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1605 - DELIBASIC

Com o percurso formativo concluído ao serviço do Partizan, seria igualmente na colectividade de Belgrado que Andrija Delibasic, na temporada de 1999/00, transitaria para o patamar sénior. Logo nessa época de arranque na equipa principal, o ponta-de-lança, num conjunto onde já brilhava Mateja Kezman, daria um sinal positivo para o futuro. Nesse sentido, a campanha de 2000/01 apresentá-lo-ia como um dos mais utilizados na equipa a vestir o listado branco e preto. Competitivamente a crescer, a sua evolução ficaria positivamente marcada pelas vitórias no Campeonato de 2001/02 e no de 2002/03. Essas conquistas empurrá-lo-iam até à Liga dos Campeões. A edição de 2003/04 daquela que é a mais importante competição de clubes a nível mundial, num grupo de trabalho onde também marcavam presença Drulovic e Ivica Kralj, serviria de montra para o avançado e tamanha visibilidade abrir-lhe-ia as portas de outros cenários competitivos.
O emblema a apostar na sua contratação surgiria de um dos melhores cenários europeus e, em Espanha, seria o Mallorca a apresentá-lo como reforço no “Mercado de Inverno” de 2003/04. No jogo de estreia pela equipa das Baleares, uma vitória forasteira frente ao Zaragoza, Delibasic até conseguiria marcar um golo. No entanto, o arranque auspicioso não teria continuidade nos tempos seguintes e essa primeira passagem pela La Liga ficaria aquém da expectativa criada em seu redor. Sem grande espaço nos “Barralets”, a solução passaria por um empréstimo ao Benfica. Na Luz a partir de Janeiro de 2005, o ponta-de-lança, com a concorrência de Nuno Gomes, Sokota e até de Mantorras, também não conseguiria ganhar um lugar no conjunto às ordens de Trapattoni. Salvar-se-ia o troféu ganho no termo dessa época e o atacante sairia de Lisboa com a vitória no Campeonato Nacional.
Com idêntico resultado ao obtido nos meses cumpridos pelas “Águias”, as épocas seguintes, em sucessivos empréstimos ao Sporting de Braga, ao Aris de Salónica e ao Beira-Mar, não serviriam para catapultar o avançado. A excepção surgiria na campanha de 2007/08, naquela que viria a ser a última cedência por parte do Mallorca. Com as cores da Real Sociedad, o jogador ganharia um novo fôlego e em San Sebastian retornaria a números bastante aceitáveis. Curiosamente, um novo contrato levá-lo-ia, não ao escalão máximo espanhol, mas ao patamar secundário. Ainda assim, a experiência no Hercules seria suficiente para levar o atleta a ser chamado à selecção do seu país. O jogador que, nas camadas de formação, tinha, ainda com as cores da Sérvia e Montenegro, marcado presença no Europeu sub-21 e, ainda no mesmo ano, nos Jogos Olímpicos realizados em Atenas, faria a estreia pela equipa nacional de Montenegro a 10 de Outubro de 2009. Chamado por Zoran Filipovic, a partida frente à Geórgia serviria para encetar uma caminhada a levá-lo a diversas Fases de Qualificação e a um total de 21 internacionalizações “A”.
Em termos clubísticos, a passagem pelo emblema de Alicante precederia a contratação por parte do Rayo Vallecano. No emblema da capital, o avançado ainda faria uma campanha no 2º escalão. Todavia, essa época de 2010/11, com a promoção alcançada no termo da aludida temporada, serviria para o seu regresso ao patamar maior. Já o par de anos disputados entre os “grandes” antecederia as etapas finais da sua caminhada enquanto praticante. Nesse sentido, os tailandeses do Ratchaburi e o FK Sutjeska, emblema que Delibasic também tinha representado nos trilhos formativos, viriam a tornar-se nos seus últimos capítulos como futebolista. Praticamente logo de seguida, o antigo ponta-de-lança virar-se-ia para as funções de técnico. Como adjunto, passaria pelo Partizan e pelo FK Buducnost e como treinador-principal abraçaria o plantel de 2022/23 do FK Mornar Bar.

1459 - PINILLA

Produto das “escolas” da Universidad de Chile, Mauricio Pinilla cedo emergiria como uma das grandes promessas do futebol sul-americano. Nessa perspectiva, sensivelmente 2 anos após a estreia como sénior, o avançado começaria a ser cobiçado por emblemas de maior monta. De Itália, num convénio a juntar o Chievo e o Inter Milan, chegaria uma proposta pela sua aquisição e, rubricado o acordo, viria a consequente mudança para o “Calcio”. Com os dois clubes referidos a partilharem o seu “passe” em partes idênticas, o atacante seria encaminhado para o plantel de 2003/04 da agremiação sediada em Verona. Porém, a sua adaptação ao futebol europeu ficaria aquém do esperado e a meio da aludida campanha o jovem jogador acabaria emprestado ao Celta de Vigo.
Seria no final do ciclo cumprido entre a Itália e a Espanha que surgiria o interesse do Sporting. Com Pinilla, após a estreia pela principal selecção do Chile a 29 de Março de 2003, a manter-se como um dos elementos amiúde chamado às pelejas do seu país natal, os “Leões” veriam no atleta uma boa aposta para reforçar o sector mais ofensivo do plantel. Comandado por José Peseiro, o avançado-centro, apesar de várias presenças em campo, tardaria em ter no golo uma forte credencial. Para a infelicidade do atacante, quando tudo parecia estar a mudar, uma grave lesão atirá-lo-ia para fora dos planos do aludido técnico, inclusive fazendo com que o jogador falhasse a final da Taça UEFA de 2004/05.
Já com a época seguinte em andamento, e com a equipa “alfacinha” sob a alçada de Paulo Bento, seriam as declarações feitas a um periódico a pôr em causa a sua continuidade em Lisboa e a empurrá-lo para a porta de saída – “Não posso mais com a minha situação no Sporting (…). Quando soube da lista de convocados e da qual não constava o meu nome, só me apetecia morrer. Então, disse para mim mesmo que já não valia a pena estar num lugar onde não me querem (…). Se não me querem, deixem-me sair. Clubes interessados em mim não faltam. Disseram-me que vou ter opções seguras para sair em Janeiro. Deixei-lhes também claro que terminou a minha etapa em Portugal”*.
A exigência a forçar a sua partida, inicialmente por empréstimo e depois já em definitivo, levá-lo-ia a um período mais errante e nada condizente com as expectativas criadas em seu redor. Racing Santander, Hearts, o regresso à Universidad de Chile, Vasco da Gama e os cipriotas do Apollon Limassol, preencheriam os anos a suceder a sua saída de Alvalade. No entanto, contrariamente ao rumo que a sua carreira estava a tomar, de Itália surgiria nova proposta e a mudança devolveria o avançado chileno às sendas do sucesso.
Apresentado pelo modesto Grosseto como reforço para a temporada de 2009/10, o ano passado na disputa da Serie B, revelaria um atleta com a pontaria afinada. Os bons números exibidos dentro de campo abrir-lhe-iam de novo as portas do escalão maior italiano e a transferência para o Palermo emergiria como um justo prémio. Seguir-se-iam, numa etapa pelo Calcio a prolongar-se até à campanha de 2016/17, o Cagliari, o Genoa e o Atalanta. Paralelamente apareceriam as convocatórias para os principais torneios organizados no âmbito das selecções nacionais, nomeadamente a chamada para o Campeonato do Mundo de 2014 e as presenças na Copa América de 2015 e de 2016, de onde o Chile, em ambas as edições, sairia como o agregado vencedor do certame.

*retirado do artigo de Filipe Escobar de Lima, publicado a 23/11/2005, em www.publico.pt

1320 - JOSÉ ANTONIO REYES

José Antonio Reyes destacar-se-ia como um dos melhores elementos a evoluir nas “escolas” do Sevilla e o seu notável crescimento levá-lo-ia, no conjunto “b” do emblema andaluz, a estrear-se como sénior, com apenas 16 anos de idade. Ainda nessa temporada de 1999/00, os desempenhos conseguidos pelo jovem extremo fariam com que fosse chamado à equipa principal, onde chegaria a partilhar o balneário com o português Bakero. No que diz respeito à sua completa afirmação, o passo, com a titularidade assegurada, seria dado na campanha de 2001/02 e já com o internacional luso José Taira como companheiro de equipa.
Também nas jovens selecções espanholas a sua aprovação sublinharia a visibilidade merecida ao serviço do clube. Nesse percurso formativo, onde passaria por vários escalões, o maior destaque surgiria na discussão da edição de 2002 do Europeu de sub-19. Para o torneio organizado na Noruega, seria chamado pelo treinador Iñaki Sáez à disputa de todas as partidas do certame e na final, titular tal como em todas as rondas anteriores, ajudaria a derrotar a congénere alemã e a entregar o troféu aos escaparates da Real Federación Española de Fútbol.
Os louvores merecidos durante a primeira fase da carreira empurrá-lo-iam para as cogitações de outros emblemas. Na linha da frente dessas colectividades apareceria o Arsenal. Com a chegada aos londrinos a acontecer a meio da campanha de 2003/04 e depois de, meses antes, ter conquistado a primeira internacionalização “A” num “particular” frente a Portugal, Reyes assumir-se-ia como um dos principais elementos do conjunto britânico. Na disputa das provas inglesas, rapidamente conquistaria um lugar no “onze” dos “Gunners”. Nesse sentido, seria de fulcral importância nos títulos conseguidos pelo clube e em destaque surgiriam as vitórias na Premier League de 2003/04 e, na época de 2004/05, as conquistas da FA Cup e do Community Shield.
O regresso do atacante a Espanha dar-se-ia na temporada de 2006/07 e através de um empréstimo ao Real Madrid. Depois da conquista da La Liga nesse ano de regresso ao seu país natal, Reyes mudar-se-ia para o Atlético de Madrid. A transferência, já a título definitivo, não afastaria o avançado dos sucessos colectivos. Mesmo com uma cedência ao Benfica de 2008/09, onde seria orientado por Quique Flores e durante a qual venceria a Taça da Liga, os 3 anos e meio ao serviço dos “Colchoneros” seriam bastante proveitosos para o currículo individual do jogador e as vitórias na Liga Europa de 2009/10 e de 2011/12 e na Supertaça da UEFA de 2010/11 viriam a frisar isso mesmo.
Também o retorno ao Sevilla, consumado a meio da temporada de 2011/12, manteria o atleta na senda dos grandes troféus. Com o emblema andaluz, durante a nova ligação do avançado ao clube onde tinha cumprido toda a formação, a brilhar nas provas europeias, José Antonio Reyes teria a sorte de acrescentar ao palmarés as conquistas consecutivas de 3 outras edições da Liga Europa, nesse caso as disputadas durante as campanhas de 2013/14, 2014/15 e 2015/16.
Já numa fase descendente da carreira, o atacante acabaria a envergar as cores do Espanyol, do Córdoba, dos chineses do Xinjiang Tianshan Leopard e do Extremadura. Seria durante a sua estadia em Almendralejo que jogador sofreria um terrível acidente de viação que, para além de pôr termo à sua carreira como futebolista, tragicamente viria também a ceifar-lhe a vida.

