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1713 - CAVUNGI

 
Manuel Francisco Salvador, popularizado no mundo do futebol por Cavungi, teria no Benfica os últimos anos de formação. Aliás, seria no derradeiro ano como júnior das “Águias” que o atacante, fruto das habilidades reveladas dentro de campo, acabaria chamado aos jovens conjuntos sob a batuta da Federação Portuguesa de Futebol. Integrado nos trabalhos dos actualmente designados por sub-18, o extremo estrear-se-ia com a “camisola das quinas” a 10 de Dezembro de 1974. Essa partida frente à Finlândia, onde o 4-1 final contaria com dois golos seus e dois de Chalana, daria início a uma caminhada a levá-lo a outros desafios. No referido percurso, o jogador teria a oportunidade participar em certames como o Torneio de Cannes e acumularia, sem sair do escalão acima mencionado, um total de 8 internacionalizações com as cores lusas.
No que respeita ao percurso clubístico, seria pela mão de Mário Wilson que o atacante, no decorrer da temporada de 1975/76, viria a aparecer, pela primeira vez, na equipa principal. No entanto, com o sector ofensivo dos “Encarnados” povoado por elementos como Nené, Moinhos, o já mencionado Chalana, Jordão, Vítor Batista, Nelinho, entre outros, a verdade é que as oportunidades não seriam muitas. Também nas campanhas seguintes, Cavungi veria a escolha dos treinadores recair sobre outros intérpretes. A excepção a esse ocaso emergiria na época de 1977/78, durante a qual, chamado por John Mortimore, apareceria amiúde nas pelejas calendarizadas para as “Águias”.
Mesmo nunca tendo conseguido afirmar-se como um elemento indiscutível nos alinhamentos do “Glorioso”, o extremo, ainda assim, viria a participar em momentos inolvidáveis para o Benfica. Para além da conquista de vários títulos, para o caso 2 Campeonatos Nacionais e 1 Taça de Portugal, o atacante participaria noutro capítulo que acabaria inscrito nos anais do futebol português. A história, ocorrida no Benfica – Sporting de 1977/78, ficaria conhecida pelo desaparecimento do brinco de Vítor Batista. O que poucos sabem é da intervenção directa de Cavungi no episódio. Primeiro, seria do atacante o centro que daria o passe para o golo. Depois, já no rescaldo da ronda a contar para a 1ª divisão portuguesa, viria a revelação do dono da jóia, a revelar que a peça de joalharia teria saltado da sua orelha na sequência do abraço recebido pelo homem que, instantes antes, havia efectuado a assistência para o seu remate certeiro!
Para além desta curiosidade, como revelado nos parágrafos precedentes, Cavungi nunca haveria de conquistar um lugar no “onze” do Benfica. Tal facto levaria a que o avançado fosse, na temporada de 1980/81, emprestado ao Sporting de Braga. Os desempenhos conseguidos ao serviço da agremiação minhota justificariam o seu regresso à Luz. Todavia, de novo a envergar o “manto sagrado”, o atacante voltaria a claudicar. Seguir-se-ia, naquela que viria a tornar-se na única época do conjunto sediado na Região do Oeste entre os “grandes”, a campanha de 1982/83 cumprida no Ginásio de Alcobaça. O pior é que, com a descida da equipa por si representada, o atleta jamais retornaria ao patamar máximo do futebol luso. De seguida emergiria, na caminhada do extremo, o Leixões de 1984/85 e num trecho competitivo caracterizado pela errância, o Cova da Piedade, o CD Luso, o Almancilense, o Estrela de Vendas Novas e o “pendurar das chuteiras” com o termo das provas agendadas para 1989/90.

1504 - CELSO PITA


Ao terminar o percurso formativo ao serviço do Boavista, seria também no Bessa que Celso Pita, na temporada de 1972/73, faria a estreia no Campeonato Nacional da 1ª divisão. Porém, mesmo tido como uma das boa promessas saída das “escolas” do emblema sediado na “Cidade Invicta”, o jovem jogador, nas escolhas do treinador brasileiro Aimoré Moreira, ver-se-ia ultrapassado por outros colegas, casos de Moura e de Salvador. No ano seguinte, a mesma sorte acabaria por não trazer ao seu percurso grandes oportunidades e, sem conseguir conquistar um lugar no sector mais ofensivo das “Panteras”, o ponta-de-lança ver-se-ia empurrado para a cedência a outras colectividades.
O primeiro dos empréstimos na carreira do avançado levá-lo-ia até ao plantel de 1974/75 do Varzim. Ao trabalhar com Joaquim Meirim, treinador que havia passado pelo comando da equipa principal do Boavista nos tempos de júnior de Celso Pita, o jogador utilizaria o segundo patamar do futebol português para ganhar maior traquejo. Nessa senda, a época seguinte, ainda a título de cedência e mantendo-se o atleta na 2ª divisão, seria disputada com as cores do Salgueiros. A campanha passada em Paranhos, onde voltaria a ser orientado pelo técnico aludido no começo deste parágrafo, serviria, de vez, para justificar o retorno do atacante aos “Axadrezados” e, por conseguinte, cimentar a sua afirmação como um intérprete de qualidade superior.
De volta ao Boavista e aos palcos primodivisionários, a época de 1976/77 seria de enorme valorização para Celso Pita. Ajudado pelos resultados colectivos das “Panteras”, o ponta-de-lança, como o melhor marcador do grupo de trabalho sob a alçada de Mário Wilson, destacar-se-ia do restante plantel. Tanto nas provas de índole continental, onde entraria em campo em todas as partidas disputadas pelo seu clube na Taça dos Vencedores das Taças, ou nas competições internas, nas quais os golos por si concretizados ajudariam o emblema portuense a finalizar a temporada na 4ª posição da tabela classificativa do Campeonato Nacional, o atleta seria alvo dos mais rasgados elogios.
Tão boas aferições, onde o potente remate e a boa condução da bola eram as suas melhores valências, fariam com que emblemas de outra monta começassem a olhar para si como um potencial reforço. Quem decidiria apostar na sua contratação acabaria por ser o Benfica. A mudança para a Luz na campanha de 1977/78, levaria o avançado a enfrentar uma forte concorrência, nomeadamente de Nené e também de Vítor Baptista. Ainda assim, Celso Pita, que muito mais do que a exclusividade numa posição central, também revelaria habilidade para jogar a extremo, seria muitas vezes chamado a entrar em campo pelo inglês John Mortimore. Mormente como suplente utilizado, os números alcançados pelo atleta agoirariam um futuro próspero. No entanto, o infortúnio de um grave acidente, a 20 de Julho de 1978, mudar-lhe-ia radicalmente o rumo da vida. Ao conduzir o seu veículo em direcção a Lisboa, um furo num dos pneus obrigá-lo-ia a parar na berma da auto-estrada. Depois de sair do carro com o intuito de reparar o dano, outro automobilista, ao volante de uma camioneta, colheria o jogador, deixando-o à beira da morte. Celso Pita sobreviveria. Contudo, as enfermidades deixadas pelo terrível desastre, nomeadamente as mazelas do foro neurológico, obrigá-lo-iam a abandonar a carreira de futebolista.