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1662 - RUI LIMA

Com o percurso formativo feito, na quase totalidade, ao serviço do Boavista, Rui Manuel Pinto de Lima demoraria ainda alguns anos até conseguir ganhar um lugar na equipa principal dos “Axadrezados”. Ainda assim, o esquerdino que, preferencialmente, podia posicionar-se no lado canhoto do meio-campo ou a médio-ofensivo, nunca seria esquecido pelos responsáveis técnicos da Federação Portuguesa de Futebol. Nessa caminhada internacional, o jovem jogador, na condição de elemento das camadas jovens das “Panteras”, teria a sua estreia a 9 de Abril de 1993. Depois dessa partida pelos sub-15, o atleta prosseguiria a caminhada com as cores lusas pelos restantes escalões e chegaria, num total de 46 presenças em campo com a “camisola das quinas”, a representar os sub-21 e a selecção “B” de Portugal.
No que diz respeito à caminhada clubística, seria num empréstimo ao plantel de 1997/98 do Gondomar, no âmbito de um protocolo rubricado entre o referido emblema e o Boavista, que Rui Lima teria a oportunidade de fazer a estreia como sénior. Após a campanha cumprida na 2ª divisão “b”, o médio ainda passaria por novas cedências. Nesse trajecto, emergiria de seguida, em épocas ambiciosas na divisão de Honra, o Desportivo das Aves e o Desportivo de Chaves. Ainda assim, apesar das pretensões apontadas à subida de degrau competitivo, seria apenas na temporada de 2000/01 que o jogador, de regresso ao emblema com sede na Vila das Aves, conseguiria alcançar o cenário primodivisionário. No mencionado ano desportivo, a trabalhar com o Professor Neca e, após a saída deste, com Carlos Carvalhal, as excelentes exibições esgrimidas nas principais provas internas, onde ficaria registado um golo marcado ao sportinguista Peter Schmeichel, levá-lo-iam a merecer o regresso ao Estádio do Bessa e a envergar, num deveras contexto idílico, a camisola dos “Axadrezados”.
Com o Boavista consagrado como campeão nacional, Rui Lima revelaria algumas dificuldades para ganhar o seu espaço no plantel às ordens de Jaime Pacheco. Mesmo tendo em conta o aludido panorama, as exibições apresentadas pelo médio-ala , onde estaria incluída a participação na Liga dos Campeões de 2001/02, ainda dariam azo a números com uma certa expressividade. No entanto, tais resultados não seriam suficientes para garantir ao atleta um lugar no grupo de trabalho planeado para a época seguinte. Sem espaço, dessa feita seguir-se-ia o empréstimo ao Vitória Futebol Clube. Como anteriormente, o labor produzido na cidade de Setúbal justificaria o retorno ao Bessa. Contudo, a primeira metade da época de 2003/04 não correria de feição e o jogador, em Janeiro de 2004, deixaria as “Panteras” para, em definitivo, rubricar uma ligação com o Beira-Mar.
Numa carreira em constantes mudanças, a colectividade de Aveiro tornar-se-ia numa das mais representativas da carreira de Rui Lima enquanto sénior. Nos “Auri-negros”, o esquerdino, sempre como titular, cumpriria 3 épocas e meia consecutivas. No executar desse período, apenas em 2005/06 experimentaria o escalão secundário. De seguida, intercaladas por uma nova passagem pelo Boavista, emergiriam as experiências no estrangeiro, com as camisolas dos cipriotas do Omonia, do Nea Salamina e dos israelitas do Hapoel Haifa a colorirem tal trecho. Finalmente dar-se-ia o regresso a Portugal para, em 2010/11, ingressar e encetar um capítulo de 5 anos ao serviço da UD Oliveirense. Daí em diante, o atleta manter-se-ia pelos escalões secundários e numa caminhada que duraria até ao termo das provas agendadas para 2020/21, o futebolista ainda juntaria ao currículo pessoal as camisolas do Salgueiros, do Canelas e do Pedras Rubras.

1653 - SÉRGIO NUNES

Seria como mais um “Bebé do Mar” que Sérgio Nunes, depois de terminar o percurso formativo nas “escolas” do Leixões, entraria em cena no contexto competitivo sénior. Sem deixar a colectividade sediada em Matosinhos, a primeira época passada na equipa principal levá-lo-ia a disputar a divisão de Honra de 1992/93. Ao afirmar-se como uma das boas surpresas do plantel, logo nesse final de época, o defesa-central ganharia um prémio pelos seus desempenhos. Convocado aos trabalhos dos colectivos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol, o jovem atleta, integrado nos sub-21, acabaria convocado a disputar o famoso Torneio de Toulon. Em França, chamado a jogo por Nelo Vingada, o atleta participaria em 3 partidas e ajudaria, ao lado de nomes como Costinha, Tuilpa ou Litos, a levar Portugal até às meias-finais do certame gaulês.
Também com o listado vermelho e branco do Leixões, Sérgio Nunes continuaria a dar sinais de uma evolução a prometer-lhe outros voos. Todavia, a despromoção da equipa matosinhense na época seguinte à da sua estreia como sénior, fá-lo-ia mudar de rumo e rubricar uma nova ligação. Com contrato assinado pelo Desportivo das Aves a partir de 1994/95, o jogador manter-se-ia como um elemento de enorme fiabilidade. Apesar de um arranque algo discreto, as campanhas seguintes voltariam a sublinhá-lo como um intérprete promissor e plenamente orientado para as disputas do colectivo sediado no concelho de Santo Tirso. Ainda assim, ao fim de 3 anos, a preferência do jogador seria dada à União de Leiria e a mudança para a “Cidade do Lis” surgiria com o início da temporada de 1997/98.
A entrada no Estádio Magalhães Pessoa mantê-lo-ia nas contendas da divisão Honra. Contudo, ao contrário do que até aí tinha ocorrido, o final da primeira temporada, onde seria orientado por Vítor Oliveira, traria ao percurso do jogador, não só a vitória no escalão referido no começo deste parágrafo, mas a subida ao patamar maior do futebol luso. No convívio com os “grandes”, já com Mário Reis como “timoneiro”, Sérgio Nunes destacar-se-ia como um dos nomes mais interessantes dessa campanha de 1998/99. Os desempenhos pessoais, como esteio do 6º lugar atingido pelo colectivo beirão no Campeonato Nacional, faria com que outros emblemas olhassem para si como um hipotético reforço. Quem venceria a corrida pelo seu concurso viria a ser o Benfica e logo no dia de assinar o novo contrato, o atleta mostraria uma justa ambição – “Quero impor-me. A minha vida tem sido feita de etapas e esta é mais uma. Tenho de estar preparado para este desafio, pois se as pessoas não confiassem em mim não teria chegado a este ponto da minha carreira”*.
Apesar da aspiração manifestada, a verdade é que Sérgio Nunes revelaria algumas dificuldades em adaptar-se no Benfica. Tapado por Paulo Madeira e pelo brasileiro Ronaldo, o defesa-central nunca conseguiria impor-se como uma primeira escolha para Jupp Heynckes. Ainda assim, a temporada de entrada na Luz não seria má de todo, com o jogador a aparecer em campo com uma boa regularidade. O pior viria com a campanha seguinte, onde, para além do técnico alemão, ainda seria treinado por Toni e por José Mourinho. Praticamente sem jogar, o atleta seria dispensado pelas “Águias”. Seguir-se-iam 3 anos ao serviço do Santa Clara, com os 2 primeiros ainda na disputa do escalão maior. Depois emergiria no seu caminho aquele que, num regresso a uma casa conhecida, surgiria como o emblema mais representativo da sua caminhada sénior. De novo ao serviço do Desportivo das Aves, as 6 épocas consecutivas passadas na agremiação nortenha, dar-lhe-ia ao currículo a última aparição na 1ª divisão. Após essa época de 2006/07, não mais voltaria aos palcos principais do desporto português e com a saída da colectividade do município de Santo Tirso com o termo das provas agendadas para 2009/10, as duas últimas temporadas da sua carreira seriam vividas com as cores do Freamunde.

