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1598 - JOSÉ MANUEL

Começaria no “jogo da bola” à beira de casa. No modesto Maikes Fraião, essa temporada de 1992/93, a disputar os “regionais” da Associação de Futebol de Braga, serviria de arranque a uma carreira que, em abono da verdade, ninguém acreditaria que de tão forte viria a tornar-se. No entanto, bastariam 4 campanhas para que outro emblema reparasse nele. No Caçadores das Taipas continuaria a revelar-se como um praticante veloz, com boa técnica e dono de um remate certeiro e portentoso. Tais características, ainda que nas pelejas do 3º escalão, não tardariam muito a chamar a atenção de colectividades com outras ambições e o convite para o passo seguinte na sua caminhada competitiva surgiria com naturalidade – “O Mota foi ver dois jogos e deu aval para me contratar. Optei pelo Paços e fiz bem, longe de saber que, passado um ano, estava na Primeira Liga”*.
Na colectividade da “Cidade do Móvel” a partir de 1999/00, José Manuel da Silva Fernandes seria um dos nomes, nesse ano da sua chegada, a preencher o rol de atletas campeões da divisão de Honra. Tal feito levá-lo-ia, ainda como membro do Paços de Ferreira, a estrear-se no patamar máximo do futebol luso. Titular indiscutível, o extremo começaria a ser cogitado para outros cenários competitivos. Como resultado dessa aferição, as portas dos grupos de trabalho à guarda da Federação Portuguesa de Futebol abrir-se-iam para si. A estreia com a “camisola das quinas” aconteceria no âmbito das contendas marcada para a selecção “B”. Nesse sentido, o primeiro jogo por Portugal, a 22 de Janeiro de 2002, viria a ser um embate frente à Noruega. Ainda com as cores do país natal, também no contexto da mesma edição do Torneio Internacional do Vale do Tejo, o jogador ver-se-ia no alinhamento escolhido para enfrentar a Grécia e, desse modo, juntaria ao currículo uma 2ª internacionalização.
Após cumprir 5 temporadas pelos “Castores”, com 148 partidas e 31 golos a somar ao trajecto desportivo, José Manuel mudaria de clube. No plantel do Boavista de 2004/05, o atacante sublinhar-se-ia como um elemento de indubitável cariz primodivisionário. Orientado inicialmente por Jaime Pacheco, o atleta manter-se-ia, ao longo dos 3 anos a competir pelas “Panteras”, como um dos elementos mais importantes nas manobras tácticas idealizadas para a colectividade portuense. Ainda assim, a primeira ligação do extremo aos “Axadrezados” conheceria o fim. A agremiação seguinte seria o Sporting de Braga e ano de regresso ao Minho precederia um novo desafio arremessado por um velho conhecido – “Fui para o Leixões porque o José Mota convidou-me para ajudá-lo. E eu «tudo bem, vamos lá»”*.
Ao serviço do emblema de Matosinhos completaria um ciclo de uma década a competir na 1ª divisão. Para além disso, logo no ano de entrada no Estádio do Mar, contribuiria para o 6º lugar da tabela classificativa, obtido com o termo do Campeonato Nacional de 2008/09. Já definitivamente afastado do escalão máximo, seguir-se-iam duas temporadas ao serviço do Trofense, o Boavista já nas garras de uma grave crise, o regresso ao Caçadores das Taipas e o fim da carreira como futebolista depois de uma época a envergar as cores do Académico Martim. Retirado da competição, José Manuel passaria a dedicar-se a outras actividades e, para além da dedicação dada à sua propriedade agrícola, o antigo avançado, na distribuição de bens, entregar-se-ia às tarefas de condutor de veículos pesados.

*retirado do artigo de Ricardo Jorge Castro, publicado a 25/04/2019, em https://maisfutebol.iol.pt

1585 - ANTCHOUET

Cedo despontaria no FC 105, emblema da capital gabonesa. Ainda em idade adolescente apareceria no conjunto principal sediado em Libreville e o destaque merecido logo nesses primeiro anos de carreira sénior levá-lo-ia a ser cogitado para as sendas da equipa nacional. Pela selecção do seu país, arrolado pelo brasileiro Antônio Dumas, treinador com algumas passagens por Portugal, o atacante marcaria presença na CAN de 2000 e num grupo a contar com outros conhecidos do futebol luso, casos de, Thierry Mouyouma, Théodore Nguéma e de Armand Ossey, Henri Antchouet viveria um dos grandes momentos na sua caminhada futebolística.
Seria após uma curta passagem pelos camaroneses do Canon Yaoundé que o atacante chegaria a Portugal. Apesar de apresentar uma estatura mediana, Antchouet caracterizar-se-ia por ser dono de uma velocidade estonteante e de uma condução com a bola nos pés bem acima da média. Com a entrada no plantel do Leixões rubricada para a temporada de 2000/01, onde voltaria a encontrar-se com Mouyouma, o jogador passaria a disputar a 2ª divisão “b”. Ainda assim, resultado directo dos desempenhos colectivos realizado nas campanhas seguintes, a sua cotação começaria a crescer. A alimentar tal contexto surgiria, em primeiro lugar, a chegada da agremiação matosinhense à final da Taça de Portugal de 2001/02. No Estádio Nacional, chamado à peleja por Carlos Carvalhal, o atleta faria parte do “onze” alinhado para defrontar o Sporting. Apesar da derrota, a comparência no Jamor, daria aos “Bebés do Mar” o direito de disputar a Supertaça e a Taça UEFA do ano seguinte. Em ambas as provas o internacional gabonês marcaria presença e o seu golo frente ao FK Belasica ajudaria à eliminação dos macedónios na referida prova de índole continental.
Pouco depois do arranque da campanha de 2002/03, face aos bons desempenhos registados até então, surgiria a sua transferência para o Belenenses. Com os “Azuis” a disputar a 1ª divisão, a estreia de Antchouet no escalão máximo do futebol português, dar-se-ia pela mão de Marinho Peres. Apesar do salto competitivo, o avançado não deixaria intimidar-se pelo acréscimo de exigência do novo patamar. Nesse sentido, conservaria o estatuto de titular, configurando-se, não só como uma das figuras do emblema lisboeta, mas também como um dos grandes destaques das provas lusas. Durante praticamente 3 anos, o avançado ajudaria o emblema a jogar em casa no Estádio do Restelo a cumprir as suas metas colectivas. Embora muitos desses objectivos pouco mais ultrapassassem a manutenção, a verdade é que o atleta conseguiria valorizar-se. A prova de tal acréscimo de importância viria, depois de em 2004/05 ter voltado a trabalhar sob a alçada de Carlos Carvalhal, com a transferência para uma das ligas de maior relevo a nível mundial. Todavia, a mudança para o Alavés não teria os resultados projectados e o jogador encetaria em Espanha um dos piores períodos da carreira.
Desadaptado à nova realidade, Antchouet entraria, quase de imediato, numa espiral de empréstimos. Vitória Sport Clube, os sauditas do Al-Shabab e os helénicos do Larissa, resultariam em novos insucessos. Pior ainda emergiria da passagem pela Grécia, onde, num controlo anti doping, o resultado positivo para o consumo de cocaína entregá-lo-ia a uma punição de 2 anos sem jogar. De regresso à competição, o atacante veria o Estoril Praia a abrir-lhe as portas. A frequentar o segundo escalão de 2009/10, o jogador ainda representaria no mesmo patamar, o plantel de 2010/11 do Moreirense. Seguir-se-ia a passagem pelo futebol da Índia e, depois da experiência no Churchill Brothers, o ingresso nos gauleses do Football Club des Gobelins Paris 13. Na modesta colectividade francesa viria a pôr um ponto final na caminhada enquanto futebolista, passando a desempenhar as funções de treinador, primeiro nas camadas jovens, para, mais tarde aceitar o cargo de adjunto no conjunto principal.

