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1760 - JÁNOS BIRI

Guarda-redes, János Biri teria no Kispesti AC o emblema que, na temporada de 1920/21, abriria a sua carreira como sénior. No emblema húngaro, o jogador depressa assumiria um papel de enorme relevância, ao ponto de, passadas algumas temporadas, começar a ser cogitado para a defesa da baliza da principal selecção do seu país. A estreia, pela mão de Gyula Kiss, aconteceria a 23 de Setembro de 1923. Após essa partida frente à Áustria, o guardião continuaria nos planos da equipa nacional e, nesse sentido, acabaria arrolado como um dos atletas a disputar os Jogos Olímpicos de 1924. Posteriormente às olimpíadas realizadas em Paris, o guardião voltaria a chamado e com a camisola magiar somaria um total de 5 internacionalizações.
As exibições conseguidas nos Jogos Olímpicos levariam a que outros emblemas começassem a olhar para si como um bom reforço. Com a cotação a subir, seria então de Itália que surgiria o desafio para que o atleta mudasse de contexto competitivo. Ao rubricar um contrato com o Padova em 1925/26, o guardião tornar-se-ia num dos intérpretes que, na campanha de 1926/27, competiria no arranque da Serie A. Porém, mesmo tendo em conta a importância desse episódio, a verdade é que a caminhada do János Biri no “calcio” resumir-se-ia apenas ao par de épocas mencionadas. De seguida, o jogador regressaria à Hungria e depois de cumprir a época de 1927/28 no MTK Budapest, encetaria um longo périplo que, em constantes mudanças de emblema, levá-lo-ia igualmente a envergar as cores de Budai 33, Sabaria, Pécs-Baranya e III. Kerületi TVE.
A temporada de 1932/33 marcaria uma nova aventura do guarda-redes pelo estrangeiro. O ano passado em França, a representar o AC Amiens, serviria de interlúdio para aquela que viria a ser a mudança mais importante da sua vida. Já em Portugal, János Biri, ainda enquanto futebolista, começaria por vestir as cores do Boavista. Seria também nos “Axadrezados” que, na campanha de 1935/36 e como treinador-jogador, encetaria as funções de técnico. Posteriormente surgiriam os anos à no FC Porto e no Académico do Porto para, em 1939/40, ser apresentado como o “timoneiro” do Benfica. À frente da agremiação lisboeta, o antigo atleta húngaro abraçaria o projecto para modernizar o futebol das “Águias” e em 8 anos tornar-se-ia numa das grandes figuras da história dos “Encarnados”.
Com o Benfica, János Biri começaria por, nos treinos, dar grande ênfase à parte técnica e táctica. Tamanho trabalho rapidamente traria os seus frutos e os títulos começariam a somar-se nos escaparates do clube. De início, logo na época de chegada às Amoreiras, surgiriam o triunfo no Campeonato de Lisboa e a conquista da primeira Taça de Portugal na história dos “Encarnados”. Porém, os troféus vencidos pelas “Águias”, sob a sua orientação, não ficariam por aqui. Em grupos de trabalho que, ao longo dos anos, teriam nomes como Francisco Ferreira, Valadas, Gaspar Pinto, Espírito Santo, Rogério de Carvalho, Julinho, Albino, Arsénio, Francisco Moreira, Jacinto, Martins, Félix Antunes, Joaquim Teixeira, entre tantas outras estrelas, o resultado seriam as conquistas de outras 2 “Provas Rainhas” e de 3 Campeonatos Nacionais.
Com a saída do Benfica no termo da campanha de 1946/47, János Biri manter-se-ia por Portugal. Seguir-se-iam, sempre na 1ª divisão, as experiências no Estoril Praia, no Vitória Sport Clube e no Atlético. No Vitória Futebol Clube, para onde entraria em 1952/53, levaria a colectividade setubalense até à final da Taça de Portugal de 1953/54, infelizmente para os “Sadinos”, perdida para o Sporting. No Oriental sagrar-se-ia campeão do 2º escalão. Depois, numa carreira que, entre outras experiências, contaria com 24 temporadas no patamar máximo, o treinador ainda passaria por diversos emblemas, casos da CUF, do Lusitânia dos Açores, onde daria a conhecer Mário Lino, Académica de Coimbra, Lusitano de Évora, Vila Real e Académico de Viseu.