1249 - MACIEL

Após passar por uma série de clubes nos primeiros anos da carreira, seria já como atleta do Volta Redonda que Maciel, em 2001 e numa partida frente ao Flamengo, acabaria observado por José Mourinho. Agradado com a sua velocidade e capacidade de decisão, o treinador aconselharia a contratação do extremo à União de Leiria. Já do lado de cá do Atlântico e depois de ultrapassado um pequeno imprevisto, o atacante rubricaria a ligação que daria início à sua passagem por Portugal – “Tínhamos combinado dez mil euros mensais, mas o Leiria afinal só me queria pagar cinco mil. Desci, saí da sala – onde estava o Mourinho, o senhor João Bartolomeu e o Derlei também – e de repente sinto o mister Mourinho a vir atrás de mim. «Olha, se jogas tanto como dizes, assinas o contrato agora e em dezembro de certeza que o clube renova contigo e aumenta a verba»”*.
A disputar o Campeonato Nacional a partir da temporada de 2001/02, Maciel continuaria a desenvolver as características que tinham maravilhado o “Special One”. Ao destacar-se na equipa da Beira Litoral que terminaria a campanha de 2002/03 nos lugares de acesso às provas europeias, o atacante começaria a ser cobiçado por clubes de ambições maiores. Já com o Benfica na corrida, José Mourinho, entretanto a treinar o FC Porto, convenceria o jogador a mudar-se para a “Cidade Invicta”. Entraria no plantel “azul e branco” a meio da temporada de 2003/04 e depois de, na primeira metade da época, ter, pela União de Leiria, disputado a Taça UEFA. Tal facto impediria o extremo de, pelos “Dragões”, participar na “Champions”. Todavia, e sem fazer qualquer minuto na campanha que terminaria em Gelsenkirchen com a vitória portista, o atacante seria também um dos atletas condecorados – “Fiquei triste por não jogar, mas o presidente falou comigo e até me deu uma medalha de vencedor, tal como a da Taça Intercontinental”**.
Com José Mourinho no Chelsea, surgiria a oportunidade de Maciel ir jogar para o emblema londrino. Contudo, o facto de ser extracomunitário e de não ter qualquer internacionalização pelo Brasil, inviabilizaria a transferência. Para alimentar o azar, a entrada do espanhol Victor Fernandez para o comando técnico do FC Porto tiraria protagonismo ao atleta. Sem praticamente jogar, nem o facto de ter sido uma peça fulcral na conquista da edição de 2003/04 do Campeonato Nacional salvaria o atacante da saída. Por empréstimo, os anos seguintes passá-los-ia com as cores do Atlético Paranaense, União de Leiria e Sporting de Braga.
Desvinculado do FC Porto, o extremo encetaria uma terceira passagem pela “Cidade do Lis”, para, no final dessa temporada de 2007/08, acabar transferido para os gregos do Xanthi. Aliás, aí começaria uma senda deveras errante. Já de volta ao Brasil, Maciel daria início a um périplo muito idêntico àquele que tinha trilhado no começo da carreira. Depois de vestir um número quase incontável de camisolas, seria com as cores do Cabofriense que, em 2015, daria por terminada a caminhada como futebolista.
Mesmo depois de largar os “gramados”, o avançado não conseguiria afastar-se da bola. Já como atleta federado de futevolei, o antigo avançado, ao brilhar na areia, continuaria a manter-se em boa forma.

*retirado da entrevista conduzida por Pedro Jorge da Cunha e publicada a 08/04/2021, em https://maisfutebol.iol.pt
**retirado da entrevista publicada a 09/12/2013, em www.record.pt

1217 - ANDERSON

Descoberto no Grêmio Maringá pelo Corinthians, a sua entrada em 2000 na equipa sénior do conjunto de São Paulo, coincidiria, na temporada, com a presença da agremiação brasileira no Mundial de Clubes da FIFA. Apesar de não ter sido chamado pelo treinador Oswaldo de Oliveira ao torneio vencido pelo seu emblema, a estreia conseguida durante a referida época serviria para lançar os alicerces de uma carreira que, sem grande demora, faria do jovem defesa uma referência no sector mais recuado do “Timão”.
Com a progressão revelada, a temporada de 2002 mostraria Anderson já como um jogador incontestado no alinhar do “onze” inicial. Divididas por 6 campanhas, as mais de 200 partidas oficiais disputadas pelo Corinthians, fariam do defesa-central um dos responsáveis pela conquista de vários títulos colectivos. Nesse sentido, a vitória na Copa do Brasil de 2002 e no “Estadual” Paulista de 2003, transformá-lo-iam também num alvo da selecção. Aliás, a internacionalização “A” pelo “Escrete”, na temporada em que a colectividade paulista acabaria por vencer o Campeonato Brasileiro, chegaria a 27 de Abril de 2005. Chamado por Carlos Alberto Parreira ao desafio frente às Honduras, o jogador não desapontaria e, para além da estreia na equipa principal do seu país, brindaria o momento com um golo.
A qualidade exibida durante os anos passados ao serviço do Corinthians, faria com que a sua cotação subisse e que, igualmente, começasse a ser cobiçado por outros emblemas, nomeadamente na Europa. Ao ver-se envolvido na transferência de Roger, Anderson, para a temporada de 2005/06, seria apresentado como reforço do Benfica. Em Lisboa passaria 2 épocas de bom nível, em que, para além de ajudar as “Águias” a vencer a edição de 2005/06 da Supertaça Cândido de Oliveira, brilharia nas campanhas trilhadas pelo clube nas competições continentais. Para a memória ficaria a dupla feita com Luisão e que, na campanha da sua chegada à Luz, ajudaria os “Encarnados”, depois de eliminar Manchester United e Liverpool, a chegar aos quartos-de-final da “Champions”.
Como já foi referido, a consistência das exibições feitas pelo Benfica alimentaria, ainda mais, o valor do defesa. Desejado por clubes com maior poderio financeiro, Anderson, no Verão de 2007, mudar-se-ia para França. No entanto, a experiência no Olympique Lyonnais ficaria bem aquém do esperado. Sem nunca conseguir afirmar-se como um dos titulares, as épocas seguintes ficariam marcadas pelos empréstimos ao São Paulo e ao Cruzeiro. Curiosamente, o período em que estaria contratualmente ligado ao emblema gaulês até serviria para enriquecer o palmarés pessoal do atleta. Depois de, em 2007/08, acrescentar ao seu currículo a conquista da Ligue 1 e da Coupe de France, o regresso ao Brasil arrolá-lo-ia como vencedor do “Brasileirão” de 2008 e do Campeonato Mineiro de 2009.
Em 2011, em definitivo de volta ao seu país, Anderson assinaria contrato com o Santo André. Com a segunda parte da carreira caracterizada por alguma errância, o retorno ao Brasil serviria para sublinhar, ainda mais, essa realidade. Seguir-se-iam as passagens pelo Atlético Mineiro e pelo Paraná. Já o fim dessa caminhada chegaria em 2013, aos 33 anos de idade e com o defesa, resultado das exigências da alta-competição, a assumir um grande desgaste emocional. Ao dedicar-se aos negócios pessoais, ainda andaria afastado da modalidade. No entanto, em 2016 chegaria a um acordo com a Portuguesa dos Desportos e passaria a fazer partes dos quadros técnicos do emblema paulista.

