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1120 - HUGO VIANA

Destacar-se-ia nas camadas de formação do Gil Vicente, para, ainda nos primeiros passos de aprendizagem, ser contratado pelo Sporting. Já como aluno da “escola” leonina, Hugo Viana começaria a ser chamado às jovens selecções portuguesas. Com as cores nacionais, pelas quais, nos diversos patamares, atingiria mais de 90 internacionalizações, o médio ajudaria a vencer a edição de 2000 do Europeu sub-16.
Ao mostrar-se como um praticante de fino recorte técnico, a sua ascensão no emblema lisboeta depressa haveria de apontá-lo como um dos mais brilhantes intérpretes do futebol “verde e branco”. Na temporada de 2000/01, ainda em idade júnior, faria a sua estreia pela equipa “b”. Já na época seguinte, poucos seriam os jogos disputados na segunda equipa do Sporting, pois o técnico Laszlo Bölöni depressa veria no centrocampista qualidade suficiente para acrescentar valor ao plantel principal. Ainda que num conjunto cheio de craques, casos de João Vieira Pinto, Pedro Barbosa, Mário Jardel, Paulo Bento, Sá Pinto, entre outros, o atleta transformar-se-ia num dos elementos de maior relevo. Ao participar na maior parte dos jogos escalonados para a campanha de 2001/02, Hugo Viana transformar-se-ia num dos principais pilares da “dobradinha” conquistada nessa temporada.
As vitórias no Campeonato Nacional e na Taça de Portugal, levá-lo-iam a ser olhado, pelos grandes clubes da Europa, como um possível bom reforço. Nessa “corrida” pelo seu concurso, seria o Newcastle a concretizar o intento de contratação. Orientado por Sir Bobby Robson, o médio, mesmo tendo participado em diversas partidas, acabaria por não ir de encontro às expectativas criadas em seu redor. Num futebol ainda muito físico, a verdade é que Hugo Viana encontraria imensas dificuldades para impor-se. O resultado da inadaptação a uma realidade competitiva assente em índices corporais deveras exigentes, faria com que o jogador não conseguisse vingar na Premier League e, ao fim de 2 anos, acabasse por ser dispensado.
Ao eclipsar-se na época seguinte à da chegada a Inglaterra, a solução para a sua carreira viria com o empréstimo ao Sporting. De volta aos “Leões”, numa altura em que o emblema “verde e branco” era orientado por José Peseiro, Hugo Viana participaria na campanha europeia que levaria o Sporting ao derradeiro desafio da Taça UEFA de 2004/05 e à perda do troféu, numa final disputada no Estádio de Alvalade, frente aos moscovitas do CSKA. Outra curiosidade dessa temporada viria com as chamadas à selecção. Depois de 14 internacionalizações pelo principal conjunto luso e de, embora sem jogar, ter sido chamado ao Mundial de 2002, o médio conseguiria, pela primeira vez na caminhada competitiva, ser utilizado num jogo oficial da equipa “A” portuguesa.
Seguir-se-ia, em termos clubísticos, a contratação pelo Valência. Primeiro por empréstimo do Newcastle e, para a época de 2006/07, já em termos definitivos, as partidas cumpridas pelo emblema “che” caracterizar-se-iam por algumas intermitências exibicionais. Essas oscilações acabariam por cotar em baixa a passagem de Hugo Viana pela “La Liga”. Mesmo assim, a presença do seu nome na lista de atletas arrolados para o Mundial de 2006, confirmaria o valor do centrocampista como alvo de algum crédito. No entanto, seria só com o ingresso no Sporting de Braga que voltaria a ver os seus desempenhos classificados acima da média. No Minho, onde actuaria entre 2009 e 2013, conseguiria impor-se como um elemento de importância vital, contribuindo para a vitória na Taça da Liga de 2012-13 e, ainda nessa campanha, para a chegada dos “Guerreiros” à final da Europa League.
Os últimos anos da sua carreira enquanto desportista, passá-los-ia no Médio Oriente. Depois dos Emirados Árabes Unidos e de vestir as camisolas do Al-Ahli e Al Wasl, Hugo Viana, ao manter-se ligado ao futebol, entraria para o universo dos dirigentes desportivos. Com as portas abertas pelo Belenenses em 2017, o regresso ao Sporting a convite de Francisco Varandas fá-lo-ia ocupar o cargo de Director Desportivo. Nessas tarefas, destaque para o seu papel nas vitórias conseguidas na temporada de 2020/21, para a conquista da Taça da Liga e, pondo fim a um jejum de 19 anos, para o triunfo no Campeonato Nacional.