1681 - JULINHO

Nascido na “Cidade Invicta”, Júlio Correia da Silva, popularizado pelo diminutivo Julinho, teria no Boavista, onde chegaria para o lugar de guarda-redes, os anos dedicados à formação. Depressa convertido em avançado-centro, seria já na nova posição que, em 1936/37, ocuparia o seu espaço na equipa principal. Apesar de bastante novo, o atacante depressa conseguiria afirmar-se como um dos bons valores dos “Axadrezados”. Ainda assim, com as “Panteras” a militar na 2ª divisão lusa, ainda passariam alguns anos até à sua estreia no patamar máximo. Tal marco aconteceria após a transferência para um novo clube e, para o caso, já na segunda campanha ao serviço do Académico do Porto.
Com a mudança referida no parágrafo anterior a ocorrer na temporada de 1940/41, a época seguinte à da sua chegada ao emblema estudantil levaria o avançado, pela primeira vez na carreira, a disputar a 1ª divisão. Tamanha seria a sua prestação naquela que é a prova de maior importância no calendário futebolístico português que, rapidamente, passaria a ser disputado por equipas de maior renome. Nessa corrida, Julinho, a troco de quantias bem avultadas para a época – 25 mil escudos para o clube e 10 mil escudos para o atleta – acordaria a mudança para o Benfica. Logo de seguida, o FC Porto, com números bem mais tentadores, faria chegar ao jogador a sua proposta. No entanto, com a palavra já dada às “Águias”, o avançado manter-se-ia fiel ao inicialmente combinado e, em 1942/43, viajaria até Lisboa.
Como praticante das “Águias”, Julinho, acolhido pelo técnico Janos Biri, depressa iria impor-se no centro do ataque. A prova do impacto do avançado na estrutura benfiquista surgiria de imediato no ano da sua chegada, com o jogador a sagrar-se como o Melhor Marcador do Campeonato Nacional da 1ª divisão. Tal feito repeti-lo-ia na época de 1949/50. Contudo, nem só de feitos individuais viveria a carreira do ponta-de-lança. Caracterizado como um intérprete muito inteligente e sagaz na hora de rematar à baliza, os seus inúmeros golos contribuiriam, e de que maneira, para diversos sucessos colectivos dos “Encarnados”. Nesse sentido, o destaque iria para as conquistas de 3 Campeonatos Nacionais, 6 Taças de Portugal e obviamente para a vitória na Taça Latina.
O feito continental ainda agora referido, aconteceria na edição de 1949/50 da prestigiada prova. No trajecto até ao triunfo, Julinho não haveria de posicionar-se somente como um dos jogadores no “onze” das diferentes rondas altercadas. Chamado por Ted Smith às pelejas agendadas para o Estádio Nacional, não só o avançado-centro marcaria presença na meia-final frente aos italianos da Lazio, como seria um dos escolhidos para a final e para finalíssima do torneio disputado em Lisboa. Aliás, seria no último encontro que o atleta assumiria um papel fulcral. Num jogo arrastado até ao 3º prolongamento, sairia dos pés do atacante, que já tinha atirado uma bola para o fundo das redes adversárias na partida anterior, o golo que, aos 134 minutos, faria cair a resolução da contenda a favor do conjunto português.
Apesar da preponderância atingida com as cores do Benfica, Julinho, com o facto parcialmente justificado pelo desenrolar da 2ª guerra mundial, não teria, na selecção nacional, números nada semelhantes aos conseguidos no clube. Ainda assim, depois da convocatória para, a 3 de Maio de 1947, disputar, frente à França, uma partida pela equipa “B” de Portugal, o dia 21 de Março de 1948 assinalaria a sua oportunidade no conjunto principal luso e o jogo marcado com a Espanha, chamado o avançado por Virgílio Paula, representaria para o atleta a sua única internacionalização “A” com a “camisola das quinas”.
Após cumprir mais de uma década com as cores do Benfica e de ter registado 202 golos em 200 partidas oficiais (outras fontes referem 272 golos em 269 jogos), seria já com a época de 1953/54 em andamento que Julinho deixaria o Benfica. Nos anos subsequentes, na mescla de tarefas dadas a um treinador-jogador, passaria por Coruchense e Benfica e Castelo Branco. Seria igualmente na aludida agremiação do distrito de Santarém que o antigo avançado decidiria passar a desempenhar, em exclusivo, as funções de técnico e, na nova carreira, ainda orientaria Marinhense, Alverca, Casa Pia, Torres Novas, Sacavenense, Alhandra e Vilafranquense.

1189 - VAN HOOIJDONK

Alguns anos após ter conseguido entrar para as “escolas” do NAC Breda, Pierre van Hooijdonk, ainda a actuar como médio-direito, veria os responsáveis do clube a apontá-lo como um elemento sem talento. Como consequência de tal avaliação, ser-lhe-ia indicada a porta de saída daquele que era o emblema da sua predilecção. Já como atleta do VV Steenbergen, colectividade amadora estabelecida na sua terra natal, o jovem atleta seria mudado para posições mais avançadas no terreno de jogo. No lugar de ponta-de-lança, começaria a destacar-se pela força, sentido posicional e um apurado “faro” para o golo. O aperfeiçoamento de tais características, com o relato das exibições produzidas pelo atacante a chegarem a emblemas de outra monta, levá-lo-ia a nova mudança e ao serviço do RBC Roosendaal a partir da campanha de 1989/90, ganharia um lugar nos escaparates profissionais do futebol holandês.
Ainda que na 2ª divisão, a sua prestação e, principalmente, os golos conseguidos, levariam o NAC Breda, para a época de 1991/92, a endereçar-lhe um novo convite. De volta ao clube que, anos antes, tinha dado o avançado-centro como um elemento excedentário, a carreira do atleta começaria a ganhar uma projecção bem diferente. Primeiro, na temporada de 1993/94, viria a estreia no escalão máximo neerlandês. Já na temporada seguinte, numa partida disputada frente ao Luxemburgo a 14 de Dezembro de 1994, chegaria a primeira internacionalização com a selecção “A” do seu país. Finalmente, como pináculo dessa etapa, surgira o interesse de um dos históricos do desporto europeu e a transferência para o Celtic Football Club.
A mudança para o futebol escocês a meio da temporada de 1994/95, sublinharia o avançado como um protagonista de cariz superior. Nesse sentido, van Hooijdonk não tardaria muito para entrar no coração dos adeptos do emblema de Glasgow. Apesar de uns primeiros meses algo discretos, seria dele o golo que, ainda na campanha da sua chegada, levaria o Celtic, numa vitória por 1-0 frente ao Airdrieonians, a triunfar na final a Taça da Escócia. Já na época seguinte, o avançado, com 26 remates certeiros, consagrar-se-ia como o Melhor Marcador da Liga. Todavia, um veiculado desentendimento entre o jogador e o dono do clube, empurraria o atleta para o banco de suplentes. A contenda manter-se-ia durante o desenrolar da época de 1996/97 e terminaria apenas com a saída do avançado para o Nottingham Forest.
Após a estreia na Premier League em Março de 1997, van Hooijdonk conseguiria cimentar-se como um elemento habitual nas convocatórias dos Países Baixos. Mesmo com a descida do Nottingham Forest ao segundo escalão inglês, o seu nome seria integrado pelo seleccionador Guus Hiddink na lista de atletas a disputar o Mundial de 1998. Com a insígnia da Casa de Orange ao peito, os anos seguintes trariam à carreira do atacante mais participações em certames de renome. Depois do 4º lugar conseguido no Campeonato do Mundo organizado em França, o avançado marcaria também presença no Euro 2000 e Euro 2004. Terminado o torneio disputado em Portugal, ainda vestiria por uma última vez a camisola do seu país, passando a contabilizar um total de 46 internacionalizações.
Numa carreira que conheceria várias mudanças de rumo e diversos emblemas, à experiência em Inglaterra seguir-se-ia o Vitesse e o Benfica. Em Portugal, com as “Águias” a atravessar uma fase conturbada da sua história, a temporada de 2000/01 terminaria com a agremiação lisboeta na 6ª posição do Campeonato. Ainda assim, van Hooijdonk conseguiria amainar os desaires colectivos com uma campanha excepcional, durante a qual atingiria a marca de 23 golos concretizados, em todas as competições. Como viria a ser noticiado, mesmo tendo em conta os números produzidos pelo avançado, o reiterado pedido, levado a cabo pela direcção liderada por Manuel Vilarinho, para que deixasse o clube, faria com que o atleta procurasse a sorte noutras paragens. No Feyenoord ganharia a edição de 2001/02 da Taça UEFA e, nesse mesmo ano, o troféu de Melhor Marcador do Campeonato holandês. Já a passagem pelos turcos do Fenerbahçe acrescentaria ao seu currículo as vitórias na Süper Lig de 2003/04 e 2004/05.
Com o fim da carreira como futebolista a aproximar-se e após novas passagens por NAC Breda e Feyenoord, Van Hooijdonk relembrado também pela maneira sublime de marcar livres-directos, “penduraria as chuteiras” em 2007. Ao não querer afastar-se da modalidade durante muito tempo, iniciaria a sua carreira como técnico. Nas funções de adjunto, sob a alçada de Guus Hiddink, representaria a selecção da Turquia. Trabalharia também com os sub-21 do Feyenoord e, na mesma categoria, com a equipa nacional neerlandesa.