1550 - WOOTER

Ao surgir na equipa principal do Ajax durante a temporada de 1994/95, Nordin Wooter, muito mais do que partilhar o balneário com outro conhecido do futebol português, o avançado Cyde Wijnhard, passaria a integrar um grupo de trabalho orientado por Louis van Gaal e recheado por uma longa lista de craques. Tal contexto competitivo daria, ao primeiro capítulo sénior do extremo, aquele que viria a tornar-se num dos mais importantes troféus do seu palmarés pessoal, a vitória na Eredivisie. No entanto, o emblema neerlandês, para além de brilhar no âmbito das provas nacionais, também atingiria o topo das competições de índole continental e o atacante, por não ter entrado em qualquer partida da edição de 1994/95 da Liga dos Campeões, não viria a constar no rol de atletas vencedores da aludida prova.
Apesar do pequeno dissabor, a verdade é que o avançado continuaria a ser tido como uma das grandes promessas do Ajax. Logo nas épocas seguintes à da sua estreia como sénior, o extremo, com um grande número de chamadas a jogo, tornar-se-ia num dos pilares dos sucessos da equipa. Nessa lista de êxitos colectivos constaria a final da “Champions” de 1995/96, mas, dessa feita, com duas grandes diferenças, ou seja, a presença de Wooter na final e a derrota frente à Juventus. Mesmo tendo em conta o desaire frente aos italianos, ainda assim, os títulos continuariam a chegar ao currículo do jogador e as vitórias em mais 1 Eredivisie, 1 Johan Cruijff Schaal (Supertaça dos Países Baixos) e 1 Supertaça UEFA serviriam para valorizar o jovem atleta.
O apreço pelo extremo que, entretanto, já havia acumulado um bom número de internacionalizações ao serviço das selecções de formação dos Países Baixos, levá-lo-ia a ser cobiçado por outros emblemas. Nesse sentido, daquele que, à altura, era o cenário futebolístico mais apetecido pela maioria dos atletas, surgiria o convite do Zaragoza. Porém, a mudança para a La Liga, em 1997/98, ficaria aquém das expectativas criadas à volta do jogador. Sem conseguir conquistar um lugar como titular nos dois anos passados em Espanha, Wooter começaria a procurar uma solução para a sua carreira. Então, de Inglaterra chegaria o repto a levá-lo até à Premier League. No plantel de 1999/00 do Watford, o extremo, contrariamente ao projectado no começo da sua caminhada desportiva, voltaria a ser sublinhado como um portento de técnica, mas cuja objectividade, nomeadamente na hora de entregar a bola, deixava muito a desejar. Mesmo com tal avaliação, a ligação ao emblema britânico manter-se-ia e depois da despromoção sofrida na época da sua chegada a “Terras de Sua Majestade” , o atacante manter-se-ia com as cores dos “Hornets” por outras 2 campanhas.
Seria posteriormente à passagem de uma época pelo RBC Roosendaal que Wooter acabaria apresentado como reforço do Sporting de Braga. Com a entrada na agremiação minhota a acontecer na época de 2003/04, o atacante, a trabalhar sob as instruções de Jesualdo Ferreira, conseguiria um número simpático de presenças em campo. Ainda assim, tal cômputo seria insuficiente para convencer os responsáveis pelos “Guerreiros” das vantagens da sua continuidade na “Cidade dos Arcebispos”. Seguir-se-ia a curta experiência nos cipriotas do Anorthosis Famagusta e o salto, a meio de 2004/05, para as competições helénicas. No ano e meio ao serviço do Panathinaikos, o extremo voltaria a apresentar-se de forma modesta. Aliás, seriam desse tipo os registos por si conseguidos até ao final da carreira, a qual acabaria com o termo das provas agendadas para 2007/08 e depois de vestir as camisolas do Sivasspor e do AEK Larnaca.
Após “pendurar as chuteiras”, o antigo extremo manter-se-ia ligado à modalidade. Primeiramente passaria a dedicar-se às funções de Presidente do FC New Amsterdam. Depois abraçaria a carreira de treinador e, como técnico, paralelamente à sua participação na Wooter Academy, seria nas camadas jovens do Ajax que trilharia grande parte do seu percurso.

1492 - RICARDO SILVA


Ao terminar a formação no Boavista, seria também nos “Axadrezados” que Ricardo Emídio Ramalho da Silva teria a primeira experiência a trabalhar no escalão sénior. No entanto, na temporada de 1994/95, o jovem defesa-central não veria o treinador Manuel José a conceder-lhe qualquer oportunidade. Tal facto transformar-se-ia na provável causa para uma alteração de rumo. Todavia, é na sua mudança para o plantel de 1995/96 do Esposende, para onde partiria acompanhado de Petit, que reside a grande dúvida que tenho acerca do seu percurso. Terá o jogador integrado a nova equipa na condição de cedido pelas “Panteras”?; terá sido com um contrato a ligá-lo somente ao Esposende?; ou terá partido para a nova aventura após rubricar uma ligação ao FC Porto e na condição de emprestado? Curiosamente, em diferentes fontes, já encontrei essas 3 respostas como donas da verdade!
O que parece ser certo é que, nos anos seguintes, apesar de emprestado, Ricardo Silva já estava contratualmente ligado aos “Dragões”. Nesse sentido, no plantel de 1996/97 do Felgueiras, ainda na divisão de honra, o defesa-central, ao conseguir estabelecer-se como titular, acabaria também a merecer a atenção dos responsáveis técnicos pelos grupos à guarda da Federação Portuguesa de Futebol. A estreia com a “camisola das quinas”, no âmbito dos sub-21, aconteceria a 21 de Janeiro de 1997. Esse embate frente à Dinamarca, sob a alçada da dupla Rui Caçador/Jesualdo Ferreira, levaria o jogador a encetar uma caminhada que, entre o escalão referido e a equipa “B”, terminaria com 9 internacionalizações. Faltar-lhe-ia apenas uma partida pelo conjunto “A”, a qual esteve à beira de acontecer na preparação para o Euro 2004, quando Agostinho Oliveira, a 20 de Novembro de 2002 e frente à Escócia, haveria de sentar o atleta no banco de suplentes.
No que diz respeito à sua carreira clubística, Ricardo Silva estrear-se-ia na 1ª divisão ao serviço do Marítimo. Com a campanha de 1997/98 a correr-lhe de feição, o trabalho realizado com o treinador Augusto Inácio, ainda assim, não mereceria por parte do FC Porto a confiança necessária para que o atleta passasse a vestir de “azul e branco”. Tal só aconteceria na temporada de 1999/00, depois de mais uma brilhante época no escalão máximo, dessa feita ao serviço da União de Leiria. Contudo, a sua entrada no grupo orientado por Fernando Santos não traria ao defesa o destaque esperado e a sua utilização ficaria aquém dos números apresentados anteriormente. Depois de 3 épocas como suplente dos “Dragões”, o jogador, mais uma vez por empréstimo, passaria pelo plantel de 2002/03 do Vitória Sport Clube e, no ano subsequente, pelo Boavista. Seguir-se-ia, já a título definitivo, o vínculo com o Beira-Mar e, em 2005/06, o início de mais uma ligação à colectividade a jogar em casa no Estádio do Bessa.
Depois de 2 anos e meio com os “Axadrezados”, a Ricardo Silva assomar-se-ia a oportunidade de voltar a mudar de rumo. Com a ocasião a surgir do estrangeiro, o defesa-central mudar-se-ia para a Rússia. Porém, a escolha do FC Shinnik, onde, em 2008, encontraria Bruno Basto e onde chegaria a trabalhar sob as ordens de Sergei Yuran, dar-lhe-ia apenas a primeira temporada no escalão máximo. Com a campanha seguinte já efectuada no patamar secundário do país do Leste europeu, tal cenário faria com o jogador regressasse a Portugal, para integrar o Vitória Futebol Clube de 2009/10. As 4 campanhas entre os “grandes”, cumpridas pela agremiação de Setúbal, dar-lhe-iam um total de 16 inscrições feitas na 1ª divisão portuguesa. Tal número antecederia os últimos capítulos da sua carreira, nos quais vestiria a camisola de um Boavista já a militar nos escalões inferiores e, numa época e merecer a sua transição para as funções de treinador, a envergar as cores do Padroense.
Como treinador tem trabalhado, essencialmente, nas equipas de Nuno Capucho, com o seu currículo a mencionar passagens pelo Varzim, Rio Ave e Mafra.

