trabalho e resultados alcançados no Sul do país, facilmente conseguiria impor-se como um dos titulares. Já as novidades surgiriam com a presença do Vitória Sport Clube em competições que, na caminhada do defesa, emergiriam pela primeira vez. No contexto da UEFA, especificamente na Taça dos Vencedores das Taças, o lateral jogaria em ambas as mãos da eliminatória inaugural, que acabaria por ser vencida pelos neerlandeses do Roda. Por outro lado surgiria a participação na Supertaça e, tendo também marcado presença nas duas partidas agendadas para a prova de âmbito nacional, o resultado seria diferente e a colectividade minhota levaria para os seus escaparates o respectivo troféu.
No resto da caminhada feita por Nando ao serviço do Vitória Sport Clube, pouco haveria de mudar em termos desportivos. Tido como um dos principais esteios das manobras tácticas idealizadas pelos diferentes treinadores à frente dos vimaranenses, seria um episódio para além dos relvados que iria, de alguma forma, abanar essa constância. Na preparação da temporada de 1990/91, com os “Conquistadores” a viajar para o Brasil, uma folga no estágio de pré-época terminaria com um incidente gravíssimo – “Vínhamos a regressar ao hotel (…) quando, de repente, havia duas vias e a gente passou ao lado de um carro e sem querer a gente passou por uma poça e molhámos o carro dele. Então, aquilo passou-se de repente, ele pegou numa espingarda, mandou um tiro para dentro do carro e acertou-me a mim. Foi só por isso. Não houve palavras, não houve nada. Foi simplesmente, acho eu, pela água ou não era para a gente e acertou em nós”*.
Os capítulos seguintes a ter deixado a “Cidade Berço” transformar-se-iam, mesmo sem abandonar o cenário primodivisionário, num percurso um pouco mais errante. Surpreendentemente, até pela preponderância revelada até então, Nando, para a temporada de 1991/92, seria emprestado ao Sporting de Braga. Na campanha seguinte e já com o Campeonato Nacional em andamento, dar-se-ia a transferência para o Gil Vicente. Depois viriam a época passada ao serviço do Famalicão e aquela que, com as cores do Beira-Mar, acabaria por tornar-se na última campanha cumprida no principal patamar do futebol Português.
No escalão secundário, Nando ainda cumpriria outra temporada no plantel da aludida colectividade de Aveiro. Já numa fase descendente da sua caminhada enquanto futebolista, o destaque para os regressos primeiro ao Sintrense e posteriormente ao Sporting de Lourel.

*retirado da reportagem da RTP, a 17/07/1990, publicada em https://arquivos.rtp.pt

1344 - FERNANDO PIRES

Nascido em Angola, seria já em Portugal que Fernando Pires, ao ingressar nas “escolas” do Sporting de Braga, daria início à caminhada no desporto. Dono de uma boa técnica, qualidade de passe apurada e excelente visão de jogo, as suas exibições nas camadas de formação do emblema minhoto, chamariam à atenção dos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Com a “camisola das quinas”, o médio seria chamado, inicialmente, aos sub-16. Sob a batuta do “magriço” José Augusto, o jovem atleta faria a estreia por Portugal a 9 de Janeiro de 1985 e, com um golo da sua autoria, ajudaria a vencer a congénere magiar, por 1-0.
Ainda no escalão referido no parágrafo anterior, o centrocampista seria chamado a participar no primeiro grande certame da sua ainda curta caminhada. Com o torneio final a ser organizado na Hungria, Fernando Pires, no Campeonato da Europa de sub-16 , entraria em campo em todas as 3 partidas disputadas por Portugal. Infelizmente para as cores lusas, o jovem agremiado nacional não conseguiria passar da fase de grupos, com o único golo concretizado pelo “conjunto das quinas” a ser da autoria do médio. No entanto, apesar do desaire colectivo, as exibições do jogador mantê-lo-iam nos planos das selecções e com as novas chamadas aos sub-18 e aos sub-21, a sua carreira ficaria colorida com um total de 18 internacionalizações.
Já no que ao trajecto sénior diz respeito, a estreia de Fernando Pires na categoria principal do Sporting de Braga, numa altura em que ainda era júnior, aconteceria na temporada de 1986/87. Mesmo ao demonstrar qualidades de grande valor, a verdade é que a concorrência de colegas com maior traquejo levá-lo-ia, na época seguinte à da promoção à primeira equipa, a um curto empréstimo. No Felgueiras, com a agremiação a militar na 2ª divisão, o médio ganharia experiência suficiente para regressar ao Estádio 1º de Maio, em condições de disputar um lugar no “onze” inicial. Nesse sentido, a temporada de 1988/89 viria a provar a validade da mencionada cedência. Com Vítor Manuel no comando técnico dos “Arsenalistas”, o atleta assumiria um papel de relevância no seio do plantel e acabaria como um dos mais utilizados no grupo de trabalho.
Em abono da verdade, Fernando Pires, tirando algumas excepções, assumir-se-ia como um dos titulares da equipa bracarense. Daí em diante, com o clube a cotar-se como um conjunto de meio da tabela, o médio destacar-se-ia como um dos pilares tácticos de todos os treinadores contratados e um dos maiores ícones da massa adepta. Curiosamente, ao fim de 8 temporadas com as cores do conjunto minhoto, 7 delas consecutivas, o termo da campanha de 1994/95 marcaria o fim da ligação do jogador com o emblema sediado na “Cidade dos Arcebispos”. Daí em diante, sem abandonar o escalão máximo, o atleta, ao manter os bons índices exibicionais, passaria ainda pelo Marítimo e pelo Vitória Futebol Clube.
Com a saída do emblema da cidade de Setúbal, o jogador entraria no derradeiro capítulo da sua carreira enquanto praticante. Tempo ainda para 3 temporadas ao serviço do Moreirense, 1 campanha com as cores do Vizela e, para finalizar a caminhada como desportista, a “perninha” dada no futsal, com a camisola do Grupo Desportivo André Soares.
Depois de “pendurar as chuteiras”, Fernando Pires não largaria a modalidade. Como treinador principal, tem tido algumas passagens pelas camadas de formação de colectividades com menor expressão. Já como técnico de conjuntos seniores, destaque para as recentes experiências nos “regionais” sob a alçada, respectivamente, da Associação de Futebol de Braga e da Associação de Futebol de Viana do Castelo, à frente do São Paio D’Arcos FC e no comando do Condor SC.