1185 - QUIM

Tido como um jovem promissor, Quim, ao mesmo tempo que ia superando os desafios lançados ao percurso feito nas “escolas” bracarenses, conseguiria, com as cores das jovens selecções lusas, sublinhar o seu talento futebolístico. Ao envergar a “camisola das quinas” em todos os escalões desde os sub-15, o guarda-redes exaltar-se-ia como um dos grandes nomes do futuro do Sporting de Braga. Em 1993/94, na época em que, pela primeira vez, conseguiria sentar-se no banco de suplentes da equipa sénior minhota, a vitória, como titular por Portugal, no Europeu de sub-18, vincá-lo-iam como um dos valores seguros para os anos vindouros.
Mesmo com um destino auspicioso e ao manter-se sempre no plantel, a verdade é que a transição para o patamar sénior, empurraria Quim para um “deserto” exibicional bastante longo. Tapado por elementos mais experientes, o guardião, salvo raras excepções, ficaria muito tempo afastado dos relvados. Com a estreia pelo conjunto principal do Sporting de Braga a acontecer na campanha de 1994/95, essa partida, correspondente à 32ª jornada do Campeonato Nacional, não teria continuidade. Nas épocas seguintes, o registo de desafios cumpridos mantê-lo-ia preso à condição de suplente. Tal estatuto só viria a ser alterado na campanha de 1997/98, mas a partir desse momento, o atleta, para além de agarrar a titularidade, destacar-se-ia como um dos esteios da equipa.
Com o lugar conquistado no “onze” “arsenalista”, o seu nome, ao manter-se habitual nas convocatórias dos sub-20 e sub-21, passaria a ser cogitado também para a selecção “A”. A estreia de Quim com a mais importante camisola de Portugal, aconteceria em Agosto de 1999, pela mão de Humberto Coelho. Esse “particular” disputado frente a Andorra, marcaria, no Estádio do Jamor, o arranque de uma caminhada que adicionaria ao currículo do atleta 33 internacionalizações. Nesse trajecto, teria como momentos de exponente máximo, as chamadas às fases finais dos grandes certames de equipas nacionais, com destaque para a presença do guarda-redes no Euro 2000, Euro 2004 e Mundial de 2006.
Como um dos melhores à baliza a actuar no nosso país, Quim, de forma natural, começaria a ser veiculado como possível reforço de equipas de outra monta. Com o Benfica a ganhar a corrida pela sua contratação, a transferência do jogador para a “Luz” coincidiria com a chegada de Giovanni Trapattoni ao comando técnico dos “Encarnados”. Feliz coincidência, pois, essa temporada de 2004/05 permitiria ao guardião, logo na época de estreia com a camisola das “Águias”, sagrar-se campeão nacional. Para além do título alcançado sob a alçada do aludido treinador italiano, o guarda-redes, na passagem por Lisboa, acrescentaria ao palmarés pessoal uma boa série de troféus. À edição de 2005/06 da Supertaça Cândido Oliveira, seguir-se-iam a Taça da Liga de 2008/09 e 2009/10 e, na última campanha mencionada, nova vitória no Campeonato.
Curiosamente, depois da época de 2009/10 como titular, o atleta seria informado que o contrato que o ligava ao Benfica não seria renovado. Ao que, à altura, foi veiculado, o treinador Jorge Jesus, que tinha mantido o futebolista como um dos membros indiscutíveis do “onze” inicial, afinal não apreciava as suas características físicas, aferindo o 1,84m do guardião como pouca altura para o desempenho das funções “entre os postes”. Com a “separação”, o jogador regressaria a Braga. Porém, numa época em que veria Artur Moraes, Felipe, Marcos, Cristiano e Mário Felgueiras igualmente na disputa por um lugar, Quim terminaria o ano sem contabilizar qualquer aparição em campo. Ainda assim, teria o orgulho de fazer parte do grupo que levaria o emblema minhoto à final da edição de 2010/11 da Liga Europa.
Com mais 2 temporadas de bom nível ao serviço dos “Guerreiros” e a Taça da Liga de 2012/13 ganha, os 37 anos de idade precipitariam o encetar de um novo capítulo na sua carreira profissional. Com a ligação rubricada com o Desportivo das Aves, o “keeper”, ao fim de 19 anos no patamar máximo do futebol luso, experimentaria a 2ª divisão. Ainda assim, a sua caminhada não conheceria o fim sem o regresso ao escalão principal. Depois de 4 temporadas em que o clube não conseguiria a tão almejada promoção, a campanha de 2017/18 assinalaria o retorno do emblema sediado no concelho de Santo Tirso ao convívio com os “grandes”. No entanto, desenganem-se aqueles que pensaram na subida como o pináculo da tal temporada. Para o fim estaria reservado um feito único. Com a comparência na derradeira partida da “Prova Rainha” garantida, Quim seria chamado ao “onze” por José Mota e, coisa que não tinha conseguido aquando das presenças no Jamor por Benfica e Sporting de Braga, subiria à tribuna presidencial para, na condição de “capitão”, erguer a Taça de Portugal.
Terminado o trajecto como futebolista, a época de 2018/19 marcaria o início do antigo internacional noutras funções. Começaria, sem deixar o Desportivo da Aves, como Director das Relações Institucionais, para, já mais recentemente, abraçar os propósitos de treinador de guarda-redes.