1485 - NIQUINHA

Formado pelo Francana, agremiação do interior do Estado de São Paulo, seria na mesma colectividade que Édson Pereira de Barros, popularizado no mundo do futebol por Niquinha (ou Nikinha), chegaria, em 1990, ao escalão sénior. Alguns anos depois, o médio-centro, caracterizado pelo trato gentil dado à bola e pela maneira suave como conseguia desarmar os adversários, começaria a ser cobiçado por emblemas de outra monta e a mudança para o Náutico empurrá-lo-ia para a disputa das edições de 1993 e 1994 do principal patamar do “Brasileirão”.
Curiosamente, seria depois de um retrocesso na sua carreira profissional, à altura a representar o modesto Manchete, que de Portugal surgiria o convite a marcar uma enorme mudança na sua carreira enquanto futebolista profissional. No Rio Ave a partir da temporada de 1997/98, seria pela mão do treinador Carlos Brito que, Niquinha, na época da sua chegada a Vila do Conde, conseguiria estrear-se na 1ª divisão. Daí em diante, tirando algumas excepções, o médio, que, por vezes, chegou a actuar como lateral-direito, conseguiria afirmar-se como um dos esteios da “Caravela” e num dos grandes símbolos da história do emblema a disputar as pelejas caseiras no Estádio dos Arcos.
Mesmo com o Rio Ave a alternar períodos primodivisionários, com outros na disputa do escalão secundário, o jogador nunca deixaria o clube nortenho. Nessa senda de 12 temporadas consecutivas, 7 seriam cumpridas no escalão máximo e numa longa passagem pelo emblema vilacondense, o centrocampista viveria alguns momentos merecedores de destaque. Um deles seria a vitória na edição de 2002/03 do Campeonato da 2ª divisão, onde também marcariam presença atletas históricos como Bruno Mendes, Gama, Evandro ou Miguelito. Para além do título referido, emergiria também ao currículo do médio a boa campanha na Taça de Portugal de 1999/00, onde ajudaria a sua equipa a chegar às meias-finais. Claro que o somatório de tudo o que já foi dito também pode ser traduzido por outros números e os 343 jogos oficiais disputados com as cores do colectivo da “Caravela”, 141 dos quais no patamar maior do futebol luso, fazem de Niquinha um dos nomes incontornáveis nos anais do clube.
Já a envergar a braçadeira de capitão, a separação de Niquinha com o Rio Ave dar-se-ia com o termo da temporada de 2008/09. Seguir-se-ia, de volta à casa onde tinha cumprido a sua formação, o regresso ao Francana, onde partilharia o balneário com o irmão Marquinhos, também antigo colega na colectividade com sede em Vila do Conde. Seria igualmente no Francana que viria a “pendurar as chuteiras” e onde, em paralelo com a gestão da “escolinha” por si fundada, daria os primeiros passos como treinador. Nas tarefas de técnico, inicialmente como adjunto, o antigo médio teria a oportunidade de comandar o conjunto principal e seria chamado a tais funções no decorrer da campanha de 2015.

1298 - JORGE DUARTE

Filho do “magriço” Manuel Duarte, Jorge terminaria a formação num dos clubes representados pelo seu pai. Também ao serviço da Associação Desportiva de Fafe, o jovem médio chegaria ao patamar sénior. Incluído no plantel principal da colectividade sediada na sua terra natal, seria no emblema minhoto, que, a partir da temporada de 1993/94, cumpria a primeira etapa do seu percurso competitivo.
Apesar de militar nos escalões secundários durante vários anos, onde para além de vestir a camisola do emblema acima aludido, também representaria o Tirsense e o Desportivo das Aves, o crescimento demonstrado por Jorge Duarte começaria a prometer uma oportunidade no patamar maior do futebol português. A ocasião, sem deixar o listado alvirrubro dos avenses, surgiria na temporada de 2000/01 e com o regresso do clube ao convívio dos “grandes”. Durante a dita campanha, ao preservar os números das épocas anteriores, o médio manter-se-ia como um dos pilares do conjunto inicialmente orientado pelo Professor Neca e, mais tarde, por Carlos Carvalhal. Mesmo com o 17º lugar da tabela classificativa a não dar como cumpridos os objectivos do colectivo, a verdade é que os índices do jogador afastá-lo-iam de ser arrastado na despromoção e acabariam por encaminhá-lo para um novo desafio.
No Vitória Sport Clube da temporada de 2001/02, Jorge Duarte não conseguiria convencer Augusto Inácio dos seus predicados. Pouco utilizado durante o ano cumprido em Guimarães, o Verão seguinte ao da sua chegada à “Cidade Berço”, empurrá-lo-ia para num rumo diferente. Não tendo a necessidade de mudar-se para muito longe, o médio passaria a vestir o equipamento do Moreirense e a campanha de 2002/03 devolvê-lo-ia ao estatuto de titular. Aliás, na minha singela opinião, as 3 épocas passadas na agremiação de Moreira de Cónegos tornar-se-iam no melhor período do seu trajecto profissional. Os números não deixariam muitas dúvidas e as 97 partidas disputadas no Campeonato Nacional, elevariam o atleta ao 1º posto dos jogadores com mais partidas realizadas pelo clube, naquela que é a prova mais importante do calendário futebolístico português*.
Com o fim do contrato que ligava o atleta ao Moreirense e com vários conjuntos primodivisionários no seu encalço, Jorge Duarte decidir-se-ia pelo ingresso noutro emblema também representado pelo seu pai. Ao dar preferência ao Leixões, o médio acabaria por regressar ao escalão secundário. Ainda assim, no desenrolar desses anos passados no Estádio do Mar, o jogador ainda teria mais uma experiência no escalão máximo e com a colectividade fundada em Matosinhos a conseguir a promoção, a temporada de 2007/08 tornar-se-ia na sua 6ª campanha, e última, a disputar a 1ª divisão do futebol luso.
Depois de 2 temporadas em que voltaria a envergar as cores do Desportivo das Aves, tornando-se o emblema do Concelho de Santo Tirso no clube mais representativo da carreira do médio, o jogador, terminada a época de 2009/10, decidiria ser a hora certa para “pendurar as chuteiras”. Apesar de retirado dos relvados, o antigo atleta não abandonaria a modalidade. Por um lado, tem tido algumas experiências no cargo de Director-Desportivo, como são exemplo as passagens pelo Trofense e AD Fafe. Em paralelo, a abertura de uma agência na área da gestão de carreiras, deu a oportunidade a Jorge Duarte de representar alguns futebolistas.