1199 - CUSTÓDIO

Dividida a quase totalidade da sua formação entre o Vitória Sport Clube e o Sporting, seria ainda como elemento das “escolas” do emblema sediado em Guimarães que Custódio começaria a destacar-se dos demais praticantes. Para tal, em muito contribuiriam as chamadas aos escalões jovens da Federação Portuguesa de Futebol. Ao começar a caminhada internacional nos sub-15, seria na categoria imediatamente acima que venceria o primeiro grande troféu. Alguns anos após ganhar o Euro 2000 de sub-16, e numa altura em que já tinha vestido a indumentária sénior dos “Leões”, viria também outro importante triunfo. Com a camisola dos sub-20 de Portugal, o médio, como uma das figuras centrais do conjunto luso, seria de fulcral importância na conquista do Torneio de Toulon de 2003.
Já em Alvalade, a porta aberta pelo técnico László Bölöni permitiria a Custódio subir à equipa principal. Porém, essa partida frente ao Salgueiros, jogo que, para além da estreia sénior, daria ao atleta o direito de celebrar a vitória na edição de 2001/02 do Campeonato Nacional, não garantiria a sua permanência no plantel. Com a saída do treinador romeno, o jovem jogador manter-se-ia a trabalhar com o conjunto “B” dos “Leões”. Só a contratação de Fernando Santos na temporada de 2003/04, possibilitaria reverter esse paradigma. Daí em diante, o centrocampista passaria a ser visto como uma peça essencial da táctica “verde e branca”. Mesmo com o Sporting nem sempre a posicionar-se como o principal candidato aos títulos, o trabalho do médio alimentá-lo-ia como um bom intérprete e como um dos nomes habituais na ficha de jogo. Tal facto permitir-lhe-ia participar na campanha que levaria o clube lisboeta à final da Taça UEFA de 2004/05 e à conquista da Taça de Portugal de 2006/07.
Com rigor, há que dizer que a temporada correspondente à narrada vitória na “Prova Rainha”, não seria, para o médio, a mais prolífera. A perda de preponderância no grupo de trabalho do Sporting precipitaria a sua saída. Com o convite recebido de Leste, Custódio acabaria por aceitar o repto lançado pelo Dynamo Moskva. Porém, a aposta no emblema da capital russa não correria como o esperado e o atleta, com a abertura do “Mercado de Inverno” de 2008/09, retornaria a Portugal. O regresso levá-lo-ia de volta a uma colectividade bem conhecida. No Vitória de Guimarães passaria pouco mais de época e meia e, com a campanha de 2010/11 já em andamento, dar-se-ia a mudança que conduziria um novo impulso à carreira do centrocampista.
Com o Sporting de Braga a imiscuir-se na luta pelas decisões cimeiras, a campanha de entrada de Custódio nos “Guerreiros” coincidiria com a chegada da agremiação minhota à final da Liga Europa. À presença na derradeira partida da prova organizada pela UEFA, seguir-se-iam, na sua caminhada profissional, outros momentos dignos de realce. O primeiro, resultado de uma constância exibicional bem positiva, aconteceria com a estreia do médio na principal selecção portuguesa. Com a primeira internacionalização “A” a acontecer a 2 de Junho de 2012, a partida frente à Turquia, de qualificação para o Europeu, transformar-se-ia em algo de maior monta. Dado o passo inicial, o atleta, chamado ao grupo arrolado por Paulo Bento, marcaria presença na fase final do Euro 2012.
Alguns meses passados sobre o torneio realizado entre a Polónia e a Ucrânia, viria, com o atleta a marcar presença no “onze” da final, a vitória dos bracarenses na Taça da Liga de 2012/13. Essa conquista sublinharia outro momento alto na união de Custódio aos “Arsenalistas”. Na “Cidade dos Arcebispos”, quase sempre revelando bons índices exibicionais, o médio manter-se-ia até meio da temporada de 2014/15. Decidiria, por essa altura, encetar nova aventura pelo estrangeiro. Com a entrada na derradeira fase do seu trajecto competitivo, a ligação aos turcos do Akhisar encaminhá-lo-ia para o termo da carreira de futebolista. Com o final a acontecer em 2016/17, Custódio não ficaria muito tempo afastado da modalidade. Ao aceitar o convite do Sporting de Braga, no Verão de 2017 assumiria o papel de adjunto na equipa “B”. Desde então, tem estado ligado às equipas técnicas do conjunto minhoto, merecendo, na época de 2019/20, a oportunidade de comandar a equipa principal.

1171 - HUGO ALMEIDA

Descoberto nas “escolas” da Naval 1º de Maio e já com um pé no Sporting, seria o FC Porto a adiantar-se e a ganhar a corrida pela sua contratação. A mudança para a “Cidade Invicta”, teria como resultado imediato a cimentação do avançado nas jovens selecções portuguesas. Ao passar pelos vários escalões da “equipa das quinas”, Hugo Almeida participaria em diversos certames de grande monta, destacando-se a presença na final do Campeonato da Europa sub-19 de 2003, a vitória, nesse mesmo ano, do Torneio Internacional de Toulon ou a chamada aos Jogos Olímpicos de 2004.
Com um percurso louvável, feito nas camadas de formação da selecção e do clube, a integração do avançado na equipa principal “azul e branca”, adivinhada quase como uma certeza, acabaria por conhecer dificuldades pouco expectáveis. Com a estreia como sénior, na equipa “b” dos “Dragões”, a acontecer em 2001/02, os anos seguintes passá-los-ia entre o plantel principal do FC Porto, o já referido conjunto secundário e alguns empréstimos a emblemas da 1ª divisão. Mesmo assim, com tanta intermitência, Hugo Almeida conseguiria, de maneira espantosa, enriquecer o palmarés pessoal. Com os portistas a escrever uma das mais gloriosas páginas da sua história, os títulos chegariam em catadupa e o ponta-de-lança entraria para o rol de atletas que haveriam de conquistar as Taças de Portugal de 2002/03 e de 2005/06, os Campeonatos Nacionais de 2003/04 e 2005/06 e a Liga dos Campeões de 2003/04.
As experiências na União de Leiria e, posteriormente, no Boavista, não só dariam ao atleta o traquejo necessário a outros horizontes, como, no caso da passagem pelas margens do Rio Lis, também serviria para justificar a sua entrada na principal equipa da selecção nacional. Com a chamada a acontecer a 18 de Fevereiro de 2004, pela mão de Luiz Felipe Scolari, esse particular frente a Inglaterra, disputado no Algarve, serviria de arranque para uma longa caminhada com as cores de Portugal. Num total alcançado de 57 internacionalizações e 19 golos concretizados, o avançado seria também convocado a participar em diversos torneios. Sob a alçada de diferentes treinadores, disputaria os Europeus de 2008 e 2012 e os Mundiais de 2010 e 2014.
Já com algumas dúvidas a levantarem-se sobre o seu real valor, a temporada de 2005/06 dissiparia muitas das incertezas. Finalmente como titular do FC Porto, Hugo Almeida afirmar-se-ia como um jogador possante e de cariz maioritariamente de área, ou seja, um ponta-de-lança “à antiga”. A tal campanha serviria para catapultar o seu valor e, com isso, para acicatar o desejo de outros emblemas. Surgiria o Werder Bremen e a vontade do clube germânico de juntar o avançado-centro ao seu plantel. Acertada a transferência, inicialmente a título de empréstimo, a época de 2006/07 levaria o atleta até à Bundesliga. Na Alemanha, fixar-se-ia como um belíssimo intérprete e como um dos esteios do conjunto sediado nas margens do Rio Weser. Durante 4 anos e meio, o atacante contribuiria para os objectivos colectivos. Ajudaria à vitória na DFB-Pokal de 2008/09 e chegaria, ainda nesse ano, à final da Taça UEFA.
Numa altura em que estava, provavelmente, a lançar-se para uma das melhores temporadas, a abertura do “Mercado de Inverno” de 2010/11 mudá-lo-ia para Istambul. No Besiktas, onde iria encontrar-se com Manuel Fernandes, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma, o avançado continuaria a exibir-se a um bom nível. Depois de 3 anos e meio na Turquia, as novas apostas do atleta levá-lo-iam a uma fase da sua carreira um pouco errante. Com passagens pela Itália, Rússia, Alemanha, Grécia, Croácia e o regresso a Portugal, Hugo Almeida acabaria por envergar 7 camisolas diferentes. Já em Coimbra, ainda com a temporada de 2019/20 a decorrer, anunciaria o fim da sua caminhada como futebolista. Passaria, na condição de atleta e dirigente, a dedicar-se ao futebol de praia e à AD Buarcos. Paralelamente, encetaria o seu trajecto como técnico e, nos sub-23 da Académica, tem desempenhado as funções de treinador-adjunto.

1136 - JORGE LUÍS

Apesar preferir focar-me nos aspectos desportivos das carreiras aqui relatadas, há uma curiosidade que, ao ter acontecido na primeira metade da caminhada futebolística de Jorge Luís, não poderia deixar passar sem fazer referência… Falo de descidas!
Tudo começaria em 1995, com a profissionalização do atleta ao serviço do Fluminense. Logo na temporada de 1996, o lateral-esquerdo veria o conjunto “tricolor” a ser despromovido ao 2º patamar do “Brasileirão”. No entanto, uma decisão de “secretária” acabaria por reverter o destino da equipa e o emblema “carioca” manter-se-ia na Serie A do Campeonato brasileiro. “Sol de pouca dura”, pois logo no ano seguinte, o mesmo fado e, dessa feita, sem volta a dar. Pior viria ainda a acontecer na campanha subsequente e, com o 19º lugar na classificação geral, a inevitável queda para o 3º escalão nacional.
O regresso ao principal escalão da agremiação sediada no Bairro das Laranjeiras aconteceria em 2000 e por razão de uma edição especial do “Brasileirão” que, com o intuito de homenagear João Havelange, faria com que a CBF juntasse numa única prova, todos os emblemas de todos os diferentes patamares. Já o ano de 2001 levaria Jorge Luís de novo às sendas das descidas e logo em dose dupla! A mudança e curta experiência no Guarani, terminaria com a despromoção do emblema paulista no "estadual". De seguida, ainda no decorrer da mesma temporada, a transferência para o Santa Cruz que, com uma pobre campanha na Serie A, pouco mais traria ao currículo do jogador do que outro tropeção Campeonato nacional abaixo!
Talvez com o intuito de pôr termo ao azar, o defesa, na temporada de 2002/03, tomaria a decisão de dar continuidade ao trajecto profissional no Varzim. Contudo, a mudança para Portugal voltaria a alimentar a tal “malapata” e o emblema poveiro, no final da referida campanha, acabaria por descer ao 2º escalão. Ainda assim, os desempenhos individuais do atleta, mesmo com as 6 despromoções a enegrecer-lhe a senda, mantê-lo-iam bem estimado. Tido como um futebolista de bons índices físicos e com uma técnica superior, o Sporting de Braga vê-lo-ia como um elemento válido para reforçar o sector mais recuado. No Minho a partir de 2003/04 e ao tornar-se num dos nomes mais chamado à ficha de jogo, Jorge Luís passaria a ser aferido como um dos melhores laterais a jogar no nosso país. Sob a alçada do Professor Jesualdo Ferreira, as exibições feitas pelos “Guerreiros” fariam catapultar o valor do seu “passe” e, já com a cotação em alta, seria do Dínamo de Moscovo que surgiria nova oportunidade.
Numa altura em que o emblema da capital russa investia muito no mercado nacional, o defesa acabaria por partilhar o balneário dos moscovitas com nomes como Nuno Espírito Santo, Enakarhire, Costinha, Derlei, Danny, Seitaridis, Almani Moreira ou com o antigo colega nos bracarenses, o atacante Cícero. Porém, nem a companhia faria com que a experiência fosse mais agradável para o esquerdino. Após a temporada de 2006, em que pouco teria para contar, a abertura das transferências de Inverno nos países ocidentais, descerraria as portas ao atleta para um regresso a Portugal e, por empréstimo, novamente ao Sporting de Braga.
No final da época de 2006/07 e com a venda dos direitos desportivos ao Internacional de Porto Alegre, o defesa voltaria ao Brasil. Já numa fase descendente do seu percurso desportivo, destaque ainda para a passagem pelo CRB Alagoas. Por fim, como derradeiro capítulo, uma última experiência em Portugal e a disputa dos escalões inferiores com as cores do Trofense.