1120 - HUGO VIANA

Destacar-se-ia nas camadas de formação do Gil Vicente, para, ainda nos primeiros passos de aprendizagem, ser contratado pelo Sporting. Já como aluno da “escola” leonina, Hugo Viana começaria a ser chamado às jovens selecções portuguesas. Com as cores nacionais, pelas quais, nos diversos patamares, atingiria mais de 90 internacionalizações, o médio ajudaria a vencer a edição de 2000 do Europeu sub-16.
Ao mostrar-se como um praticante de fino recorte técnico, a sua ascensão no emblema lisboeta depressa haveria de apontá-lo como um dos mais brilhantes intérpretes do futebol “verde e branco”. Na temporada de 2000/01, ainda em idade júnior, faria a sua estreia pela equipa “b”. Já na época seguinte, poucos seriam os jogos disputados na segunda equipa do Sporting, pois o técnico Laszlo Bölöni depressa veria no centrocampista qualidade suficiente para acrescentar valor ao plantel principal. Ainda que num conjunto cheio de craques, casos de João Vieira Pinto, Pedro Barbosa, Mário Jardel, Paulo Bento, Sá Pinto, entre outros, o atleta transformar-se-ia num dos elementos de maior relevo. Ao participar na maior parte dos jogos escalonados para a campanha de 2001/02, Hugo Viana transformar-se-ia num dos principais pilares da “dobradinha” conquistada nessa temporada.
As vitórias no Campeonato Nacional e na Taça de Portugal, levá-lo-iam a ser olhado, pelos grandes clubes da Europa, como um possível bom reforço. Nessa “corrida” pelo seu concurso, seria o Newcastle a concretizar o intento de contratação. Orientado por Sir Bobby Robson, o médio, mesmo tendo participado em diversas partidas, acabaria por não ir de encontro às expectativas criadas em seu redor. Num futebol ainda muito físico, a verdade é que Hugo Viana encontraria imensas dificuldades para impor-se. O resultado da inadaptação a uma realidade competitiva assente em índices corporais deveras exigentes, faria com que o jogador não conseguisse vingar na Premier League e, ao fim de 2 anos, acabasse por ser dispensado.
Ao eclipsar-se na época seguinte à da chegada a Inglaterra, a solução para a sua carreira viria com o empréstimo ao Sporting. De volta aos “Leões”, numa altura em que o emblema “verde e branco” era orientado por José Peseiro, Hugo Viana participaria na campanha europeia que levaria o Sporting ao derradeiro desafio da Taça UEFA de 2004/05 e à perda do troféu, numa final disputada no Estádio de Alvalade, frente aos moscovitas do CSKA. Outra curiosidade dessa temporada viria com as chamadas à selecção. Depois de 14 internacionalizações pelo principal conjunto luso e de, embora sem jogar, ter sido chamado ao Mundial de 2002, o médio conseguiria, pela primeira vez na caminhada competitiva, ser utilizado num jogo oficial da equipa “A” portuguesa.
Seguir-se-ia, em termos clubísticos, a contratação pelo Valência. Primeiro por empréstimo do Newcastle e, para a época de 2006/07, já em termos definitivos, as partidas cumpridas pelo emblema “che” caracterizar-se-iam por algumas intermitências exibicionais. Essas oscilações acabariam por cotar em baixa a passagem de Hugo Viana pela “La Liga”. Mesmo assim, a presença do seu nome na lista de atletas arrolados para o Mundial de 2006, confirmaria o valor do centrocampista como alvo de algum crédito. No entanto, seria só com o ingresso no Sporting de Braga que voltaria a ver os seus desempenhos classificados acima da média. No Minho, onde actuaria entre 2009 e 2013, conseguiria impor-se como um elemento de importância vital, contribuindo para a vitória na Taça da Liga de 2012-13 e, ainda nessa campanha, para a chegada dos “Guerreiros” à final da Europa League.
Os últimos anos da sua carreira enquanto desportista, passá-los-ia no Médio Oriente. Depois dos Emirados Árabes Unidos e de vestir as camisolas do Al-Ahli e Al Wasl, Hugo Viana, ao manter-se ligado ao futebol, entraria para o universo dos dirigentes desportivos. Com as portas abertas pelo Belenenses em 2017, o regresso ao Sporting a convite de Francisco Varandas fá-lo-ia ocupar o cargo de Director Desportivo. Nessas tarefas, destaque para o seu papel nas vitórias conseguidas na temporada de 2020/21, para a conquista da Taça da Liga e, pondo fim a um jejum de 19 anos, para o triunfo no Campeonato Nacional.