*nesse “ranking”, Jorge Duarte, no decorrer da temporada de 2021/22, seria ultrapassado por Fábio Pacheco

1224 - RUI NEVES

Produto das “escolas” do Estrela da Amadora, para onde entraria ao lado do irmão gémeo Jorge, Rui Neves acabaria promovido à equipa principal numa das mais importantes temporadas da história da colectividade. Ao coincidir o começo da sua caminhada sénior com o ano de estreia dos “Tricolores” na 1ª divisão, o defesa-lateral, lançado nessa época de 1988/89 pelo técnico João Alves, rapidamente conseguiria assegurar um lugar no “onze”. Partiria como titular para a campanha seguinte, durante a qual o emblema da “Linha de Sintra” disputaria a final e a finalíssima da Taça de Portugal e, frente ao Farense, conquistaria o referido troféu – “Foi o ponto mais alto da minha careira. Por isso, as recordações que guardo são as melhores (…). Tudo aquilo ficou gravado na memória, uma vez que aquele ambiente é simplesmente fantástico. O Jamor estava muito bonito, repleto de público (…). Para o clube foi um marco muito importante (…). Lembro-me com alegria dos meus colegas e treinadores. Era um conjunto fantástico”*.
À terceira época no patamar sénior, já Rui Neves, lateral ambidestro, andava nas andanças europeias. Antes ainda da participação na Taça dos Vencedores das Taças, as boas prestações naquele que é o principal patamar luso, dar-lhe-iam outro prémio. Da Federação Portuguesa de Futebol, pela mão do seleccionador Agostinho de Oliveira, seria chamado aos trabalhos dos sub-21 de Portugal. Frente à Alemanha Federal, num particular agendado a 28 de Agosto de 1990, o defesa, ao ocupar um lugar no alinhamento inicial, conseguiria a única internacionalização da sua carreira. Ao lado de outras promessas como Paulo Madeira, Paulo Sousa, João Vieira Pinto, Jorge Couto ou Pedro Barbosa, integraria o grupo que, com um resultado de 1 a 1, empataria o encontro de cariz “amigável”.
Voltando às competições continentais, o defesa participaria em 3 das 4 partidas do Estrela da Amadora na edição de 1990/91 da Taça dos Vencedores das Taças. Na mesma temporada em que, por razão da vitória na Taça de Portugal, o clube, com Rui Neves a entrar em campo nas duas mãos da prova, também disputaria a Supertaça Cândido de Oliveira, o Neuchâtel Xamax emergiria como a primeira colectividade a enfrentar os portugueses nas jornadas fora de fronteiras. Depois de jogar as 2 partidas frente aos helvéticos, seguir-se-ia o RFC Liège. Nessa eliminatória, o lateral apenas seria chamado por Manuel Fernandes a participar numa das pelejas relativas à 2ª eliminatória da prova. Ao lado dos seus colegas, não evitaria o afastamento do conjunto “estrelista”. No entanto, a sucessão de eventos até agora relatados seriam mais que suficientes para inscrever o seu nome na memória colectiva da agremiação.
Ao fazer coincidir os primeiros anos da carreira com os momentos mais emocionantes dessa caminhada, o que restaria do seu trajecto competitivo seria passado, com um pequena excepção, com as cores do Estrela da Amadora. Acompanharia o grupo, depois da despromoção no final da temporada de 1990/91, até ao patamar secundário. Manter-se-ia no clube durante essa passagem de 2 anos e ajudaria à nova subida. Todavia, seria com o regresso dos “Tricolores” ao convívio dos “grandes” que Rui Neves decidiria mudar de rumo e, em 1993/94, assinar pelo Gil Vicente. Curto o passo dado no Minho, pois, ao fim da aludida campanha, o defesa regressaria ao Estádio José Gomes. Daí em diante, não mais mudaria de camisola. Mesmo sem o “glamour” experimentado no arranque da marcha profissional, ainda assim, o lateral ajudaria à edificação de bons momentos. Nesse sentido, há que fazer referência ao 7º lugar, igualando a melhor classificação de sempre na prova, conseguido no Campeonato Nacional de 1997/98 ou participação na Taça Intertoto de 1998/99.
Para concluir, há que sublinhar as 15 temporadas como sénior a defender o emblema estrelista e os 379 jogos partilhados entre os Campeonatos Nacionais da 1ª e 2ª divisão. Tais números, somados aos das restantes provas, fazem de Rui Neves, que “penduraria as chuteiras” no final de 2003/04, num dos atletas que mais vezes envergou a camisola do Estrela da Amadora. Já depois de assumido o fim da caminhada como futebolista, o antigo lateral manteria a sua ligação ao clube e à modalidade, nomeadamente como treinador das camadas jovens.

*retirado do artigo publicado em www.record.pt, a 02/03/2005

1219 - PAULO ASSUNÇÃO

Promovido à equipa principal do Palmeiras por Luiz Felipe Scolari, Paulo Assunção deparar-se-ia com uma forte concorrência no meio-campo. Ainda assim, e com o internacional César Sampaio a ter a primazia para o lugar de “trinco”, as oportunidades conseguidas na temporada de 1999, seriam suficientes para merecer a atenção da Confederação Brasileira de Futebol. Integrado nos trabalhos dos sub-20, o jogador, com a respectiva comitiva “canarinha”, atravessaria o Oceano Atlântico e veria um torneio disputado em Portugal tornar-se numa espécie de premonição. Nesse sentido, por “empréstimo” do emblema paulista, o médio acabaria a representar o FC Porto de 2000/01. Mesmo a treinar com o plantel sob a alçada de Fernando Santos, a referida campanha passá-la-ia a disputar os desafios do conjunto “B”. Contaria, sem entrar em campo, com uma única passagem pelo “banco” da equipa principal. Todavia, e mesmo sem ter conseguido convencer os responsáveis pelo emblema portista, o traquejo ganho na passagem pela “Cidade Invicta”, faria com o regresso ao Palestra Itália desse um forte ímpeto à sua caminhada.
Com o crescimento revelado, 2002 levaria o atleta a ser visto como uma das figuras em ascensão no Palmeiras. O crescimento demonstrado no retorno ao Brasil, faria com que o Nacional da Madeira, com a aproximação do “mercado de Inverno” de 2002/03, visse em Paulo Assunção um reforço seguro. Como elemento do plantel a cargo de José Peseiro, o médio-defensivo rapidamente assumiria um lugar de relevo no esquema táctico desenhado pelo treinador. Na campanha seguinte, já sob a alçada de Casemiro Mior, o “trinco” manteria a importância no “onze” e terminaria a época como uma das principais figuras do 4º lugar alcançado no Campeonato Nacional 2003/04.
Ao destacar-se como um futebolista tacticamente evoluído, capaz de executar transições ofensivas e com uma enorme presença em todas as acções defensivas da equipa, Paulo Assunção voltaria ao “radar” do FC Porto. Época e meia depois do regresso a Portugal, o horizonte do centrocampista parecia, novamente, pintar-se de “azul e branco”. Todavia, tal como da primeira passagem, o intuito de integrar o plantel principal acabaria por escapar aos objectivos do atleta. Após assinar o vínculo laboral, sem espaço no grupo de trabalho, o jogador seria encaminhado para um “empréstimo”. Ao juntar-se a Bruno Alves no AEK de Atenas, voltaria também a reencontrar-se com o técnico Fernando Santos. Esse período passado na Grécia, com a titularidade garantida, serviria para alimentar positivamente a sua evolução e, com uma base sólida, garantir a afirmação do jogador no Estádio do Dragão.
Transformado num dos esteios do FC Porto, Paulo Assunção começaria a engrossar o currículo. Campeão Nacional nas 3 temporadas disputadas pelo emblema nortenho, também a vitória na edição de 2005/06 da Taça de Portugal passaria a figurar no seu palmarés. Tais prestações, com as várias participações na “Champions” a ajudar ainda mais à valorização do médio, levariam outros emblemas a irem no seu encalço. Ora, já com o Atlético de Madrid assumidamente interessado no atleta e a renovação com os “Dragões” num impasse, o impensável ocorreria – “Saí do Olival e vieram cinco indivíduos e disseram-me que se não renovasse até quarta-feira levava um tiro no joelho, eu expliquei que as coisas não são assim. Depois, saí dali e fui directo à polícia, enquanto eles me perseguiam de carro. Isso transtornou-me e perdi a confiança”*.
O episódio levaria Paulo Assunção a decidir-se, em definitivo, pela partida. Ao abrigo da Lei Webster, rescindiria com o FC Porto e, com início da ligação na campanha de 2008/09, passaria a representar o Atlético de Madrid. Nos “Colchoneros”, onde partilharia o balneário com Seitaridis, Maniche ou Simão Sabrosa, o médio manteria os níveis exibicionais bem elevados. Seria também durante o tempo passado na capital espanhola que, mais uma vez, voltaria a ser veiculado para a equipa nacional portuguesa. Depois de, em 2008 e ainda com Luiz Felipe Scolari como seleccionador, ter visto o seu nome associado a uma possível convocatória lusa, a imprensa desportiva, com o Mundial de 2010 a abeirar-se, voltaria a pô-lo como um dos hipotéticos arrolados à “camisola das quinas”. Tal internacionalização nunca viria a acontecer. Porém, mesmo sem a passagem por um grande evento de selecções, a verdade é que o palmarés do jogador, enquanto elemento do conjunto madrileno, continuaria a somar troféus. As vitórias nas edições da Liga Europa de 2009/10 e de 2011/12 transformar-se-iam em momentos icónicos. Para compor um ramalhete já bem colorido, a sua carreira acabaria também por contar com os triunfos na Supertaça da UEFA de 2010/11 e na Copa del Rey de 2009/10.
Já numa fase descendente do seu percurso competitivo, Paulo Assunção envergaria ainda as camisolas do São Paulo, do Deportivo La Coruña e dos gregos do Levadiakos. Daria por terminado o percurso enquanto atleta em 2014, já depois de findada a experiência helénica. Durante vários anos viveria afastado das lides futebolísticas, para, nesta época de 2021/22, assumir-se como treinador nos “distritais” da Associação de Futebol do Porto, ao serviço do FC Pedroso.