*retirado do artigo de António José Oliveira, publicado a 17/06/1999, em www.record.pt

1233 - VÍTOR MANUEL

Oriundo de um lar com vincadas tradições no futebol português, onde o pai e o irmão, respectivamente Paulista e Vasco, almejariam tornar-se figuras maiores da história do Clube Desportivo das Aves, seria também no popular emblema sediado no Concelho de Santo Tirso que Vítor Manuel daria continuidade ao uso familiar. Depois de cumprir a formação com o listado alvirrubro, o médio, corria a temporada de 1988/89, subiria à equipa principal. Mesmo com as dificuldades inerentes a um desafio mais exigente, a sua evolução, um par de anos após a estreia como sénior, levá-lo-ia a assumir no grupo de trabalho um papel de maior monta. Sempre a disputar a 2ª divisão, essa importância, sublinhada pela época de 1992/93, em que, para além da titularidade, também conseguiria destacar-se por uma boa quantidade de golos marcados, levá-lo-ia a ser tido como um bom reforço para colectividades primodivisionárias. Nesse sentido, seria em Lisboa que viria a arranjar nova morada.
Ao serviço do Belenenses a partir da campanha de 1993/94, muito para além dos primeiros passos dados no escalão máximo do futebol nacional, Vítor Manuel manter-se-ia como um centrocampista de bons índices físicos, fortes características defensivas, mas também como um intérprete com bastante criatividade. Essas qualidades dar-lhe-iam um lugar de destaque na época de estreia entre os “grandes”, conseguindo marcar presença em grande parte das pelejas agendadas aos “Azuis”. Curiosamente, a temporada seguinte pautar-se-ia por uma maior discrição e esse facto levaria o atleta a procurar um novo destino.
No Alentejo, as 4 temporadas a envergar as cores do Campomaiorense tornar-se-iam, na minha humilde opinião, no melhor período da carreira de Vítor Manuel. Com 3 campanhas disputadas no patamar máximo, o único ano passado no escalão secundário, entregaria ao currículo do atleta o título de campeão da Divisão de Honra. Claro está que o momento de maior importância vivido com os “Galgos” viria a ser a presença na final da edição de 1998/99 da Taça de Portugal. Ao ser chamado à convocatória pelo treinador José Pereira, a participação do médio no derradeiro desafio da denominada “Prova Rainha” começaria no banco de suplentes. Entraria em jogo ainda com o resultado num empate a zeros. Todavia, a sua presença em campo seria insuficiente para evitar a vitória adversária e, com o “placard” final a marcar 1-0, veria o Beira-Mar a erguer o prestigiado troféu.
Seguir-se-ia na caminhada profissional do atleta a ligação ao Farense. À capital algarvia chegaria na temporada de 1999/00 e para trabalhar com João Alves, um dos técnicos presentes na passagem do jogador pelo emblema de Campo Maior. Mesmo com a saída do referido treinador a meio da sua primeira época em Faro, o trabalho do médio não perderia relevância e Vítor Manuel manter-se-ia como um dos elementos mais utilizados. Ainda assim, no final do segundo ano dar-se-ia o fim da união entre o centrocampista e a agremiação do Sotavento. Mantendo-se na 1ª divisão, a campanha de 2001/02 vivê-la-ia ao serviço do Varzim. Porém, a descida de patamar dos poveiros e um, mais que certo, apelo do coração, levá-lo-ia, em 2002/03, a voltar ao Desportivo das Aves – "Estes nove anos em que estive fora do clube deram-me maturidade e força para poder ajudar mais (…). Entendi que era o momento para regressar. Por isso, aqui estou no máximo dos meus recursos para dar tudo o que sei"*. Ora, a força revelada perante os órgãos de comunicação social, mesmo tendo em conta o retorno ao 2º escalão, daria os seus frutos alguns depois. Em 2006/07, com as cores do emblema da sua terra natal, voltaria à 1ª divisão e no final do Campeonato daria como terminada a caminhada na alta-competição.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 08/07/2002

1202 - KATSOURANIS

Depois da estreia, contava apenas 16 anos de idade, na equipa principal do Panachaiki, Kostas Katsouranis, fruto de uma normal inexperiência, demoraria ainda um par de anos até conseguir afirmar-se no conjunto da cidade de Patras. Todavia, a qualidade demonstrada durante esses primeiros anos a disputar o escalão máximo grego, daria logo a entender um futuro auspicioso para o médio. Para confirmar essa projecção, a temporada de 1998/99, a terceira do jovem atleta como sénior, revelá-lo-ia como titular. Com o lugar no “onze” a permitir uma maior visibilidade, a avaliação feita às suas exibições divulgariam um atleta muito completo.
Multifacetado, o seu posicionamento no miolo do terreno de jogo permitir-lhe-ia, não só cumprir na perfeição todas as tarefas defensivas, como mostrá-lo como um futebolista de fino recorte técnico, enorme visão de jogo e até com uma capacidade bem acima da média para aparecer em zonas de finalização. Essas características, após cumpridas 6 temporadas a envergar as cores do Panachaiki, levariam os maiores clubes da Grécia a irem no seu encalço. Com o Panathinaikos e o Olympiacos a tomarem a dianteira, seria, no entanto, o AEK a conseguir convencer o centrocampista a rubricar um contrato.
A mudança para a capital Atenas na temporada de 2002/03, para além de manter Katsouranis como titular, traria para a sua carreira outros reconhecimentos. O primeiro chegaria com a estreia do jogador pela principal selecção helénica. Chamado aos trabalhos da equipa nacional pelo alemão Otto Rehhagel, o particular frente à Suécia, disputado em Norrköping a 20 de Agosto de 2003, marcaria o começo de uma caminhada que terminaria com 116 internacionalizações. Pelo meio, disputaria 2 Mundiais, 1 Taça das Confederações e 3 Europeus. Como é óbvio, no meio de tão importantes torneios, o destaque iria para o Euro 2004 e, com o médio a marcar presença no “onze” inicial, para a vitória da Grécia na final frente a Portugal.
Em 2006/07, depois de ter sido premiado com o título de Melhor Jogador da Liga Grega em 2005/06, o jogador arriscar-se-ia na primeira aventura no estrangeiro. Em 3 anos pelo Benfica ganharia apenas a edição de 2008/09 da Taça da Liga. Ainda assim, o médio deixaria a sua marca no clube. De “Águia” ao peito, o grego pautar-se-ia por valores exibicionais excepcionais e por uma constante presença na equipa. Todavia, os passos iniciais dados com os “Encarnados” fariam emergir um episódio bem caricato. Com a equipa da Luz a marcar presença no Torneio do Guadiana, a primeira pré-temporada do médio ficaria marcada por um remate certeiro, no mínimo, espectacular. Ao disputar uma bola bem longe de qualquer baliza, Katsouranis conseguiria a proeza de marcar um autogolo praticamente do meio-campo!
Com alguns problemas familiares a atormentar o atleta, a sua decisão de regressar à Grécia dar-se-ia no Verão de 2009. No Panathinaikos, voltaria a pautar-se como um futebolista de grandes qualidades e ajudaria a vencer o Campeonato e a Taça de 2009/10. Contudo, seria ao serviço do PAOK, para onde iria depois do arranque da temporada de 2012/13, que, nesse mesmo fim de época, voltaria a arrecadar o prémio de Jogador do Ano da “Superleague”. Já numa fase descendente da sua caminhada competitiva, Katsouranis tentaria nova sorte no estrangeiro. Passaria pelos indianos do Pune City, viveria um interlúdio no Atromitos e, pondo fim à carreira depois da próxima experiência, em 2015 ainda vestiria a camisola dos australianos do Heidelberg United.
Concluído o trajecto nos relvados, o antigo médio passaria a dedicar-se às actividades desenvolvidas nos bastidores da modalidade. Começaria como Coordenador Técnico do Panachaiki, para, mais recentemente, abraçar as funções de Director Desportivo do Niki Volos.