1055 - MANICHE

Cumpriria todo o trajecto de formação nas “escolas” do Benfica. Evoluiria como homem e desportista com a “Águia” ao peito e sob o olhar atento de Arnaldo Teixeira. Curiosamente, seria também o referido técnico, recordado pelo atleta como uma referência no seu crescimento, que o alcunharia. Por culpa dos cabelos compridos e louros, a comparação com o dinamarquês Michael Manniche, muito mais do que uma inevitabilidade, transformar-se-ia num carinho. Nuno Ribeiro passaria a chamar-se Maniche e a cada ano caminhado mais evidente começariam a tornar-se as suas qualidades futebolísticas.
A chamada à equipa sénior do Benfica aconteceria na temporada de 1995/96. Convocado por Artur Jorge aos trabalhos do conjunto principal, o despedimento do treinador faria com que a primeira partida por si jogada fosse sob a orientação de Mário Wilson. Porém, e depois desse duplo embate com o Lierse na Taça UEFA, o médio demoraria a ter nova oportunidade. Na época seguinte, resultado da parceria existente com o Alverca, o jovem jogador passaria a integrar o plantel do emblema “satélite” das “Águias”.
As 3 temporadas no Ribatejo, com a derradeira campanha a levá-lo à estreia na 1ª divisão, serviriam para que ganhasse mais estaleca. Cumprido esse propósito, o regresso à “Luz” aconteceria na temporada de 1999/00. Jupp Heynckes, à altura o treinador dos “Encarnados”, poucas dúvidas teria em apostar no médio. Ao tornar-se num dos elementos mais utilizados dentro do plantel, Maniche rapidamente vincaria a sua importância e qualidade. Jogador de características impares, os seus atributos permitir-lhe-iam posicionar-se tanto no centro do terreno, como mais descaído para as alas. Em ambas as funções, os seus predicados mostrariam alguém com uma aptidão especial para conduzir o fluxo ofensivo de jogo. Sem se esgotar nas tarefas atacantes, o atleta conseguiria oferecer ainda mais à estratégia de grupo. Lutador, tornar-se-ia igualmente importante nas tarefas defensivas. Para finalizar, surgiram os golos! Dono de um chuto fácil, a meia-distância torná-lo-ia num dos mais prolíferos rematadores da equipa.
Apesar da sua preponderância, tricas paralelas ao jogo jogado afastá-lo-iam da equipa – “O presidente queria que eu mudasse de empresário, era a condição que metia para renovar. Obviamente recusei. O Benfica renovava comigo, não era o empresário que jogava. Fui colocado a treinar à parte”*. Oficialmente, a contenda e respectivo castigo seriam vinculadas às declarações públicas do atleta, após uma crítica feita por Manuel Vilarinho. A verdade é que, depois dessa temporada de 2001/02, em que apenas apareceria pelo conjunto “B”, Maniche abandonaria o emblema da “Luz”. A saída do Benfica abriria um novo capítulo no seu caminho, ainda assim com uma cara conhecida!
 Seria a pedido de José Mourinho, que já o tinha orientado em Lisboa, que Maniche acabaria por assinar pelo FC Porto. Nos “Azuis e Brancos”, o médio fixar-se-ia como um das peças fulcrais da manobra idealizada pelo referido treinador e que tanta glória traria ao emblema nortenho. Em 3 anos de “Dragão” ao peito, o jogador contribuiria para as vitórias em 2 Campeonatos Nacionais, 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça. Obviamente que, para além desses títulos, seriam os troféus ganhos nas competições continentais que catapultariam verdadeiramente a sua carreira. Tendo sido titular em todas as finais, as conquistas da Taça UEFA de 2002/03, da Liga dos Campeões de 2003/04 e da Taça Intercontinental de 2004/05 acabariam por tornar faustoso o seu palmarés.
Paralelamente ao percurso feito com as cores do FC Porto, Maniche também começaria a viver grandes momentos com a camisola de Portugal. Depois de uma vasta carreira nas camadas jovens, seria pela mão de Luiz Felipe Scolari que o médio voltaria a vestir a “camisola das quinas”. Com a estreia pelo principal conjunto luso a acontecer em Março de 2003, os pontos altos da sua caminhada internacional vivê-los-ia com a participação nas fases finais dos mais importantes certames de selecções. No Euro 2004, organizado no nosso país, faria parte do meio-campo que sustentaria a equipa nacional até à derrota na final. Já em 2006, seria convocado para disputar o Mundial e, na Alemanha, ajudaria à chegada ao 4º posto.
A última parte da sua carreira caracterizar-se-ia por algumas inconstâncias. Ao procurar dar seguimento ao seu trajecto profissional no estrangeiro, a primeira oportunidade surgiria vinda da Rússia. Porém, a sua passagem pelo Dynamo de Moscovo, para além dos óbvios benefícios financeiros, ficaria muito aquém do espectável. Curiosamente, também nessa etapa fora-de-portas, José Mourinho acabaria por desempenhar um papel importante. Inadaptado à realidade do futebol russo, seria o “Special One” a resgatá-lo e a levá-lo para o Chelsea. Passados mais uns anos e já como jogador do Atlético Madrid, a chance de envergar as cores do Inter de Milão, mais uma vez, surgira pela mão do referido treinador português.
Para finalizar, às experiências vividas na Rússia, Espanha, Inglaterra e Itália há ainda que acrescentar a sua passagem pelos alemães do FC Köln. Apesar dos altos e baixos, é inegável que, durante vários anos, Maniche representaria importantes equipas, nos mais cotados campeonatos europeus. Irrefutáveis seriam também os títulos ganhos durante essa fase. Nesse sentido, há que destacar as vitórias na “Premier League” e na “Serie A” do “Calcio”.
O Sporting Clube de Portugal, assumidamente o emblema do seu coração, tornar-se-ia no último da sua carreira enquanto futebolista profissional. Depois da temporada de 2010/11, vivida em Alvalade, Maniche retirar-se-ia dos relvados. Tendo “pendurado as chuteiras”, o antigo médio não deixaria o futebol. Como adjunto de Costinha no Paços de Ferreira e na Académica, experimentaria as tarefas de treinador. Mais curiosa seria a sua passagem pela Madeira, onde, no Camacha, desempenharia as funções de Presidente da SAD.