1074 - LACOMBE

Com um começo de carreira auspicioso, a Grégory Lacombe ficaria prometida uma caminhada desportiva de sucesso. Tudo para aí apontaria e a primeira temporada como sénior parecia ser desse destino uma prova cabal. O médio ofensivo, ao terminar o percurso formativo com as cores do AS Monaco, subiria aos seniores na temporada de 1999/00. Mesmo tendo jogado maior parte dessa época pelo conjunto “b” do Principado, as poucas chamadas à equipa principal serviriam para dar ao seu palmarés o título de Campeão Nacional de França.
Depois de, nas campanhas seguintes, não conseguir conquistar um lugar no “onze” do AS Monaco, a sua cedência ao Ajaccio acabaria por animar a carreira do jovem praticante. Sempre a disputar a “Ligue 1”, o médio ofensivo começaria a jogar com maior frequência. Essa regularidade faria com que da Fédération Française de Football, começassem a ver nas suas exibições uma razão para chamá-lo aos trabalhos da selecção. Logo na temporada de 2002/03, a primeira de duas na passagem pela colectividade sediada na ilha da Córsega, Lacombe seria integrado no conjunto sub-21 francês. Jogaria 3 partidas pelos “Bleus” e que serviriam de tónico para os anos subsequentes.
Na verdade, tirando a temporada imediatamente a seguir, os resultados dessas chamadas à selecção sub-21 acabariam por diluir-se. O regresso ao AS Monaco na época de 2004/05, seria disso prova. Sem contar para o treinador Didier Deschamps, o médio, no final da referida campanha, ver-se-ia empurrado para um lugar na lista de excendentários. Quem aproveitaria a sua dispensa seria Norton de Matos. O treinador, à altura a orientar o Vitória de Setúbal, acabaria por trazer o jogador para o plantel sadino. Todavia, aquele que seria visto como o principal reforço para a temporada de 2005/06, não passaria de uma boa promessa. Ainda que dono de capacidades técnicas e tácticas superiores, Lacombe nunca conseguiria afirmar-se categoricamente. Sobrariam dessa sua passagem por Portugal alguns recortes de qualidade e a participação na Taça UEFA.
O regresso ao seu país e ao Ajaccio serviriam para dar novo alento à carreira do atleta. Ainda que no 2º patamar gaulês, o ano passado na Córsega alimentaria o seu prestígio. Resultado desse crescimento, o Montpellier viria a contratá-lo para a temporada de 2007/08. Sem mudar de escalão, o final dessa primeira campanha marcaria a subida do conjunto do Sul de França. Como um dos melhores elementos do plantel, Lacombe voltaria à “Ligue 1”. Mesmo perdendo algum do protagonismo, o atleta manter-se-ia no clube. Nas 4 épocas seguintes, tirando uma curta passagem pelo Monaco, o centrocampista também contribuiria para o desenvolvimento de um projecto que, em 2011/12, terminaria com a conquista do Campeonato.
O ano de 2012 marcaria o final da sua união com o Montpellier e com o patamar máximo do futebol gaulês. Clermont Foot, Uzes Pont du Gard e Marssac tornar-se-iam nos últimos emblemas de uma carreira, cuja ligação ao futebol far-se-ia também através da empresa por si gerida, a “Gold Soccer Albi”.

993 - JOÃO ALVES

A subida aos seniores do Desportivo de Chaves iria, de forma quase imediata, dar um grande empurrão à sua, ainda curta, carreira desportiva. Com o emblema flaviense, nessa temporada de 1998/99, a disputar a 1ª divisão, a visibilidade que auferiria abrir-lhe-ia as portas das selecções jovens portuguesas. Mesmo não sendo muito utilizado, as exibições que conseguiria fazer pelo clube seriam suficientes para o lançar internacionalmente. Pelos sub-18, no final da já referida campanha, haveria de ser chamado ao Europeu da categoria. Convocado por Agostinho Oliveira, João Alves seria um dos atletas que, tendo também jogado a final frente à França, ajudaria à vitória de Portugal.
Com o Desportivo de Chaves a cair na 2ª divisão, o jovem atleta acabaria entregue a uma espécie de ocaso forçado. Porém, o médio ofensivo não ficaria esquecido. Clubes de maior monta continuariam a acompanhar a sua evolução e testemunhariam as boas prestações por si esgrimidas. Vincando-se como um jogador de boa técnica e excelente leitura de jogo, João Alves, ao fim de 5 temporadas, acabaria por ser resgatado dos escalões secundários. Os responsáveis do Sporting de Braga, agradados com as suas habilidades, decidiriam apostar na sua contratação. O centrocampista acabaria por viajar para o Minho e, em 2004/05, dar-se-ia o seu regresso aos maiores palcos do futebol nacional.
A sua passagem pelo Sporting de Braga serviria, acima de tudo, para sublinhar aquilo que já há alguns anos vinha a demonstrar. Para reforçar a ideia de que era um praticante de topo, a constância no “onze” arsenalista transformá-lo-ia num dos elementos mais valiosos do plantel. Nas competições nacionais, João Alves passaria a ser visto como um dos melhores a actuar no sector intermédio. No entanto, e se dúvidas ainda restassem relativas à sua qualidade, então, passada pouco mais de 1 época após a sua chegada à “Cidade dos Arcebispos”, apareceria o interesse de um dos “3 grandes”.
Com José Peseiro à frente do Sporting, o pedido do treinador para trazer dois jogadores do conjunto “arsenalista” seria aceite. João Alves, fazendo uma viagem semelhante à do extremo Wender, chegaria a Alvalade já depois do arranque da temporada de 2005/06. Tendo, na referida campanha, feito algumas partidas pela equipa bracarense, o que sobraria da época traria resultados bem positivos à carreira do atleta. Como prémio pelos seus bons desempenhos, Luiz Felipe Scolari decidiria trazê-lo aos trabalhos da selecção principal. Com as cores de Portugal, naquela que seria a caminhada para o Mundial de 2006, o médio acabaria por participar em 3 particulares.
Ainda de “Leão” ao peito, a troca de Peseiro por Paulo Bento tornar-se-ia num revés para o jogador. Tendo perdido, quase por completo, o espaço que tinha conquistado na temporada anterior, o médio acabaria classificado como excedentário. A solução encontrada passaria pela sua transferência. De regresso ao Minho, dessa feita para envergar a camisola do Vitória de Guimarães, João Alves voltaria às exibições que dele tinham feito um dos grandes centrocampistas portugueses. Os 5 anos em que defenderia os vimaranenses, tornariam o conjunto no mais representativo da sua vivência primodivisionária.
Por falar em experiências, há também que referir a sua passagem pelo estrangeiro. O ano vivido nos cipriotas do Omonia como que marcaria, na sua caminhada profissional, o início da recta final. Académico de Viseu e Freamunde também fariam parte dessa etapa. Contudo, a caminhada ficaria incompleta e o jogador a lamentaria a falha num regresso muito desejado – “Faltou-me apenas terminar a carreira no Desportivo de Chaves, foi a maior tristeza que tive nesta recta final. Felizmente, ainda tive a oportunidade de jogar pelo Chaves na Liga. Recentemente, chegou a haver interesse dos dirigentes do clube mas infelizmente as coisas não se proporcionaram”*.

*retirado do artigo de Vítor Hugo Alvarenga, publicado 18/02/2016, em https://maisfutebol.iol.pt