1099 - JAIME ALVES

Depois de um empréstimo em 1982/83 ao Cortegaça, emblema onde faria a estreia como sénior, Jaime Alves acabaria por voltar ao clube onde tinha terminado o percurso formativo. Após a cedência de um ano, o regresso ao Sporting de Espinho permitiria ao atleta cumprir os primeiros jogos no escalão máximo do futebol português. Ainda que pouco utilizado, essas partidas possibilitariam ao jovem praticante perfilar-se como um elemento válido para um futuro próximo. Tal aconteceria logo na época seguinte e com a descida dos “Tigres” à 2ª divisão, o jogador passaria a ocupar um lugar no “onze” inicial.
Ainda que longe dos principais escaparates, bastaria uma temporada para que os serviços de Jaime Alves fossem requisitados por um emblema de outra monta. Mesmo sem grande traquejo primodivisionário, os responsáveis do Boavista tomariam a decisão de juntá-lo ao plantel “axadrezado”. A aferir a qualidade da contratação, ao contrário do esperado num atleta recém-chegado, logo à partida o jogador conquistaria a titularidade. Porém, com a saída do treinador João Alves no final dessa campanha de 1985/86, a sua condição alterar-se-ia substancialmente e o atleta deixaria de jogar com tanta regularidade.
Perdido o lugar no “onze”, demoraria algum tempo até conseguir voltar a ser um dos indiscutíveis na ficha de jogo. Tal aconteceria em 1988/89. Como reflexo dessa afirmação, também da Federação Portuguesa de Futebol surgiria o aval para a sua integração nos trabalhos da selecção principal. Após ter vestido a camisola dos sub-21 e com as cores de Portugal ter participado na edição de 1986 do Torneio Internacional de Toulon, o dia 16 de Novembro de 1988 marcaria a estreia de Jaime Alves pelo conjunto “A”. Numa partida disputada no Estádio do Bessa, Juca escolheria o lateral para entrar de início na peleja a contar para a fase de apuramento do Mundial de 1990. Depois desse jogo com o Luxemburgo, seguir-se-iam mais algumas chamadas. Nesses “amigáveis”, marcados já na 2ª metade da temporada de 1988/89, o defesa, frente a Angola e ao Brasil, conquistaria outras 2 internacionalizações que, num cômputo de 3 partidas, abrilhantariam a sua carreira.
Depois das convocatórias pela selecção portuguesa, Jaime Alves continuaria a mostrar a sua importância no seio do plantel boavisteiro. Fosse no sector mais recuado ou no meio-campo, os anos seguintes serviriam para sublinhá-lo como um dos pilares da estratégia montada pelos diversos treinadores. No Bessa voltaria também a trabalhar com João Alves e desse “rendez-vous”, sairia uma das poucas excepções à sua caminhada com as “Panteras”. Ao seguir na peugada do referido treinador, o jogador passaria a temporada de 1991/92 com as cores do Vitória Sport Clube. Porém, a experiência em Guimarães demoraria pouco tempo e com um ano volvido sobre a partida para o Minho, o defesa tornaria a envergar a camisola do Boavista.
No regresso ao emblema da “Cidade Invicta”, Jaime Alves encontraria Manuel José no comando técnico do grupo. Mesmo ao perder alguma da preponderância conquistada antes da saída, o jogador nunca deixaria de ser importante para o equilíbrio do grupo. Todavia, essa perda acabaria por acarretar algumas frustrações na sua caminhada. Sem marcar presença em várias provas, o seu nome ficaria excluído do rol de atletas vencedores das Supertaças de 1992/93 e 1997/98 e da Taça de Portugal de 1996/97. Ainda assim, é impossível falar do defesa sem incluí-lo na lista de históricos do Boavista. As 12 épocas passadas no Bessa dar-lhe-iam, só com a camisola “axadrezada”, 221 jogos na 1ª divisão. Tal número empurrá-lo-ia para o “Top 10” dos atletas com mais partidas disputadas pelas “Panteras”, no escalão máximo.

1035 - GERALDÃO

Logo após chegar às “escolas” do Cruzeiro de Belo Horizonte, por razão da sua alta estatura, o jovem atleta acabaria por ser testado a avançado-centro. A conclusão da tal experiência revelaria que a melhor posição para Geraldão seria mesmo a defesa! Ainda assim, uma das qualidades que tinha levado o seu treinador ao referido ensaio, ser-lhe-ia muito útil para o resto da sua carreira. Bom de pés, o seu remate portentoso acabaria por tornar-se numa arma e em números nada comuns para alguém da sua posição.
Apesar de ter começado a treinar com equipa principal ainda em idade adolescente, só depois de um curioso empréstimo é que o defesa iria conseguir impor-se no conjunto de Minas Gerais. Após uma passagem de 2 anos pelo Al-Arabi, de onde traria o título de campeão do Qatar, o regresso ao Cruzeiro revelaria um atleta de competências superiores. A valentia física, o bom sentido posicional e a aptidão no jogo aéreo levá-lo-iam à titularidade. Em 1984 tornar-se-ia numa das referências do “onze” gaúcho. Nesse mesmo ano, ajudaria a quebrar a hegemonia do Atlético Mineiro, com a conquista do Campeonato Estadual. A façanha voltaria a repeti-la em 1987. Porém, seria o capítulo seguinte na sua carreira que mais títulos traria ao seu palmarés.
Numa altura em que o seu nome começava a ser um dos habituais nas convocatórias para a selecção do Brasil e já com a presença na Copa América de 1987 no horizonte, chegar-lhe-ia da Europa um novo desafio – “Estava com a selecção brasileira, era o capitão aliás, em Londres a jogar a Taça Stanley Rous. O FC Porto mandou lá alguém ver-me e quando dei por mim já estava a assinar”*. Acercar-se-ia da “Invicta” na temporada seguinte à conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87. Ao comando dos “Dragões” estava Tomislav Ivic e como concorrentes ao lugar tinha Celso, Lima Pereira, Eduardo Luís e um jovem Fernando Couto. Todavia, nada do que era o contexto vivido nas Antas intimidaria o defesa. Logo nesse ano conseguiria impor-se e acabaria por ser uma pedra basilar na conquista de vários títulos. Aliás, troféus não faltariam ao jogador nos 4 anos de “Dragão” ao peito. A Taça Intercontinental e a Supertaça da UEFA, ambas vencidas na campanha da sua chegada, seriam rematadas pelas vitórias em 2 Campeonatos, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça.
Outra das marcas deixadas pela sua passagem no FC Porto seriam os golos. Com 25 remates certeiros em todas as competições, marca próxima dos 30 conseguidos durante os anos no Cruzeiro, o central tornar-se-ia num fenómeno. Com um chuto fortíssimo, os livres directos, fossem lá de onde fossem, eram a sua especialidade. Na retina e na memória de muitos, ficaria a execução magistral conseguida em Alvalade – “O Domingos sofreu uma falta logo no início do Clássico e lá fui eu. O Ivkovic inverteu a posição normal da barreira, mas eu nem quis saber. Ele pensou que a bola ia para fora (risos). No final fui ter com o Marinho Peres, técnico do Sporting e meu amigo, e disse-lhe isto: «seu Marinho, diz ao goleirão que contra o Geraldão ninguém pode estar preparado. É impossível»”**.
A verdade é que a passagem de Geraldão pelos “Azuis e Brancos” ficaria marcada também por um grande celeuma. Já perto do final do contrato, começariam a surgir os rumores que o jogador já tinha um acordo com as “Águias”. Os responsáveis do FC Porto, convencidos da veracidade das notícias veiculadas, acabariam por afastar o atleta que, entretanto haveria de ser obrigado a um “exílio” no Brasil – “estava na hora de renovar o contrato mas nunca mais falavam comigo. Eu tudo bem, na minha, aliás já tinha uma série de golos no campeonato dessa época quando falhei um penálti com o Salgueiros, num jogo em que ganhámos 3-0. Houve logo quem se aproveitasse para dizer que eu ia assinar contrato com o Benfica no final da época”*.
Geraldão acabaria mesmo por sair, um ano depois da polémica, mas para ficar ligado ao Paris Saint-Germain. Com Artur Jorge ao comando dos gauleses, a contratação do defesa iria reforçar o contingente brasileiro da equipa francesa. Contudo, a experiência ao lado de Ricardo Gomes e de Valdo, nessa temporada de 1991/92, não agradaria ao jogador que acabaria por deixar a Ligue 1. Antes ainda de regressar ao Brasil, naquela que seria a recta final da sua caminhada como futebolista, dar-se-ia a passagem pelos mexicanos do América. Já de volta ao seu país, Grêmio e Portuguesa seriam os emblemas a apadrinhar a sua despedida. As mazelas deixadas por lesões antigas apressariam o seu afastamento dos relvados. Aos 30 anos de idade, o antigo internacional “canarinho” deixaria o desporto para passar a dedicar-se à agricultura. Todavia, as saudades devolvê-lo-iam ao futebol. Como técnico ou director, o seu caminho haveria de levá-lo a agremiações como o Ipatinga, Democrata GV ou CRB Alagoas. Ainda assim, o destaque terá que ir para a sua colaboração com o Marítimo, onde, com um cargo de dirigente, ficaria intimamente ligado às chegadas à Madeira de Ezequias, Léo Lima, Pepe e Alan.