*retirado da entrevista conduzida por Mariana Cabral, publicada a 27/09/2015, em https://tribunaexpresso.pt

908 - LUÍS LOUREIRO

Apesar de ter feito a transição para a categoria sénior num emblema dos patamares inferiores, esse facto não impediria Luís Loureiro de chegar aos maiores palcos nacionais e internacionais. Mais valor teria essa evolução sabendo que foi feita à custa de muito trabalho. Depois do Sintrense, e de vários anos a batalhar entre as antigas 3ª divisão e 2ª “b”, a sua transição para um dos históricos do futebol português, daria um primeiro empurrão ao seu percurso profissional.
O Portimonense e, já na divisão de Honra, o Nacional da Madeira seriam os degraus necessários para que o médio defensivo chegasse ao convívio dos “grandes”. Essa estreia, na temporada de 2001/02, seria feita com as cores do Gil Vicente. No emblema de Barcelos, o atleta impressionaria pela sua capacidade batalhadora. O médio rapidamente conseguiria transformar-se num dos melhores futebolistas a actuar na sua posição. O posicionamento, a maneira como conseguia ler os ataques adversários e, principalmente, a sua capacidade para desarmar essas mesmas ofensivas, levariam a que começasse a ser muito cobiçado.
Antes dos primeiros convites, a chamada de Luiz Felipe Scolari à selecção nacional levaria a que o seu valor aumentasse ainda mais. Apesar das 6 internacionalizações conseguidas durante os “amigáveis” de preparação para o Euro 2004, o seu nome não seria incluído na lista de convocados para a fase final. Mesmo assim, o interesse na sua contratação não diminuiria e para o Gil Vicente seria impossível aguentar o atleta nos seus quadros. Com o Olympique de Lyon a ser veiculado como um dos emblemas mais bem posicionados na aquisição dos seus préstimos, a verdade é que a transferência acordada levaria o “trinco” para bem perto de Barcelos.
A mudança para o Sporting de Braga, não manteria o médio durante muito tempo na “Cidade dos Arcebispos”. Ainda durante essa temporada de 2004/05, e numa altura em que os futebolistas portugueses estavam na berra para os lados da Rússia, Luís Loureiro seria transferido para o Dínamo de Moscovo. Contudo, e mesmo com Nuno Espírito Santo, Maniche, Jorge Ribeiro, Costinha, Frechaut ou Danny como companheiros de balneário, o jogador não ficaria muito tempo pela “Terra dos Czares”. Aliás, a partir desse momento, a sua carreira começaria a caracterizar-se por alguma errância. Sporting, Estrela da Amadora, os cipriotas do Anorthosis Famagusta, Boavista e um regresso ao Portimonense marcariam, em mudanças constantes, os últimos anos do seu percurso profissional.
Depois de um ano sabático, seria de volta ao primeiro emblema que, em 2010/11, poria um ponto final na sua carreira de desportista. Apesar da decisão, o antigo médio não conseguiria afastar-se da modalidade. Logo na temporada seguinte, sem abandonar o emblema da Vila Património Mundial, abraçaria as funções de treinador. No Sintrense daria os passos iniciais de uma caminhada que, até os dias de hoje, tem sido feita nos escalões secundários. Um pouco à imagem dos primeiros anos como futebolista, Luís Loureiro também já conta com passagens pelo Fátima e 1º de Dezembro. Esse trajecto levá-lo-ia a aceitar mais um desafio no estrangeiro. Em França, para esta temporada de 2018/19, o ex-internacional decidiria abraçar o papel de técnico dos Lusitanos de Saint-Maur.