908 - LUÍS LOUREIRO

Apesar de ter feito a transição para a categoria sénior num emblema dos patamares inferiores, esse facto não impediria Luís Loureiro de chegar aos maiores palcos nacionais e internacionais. Mais valor teria essa evolução sabendo que foi feita à custa de muito trabalho. Depois do Sintrense, e de vários anos a batalhar entre as antigas 3ª divisão e 2ª “b”, a sua transição para um dos históricos do futebol português, daria um primeiro empurrão ao seu percurso profissional.
O Portimonense e, já na divisão de Honra, o Nacional da Madeira seriam os degraus necessários para que o médio defensivo chegasse ao convívio dos “grandes”. Essa estreia, na temporada de 2001/02, seria feita com as cores do Gil Vicente. No emblema de Barcelos, o atleta impressionaria pela sua capacidade batalhadora. O médio rapidamente conseguiria transformar-se num dos melhores futebolistas a actuar na sua posição. O posicionamento, a maneira como conseguia ler os ataques adversários e, principalmente, a sua capacidade para desarmar essas mesmas ofensivas, levariam a que começasse a ser muito cobiçado.
Antes dos primeiros convites, a chamada de Luiz Felipe Scolari à selecção nacional levaria a que o seu valor aumentasse ainda mais. Apesar das 6 internacionalizações conseguidas durante os “amigáveis” de preparação para o Euro 2004, o seu nome não seria incluído na lista de convocados para a fase final. Mesmo assim, o interesse na sua contratação não diminuiria e para o Gil Vicente seria impossível aguentar o atleta nos seus quadros. Com o Olympique de Lyon a ser veiculado como um dos emblemas mais bem posicionados na aquisição dos seus préstimos, a verdade é que a transferência acordada levaria o “trinco” para bem perto de Barcelos.
A mudança para o Sporting de Braga, não manteria o médio durante muito tempo na “Cidade dos Arcebispos”. Ainda durante essa temporada de 2004/05, e numa altura em que os futebolistas portugueses estavam na berra para os lados da Rússia, Luís Loureiro seria transferido para o Dínamo de Moscovo. Contudo, e mesmo com Nuno Espírito Santo, Maniche, Jorge Ribeiro, Costinha, Frechaut ou Danny como companheiros de balneário, o jogador não ficaria muito tempo pela “Terra dos Czares”. Aliás, a partir desse momento, a sua carreira começaria a caracterizar-se por alguma errância. Sporting, Estrela da Amadora, os cipriotas do Anorthosis Famagusta, Boavista e um regresso ao Portimonense marcariam, em mudanças constantes, os últimos anos do seu percurso profissional.
Depois de um ano sabático, seria de volta ao primeiro emblema que, em 2010/11, poria um ponto final na sua carreira de desportista. Apesar da decisão, o antigo médio não conseguiria afastar-se da modalidade. Logo na temporada seguinte, sem abandonar o emblema da Vila Património Mundial, abraçaria as funções de treinador. No Sintrense daria os passos iniciais de uma caminhada que, até os dias de hoje, tem sido feita nos escalões secundários. Um pouco à imagem dos primeiros anos como futebolista, Luís Loureiro também já conta com passagens pelo Fátima e 1º de Dezembro. Esse trajecto levá-lo-ia a aceitar mais um desafio no estrangeiro. Em França, para esta temporada de 2018/19, o ex-internacional decidiria abraçar o papel de técnico dos Lusitanos de Saint-Maur.