*retirado do artigo publicado em www.rtp.pt a 26/01/2009

1208 - WIJNHARD

Produto das afamadas “escolas” do Ajax, Clyde Wijnhard, na promoção à equipa principal, haveria de encontrar uma forte concorrência. Integrado num plantel que, só para a posição de avançado-centro, contava com elementos como os internacionais Dennis Bergkamp, John van Loen ou Stefan Pettersson, as oportunidades dadas ao jovem futebolista seriam escassas. Após disputar a temporada de 1992/93, a primeira do atacante nas competições seniores, a hipótese de um “empréstimo” começaria a ganhar forma. A passagem de um ano pelo Groningen, com o intuito de conferir traquejo ao jogador, daria bons sinais. Porém, o seu regresso à colectividade de Amesterdão não correria como esperado. Na época em que o clube haveria de vencer a “Champions”, mesmo integrado no grupo de trabalho, o atleta pouco ou nada contaria para o técnico Louis van Gaal.
À procura de um novo ímpeto para a carreira, o avançado escolheria o RKC Waalwijk para prosseguir o seu trajecto no futebol. Sempre no escalão máximo neerlandês, um par de temporadas no referido clube e outra a envergar as cores do Willem II seriam suficientes para que o valor do internacional pelas camadas jovens dos Países Baixos voltasse a aumentar. Esse crescimento levaria o Leeds United, orientado pelo escocês George Graham, a apostar na sua contratação. Contudo, pouco tempo depois da estreia na “Premier League”, a troca de treinadores mudaria as circunstâncias que envolviam Wijnhard. Nesse sentido e apesar de ser chamado a campo com alguma regularidade, com o fim dessa temporada de 1998/99, o avançado terminaria a ligação com o emblema de Yorkshire.
A primeira temporada com Huddersfield Town, já no segundo escalão inglês, voltaria a dar a ideia que a carreira de Wijnhard estaria prestes a voltar aos mais altos patamares. Contudo, contrariamente ao que os bons desempenhos prometeriam, um grave acidente de viação iria alterar toda essa ideia. Ocorrido em Setembro de 2000, o desastre teria como resultado um longuíssimo período de recuperação e o afastamento das competições por cerca de ano e meio. Daí em diante, o avançado nunca mais conseguiria exibir os índices que tinham feito dele um avançado promissor. A única excepção, após curtas passagens por Preston North End e Oldahm Athletic, talvez tenha sido ao serviço do Beira-Mar. Em Portugal, numa altura em que os aveirenses começavam a apostar no mercado britânico, o atacante surgiria para a campanha de 2003/04 como um dos mais sonantes reforços. Mesmo ao ser utilizado pelo treinador António Sousa com bastante regularidade, a verdade é que, no final da referida época, o avançado decidir-se-ia pelo regresso a “Terras de Sua Majestade”.
Sempre nos escalões secundários, Darlington, Macclesfield Town e Brentford marcariam o final do seu trajecto profissional no futebol. Depois de 2006/07, Wijnhard, sem abandonar a prática do futebol, ficaria vinculado a emblemas amadores, como o Bramham FC ou o Shadwell United. Mas a sua ligação à modalidade não ficaria por aqui. Depois de tomar a decisão de fixar residência na zona norte de Inglaterra, contratado pelo Leeds United, o antigo avançado começaria a trabalhar como adjunto nas camadas jovens do clube e a ajudar na prospecção e na avaliação de jovens promessas britânicas e estrangeiras. Paralelamente, encetaria actividades em negócios longe do desporto, como, por exemplo, no campo da iluminação LED, na organização de eventos e numa empresa de “marketing”.

1193 - TINAIA

Ainda uma criança, viajaria para Portugal para ingressar nas “escolas” do FC Porto. Apesar das dificuldades de deixar Cabo Verde em tão tenra idade, a verdade é que Tinaia, a cada degrau subido na hierarquia dos escalões formativos “Azuis e Brancos”, rapidamente demonstraria qualidades bem acima da média. Como um elemento, ainda que franzino, mas dono de uma técnica surpreendente, o jovem atleta depressa seria perfilado como uma das maiores esperanças do clube. O estatuto de “estrela”, auferido desde tenra idade, seria sublinhado na temporada de 1993/94, pelo concretizar de uma transferência que até ao mais atento deixaria boquiaberto. Pela mão do empresário Manuel Barbosa, o médio de propensões ofensivas, deixaria a “Cidade Invicta” e, depois de atravessar a fronteira, acabaria por dar entrada num dos maiores emblemas mundiais.
Ao lado de Zeferino, seu colega nas jovens equipas dos “Dragões”, Tinaia, não mais do que um adolescente, passaria a representar o Real Madrid. Integrado nas “escolas” do emblema castelhano, depressa daria sinais que a sua contratação estaria longe de ser um erro. Em 1995/96, a partilhar o balneário com Guti ou com o avançado português Agostinho, encetaria trabalhos com a equipa “b” dos “Merengues”. Mesmo ao enfrentar novos desafios, o jovem, mas virtuoso intérprete, continuaria a destacar-se como um bom elemento. Já numa altura em que o conjunto maior dos “Blancos” era orientado por Fabio Capello, as suas exibições começariam a chamar a atenção do “allenatore” e a presença nos treinos da primeira equipa tornar-se-ia numa constante.
A saída do treinador italiano no final da temporada de 1996/97, faria cair por terra a promessa de Tinaia vir a integrar o plantel principal, na época seguinte. O médio veria igualmente recusada a intenção do técnico em levá-lo consigo para o AC Milan. Falar-se-ia também na saída do esquerdino para o Valência, mas, declinada a proposta, o jogador manter-se-ia pela capital espanhola. Com o avançar dos anos, a oportunidade do médio subir à equipa “A”, nunca ganharia corpo. Já na campanha de 1999/00, o jogador seria “emprestado” a um emblema do escalão secundário. Com Silas como companheiro de balneário, o atleta passaria a envergar a camisola do Elche. “Sol de pouca dura”, pois o fim da ligação ao Real Madrid e o regresso a Portugal acabariam por surgir no horizonte da sua carreira.
Mais uma vez com Zeferino como companheiro de “aventuras”, Tinaia, para a temporada de 2000/01, rubricaria uma ligação contratual com o Alverca. No novo emblema, o médio estrear-se-ia na 1ª divisão do Campeonato Nacional. Nem sempre como um elemento incontestável do “onze”, ainda assim vestiria as cores da colectividade ribatejana por 4 temporadas. Com 3 dessas passadas a disputar o escalão máximo português, nem o novo capítulo da sua caminhada profissional daria grandes frutos. A prova disso mesmo, e de uma carreira brilhante que nunca passaria de uma ideia vaga, sublinhar-se-ia com a metade final do trajecto competitivo do centrocampista. De volta a Espanha, as únicas oportunidades que conquistaria seriam dadas por agremiações de cariz mais modesto. Antes ainda de uma longa etapa a representar conjuntos dos “regionais” galegos e que terminaria em 2019, destaque para as passagens do atleta pelo Pontevedra e pelo Logroñes.

