1765 - BILLY RAFFERTY
1728 - FERNANDO MARTINS
Com a formação concluída ao serviço do Atlético, seria ainda como praticante das “escolas” do emblema sediado no popular bairro de Alcântara que Fernando Aurélio Reis Martins encetaria o seu percurso nas equipas sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Com o arranque da caminhada com a “camisola das quinas” a acontecer, pela mão de José Maria Pedroto, frente à Suíça, a partida com os helvéticos, disputada a 3 de Abril de 1974, serviria também para selar a qualificação para a fase final da edição de 1974 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Já no certame realizado na Suécia, o médio-esquerdo participaria em todas as jornadas efectuadas pelo conjunto luso, mas não evitaria, ainda na fase de grupos, a eliminação da sua equipa. Mais à frente, também nos “esperanças”, o jogador construiria o seu percurso com as cores de Portugal e teria na participação do Torneio de Toulon de 1976 o momento mais alto realizado pelos actualmente designados como sub-21.
As 20 internacionalizações conseguidas por Portugal conseguiriam, de certa forma, alimentar uma carreira cujo primeiro passo sénior seria também dado pelo Atlético. Lançado por Fernando Vaz nessa primodivisionária temporada de 1974/75, o médio teria na campanha seguinte, já na intendência de Carlos Silva, um importante momento para confirmar as suas qualidades. Seguir-se-ia, numa caminhada que ficaria caracterizada por alguma errância clubística, o ingresso no plantel de 1976/77 do Estoril Praia. Logo na época de chegada ao emblema da Linha de Cascais, Fernando Martins, chamado à peleja por José Bastos, participaria na final da Taça da FPF, perdida para o Sporting de Braga. Pelos “Canarinhos”, o médio-esquerdo ainda jogaria outras duas épocas. Já ao deixar o Estádio António Coimbra da Mota, a época de 1979/80, dando seguimento ao percurso no escalão máximo, levá-lo-ia até ao Marítimo.
Sendo certo que é possível avaliar a carreira de Fernando Martins como tendo passado por colectividades sem grandes ambições a títulos, é igualmente verdade que a caminhada do médio-esquerdo acabaria escrita, na quase totalidade, entre os “grandes” do futebol português. Nessa senda, onde praticamente conseguiria quedar-se sempre como titular, ao par de campanhas cumpridas na cidade do Funchal seguir-se-ia o Portimonense de 1981/82, que, na referida temporada, orientado por Artur Jorge, concluiria o Campeonato Nacional no 6º posto da tabela classificativa.
Após 3 anos no Barlavento, uma curta viagem, a encaminhá-lo um pouco mais para leste, entregá-lo-ia ao Farense. Na capital do Algarve, concretamente na 2ª temporada feita no Estádio de São Luís, encetando uma experiência nunca antes vivida, o escalão secundário, após 11 temporadas consecutivas no patamar maior, emergiria ao trajecto do jogador. Daí em diante, nunca mais regressaria à 1ª divisão. Ainda assim, na campanha de 1986/87, voltaria ao Estoril Praia, tornando-se a agremiação da Amoreira, com a nova passagem, na mais representativa da sua carreira enquanto futebolista.
Já nos últimos capítulos da caminhada competitiva, Fernando Martins retornaria ao Algarve e depois de Silves e do Almancilense, os alentejanos do São Marcos e a temporada de 1991/92 ditariam o “pendurar das chuteiras” do médio canhoto.
1664 - KEITH BURKINSHAW
Apesar de fazer parte dos quadros de um dos históricos do desporto europeu, a verdade é que Keith Burkinshaw jamais conseguiria afirmar-se no conjunto principal dos “Reds”. Aliás, a única presença em campo haveria de consegui-la, pela mão de Don Welsh, no decorrer da campanha de 1954/55, numa partida a contar para o 2º escalão inglês, frente ao Port Vale. Ainda assim, mesmo só tendo lugar nas categorias inferiores, o jogador ainda haveria de manter-se na equipa por alguns anos e a separação com a colectividade de Merseyside surgiria apenas com o termo da época de 1956/57.
Talvez com o objectivo de uma utilização mais regular, Keith Burkinshaw, para a campanha de 1957/58, escolheria o Workington para prosseguir a carreira. No emblema da Cúmbria, apesar dos objectivos modestos da agremiação, o atleta cumpriria uma grande fatia do seu percurso competitivo. Depois de passar cerca de 8 anos a disputar os jogos caseiros no Borough Park, a temporada de 1965/66 apresentá-lo-ia ao último emblema da caminhada enquanto futebolista. No Scunthorpe United manter-se-ia em actividade durante mais 3 épocas e pouco tempo após o término de 1967/68, o antigo jogador abraçaria as funções de treinador.
Em abono da rectidão, não seria no Newcastle United de 1968/69, para onde acabaria contratado como treinador-adjunto, que Keith Burkinshaw teria a primeira experiência no lugar de técnico. Tal papel já tinha sido, embora de forma interina e adicionado às obrigações de futebolista, interpretado por si no Workington e no Scunthorpe. No entanto, os “Magpies” marcariam o ponto a partir do qual, e em definitivo, o antigo jogador viria a assumir-se no referido cargo. Nessa evolução, não tardaria muito que ficasse à frente da equipa. A promoção aconteceria na temporada de 1971/72 e daria início a uma caminhada com diversos pontos de enorme interesse.
As 4 épocas feitas no escalão cimeiro do futebol inglês e a presença na final da FA Cup de 1973/74 pelo Newcastle elevariam a cotação de Keith Burkinshaw. O resultado imediato desse acréscimo de valor surgiria com o interesse de outros emblemas e com o contrato rubricado com o Tottenham Hotspurs. Apesar de inicialmente apenas ocupar o lugar de adjunto, a descida de divisão logo na época da sua chegada a Londres, faria com que os responsáveis directivos do clube apostassem em si para o cargo de “Manager”. Em boa hora surgiria tal declaração de apoio, pois os anos cumpridos em White Hart Lane traduzir-se-iam na sua entrada para o “Hall of Fame” da colectividade sediada na capital. Para tamanha honra muito contribuiriam os títulos conquistados e depois das vitórias em 2 FA Cups e 1 Charity Shield viria o triunfo na edição de 1983/84 da Taça UEFA.
Seria já como um técnico consagrado e depois de uma curiosa passagem pela selecção do Bahrein que, a meio da temporada de 1986/87, Keith Burkinshaw chegaria a Portugal. Contratado pelo Sporting, o técnico inglês apanharia o clube numa situação periclitante. Ainda assim, conseguiria chegar à final da Taça de Portugal e, com o termo da época em crescendo, os responsáveis pelos “Leões” sublinhariam o voto de confiança depositado no treinador. Já o encetar da campanha seguinte traria a polémica dispensa de Manuel Fernandes. Depois seguir-se-ia uma primeira metade do Campeonato Nacional mal conseguida, a vitória na Supertaça de 1987/88 e, com a passagem de ano à vista, o seu despedimento.
