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954 - COSTACURTA

Seria após um empréstimo de 1 ano ao Monza que Alessandro Costacurta conseguiria, em definitivo, fixar-se no plantel do AC Milan. O que ninguém estaria à espera, nem mesmo o jogador, é que esse regresso na temporada de 1987/88 significasse um total de mais de duas décadas a defender os “Rossoneri”.
De volta a San Siro, Arrigo Sacchi, que, antes da referida cedência, já tinha chamado o defesa aos trabalhos da equipa principal, consideraria Costacurta como apto para fazer parte do grupo de trabalho. Ainda que com um começo discreto, aos poucos o defesa começaria por merecer mais oportunidades. Tacticamente a roçar a perfeição, era também na sua rápida reacção e numa cirúrgica capacidade de desarme que o central tinha as suas melhores armas. A juntar a tudo isso, e apesar de não ser um fora-de-série com a bola nos pés, o rigor com que sempre entrava em campo permitir-lhe-ia, como lateral ou “trinco”, jogar em outras posições.
Mesmo tendo em conta todas as habilidades aqui arroladas, a transição da década de 80 para a de 90 coincidiria com uma das melhores épocas da história do clube. Por tal razão, a conquista de um lugar como titular era sempre um pouco mais suada. Porém e a aferir toda a sua qualidade, logo na temporada de 1988/89 já o central era um dos nomes mais vezes inscritos nas fichas de jogo. Paralelamente à sua ascensão, também os títulos passariam a surgir no seu quotidiano. Depois da conquista na Serie A de 1987/88, a campanha seguinte traria ao currículo do atleta o primeiro troféu europeu. Na final da Taça dos Campeões Europeus, disputada frente aos romenos do Steaua Bucaresti, Costacurta entraria de início para ajudar na vitória por 4-0.
Os 7 “Scudettos”, 1 Coppa de Itália, 5 Supercoppas, 5 “Champions” (com a de 1990 ganha frente ao Benfica), 4 Supertaças da UEFA e 2 Taças Intercontinentais são os resultados do seu sucesso. Todavia, e pertencendo esses números à sua trajectória clubística, faltou ao jogador uma conquista com as cores da selecção. Curiosamente, as cores da equipa principal italiana só entrariam na sua carreira já o jogador contava com 25 anos de idade. Depois de ter participado em 2 Europeus sub-21, só em 1991 é que Costacurta conseguiria a primeira internacionalização pelo conjunto “A”. Numa partida frente à Noruega, a contar para a fase de qualificação do Euro 92, o seu velho conhecido Arrigo Sacchi, chamá-lo-ia ao “onze” da “Squadra Azurra”. Daí em diante passaria a ser um nome habitual nas convocatórias. Pelo seu país, o defesa disputaria 3 grandes torneios. Da passagem por 2 Mundiais e 1 Europeu, destaque para a sua participação no Campeonato do Mundo organizado nos Estados Unidos da América e para a final aí perdida com o Brasil.
Como já aqui foi referido, a longevidade da sua carreira transformar-se-ia num dos grandes marcos desse seu percurso. Sem nunca perder a preponderância nos êxitos do AC Milan, a última campanha disputada pelo clube traria ainda mais uma curiosidade. Na 37ª jornada da temporada de 2006/07, na conversão de uma grande penalidade, Costacurta concretizaria o derradeiro golo como futebolista profissional. Esse último tento, que não evitaria a derrota frente à Udinese, transformaria o central no mais velho da história do “Calcio” a marcar na “Serie A”.