653 - ZAGORAKIS

Ainda em tenra idade, Zagorakis consegue ser chamado à equipa principal do Kavala. A jogar pelo emblema da sua terra natal, o médio, durante aqueles que seriam os primeiros anos da sua carreira, acabaria por disputar os escalões secundários do campeonato grego. Mesmo assim, e afastado da ribalta, o jovem atleta conseguiria despertar a curiosidade de um dos clubes com maior tradição na Grécia. O PAOK acabaria por não resistir às suas qualidades e a transferência consumar-se-ia a meio da temporada de 1992/93.
Apesar de estreante na alta-roda do futebol, a sua adaptação ao escalão máximo acabaria por ser célere. Incapaz de virar as costas a uma disputa, o trinco, com o seu estilo guerreiro, rapidamente conquistaria um lugar no seio do plantel. Titular no sector intermediário do PAOK, rapidamente se percebeu que o seu horizonte estava muito para além do clube sediado em Salónica. A prova dessa evolução, ficaria registada com a sua primeira chamada à selecção principal. Depois, já como capitão de equipa e um dos grandes ídolos da massa adepta, veio o interesse de outros campeonatos.
A mudança para Inglaterra aconteceria pela mão do “manager” Martin O’Neill. No Leicester desde a segunda metade de 1997/98, Zagorakis acabaria por não ser tão influente quanto o esperado. Mesmo sem conseguir impor o seu futebol, o internacional grego haveria de dar contributo para algumas das metas alcançadas pelo emblema. As finais granjeadas, em duas edições consecutivas da Taça da Liga, seriam exemplo disso mesmo. Na primeira, em 1998/99, o Leicester, ao defrontar o Tottenham, acabaria por perder o derradeiro desafio. Já no ano seguinte, numa vitória frente ao Tranmere Rovers, Zagorakis conseguiria o primeiro grande título da sua vida.
Por falar em troféus, a maior distinção que o atleta alcançaria, haveria de ser obtida com a camisola do seu país. Muito para além das 120 internacionalizações, recorde entretanto batido por Karagounis, Zagorakis ficará na história por ter participado num dos maiores feitos desportivos do seu povo. Ora, em 2004, haveria de ser ele que, no Europeu disputado em Portugal, capitanearia os seus companheiros. Reconhecido líder, o médio guiaria a Grécia num caminho que, de surpresa em surpresa, findaria com o troféu de campeão nas suas mãos – “Em vez de estarmos cansados, começámos a crescer no relvado e ficou claro que queríamos muito a vitória. Fomos pressionados, principalmente nos últimos minutos. Mas mantivemos a calma, nunca nos rendemos. E depois, quando o árbitro apitou para o final, foi como se a luz se apagasse... mais uma branca na minha memória... o sorriso tolo constantemente no meu rosto, nem sei por quanto tempo... momentos incríveis”*.
Após a final vencida frente a Portugal, a UEFA elegê-lo-ia como o “Melhor Jogador do Europeu”. Nessas conquistas, Zagorakis conseguiria um novo fôlego para o seu trajecto profissional. Com a barreira dos 30 anos já bem ultrapassada, o centrocampista transferir-se-ia para o “Calcio”. Saindo do AEK de Atenas, emblema pelo qual tinha vencido a Taça da Grécia, o jogador acabaria por assinar pelo Bologna.
A sua passagem por Itália apenas duraria um ano. Findo o mesmo, o médio, perante a aclamação de milhares de fãs, voltaria ao seu país. No entanto, nesse regresso ao PAOK, encontraria o emblema perante um contexto periclitante. Reconhecendo a seriedade da situação, Zagorakis, após completar uma derradeira época em 2006/07, decide pôr um ponto final na sua vida de desportista. Logo de seguida, abraça novo desígnio e candidata-se à liderança do clube.
Seria já como Presidente que, entre outras resoluções, contrataria Fernando Santos para treinador. As medidas que, entretanto, foi pondo em prática, começariam a encaminhar o PAOK para um cenário menos cinzento. Ainda assim, a venda de Vieirinha para o Wolfsburg a meio da temporada de 2011/12, seria vista pelos adeptos como algo de descabido. Após os mais variados protestos, Zagorakis, entendo ser essa a melhor decisão, acabaria por apresentar a demissão.
Nos últimos anos, o antigo capitão da equipa nacional grega tem-se mantido afastado do futebol. Contudo, ingressaria na política pela mão do Partido “Nea Dimokratia” (Nova Democracia). Em 2014, o seu nome faria parte das listas candidatas a um lugar no Parlamento Europeu. Eleito, o ex-futebolista é hoje um dos deputados com assento em Estrasburgo.


*retirado do artigo em www.uefa.com, a 15/05/2012

495 - SCOLARI

Quando falo em legado, refiro-me àquilo que nos é deixado, àquilo que nos é transmitido por outros. Para alguns de nós, tal definição, como um destino já traçado, não poderia ser levado menos à letra. Vejamos um exemplo. Benjamin Scolari foi jogador do Aimoré e posicionava-se em campo como defesa central. Já o seu filho, um tal de Luiz Filipe, escolheria para se iniciar - ou teria sido empurrado?! - a posição de defesa central... no Aimoré!!! Bem, não sei se conseguiram entender as semelhanças! Adiante!
Pois é, aquele que hoje é um dos nomes incontornáveis do futebol mundial, também foi jogador. É normal que a sua carreira não tenha sido muito badalada, já que as suas habilidades dentro de campo também não eram assim tão extraordinárias. O que também não é menos verdade, é que aquilo que lhe faltava em jeito era compensado por uma grande vontade. Foi esse seu querer que o levou ao Caxias.
No emblema do Rio Grande do Sul, Scolari conheceria os palcos mais importantes do "Brasileirão". A maneira aguerrida como enfrentava cada lance, mas, principalmente, aquilo que dentro de campo era reconhecido como uma verdadeira voz de comando, eram as suas principais armas. Foi à custa delas que se manteve durante vários anos no dito emblema; contudo, seria à custa da última que se faria treinador.
Já depois do Caxias e de curtas passagens pelo Juventude e Novo Hamburgo, Scolari chega ao CSA de Alagoas. É aí que decide "pendurar as chuteiras", e, sem que o soubesse, dar início a uma carreira de enorme sucesso. Por esta altura, estávamos no início do anos 80 e o nome de Luiz Filipe Scolari pouco peso tinha no desporto. No entanto, os anos vindouros alterariam, radicalmente, esse cenário. Posso dizer que tudo começou a mudar em 1991. É certo que, até então, já tinha vencido o Campeonato Alagonano com CSA (1982) e o Campeonato Gaúcho com o Grêmio (1987); é certo que tinha conquistado, ao serviço do Al Qadisiya (Kuwait), a Kuwait Emir Cup de 1989... mas a verdadeira mudança, essa, aconteceria ao "leme" do Criciúma.
No emblema de Santa Catarina, Scolari venceria a Copa do Brasil. Com o título nacional, a ideia que os dirigentes tinham de si, alterou-se. Chegou, já depois de mais uma passagem pelo médio oriente, a vez do Grêmio voltar a apostar nele. Em boa hora o contratariam, pois se da sua primeira passagem por Porto Alegre pouco mais há a dizer, já da segunda há muito mais do que conversa!
Num plantel onde pontuavam nomes como os de Jardel (FC Porto, Sporting e Beira-Mar), Paulo Nunes (Benfica), Carlos Miguel (Sporting) e, ainda, Emerson (Milan), Danrlei (Beira-Mar) ou Nildo (Gil Vicente), Scolari conseguiria conquistar o seu primeiro grande troféu internacional. A Taça dos Libertadores de 1995, a juntar a uma série de outros títulos nacionais, era a confirmação de que "Filipão" era um treinador de gabarito. Para quem, ainda assim, duvidou das suas capacidades, o técnico voltaria a mostrar que nada no seu percurso era sorte. Desta feita no Palmeiras, venceria mais uma vez a dita competição (1999), provando que a "mão de ferro" com que geria os seus planteis eram a principal razão do seu sucesso.
Já com um percurso invejável, é em 2001 que Scolari assume as rédeas da "Canarinha". O objectivo desenhado para esta nova aventura, tinha tanto de inequívoco como de ambicioso... nada mais, nada menos, que o "Penta" para a selecção brasileira! O primeiro passo deste trajecto, seria conseguido com a qualificação para o Mundial do ano seguinte. Já na Coreia e Japão, bastaram 7 vitórias, em 7 partidas, para que Scolari escrevesse o nome do Brasil como o primeiro país a conseguir 5 títulos mundiais de futebol.
O que veio a seguir aproximou Scolari de todos nós. Portugal, à beira de organizar o Euro de 2004, precisava de um técnico de incontestável categoria. Se a escolha do brasileiro, desportivamente, parecia a mais acertada, o que ninguém estaria à espera era de tudo o resto! Ora, para mal dos nossos pecados, a "Equipa das Quinas" perderia o Europeu frente à Grécia; dois anos passados, conseguiríamos o 4º lugar no Mundial da Alemanha. Contudo, Scolari haveria de ser muito mais do que o futebol esgrimido nas "quatros linhas". Para a memória fica a maneira como conseguiu reunir um país à volta da sua equipa; ficam as bandeiras à janela ou as procissões atrás do autocarro! Também é impossível esquecer episódios como o passado com o sérvio Dragutinovic -  "Ele ia bater no menino [Quaresma] e eu defendi-o" - ou a conferência de imprensa, após assegurar a qualificação para o Euro de 2008 - "(...) e o burro sou eu?!".
Ainda no decorrer do torneio organizado entre a Suíça e a Áustria, Scolari é anunciado como o novo treinador do Chelsea. A experiência seria curta, pois desentendimentos com o dono do clube londrino, Roman Abrahmovic, levariam à dispensa do técnico. Curiosamente, este despedimento dá inicio a uma fase menos brilhante da sua carreira. A mesma, continua no Azerbeijão (Bunyodkor), tem uma passagem desastrosa pelo Palmeiras, até que, em 2013, mais uma vez assume o papel de seleccionador do Brasil. O pior é que a desilusão foi enorme. Todos pensaram que o "mentor" do "Penta" seria, também ele, o "timoneiro" do "Hexa". É verdade, as coisas até começaram bem!!! Mas depois veio a Alemanha e afastamento nas meias-finais por 7-1!!! Logo de seguida a partida dos 3º/4º lugares e, frente à Holanda, nova derrota por 3-0!!! Deste modo, Scolari serviria de exemplo a uma máxima bem antiga: no futebol, rapidamente se passa de bestial a besta!