954 - COSTACURTA

Seria após um empréstimo de 1 ano ao Monza que Alessandro Costacurta conseguiria, em definitivo, fixar-se no plantel do AC Milan. O que ninguém estaria à espera, nem mesmo o jogador, é que esse regresso na temporada de 1987/88 significasse um total de mais de duas décadas a defender os “Rossoneri”.
De volta a San Siro, Arrigo Sacchi, que, antes da referida cedência, já tinha chamado o defesa aos trabalhos da equipa principal, consideraria Costacurta como apto para fazer parte do grupo de trabalho. Ainda que com um começo discreto, aos poucos o defesa começaria por merecer mais oportunidades. Tacticamente a roçar a perfeição, era também na sua rápida reacção e numa cirúrgica capacidade de desarme que o central tinha as suas melhores armas. A juntar a tudo isso, e apesar de não ser um fora-de-série com a bola nos pés, o rigor com que sempre entrava em campo permitir-lhe-ia, como lateral ou “trinco”, jogar em outras posições.
Mesmo tendo em conta todas as habilidades aqui arroladas, a transição da década de 80 para a de 90 coincidiria com uma das melhores épocas da história do clube. Por tal razão, a conquista de um lugar como titular era sempre um pouco mais suada. Porém e a aferir toda a sua qualidade, logo na temporada de 1988/89 já o central era um dos nomes mais vezes inscritos nas fichas de jogo. Paralelamente à sua ascensão, também os títulos passariam a surgir no seu quotidiano. Depois da conquista na Serie A de 1987/88, a campanha seguinte traria ao currículo do atleta o primeiro troféu europeu. Na final da Taça dos Campeões Europeus, disputada frente aos romenos do Steaua Bucaresti, Costacurta entraria de início para ajudar na vitória por 4-0.
Os 7 “Scudettos”, 1 Coppa de Itália, 5 Supercoppas, 5 “Champions” (com a de 1990 ganha frente ao Benfica), 4 Supertaças da UEFA e 2 Taças Intercontinentais são os resultados do seu sucesso. Todavia, e pertencendo esses números à sua trajectória clubística, faltou ao jogador uma conquista com as cores da selecção. Curiosamente, as cores da equipa principal italiana só entrariam na sua carreira já o jogador contava com 25 anos de idade. Depois de ter participado em 2 Europeus sub-21, só em 1991 é que Costacurta conseguiria a primeira internacionalização pelo conjunto “A”. Numa partida frente à Noruega, a contar para a fase de qualificação do Euro 92, o seu velho conhecido Arrigo Sacchi, chamá-lo-ia ao “onze” da “Squadra Azurra”. Daí em diante passaria a ser um nome habitual nas convocatórias. Pelo seu país, o defesa disputaria 3 grandes torneios. Da passagem por 2 Mundiais e 1 Europeu, destaque para a sua participação no Campeonato do Mundo organizado nos Estados Unidos da América e para a final aí perdida com o Brasil.
Como já aqui foi referido, a longevidade da sua carreira transformar-se-ia num dos grandes marcos desse seu percurso. Sem nunca perder a preponderância nos êxitos do AC Milan, a última campanha disputada pelo clube traria ainda mais uma curiosidade. Na 37ª jornada da temporada de 2006/07, na conversão de uma grande penalidade, Costacurta concretizaria o derradeiro golo como futebolista profissional. Esse último tento, que não evitaria a derrota frente à Udinese, transformaria o central no mais velho da história do “Calcio” a marcar na “Serie A”.

874 - KARYAKA

Sendo um adepto do FC Dnipro, a melhor maneira para Karyaka começar o seu percurso no futebol teria que ser, obviamente, nas escolas do emblema ucraniano. Assim foi! No entanto, e apesar dessa alegria, no último ano da sua “formação” o médio passaria a representar o Metalurh Zaporizhya. Aliás, seria nesse mesmo clube que o jovem atleta faria a transição para o patamar sénior.
Curiosamente, o jogador encetaria a participação na liga ucraniana frente ao seu primeiro clube. À parte desse pormenor, as suas características fariam com que, desde muito cedo, outros clubes começassem a demonstrar algum interesse na sua evolução. Observado por emblemas de outra monta, Karyaka, 3 temporadas após a sua estreia, acabaria por mudar-se para o CSKA de Kiev. No clube da capital a partir de 1998, a transferência permitir-lhe-ia participar nas provas da UEFA. Contudo, a suposta melhoria na carreira revelar-se-ia um passo atrás e após uma época de 1999 bem discreta, o médio-ofensivo, mais uma vez, decide mudar de rumo.
Dessa feita, a mudança traria resultados bem positivos. Tendo passado a vestir as cores do Krylya Sovetov, a sua carreira iria enriquecer muito. Na segunda temporada ao serviço do emblema de Samara, Karyaka consegue a primeira internacionalização. Apesar de ser natural da Ucrânia, o jogador optaria por vestir as cores da equipa nacional russa. A partir de Agosto de 2001,o seu nome passa a ser habitual na lista de convocados. A presença nos desafios da selecção promovê-lo-iam além-fronteiras e, claro está, essa projecção ficaria ainda mais patente com a sua participação no Euro 2004.
Um ano após a presença em Portugal, Kayaka recebe um convite de um clube estrangeiro. Essa proposta chegaria, exactamente, do país que tinha organizado o Campeonato Europeu. Sendo um jogador que tanto poderia actuar na ala esquerda ou a “playmaker”, a sua técnica, capacidade de passe e visão de jogo faziam dele um bom reforço para qualquer clube. Nesse sentido, a sua chegada ao Benfica viria carregada de expectativas. Todavia, essa esperança acabaria por, sem grande explicação, sair gorada. Numa altura em que ainda não tinha conseguido conquistar o seu espaço na equipa “encarnada”, a entrevista saída num jornal russo levaria a que a sua situação piorasse ainda mais. As declarações publicadas, nas quais o jogador questionava as opções de Ronald Koeman, fariam com que o médio fosse suspenso. Na sequência da polémica, o atleta negaria tais afirmações e acabaria por levar o periódico a tribunal.
É já depois de a justiça ter dado razão ao jogador, que Fernando Santos substitui o técnico holandês no comando das “Águias”. Apesar da mudança, e de um começo de temporada auspicioso, a vontade do treinador português em reduzir o plantel, faria com que Karyaka aparecesse na lista dos possíveis elementos a transferir. É então que surge o interesse de alguns emblemas russos. Apesar de mostrar pouco vontade em mudar-se, em Janeiro de 2007, e com o Dínamo de Moscovo na corrida, o atleta aceita o convite do Saturn. Primeiro por empréstimo dos lisboetas e, finalmente, a título definitivo, a transferência relançaria a sua carreira. Ainda assim, e tendo recuperado algum do protagonismo de anos anteriores, o esquerdino jamais seria chamado à selecção russa.
O resto da carreira, sempre no escalão principal do seu país, seria consumido entre uma curta passagem pelo Dínamo de Moscovo e algumas temporadas no Volga Nizhi Novgorod. Depois de ter “pendurado as chuteiras” em 2014, pouco tempo deixaria passar até encontrar um novo desígnio na modalidade. Tendo aceitado o desafio do FC Amkar Perm, Karyaka, desde 2015 tem desempenhado as funções de treinador-adjunto.

816 - DEMBELÉ

Depois de ter andado diversos anos a cirandar por emblemas amadores dos subúrbios parisienses, é já numa altura em que poucos acreditariam numa mudança radical desse paradigma que surge uma nova oportunidade para Siramana Dembelé. Com passagens por Villiers-le-Bel, Saint-Denis e FC Les Lilas, é na época de 2002/03 que é posta em cima da mesa a primeira proposta para assinar um contrato profissional. Apesar dos 25 anos de idade, as suas qualidades fariam com o Olympique Alès, à altura no 3º escalão francês, decidisse apostar na sua aquisição. Muito forte fisicamente, mas sem descurar a parte mais técnica, as capacidades do médio faziam dele um bom reforço para as manobras defensivas, tal como para as atacantes.
A melhor prova que Dembelé era um jogador com capacidades para enfrentar desafios maiores viria logo nos anos seguintes. Ainda que sem abandonar os patamares secundários, as boas exibições que conseguiria fariam com que clubes com mais tradição no futebol gaulês começassem a vê-lo com outros olhos. Cannes e Nîmes seriam os emblemas seguintes no seu percurso futebolístico. No entanto, o grande salto da sua carreira, aquele que o levaria a disputar uma competição de topo, seria dado pela mão de um antigo internacional português.
Contratado pelo Vitória de Setúbal para a temporada de 2005/06, Norton de Matos faz uma grande aposta no mercado francês para reforçar o seu plantel. É então que, por entre nomes como os de Gregóry Lacombe, Mamadou Diakité ou Oumar Tchomogo surge também a transferência do médio. Mais uma vez, Dembelé supera todas as expectativas. Tendo conseguido agarrar a titularidade com relativa facilidade, pouco tempo após a sua chegada a Portugal surge uma proposta de outro clube de renome na Europa. Com o “mercado de Inverno” aberto, é do Standard Liège que vem o novo convite. Numa altura em que o emblema belga tinha nos seus quadros alguns nomes bem conhecidos do futebol “luso”, casos de Jorge Costa ou Almani Moreira, é a presença de Sérgio Conceição que, anos mais tarde, iria mudar a vida do jogador.
Voltemos ao Standard Liège… Seria por este emblema que Dembelé ganharia os troféus mais importantes da sua carreira. Em 2007/08, sob o comando de Michel Preud’Homme, ajudaria à conquista da “Pro League”. Já na temporada seguinte, e com Laszlo Bölöni como treinador, o médio participa na vitória da Supertaça. Curiosamente, a disputa desse último troféu representaria a derradeira partida com as cores do emblema belga. Antes do fecho do “mercado”, o atleta assinaria pelo Maccabi Petah Tikva e mudar-se-ia para Israel.
É no clube israelita, no final da campanha de 2008/09, que decide pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Já em 2010 volta ao Standard, para ocupar a posição de treinador-adjunto. É nesse regresso à Bélgica que reencontra Sérgio Conceição, também ele um dos assistentes de Dominique D’Onofrio. Todavia, com a contratação do ex-atleta português para técnico-principal do Olhanense, o francês decide segui-lo. É partir desse momento que antigo centrocampista passa a ser um dos fiéis escudeiros do internacional “luso”. Desde então, já representou Académica, Sporting de Braga e Nantes, para, no início desta temporada (2017/18), ser apresentado como um dos elementos da equipa técnica do FC Porto.