1183 - TIXIER

Descoberto no modesto emblema francês do Stade Beaucairois, Damien Tixier chegaria a Portugal para reforçar o plantel de 2000/01 da Naval 1º de Maio. Com o emblema da Figueira da Foz a militar na 2ª divisão, o defesa gaulês depressa conseguiria agarrar um lugar no sector mais recuado da equipa. Mesmo afastado dos principais holofotes do futebol luso, as qualidades do atleta acabariam por despertar a cobiça de emblemas a disputar o escalão maior. A oportunidade para subir mais um degrau na carreira, surgiria duas temporadas após encetar trabalhos na colectividade figueirense e com as portas do patamar máximo a serem abertas pela Académica de Coimbra.
Apesar de uma primeira campanha em que seria utilizado de forma intermitente, a passagem de Tixier pelos “Estudantes” seria marcada pelas boas exibições do jogador. Para além de conseguir afirmar-se como um elemento de cariz primodivisionário, a sua presença em Coimbra também destacaria outra característica do gaulês. Rotulado como lateral-esquerdo, a verdade é que as suas qualidades permitir-lhe-iam, com igual eficácia, posicionar-se noutros lugares do rectângulo de jogo. Nesse sentido, tanto no lado canhoto da defesa, como no centro ou ainda a ocupar a posição de “trinco”, os seus desempenhos seriam aferidos com nota positiva. Porém, e mesmo tido como um elemento fulcral no desenho táctico, o seu comportamento alimentaria alguma polémica e as notícias veiculadas pelos jornais, sobre injustificados atrasos e absentismo poriam em causa, durante a derradeira campanha com a Académica, o seu profissionalismo.
Talvez pela razão acima referida, o defeso estival de 2005 marcaria a saída de Tixier da “Briosa” e a sua inclusão no plantel da União de Leiria. No conjunto da “Cidade do Lis”, o atleta, durante temporada e meia manter-se-ia como um dos jogadores em destaque e, inclusivamente, começaria a ser falado para reforçar o plantel de um dos “grandes” do futebol português. Curiosamente, seria também especulado o interesse da Federação Portuguesa de Futebol em contar consigo para os trabalhos da selecção. No entanto, nada disso viria a concretizar-se. Com o Lens igualmente interessado no seu concurso e com a proposta do emblema francês a sobrepor-se à do FC Porto, o regresso do defesa ao país natal, mesmo em sentido contrário ao da sua veiculada vontade, acabaria por acontecer.
Na Ligue 1, para além do Lens, Tixier vestiria outra camisola. Estrear-se-ia, a meio da temporada de 2006/07, pelo emblema da região de Pas-de-Calais. Depois, já ao serviço do Le Havre, passaria pela 2ª divisão gaulesa e, ainda a envergar as cores deste último clube, voltaria ao escalão máximo. Seria também pela altura do regresso à principal competição francesa que, mais uma vez, começaria a ser veiculado o interesse de um dos maiores emblemas portugueses, na sua contratação. Repetindo-se a história, a transferência para o Benfica orientado por Jorge Jesus, seu antigo treinador na União de Leiria, cairia por terra e a temporada de 2009/10 levaria o defesa a juntar-se aos suíços do Neuchâtel Xamax.
No campeonato helvético, Tixier ver-se-ia envolvido noutra controvérsia. Apesar de ser um dos mais utilizados no plantel, a agressividade patente no seu desempenho e alguns cartões vermelhos serviriam de justificação para que os responsáveis do emblema suíço, com a temporada de 2009/10 ainda a decorrer, tomassem a decisão de romper a ligação com o atleta. Seguir-se-ia, após alguns meses de hiato competitivo, a sua ligação ao Nantes. Mas, como o próprio viria a reconhecer, o cansaço causado pela vida da alta-competição, faria com que, ao fim de um ano, o atleta pedisse a rescisão de contrato. Ainda assim, o defesa continuaria a alimentar a sua paixão pelo futebol e, em agremiações de cariz mais discreto, daria, por mais algumas épocas, azo à prática do futebol.

981 - PAULO ADRIANO

Subiria à categoria principal do Anadia em 1995/96. Após 3 temporadas no emblema do Distrito de Aveiro, a Académica, talvez impulsionada por uma contratação passada, veria em Paulo Adriano um bom reforço. Em Coimbra, o médio voltaria a cruzar-se com o seu antigo colega. João Tomás, por essa altura, já era um dos atletas mais consagrados do emblema estudantil e, de certo modo, ajudaria a apadrinhar a entrada do novo jogador.
A sua chegada em 1998/99 coincidiria com a despromoção do clube, no final da referida temporada. Por essa razão, e depois do pulo do 3º escalão para o patamar máximo do futebol nacional, o médio, nos anos seguintes, acabaria por disputar a Divisão de Honra. No entanto, esse passo atrás permitiria ao jogador afirmar-se no grupo conimbricense. A continuidade no seio do plantel estudantil, levá-lo-ia a tornar-se numa referência do mesmo. O peso que começaria a ter nas manobras da equipa, assim o justificaria. Porém, outro factor surgiria. Personificar aquilo que de mais nobre há na cultura e história da Académica, o centrocampista escolheria, ao iniciar os estudos em Geografia, alimentar a imagem do atleta-estudante.
Para ser mais correcto, a sua passagem pela Académica acabaria por ter certos períodos de alguma intermitência. Nem sempre amado, nem sempre compreendido, seria por vezes acusado de alguma lentidão e displicência. Ao ocupar uma posição entre o “lugar 6” e o miolo do terreno, Paulo Adriano caracterizar-se-ia por ser um jogador de grande sentido posicional. Podia não ser o elemento mais vistoso na equipa. Porém, era de uma utilidade fulcral. A sua consciência táctica torná-lo-ia, principalmente nos últimos anos a jogar pelos “Estudantes”, numa das peças basilares do grupo. Esse peso traduzir-se-ia, não só pelo número de presenças em campo, mas, essencialmente, pelas vezes que envergaria a braçadeira de capitão.
No final da temporada de 2005/06 e com a troca de Nelo Vingada por Manuel Machado, a separação entre o atleta e o clube consumar-se-ia. Ao fim de 8 anos, Paulo Adriano deixaria as margens do Mondego para, naquela que seria a primeira aventura no estrangeiro, viajar para o Chipre. No AEK Larnaca, onde iria encontrar-se com os portugueses Zé Nando e Miguel Fidalgo, a passagem seria de curta duração. Começaria aí uma fase nova na sua carreira, durante a qual experimentaria jogar por diversos clubes e em diferentes países. O Vitória de Guimarães, na fatídica época na Divisão de Honra, os romenos do Brasov e ainda uma passagem pelos russos do Alania tornar-se-iam nas cores desse capítulo.
O regresso a Portugal representaria para o futebolista a entrada na derradeira fase do seu percurso desportivo. De volta ao Anadia na campanha de 2009/10, Paulo Adriano manter-se-ia no emblema da sua terra natal por 4 temporadas. Contribuiria para a promoção do clube à 2ª divisão e, nas épocas seguintes, seria uma preciosa ajuda na permanência da colectividade no referido escalão.
Depois de uma derradeira temporada ao serviço do Oliveira do Bairro, Paulo Adriano, em 2014, poria um ponto final na vida de futebolista. Alguns anos após o seu afastamento, o antigo médio passaria a dedicar-se à política. Nas listas do Partido Social Democrático seria, no âmbito das Eleições Autárquicas de 2017, o candidato à Assembleia de Freguesia da União de Freguesias de Arcos e Mogofores.