1025 - ELISEU

A transferência do Marítimo de Angra do Heroísmo para o Belenenses, empurraria Eliseu para mais perto da 1ª divisão. O momento de jogar no escalão máximo, depois de um ano passado nos juniores da “Cruz de Cristo”, surgiria na temporada de 2002/03. Tendo participado em ambas as partidas da Intertoto frente aos croatas do Slaven, a estreia no Campeonato ainda demoraria um pouco a surgir. Depois de 33 jornadas a trabalhar para granjear tal oportunidade, Manuel José, já na última ronda, lá daria ao jovem extremo a merecida presença em campo.
A temporada imediata mostraria Eliseu já como um dos nomes habituais na folha de jogo. A sua evolução faria com que da Selecção Portuguesa de sub-20 surgissem também as primeiras chamadas. Surpreendentemente, o esquerdino, nas campanhas seguintes, começaria a perder o espaço conquistado anteriormente. Esse passo atrás, levá-lo-ia a um empréstimo ao Varzim. O resultado da cedência e da passagem pela divisão de honra, traria os seus frutos. No regresso ao Restelo, o jogador surgiria com outra estaleca. O traquejo ganho serviria para que, mais uma vez, conseguisse vestir com uma frequência agradável a camisola azul. A regularidade que voltaria a patentear mostrar-lhe-ia outros horizontes. No final dessa época de 2006/07 surgiria o interesse de outros emblemas e o atleta partiria para o estrangeiro.
O Malaga, dando azo a uma aposta no “mercado” português, haveria de levar para os seus quadros, para além da jovem promessa do Belenenses, o atacante Paulo Jorge e o defesa Hélder Rosário. Apesar de ter ido disputar o 2º escalão, a mudança para o “País Vizinho” serviria para cimentar Eliseu como um jogador de boas habilidades. Sendo um dos elementos mais utilizados no conjunto da Costa del Sol, o jogador tornar-se-ia num dos principais obreiros da subida de divisão. No patamar máximo da “La Liga” a partir de 2008/09, essa época elevaria ainda mais a sua cotação. De tal maneira subiria o seu valor que de Itália surgiria um convite irrecusável. Contudo, a sua mudança para a Lazio não surtiria o efeito desejado e, após uns meses na “Serie A”, o regresso a Espanha surgiria como solução para a inadaptação ao “calcio”.
O Zaragoza tornar-se-ia numa ponte para que Eliseu voltasse ao Malaga. E se a primeira estadia no emblema do Sul de Espanha havia servido para catapultar o seu estatuto, já a segunda passagem elevá-lo-ia a um nível internacional. A presença do seu clube na “Champions”, onde, ao lado de Antunes e Duda, atingiria os quartos-de-final da edição de 2012/13, tornar-se-ia num bom contributo para o seu crescimento. Por outro lado, o salto dado dever-se-ia também às chamadas à selecção nacional. Depois de Carlos Queiroz, em Junho de 2009, ter permitido ao jogador estrear-se pela equipa “A” de Portugal, o regresso à “La Liga” voltaria a pô-lo nos planos do conjunto das “quinas”.
Para ser correcto, Eliseu só passaria a ser um nome habitual nas convocatórias da selecção aquando da sua mudança para Portugal. Cumprindo um sonho de criança, o jogador assinaria um contrato que, durante anos, tantas vezes havia aparecido como hipótese nos meios de comunicação. Porém, e apesar de muitas vezes ter sido veiculada, a sua ligação ao Benfica só aconteceria em 2014. Apesar de já ter ultrapassado os 30 anos, a prova de que essa barreira é apenas psicológica ficaria bem patente nas suas exibições. Assumindo-se, principalmente nas duas primeiras épocas, como um dos titulares, o atleta rapidamente conquistaria um lugar no coração dos adeptos. Numa altura que, em definitivo, já tinha largado as acções mais ofensivas para passar a posicionar-se na esquerda da defesa, também os títulos começariam a chegar ao seu palmarés. A Supertaça de 2014/15 daria início a um périplo que levaria o atleta à conquista da Taça da Liga de 2014/15 e à vitória em 3 Campeonatos.
Nos festejos de 2017, a selar um “Tetra” nunca antes alcançado pelo Benfica, ficaria para a história a sua mota. No relvado, no balneário e até na Rotunda do Marquês do Pombal, a motorizada haveria de ficar célebre. Para competir em fama, só outro momento na sua carreira. Falamos, como é lógico, na vitória de Portugal no Euro 2016. Chamado para estar em França por Fernando Santos, o defesa acabaria por ser suplente. Ainda assim, e com Raphaël Guerreiro a assumir a primazia na lateral esquerda, Eliseu daria o seu contributo em 2 partidas. Não entraria em campo na final. Porém, a sua ajuda nos jogos frente à Hungria e com a Polónia, seriam de extrema importância naquele que é o marco maior da selecção lusa.
Antes de pôr um ponto final na carreira, tempo ainda para a presença em mais um grande certame internacional. A chamada à Rússia, e ao grupo que disputaria a Taça das Confederações de 2017, precederia a derradeira temporada no seu percurso como futebolista. Em 2018 Eliseu deixaria os campos. Muitos queixar-se-iam do seu “desaparecimento”. Contudo, o antigo defesa regressaria ao Estádio “da Luz”. Em 2019, para comemorar mais um triunfo no Campeonato, o ex-internacional, acompanhado da mítica moto, voltaria ao relvado das “Águias”.

1003 - ARTUR FUTRE

É fácil entender que ao nascer como sobrinho de Paulo Futre, Artur, logo nos primeiros passos dados como futebolista, teria que ter estofo para aguentar as, mais que certas, comparações. Sem que tenha qualquer informação para aferir tal contexto, a verdade é que o avançado, depois de cumprir grande parte do seu percurso formativo no Sporting, haveria de deixar o clube. Já com contrato assinado pelo Alverca, depois de também ter passado pelas “escolas” do Vitória de Setúbal, o jovem atleta haveria de fazer a transição para a equipa principal. Tendo a sua estreia acontecido na temporada de 2002/03, também o Lourinhanense haveria de constar nos primeiros passos da sua carreira sénior.
Por razão do acordo de cooperação entre o clube ribatejano e o emblema da Zona Oeste, Artur Futre haveria de dividir as duas primeiras temporadas entre as referidas colectividades. Mesmo a viver nesse vaivém, os dividendos tirados pelo avançado seriam bem positivos. Aliás, tudo o que o jogador conseguiria mostrar dentro e fora de campo, apontariam para uma promissora carreira. A estreia primodivisionária na campanha de 2003/04 e, na metade inicial dessa temporada, o primeiro jogo feito pela selecção portuguesa de sub-20, transformar-se-iam nas provas de uma evolução animadora.
Atento ao seu crescimento estaria também o Benfica. Já com o atleta a auferir do estatuto de jovem internacional, o emblema lisboeta decidir-se-ia pela sua contratação. No entanto, e com um balneário cheio de craques, a sua integração no plantel “encarnado” de 2004/05 tornar-se-ia numa missão quase impossível. Artur Futre, que podia posicionar-se como avançado ou como “10”, haveria de esbarrar na presença de atletas como Nuno Gomes, Mantorras ou Zahovic. Sem espaço para jogar e preocupados com o seu crescimento desportivo, os responsáveis do clube optariam pela sua cedência. Nesse sentido, regressaria ao Alverca, para, na época seguinte, representar o Maia.
O terceiro empréstimo aconteceria na temporada de 2006/07. Com o Desportivo das Aves de regresso ao escalão máximo português, Artur Futre teria assim mais uma oportunidade para, nos maiores palcos do futebol nacional, conseguir mostrar as qualidades que tinham feito dele uma promessa. Não tendo desperdiçado por completo essa chance, ainda assim a experiência no conjunto nortenho acabaria por ficar aquém do esperado. Mesmo não tendo atingido os números desejados, o que aconteceria no final da referida época acabaria por surpreender muita gente. Com 24 anos apenas, o atacante, passando a dedicar-se à organização de eventos desportivos, decidir-se-ia por uma estranha sabática.
O seu regresso à competição dar-se-ia após um ano de pausa. Em 2008, Artur Futre, dessa feita com as cores do Olímpico do Montijo, voltaria a apresentar-se em campo. Todavia, a disputa dos campeonatos regionais serviriam de pouca inspiração para o atleta. Com 3 campanhas volvidas após a sua decisão de voltar a jogar futebol, Artur Futre, com uma resolução aparentemente mais definida, resolveria abandonar a modalidade.