789 - SONKAYA

Filho de imigrantes turcos a residir na Holanda, seria no país de acolhimento que Fatih Sonkaya começaria a dar os primeiros pontapés na bola. Depois de ter passado por outros emblemas de menor nomeada, o fim do seu percurso formativo far-se-ia no Roda. No mais representativo clube da cidade de Kerkrad, e já após o empréstimo de um ano ao VVV Venlo (1999/00), as suas prestações haveriam de o pôr em plano de destaque. Não só no Campeonato holandês, como também no seu país de origem, as suas qualidades começariam a ser bastante elogiadas. É da Turquia que, no entanto, acabaria por surgir um dos maiores louvores aos seus primeiros anos como profissional. O atleta, a 20 de Abril de 2003, é chamado a representar a selecção nacional, fazendo a estreia num particular frente à República Checa.
Essa primeira internacionalização levaria o defesa, numa história bem curiosa, a disputar um dos grandes certames para selecções. Sendo a França a acolher a edição de 2003 da Taça das Confederações, o lugar para o vencedor do Euro, que pertencia aos gauleses, ficaria em aberto. A preferência recairia na Itália, segunda classificada no referido torneio do “Velho Continente”, que, ainda assim, declinaria o convite. A Alemanha, como finalista vencida do Mundial de 2002, e a Espanha, à altura no segundo posto do “ranking” FIFA, também recusariam participar. Conclusão: a vaga em aberto sobraria para a equipa que tinha ficado em terceiro lugar no último Campeonato do Mundo, ou seja, a Turquia.
Depois dessa participação, e como um dos atletas que, amiúde, era chamado à equipa nacional, o Besiktas, para a temporada de 2004/05, decide avançar para a sua contratação. Contudo, e numa altura em que no emblema turco tinha a concorrência de nomes como o do internacional espanhol Juanfran, as oportunidades conseguidas em Istambul seriam poucas. É então que surge o interesse do FC Porto. À altura orientado por Co Adriaanse, a equipa portuense procurava um substituto que conseguisse colmatar a saída do grego Seitaridis. Uma das escolhas do treinador holandês, conhecedor do seu trabalho, recairia sob Sonkaya. O pior é que o defesa, desde a sua saída do Roda, parecia ter entrado numa espiral descendente e, mais uma vez, não conseguiria agarrar um lugar.
Após o insucesso nessa passagem pelo Estádio do Dragão (2005/06), e depois dos empréstimos à Académica de Coimbra e Roda, a ligação ao emblema “Azul e Branco” conhece o seu fim. Durante algum tempo, nos jornais desportivos nacionais, ainda viria à baila o interesse de diversos emblemas. Tendo sido veiculada a sua ida para os turcos do Bursaspor, como para os alemães do Energie Cottbus, a verdade é que o defesa manter-se-ia desempregado até Janeiro de 2009.
Já última fase do seu percurso profissional, e bem longe do estrelado vaticinado a partir de certa altura, seria feita em cubes mais modestos. Passagens pelo Khazar Lankaran (Azerbaijão) ou pelo Kayseri Erciyesspor (Turquia) serviriam apenas para anunciar um fim de carreira bastante discreto. Essa caminhada acabaria por terminar na República Turca do Chipre do Norte e a envergar as cores do Cetinkaya TSK.

774 - ROGÉRIO

Com especial aptidão para jogar no meio-campo, Rogério emerge das camadas jovens do União de São João com a fama de atleta voluntarioso. Essa característica, lado-a-lado com as suas qualidades técnicas, valer-lhe-iam a transferência para um dos maiores clubes brasileiros. Já no Palmeiras, onde chegaria em 1996 e passado um ano após a promoção ao patamar sénior, algumas coisas iriam alterar-se na sua carreira. Por exemplo, ao ser adaptado a lateral-direito, Rogério passaria a ser visto como um jogador de qualidades polivalentes. Também no que a vitórias diz respeito, a ambição do novo clube permitir-lhe-ia ganhar uma nova aura. Logo na primeira época consegue para o seu currículo o Campeonato Paulista; já em 1998, viriam as conquistas da Copa do Brasil e da Copa Mercosul, para, na temporada seguinte, ajudar a vencer a Libertadores da América.
Ora, o sucesso que alcançaria ao serviço do conjunto de São Paulo, levaria a que fosse chamado à selecção brasileira. Aliás, é já depois de ter conseguido 4 internacionalizações que, em 2000, a sua ida para o Corinthians fica envolta em polémica. Com a troca de clubes, e tendo como justificação a “lei do passe” (algo similar à antiga “lei da opção”, em Portugal), o Palmeiras exige o pagamento de uma elevada maquia. Os argumentos esgrimir-se-iam e o jogador diria que, por parte do seu antigo emblema, nunca houve vontade de prolongar o contrato e que, inclusive, treinava à parte do restante plantel.
O caso arrastar-se-ia durante anos a fio, até que, em 2011, a decisão acabaria por pender a favor do Palmeiras. Claro está que, durante esse longo hiato, o jogador não seria obrigado a interromper a carreira. No Corinthians, onde esteve até 2004, voltaria a engordar o seu palmarés, tendo conquistado mais 2 “estaduais” de São Paulo (2001; 2003) e uma Copa do Brasil (2002). Foi também durante esse período que Rogério passou por Portugal. Em ano e meio de “Leão” ao peito, ainda que longe de anteriores conquistas, o seu percurso haveria de ficar marcado por histórias importantes. A final da Taça UEFA de 2005/06 tornar-se-ia num desses momentos. Estando o referido encontro marcado para o Estádio de Alvalade, o favoritismo dos “Verde e Brancos” era enorme. A probabilidade de uma vitória leonina tornar-se-ia ainda maior quando, com 28 minutos decorridos, Rogério inaugura o marcador. O pior viria na 2ª metade do encontro. Com 3 golos, o CSKA de Moscovo conseguiria inverter o destino do jogo e o Sporting deixaria escapar o título europeu.
Foi em 2006 que o seu regresso ao Brasil aconteceu. Tendo assinado pelo Fluminense, o que restou da carreira de Rogério acabaria por ser vivido em constante corrupio. Já após ter representado mais uns quantos emblemas, o atleta, em 2008, decide pôr termo à sua actividade como futebolista. Contudo, e depois dessa primeira aposentação, o desafio lançado por uma outra estrela do futebol brasileiro fá-lo-ia voltar atrás. Vampeta, que por essa altura já tinha abraçado as funções de treinador, convida-o a jogar pelo seu clube. Essa aparição com as cores do Grêmio Osasco, faria com que o percurso de Rogério ganhasse novo folego, prolongando-se, ainda que pelos escalões inferiores, por mais alguns anos.

734 - NUNO VALENTE

Apesar de reconhecido como um potencial bom jogador, os primeiros passos de Nuno Valente, como recorda Aurélio Pereira, não haveriam de ser fáceis – "Quando estava no seu segundo ano de iniciado, o Nuno Valente foi emprestado ao Vitória da Picheleira. Mais tarde, no seu segundo ano de juvenil, com sensivelmente 15/16 anos, voltou ao Sporting. Quando o vi, nessa época, fiquei admirado com a sua altura. Tinha crescido muito. Deu um grande salto nesse período!"*.
Muito para além da desenvoltura física, a postura de trabalho faria do jovem defesa-esquerdo um exemplo a seguir. Essa entrega mantê-lo-ia, até ao fim da formação, como uma das principais promessas “leoninas”. Todavia, na altura de passar para a equipa principal, a opção encontrada levá-lo-ia para longe de Alvalade. No Portimonense, na temporada de 1993/94, Nuno Valente faria a sua estreia como sénior. Esse ano passado na divisão de Honra acabaria por ser proveitoso, levando a que o seu regresso ao Sporting ficasse garantido.
Estando à frente da equipa alguém que era reconhecido pelo trabalho com jovens, a probabilidade de Nuno Valente ter sucesso era maior. A verdade é que Carlos Queiroz, dando preferência a Paulo Torres e à adaptação de Vujacic ao lado canhoto da defesa, acabaria por não apostar muito no lateral. Mesmo depois da saída do técnico, o seu paradigma manter-se-ia inalterado. Essas duas temporadas, para além da vitória na Taça de Portugal de 1994/95, pouco mais renderia ao atleta do que duas dezenas de partidas disputadas.
É já depois de um novo empréstimo, desta feita ao Marítimo, que Nuno Valente passa as últimas temporadas de “leão ao peito”. Curiosamente, com o terminar da época de 1998/99, e mesmo sem ter jogado muito, a renovação do seu contrato ainda haveria de estar em “cima da mesa”. Contudo, o final das férias revelaria uma realidade bem diferente e, para surpresa do atleta, os dirigentes do Sporting informam-no da sua dispensa.
O União de Leiria é o emblema que se segue. Na “Cidade do Lis”, onde passaria 3 temporadas, Nuno Valente conhece aquele que mudaria a sua vida desportiva. Tendo sido orientado por José Mourinho, é a ida deste último para o FC Porto que faz com que a carreira do defesa sofra novo impulso. Contratado pelo novo treinador dos “Dragões”, as duas primeiras épocas de Nuno Valente revelam-se perfeitas. O FC Porto vence tudo o que tinha para vencer e o jogador, muito para além da sua estreia na principal selecção portuguesa, passa a contar no seu currículo com mais 2 Campeonatos (2002/03; 2003/04), 1 Taça de Portugal (2002/03), 1 Supertaça (2003/04), 1 Taça UEFA (2002/03) e 1 Liga dos Campeões (2003/04).
É já depois da vitória na “Champions”, que Luíz Felipe Scolari o chama a disputar o Euro 2004. Organizado no nosso país, o Europeu de selecções acaba por revelar-se muito positivo para a “Equipa das Quinas”. Com Nuno Valente a disputar 5 das 6 partidas, Portugal até chega à final. Contudo, nesse derradeiro jogo, e com o jogador a ocupar um lugar no “onze inicial”, o conjunto “luso” sede perante a congénere grega, perdendo por 1-0.
Com a partida de José Mourinho para o Chelsea, Nuno Valente começou a perder espaço no FC Porto. Pressionado pelo clube para renegar à equipa nacional, o defesa, contrariando tal indicação, acabaria por ser posto de parte. A solução acabaria por vir de Inglaterra e da “Premier League”. Já no Everton, e como na última época de “azul e branco”, o jogador voltaria a ser assolado por imensas lesões. Ainda assim, o internacional português conseguiria manter-se em Goodison Park durante 3 anos. No final desse período, e aceitando um convite do clube para fazer parte da equipa de “scouts”, Nuno Valente poria um ponto final no seu percurso de futebolista.
Depois dessa primeira experiência, Nuno Valente deixaria a cidade de Liverpool para regressar ao Sporting. Em Alvalade começaria por ser adjunto de Paulo Sérgio. Após a saída deste voltaria a assumir o papel de “olheiro”, cargo que ocupou até 2014/15.