495 - SCOLARI

Quando falo em legado, refiro-me àquilo que nos é deixado, àquilo que nos é transmitido por outros. Para alguns de nós, tal definição, como um destino já traçado, não poderia ser levado menos à letra. Vejamos um exemplo. Benjamin Scolari foi jogador do Aimoré e posicionava-se em campo como defesa central. Já o seu filho, um tal de Luiz Filipe, escolheria para se iniciar - ou teria sido empurrado?! - a posição de defesa central... no Aimoré!!! Bem, não sei se conseguiram entender as semelhanças! Adiante!
Pois é, aquele que hoje é um dos nomes incontornáveis do futebol mundial, também foi jogador. É normal que a sua carreira não tenha sido muito badalada, já que as suas habilidades dentro de campo também não eram assim tão extraordinárias. O que também não é menos verdade, é que aquilo que lhe faltava em jeito era compensado por uma grande vontade. Foi esse seu querer que o levou ao Caxias.
No emblema do Rio Grande do Sul, Scolari conheceria os palcos mais importantes do "Brasileirão". A maneira aguerrida como enfrentava cada lance, mas, principalmente, aquilo que dentro de campo era reconhecido como uma verdadeira voz de comando, eram as suas principais armas. Foi à custa delas que se manteve durante vários anos no dito emblema; contudo, seria à custa da última que se faria treinador.
Já depois do Caxias e de curtas passagens pelo Juventude e Novo Hamburgo, Scolari chega ao CSA de Alagoas. É aí que decide "pendurar as chuteiras", e, sem que o soubesse, dar início a uma carreira de enorme sucesso. Por esta altura, estávamos no início do anos 80 e o nome de Luiz Filipe Scolari pouco peso tinha no desporto. No entanto, os anos vindouros alterariam, radicalmente, esse cenário. Posso dizer que tudo começou a mudar em 1991. É certo que, até então, já tinha vencido o Campeonato Alagonano com CSA (1982) e o Campeonato Gaúcho com o Grêmio (1987); é certo que tinha conquistado, ao serviço do Al Qadisiya (Kuwait), a Kuwait Emir Cup de 1989... mas a verdadeira mudança, essa, aconteceria ao "leme" do Criciúma.
No emblema de Santa Catarina, Scolari venceria a Copa do Brasil. Com o título nacional, a ideia que os dirigentes tinham de si, alterou-se. Chegou, já depois de mais uma passagem pelo médio oriente, a vez do Grêmio voltar a apostar nele. Em boa hora o contratariam, pois se da sua primeira passagem por Porto Alegre pouco mais há a dizer, já da segunda há muito mais do que conversa!
Num plantel onde pontuavam nomes como os de Jardel (FC Porto, Sporting e Beira-Mar), Paulo Nunes (Benfica), Carlos Miguel (Sporting) e, ainda, Emerson (Milan), Danrlei (Beira-Mar) ou Nildo (Gil Vicente), Scolari conseguiria conquistar o seu primeiro grande troféu internacional. A Taça dos Libertadores de 1995, a juntar a uma série de outros títulos nacionais, era a confirmação de que "Filipão" era um treinador de gabarito. Para quem, ainda assim, duvidou das suas capacidades, o técnico voltaria a mostrar que nada no seu percurso era sorte. Desta feita no Palmeiras, venceria mais uma vez a dita competição (1999), provando que a "mão de ferro" com que geria os seus planteis eram a principal razão do seu sucesso.
Já com um percurso invejável, é em 2001 que Scolari assume as rédeas da "Canarinha". O objectivo desenhado para esta nova aventura, tinha tanto de inequívoco como de ambicioso... nada mais, nada menos, que o "Penta" para a selecção brasileira! O primeiro passo deste trajecto, seria conseguido com a qualificação para o Mundial do ano seguinte. Já na Coreia e Japão, bastaram 7 vitórias, em 7 partidas, para que Scolari escrevesse o nome do Brasil como o primeiro país a conseguir 5 títulos mundiais de futebol.
O que veio a seguir aproximou Scolari de todos nós. Portugal, à beira de organizar o Euro de 2004, precisava de um técnico de incontestável categoria. Se a escolha do brasileiro, desportivamente, parecia a mais acertada, o que ninguém estaria à espera era de tudo o resto! Ora, para mal dos nossos pecados, a "Equipa das Quinas" perderia o Europeu frente à Grécia; dois anos passados, conseguiríamos o 4º lugar no Mundial da Alemanha. Contudo, Scolari haveria de ser muito mais do que o futebol esgrimido nas "quatros linhas". Para a memória fica a maneira como conseguiu reunir um país à volta da sua equipa; ficam as bandeiras à janela ou as procissões atrás do autocarro! Também é impossível esquecer episódios como o passado com o sérvio Dragutinovic -  "Ele ia bater no menino [Quaresma] e eu defendi-o" - ou a conferência de imprensa, após assegurar a qualificação para o Euro de 2008 - "(...) e o burro sou eu?!".
Ainda no decorrer do torneio organizado entre a Suíça e a Áustria, Scolari é anunciado como o novo treinador do Chelsea. A experiência seria curta, pois desentendimentos com o dono do clube londrino, Roman Abrahmovic, levariam à dispensa do técnico. Curiosamente, este despedimento dá inicio a uma fase menos brilhante da sua carreira. A mesma, continua no Azerbeijão (Bunyodkor), tem uma passagem desastrosa pelo Palmeiras, até que, em 2013, mais uma vez assume o papel de seleccionador do Brasil. O pior é que a desilusão foi enorme. Todos pensaram que o "mentor" do "Penta" seria, também ele, o "timoneiro" do "Hexa". É verdade, as coisas até começaram bem!!! Mas depois veio a Alemanha e afastamento nas meias-finais por 7-1!!! Logo de seguida a partida dos 3º/4º lugares e, frente à Holanda, nova derrota por 3-0!!! Deste modo, Scolari serviria de exemplo a uma máxima bem antiga: no futebol, rapidamente se passa de bestial a besta!