975 - VASCO MATOS

Com a formação tripartida entre os Aliados da Brandoa, Estrela da Amadora e Sporting, desde muito novo que Vasco Matos mostraria ter habilidade para o futebol. Corajoso, com uma técnica acima da média e uma vontade enorme para fazer golos, o atacante destacar-se-ia em todos os emblemas da sua juventude. Já a jogar em Alvalade, estádio onde estava habituado a ir com o pai, começaria a ser chamado aos trabalhos das jovens selecções portuguesas. Os sub-15 e os sub-17 “lusos” acabariam por sublinhar o sucesso que muitos já tinham como certo para o seu futuro. No entanto, a transição para o patamar sénior revelar-lhe-ia uma realidade nova e o extremo passaria por algumas dificuldades de adaptação.
Tendo evoluído ao lado de nomes como Simão Sabrosa, Marco Caneira ou Ricardo Quaresma, por altura da transição para sénior, Vasco Matos não teria a mesma sorte que estes seus colegas. Sem lugar na equipa principal, segue, a par de Hélder Rosário ou Vasco Faísca, para o “satélite” Lourinhanense. No emblema do Oeste, tendo aí chegado para a temporada de 1999/00, o extremo conseguiria destacar-se pelas boas exibições. Merece igual distinção na campanha seguinte, ao vestir as cores do Sporting “B”. Ainda assim, a sua integração na primeira equipa leonina seria, mais uma vez, adiada. Seguir-se-ia, por empréstimo, o Campomaiorense e o encontro com um treinador que, nos seus primeiros anos de profissional, marcaria a sua carreira.
Diamantino Miranda, ilustre figura do Benfica e da Selecção Nacional, recebê-lo-ia no Alentejo. Mesmo que essa época tenha marcado o fim do futebol profissional em Campo Maior, em termos evolutivos a dita campanha de 2001/02 seria positiva para o jogador. A passagem pela Divisão de Honra, abrir-lhe-ia as portas do patamar máximo do nosso futebol. O Vitória de Setúbal, onde a meio da temporada voltaria a ter o antigo atleta da “Águias” como treinador, seria o emblema que apadrinharia a sua estreia. Findo esse ano, e com a despromoção dos “Sadinos”, novo emblema para Vasco Matos, mas, mais uma vez, o treinador já aqui referido.
A ida para o Felgueiras representaria o seu afastamento da 1ª divisão. Desde esse momento, e com raras excepções, os escalões secundários passariam a ser a sua montra. Beira-Mar e, numa aventura pelo estrangeiro, o Rapid Bucaresti seriam essas prerrogativas. Na Roménia, acima do que foram os ganhos desportivos dessa meia temporada, Vasco Matos viveria muitas histórias rocambolescas – “Lembro-me que fomos jogar ao Cluj, que estava a lutar pelo título com o Steaua, rival do Rapid, e a administração informou o plantel que o Steaua dava 10 mil euros a cada jogador para ganharmos ao Cluj. A dada altura o Sapunaru, que depois esteve no FC Porto, levantou-se aos gritos. Disse que não podíamos ganhar ao Cluj, que o Steaua não podia ser campeão. Ele era todo rapidista. Steaua nem pensar. Perdemos 1-0, e curiosamente o golo foi uma bola nas costas do Sapunaru, mas ele fez um bom jogo (…). Uma vez fomos jogar a Buzau e um diretor estava em campo com uma pistola, para dar outro exemplo (…). Uma vez, num Rapid-Dinamo, estamos a ir para o estádio e o autocarro fica parado por causa da claque do Dinamo que estava a passar. Às tantas o treinador sai e começa a ir a pé para o estádio”*.
Portimonense, Desportivo das Aves, Benfica de Castelo Branco e Vilafranquense seriam os emblemas que colorariam a última parte da sua carreira como futebolista. Tendo posto um ponto final nesse trajecto em 2016, logo de seguida surgiria a possibilidade de encetar a sua vida como treinador. Numa caminhada que ainda é curta e que como técnico principal vai apenas na 3ª temporada, Vasco Matos é por esta altura o homem do momento. A razão? Muito simples! A eliminação do Sporting na 3ª ronda da Taça de Portugal, por parte do Alverca, conjunto do Campeonato Nacional de Seniores que orienta desde o início desta campanha de 2019/20.

*retirado da entrevista dada ao https://maisfutebol.iol.pt, conduzida por Nuno Travassos e publicada a 15/10/2019

886 - DANRLEY

Inspirado pelo tio Beto, também ele guarda-redes do Grêmio de Porto Alegre, Danrley entra para as escolas do clube. Terminada a sua formação, é já em 1993 que o guardião faz a estreia pela equipa principal. Com Luíz Felipe Scolari como treinador, o jovem atleta ganha um lugar de destaque no “onze” inicial. Quase automaticamente, e numa altura em que os do Rio Grande do Sul começavam a dar cartas na conquista de troféus nacionais e continentais, os títulos passam a entrar no seu palmarés. Logo nos primeiros anos da carreira, ao lado de como Mário Jardel (Sporting e FC Porto), Carlos Miguel (Sporting), Cristiano (Beira-Mar e Benfica) ou Paulo Nunes (Benfica), o jogador venceria 3 “Estaduais” Gaúchos, a Copa do Brasil de 1994, o “Brasileirão” de 1996, a Copa dos Libertadores de 1995 e a Recopa sul-americana de 1996.
A evolução que demonstrava, rápida, faria com que a federação escolhesse o seu nome para integrar as comitivas brasileiras em diferentes certames. Atingidas as finais da Copa América de 1995 e da Golden Cup de 1996, outro dos grandes momentos na sua carreira viria com a chamada aos Jogos Olímpicos de Atlanta. Conquistada a Medalha de Bronze, vencida na goleada imposta a Portugal (5-0), a carreira de Danrley prosseguiria de “vento em popa”. É verdade que nunca chegaria a assumir o papel de titular no “Escrete”. Já em sentido contrário, no clube tornar-se-ia indiscutível no escalonamento do “onze” inicial. Aliás, as largas centenas de partidas disputadas e os títulos ganhos durante as 10 temporadas ao serviço dos “Tricolores”, permitiriam que o guardião entrasse tanto no coração dos adeptos, tal como para a história do clube.
Outra das características do jogador sempre foi o seu lado irascível. Por razão dessa maneira de ser, Danrley haveria de saltar inúmeras vezes para as capas dos jornais. As contendas que, durante os anos como profissional, teria com adeptos, árbitros, adversários, treinadores e, inclusive, com colegas de equipa alimentariam regularmente os periódicos. Por razão dessa atitude, e numa altura em que desportivamente a sua hegemonia começava a ficar ameaçada, o guarda-redes decide continuiar ao seu percurso noutros emblemas. Finda a ligação com o Grêmio, o jogador daria início a um período um tanto ao quanto errático. Depois de uma experiência pouco conseguida com o Fluminense, a passagem pelo Atlético Mineiro até deixava adivinhar uma fase mais estável. Puro engano! Logo em 2006, mais uma vez ao lado de Mário Jardel, o internacional “canarinho” é apresentado como um dos principais reforços do Beira-Mar. A sua estadia em Portugal pouco duraria e, logo na abertura do “Mercado de Inverno”, o atleta acertaria a rescisão de contrato com o emblema aveirense.
O resto da sua caminhada pelos “campos da bola” dar-se-ia após o regresso ao seu país. Após terminar a carreira em 2009, o antigo futebolista decidiria afastar-se da modalidade para dar corpo aos seus ensejos políticos. Primeiro pelo Partido Trabalhista e, depois, nas listas do Partido Social Democrata, Danrley tem sido eleito e assumido as tarefas de Deputado Federal, representando o Estado do Rio Grande do Sul.