*retirado da entrevista conduzida por Rui Miguel Tovar, publicada em https://ionline.sapo.pt, a 13/06/2013
**retirado do artigo de Pedro Jorge da Cunha, publicado em https://maisfutebol.iol.pt, a 29/09/2016

1014 - NITO

Com o percurso formativo feito no Ponte da Barca, seria no emblema da sua terra natal que o jovem Adelino Rocha Vieira faria a transição para o universo sénior. Porém, Nito – apelido que assinaria toda a sua carreira desportiva – não era um atleta de 3º escalão. Bastar-lhe-iam 2 campanhas na categoria principal do conjunto minhoto para que conseguisse destacar-se. Indicado pelo treinador Quinito, o defesa-esquerdo daria o salto para o patamar máximo do futebol português. Ao serviço do Sporting de Espinho, o lateral continuaria a mostrar os predicados que tinham feito dele uma grande aposta. Aguerrido e com louváveis índices físicos, o jogador rapidamente ganharia o estatuto de futebolista primodivisionário. Tendo começado nos “Tigres” na campanha de 1987/88, a sua caminhada profissional saldar-se-ia por 11 temporadas na 1ª divisão e por uma regularidade invejável.
Com o Sporting de Espinho despromovido à 2ª divisão, Nito acabaria arrastado para o referido contexto competitivo. “Sol de pouca dura”, pois, volvido um ano, o atleta estaria de volta aos palcos principais. A mudança ficaria a cabo da transferência para o Belenenses. Em Lisboa, mesmo com uma forte concorrência no plantel de 1990/91, caso do brasileiro Zé Mário, o defesa acabaria por impor-se. Nos anos seguintes, manteria a preponderância nas manobras tácticas idealizadas pelos diferentes treinadores. Nem mesmo uma nova despromoção desmoralizaria o jogador. Aliás, o dito revés, sofrido na época da sua chegada, daria ainda mais força às suas exibições. Já sob a batuta de Abel Braga, a raça e perseverança mostrada na sua lateral tornar-se-iam num exemplo e num pilar para o regresso ao 1º escalão.
De volta ao convívio com os “grandes”, Nito vincaria ainda mais a sua importância, conseguindo ser “totalista” no Campeonato de 1992/93. Todavia, a constância que mostrava, imagem de marca na sua carreira, esbater-se-ia mais adiante. Com o objectivo de voltar a ser utilizado com frequência, o defesa decidiria mudar de ares. A meio da temporada de 1995/96 abalaria do Restelo e “usaria” o Tirsense como passagem para um emblema, também ele, icónico no seu percurso profissional. O Rio Ave marcaria, por assim dizer, o derradeiro terço da sua caminhada. Muito por razão da titularidade, recuperada logo à sua chegada, também para o emblema de Vila do Conde, o lateral transformar-se-ia numa das figuras marcantes da sua história.
Após 6 temporadas de “caravela” ao peito, o atleta entraria nos últimos anos competitivos. O Atlético Valdevez, muito mais do que dar casa a esse capítulo final, serviria de começo para nova história. No emblema minhoto, Nito daria os primeiros passos como técnico. Nessas funções destaque ainda para o regresso ao clube onde tudo havia começado, para, nas divisões “regionais”, orientar o Ponte da Barca.