Ao deixar Lisboa, Keith Burkinshaw como que entraria no ocaso da sua ligação ao futebol. Daí em diante passaria por diversos emblemas e em diferentes funções. Nessa caminhada desempenharia o papel de “Manager” no modesto Gillingham e nos malaios do Pahang, aceitaria o cargo de Director do Gabinete de Prospecção do Swindon Town e tornar-se-ia adjunto, e mais tarde “Manager”, do WBA. Por fim, há ainda a registar a sua ligação ao Abeerden, onde seria nomeado como Director para o futebol ou o vínculo ao Watford onde entraria como “Assistant Manager”.
1509 - BOTELHO
Curiosamente, seria numa das épocas em que, pelo emblema de Alcântara, estaria a disputar a 2ª divisão que a sua caminhada competitiva começaria a mudar. Inicialmente, a 12 de Outubro de 1969, emergiria a primeira internacionalização da sua carreira. Essa chamada aos “esperanças”, cumprida numa partida frente a França, como que serviria de estímulo para o que viria a acontecer no começo da temporada subsequente. Já com um estatuto bem alicerçado nas exibições feitas pelo Atlético, o guarda-redes veria o Sporting a interessar-se na sua contratação. A mudança concretizar-se-ia no início de 1970/71, mas a verdade é que a presença, no plantel à guarda de Fernando Vaz, de Vítor Damas e ainda de Carvalho, empurrariam o guardião para as “reservas”. Sem fugir a tal senda, os anos seguintes pautar-se-iam exactamente por um idêntico ocaso e com o termo das provas agendadas para 1973/74, uma nova mudança ocorreria no trajecto do atleta.
Com o palmarés enriquecido pela “dobradinha” conquistada no último ano de “leão” ao peito, Botelho seria apresentado como reforço do plantel de 1974/75 do Boavista. A trabalhar sob a intendência de José Maria Pedroto, o guarda-redes, com a entrada no Bessa, encetaria provavelmente a melhor fase da carreira. Em termos de títulos, com o guardião a marcar presença na final de ambas as edições, há a destacar as 2 Taças de Portugal vencidas logo nas duas primeiras temporadas nos “Axadrezados”. Reflexo também dessas boas campanhas, viriam as internacionalizações “A”. Nesse campo, com a primeira partida a acontecer a 3 de Dezembro de 1975, o jogador estrear-se-ia, pela mão do seu treinador nas “Panteras”, numa jornada a contar para a Fase de Apuramento do Euro 76. Depois desse embate frente ao Chipre, o atleta ainda teria a oportunidade de voltar a vestir as cores de Portugal e desse modo somaria ao currículo 2 jogos com a principal “camisola das quinas”.
Dando continuidade aos 3 anos de grande competência passados ao serviço do conjunto portuense, Botelho voltaria a Alvalade em 1977/78. Novamente no Sporting, o guardião conseguiria manter-se como titular e na época de regresso a Lisboa, chamado por Rodrigues Dias à final, ajudaria a vencer a Taça de Portugal. Porém, mesmo sendo um dos preferidos dos diferentes treinadores contratados para orientar os “Leões”, a verdade é que o atleta, numa polémica contenda entre os rivais da 2ª circular, decidiria, ao lado de Laranjeira e no sentido contrário de Fidalgo e de Eurico, apresentar-se como novo reforço do Benfica. Na Luz a partir de 1979/80, a verdade é que a troca não iria ser muito favorável para si e nas 3 temporadas cumpridas com os “Encarnados”, mesmo ao dar ao palmarés 1 Taça de Portugal e 1 Supertaça, o guarda-redes nunca haveria de sair da sombra de Manuel Bento.
Com o termo da ligação ao Benfica, o resto da sua carreira teria início, ainda na 1ª divisão, ao serviço do Amora. Daí em diante, numa caminhada caracterizada pela errância, teria passagem por diversos emblemas. A Sanjoanense, segundo o “site” da Federação Portuguesa de Futebol, ou o Seixal, tendo em conta outras referências, precederia a época de 1985/86 ao serviço dos Pescadores da Costa da Caparica. Os anos seguintes, sem ter conseguido saber se cumpridos como sénior ou já como veterano, levá-lo-iam, num trajecto consensual em diferentes fontes, mormente a revisitar antigas agremiações, ou seja, Pescadores, Seixal, Amora e, por fim, GD Marinhais.
1471 - JOSÉ DOMINGOS
Apesar da presença assídua nas jovens selecções portuguesas, o atleta não conseguiria reservar para si um lugar no plantel principal do Benfica. Com as “Águias” recheadas de grandes nomes para o sector ofensivo, a solução encontrada para o atacante emergiria da Margem Sul do Rio Tejo. Com a CUF de 1973/74 a acolher os passos iniciais do atleta enquanto sénior, José Domingos encontrar-se-ia com outro grande nome do universo benfiquista, o treinador Fernando Caiado. Como elemento da agremiação sediada no Lavradio, o avançado cumpriria 2 temporadas no escalão máximo luso e o traquejo ganho durante esses anos, apesar de nunca ter atingido a titularidade, justificaria o seu regresso à Luz.
De volta ao Benfica, o atleta não teria a vida facilitada. Com Mário Wilson como líder da equipa técnica “encarnada”, o avançado, na temporada de 1975/76, enfrentaria a forte concorrência de nomes como Nené, Jordão ou Vítor Baptista. Na campanha subsequente, já com o inglês John Mortimore à frente dos destinos das “Águias, José Domingos passaria a ser um pouco mais chamado à ficha de jogo, mas em quantidade insuficiente para prolongar a sua continuidade no plantel lisboeta. Por essa razão, o jogador voltaria a mudar de rumo e anos seguintes, em colectividades situadas mais a norte, transformar-se-iam, em termos individuais, nos mais prolíferos da sua carreira desportiva.
Com o currículo recheado pela vitória no Campeonato Nacional de 1976/77 e pela participação, na mesma época, na Taça dos Clubes Campeões Europeus, José Domingos mudar-se-ia para o plantel primodivisionário do Feirense. Depois da experiência com os “Fogaceiros”, o avançado, sem deixar a 1ª divisão, transferir-se-ia para o Varzim. Logo na temporada de estreia pelos “Lobos-do-mar”, o jogador, eleito como um dos esteios da equipa a trabalhar sob a alçada de António Teixeira, contribuiria para a 5ª posição do clube na tabela classificativa do Campeonato Nacional. Tal proeza, um recorde na história do emblema poveiro, dar-lhe-ia a honra de gravar o seu nome nos anais da colectividade. Seguir-se-iam outras 2 épocas com o listado alvinegro e a sua consolidação como um praticante com capacidades para continuar nas pelejas do escalão maior.
Ironicamente, a mudança para o plantel de 1981/82 do Amora surgiria em contraciclo com os registos conseguidos pelo atleta em anos anteriores. Habituado ao “onze”, a temporada passada na Medideira empurrá-lo-ia de volta aos números modestos. Daí em diante, José Domingos, depois de 9 campanhas consecutivas cumpridas nos principais palcos lusos, passaria a abraçar as competições dos escalões secundários. O Benfica e Castelo Branco, a União de Leiria e o Caldas, preencheriam também a recta final de um trajecto que viria a conhecer o seu fim no termo da época de 1986/87, ao serviço do Grupo Desportivo “Os Nazarenos”.