877 - MONDRAGÓN

De ascendência libanesa, Faryd Mondragón nasceria na cidade colombiana de Cali. Seria nessa mesma localidade que no Deportivo local, daria os primeiros passos de um percurso que quase atingiria as duas décadas e meia.
Depois de, nos primeiros anos de carreira, ter cirandado por alguns emblemas do seu país e pelos paraguaios do Cerro Porteño, é a ida para a Argentina que começa a solidificar o seu percurso a nível de clubes. Curiosamente, e mesmo antes de conseguir afirmar-se numa colectividade, Mondragón já fazia parte de um restrito grupo de atletas que, no início dos anos 90, era visto como a elite do futebol colombiano. Nesse sentido, a chamada aos Jogos Olímpicos de Barcelona, seguidas das presenças na Copa América de 1993 e Mundial de 1994, serviria para atestar todas as expectativas criadas à sua volta.
A passagem pelo Argentino Juniors e, mais tarde, a sua transferência para o Independiente mostrariam Mondragón como um dos melhores guardiões da América do Sul. No emblema de Avellaneda onde, no cômputo de 3 diferentes períodos, passaria 6 temporadas, o atleta ganharia alguns dos mais importantes troféus da sua carreira. Mesmo sem conseguir ajudar os “Diablos Rojos” a conquistar a liga argentina, a sua presença no “onze” seria importante para que, em 1995, a Recopa Sudamericana e a Supercopa Libertadores acabassem nos escaparates do clube.
Claro está que a projecção que começava a ter, torná-lo-ia num alvo apetecível por outras paragens. Do outro lado do oceano começariam a surgir propostas pela sua contratação e o atleta, não podendo virar as costas a tais oportunidades, faria as malas e viajaria para a Europa. Contudo, aquilo que é o sonho de muitos futebolistas sul-americanos, para Mondragón não passaria de uma má experiência. A época de 1998/99, já depois de mais uma presença no Campeonato do Mundo, seria passada ao serviço do Real Zaragoza. Essa campanha, apesar da esperança nela depositada, ficaria abaixo das expectativas. Poucas presenças em campo e, no final da referida época, o regresso à Argentina.
Não tardou muito até que o guarda-redes voltasse a aventurar-se pelo “Velho Continente”. Em 2000, o jogador chega a França para jogar pelo Metz. Dessa feita, a história até parecia encaminhar-se para um desfecho completamente diferente. Todavia, e apesar da preponderância conquistada no seio do plantel gaulês, o desfecho da temporada traria mais um “amargo de boca” ao percurso do guarda-redes. Acusado de usar um passaporte grego falso, o futebolista acabaria em tribunal. Mesmo tendo o clube alegado que os lugares para extra-comunitários não estavam preenchidos, a sansão desportiva também não tardou. Impedido de jogar em França, o atleta não teve outra alternativa senão procurar abrigo noutras paragens.
Curiosamente, a trapalhada vivida em França levá-lo-ia a uma boa experiência. A opção encontrada empurrá-lo-ia até à Turquia. Contratado pelo Galatasaray, o guarda-redes conseguiria jogar regularmente e, acima de tudo, assumiria um papel importante aos olhos da massa adepta. Nas 6 temporadas passadas em Istambul, e com os títulos conquistados em 2001/02 e 2005/06, Mondragón sagrar-se-ia, pela primeira vez na sua carreira, campeão nacional.
Mesmo com uma passagem marcada pela regularidade, a última época ao serviço do emblema turco seria especialmente positiva. Tanto assim foi que, mesmo tendo em conta os 37 anos, o FC Köln não hesitaria no momento de o contratar. Na Bundesliga os seus níveis exibicionais manter-se-iam elevados. Claro está que a idade começaria a pesar e, mesmo depois de ultrapassar a barreira dos 40, o fim do seu percurso profissional não parecia estar à vista. Philadelphia Union e o regresso ao Deportivo Cali, completariam o resto da sua carreira. No entanto, a sua caminhada não chegaria ao fim sem antes conseguir mais uma bela marca para o seu palmarés. Convocado para o Mundial de 2014, a sua entrada na partida frente ao Japão quebraria mais um recorde. Com 43 anos e 3 dias, Mondragón, ultrapassando o camaronês Roger Milla, tornar-se-ia no atleta mais velho a disputar uma fase final do Campeonato do Mundo.

788 - LÉO

Saído das escolas do Americano, emblema de Campos dos Goytacazes, o início do seu percurso profissional haveria de ser algo agitado. Em constantes mudanças, Léo, nos primeiros anos da sua carreira, passaria por diferentes emblemas. Depois de ter merecido algum destaque na colectividade que o tinha formado, o União de São João decide então contratá-lo. Igual sucesso teria no seu novo clube e, nem a estreia no principal escalão do “Brasileirão”, atrapalharia a sua evolução.
O único revés nessas temporadas iniciais, aconteceria na ida para o Palmeiras. Sem que Luiz Felipe Scolari concedesse grandes oportunidades ao atleta, os poucos meses passados no Palestra Italia tornar-se-iam num pequeno desaire. Contudo, e como diz o povo, “depois da tempestade vem a bonança”. Ora, a sua transferência para o Santos provaria isso mesmo. Sendo um atleta que, apesar da baixa estatura, nunca soube virar as costas à luta, Léo conseguiria conquistar os responsáveis técnicos do clube de São Paulo. Na Vila Belmiro, as boas exibições levá-lo-iam a merecer a chamada ao “Escrete”. Com a principal selecção “canarinha”, o lateral-esquerdo participaria na Taça das Confederações de 2001. Todavia, a melhor participação no dito certame, estaria reservada para a edição de 2005. Numa equipa recheada de estrelas, onde estava incluído o benfiquista Luisão, o defesa daria a sua contribuição para a vitória do Brasil.
Voltando ao clube, também ao serviço Santos conseguiria o seu quinhão de conquistas. É certo que a primeira passagem não seria tão prolífera quanto a segunda. Ainda assim, e sendo um dos atletas mais utilizados no plantel, as temporadas que se seguiriam à sua chegada em 2000, dariam ao atleta 2 vitórias no “Brasileirão” (2002; 2004). Mas, muito mais do que qualquer título conquistado, aquilo que maior destaque merecia era a “raça” que Léo mostrava dentro de campo. Mesmo sendo um defesa seguro, também no auxílio ao ataque o lateral era bastante eficaz. Esses predicados fariam com que o Benfica, para a temporada de 2005/06, decidisse apostar na sua contratação. Apesar dos 30 anos de idade, as qualidades técnicas e a disponibilidade que sempre mostrou, permitiriam que a sua adaptação ao futebol europeu acontecesse com facilidade. Esse facto faria com que, logo à sua chegada, conseguisse conquistar um lugar no “onze” inicial. Nas 4 épocas que se seguiriam, o atleta venceria 1 Taça da Liga e 1 Supertaça. Contudo, a sua maior vitória seria a conquista do coração dos adeptos. Aliás, e como as suas palavras o comprovam, a paixão sempre foi reciproca – "Foram tempos muito bonitos. Identifiquei-me muito com o clube e com os adeptos. Eles sempre me trataram como se estivesse em casa. Estive aí em agosto e foi bonito de ver que fiquei na história do clube, não esperava ver-me nesse museu tão lindo. O Benfica fez sentir-me que fui especial para todos"*.
A sua saída do Benfica aconteceria na época de Quique Flores. O regresso ao Santos em 2009, haveria de dar ao atleta a oportunidade de conquistar alguns dos maiores títulos da sua carreira. Já numa fase descendente do seu percurso como futebolista, conseguiria, ainda assim, ser de extrema importância para os seus colegas. Ao lado de craques como Elano, Ganso ou Neymar, Léo ajudaria o “Peixe” a conquistar 3 “estaduais” paulistas, 1 Copa do Brasil, a Copa dos Libertadores de 2011 e, no ano seguine, a Recopa Sudamericana. Esta última fase da sua carreira acabaria também por contribuir para outros recordes. Léo tornar-se-ia num dos atletas com mais jogos feitos pelo emblema “alvi-negro” e, na era pós-Pelé, no jogador com mais títulos ganhos pelo clube. Ora, esta ligação seria celebrada em conjunto com outra data histórica. Por altura dos 100 anos da Vila Belmiro, Santos e Benfica juntar-se-iam num amigável e, desse modo, fariam uma homenagem ao defesa.