933 - GOMES

De quando em vez aparece-nos um desafio que, em muitos aspectos, o torna mais difícil que os demais. Como será simples de entender, a pouca informação encontrada sobre Gomes tornou este “post” num repto diferente da maioria. Para muitos daqueles que visitam o nosso “blog”, também não será fácil perceber o porquê da escolha do atleta para número 933. No entanto, e como poderão asseverar nas próximas linhas, o médio até conseguiria desenhar uma carreira desportiva com diversos pontos de interesse.
Tendo terminado a sua formação nos juniores da AD Fafe, seria no começo da década de 80 que Gomes faria as suas primeiras aparições na categoria principal do conjunto minhoto. Ainda que promovido numa altura em que o clube andava entre o segundo e terceiro escalão nacionais, os anos seguintes mostrariam uma equipa que, estando mais estável nas suas ambições, começava a sonhar com outros objectivos.
O culminar dessa ambição começaria a tomar forma, ainda que com algumas peripécias, na temporada de 1987/88. O grupo, então comandado pelo técnico José Rachão, muito mais do que conseguir atingir os quartos-de-final da Taça de Portugal, haveria de classificar-se na 3ª posição da 2ª divisão – Zona Norte. A posição alcançada, como é fácil de constatar, não dava lugar à tão almejada promoção. É então que, com a época de 1988/89 prestes a começar, rebenta um escândalo de suposta corrupção. Os campeonatos ainda dão os primeiros passos. Entretanto, a sentença saída do processo que envolvia o alegado aliciamento do Famalicão ao Macedo de Cavaleiros, pune os minhotos*. Tudo muda! O Famalicão, que tinha conseguido a promoção à 1ª divisão, é castigado com a descida à 3ª divisão. Como resultado, e para substituir os condenados, a AD Fafe é chamada à disputa do escalão máximo.
Com a inesperada convocatória, Gomes torna-se também numa das boas surpresas do Campeonato Nacional. Tanto nos planos do já referido José Rachão como, depois da 16ª jornada, nas fichas de jogo preenchidas por Manuel de Oliveira, o médio tornar-se-ia num dos atletas com mais presenças em campo. Ao lado de Rogério Leite, com quem faria dupla no miolo fafense, o centrocampista acabaria por ver o conjunto falhar a meta da manutenção. Após essa curta aventura primodivisionária, seria no regresso aos patamares secundários que o jogador daria seguimento ao seu percurso profissional.
Depois de mais de uma década a representar a AD Fafe, a descida significaria o divórcio entre o clube e o futebolista. Para esse facto muito contribuiria o convite de Manuel de Oliveira que, logo na temporada seguinte, o levaria para o Varzim. Curiosamente, alguns anos depois também voltaria a reencontrar-se com um dos treinadores que o haviam acompanhado no escalão maior do futebol português. Como que a asseverar a qualidade das suas exibições e entrega, um dos seus antigos técnicos lembra-se do velho discípulo. Após deixar os poveiros e de ter passado uma campanha com as cores do Louletano, é na histórica Académica de Coimbra que Gomes voltaria a trabalhar com José Rachão.
O que restou da sua carreira, mantendo sempre a preponderância de épocas anteriores, seria passada em emblemas mais modestos. Num percurso que ainda duraria muitos anos, destaque para o regresso ao Varzim em 1992/93 e para as diversas campanhas com as cores do Lixa. A sua caminhada sénior, de quase duas décadas e meia, terminaria nos “distritais” de Braga e com Gomes a ultrapassar a barreira dos 40 anos de idade.

*Sensivelmente um ano depois, o caso sofreria um “volte-face”. Tendo-se provado que tudo era mentira o Famalicão voltaria à 1ª divisão em 1990/91

806 - SILVINO

Com um grande percurso nas “escolas” do FC Porto, que o levaria a passar por quase todos os escalões de formação, a subida aos seniores ocorreria na temporada de 1984/85. Mesmo sendo um atleta com passagem pela selecção portuguesa de s-18, nem esse estatuto haveria de o favorecer na altura de competir por um lugar à baliza. Com atletas como Zé Beto, Barradas, Borota e Matos à sua frente, a impossibilidade de Silvino conquistar uma oportunidade transformar-se em mais do que uma certeza.
Essa evidência levá-lo-ia, logo na campanha seguinte, a transitar para o Sporting de Espinho. Já nos “Tigres”, o guardião teria a oportunidade de crescer. A sua evolução seria de tal forma clara que, por altura da subida do clube à 1ª divisão (1987/88), Silvino transformar-se-ia num dos mais promissores guarda-redes a actuar no Campeonato Nacional. Prova disso, seria a importância dada pela Federação Portuguesa de Futebol à sua progressão. Nesse sentido, mereceria novas chamadas à equipa de Portugal e, desta feita, para representar os s-21.
Afirmando-se no Sporting de Espinho à frente de nomes bem conceituados do nosso panorama desportivo, como seria o exemplo do experiente Delgado, o atleta conseguiria que o FC Porto voltasse a apostar nele. Todavia, e tal como da sua primeira inclusão no plantel principal “Azul e Branco”, o sucesso desse regresso acabaria por ficar bastante aquém do esperado. Pouco utilizado, Silvino, mais uma vez, terminaria a época na lista de jogadores a serem dispensados. Ainda assim, a sua utilização no empate frente ao Beira-Mar, desafio referente à 34ª jornada do Campeonato, faria com que o guardião conseguisse juntar o seu nome ao rol de campeões nacionais da temporada de 1989/90.
Após mais esta experiência no Estádio das Antas, a entrada nos anos 90 levaria Silvino a dar início a um périplo que, nem sempre, foi o mais proveitoso para o atleta. Vários clubes, constantes mudanças, levariam a que uma das grandes esperanças do nosso futebol começasse, de alguma forma, a esfumar-se. Com passagens, entre os dois principais escalões, por emblemas como Gil Vicente, Belenenses, Famalicão, Desportivo de Chaves ou Vitória de Setúbal, o guarda-redes quase sempre ficaria sujeito a ser uma segunda escolha. As excepções, quase como que a apontar um caminho predestinado, seriam as temporadas que, entre 1991 e 1993, passaria ao serviço do Sporting de Espinho.
O fim da sua carreira como futebolista, numa altura em que já andava afastado dos grandes palcos do futebol português, aconteceria com a viragem do milénio. Após defender as cores do Lusitânia de Lourosa, Silvino decide ser hora certa para “pendurar as luvas”. No entanto, pouco tempo teria para repousar, pois, quase de imediato, receberia um convite do FC Porto para integrar os quadros técnicos do clube. Como treinador de guarda-redes, o antigo internacional luso tem trilhado um caminho respeitado por todos. Para além do seu trabalho com a equipa “B” dos “Dragões, onde permaneceu diversos anos, também já conta com passagens por emblemas como a Académica de Coimbra, Sporting de Braga ou Moreirense.