1420 - SABÚ
De regresso ao Estádio do Bonfim, Sabú finalmente conseguiria jogar com alguma regularidade. Porém, os números apresentados durantes a época de 1975/76 e na seguinte, não teriam a continuidade esperada. Sem qualquer partida disputada no Campeonato Nacional de 1977/78, o defesa-central decidiria deixar o Vitória Futebol Clube para tentar novas oportunidades noutras paragens. Sem deixar a 1ª divisão e num Beira-Mar treinado por Fernando Cabrita, o atleta, com a temporada de 1978/79, encetaria no Mário Duarte o período mais prolífero da sua carreira como futebolista profissional. No entanto, mesmo ao ser um dos elementos mais utilizados no plantel auri-negro, findos os dois anos passados em Aveiro, o jogador voltaria a mudar de rumo e, de forma algo surpreendente, regressaria aos palcos secundários.
Com a entrada no Juventude de Évora, Sabú, embora a cumprir épocas de grande valor, jamais regressaria aos principais cenários do futebol luso. Depois da campanha no Alentejo que, sob a orientação de Dinis Vital, quase daria a promoção à agremiação eborense, o defesa-central seguiria o ainda agora referido treinador e mudar-se-ia para a região do Oeste. Ao serviço do Ginásio de Alcobaça, o jogador participaria na histórica temporada de 1981/82, a qual daria a subida de patamar e a estreia do clube na 1ª divisão. Mais uma vez, sem que qualquer inevitabilidade fizesse prever tal transferência, o atleta regressaria à foz do Rio Sado e na cidade de Setúbal, durante um ano, passaria a envergar as cores do Comércio e Indústria.
Daí em diante, Sabú entraria numa fase mais errante da carreira. Nesse sentido, surgiriam as duas temporadas no Algarve, ao serviço do Torralta. De seguida, a contabilizar campanhas isoladas em cada agremiação, viriam o Amarante, o Cova da Piedade, os Leões de Tavira e, para finalizar, o plantel de 1988/89 do Paio Pires.
1403 - FONSECA
Após ter também representado, sem nunca deixar a 1ª divisão, o Riopele e o Estoril Praia, o traquejo somado durante essas experiências justificariam um regresso à “Luz”. Porém, mesmo com as entradas em campo a surgirem de forma mais regular, Fonseca, na campanha de 1979/80, nunca haveria de conquistar o estatuto de titular no grupo de trabalho à guarda do “Velho Capitão”. Ainda assim, as duas passagens pelos seniores do Benfica trariam ao seu palmarés importantes troféus e, apesar de nunca ter conseguido afirmar-se como um elemento imprescindível, o avançado deixaria as “Águias” com a bagagem recheada pela conquista do Campeonato Nacional de 1975/76 e da Taça de Portugal correspondente à primeira época referida neste parágrafo.
A transferência para o Vitória Sport Clube na temporada de 1980/81 levá-lo-ia a trabalhar, depois da saída de Fernando Peres à 7ª ronda, com o técnico José Maria Pedroto. A ida para a cidade de Guimarães, a partir da mencionada campanha, faria com que Fonseca conseguisse regressar à regularidade merecida a um intérprete da sua categoria. Ao somar ao currículo várias dezenas de partidas esgrimidas no patamar mais importante do futebol luso, o atleta, muito para além de cimentar a agremiação minhota como o emblema mais representativo da carreira pessoal, faria com o seu estatuto no cenário competitivo português passasse a ser aferido como o de um elemento de valor primodivisionário.
Depois de 4 temporadas a exibir a camisola dos “Conquistadores”, durante as quais ajudaria o Vitória Sport Clube a regressar às competições organizadas na alçada da UEFA, a surpresa viria com a sua mudança para o plantel do Varzim. Mantendo-se ainda a disputar o escalão máximo, essa campanha de 1984/85, a trabalhar com Mourinho Félix, tornar-se-ia na última do atacante na 1ª divisão. Daí em diante, numa senda competitiva que ainda viria a estender-se por diversos anos, outros emblemas acabariam a colorir a sua caminhada. Felgueiras, Maia e o Esposende, preencheriam as derradeiras etapas de um trajecto que conheceria o fim com o termo da temporada de 1993/94.
1388 - CANSADO
Integrado num plantel riquíssimo, com estrelas em ascensão, tais como Frederico, Jorge Martins, Carlos Manuel ou ainda com craques de grande experiência como Arnaldo ou Praia, Cansado não deixaria intimidar-se pela forte concorrência, nem pelo acréscimo de exigência que a participação na 1ª divisão de 1978/79 passaria a reivindicar. Tanto com Manuel de Oliveira e, depois da saída deste à 17ª jornada, com a entrada de José Augusto para o lugar de treinador, o defesa, mantendo-se como uma das principais escolhas para o alinhamento inicial do Barreirense, não perderia qualquer protagonismo. Infelizmente, as fracas prestações colectivas da agremiação a jogar em casa no Estádio D. Manuel de Mello não evitariam, com o final do Campeonato Nacional, o 14º lugar na tabela classificativa e a respectiva despromoção ao patamar secundário.
Mesmo com o desaire da sua equipa, as boas prestações de Cansado levariam outros emblemas primodivisionários a olharem para si como um possível reforço. Nesse sentido, seria do Beira-Mar que surgiria o convite e a oportunidade para que o jogador continuasse a actuar nos principais palcos do cenário futebolístico luso. Sem estranhar a troca, a mudança para a cidade de Aveiro continuaria a revelar o defesa-central como um dos habituais titulares e um dos bons intérpretes das provas portuguesas. No entanto, tal como tinha acontecido na temporada de estreia na 1ª divisão, a sua equipa não evitaria a descida. A grande diferença é que, com o final da campanha de 1979/80, o jogador não mudaria de camisola e, com isso, acompanharia o clube beirão na disputa do 2º degrau.
Após 3 temporadas a envergar as cores do Beira-Mar, com as duas últimas longe dos principais escaparates, a aberta para o atleta regressar ao convívio com os “grandes” surgiria com o desafio lançado por uma equipa da periferia lisboeta. No Estoril Praia a partir da campanha de 1982/83, Cansado, tanto na época de entrada no Estádio António Coimbra da Mota, como na seguinte, voltaria a assumir-se como um elemento de cariz indubitavelmente primodivisionário. Contudo, numa altura em que demonstrava estar mais do que preparado para manter o seu percurso como um dos bons nomes a actuar nas provas lusas, uma grave lesão iria pôr um ponto final na prometida afirmação. Depois de um ano afastado das competições, o defesa ainda voltaria a jogar. A porta a esse regresso abrir-se-ia no Alto Minho e o Valenciano e a 3ª divisão tornar-se-iam na realidade do futebolista.
Durante 8 temporadas consecutivas, distante do “glamour” primodivisionário, Cansado manter-se-ia como um dos grandes nomes a actuar no emblema raiano. Antes ainda de “pendurar as chuteiras”, o defesa-central, sem sair da mesma localidade, teria tempo para disputar a temporada de 1993/94 ao serviço d’ “Os Torreenses”.