 
*retirado do artigo de Gonçalo Lopes, publicado em http://www.dn.pt, a 08/10/2016

739 - RICARDO ROCHA

Depois de um período de formação onde passaria por diversos emblemas, é o regresso ao Famalicão que, em 1997/98, marca o começo da sua caminhada como sénior. Ainda a actuar na 2ª divisão “b”, as boas exibições do defesa levariam a que o Sporting de Braga apostasse na sua contratação. Ainda assim, e mesmo sendo tido como um bom investimento, Ricardo Rocha, ao invés de ser colocado no plantel principal, acabaria a trabalhar com os “bb” bracarenses.
Após a época de estreia na “Cidade dos Arcebispos”, e de uma segunda em que, na primeira equipa, começaria a aparecer com relativa frequência, é a temporada de 2001/02 que, em definitivo, o põe nas “bocas” do futebol nacional. Extremamente seguro na hora de defender, Ricardo Rocha mostrava qualidades que, ao contrário de muitos dos seus colegas de posição, também faziam com que a bola, sempre que na sua posse, fosse o mais “bem tratada” possível. Esses predicados, que haveriam de pô-lo na primeira linha de escolhas do Sporting de Braga, acabariam por ser os mesmos que atrairiam os responsáveis do Benfica. Sendo os “Encarnados”, como o próprio haveria confessar, o “clube do seu coração”, a mudança para a “Luz” como que tomaria contornos de inevitabilidade. A estreia acabaria por acontecer no Verão de 2002 e, desde logo, o central afirmar-se-ia como um dos principais elementos da equipa.
Incontornavelmente, terei de referir os títulos como os pontos mais altos da sua passagem pelo Benfica. Também é certo que houve outros momentos bem marcantes. Ora, sendo Ricardo Rocha um atleta que, pelas suas aptidões técnicas, podia ocupar diversas posições na defesa, um desses episódios acabaria por estar relacionado com uma adaptação – “Embora o ‘mister’ alternasse entre mim e o Anderson a central, com a lesão do Nélson, faltavam opções naquela posição e, embora com dúvidas, Koeman chamou-me ao gabinete e disse que ia apostar em mim a lateral-direito no jogo antes da Champions, para a Liga, precisamente com o Braga. Como a experiência correu bem, tive a oportunidade de defrontar o melhor jogador do mundo na altura, Ronaldinho Gaúcho. Lembro-me perfeitamente na altura de tanto adeptos, como comentadores dizerem que era um erro eu jogar, que ao fim de 10 minutos seria expulso. A verdade é que fiz um grande jogo, sem cartões e sem uma única falta feita”*.
Resultado dos troféus ganhos, presença na Liga dos Campeões e das chamadas à selecção nacional, Ricardo Rocha vê a sua cotação a aumentar. Nesse sentido, o assédio por parte de outros emblemas começa também a sentir-se. É já com 1 Taça de Portugal (2003/04), 1 Campeonato (2004/05) e 1 Supertaça (2005/06) que, a meio da temporada de 2006/07, o jogador deixa Lisboa para viajar até Londres. Ao serviço do Tottenham, muito por culpa das lesões, Ricardo Rocha vê-se posto de parte. Apesar das propostas de outros emblemas, inclusive de Portugal, os responsáveis do clube londrino teimariam em não deixar sair o atleta. Praticamente sem jogar durante os 2 anos e meio de vínculo, só mesmo no final do contrato é que o defesa conseguiria ir em busco de um novo rumo.
A solução apareceria vinda da Bélgica. Com László Bölöni aos comandos do Standard de Liège, a ida de Ricardo Rocha para aquele país tornar-se-ia fácil. Com o clube a atravessar uma boa fase, como comprova a presença na “Champions”, o atleta conseguiria projectar-se de tal modo que, após meio ano afastado de Inglaterra, volta a receber nova proposta de “Terras de Sua Majestade”. Desta feita, o convite apareceria do Portsmouth.
Mesmo estando à beira de uma crise financeira, ainda assim, o emblema do Sul do país, nessa temporada de 2009/10, conseguiria o feito de atingir a final da Taça de Inglaterra. Nessa caminhada, destaque para o embate nas meias-finais com o Tottenham, o antigo clube de Ricardo Rocha – “Graças a Deus, ganhámos o jogo por 2-0 e eu fui considerado o melhor jogador em campo, o que me deu uma satisfação do outro mundo!”*.
Com a queda do Portsmouth nos escalões secundários, também a carreira de Ricardo Rocha começou a entrar na fase descendente. Já depois de ter sido distinguido pelo clube com o prémio de Jogador do Ano, o atleta acabaria por deixar o Fratton Park no final desse 2011/12. Entretanto, sem conseguir arranjar novo clube, o jogador começaria a treinar à experiência noutros emblemas. Ipswich Town e Leeds United acabariam por ser testes falhados. Nisto dá-se o regresso ao Portsmouth e, com o terminar da temporada de 2012/13, o ponto final na sua vida como futebolista.


*retirado da entrevista em “grandecirculo.net”, a 24 de Outubro de 2014

737 - JORGE LEITÃO

Durante anos a fio, o avançado não passou de um desconhecido para o futebol português. Tanto assim foi que, apenas aos 24 anos de idade, Jorge Leitão conseguiria deixar os “regionais” para ingressar num emblema com alguma tradição. Depois de Coimbrões e Avintes, eis que, na temporada de 1998/99, chega a vez do Feirense. Com este novo contrato, chega também a oportunidade para disputar a divisão de honra (2º escalão). Contudo, as boas exibições do atacante seriam insuficientes para afastar a equipa de uma má classificação e, no final dessa campanha, o atleta acabaria por conhecer o amargo da despromoção.
Se em termos colectivos Jorge Leitão andava longe do sucesso, as prestações que conseguiria durante as 2 épocas passadas ao serviço do emblema de Santa Maria da Feira, fariam com que recebesse um convite surpreendente. De Inglaterra, os responsáveis do Walsall pareciam interessados no seu concurso. É então, no Verão de 2000, que Jorge Leitão faz a sua primeira aparição com a camisola do clube. Numa digressão pela Escócia, e logo no jogo de estreia, o avançado acabaria por marcar 2 golos. Impressionado com a sua exibição, o “manager” Ray Graydon, com medo de que nas bancadas estivessem outros “olheiros”, haveria de o substituir ao intervalo. Dias depois terminaria o período experimental e firmar-se-ia o contrato que daria início a uma ligação de 5 anos e meio.
A partir desse desafio inicial frente ao Raith Rovers, até ao momento da sua despedida, a estima entre Jorge Leitão e os seguidores do clube foi crescendo – “Desde o primeiro dia, os fãs sempre me apoiaram e isso teve grande significado. Eu nunca esquecerei porque, vindo do estrangeiro para adaptar-me a um novo país, isso ajudou-me verdadeiramente”*. Logicamente, esse apoio haveria de ser alicerçado naquilo que o atleta mostrava dentro de campo. Logo nesse primeiro ano, o rol de golos que conseguiria em todas as competições, a rondar as duas dezenas, pô-lo-ia no topo das preferências dos adeptos. Mesmo em anos menos prolíferos, a admiração que os apoiantes dos “Saddlers” por si nutriam, não diminuía. Isso justificava-se pela sua atitude, pela incansável entrega e intrépida veia lutadora.
A meio da temporada de 2005/06, seria o jogo frente ao Blackpool que marcaria o adeus de Jorge Leitão. Durante grande parte do desafio, os adeptos entoariam o seu nome e aplaudiriam todas as suas jogadas. O atleta acabaria lavado em lágrimas. Todavia, na razão da sua partida, para além de um convite do Beira-Mar, estava a enorme vontade de voltar ao seu país. O regresso a Portugal, e depois da promoção conseguida no final da já referida temporada, levaria a que o jogador conseguisse estrear-se na 1ª divisão. Contudo, a presença de fortes concorrentes à disputa de um lugar no “onze”, casos de Mário Jardel, Rui Lima entre outros, acabaria por retirar-lhe alguma preponderância.
Ainda no decorrer desse campeonato, o avançado deixaria o emblema de Aveiro para voltar a uma casa bem conhecida. Mais uma vez com as cores do Feirense, a mudança de emblema como que marcaria a entrada na derradeira fase da sua carreira. De regresso aos escalões secundários, Jorge Leitão ainda representaria o Arouca. Depois, em 2012, acabaria por pôr termo à sua vida nos relvados. Contudo, manter-se-ia ligado à modalidade e, sem abandonar o emblema do Distrito de Aveiro, encetaria o seu caminho como treinador-adjunto.
Seria já no desempenho das novas funções que, no Verão de 2014, recebe um convite do Walsall. O clube inglês pretendia juntar antigos atletas para a disputa de uma “partida amigável”. Entre outras glórias, Jorge Leitão seria recebido como uma verdadeira “lenda”. Muito para além do jogo, o antigo avançado seria chamado a participar num convívio com os adeptos do clube, onde, num “pub” local, haveria de participar numa sessão de autógrafos e fotografias.