720 - ALFREDO

Tendo feito a sua formação no Rio Ave, Alfredo não demoraria muito a tornar-se num dos melhores guardiões do campeonato nacional. Já depois da estreia a sénior na temporada de 1981/82, o ano seguinte traria ao atleta a responsabilidade da titularidade. Tal cargo não haveria de fazer tremer o jovem jogador que, daí em diante, tomaria o lugar como seu.
Como parte do “onze” vila-condense, e integrando um plantel cheio de futebolistas feitos na casa, Alfredo tornar-se-ia num dos esteios das contendas do Rio Ave. Nessas caminhadas, o ano de 1984 haveria de ficar para história do emblema. Já depois de terem deixado para trás equipas como o Vitória de Guimarães, eis que chega o momento de disputar a final da Taça de Portugal. No Estádio Nacional, frente a um FC Porto que nesse mesmo ano haveria de atingir a final da Taça dos Vencedores das Taças, os vareiros acabariam por claudicar. Para a história ficariam os 4-1 que selaria a vitória “azul e branca”. No entanto, muito mais do que o resultado, a histórica partida serviria para catapultar a carreira de alguns dos futebolistas do Rio Ave.
No rescaldo da partida do “Jamor”, alguns dos jogadores vila-condenses começariam a ser cobiçados por outros emblemas. Tal como Quim, que sairia em direcção ao FC Porto, Alfredo (acompanhado por Casaca) veria o destino levá-lo ao Estádio do Bessa. Quase década e meia a defender as balizas axadrezadas, fariam dele, como é óbvio, uma das referências do clube. Todavia, muito mais do que a longevidade alcançada, a postura que sempre apresentou em campo foi o seu melhor legado. A bravura que mostraria entre os postes, uma pitada de loucura e estiradas memoráveis, fariam dele um exemplo a seguir. Depois, havia o resto. O resto era a sua voz, a voz que, desde lá de trás, ecoava pelo campo fora. Esses seus comandos torná-lo-iam num dos atletas mais respeitados dentro e fora do rectângulo de jogo; torná-lo-iam, durante muitos anos, no capitão de equipa.
Ao serviço do Boavista, Alfredo passaria os melhores anos da sua carreira. Tendo conquistado 2 Taças de Portugal (1991/92; 1996/97), o seu currículo ficaria ainda mais preenchido com a vitória das “Panteras” nas Supertaças de 1992/93 e 1997/98. Seria também durante os anos em que estaria ao serviço do emblema portuense, que o guarda-redes faria a sua estreia pela principal selecção portuguesa. Com a “camisola das quinas”, em Oslo, Alfredo jogaria a sua primeira partida, em Abril de 1994. No entanto, muito mais do que esse particular frente à Noruega, ou as duas internacionalizações que se sucederiam, a sua presença na fase final do Euro 96 seria o reconhecimento pela sua brilhante carreira.
Depois de estar presente no Campeonato Europeu disputado em Inglaterra, o seu trajecto profissional duraria apenas mais um par de anos. Tendo posto um ponto final na carreira com o terminar da época de 1997/98, o jogador voltaria à principal equipa boavisteira já depois da viragem do milénio. Fazendo parte da equipa técnica liderada por Jaime Pacheco, Alfredo seria umas das peças de um dos mais importantes episódios da história do clube. Como treinador de guarda-redes, o antigo atleta ajudaria na conquista do Campeonato Nacional de 2000/01.
É nas já referidas funções que Alfredo tem mantido a sua ligação com o futebol. Principalmente no Boavista, mas também com passagens pelo Rio Ave e pelos romenos do Pandurii, o seu trabalho tem sido reconhecido como valoroso. De volta ao Bessa desde 2012/13, tem, desde as divisões inferiores, ajudado na recuperação do emblema. Já nesta temporada de 2016/17, fez parte do “staff” de Erwin Sánchez. Já depois da saída deste último, Alfredo continuaria de “xadrez” e auxiliando o treinador Miguel Leal.

583 - WILLIAM

Depois de crescer no Botafogo, William, a convite de um antigo treinador seu, decide aventurar-se no lado de cá do Atlântico. Conhecedor das capacidades do atleta, Paulo Autuori, que acabava de abraçar um outro projecto, decide que o jovem central era o homem certo para liderar a defesa, no seu novo clube.
É deste modo que, para a temporada de 1987/88, William deixa o Brasil para, em Portugal, dar continuidade à sua carreira. No Nacional da Madeira encontra um emblema que, apesar de se encontrar no segundo escalão, tinha outras ambições. Esse sonho, alicerçado numa possível promoção, tornava o desafio bastante aliciante.
A tão almejada subida de divisão, aconteceria logo na temporada seguinte. Esse patamar alcançado, acabaria por trazer uma maior visibilidade aos que vestiam o “alvi-negro” do emblema funchalense. Toda essa promoção faria com que Paulo Autuori fosse convidado pelo Vitória de Guimarães, a assumir os destinos do plantel sénior. Contrato assinado, e um dos atletas que seguiria o treinador seria William.
A calma com que enfrentava os lances e o bom sentido posicional, combinados com uma leitura ímpar de todo o jogo, fariam com que, num espaço de um ano, outros horizontes se abrissem para o defesa.
Ora, quem andava atento a todas as suas habilidades, era o Benfica. As boas exibições ao serviço dos da “Cidade Berço”, clube que acabaria a temporada de 1989/90 num honroso 4º lugar, fariam com que da “Luz” chegasse um convite para uma nova mudança.
Já em Lisboa, William passaria as 5 épocas seguintes. Durante esse período, muito para além das experiências vividas – competições europeias; “clássicos” arrebatadores; o convívio com grandes nomes do futebol – o atleta começaria a acrescentar ao seu currículo mais alguns troféus. 2 Campeonatos (1990/91; 1993/94) e 1 Taça de Portugal (1992/93) são o saldo dessa sua passagem pelos “Encarnados”.
Ainda enquanto jogador do Benfica, a vida de William, para além dos números apresentados, era, igualmente, dada a “letras”. Não se esgotando na prática desportiva, o antigo jogador, que no Brasil já havia frequentado o curso de Fisioterapia, acabaria por abraçar os estudos, desta feita Psicologia – “Há uma sequência na nossa vida que não se interrompe quando deixamos de jogar. Não se trata de uma sequência social ou financeira (…), ao que me refiro é à continuidade intelectual (…)”.*
Por esta altura, o fim da carreira de William ainda era um cenário longínquo. E se isto era uma certeza, o que William não estaria à espera, era que a entrada de Artur Jorge no Benfica, levasse a uma “purga” no balneário da “Luz”.
Resultado desta renovação, o defesa acaba por prosseguir a sua vida profissional no estrangeiro. Primeiro com uma curta passagem pelos franceses do Bastia (1995/96) e, de seguida, em Espanha, ao serviço do Compostela, William daria continuidade à sua carreira futebolística.
Seria depois de regressar da Galiza, que o jogador aceitaria voltar a um dos seus antigos emblemas. No Minho, novamente no Vitória de Guimarães, William acabaria por dar os derradeiros passos no sentido da “reforma”, a qual aconteceria no final de 2001/02.
Ainda que afastado dos relvados, o antigo atleta vai continuado ligado à modalidade. Tanto nas funções de técnico, ou no papel de “olheiro”, William tem viajado um pouco pela Europa. Portugal, Espanha, França e Luxemburgo fazem parte deste seu périplo, onde se destaca a sua passagem pelo Olympique de Marseille, como elemento do departamento de prospecção.