1339 - NOÉMIO
Com a estreia na equipa principal maritimista a reportar-se ao começo da segunda metade da década de 1960, Noémio, com os emblemas madeirenses e açorianos sem consentimento para participar no Campeonato Nacional, veria testadas as suas capacidades apenas na disputa das provas regionais. Ainda assim, afastado que estava dos maiores holofotes do desporto português, a qualidade apresentada nessa etapa inicial da carreira, levá-lo-ia a ser cobiçado por um dos maiores emblemas nacionais. No Sporting, depois de prestar provas com resultados bastante promissores, algumas questões de cariz familiar haveriam de fazê-lo recuar na altura de optar pela mudança para o continente e os “Verde-rubro” rapidamente voltariam ao quotidiano competitivo do jogador.
O forçado regresso, ironicamente, empurraria Noémio, versado nas habilidades técnicas, tal como grande exemplo de robustez e altruísmo, para dois dos maiores momentos da cronologia do clube sediado na cidade do Funchal. O primeiro, com os emblemas insulares a conseguir licença para entrar na mais importante prova do calendário luso, seria a participação do jogador na zona sul da 2ª divisão de 1973/74. Sob a alçada do treinador Alberto Sachse, o atleta ver-se-ia escolhido para a jornada inicial da referida temporada e acabaria por concretizar um golo na peleja forasteira, frente ao União de Leiria.
Não muitos anos depois, o futebolista participaria no segundo momento de vital importância para o Marítimo. Ainda na disputa do escalão secundário, seria, pelo técnico Pedro Gomes, chamado à folha de jogo, correspondente à última jornada da campanha de 1976/77. Na recepção ao Olhanense, num grupo que contava com nomes que mereceriam grande destaque no desporto nacional, casos do guardião Amaral, dos defesas Olavo e Eduardo Luís, ou do “capitão” Eduardinho, Noémio acabaria escolhido para o banco de suplentes. Já com o marcador a indicar 3-0 a favor do emblema da casa, o jogador seria chamado a entrar em campo e dos seus pés sairia o passe para o golo de Arnaldo Silva, elemento do plantel maritimista que viria também a merecer um lugar de destaque na história das competições portuguesas, selando-se, nessa jogada, a subida de divisão da agremiação madeirense.
A época seguinte à da aludida promoção, transformar-se-ia no ano de estreia do atleta e do clube na 1ª divisão. Naquele que é o degrau mais alto do futebol nacional, Noémio, sempre com números bem positivos, participaria em 3 temporadas consecutivas. Com a descida do Marítimo no termo da época de 1979/80, também o jogador desapareceria dos palcos principais e já com o final da carreira no horizonte, a decisão de “pendurar as chuteiras” surgiria depois de cumprida a campanha de 1981/82.
1327 - ARAÚJO
Já a estreia no patamar sénior, ainda com as cores da CUF, ocorreria na temporada de 1975/76. Como elemento da equipa do Lavradio, Araújo, sob a alçada de Mário João e, após o despedimento deste, orientado por Francisco Abalroado, logo conquistaria um lugar de destaque no plantel. Infelizmente para o atleta, o clube não conseguiria evitar a despromoção ao segundo escalão. Aliás, o regresso do médio ao convívio com os “grandes” dar-se-ia somente passados alguns anos e com o jogador a envergar a camisola do rival Barreirense. Curiosamente, essa campanha de 1978/79, em termos colectivos, terminaria também com a descida do seu emblema, o que o forçaria a nova travessia pelos cenários secundários.
Ainda que na disputa da 2ª divisão, os desempenhos de Araújo acabariam por merecer a atenção de emblemas de outra monta. No entanto, a transferência para o Benfica na temporada de 1981/82, asseverando-o como uma das grandes promessas do desporto luso, resultaria numa enorme desilusão. Com o jogador assolado por uma grave lesão, o melhor que haveria de conseguir nos 3 anos de ligação às “Águias” seria a passagem pelas “reservas” do emblema da Luz.
Já recuperado, regressaria ao Barreiro e, mais uma vez, para envergar as cores da CUF, à altura já denominada Quimigal. No que diz respeito ao resto do seu caminho competitivo, a verdade é que o médio-ofensivo não mais voltaria às exibições de outrora e que tinham feito dele um dos bons intérpretes do futebol português. Pescadores da Costa da Caparica, Sesimbra e Estrela de Vendas Novas transformar-se-iam nas colectividades que acabariam por preencher os derradeiros passos de uma caminhada competitiva que conheceria o fim na transição da década de 1980 para a de 1990.
1279 - MONTÓIA
Quando tudo parecia estar a compor-se, é então que novo mistério surge nesta minha busca. Sem qualquer dado encontrado, durante 3 temporadas consecutivas nada consegui apurar sobre a vida do atleta. Bem! Nada, não é o caso! Tendo “escavado” mais um pouco, haveria de ler uma curiosa crónica que dá Montóia, em determinado momento do tal hiato temporal, integrado, ao lado de José Carlos, antigo atleta do Vitória Sport Clube, no contingente que, na Guiné-Bissau, viveria os horrores da guerra colonial. Ora, ao saber que era bastante comum para os futebolistas, quando destacados em África, passarem a envergar emblemas desses países, pensei ser fácil deparar-me com algumas pistas elucidativas e prontas a encaminhar-me nesse sentido. Que posso mais dizer?! Sabem o que descobri?! Nada!
A partir da temporada de 1972/73, tanto para Montóia, como para pesquisa feita para esta modesta biografia, tudo mudaria. No Leixões, o atleta, que podia posicionar-se na defesa ou no miolo do terreno de jogo, passaria a jogar com bastante regularidade. Mais uma vez sob a batuta de António Teixeira, o jogador começaria a afirmar-se como um das figuras de proa do colectivo matosinhense. Por tal razão, após 3 temporadas de bom nível passadas no escalão máximo, a admiração chegaria com a sua transferência e, ainda por cima, para uma equipa a militar no 2º escalão.
Para ser correcto, a mudança para o Varzim até terá tido uma boa explicação. A razão, por certo, terá estado relacionada com a presença de António Teixeira à frente dos destinos técnicos da equipa sediada na Póvoa. A opção do atleta, a envergar o listado alvinegro a partir da temporada de 1975/76, levá-lo-ia a participar em momentos históricos. Depois do regresso ao patamar maior do futebol luso, no final do 3º ano consecutivo entre os “grandes”, o jogador daria o contributo para aquela que viria a transformar-se na melhor prestação de sempre do clube no Campeonato Nacional. Sendo um dos nomes utilizados com maior regularidade nas épocas anteriores, Montóia faria também parte do grupo de trabalho que, sob a alçada do treinador referido no começo deste parágrafo, terminaria a campanha de 1978/79 na 5ª posição da tabela classificativa.
Depois deste feito, a carreira de Montóia, fazendo fé nos “tais” registos, não duraria muito mais tempo. Com outra temporada ao serviço dos “Lobos-do-mar” a conferir ao currículo do atleta um total de 9 campanhas na 1ª divisão, seria no regresso ao Leixões que o futebolista, terminada a época de 1980/81, tomaria a decisão de “pendurar as chuteiras”.