*retirado do artigo de Andrew Poole, em www.saddlers.co.uk, a 12 de Julho de 2014

731 - HILÁRIO

Produto das escolas portistas, Hilário, por conta de uma forte concorrência, acabaria por nunca conseguir afirmar-se de “Dragão” ao peito. Logo após o fim da sua formação, uma primeira cedência à Naval 1º de Maio (1994/95), para, logo de seguida, vestir as cores da Académica de Coimbra (1995/96), daria início a um périplo que, salvo algumas excepções, o manteria afastado do FC Porto.
O primeiro regresso ao Estádio das Antas ocorreria na temporada de 1996/97. Ainda que a saída de Vítor Baía para o Barcelona tenha dado mais chances ao guardião, a preferência por outros atletas, casos de Rui Correia, Costinha ou Wozniak, acabaria por, em grande parte das jornadas, afastar Hilário do “onze” titular. Novos empréstimos, num atleta em franca evolução, acabariam por solucionar a sua falta de jogos. Nesse sentido, Estrela da Amadora, Varzim e Académica, entre as temporadas que seria chamado a defender as redes do FC Porto, tornar-se-iam numa espécie de novos interlúdios.
É já com importantes títulos a colorir o seu currículo, que Hilário chega à ilha da Madeira. 2 Campeonatos e 3 Taças de Portugal seriam os principais títulos conquistados pelos “Dragões”, durante o período passado pelo guarda-redes na “Cidade Invicta”. Por essa razão, a sua chegada ao Nacional na época de 2003/04, acabaria por fazer dele um dos principais reforços para a referida temporada.
Inicialmente por empréstimo, a partir do 2º ano Hilário passa, em termos definitivos, a fazer parte do plantel “Alvi-Negro”. Tendo conseguido agarrar a titularidade, a verdade é que a chegada do suíço Benaglio acabaria, mais uma vez, por pôr em causa esse seu estatuto. Surpreendentemente, e após uma temporada intermitente, chega o convite do Chelsea (2006/07). Com José Mourinho aos comandos do clube, Hilário é contratado pelos londrinos. Quase sempre na sombra de Petr Cech, e durante os anos que passou ao serviço dos “Blues”, o jogador pouco mais passou da condição de suplente. Ainda assim, a temporada da sua chegada, com a grave lesão sofrida pelo guarda-redes da República Checa, daria ao português a oportunidade de justificar a sua transferência.
Mesmo sem ser utilizado com regularidade, da selecção chega uma oportunidade. Hilário, que já tinha internacionalizações nas camadas jovens e, inclusive, tinha sido chamado a jogar pela equipa “b”, é convocado por Carlos Queiroz. A sua estreia com a “camisola das quinas” acabaria por acontecer após a campanha de apuramento para o Mundial de 2010. Num particular frente à China, e entrando para o lugar de Eduardo, Hilário, e pela primeira vez, representaria a principal equipa de Portugal.
É no final de 2013/14, que Hilário decide anunciar o fim da sua carreira como futebolista. Depois de, pelo Chelsea, ter conquistado mais uma brilhante série de títulos (1 Liga; 4 FA Cup), o guarda-redes decide aceitar o convite do clube e passar para o corpo técnico. Desde então, tem feito parte das equipas de treinadores e, com os conhecimentos conseguidos ao longo de duas décadas, tem ajudado os atletas do clube a melhorar os seus atributos.

628 - MICHAEL OWEN

Há sempre alguma dificuldade em afirmar, com certeza absoluta, que um bom atleta na “formação”, no muito que ainda tem de carreira, irá manter-se como um bom jogador. Ora a desconfiança que, nesse sentido, poderia ter pairado sobre Michael Owen, rapidamente se dissipou.
O jovem atacante que, por altura da sua estreia nos seniores, já tinha uma série de chamadas às selecções jovens inglesas, entrava na principal equipa do Liverpool, com 16 anos. A tenra idade, no entanto, não o impediria de, logo nesse primeiro jogo, marcar um golo. Aliás, a naturalidade com que se apresentava nas áreas adversárias, era um dos seus principais atributos. Desde os primeiros pontapés na bola, que, dentro de campo, o “golo” era o seu melhor companheiro. Os recordes que, por esses tempos, bateu, acompanhá-lo-iam, também, em Anfield. À excepção dessa temporada de estreia, em todas as outras, acabaria por demonstrar para o que estava talhado. Nesse sentido, Michael Owen, entre 1997/98 e 2003/04, conseguiria ser sempre o melhor marcador da equipa.
A habilidade goleadora de Owen em muito fortaleceria o Liverpool. Tendo vencido, em dois anos consecutivos (1997/98; 1998/99), o prémio de Melhor Marcador da Liga Inglesa, os seus golos, acima de tudo, devolveriam o clube aos caminhos da glória europeia. A Taça UEFA de 2000/01 e a Supertaça europeia do ano seguinte, como que a relembrar os brilharetes nos anos 80, acabariam por ser disso exemplo.
Esses troféus, que à falta da vitória na Liga inglesa, eram um excelente consolo, levariam a que a “France Football”, para o ano de 2001, consagrasse Michael Owen com o “Ballon d’Or”. A distinção confirmava o avançado como um dos melhores executantes, a nível mundial. Outra prova desse estatuto, seria o interesse de diversos emblemas no seu concurso. Ora, quem, no defeso de 2004, conseguiria convencer Owen a mudar de cor, acabaria por ser o Real Madrid. Contudo, aquilo que seria visto como um passo em frente na sua carreira, acabaria por revelar-se um pouco diferente.
A mudança para a “La Liga”, para um ataque em que conviviam nomes como os de Morientes, Raúl ou Ronaldo, mostraria um jogador com dificuldades em adaptar-se. Sem conseguir impor-se no “onze” “Merengue”, e com a pressão por parte da massa adepta, a estadia do atleta acabaria por ser muito curta. No entanto, muito mais do que o falhanço nessa aventura por Espanha, as “mazelas” que a aventura deixaria no jogador, acabariam por afastá-lo das suas melhores exibições.
É certo que a sua transferência para o Newcastle, mesmo tendo em conta as lesões que o começariam a assolar, devolveria Michael Owen a um bom nível. Os £16.8 milhões pagos, recorde para o clube, acabariam, principalmente nas últimas 2 épocas, por ter algum retorno. Os 4 anos passados em St. James Park, confirmariam o avançado como um dos habituais na selecção inglesa. Ele que já tinha feito a sua estreia, com 19 anos apenas, no França 98, acabaria, depois de marcar presença no torneio organizado por Japão e Coreia do Sul (2002), por conseguir a sua terceira chamada a um Mundial (2006).
Não sei se tendo esse facto em consciência, o Manchester United aposta na sua contratação. O regresso a um clube de topo, acabaria por, mais uma vez, mostrar um Michael Owen um tanto descontextualizado. Sem nunca conseguir ser titular indiscutível, a sua ida para Old Trafford acabaria por ter outra vantagem. Ele que, a nível nacional, e durante as 8 temporadas em que representou o Liverpool, apenas tinha vencido 4 Taças (1 Taça de Inglaterra; 2 Taças da Liga; 1 Community Shield), conseguiria a sua primeira Liga Inglesa.
A conquista do título de Campeão em 2010/11, como que anteciparia o terminar da sua carreira. Esse fim, numa fase em que já eram bem visíveis as suas dificuldades, ocorreria um pouco mais cedo que o normal. Arrasado por graves lesões, Michael Owen, com 33 anos e já ao serviço do Stoke City (2012/13), acabaria por se retirar dos relvados. Desde então, o antigo internacional tem-se mantido afastado do futebol. As únicas aparições têm sido feitas nos canais de televisão, onde vai mantendo um lugar como comentador.