*Retirado de “A Bola Magazine nº 79”, Dezembro 1993

580 - EWERTON

Apesar de uma vida profissional consolidada no Brasil, para a temporada de 1987/88, Ewerton decide apostar na Europa. Ao contrário daqueles que vêem na saída do seu país uma oportunidade para dar os primeiros passos no mundo do futebol, o guardião já há muito que era um nome feito no desporto.
Seria então, perto de completar os 30 anos de idade, que o jogador chegaria à ilha da Madeira. Com uma carreira principalmente ligada à Portuguesa dos Desportos, Ewerton assina contrato pelo Marítimo. As razões desta mudança poderão ter sido variadas. Para além das mais comuns - monetárias, procura de novos desafios -, muitas outras, sem nunca saber toda a verdade, poderíamos aqui listar.
O que também é certo, é que, apesar de uma longa ligação à "Lusa", seriam poucas as épocas em que, no emblema de São Paulo, Ewerton conseguiria ser titular absoluto. Essa realidade, consolidada, na sua derradeira temporada no Brasil, com a saída para o Noroeste, poderá ter estado na base da sua decisão. No entanto, se as suas qualidades eram, já por altura da sua chegada a Portugal, um valor inegável, o que terá faltado ao guarda-redes para se impor como um dos melhores do "Brasileirão"? Bem, na realidade isso pouco interessa! Contudo, se nesses primeiros anos da sua vida nos relvados, alguns não lhe terão reconhecido o devido valor, então, a sua chegada aos "Verde-Rubros" mudaria tudo isso!
É verdade, as 9 temporadas que passou como atleta (mais 3 anos como parte da equipa técnica) seriam suficientes para o consagrarem como um dos melhores na existência do clube. As justificações para tal, por certo, não faltarão. Exemplos? Defesas de cortar a respiração, uma constância exibicional que faria dele um dos melhores a actuar no nosso país, ou a “voz de comando” que era os seus companheiros, são alguns dos que aqui posso deixar.
Contudo, convenhamos! O período em que Ewerton vestiu as cores maritimistas, também contribuiria muito para a sua boa ventura... ou terá sido o contrário???!!! Bem, mais uma vez entro num campo que pouco importa. O que interessa, é o que história nos diz. E nessa, atletas e emblema caminham de braço dado!
Resumindo, Ewerton será lembrado como um dos que, em campo, ajudou à consolidação do emblema na Primeira Divisão. Também é dele, parte dos méritos pela estreia dos "Verde-Rubros" nas competições europeias, e, nunca esquecer, pela presença na final da Taça de Portugal de 1994/95.
Tendo feito parte destes brilhantes capítulos da história do Marítimo, o guarda-redes, muito para além de um lugar na memória, ganhou a admiração de todos os que, das bancadas acompanharam tais feitos. Para Ewerton também este pedaço da sua vida se tornou inesquecível e hoje, apesar de ter dado continuidade ao seu trabalho de treinador no Brasil, é de lá que recorda os tempos passados na "Pérola do Atlântico" - “A nível pessoal eu diria que todos os 12 anos que passei na MADEIRA foram maravilhosos, portanto as saudades da ilha são imensas”*.


* retirado da página do facebook "CSMarítimo Madeira" (28 de Julho de 2014)

548 - LEAL

Ainda que a sua ligação ao Académico de Viseu não seja uma história muito longa, posso afirmar que Leal terá sido um dos mais notáveis atletas a vestir a camisola dos "Estudantes".
Contratado ao Viseu e Benfica, já depois de aí ter sido promovido à equipa sénior, Leal seria uma das peças fundamentais, naquela que foi a última subida, e presença, dos viseenses na 1ª Divisão. A jogar a central, o defesa seria um dos pilares dessa caminhada. Alto, possante e com uma colocação exemplar, a segurança que dava ao derradeiro sector da equipa, seria essencial ao sucesso do grupo.
Apesar de todos o considerarem como um esteio, a verdade é que a qualidade das suas exibições não seriam suficientes para que o Académico de Viseu conseguisse, ao fim da temporada de 1988/89, manter-se no patamar maior do nosso futebol.
Mesmo com o desaire da equipa, Leal conseguiria, e de que maneira, chamar a atenção de outros emblemas nacionais. Tão boas eram as referências deixadas por si, que logo o Sporting decidiu juntá-lo ao seu plantel. Mesmo não tendo um grande currículo primodivisionário, e, por conseguinte, com muitos a agoirar-lhe sérias dificuldades futuras, o defesa iria surpreender uma série de gente. Ainda assim, a sua passagem por Alvalade não deixa de ser curiosa. Pois, por razão da contratação de Luisinho, que acabaria por fazer dupla no centro da defesa com Venâncio, Leal parecia não ter espaço para se impor.
Seguro da sua qualidade, Manuel José haveria de o adaptar a lateral esquerdo. Foi nessa posição que, de "Leão ao peito", fez carreira. Sem grande velocidade, talvez o seu único ponto fraco, haveria de se afirmar pela segurança que dava a esse lado do campo. Assertivo na maneira de encarar os lances, a fiabilidade transmitida ao lado canhoto da defesa, levá-lo-ia a ser um dos nomes habituais na lista de titulares do Sporting. Consequência dessa regularidade, acabaria por ser a atribuição, em 1991, do Prémio Stromp para Atleta Profissional do ano.
Outra das distinções que acabaria por merecer, seria a convocatória para a selecção nacional. Com a "Camisola das Quinas" conseguiria um total de 15 internacionalizações, jogadas essas partidas na campanha de apuramento para o Euro 92.
Com o aparecimento de Paulo Torres e, ainda por cima, com a contratação de Vujacic, Leal começa a perder espaço em Alvalade. Com muito ainda para dar ao futebol, o seu lugar entre os emblemas da 1ª Divisão estava assegurado. Depois de Belenenses e Felgueiras, chega a vez de representar o Estrela da Amadora. Pelos da Reboleira, e com os trinta anos já para trás, Leal volta a afirmar-se como um dos melhores do Campeonato, a jogar... a defesa central!!!
Foi de volta à sua posição de origem que o internacional "luso" faria o restante da sua carreira. O fim, depois de ter vestido o vermelho do Santa Clara, aconteceria no regresso a casa. Seria em Viseu, novamente com as cores do Académico, que Leal, aos 38 anos e com o "términus" da temporada de 2002/03, decidira “pendurar as chuteiras”.