1261 - CELSO
Titular na primeira época com os “Axadrezados” e ao conservar-se, nas duas campanhas seguintes, como um dos elementos com presença garantida no “onze” inicial, Celso começaria a puxar para si a atenção de outros emblemas. A mudança para o FC Porto de 1972/73, orientado pelo chileno Fernando Riera, transformar-se-ia no principal sinal dessa valorização. Sob a alçada do referido técnico, o médio-defensivo manteria a preponderância que tinha dado bom-nome à sua fama e acabaria por tornar-se numa das estrelas da caminhada onde os “Dragões”, na disputa da Taça UEFA, eliminariam o Barcelona.
Contudo, com as suas prestações a indicar um futuro brilhante, a verdade é que a contratação de Béla Guttmann, no ano seguinte ao da sua chegada às “Antas”, iria inverter-lhe o caminho. Curiosamente, o regresso ao Estádio do Bessa apresentá-lo-ia a uma das figuras com maior importância no desenrolar da sua carreira. Com José Maria Pedroto como treinador, Celso faria parte dos planteis que, nas temporadas de 1974/75 e de 1975/76, para além de terminarem o Campeonato Nacional nas posições cimeiras da tabela classificativa, venceriam pelo Boavista duas edições da Taça de Portugal.
Após a final disputada frente ao Vitória Sport Clube, ao repetir a presença do ano anterior no derradeiro jogo da prova, o médio, mais uma vez, mudaria de rumo. Com o regresso de José Maria Pedroto ao comando dos “Dragões”, também o centrocampista voltaria a equipar de azul e branco. Todavia, ao contrário da primeira passagem, o jogador, dessa feita, conseguiria rechear o currículo com títulos. Ao manter-se como elemento fulcral do desenho táctico, o atleta ajudaria a entregar aos escaparates do FC Porto a Taça de Portugal de 1976/77 e, pondo fim a um jejum de 19 anos, em muito contribuiria para a conquista do Campeonato Nacional de 1977/78.
Com essas duas épocas a assumirem-se, provavelmente, como o pico da sua caminhada desportiva, também da equipa nacional portuguesa surgiria uma oportunidade. Já com passaporte luso e com José Maria Pedroto no cargo de seleccionador, o atleta seria chamado à estreia com a “camisola das quinas”. A 16 de Outubro de 1976, depois de David Júlio e de Lúcio, Celso tornar-se-ia no 3º atleta naturalizado a representar Portugal. Após essa partida frente à Polónia, o médio seria ainda chamado a jogo por mais duas vezes, contabilizando um total de 3 internacionalizações “A”.
A terceira passagem pelo Boavista aconteceria na temporada de 1978/79. Porém, se na resposta aos objectivos lançados ao colectivo, o grupo sob a batuta de Jimmy Hagan conseguiria vencer a Taça de Portugal, já em termos pessoais, a aludida campanha ficaria marcada por uma grave lesão e pelo longo afastamento do atleta.
Em jeito de remate, tal como para o início da sua carreira, também a conclusão da caminhada de Celso enquanto futebolista, ao não conseguir amealhar informações conclusivas, tornou-se, aos meus olhos, num verdadeiro mistério (1). Sem obter qualquer confirmação que permita dizer os dados como irrefutáveis, há quem assevere o regresso do médio ao Brasil para, em 1980, vestir as cores do Goiás. Por outro lado, certa foi a viagem de volta a Portugal e que levaria o antigo jogador a tentar a sorte como treinador. Como o hábito acabou por ditar a esta singela biografia, sem granjear de grandes esclarecimentos, sei apenas que uma das suas experiências como técnico terá sido ao serviço do portuense FC da Foz.
1258 - OLAVO
No início da carreira sénior, ele que já tinha a estaleca de jogar com as cores dos juvenis e juniores da selecção de Portugal, logo faria parte de um dos mais importantes episódios da história maritimista. Com o emblema insular há muito a tentar estrear-se no escalão máximo do Campeonato Nacional, seria a temporada de 1976/77, com Olavo bem integrado na equipa principal verde-rubra, a selar esse objectivo.
Ao contar 18 anos apenas, a idade não seria impeditiva de, aos olhos do treinador Pedro Gomes, dar ao jovem atleta a responsabilidade de entrar nas partidas mais decisivas dessa gloriosa campanha. Ao lado dos seus ídolos Eduardinho e Noémio, também eles figuras marcantes da colectividade madeirense, as exibições do defesa mereceriam rasgados elogios e como prova do seu valor, acabaria escalonado para o “onze” inicial que, após uma vitória caseira frente ao Olhanense, confirmaria a tão almejada promoção.
A estreia do lateral na 1ª divisão, apesar de mais tarde conseguir afirmar-se como titular, não aconteceria logo no começo da campanha de 1977/78. Ainda assim, da 8ª jornada em diante, tirando algumas excepções, Olavo garantiria o posto na direita do sector mais recuado. Aliás, a regularidade de presenças na equipa do Marítimo, estendida à época seguinte, empurrá-lo-ia novamente para os trabalhos dos colectivos sob a alçada da Federação Portuguesa de Futebol. Após ter jogado, como aqui já foi feita referência, pelos agora designados sub-16 e sub-18, seriam as chamadas aos “esperanças” que adicionariam ao seu currículo outras partidas com a “camisola das quinas”. Nessa caminhada, com o arranque nos sub-21 a ocorrer em Outubro de 1978 numa partida referente ao apuramento para o Europeu da categoria, o contexto de selecções, num cômputo feito pelos diferentes escalões lusos, levá-lo-ia a acumular um total de 7 internacionalizações.
Com o Marítimo ainda a procurar estabilizar-se como um emblema indubitavelmente primodivisionário, as descidas de escalão ainda fariam Olavo retornar às lides dos patamares inferiores. Contudo, numa carreira exclusivamente dedicada à agremiação sediada na cidade do Funchal, o defesa conseguiria disputar várias temporadas no patamar maior. Com a curiosidade de, numa dessas despromoções, ter acrescentado ao palmarés pessoal a vitória na edição de 1981/82 do Campeonato Nacional da 2ª divisão, a carreira do lateral-direito ficaria colorida pela meia-dúzia de campanhas na montra principal do futebol português.
Seria também no degrau máximo que, de forma precoce, viria a despedir-se dos campos da bola. Ao contar 27 anos apenas e depois de integrar o plantel dos “Verde-rubros” durante uma dezena de épocas, o atleta, no final da temporada de 1985/86, decidir-se-ia a “pendurar as chuteiras”.
