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507 - CÉSAR BRITO


Foi em plena Serra da Estrela que o avançado, nascido e criado na Beira Baixa, se destacou. Depois de ajudar o Sporting da Covilhã a regressar à Primeira Divisão, numa altura em que os "grandes" ainda olhavam para o mercado interno, viu o Benfica interessar-se pelo seu concurso. Os golos que até então marcara, foram suficientes para convencer os responsáveis da "Luz" na sua contratação, corria o Verão de 1985. Contudo, na sua chegada ao Benfica, e num plantel recheado de estrelas, César Brito haveria de ter algumas dificuldades em impor-se. Duas temporadas depois e com poucas partidas jogadas, o empréstimo aconteceu. No Portimonense, o atacante voltou a mostrar a sua habilidade. Boa utilização, golos, e, principalmente, as 4 chamadas à Selecção Nacional, fizeram com o Benfica o resgatasse dessa passagem pelo Algarve.
De volta a Lisboa, a importância do atacante no seio do plantel "Encarnado" começou a melhorar. No entanto, engane-se quem pensou que o regresso de César Brito era sinónimo de titularidade garantida. Numa equipa onde Magnusson era "rei e senhor", e onde outros nomes, como os de Vata ou Lima, também tinham o seu peso, o avançado nem sempre era a primeira escolha. Aliás, a "segunda linha" seria uma (quase) constante na sua carreira. Mas apesar disto, a qualidade de César Brito era indiscutível. Por essa razão, ano após ano, ao contrário de tantos outros que iam saindo, o seu lugar na equipa estava garantido.
Claro que nenhum jogador gosta de ser suplente. Agora, o engraçado, é que seria esse estatuto que viria a tornar César Brito numa das lendas benfiquistas. A história conta-se depressa e o tal episódio, esse que o tornaria inesquecível, passar-se-ia no antigo Estádio das Antas!!! Ainda não se lembra???!!! Então, vamos recordá-lo... Na jornada 34 o Benfica visitava o FC Porto. Os dois emblemas, com as Águias na dianteira, estavam apenas separados por um ponto. A deslocação à "Invicta" adivinhava-se difícil. Agora, o que ninguém estaria à espera foi o que realmente aconteceu! Depois de terem encontrado o balneário cheio de bagaço, de se terem equipado nos corredores e de terem "visto" os seus dirigentes, por parte de um tal "Guarda Abel", ameaçados de morte, os jogadores do Benfica entraram em campo. Aos 81 minutos de jogo, o zero a zero inicial mantinha-se. É então que, num último folego, Sven-Göran Eriksson faz sair do "banco" a derradeira substituição. Entra César Brito e, segundos depois, marca golo! Não satisfeito com o que se tinha passado, volvidos que estavam 4 minutos, o avançado, com mais um tento dá a estocada final no adversário - "Foi um dia feliz para mim. São momentos que marcam a carreira de qualquer futebolista. Ainda hoje, as pessoas recordam-se desse dia e ainda falam do jogo quando se cruzam comigo na rua"*.
Esse título conquistado pelo Benfica (1990/91), é um dos 4 Campeonatos que fazem parte do currículo do atleta. O último, vencido em 1993/94, marcaria uma revolução no clube. A saída de Toni e a entrada, na temporada seguinte, de Artur Jorge seria sinónimo de muitas dispensas. César Brito ainda se aguentaria mais uma época, mas no rescaldo de 1994/95, a porta de saída abrir-se-ia para o avançado.
Por vezes, um capítulo menos bom dá jus a uma nova chance. Foi isso mesmo que aconteceu a César Brito, aquando da sua contratação pelo Belenenses. A ida para os do Restelo, haveria de mostrar um jogador de qualidades e vontade intacta. Depois de uma temporada de bom nível, e com a partida de João Alves para Salamanca, a oportunidade de jogar no estrangeiro surgiu. Seguiu com o treinador para Espanha e aí, já com 32 anos feitos, fez uma das melhores campanhas da sua carreira.
Os últimos passos da sua vida como profissional, depois de uma temporada no principal escalão da "La Liga" e de mais uma ao serviço do Merida, seriam marcados por algumas lesões. No entanto, ainda havia algo a cumprir. E isso era terminar no emblema que o tinha mostrado ao "mundo" do futebol. E foi isso que aconteceu em 1999/00, com as cores do Sporting da Covilhã.