466 - RICARDO GOMES

Já aqui falamos, por altura do cromo do Branco, que no início da década de 80, o Fluminense atravessou uma grave crise financeira. Tal percalço levou o clube a ter que apostar em jovens jogadores. Assim, para além daqueles que foram contratados a outros emblemas, como foi o caso do antigo lateral do FC Porto, houve outros que apareceram vindos da formação "tricolor". Ricardo foi uma dessas apostas.
Apresentando, dentro de campo, a postura elegante que sempre foi a sua imagem de marca e raramente utilizando a falta como meio para travar os seus adversários, Ricardo, logo desde a sua promoção à equipa principal, mostrou ser um dos atletas mais capazes para ocupar um dos lugares no centro da defesa. Por isso mesmo não foi de estranhar que, rapidamente, o seu nome começasse a constar na lista dos jogadores a iniciar cada partida. Foi então como um dos pilares defensivos do Fluminense, que o antigo central ajudaria os seus companheiros a conquistar o tri-campeonato "Carioca" de 1983, 1984 e 1985 e o "Brasileirão" de 1984.
Com todos esses títulos e com a preponderância que neles haveria de ter, Ricardo Gomes, logo no ano em que se sagrou campeão nacional brasileiro, consegue a primeira convocação para a "Canarinha". Com o andar dos anos, o jogador foi cimentando o seu lugar no seio do grupo que ia compondo a selecção brasileira, até que em 1989, no mesmo ano em que o Brasil venceria a Copa América, Ricardo Gomes, nos desafios de apuramento para o Mundial de 1990, acabaria mesmo por envergar a braçadeira de capitão.
Ora, por esta altura já o defesa tinha viajado para a Europa, onde, desde a temporada de 1988/89, vestia a camisola do Benfica. Na "Luz", muito mais do que as suas qualidades desportivas, a maneira cortês como se apresentava, a boa educação e "fair-play", mereceram-lhe a admiração de todos os adeptos do futebol, independentemente da cor clubística. A maneira como conseguiu impor-se no clube, ajudou as "Águias" a conquistar 2 Campeonatos (88/89; 90/91) e 1 Taça de Portugal, mas acima de tudo garantiu-lhe um lugar na história do emblema português, ao conseguir ser o primeiro jogador estrangeiro a envergar a braçadeira de capitão.
Tanta qualidade fez com que para o Benfica fosse impossível segurar o jogador nas suas fileiras. Em 1991, a proposta do Paris Saint-Germain fez com que Ricardo se mudasse para a capital francesa. Comandado pelo treinador português Artur Jorge, o internacional brasileiro consegue, mais uma vez, conquistar aqueles que acompanham os seus desafios. O sucesso mais uma vez emergiu na sua carreira e de França, aos troféus que até aí já tinha no seu currículo, juntaria mais uma série de títulos, como foram a "Ligue 1" de 1993/94, as Taças de França de 1992/93 e 1994/95 e, ainda, a Taça da Liga de 1994/95 (estas duas últimas já com Luís Fernadez como treinador).
Viria a fazer a sua derradeira temporada, aceitando o convite de Artur Jorge para regressar ao Benfica, em 1995/96. No ano seguinte voltou ao Parc des Princes, já não como jogador, mas para fazer a sua estreia como técnico principal. Nessas funções tem dividido a sua carreira entre as experiências que o levaram ao comando de clubes franceses e brasileiros. Troféus, tanto num país como no outro, também já conta com alguns. Destacam-se as Taças da Liga Francesa de 1998 (PSG) e 2007 (Bordeaux), a Taça de França de 1998 (PSG), o Campeonato Baiano 1999 (Vitória) ou a Taça do Brasil de 2011 (Vasco da Gama). Infelizmente, por razão de um AVC que o atacou enquanto comandava uma partida no Brasil, Ricardo Gomes foi aconselhado a afastar-se do banco de suplentes. Enquanto aguarda pela sua total recuperação e possível regresso ao comando técnico de uma equipa, Ricardo Gomes tem desempenhado funções como dirigente, nomeadamente como director executivo do Vasco da Gama.

446 - TOZÉ

Ao contrário de tantos outros praticantes que com ele partilhavam o balneário das selecções nacionais, o médio não vinha do Benfica, do Sporting ou do FC Porto. Contudo, tal facto não o diminuía, não o tornava pior que ninguém, nem o impedia de chegar onde os outros também chegavam. Tozé era um "bebé" do Leixões. Dele, tal como a vontade das gentes do mar que, de Matosinhos, sua terra natal, conduz a faina, saía a força para encabeçar toda uma geração de futebolistas. Foi esse legado de coragem a transformar o inocente futebolista no capitão de Portugal, foi essa valentia, que de pequena se fez tão grande, a trazer a inspiração a um grupo de jovens atletas, a fazê-los querer mais, a desejar acrescentar mais vitórias à sua fortuna – “Na altura nem imaginava que era possível chegar a levantar o troféu. Ainda hoje é inacreditável, porque todos continuam a associar-me à imagem do campeão do Mundo que levantou a taça”*.
A campanha de 1988/89, época do referido Campeonato do Mundo sub-20, marcaria para Tozé, após a estreia sénior no ano anterior, o arranque da sua caminhada na 1ª divisão. Num Leixões de volta aos palcos principais do futebol português, os momentos de aprendizagem, em tão exigente contexto, surgiriam como uma enorme oportunidade. No entanto, o que devia ser a normal evolução de uma carreira ainda a dar os passos iniciais, haveria de ser interrompida pela despromoção do clube. Mesmo a viver o revés da descida, o jovem atleta, alimentado por uma ambição natural, saberia tirar partido da situação adversa e acabaria por conquistar a titularidade no grupo matosinhense. Porém, para o médio que, na Arábia Saudita, tinha levantado ao alto, muito mais do que um troféu, o orgulho de um país, a divisão de Honra era pequena demais para os seus sonhos. Apareceria então o plantel de 1992/93 do Tirsense. Prémio justo, é certo. Também não é menos verdade dizer-se que talvez tivesse merecido um pouco mais. Quiçá devesse ter tido a chance de mostrar as suas habilidades em universos de outras montas. Ainda assim, o jogador pode orgulhar-se de ter conseguido atingir metas importantes: ultrapassou, nas 7 temporadas no escalão máximo, os 150 jogos; vestiu, ao mais alto nível, para além das camisolas dos já referidos Leixões e Tirsense, as do Leça e do Alverca; e fechou a sua vida como futebolista, de volta ao listado dos “Bebés”, com a melhor prenda de todas, a presença na final da Taça de Portugal de 2001/02.
Depois do termo da carreira como praticante profissional, Tozé não abandonaria o futebol. Nesse sentido, teria passagens pelo comando técnico de alguns clubes, como o Padroense e o Pedras Rubras e voltaria ao rectângulo de jogo pelos amadores do Custóias. Contudo, o seu verdadeiro objectivo seria cumprido nos livros e nos cadernos da escola, com o antigo internacional a regressar à vida académica e a licenciar-se em Educação Física e Desporto, no Instituto Superior da Maia.