1190 - COENTRO FARIA
Depois de passar alguns anos nas fileiras juniores dos “Encarnados”, ao atacante seria dada a oportunidade de experimentar as competições seniores. Com o emblema da “Luz”, no sector mais ofensivo, recheado de excelsas figuras, a exemplo José Torres, Artur Jorge, Nené ou Eusébio, seria o Portimonense a dar ao futebolista a oportunidade de subir de escalão. Mesmo com a colectividade algarvia a militar na 2ª divisão de 1969/70, a projecção feita para a sua evolução mantê-lo-ia ligado à elite do futebol luso. Prova disso mesmo, seria a convocatória do avançado aos trabalhos das jovens selecções nacionais. Ao lado de “promessas” como António Oliveira, Laranjeira, Vítor Pereira ou Fraguito, Coentro Faria, num desafio marcado para Março de 1970, apareceria como um dos nomes chamado aos, agora designados, sub-18 de Portugal.
A verdade é que, mesmo ao ver reconhecidas qualidades superiores, o seu trajecto afastá-lo-ia dos principais palcos do desporto nacional. Após deixar o Portimonense, os anos seguintes prenderiam o avançado aos escalões secundários. Nesse sentido, o Clube Desportivo de Gouveia, intercalada a sua passagem pelo emblema serrano com o Serviço Militar Obrigatório, o destacamento para Angola e os anos a representar o FC Moxico, tornar-se-ia na colectividade mais representativa desse período inicial. Já em 1975/76, após o regresso à agremiação inscrita na Associação de Futebol da Guarda, surgiria a oportunidade de, durante um ano, representar o Sporting da Covilhã. No entanto, seria a mudança para o Montijo que permitiria ao atleta dar novo salto na carreira e tornar a temporada de 1976/77 na da sua estreia na 1ª divisão.
Como já aqui foi destapado, o percurso competitivo de Coentro Faria caracterizar-se-ia por constantes mudanças de emblema. Barreirense, Vitória Futebol Clube, Juventude de Évora e Estoril Praia, com a colectividade alentejana como a única a impedir o seu acesso ao contexto primodivisionário, tornar-se-iam nos emblemas que coloririam a melhor fase do seu trajecto profissional. Longe ainda de dar por terminada essa caminhada competitiva, mas já num tempo que podemos caracterizar como descendente, as apostas do avançado ainda o levariam a representar outros históricos do desporto nacional. Estrela da Amadora e Ginásio de Alcobaça antecederiam as passagens pelo Cova da Piedade, Neves e o fim da carreira de futebolista no Portosantense.
Também como treinador, Coentro Faria tem alimentado a sua paixão pelo futebol. Sem nunca ter conseguido chegar ao patamar máximo, o técnico, aferido pelo Nível IV UEFA Pro, tem trilhado um percurso pelos escalões secundários. Mesmo afastado dos principais escaparates, a sua carreira tem sido louvada, de forma quase unanime, pela seriedade e competência. Com uma longa experiência no cargo, destaque para as passagens pela antiga 2ª divisão “B” e, por entre as habituais mudanças de emblema, o trabalho desenvolvido em agremiações como o Praiense, Juventude de Évora, Lusitânia de Lourosa, Caldas ou, já mais recentemente, à frente do União de Montemor.
1162 - PAVÃO
Na época seguinte, o atleta apenas conseguiria participar nas partidas das “reservas”. Esse registo faria com que o jogador, longe do Estádio “da Luz”, procurasse outro destino para a sua, ainda curta, caminhada profissional. Seguir-se-ia, em 1970/71, a entrada no União de Tomar e a passagem pela 2ª divisão. Porém, o regresso do extremo ao patamar máximo viria a acontecer um ano após a entrada no emblema da “Cidade dos Templários”. Como um dos principais obreiros dessa promoção, Pavão manter-se-ia como um dos titulares da equipa. Rápido, com um excelente drible e uma capacidade de passe que o punha como um dos principais municiadores dos seus colegas mais avançados, depressa conseguiria tornar-se numa das estrelas do plantel.
Meia-dúzia de temporadas no União de Tomar, 3 das quais na 1ª divisão, fariam dele um dos atletas com mais participações pelo clube, em desafios do patamar mais alto do futebol português. Ainda assim, o final da campanha de 1975/76 daria como terminada a ligação entre o jogador e o emblema ribatejano. A etapa seguinte, com a mesma duração que a anterior, vivê-la-ia com as cores do Barreirense. Com o listado branco e vermelho, voltaria a brilhar e tornar-se-ia num dos pilares da táctica conjunta. Ainda assim, a sua passagem pela margem sul do Rio Tejo não traria ao trilho do atleta um registo primodivisionário tão rico quanto o que, até aí, já tinha conseguido alcançar. Com a colectividade do Estádio D. Manuel de Mello a entrar numa fase menos brilhante da sua história, a temporada de 1978/79 salvar-se-ia como a única disputada nos palcos maiores do Campeonato Nacional.
Já a época de 1981/82 viria a marcar o fim dos seus anos com o Barreirense. Pavão, numa rápida passagem já título amador, ainda viria a envergar a camisola dos Galitos do Barreiro. Em jeito de súmula, podemos dizer que ficaram para a memória colectiva a virtuosidade das suas jogadas e a alegria com que as executava. Em números, destaque para as 6 temporadas na 1ª divisão e o título de campeão na campanha de estreia como sénior.
980 - MIKEY WALSH
Passadas 5 temporadas sobre a sua chegada ao Blackpool e o Everton decide apostar na sua contratação. Entra em Goodison Park na campanha de 1978/79 para, desse modo, estrear-se no escalão máximo inglês. No emblema sediado na cidade de Liverpool, seriam dadas ao avançado oportunidades suficientes para conseguir exibir o seu potencial. No entanto, tal como aconteceria já na sua passagem pelo Queens Park Rangers, as bolas pareciam não querer entrar nas balizas adversárias. Sem os golos que o tinham notabilizado, as suas passagens pelos dois referidos emblemas seriam curtas e, de certo modo, marcadas por alguma desilusão.
Após essas duas épocas, a Walsh é dada uma nova oportunidade. O FC Porto, à procura de colmatar a saída de Fernando Gomes para o Sporting Gijon, olharia para o internacional irlandês como uma solução válida para o ataque. Todavia, as características do avançado, pouco móvel e com algumas falhas nos aspectos técnicos, nem sempre haveriam de agradar aos treinadores do clube “azul e branco”. Por essa razão, e apesar de ser recordado como um bom elemento, a presença do ponta-de-lança caracterizar-se-ia por alguma intermitência exibicional.
Alternando campanhas de grande proveito com outras de desempenhos mais modestos, Walsh, num total de 6 temporadas e 123 partidas disputadas, ainda conseguiria a bela marca de 56 golos. Muitos desses remates certeiros, durante o referido período, seriam importantes para os títulos alcançados pelo grupo. Houve um golo, no entanto, que ficou na memória dos adeptos. Na Taça dos Vencedores das Taças de 1983/84, numa campanha em que o FC Porto chega à final, o atacante, à conta desse lance, tornar-se fulcral na caminhada até à derradeira partida do torneio. Nos quartos-de-final, numa eliminatória em que os “Dragões” enfrentavam o Shakhtar Donetsk, o resultado na 2ª mão atirava os portugueses para fora da prova. É então que António Morais decide pôr em campo o irlandês. Entra aos 67 minutos para aos 72 marcar o tento que empatava o desafio. O 1-1 conseguido na antiga União Soviética, depois do 3-2 verificado nas Antas, empurrava os portistas para a ronda seguinte. Frente ao Aberdeen e na final de Basileia, o atleta manteve a condição de suplente. Ainda entra em campo na partida com a Juventus, mas a sua ajuda seria insuficiente para contrariar a vitória dos italianos.