* de "101 Cromos da Bola", Rui Miguel Tovar

409 - TAIRA


Depois de, na 2ª divisão, passar duas temporadas ao serviço do Montijo, para José Taira seria a vez de retornar à casa onde tinha terminado a formação. Integrado no Belenenses de 1989/90, o atleta viria a estrear-se no escalão máximo do futebol luso. No entanto, num plantel que havia recuperado o estatuto “europeu”, o jovem jogador poucas oportunidades conseguiria conquistar. Aliás, o “trinco” apenas viria a assumir um papel de relevância no seio da equipa do Restelo, duas épocas após a chegada ao plantel principal e apenas com o emblema na disputa da divisão de Honra.
A partir dessa campanha de 1991/92, o seu modo cerebral e elegante de encarar o jogo, sem, contudo, perder o toque físico e aguerrido, faria com que Taira fosse tido como uma das peças fundamentais de toda a movimentação, defensiva e atacante, do Belenenses. Como um verdadeiro pêndulo, os anos cumpridos com a “Cruz de Cristo” ao peito levá-lo-iam a ser aclamado como um dos melhores, na sua posição, a actuar em Portugal. Já depois de uma modesta passagem pelo plantel de 1994/95 do Estrela da Amadora e do regresso ao Restelo, as boas avaliações, com João Alves a assumir o comando técnico do Salamanca, levariam o médio-defensivo, acompanhado de outros atletas dos “Azuis”, casos de Ivkovic, Giovanella, Catanha e César Brito, a ser apresentado como reforço de 1996/97 do referido emblema espanhol.
Ao aceitar o desafio de disputar o segundo escalão de “nuestos hermanos”, Taira passaria a fazer parte, com o brasileiro Giovanella, de uma das duplas de meio-campo mais aclamadas na história da agremiação espanhola. A mudança para o Salamanca, à falta de melhores oportunidades em Portugal, daria ao “trinco” a chance de progredir na carreira como futebolista. A principal prova desse crescimento emergiria com a estreia com a “camisola das quinas” e o jogo frente à Albânia, disputado a 9 de Outubro de 1996, partida a contar para a Fase de Qualificação do Mundial de 1998, daria ao atleta 1 internacionalização por Portugal.
Outra das coisas que Taira conquistaria na sua passagem por Espanha, seria a admiração de outras equipas. Transferido para o Sevilla na campanha de 2000/01, o médio entraria para a nova colectividade com os andaluzes numa fase menos boa. Porém, a disputar o escalão secundário, o jogador tornar-se-ia num dos pilares da subida e do regresso dos “Rojiblancos” ao patamar maior da “La Liga”. Já de volta ao convívio com os “grandes”, o atleta acabaria por perder a preponderância da época transacta e tal facto acabaria por alimentar o seu retorno a Portugal.
Os derradeiros anos da carreira vivê-los-ia, primeiro ao serviço do plantel de 2002/03 do Farense, para, com a camisola do Oriental e com o termo da campanha de 2003/04, pôr um fim à caminhada como futebolista. Após "pendurar das chuteiras", Taira, sem deixar a modalidade, passaria a abraçar outros papéis. Se por um lado a sua carreira de treinador tem sido feita nos escalões de formação, nomeadamente nas “escolas” do Sporting, por outro, o antigo internacional não tem enjeitado a oportunidade de dar uma "perninha" como comentador, papel no qual já o vimos nos ecrãs d’ A Bola TV e da CMTV.

301 - ROBAINA


Com carreira em todos os escalões da selecção “Roja”, pela qual chegou a vencer a edição de 1991 do Campeonato da Europa de sub-16 e, no mesmo ano, a ser finalista vencido no Mundial de sub-17, Robaina transformou-se num dos jogadores que, na sua geração, mais alimentou as esperanças do futebol espanhol. O salto que deu do Las Palmas, emblema pelo qual fez toda a formação, para o outro clube das Ilhas Canárias, o Tenerife, até chegou a apontá-lo no caminho do sucesso. No entanto, o extremo-esquerdo, tirando a época de estreia na nova colectividade, em que, sob a alçada de Jupp Heynckes, participou em muitas partidas na edição de 1995/96 da “La Liga”, acabou por ser tido, quase sempre, como uma segunda opção para o alinhamento inicial.
Quatro temporadas volvidas, depois de, por empréstimo, ainda ter voltado a representar o Las Palmas, o atleta acabou por ser também cedido ao Sporting. Em Alvalade para a campanha de 1999/00 e com a ideia de relançar a carreira, as poucas oportunidades conseguidas logo deram a entender o contrário. Pouco convencidos do valor do espanhol, tanto Giuseppe Materazzi, como Augusto Inácio, raras foram as vezes que convocaram o atacante para dentro de campo. Ainda assim, as 3 partidas em que foi chamado a ajudar os colegas, nas quais somou qualquer coisa como uns surpreendentes 10 minutos, serviram para que Robaina também tivesse o direito de exibir a faixa de Campeão Nacional da já referida temporada.
Daí em diante, a vida do extremo nos estádios de futebol, que ainda durou mais uns 8 anos, apenas levou o avançado a campos dos escalões secundários de Espanha. Com passagens por Universidad de Las Palmas, AD Ceuta, Pájara e por mais uns quantos emblemas de igual calibre, a carreira de Robaina teve, em 2008, um final discreto, com o jogador a quedar-se pela 3ª divisão e com as cores do Villa Santa Brígida.

17 - GIOVANELLA

Quando em 93/94 chegou do Internacional PA, os mais cépticos devem ter dito que seria mais um que não ficaria para a história. Foi quase assim!
Passaram-se três épocas, entre Estoril Praia, Tirsense e Belenenses, e o médio nunca passou de uma boa revelação. Talvez tivesse continuado assim, se, mais uma vez, João Alves não teimasse em que este brasileiro haveria de chegar a craque. Teve, para isso, que levá-lo consigo para Salamanca. Aí sim, Giovanella provou que o seu nome conseguiria o lugar de "trinco" em qualquer um dos planteis portugueses. As três épocas seguintes, bastaram para que se confirmasse a sua qualidade e para que o Celta de Vigo encontrasse nele jogador suficiente para o manter durante 7 anos nas suas fileiras.
Teve, claro, algumas falhas durante a sua carreira. Em primeiro, e uma das maiores, foi ter acusado positivo num teste anti-dopping. O resultado foi uma suspensão de 2 anos, os últimos passados no clube galego. A outra, não tão grave, foi nunca ter representado a sua selecção.
Após um ano no modesto Coruxo (3ª divisão espanhola), voltou para o seu primeiro clube, o Lajeadense, mas, desta vez, como director.