*retirado da entrevista a Aurélio Pereira, por Tiago Silva Pires, em Diário de Noticias (20/06/2006)

675 - MICCOLI

Tendo passado pelas escolas do Milan, seria bem mais perto de casa que Miccoli terminaria a sua formação. No Casarano faria também a transição para os seniores, quando, na temporada de 1996/97, é chamado à estreia na Serie C italiana.
Desde esses primeiros anos, as suas habilidades técnicas fá-lo-iam destacar-se dos demais companheiros de equipa. Rápido e com um drible estonteante, a sua principal virtude, todavia, prendia-se com a maneira como sabia ler o jogo. Essa sua visão, aliada a uma qualidade de passe superior, fazia com que o avançado facilmente conseguisse desmarcar os seus colegas. E nisto de ataques, o entendimento que tinha sobre as manobras tácticas, permitiam que Miccoli, vezes sem conta, aparecesse em frente ao guardião contrário e, também ele, concretizasse algumas dessas ofensivas.
O passo seguinte na sua carreira, seria decisivo para aumentar a sua visibilidade. No Ternana e já disputar a Serie B, tudo o que nele era bom pareceu desenvolver-se ainda mais. Essas 4 épocas entre 1998 e 2002, torná-lo-iam num dos grandes fenómenos do “Calcio”. A atenção que, por essa altura, já merecia, levaria a que muitos, inclusive a imprensa, o comparassem a estrelas como Del Piero.
Após os merecidos elogios, o momento em que todo esse louvor se materializou, chegaria com a aposta da Juventus. No entanto, e apesar de contratado pela “Vecchia Signora”, a presença de inúmeros craques na equipa de Turim, fez com que o avançado, logo nessa temporada de 2002/03, fosse cedido ao Perugia. Curiosamente, mesmo afastado das grandes contendas, o seu nome começou a ser cogitado para representar a selecção principal de Itália. A sua primeira chamada à “Squadra Azzurra” aconteceria na mesma partida em que se estrearia um dos nomes mais importantes do futebol português dos últimos anos. Agendado para Génova, esse Itália x Portugal de Fevereiro de 2003, serviria, não só à estreia de Fabrizio Miccoli com a “camisola azul”, mas, igualmente, ao arranque da era Luiz Felipe Scolari.
A ligação do “Pequeno Bombardeiro”, alcunha que ganharia no decorrer da sua carreira, com o nosso país, não ficaria por aqui. Já depois de um regresso, pouco conseguido, à Juventus (2003/04) e de uma passagem pela Fiorentina (2004/05), o avançado seria emprestado ao Benfica. Na “Luz”, mesmo tendo passado por algumas lesões no primeiro ano, a empatia que criou com os adeptos, rapidamente o levariam a tornar-se num dos seus favoritos.
Foram 2 anos em que a magia dos seus passes e a alegria dos seus golos, contagiariam todos aqueles que acompanhavam o futebol das “Águias”. Para o jogador, como o próprio não se cansa de referir, a passagem por Lisboa, tanto em vivências pessoais, como desportivamente, seria extraordinária – “Sem sombra de dúvida que foi a experiência mais bonita da minha carreira, porque me tornei parte de um clube único. Éramos seguidos por adeptos de toda a parte do Mundo e Lisboa é uma cidade fantástica (…).Os melhores momentos da carreira são a estreia pela seleção italiana e o golo [“Champions” 2005/06] em Anfield diante do Liverpool, pelo Benfica”*.
As suas prestações no Campeonato Nacional, mas principalmente a presença na Liga dos Campeões, fariam com que de Itália o voltassem a chamar. Com o Benfica a tentar novo acordo com a Juventus, mas com o clube transalpino a tentar vender o seu “passe”, o destino acabaria por levá-lo até à Sicília. No Palermo passaria os 6 anos seguintes. Durante esse período, a sua paixão pelo jogo, mais uma vez, avassalaria as bancadas. O carinho que tinha dos adeptos e o respeito que a sua entrega conquistaria no balneário, levá-lo-iam a envergar a braçadeira de “capitão”. Por outro lado, os golos marcados, torná-lo-iam no melhor goleador de sempre do clube.
Mesmo amado por todos os adeptos, a sua saída do clube não deixaria de estar envolta em polémica. Tendo sido fotografado ao lado de um dos filhos de um dos líderes da Máfia siciliana, o nome do jogador acabaria por ficar manchado. Tendo sido aconselhado a deixar a região, especulou-se que o futuro do jogar passaria pela Austrália. Mesmo tendo havido um convite por parte dos Melbourne Victory, a escolha de Miccoli passaria por ficar em Itália e no clube do seu coração!
De volta à Serie C, desta feita com as cores do Lecce, o atacante começaria a preparar-se para a despedida. O fim da sua carreira, surpreendentemente, aconteceria em Malta. No Birkirkara, ajudaria a uma campanha europeia bem espantosa. Com um golo do italiano, os malteses conseguiriam, num desafio internacional, a sua primeira vitória forasteira. Esse jogo selaria a passagem à eliminatória seguinte, onde acabariam por defrontar o West Ham.


*retirado de artigo em www.maisfutebol.iol.pt, a 1 de Maio de 2015

673 - SEEDORF

Numa carreira imortalizada por enormes sucessos, o primeiro grande momento chegaria ainda Seedorf era um adolescente. Com 16 anos e 242 dias, o jovem atleta é chamado, pela primeira vez, à equipa principal do Ajax. Esse facto, por si só, já seria merecedor de destaque. No entanto, o registo, muito mais do que uma marca pessoal, tornar-se-ia num recorde para o próprio clube.
Após a estreia, pouco mais demoraria para que o médio iniciasse o assalto ao “onze” titular. É certo que nessa caminhada, progressiva, o jogador ainda demoraria algum tempo a atingir a sua meta. Ainda assim, a importância do médio para as manobras desenhadas pelo treinador, ia aumentando a cada jogo. Na segunda época com os seniores (1993/94), Seedorf era já um dos nomes habituais nas convocatórias de Louis van Gaal. Ao terceiro ano, merecidamente, o médio veria o seu objectivo cumprido e ganha um lugar no alinhamento inicial.
A época em que vinca o seu nome como titular, acabaria por ser aquela que também o catapultaria para as manchetes de todos jornais. Tendo já, por essa altura, vencido 1 Taça (1992/93), 1 Supertaça (1993/94) e 1 Campeonato holandês (1993/94), a temporada de 1994/95 traria uma mão-cheia de sucessos ao currículo de Seedorf. Para começar, a primeira chamada à principal selecção holandesa; depois, a reconquista do título de campeão nacional; por fim, o mais desejado de todos os troféus… a Liga dos Campeões.
Tendo vencido aquela que é a principal prova de clubes e, ainda por cima, numa equipa composta maioritariamente por jovens, Seedorf começa a despertar o interesse de outros clubes. A mudança aconteceria logo nesse defeso e o médio transferir-se-ia para o “Calcio”. Todavia, a passagem pela Sampdoria serviria apenas de interlúdio para mais uma série de conquistas. Batalhador, com uma resistência e poderio físico impressionantes, mas capaz de tratar a bola com delicadeza, Seedorf, após um ano em Itália, assina contrato com o Real Madrid. Nos “Merengues”, ao lado do argentino Redondo, compõe a dupla do meio-campo. Mesmo estando ao lado de um dos grandes centrocampistas da altura, o jovem jogador não se deixaria intimidar. Participaria em quase todas as partidas e amealharia uma boa lista de títulos.
Um Campeonato e uma Supertaça, um pouco à imagem do que já tinha acontecido no Ajax, serviriam de “entrada” para outras conquistas. Com Jupp Heynckes ao leme, a equipa “blanca” chega a mais uma final europeia. No Amesterdam Arena, um bom rol de craques alinha-se para a disputa da Liga dos Campeões de 1997/98. O Real Madrid enfrenta a Juventus de Zidadne, Deschamps e Del Piero. No entanto, a constelação de estrelas vinda de Espanha seria mais forte. Venceria por 1-0 e Seedorf, dínamo dessa mesma equipa, arrecadaria a segunda “Champions League”
A entrada de Guus Hiddink para treinador do Real Madrid, iria, subtilmente, alterar o seu paradigma no seio da equipa. Segundo constaria, as relações entre o médio e o técnico não eram as mais saudáveis e Seedorf começa a perder alguma importância. Ainda assim, esses desentendimentos só começariam a ser mais notados na temporada de 1999/00. É por essa altura que surgem os rumores de uma possível transferência, com o futebol italiano a surgir como principal destino.
A mudança concretizar-se-ia pouco tempo depois e na segunda metade da referida temporada, Seedorf iria representar o Inter. Depois de, ainda na fase de grupos, ter dado a sua contribuição para que o Real Madrid voltasse a vencer mais uma Liga dos Campeões, a nova aposta num emblema italiano acabaria por não trazer os resultados esperados. Sem qualquer título a colorir um trajecto bem brilhante, o holandês passaria duas temporadas e meia, um tanto ou quanto, discretas.
Tendo trocado o Inter pelo rival Milan, o percurso de Seedorf entra, mais uma vez, numa fase bastante prolífera. Os 10 anos passados com os “Rossonero”, acabariam por tornar o centrocampista num dos ídolos da massa adepta. Esse carinho, bem justificado pela constância exibicional que o atleta demonstraria ao longo dessa década, valer-lhe-ia a entrada para o “Hall of Fame” do emblema milanês. E por falar em distinções, então que dizer da lista de vitórias? No domínio interno: 2 “Scudettos”, 1 Taça e 1 Supertaça de Itália. Já no panorama internacional, 2 Supertaças europeias, 1 Mundial de Clubes e 2 Liga dos Campeões sublinhariam, categoricamente, o estatuto de um dos melhores médios na história do futebol.
Surpreendentemente, e numa altura em que já se falava na sua “reforma”, Seedorf decide continuar a sua carreira no Brasil. Ao serviço do Botafogo, continua a mostrar as qualidade que sempre o caracterizaram. Com uma capacidade de passe e uma leitura de jogo soberbas, o atleta ajudaria o clube à conquista do Campeonato Carioca de 2013. Depois, veio o “pendurar das chuteiras” para, em 2014, num regresso ao Milan, dar os primeiros passos nas “artes” de treinador.
Finda uma carreira que, na sua longevidade, só teve comparação com a quantidade de sucessos conseguidos, ao jogador ficaria um pequeno “amargo de boca”. Apesar de ter participado em 3 Europeus e 3 Mundiais, Seedorf acabaria por nunca vencer nada ao serviço da selecção holandesa.