Com 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças ganhas, o tempo passado no Estádio das Antas seria o mais prolífero da sua carreira. Todavia, a irregularidade que aqui já foi falada ditaria a sua saída do FC Porto. Mikey Walsh, depois da separação, daria seguimento à sua carreira em Portugal. Salgueiros e Sporting de Espinho, ainda na 1ª divisão, e Rio Ave seriam os clubes onde embarcaria. Em Vila do Conde acabaria por pôr um ponto final na sua carreira de futebolista. Depois de retirar-se, o antigo avançado manter-se-ia ligado à modalidade, mas nas funções de Agente Desportivo.
935 - FERRO
Tapado pelo internacional português, a sua saída no final da temporada de 1973/74 ditaria uma ausência de 2 anos sem jogos disputados no nosso maior escalão. O regresso, já ao serviço do Estoril-Praia, mostraria um atleta muito mais preparado para os desafios primodivisionários. Nesse sentido, e mesmo sem conseguir agarrar um lugar como titular absoluto, o maior número de presenças nas fichas de jogo daria o sinal de uma evolução positiva. Seria também durante esse período com os da “Linha de Cascais”, que o guardião viveria uma das melhores campanhas de sempre. Na última dessas 3 temporadas, e com a saída de Rui Paulino para o Belenenses, José Bastos (e mais tardar José Torres) dar-lhe-ia a responsabilidade de tomar conta das redes “canarinhas”. Com Celestino Ruas, também seu colega no Restelo, a ser relegado para o banco de suplentes, Ferro seria elevado à condição de titular.
Há também uma história particularmente engraçada e que haveria de marcar a sua passagem pelo Estoril-Praia. A 12 de Setembro de 1976, com a equipa a ser comandada por António Medeiros, os “Canarinhos” apresentar-se-iam no Restelo para defrontar o Belenenses. Nada de anormal, até porque esse era um dos jogos calendarizados para a 2ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª divisão! Contudo, e o que tornaria curioso o dito embate, seriam os equipamentos dos visitantes. Se nas cores das vestimentas nada havia de extraordinário, já nas costas das camisolas apareceria algo que, para a época e por estas bandas, não era nada normal. Todos os jogadores do conjunto da “Linha”, com Ferro a ocupar um lugar à baliza, espantariam todos os espectadores ao entrar em campo com os nomes estampados no equipamento!
Após esse período passado com o Estoril-Praia apareceria na sua carreira o Marítimo. No conjunto do Funchal voltaria a encontrar-se com António Medeiros. Aliás, no que a reencontros diz respeito, a sua passagem pela Madeira também contaria com outros antigos colegas seus. Fernando Santos e Fernando Martins seriam outros dos nomes que, vindos dos “Canarinhos” acabariam por partilhar o balneário maritimista com o guardião.
Seria o final dessas 3 temporadas ao serviço dos “rubro-verdes” que marcaria a derradeira campanha de Ferro no escalão principal. Alternando a titularidade com períodos passados no banco, a temporada de 1980/81 terminaria com a despromoção da equipa insular. A descida do Marítimo levaria a que o atleta procurasse dar novo rumo ao seu trajecto profissional. A solução encontrá-la-ia no Sul do país. O contracto assinado com o Farense assinalaria o começo do seu ocaso. Numa carreira que terminaria com o futebolista à beira de completar 40 anos de idade, Silves, Vitória de Lisboa (clube que faria parte do seu percurso formativo) e Almada seriam algumas das cores que completariam a sua caminhada desportiva.
766 - GERVÁSIO
É já na época de 1964/65 que o seu estatuto de lenda começa a tomar forma. Sendo um médio trabalhador, Gervásio também era reconhecido pelas boas capacidades técnicas. Aos poucos, essas suas qualidades levam-no a transformar-se num dos esteios da equipa. Sendo importante no balancear do jogo ofensivo, tal como nas manobras defensivas, o jogador passa a ser um dos nomes habituais na ficha de jogo.
Gervásio, com um papel muito importante nas glórias do clube, estaria presente naqueles que foram os melhores anos da história desportiva da Académica. Na época de 1966/67, ajudaria os “Estudantes” a desafiar os “grandes” do nosso futebol e a alcançar o 2º lugar da tabela classificativa. Também nessa temporada, disputaria a derradeira partida da Taça de Portugal. Já passados dois anos, e encarregue da braçadeira de capitão, estaria, mais uma vez, presente no Jamor. Em ambos os casos veria a sua equipa ser batida pelos adversários. Contudo, e mesmo tendo em conta essas derrotas, não há quem ponha em causa o mérito da sua carreira. Outro exemplo do seu contributo, foram as provas europeias. Tendo disputado diversas edições, há que destacar a sua participação na Taça dos Vencedores das Taças de 1969/70. Nessa campanha, tendo entrando em campo em todas as 6 partidas, ajudaria a Académica a atingir os quartos-de-final.
Mas não é só de algarismos que se constrói uma carreira. Todavia, os números alcançados por Gervásio são impressionantes. 17 temporadas a representar a “Briosa”, 10 das quais como “capitão”, representam 430 desafios jogados e 284 na posse da braçadeira. Esta equação faz dele o 2º jogador com mais jogos no emblema conimbricense e, ultrapassando o recorde de Mário Wilson, o 1º como líder dentro de campo.
Para além do seu percurso nos campos da bola, o médio representaria outros papéis dentro da modalidade. Dando azo à sua faceta lutadora, e tendo tomado posse ainda nos últimos anos como atleta, Gervásio abraçaria as funções de Presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol. Já depois de, no final da temporada de 1978/79, ter “pendurado as chuteiras”, o antigo atleta ainda voltaria ao futebol. Sempre ao serviço dos “Estudantes”, primeiro entregar-se-ia aos deveres de treinador. Já na viragem do milénio, aceitaria o convite de José Eduardo Simões e assumiria o cargo de Vice-Presidente.
A derradeira homenagem à sua entrega seria feita em 2004, quando o novo museu da Académica de Coimbra foi baptizado com o seu nome.
759 - SHÉU
A sua qualidade era tal que José Augusto veria nele um bom reforço para o Benfica – “Foi um jogador que nem estava na lista de jovens que fui avaliar, mas vi-o a jogar em Moçambique quando fui buscar uma autorização para o Nené. Vi logo ali que o Shéu tinha uma enorme margem de progressão. Não hesitei e fiz questão de trazê-lo logo comigo para Lisboa”*.
Pior foi convencer o seu pai. Certo que a vida académica era mais importante que uma hipotética carreira de desportista, a autorização para que pudesse seguir viagem com a comitiva benfiquista, foi muito difícil de conseguir. Shéu insistiu no pedido e comprometeu-se a concluir os estudos. Convencido da sinceridade do filho, a permissão lá foi concedida. Shéu cumpriria a sua promessa e, em paralelo com o futebol, concluiria o curso de Mecânica e Desenho Industrial.