18 - BOA MORTE

Por ventura, nunca atingirá a importância de Pauleta na história do futebol português de selecções. Porém, este extremo, à imagem do avançado açoriano, é outro atleta que nunca jogou na nossa 1ª divisão.
Apesar das várias chamadas à selecção principal e da presença na fase final do Mundial de 2006, até hoje, Luís Boa Morte nunca teve a chance de representar um clube no patamar máximo português.
No Sporting, emblema que o formou, talvez a urgência em encaixar algum dinheiro tenha precipitado a sua precoce transferência. Talvez a sua ida, em 1997, para o Arsenal, servisse para, financeiramente, compensar as demasiadas, faustosas e disparatadas contratações. O resultado vem no registo sénior do jogador. Em Portugal conta apenas com uma passagem pela 3ª divisão, e pelo, à altura, “satélite” leonino, o Lourinhanense.
Desnecessário será dizer que foi em Inglaterra que Boa Morte conseguiu revelar-se. Primeiro jogaria serviço do Arsenal, onde ganhou os seus únicos títulos - 1 Liga e 1 FA Cup. Depois, viria o Southampton. No entanto, seria nos 7 anos ao serviço do Fulham, para onde foi em 2000, que Boa Morte começou a ser retratado como jogador de qualidade e figura de peso da "Premier League".
Em 2007 mudou-se para o West Ham, clube que ainda representa. Este ano, prova da confiança depositada no jogador, o seu contrato foi renovado por mais 2 épocas.