651 - VAN DER SAR

Tendo começado numa posição de campo, a lesão de um dos seus colegas de equipa fez com o seu treinador o testasse a guarda-redes. É fácil adivinhar que a experiência foi bem sucedida e, desde esse momento, o miúdo Edwin van der Sar nunca mais abandonaria a defesa da baliza.
Já depois de ter terminado a sua formação, é no mesmo VV Noordwijk que faz a estreia pelos seniores. Mesmo a militar nas divisões inferiores do campeonato holandês, as exibições de van der Sar acabariam por fazer eco um pouco mais acima. Louis van Gaal, por essa altura adjunto de Leo Beenhakker, decide apurar a veracidade desses rumores. Impressionado com as qualidades do guardião, o técnico trataria da transferência e o atleta muda-se para o Ajax.
Na equipa de Amesterdão, nessa temporada de 1990/91, van der Sar começaria por ocupar o lugar de suplente. Tapado pelo internacional Stanley Menzo, o jovem ia aproveitando as oportunidades que lhe eram dadas. Pacientemente, o guarda-redes ia aguardando. Esperaria cerca de duas épocas e meia, até que, finalmente, o seu estatuto no seio do plantel sofre a merecida alteração.
A longa espera acabaria por trazer os seus frutos. Com a temporada de 1992/93 a decorrer, van der Sar consegue atingir a titularidade. Esse ano, ele que já fazia parte do grupo aquando da vitória na Taça UEFA de 1991/92, traria ao seu currículo o primeiro título doméstico. Depois dessa Taça da Holanda, seguir-se-iam um rol enorme de conquistas. Por entre 4 Campeonatos e mais 3 Taças, o destaque, como é lógico, terá de ir para a conquista da Liga dos Campeões de 1994/95.
Com um grupo recheado de jovens valores – Overmars; Frank de Boer; Ronald de Boer; Kanu; Davids; Kluivert; Litmanen – e capitaneado pelo veterano Frank Rijkaard, o Ajax, nessa que é a grande montra do futebol europeu, estaria imparável. Nem Bayern de Munique, eliminado nas meias-finais, nem o AC Milan, derrotado na derradeira partida, fariam frente a tamanha força. Um dos grandes responsáveis por tal caminhada, seria van der Sar, que, eleito pela UEFA, acabaria a época como o “ Melhor Guarda-Redes da Europa”.
A segurança que mostrava fora dos postes, tal como as felinas defesas que fazia entre estes, só tinham equiparação com a sua inteligência. Dotado de uma técnica invulgar para alguém da sua posição, van der Sar, por inúmeras vezes, chamava a si a responsabilidade de começar as jogadas de ataque. Todas essas qualidades individuais, a juntar aos títulos colectivos que foi coleccionando com as cores do Ajax, levariam a que Juventus fizesse uma proposta pelos seus préstimos. Consumado o acordo, a transferência para a equipa que, anos antes (1995/96), havia roubado ao jogador a sua segunda “Champions”, ocorreria no Verão de 1999.
Apesar da titularidade, e com excepção para a Taça Intertoto vencida no ano de estreia, a passagem de van der Sar pelo “Calcio” seria pobre em termos de êxitos. Esse factor, aliado à contratação de Buffon, levaria a que o guardião deixasse a “Vecchia Signora”, dois anos após a sua chegada.
Surpreendentemente, e sendo ele um dos melhores a nível mundial, o emblema que se seguiria, acabaria por ser o Fulham. A, longa demais, passagem pelos londrinos, poderia bem ser caracterizada como uma espécie de interlúdio. Essas 4 temporadas com o emblema de Craven Cottage, serviriam, apenas, para fazer ver a Sir Alex Ferguson que ali estava um bom elemento para juntar ao seu balneário. A valorização que o futebolista traria ao grupo de trabalho do Manchester United, acabaria por ficar bem evidente. O resultado dessa união, seria a adição de uma série de troféus, tanto à carreira do jogador, como às vitrinas do clube.
Tendo conseguindo ganhar por 4 vezes a “Premier League”, e a essas vitórias, entre outros sucessos, juntar nova conquista na Liga dos Campeões (2007/08), à carreira de van der Sar só faltou um título com a camisola do seu país. No entanto, mesmo sem vencer um Europeu ou Mundial de selecções, pela equipa nacional holandesa, o atleta conseguiria ultrapassar inúmeras metas. Nesse sentido, o guarda-redes é o futebolista com mais internacionalizações pela Holanda. Já no que diz respeito a fases finais, van der Sar marcaria presença nos Mundiais de 1994 e 1998, para nos Europeus fazer parte dos convocados em 1996, 2000, 2002 e 2004. Como curiosidade, esses 4 Campeonatos da Europa, fariam de van der Sar, a par do espanhol Iker Casillas, o guardião com mais jogos (9) sem sofrer qualquer golo.
Após ter encetado a sua “reforma” no final da temporada de 2010/11, eis que, já no decorrer da actual época (2015/16), algo mudaria na vida do antigo atleta. Com o seu primeiro clube, o VV Noordwijk, a sofrer uma onda de lesões, o convite do Presidente fá-lo-ia retirar as luvas da gaveta!!! Por um jogo apenas, van der Sar voltaria aos relvados. Essa partida frente ao Jodan Boys, acabaria num empate. Ainda assim, o guarda-redes teria oportunidade de brilhar, defendendo uma grande penalidade.

650 - KARAGOUNIS

Tendo feito e terminado a sua formação como jogador do Panathinaikos, Karagounis, na transição para o nível sénior, acabaria por ser cedido ao Apollon Smyrnis. Seria durante o período de empréstimo, que o atleta, na ainda curta carreira, mereceria o primeiro grande destaque. Convocado para o Europeu S-21 de 1998, o médio, ao capitanear e participar em todas as partidas da sua selecção, ajudaria a Grécia a conseguir a medalha de prata.
O regresso ao Panathinaikos na época de 1998/99, dar-se-ia dois anos após a sua partida. Médio ofensivo que, apesar de todas as qualidades como pensador de jogo, era incapaz de virar as costas a uma disputa de bola, rapidamente começaria a ganhar lugar no plantel dos atenienses. Contudo, e apesar de estar inserido numa equipa que lutava pelos lugares cimeiros das competições internas, os títulos, com os rivais do Olympiacos a tomarem a dianteira, teimavam em não aparecer. Apesar desta escassez, as participações nas competições europeias, com enfase para a Liga dos Campeões, seriam suficientes para que Karagounis começasse a merecer todo o tipo de elogios. É nesse evoluir, que da Serie A italiana começam a aparecer os primeiros interessados no seu concurso. Quem haveria de tomar a dianteira, materializando esse interesse na forma de contrato, acabariam por ser os milaneses do Inter.
A sua estreia no “Calcio” acabaria por não trazer tão bons resultados, quanto o projectado. Ainda assim, e apesar de não conseguir a sempre almejada titularidade, Karagounis terminaria essa temporada de 2003/04, com um dos maiores sucessos da sua carreira. Com a principal selecção grega, ele que que tinha conseguido a primeira internacionalização em 1999, haveria de viajar para Portugal. No Euro 2004, logo no jogo de abertura, e ao marcar o golo que derrotaria a nossa selecção, dá o primeiro passo para algo inédito. Já na derradeira partida do torneio, mais uma vez frente à “Equipa das Quinas”, Karagounis, por estar castigado, haveria de estar ausente. Contudo, seria testemunha da maior proeza do futebol helénico e gravaria o seu nome no rol de campeões do Europeu de futebol.
A vitória pela Grécia acabaria por dar novo alento ao seu rumo no clube. No entanto, a temporada que se seguiria em pouco, ou nada, seria diferente da anterior e, no final da mesma Karagounis deixaria o Internazionale.
É já com a Taça de Itália na bagagem, que o médio chega ao Benfica. Nas 2 épocas que passaria de “Águia” ao peito, Karagounis volta a desempenhar um papel importante. Tanto nas provas nacionais, mas principalmente nas competições da UEFA, a dinâmica que traria à equipa, ajudaria os “Encarnados” à chegar a patamares bem altos.
Mesmo como um dos mais bem cotados no plantel do Benfica, Karagounis, no Verão de 2007, toma a decisão de voltar à Grécia. Nesta segunda passagem pelo plantel principal do Panathinaikos, o médio, finalmente, conseguiria os títulos que tanto perseguia. O Campeonato de 2009/10 e a Taça conquistada no decorrer dessa mesma temporada, acabariam por engrossar o currículo do grego.
Apesar de passagens bem sucedidas em termos clubísticos, o grande destaque na carreira de Karagounis, até pelo que já acima foi referido, acabariam por ser os momentos vividos com a equipa nacional. Com participações nos Europeus de 2004, 2008 e 2012, o centrocampista quebraria um curioso recorde. As 8 admoestações conseguidas durante essas três participações, fazem dele o futebolista com mais cartões em fases finais!!!
O ano de 2014, numa altura em que alinhava pelo Fulham, marcaria o fim da sua carreira desportiva. Convocado por Fernando Santos, que já tinha sido seu treinador no Panathinaikos e no Benfica, Karagounis faria o último jogo da sua carreira no Mundial organizado pelo Brasil. Depois disso, aceitaria o convite da Federação do seu país e assumiria o cargo de Director para o futebol.