332 - IZMAILOV

Como, em tom de brincadeira, já ouvi alguns comentadores desportivos dizerem, os ares do Norte parecem ter feito bem a Izmailov!
Pois é, ao que parece, para quem, em Alvalade, dava o médio como acabado para o futebol profissional ou com grandes limitações para os anos vizinhos, transformando o atleta, pelos faustosos salários auferidos, num tremendo fardo, terá de engolir um monumental sapo! É que o internacional russo, depois de tantos anos no Sporting, em que praticamente ninguém o viu entrar em campo, desde que chegou ao FC Porto parece ter ganho outra vontade.
Se foi por razão das supostas lesões que Izmailov andou afastado durante todo este tempo, as tais mazelas, miraculosamente, parecem estar sanadas. Claro que, e lá estou eu a especular outra vez, as histórias das lesões do antigo jogador leonino serão, provavelmente, uma das crónicas mais mal contadas sobre os últimos anos do médio com o "Leão" ao peito.
Intrigas à parte, o centrocampista, desde o ingresso no Estádio do Dragão, rapidamente ganhou a confiança do técnico Vítor Pereira. Depressa entrou em jogo e até aos golos. Depois veio a titularidade e agora, para quem ainda há bem pouco era um proscrito no Sporting, até consegue aguentar-se no terreno de jogo a totalidade dos 90 minutos de um desafio de futebol. Mas ainda há mais e desde que Izmailov chegou à “Cidade Invicta”, alcançou metas tão espantosas como a do atleta que, em campo, mais correu ao longo de uma destas últimas partidas.
Para concluir, posso dizer-vos que só há dois segredos possíveis para tal alteração: a mudança, no nome da camisola, do “i” pelo “y” ou, então, a troca das habituais chuteiras vermelhas por outras de cor azul e branca!

18 - BOA MORTE

Por ventura, nunca atingirá a importância de Pauleta na história do futebol português de selecções. Porém, este extremo, à imagem do avançado açoriano, é outro atleta que nunca jogou na nossa 1ª divisão.
Apesar das várias chamadas à selecção principal e da presença na fase final do Mundial de 2006, até hoje, Luís Boa Morte nunca teve a chance de representar um clube no patamar máximo português.
No Sporting, emblema que o formou, talvez a urgência em encaixar algum dinheiro tenha precipitado a sua precoce transferência. Talvez a sua ida, em 1997, para o Arsenal, servisse para, financeiramente, compensar as demasiadas, faustosas e disparatadas contratações. O resultado vem no registo sénior do jogador. Em Portugal conta apenas com uma passagem pela 3ª divisão, e pelo, à altura, “satélite” leonino, o Lourinhanense.
Desnecessário será dizer que foi em Inglaterra que Boa Morte conseguiu revelar-se. Primeiro jogaria serviço do Arsenal, onde ganhou os seus únicos títulos - 1 Liga e 1 FA Cup. Depois, viria o Southampton. No entanto, seria nos 7 anos ao serviço do Fulham, para onde foi em 2000, que Boa Morte começou a ser retratado como jogador de qualidade e figura de peso da "Premier League".
Em 2007 mudou-se para o West Ham, clube que ainda representa. Este ano, prova da confiança depositada no jogador, o seu contrato foi renovado por mais 2 épocas.