673 - SEEDORF

Numa carreira imortalizada por enormes sucessos, o primeiro grande momento chegaria ainda Seedorf era um adolescente. Com 16 anos e 242 dias, o jovem atleta é chamado, pela primeira vez, à equipa principal do Ajax. Esse facto, por si só, já seria merecedor de destaque. No entanto, o registo, muito mais do que uma marca pessoal, tornar-se-ia num recorde para o próprio clube.
Após a estreia, pouco mais demoraria para que o médio iniciasse o assalto ao “onze” titular. É certo que nessa caminhada, progressiva, o jogador ainda demoraria algum tempo a atingir a sua meta. Ainda assim, a importância do médio para as manobras desenhadas pelo treinador, ia aumentando a cada jogo. Na segunda época com os seniores (1993/94), Seedorf era já um dos nomes habituais nas convocatórias de Louis van Gaal. Ao terceiro ano, merecidamente, o médio veria o seu objectivo cumprido e ganha um lugar no alinhamento inicial.
A época em que vinca o seu nome como titular, acabaria por ser aquela que também o catapultaria para as manchetes de todos jornais. Tendo já, por essa altura, vencido 1 Taça (1992/93), 1 Supertaça (1993/94) e 1 Campeonato holandês (1993/94), a temporada de 1994/95 traria uma mão-cheia de sucessos ao currículo de Seedorf. Para começar, a primeira chamada à principal selecção holandesa; depois, a reconquista do título de campeão nacional; por fim, o mais desejado de todos os troféus… a Liga dos Campeões.
Tendo vencido aquela que é a principal prova de clubes e, ainda por cima, numa equipa composta maioritariamente por jovens, Seedorf começa a despertar o interesse de outros clubes. A mudança aconteceria logo nesse defeso e o médio transferir-se-ia para o “Calcio”. Todavia, a passagem pela Sampdoria serviria apenas de interlúdio para mais uma série de conquistas. Batalhador, com uma resistência e poderio físico impressionantes, mas capaz de tratar a bola com delicadeza, Seedorf, após um ano em Itália, assina contrato com o Real Madrid. Nos “Merengues”, ao lado do argentino Redondo, compõe a dupla do meio-campo. Mesmo estando ao lado de um dos grandes centrocampistas da altura, o jovem jogador não se deixaria intimidar. Participaria em quase todas as partidas e amealharia uma boa lista de títulos.
Um Campeonato e uma Supertaça, um pouco à imagem do que já tinha acontecido no Ajax, serviriam de “entrada” para outras conquistas. Com Jupp Heynckes ao leme, a equipa “blanca” chega a mais uma final europeia. No Amesterdam Arena, um bom rol de craques alinha-se para a disputa da Liga dos Campeões de 1997/98. O Real Madrid enfrenta a Juventus de Zidadne, Deschamps e Del Piero. No entanto, a constelação de estrelas vinda de Espanha seria mais forte. Venceria por 1-0 e Seedorf, dínamo dessa mesma equipa, arrecadaria a segunda “Champions League”
A entrada de Guus Hiddink para treinador do Real Madrid, iria, subtilmente, alterar o seu paradigma no seio da equipa. Segundo constaria, as relações entre o médio e o técnico não eram as mais saudáveis e Seedorf começa a perder alguma importância. Ainda assim, esses desentendimentos só começariam a ser mais notados na temporada de 1999/00. É por essa altura que surgem os rumores de uma possível transferência, com o futebol italiano a surgir como principal destino.
A mudança concretizar-se-ia pouco tempo depois e na segunda metade da referida temporada, Seedorf iria representar o Inter. Depois de, ainda na fase de grupos, ter dado a sua contribuição para que o Real Madrid voltasse a vencer mais uma Liga dos Campeões, a nova aposta num emblema italiano acabaria por não trazer os resultados esperados. Sem qualquer título a colorir um trajecto bem brilhante, o holandês passaria duas temporadas e meia, um tanto ou quanto, discretas.
Tendo trocado o Inter pelo rival Milan, o percurso de Seedorf entra, mais uma vez, numa fase bastante prolífera. Os 10 anos passados com os “Rossonero”, acabariam por tornar o centrocampista num dos ídolos da massa adepta. Esse carinho, bem justificado pela constância exibicional que o atleta demonstraria ao longo dessa década, valer-lhe-ia a entrada para o “Hall of Fame” do emblema milanês. E por falar em distinções, então que dizer da lista de vitórias? No domínio interno: 2 “Scudettos”, 1 Taça e 1 Supertaça de Itália. Já no panorama internacional, 2 Supertaças europeias, 1 Mundial de Clubes e 2 Liga dos Campeões sublinhariam, categoricamente, o estatuto de um dos melhores médios na história do futebol.
Surpreendentemente, e numa altura em que já se falava na sua “reforma”, Seedorf decide continuar a sua carreira no Brasil. Ao serviço do Botafogo, continua a mostrar as qualidade que sempre o caracterizaram. Com uma capacidade de passe e uma leitura de jogo soberbas, o atleta ajudaria o clube à conquista do Campeonato Carioca de 2013. Depois, veio o “pendurar das chuteiras” para, em 2014, num regresso ao Milan, dar os primeiros passos nas “artes” de treinador.
Finda uma carreira que, na sua longevidade, só teve comparação com a quantidade de sucessos conseguidos, ao jogador ficaria um pequeno “amargo de boca”. Apesar de ter participado em 3 Europeus e 3 Mundiais, Seedorf acabaria por nunca vencer nada ao serviço da selecção holandesa.

167 - BERNI

Foi com frases como, “Tenho uma fome de jogar e provar o meu valor”* ou “Quero é ir para o relvado e provar a toda a gente que venho para aqui para jogar”*, que o novo guarda-redes bracarense revelou a sua vontade aos associados. É bem fácil compreender essa ansiedade, pois qualquer elemento gosta de poder dar o seu contributo em campo. Até aqui tudo bem. Ainda assim, se analisarmos o que tem sido a carreira de Tommaso Berni, então, o seu estado de espírito torna-se ainda mais compreensível.
Vejamos. Depois de terminar a formação no Inter de Milão, onde nunca chegou a "calçar as luvas", passou a representar o moribundo Wimbledon. Nem o estado deplorável em que encontrou o emblema britânico, fez com que conseguisse uma única chamada ao “onze” e, ao fim de dois anos, acabou por regressar a Itália. De volta ao país natal decidiu apostar no Ternana, clube da "Serie B" do "Calcio". Aí, finda a primeira época, quando já estava certo da sua sorte de suplente, finalmente conseguiu conquistar a titularidade. Com tal brilharete, pouco mais de 80 jogos no campeonato, a Lazio contratou-o. Para sua infelicidade, esse resgate do emblema primodivisionário tornou-se numa ambição desmedida e, nas 5 épocas em Roma, poucas foram as oportunidades que agarrou.
Agora em Braga, a fazer fé nas suas declarações, o intuito é o de recuperar a alegria de jogar. A verdade é que um regressado Quim não tem dado ao italiano muitas chances para sorrir e o guardião, que até foi várias vezes internacional pelas camadas jovens da "Squadra Azzurra", continua a "aquecer o banco"!