Tendo chegado a Portugal em 1970, o jovem atleta seria integrado na equipa de juniores das “Águias”. Ainda nesse escalão, começou a ser chamado à equipa principal, tendo sido convocado para alguns encontros de cariz amigável – “Fomos a Espanha fazer um torneio, a Salamanca, que ganhámos, e julgo que foi na fase final da época. Como era norma naquela altura, não regressávamos naquele dia, só no seguinte. Então os jogadores decidiram que iam sair. Pediram autorização ao treinador, mas este disse que não. Acabámos por nos reunir já fora do hotel para ir embora. E eu, que tinha sido pela primeira vez convocado, e logo para uma equipa daquelas, não sabia o que fazer. Estava numa encruzilhada! Decidi, lentamente, ir ter com os jogadores que estavam à frente do hotel. Fui a passo, pé ante pé, e do meio do grupo oiço uma voz: «Ó miúdo, vai-te deitar!» E quem era essa pessoa? O Eusébio. Libertando-me assim daquela situação difícil, para quem chegava de novo. Senti-me protegido.”**.
A 15 de Outubro de 1972, numa visita ao campo do Barreirense, Shéu faz a estreia oficial pela equipa sénior. Aos 80 minutos de jogo, entrando para o lugar de Toni, o médio dava início a uma caminhada que apenas terminaria em 1989. Logicamente, e apesar de reconhecidas as suas capacidades, as oportunidades que teria durante esses primeiros anos seriam escassas. Só na temporada de 1975/76, com a chegada de Mário Wilson aos comandos da equipa, é que o seu paradigma começou a alterar-se.
A verdade é que a partir desse momento, o atleta conquistaria um lugar no “onze” do Benfica. Como titular absoluto, e conseguindo manter essa importância, Shéu tornar-se-ia num dos principais pêndulos da equipa. Sem nunca ser muito exuberante, era ele o jogador que tornava possíveis os necessários equilíbrios tácticos. Esse seu papel contribuiria muito para que o Benfica conseguisse conquistar um sem número de títulos. 9 Campeonatos, 6 Taças de Portugal e 2 Supertaças fazem parte do seu currículo.
Em termos internacionais, o seu percurso não é, de todo, vergonhoso. Apesar de nunca ter conseguido vencer uma competição europeia, o centrocampista pode gabar-se de ter marcado presença em duas finais. Na primeira, a final da Taça UEFA de 1982/83, o Benfica seria derrotado pelo Anderlecht. Ainda assim, nesse duplo embate com a equipa belga (1-0; 1-1), o golo conseguido na 2ª mão seria da sua autoria. Já em 1988, com Shéu a envergar a braçadeira de capitão, os “Encarnados” seriam derrotados no derradeiro jogo da Taça dos Campeões Europeus, desta feita, frente aos holandeses do PSV Eindhoven.
No que à selecção diz respeito, o seu percurso é algo curioso. Tendo em conta as diversas chamadas à equipa nacional (24) e ao seu estatuto de grande médio, é surpreendente que nunca tenha sido chamado a disputar a fase final de uma grande competição. É certo que durante o seu percurso de futebolista, Portugal raramente conseguiu qualificar-se para esse tipo de certames. As excepções seriam o Euro 84 e o Mundial de 1986. Ora, a ausência no torneio disputado no México, até pode ser justificada pela entrada na derradeira fase da sua carreira. Já para França, numa altura em que ainda estava na posse de todas as suas capacidades físico-tácticas, o seu afastamento é difícil de entender.
Em 1989, como já foi referido, Shéu decide pôr um fim ao seu percurso nos relvados. No entanto, a sua ligação ao Benfica manter-se-ia. Tendo concordado com a proposta do Presidente João Santos, o médio passaria a ocupar um lugar na estrutura directiva. Com excepção feita a duas aparições como treinador (1998/99 – treinador interino; 2007/08 – treinador-adjunto), o antigo jogador tem, desde então, cumprido as funções de Coordenador Técnico da “Águias”.
**retirado de “www.relato.pt, “post” de 03/12/2016
728 - FERNANDO VAZ
Apaixonado pela modalidade, é nas equipas escolares e, mais tarde, nas camadas jovens do clube que enceta o seu caminho como jogador. Ao ser descoberto pelo técnico Arthur John, que muito admirou as suas qualidades, Fernando Vaz, ainda adolescente, passa a fazer parte do plantel sénior do Casa Pia Atlético Clube. É aí, na principal equipa dos “Gansos”, que faz toda a carreira de futebolista. Participa na edição de 1938/39 do Campeonato Nacional da 1ª divisão, para, na temporada seguinte, pôr um ponto final na sua vida de desportista.
Com 22 anos apenas, Fernando Vaz decide pôr de parte o futebol, para dar prioridade ao emprego como bancário. A ajuda que precisava dar à família, leva-o a tomar esta difícil decisão. Mas, mesmo afastado do rectângulo de jogo, a sua paixão pela modalidade não diminuía e, colaborando com o Jornal de Lisboa e com a revista Stadium, a ligação ao “jogo da bola” manter-se-ia. Já alguns anos depois, e numa altura em que estava sem emprego, recebe uma proposta de Cândido de Oliveira. O convite leva-o a desempenhar as funções de redactor no jornal A Bola e a cimentar a amizade entre os dois homens do futebol.
No desempenho das funções de jornalista, Fernando Vaz acabaria por chegar a Chefe de Redacção. Contudo, o seu conhecimento profundo do jogo, das suas tácticas e psicologias, leva a que Cândido de Oliveira decida apostar em si para o auxiliar no Sporting. Em Alvalade, naquele que era o clube do seu coração, começa uma carreira que, de muito rica, o levaria a passar por diversos emblemas nacionais. Belenenses, Caldas (onde é considerado um dos melhores que por lá passaram), Vitória de Guimarães, CUF, Sporting de Braga, Académica, Atlético, Beira-Mar ou Marítimo, são, entre outros, alguns dos emblemas que representaria.
Além dos já citados, houve outros emblemas que, porém, marcariam ainda mais a sua longa carreira de treinador. Podemos referir o FC Porto ou até a sua passagem pela Selecção Nacional. No entanto, há dois clubes que ficariam para sempre marcados no seu percurso. Um deles já aqui foi falado. No Sporting, Fernando Vaz acabaria por conseguir alguns dos seus maiores feitos. Primeiro, em 1969/70, venceria o Campeonato Nacional. Depois, e já na época seguinte, consegue conquistar a Taça de Portugal.
O emblema que aqui falta referir é o Vitória de Setúbal. Espalhadas por diversos períodos, as 10 temporadas passadas à frente dos “Sadinos”, fazem do clube o mais emblemático da sua carreira. Muito mais do que a longa ligação, o que Fernando Vaz realmente representa para o clube são os títulos conquistados durante a sua passagem. As Taças de Portugal de 1964/65 e 1966/67, adornadas ainda pela vitória na Taça Ribeiro dos Reis de 1968/69, são bem o exemplo da sua genialidade e competência.


