280 - BOULAHROUZ

Se pensarmos que foi o Sporting um dos clubes que, neste defeso, mais contratou em Portugal, então, a surpresa já não é assim tão grande por constatarmos que em quatro cromos "colados" este mês, Boulharouz é o terceiro que veste agora a camisola das riscas verdes e brancas! Tirando esta gracinha, há outro facto no internacional holandês que é de destaque. É que, pela primeira vez, estou a comentar a aquisição de um jogador para o sector onde, no plantel leonino, até parece haver falta de gente!
Com o avançar no terreno de Carriço, que agora é "trinco"; com as constantes lesões do peruano Rodriguez, que acabaram na sua dispensa; com o próprio clube a tentar diminuir a folha salarial, o que levou à saída de Onyewu, restaram poucos centrais para fazer a nova temporada. Um pouco nesse sentido, a chegada de Boulahrouz veio colmatar a necessidade defensiva que, pelas razões enunciadas, passou a ser bem evidente. Claro está que o atleta neerlandês não veio apenas para fazer número. Todos os que seguem a modalidade reconhecem-no pelas suas qualidades como futebolista, as quais já levaram o jogador a representar alguns dos melhores emblemas europeus, como Chelsea, Sevilla ou VfB Stuttgart. Para já, de “Leão” ao peito, fez aquilo que era esperado, ou seja, conquistar, sem grande contestação, um lugar a titular no eixo central do sector sportinguista mais recuado.
Vejamos se as suas, não menos famosas, impetuosidades, não estragarão, a espaços, aquilo que dele estamos à espera!

219 - CÉSINHA

Para que não seja acusado de dar atenção apenas aos emblemas maiores do futebol poruguês, decidi, claro que essa não foi a razão principal, “colar” na nossa colecção aquele que, a meu ver, foi para a Liga Orangina a contratação mais sonante deste “Mercado de Inverno”.
Pois é, Césinha, após uma aventura de 4 anos no Rapid de Bucareste e depois de, esta temporada, já ter jogado pelo Larissa da Grécia, está de volta às competições lusas. Aquele que chegou a ser uma das grandes promessas do futebol bracarense, onde entrou em 2004, assinou este Janeiro pelo Moreirense, afirmando-se, para já, como um dos grandes reforços do emblema minhoto.
O clube, que tem vindo a afirmar-se na presente época como um dos mais fortes candidatos à luta pelos lugares de promoção à Primeira Liga, conseguiu com o regresso do avançado brasileiro, juntar a um plantel bem interessante, mais um bom jogador e que poderá tornar-se muito importante na árdua disputa pela subida de escalão. Nesse sentido, mas com alguma cautela, e para além do golo por si concretizado, o extremo já prometeu aos seus adeptos que o colectivo de Moreira de Cónegos tem como objectivo trabalhar com determinação e conseguir bons resultados.

169 - BOJINOV

Pode dizer-se que Bojinov, no que à carreira concerne, já tem algumas histórias interessantes para contar. A primeira, por ter ido morar para Malta com a mãe, basquetebolista profissional no pequeno país do Mediterrâneo, prende-se com o facto de ter passado pelas camadas jovens do Pietà Hotspurs. A segunda curiosidade, já ao serviço do Lecce, destaca o mérito de ter conseguido debutar na Serie A com apenas 15 anos, o que, ainda hoje, confere ao atleta o título de “estrangeiro mais novo de sempre” a actuar na principal divisão italiana.
Apesar das narrativas engraçadas, Bojinov também teve experiências nada agradáveis. Nesse sentido, uma das marcas do internacional búlgaro têm sido as graves lesões. É verdade que como as que sofreu enquanto jogador do Manchester City – ligamentos de um joelho e outra num tendão de Aquiles – não as repetiu. Todavia, o afastamento no início da pré-temporada do Sporting, chegou para fazer pensar em antigas mazelas. Felizmente e como informou o Departamento Médico leonino, a sua ausência dos treinos, que ainda durou cerca de um mês, deveu-se apenas a um desequilíbrio muscular, resultado de uma lombalgia de esforço.
Aliviados por saberem que o avançado não chegou a Alvalade irremediavelmente condicionado, os adeptos sportinguistas esperam agora que Bojinov chegue à melhor condição física e que, com golos, ajude o "Leão" a conseguir as tão almejadas vitórias.

103 - KAKÁ

Para não fugir muito à tendência deste Fevereiro, o último "cromo" do mês é, como a maioria, não uma estreia, mas um regresso ao Campeonato português.
Kaká voltou a Portugal, onde chegou pela primeira vez na época de 2006/07 e para representar a Académica de Coimbra. Desta feita vem para jogar nos "Guerreiros do Minho" e traz com ele a responsabilidade de fazer esquecer Moisés que, nas últimas temporadas, foi o "patrão" defensivo do Sporting de Braga. Pelo que conheço do jogador, a aposta não sairá defraudada. As razões que fizeram dele um central cobiçado na “Bundesliga”, servirão, por certo, para colmatar a saída do seu conterrâneo.
É verdade que na Alemanha as coisas não terão corrido de feição para Kaká. Na primeira época ao serviço do Herta de Berlim ainda jogou algumas partidas. Já na seguinte, a sua utilização ficou abaixo do expectável e a solução encontrada foi a cedência aos cipriotas do Omonia Nicosia. Depois de ter sido campeão no Chipre, o regresso ao clube alemão voltou a ser desapontante. Depois de, na metade inicial desta temporada, ter vestido por uma vez apenas a camisola do emblema da capital, o brasileiro está de volta a Portugal. Através de mais um empréstimo, o central vem para ajudar a equipa minhota a atingir os “objectivos europeus”. Mesmo com toda a sua vontade, o 7º lugar do Sporting de Braga faz parecer cada vez mais distante esse propósito.

101 - CRISTIANO

Próximo do treinador Paulo Sérgio, por quem já tinha sido orientado no Paços de Ferreira, chega ao Sporting, depois de ter representado o PAOK de Salónica, um jogador que parece seguir a estratégia de contratações implementada, esta temporada, pelo clube leonino. Falo em estratégia porque, parece-me a mim, que a contratação de novos atletas está assente numa lógica de “cunhas”!
Com o emblema de Alvalade cheio de reforços com qualidade duvidosa, o resultado está bem à vista e é desastroso. Talvez esteja, com este meu comentário, a ser muito injusto com o jogador. Porém, gostava que compreendessem uma coisa. No meio de tanto entulho, é normal que alguém confunda tudo! Sinceramente, e ao reconhecer que o avançado como não é de "primeira água", até pode vir a tornar-se num elemento interessante. Espero que Cristiano, até pelo que já fez no nosso principal escalão, seja o avançado que o Sporting necessita.
É verdade que na Grécia não brilhou. Mas, acima de tudo, há a esperança que o extremo volte a ser o atleta que, na temporada de 2006/07, com os seus perigosos ataques, assistências e os golos, ajudou os "Castores" a conquistar um lugar nas competições europeias.

63 - SHAUN WRIGHT-PHILLIPS

Um pouco à imagem do seu pai, Shaun Wright-Phillips também não teve um início de carreira muito fácil. Quando apenas contava 16 anos, os responsáveis do Nottingham Forest tomaram a decisão de dispensá-lo. Porém, o jovem atleta nem teve tempo para pensar em desistir do futebol. Felizmente, o Manchester City, atento às suas qualidades, decidiu contratá-lo. Em boa hora a transferência aconteceu. Durante várias épocas, as boas exibições e os golos por si concretizados, resultaram em diversas eleições como o Melhor Jogador Jovem do Ano, para o seu clube.
Shaun Wright-Phillips acabou por revelar-se num dos melhores investimentos feitos pelos "Sky Blues", com o Chelsea, em 2005/06, a adquirir os seus serviços por €30,4 milhões! Esquivo e de "dribble" fácil, o atacante passou a estar às ordens de José Mourinho. No entanto, e apesar das boas qualidades futebolísticas, o atleta nunca conseguiu afirmar-se no emblema de Londres, como uma das primeiras escolhas do “Special One”. Apesar de conquistar diversos títulos, a condição de suplente nunca foi do seu agrado. Nesse sentido, já em 2008/09 decidiu deixar Stanford Bridge para regressar ao Manchester City.
Talvez, a fraca estatura tenha tido alguma preponderância na sua inabilidade para conseguir afirmar-se como um dos melhores extremos do futebol actual. A verdade é que é as suas características físicas também fazem dele um jogador endiabrado. Para além disso, há que destacar a sua atitude. Nesse sentido, são poucas as coisas que, dentro de campo, conseguem tirar-lhe a alegria e o rasgado sorriso na cara.