952 - LUIZ CLÁUDIO

Dividida a sua formação entre o Bangu e o Vasco da Gama, seria no emblema fundado por portugueses que Luiz Cláudio, na segunda metade da década de 90, faria a passagem para o patamar sénior. Todavia, e num clube onde é tão habitual a presença de grandes craques, o avançado, nessa transição, teria que contentar-se com um papel mais secundário.
Mesmo tido pelo técnico Antônio Lopes como um amuleto, tais eram os golos por si concretizados quando, vindo do banco, entrava em campo, a sua pouca utilização levaria os responsáveis da colectividade carioca a equacionar um empréstimo. A primeira cedência ocorreria em 1999. No entanto, na passagem pelo Esporte Bahia, uma lesão atrasaria a sua evolução. Já no regresso ao Rio de Janeiro, a presença de nomes como Romário, Edmundo, Donizete ou Viola acabariam por, mais uma vez, destinar o atleta a outras paragens.
Seria depois da temporada no Palmeiras, passada sob o comando de Luiz Felipe Scolari, que o regresso ao Vasco da Gama aconteceria. Ao contrário do que seria espectável, principalmente pela boa campanha feita na cidade de São Paulo, a sua integração não teria o sucesso esperado. Nisto, o “passe” do avançado seria vendido. Com o seu currículo enriquecido pelas vitórias de 1 Campeonato Carioca, de 1 “Brasileirão”, de 1 Copa dos Libertadores e 1 Copa Mercosul, Luiz Cláudio daria continuidade à sua carreira no Internacional de Porto Alegre e, de seguida, no Sport Recife.
É então que, por essa altura, surgiria o interesse do Boavista. O sucesso da sua passagem pelas “Panteras”, numa altura em que ainda era vivida a ressaca do Campeonato conquistado em 2001, seria relativo. Com a temporada de 2002/03 colorida por alguns golos, a época seguinte já não seria tão prolífera. Ora, tais números ditariam o seu regresso ao Brasil e a um novo pragmatismo na sua carreira. A nova realidade ditaria que o atacante passaria a ser um “globetrotter”. Vários seriam os emblemas que, no seu país natal, enriqueceriam o seu trajecto. Depois viriam novas aventuras no estrangeiro, curiosamente em destinos pouco prováveis – “(…) fui jogar no Líbano. Eu olhava do meu prédio e só avistava tanques de guerra e soldados armados (…), depois fui para a Síria (fui na intenção do contrato ser maravilhoso), cheguei lá fiquei com muito medo pois havia toque de recolher”*.
Pouco tempo após o regresso do Médio Oriente, o avançado decidiria pôr um ponto final na sua caminhada como futebolista. Tendo ficado ligado à modalidade que, durante mais de duas décadas preencheria a sua vida, Luiz Cláudio passaria a dedicar-se à gestão da carreira de outros atletas.

*adaptado da entrevista conduzida por Luiz Otávio Abrantes de Oliveira, publica a 13/01/2017, em https://www.lance.com.br

856 - HÉLDER POSTIGA


Embora tendo começado pelas “escolas” do Varzim, seria no FC Porto que Hélder Postiga faria grande parte da sua formação. Ainda em idade júnior começaria a ser chamado à equipa “B”, para, na temporada de 2001/02, fazer a estreia pelo conjunto principal dos “Dragões”. Com contratação de José Mourinho para treinador, o avançado passa a ser mais utilizado, acabando por conquistar um lugar no “onze” inicial. Na época seguinte, e já na condição de titular, participa numa das melhores campanhas da história do clube. O Campeonato, a Taça de Portugal e a Taça UEFA, todos conquistados durante 2002/03, acabariam por transformá-lo num dos atletas mais cobiçados na Europa.
Com a cotação em alta, o avançado acabaria por continuar a carreira em Inglaterra. Apesar de ser visto como uma grande promessa, a verdade é que a sua ambientação seria mal conduzida. Para piorar, Glenn Hoddle acabaria despedido. Afastado o “manager” responsável pela sua contratação, a sua adaptação ao Tottenham ficaria ainda mais comprometida – "Fui eu que escolhi o clube, até porque na altura havia alternativas, até mais vantajosas do posto de vista financeiro. Mas eu apontei para ali... Foi complicado: nunca tinha saído do país, não falava a língua, era muito novo. Estava muito habituado à família, aos amigos, aos meus sítios... Cá, quando chegava alguém para a equipa, fazíamos questão de mostrar os melhores restaurantes, os bairros mais simpáticos para viver, de criar um ambiente que acelerasse a adaptação. Eu, em Londres, não tive nada disso (…)”*.
Apesar de 2003/04, em termos de clube, ter acabado por ser uma temporada negativa, a chamada ao Euro 2004 compensaria esse desaire. Convocado por Luíz Felipe Scolari, Hélder Postiga acabaria por ser pouco utilizado no certame organizado em Portugal. Contudo, a sua participação no desafio referente aos quartos-de-final, empurraria a selecção em direcção à derradeira contenda do torneio. Frente à Inglaterra, com a equipa lusa a perder por 0-1, o avançado entraria em campo aos 75 minutos. Já com a segunda parte bem perto do fim, o ponta-de-lança marcaria o golo que levaria o jogo para o prolongamento. Com tudo a acabar num empate a 2, seguir-se-iam os “penaltys”. No desempate, a atrevimento do atleta ficaria na memória de muitos. Chamado à “marca dos 11 metros”, e demonstrando uma calma impressionante, o avançado concretiza o “castigo máximo” à moda do polaco Panenka.
O regresso ao FC Porto, envolvido na ida de Pedro Mendes para o emblema londrino, faria com que Hélder Postiga entrasse numa fase conturbada da sua carreira. Não conseguindo agradar aos treinadores contratados pelos “Azuis e Brancos”, o jogador acabaria por ser emprestado por duas vezes. Saint-Etienne (2005/06) e Panathinaikos (2007/08) acabariam por ser os emblemas que, durante esses 4 anos de contrato, também acolheriam o atleta. Depois, viria uma grande surpresa e a sua transferência para o Sporting. Em Lisboa, o percurso do ponta-de-lança voltaria a estabilizar. Começaria a ser utilizado com mais regularidade e, para além de vencer a Supertaça de 2007/08, acabaria por ver o valor do seu passe aumentar.
 É na sequência dessa caminhada que da “La Liga” surge mais um convite. No Zaragoza, com a transferência a concretizar-se já após o começo da temporada de 2011/12, Hélder Postiga passaria as 2 campanhas seguintes. Apesar do bom desempenho do avançado, o clube acabaria por descer de escalão em 2013. Após a despromoção do emblema de Aragão, a carreira do internacional português como que entraria na derradeira fase. Durante esse último capitulo, tempo ainda para representar clubes como o Valencia, Lazio, Deportivo, Rio Ave e, consigo sagrar-se campeão em 2016, os indianos do Atlético de Kolkata.
Após decidir afastar-se dos campos de futebol, Hélder Postiga continuaria ligado à modalidade. Tendo “pendurado as chuteiras”, o antigo futebolista tem-se destacado como comentador desportivo, com participações em diversos programas da RTP.