*retirado do artigo de Bruno Filipe Monteiro, publicado a 30/06/2011, em www.ojogo.pt

160 - RODRIGO DEFENDI

Rodrigo Defendi é um bom exemplo de como é curta a distância entre o estrelato e o fracasso. Com apenas 16 anos de idade viu o antigo internacional dinamarquês, Frank Arnesen, interessar-se por ele. O bom jogo de cabeça terá levado o, à altura, director do Tottenham Hotspur a ver nele um potencial bom defesa. A transferência, impossibilitada pela condição de menor do atleta, viria apenas a concretizar-se uns anos mais tarde, já o jogador representava o Cruzeiro. No clube londrino a partir de 2004, a sua vida nem começou muito mal. O recém-chegado brasileiro convenceu os treinadores e, ainda que nas equipas secundárias, até ganhou o seu lugar. O pior veio na altura de provar o valor na equipa principal. Ao não cair nas boas graças do técnico, foi-lhe dada a indicação para procurar um outro clube. Falhado o regresso ao Brasil, a solução apareceu em Itália. Seguiram-se, por empréstimo, a Udinese, a Roma e, já desvinculado do emblema britânico, o Avellino e a Serie B.
Para mal do seu crescimento, a passagem pelo “Calcio” não trouxe ao defesa grande proveito. Sem conseguir encontrar o seu espaço e com tão poucas partidas disputadas, o sucesso prometido à carreira de Defendi começou a assemelhar-se a um logro. A procura de um novo rumo fê-lo, em 2010, voltar ao Brasil. Se o início desse passo também não foi muito animador, com o jogador a não sair da equipa “B” do Palmeiras, a ida para o Paraná, finalmente, trouxe-lhe a titularidade. Já em final de contrato, com grande surpresa, a renovação nunca avançou. Segundo parece, terá prevalecido a vontade do jogador em representar o Vitória de Guimarães, onde, até ver, o melhor que conquistou foi um lugar no banco de suplentes!

154 - MAMEDE

Produto dos patamares de formação do Vitória Futebol Clube, sensivelmente pela mesma altura em que jogadores como Sandro, Bruno Ribeiro, Carlos Manuel, Nuno Santos ou Mário Loja emergiram das “escolas” sadinas, foi na equipa da foz do Rio Sado que, com excepção do empréstimo ao Juventude de Évora, Mamede cumpriu a primeira metade da carreira. Durante esse período, o “trinco” mostrou toda a sua competitividade, acerto defensivo e, aquilo que nele os treinadores mais devem ter apreciado, a regularidade com que atravessava toda uma temporada.
Foram essas capacidades que levaram clubes estrangeiros, já que os emblemas nacionais de maior monta teimaram em nunca investir nele, a tentar a sua contratação. Ao fim de 7 anos a jogar nas competições seniores de Portugal e acertada a transferência, Mamede encetou aquilo que pode classificar-se como a segunda parte da sua vida no futebol. A estreia na Serie A do Campeonato italiano deu-se no Reggina e tendo por companheiro de balneário um compatriota, o defesa Marco Caneira. Já época de 2000/01 não correu de feição e a equipa de Reggio Calabria acabou relegada ao segundo escalão do "Calcio".
Apesar do desempenho pessoal, premiado com mais de 20 partidas a titular, ter ficado bem acima da performance colectiva, Mamede não recusou acompanhar os companheiros, aceitando o "castigo" da descida. No entanto, bastou uma temporada para devolver o médio-defensivo, junto com a equipa, ao convívio dos “grandes”. De volta ao lugar merecido, não desapontou. Porém, no final do terceiro ano em Itália, surpreendentemente, decidiu apostar noutro projecto e voltou ao segundo escalão. A viagem não foi muito longa e para o jogador português bastou atravessar o Estreito de Messina, para que, na cidade com a mesma designação e que também dá nome ao clube, encontrasse um novo desafio.
No emblema siciliano o começo ate foi promissor. Conseguiu, em grande parte das jornadas, assegurar um lugar no “onze” inicial, ajudando, com a titularidade, o regresso do grupo à divisão maior. O pior veio de seguida! Apesar do Messina ter conseguido uma boa campanha, atingindo um espantoso 7º lugar na campanha de 2004/05, Mamede deixou de ser utilizado com a regularidade a que estava habituado. A partir daí, não sei se já afectado pela lesão que acabou por apoquentar o fim da sua carreira, o jogo de Mamede começou a entrar em declínio. Sucederam-se várias equipas. Depois de representar Genoa, Perugia e Salernitana, o Potenza, ao acabar a temporada de 2008/09 em último na Serie C1, transformou-se no derradeiro emblema dos seus 9 anos em Itália.