*retirado do artigo publicado a 5/1/2011, em https://desporto.sapo.pt

Ver também a rubrica "Recortes"

344 - JORGE ANDRADE

Tal como tantos outros atletas brasileiros ligados à modalidade, este carioca faria quase toda a carreira em clubes de Portugal. Para este lado do Atlântico atravessaria à aventura e para vestir a camisola do Farense. Ajudaria a agremiação da capital algarvia na subida de escalão e com isso, na temporada de 1986/87, faria a sua estreia na 1ª divisão. Os seus préstimos pelos "Leões de Faro" seriam de tal ordem positivos que, ao marcar 15 golos nesse ano, numa equipa que nem sequer conseguiria quedar-se pelos lugares classificativos a garantirem a manutenção, seriam mais do que suficientes para chamar a atenção de outros emblemas.
A colectividade seguinte, o Boavista, com as constantes presenças dos "Axadrezados" nas lutas pelas posições cimeiras da tabela classificativa e, acima de tudo, com a presença da equipa portuense nas competições continentais, permitir-lhe-ia auferir de maior visibilidade. Depois de entrar no Bessa em 1987/88 e ao fim de 4 épocas em que, principalmente nas 3 derradeiras, viria a consagrar-se como um dos titulares das “Panteras”, Jorge Andrade daria um novo salto na caminhada desportiva. Nessa senda, a grande dúvida passaria por saber qual o rumo que Jorge Andrade daria à vida profissional. A questão, entre a opção de ficar por terras lusas ou a de partir em direcção a paragens mais longínquas, rapidamente ficaria resolvida e o ponta-de-lança mudar-se-ia, de armas e bagagens, para os vizinhos do FC Porto.
Nas Antas, passaria a trabalhar numa equipa orientada pelo seu conterrâneo Carlos Alberto Silva. Tapado por avançados como Domingos ou Kostadinov, para Jorge Andrade poucas oportunidades haveriam de surgir. Por essa razão, nessa temporada de 1991/92, ficariam por confirmar, num nível de exigência bem mais elevado, os seus dotes como finalizador. Ainda assim, as poucas aparições durante a aludida campanha permitir-lhe-iam acrescentar o seu nome à lista de elementos responsáveis pela vitória no Campeonato Nacional.
Sem lugar nos “Azuis e Brancos”, o avançado, em 1992/93, seguiria com destino à Ilha da Madeira e para envergar a camisola do Marítimo. Ao serviço do conjunto insular, o avançado recuperaria o papel preponderante perdido com a saída do Boavista. Nos Barreiros, Jorge Andrade voltaria à titularidade, às boas exibições e, acima de tudo, a fazer golos. Com bons registos, a passagem do atleta pelo Funchal, para além dos números, ficaria para sempre ligada a um dos momentos históricos do clube, isto é, a primeira participação nas competições continentais. Depois de, na época anterior, com vários remates certeiros, o atacante ter dado um belo empurrão no sentido da qualificação, já as partidas na edição de 1993/94 da Taça UEFA não correriam de feição para os maritimistas e, frente aos belgas do Royal Antwerp, um empate caseiro (2-2), seguido de uma derrota fora (2-0), levaria os “Leões do Almirante Reis” a serem afastados logo na ronda inicial da competição.
Depois da experiência no Vitória Futebol Clube e de, em 1995, ter dado um "pulinho" até ao Brasil, onde, ao lado de Paulinho César "McLaren", representaria a Portuguesa dos Desportos, Jorge Andrade regressaria a Portugal para jogar pelo Paços de Ferreira e, posteriormente, dar nova "perninha" com as cores do Marítimo.
Não muitos anos depois, Jorge Andrade decidiria “pendurar as chuteiras. Finda a carreira nos relvados, o antigo atacante decidiria trocar os “gramados” pelos bastidores da modalidade e já tem sido visto pelos estádios portugueses, em representação do empresário Ronaldo Nunes, na prospecção de novas oportunidades de negócio.

234 - CASACA

Depois de representar como sénior o Merelinense e o Atlético de Valdevez, Casaca acabaria por fazer a estreia na 1ª divisão, corria a temporada de 1982/83, com a camisola do Rio Ave. A evoluir como atleta, seria preciso apenas uma época para que, como um dos elementos de peso no “onze” vilacondense, fizesse parte de um dos maiores feitos da história do clube. No entanto, com o término da final da Taça de Portugal de 1983/84, quem levaria o troféu para casa seria o FC Porto. Ainda assim, passados alguns anos, o médio haveria de ter a oportunidade para a vingança. Em 1992, já a jogar pelo Boavista, reencontraria os "Azuis e Brancos" no Jamor. Dessa feita, seria ele que acabaria a partida a sorrir, pois o doce sabor da vitória por 2-1 conduzi-lo-ia, como capitão das "Panteras", a erguer o troféu nas bancadas do Estádio Nacional.
Seria pelo emblema do Bessa que o centrocampista faria grande parte do caminho competitivo e onde terminaria a carreira de futebolista. Dez anos a vestir a camisola axadrezada, quase 250 encontros a disputar a divisão maior do futebol luso, dar-lhe-iam a oportunidade para fazer parte dos sucessos que permitiriam cevar a mística das “Panteras” no panorama português. Já os anos a seguir a deixar os relvados têm sido, pelo antigo médio, divididos entre as funções de treinador-adjunto e também as de dirigente. Na transição do campo para as novas tarefas, ainda no Estádio do Bessa e posteriormente no Belenenses, começaria como o número dois de Manuel José. Hoje em dia faz parte dos quadros da colectividade onde começaria o percurso enquanto jogador e no qual terminaria a formação. Rui Casaca é actualmente Coordenador Técnico do Sporting de Braga.