*retirado do artigo de João Gobern, publicado a 16/07/2016, em www.dn.pt

850 - RUI FERREIRA

Vindo do Sporting de Espinho, Rui Ferreira chegaria ao Benfica ainda em idade juvenil. A sua adaptação ao clube seria tão boa que, poucos meses após a sua chegada, o médio haveria de ser chamado às jovens selecções de Portugal. Sob a alçada de Carlos Queiroz, e ao lado de jogadores como Luís Figo, o atleta também daria a seu contributo para alicerçar aquela que ficou conhecida como a “geração de ouro”. Com as “quinas” ao peito, seria convocado para participar no Mundial s-17 de 1989. Na Escócia, apesar de não ter chegado a entrar em campo, faria parte do grupo que conquistaria a medalha de bronze.
Apesar de todos os sinais darem a indicação que Rui Ferreira estaria talhado para uma carreira de sucesso, a verdade é que, na transição para a categoria principal, a realidade mostrar-se-ia bastante diferente. Sem lugar no plantel “encarnado”, a solução passaria por jogar noutro emblema. Em 1991/92, já longe de Lisboa, assina pelo Mirense e inicia a sua caminhada pelo patamar sénior.
Tendo começado na colectividade do distrito de Leiria, os anos seguintes manteriam Rui Ferreira nos escalões secundários do futebol nacional. Ao contrário do que muitos teriam previsto, o jogador ficaria bastante tempo sem experimentar a 1ª divisão. Com passagens por diferentes clubes, casos da Oliveirense, o regresso ao Sporting de Espinho, Lusitânia de Lourosa, União de Lamas e Gil Vicente, só 8 temporadas volvidas após deixar as “escolas” do Benfica, é que o trinco teria a oportunidade de jogar a principal competição portuguesa.
Depois de ter brilhado pela formação de Barcelos, onde conquistaria o título da Divisão de Honra (1998/99), seria pelo Salgueiros que, na temporada seguinte, faria a estreia no patamar maior dos nossos Campeonatos. Os 3 anos passados ao serviço do emblema de Paranhos, ainda que a lutar pela permanência, mostrariam que a carreira do “trinco” tinha, até então, ficado aquém das suas capacidades. Com a descida do clube portuense em 2002, mesmo tendo o jogador ultrapassado a “barreira dos 30”, logo apareceriam outros emblemas decididos em apostar na sua contratação. Seguir-se-ia o Vitória de Guimarães e, na “Cidade Berço”, as exibições de Rui Ferreira sublinhá-lo-iam, ainda mais, como um futebolista primodivisionário.
Após as campanhas disputadas pelo Belenenses, a carreira do médio entraria na fase descendente. Seguir-se-iam, já longe das grandes disputas, Portimonense e, mais uma vez, o Sporting de Espinho. Em 2008/09, depois de findada a temporada ao serviço do Santa Clara, o atleta decide ser a altura certa para retirar-se dos relvados. Tendo terminado o seu percurso como jogador, Rui Ferreira ainda daria os primeiros passos como treinador. Estando, por esta altura, afastado da modalidade, o antigo internacional português, tem-se dedicado mais à televisão. Como comentador desportivo, é habitual a sua presença em programas do Porto Canal.

798 - LUCAS

Dividido o seu período formativo entre o Ginásio de Alcobaça e a Académica de Coimbra, seria nesse último emblema que Lucas faria a transição para o patamar sénior. Contudo, a falta de experiência competitiva a esse nível, levaria a que os responsáveis pelos “Estudantes” optassem por ceder o atleta a colectividades de escalões inferiores. Já depois dos empréstimos ao Sporting de Pombal (1998/99) e Anadia (1999/00), é então que, para a temporada de 2000/01, é dada ao jovem médio a oportunidade para disputar um lugar no plantel principal da “Briosa”.
Tendo até, no intervalo das duas cedências, jogado algumas partidas pelos conimbricenses, Lucas, já no regresso à “casa mãe”, conseguiria em definitivo assumir um papel preponderante na equipa. Com a Académica a disputar a 2ª divisão, o centrocampista transformar-se-ia num dos esteios do ataque à subida de escalão. Médio aguerrido e igualmente dotado de uma técnica e visão de jogo superiores, o peso que teria no cumprir dos objectivos colectivos, elevá-lo-iam à condição de grande promessa do futebol dos “Estudantes”. Com a promoção conseguida no final da época de 2001/02, esse estatuto confirmar-se-ia e, duas épocas após a sua estreia na 1ª divisão, o jogador dá mais um salto na sua carreira.
É já com uma internacionalização, conseguida pela equipa “B” de Portugal, que Lucas chega ao Estádio do Bessa”. Preparado para esse novo desafio, a maneira inequívoca como haveria de conseguir integrar-se no grupo “axadrezado”, serviria para sublinhar a sua evolução. Num Boavista que, mesmo distante do conjunto campeão, continuava a lutar pelos lugares cimeiros da tabela classificativa, o médio conseguiria conquistar um lugar como titular. A constância que mostraria ao longo dos 3 anos de “Pantera” ao peito, levaria a que, de diferentes paragens, começasse a surgir o interesse de outros emblemas.
Ora, seria do Estrela Vermelha, numa altura em que o sentido das transferências era o oposto, que surge o interesse na sua contratação. Lucas acabaria por aceitar o convite e muda-se para a Sérvia. Todavia, aquilo que era o primeiro desafio no estrangeiro, acabaria por tornar-se numa página negra. Já com a época de 2007/08 a decorrer, novos exames médicos detectariam um problema do foro cardíaco. O pior confirmar-se-ia e depois de, curiosamente, ter feito o seu último jogo oficial frente ao Sporting de Braga, o atleta é forçado a abandonar a carreira profissional.
De volta a Portugal, Lucas não conseguiria manter-se afastado da modalidade que tanto o apaixonava. Em Julho de 2008, juntar-se-ia ao Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol e, nessa instituição, desempenharia as funções de Delegado da Zona Norte. Também naquilo que era o futebol jogado, o antigo médio não resistiria a um novo convite. Muito para além de jogar pelos “veteranos” do Boavista, o desafio lançado pelo Pasteleira, levá-lo-ia a regressar à competição em 2013/14. Ainda assim, o desejo de “poder voltar a sentir o espírito de grupo e as brincadeiras típicas de uma equipa de futebol”*, não conseguiria fazer esquecer a sua condição médica. Após algumas indisposições, o atleta decidiria abandonar em definitivo o projecto lançado pelo emblema do bairro portuense. Infelizmente, nem esse afastamento evitaria um fim trágico. Na sequência de um súbito agravamento da doença, Lucas viria a falecer em Maio de 2015.

*retirado do artigo Nuno Pedro Fernandes, publicado no Jornal “A Bola”

787 - ROCHEMBACK


Saído das “escolas” do Internacional de Porto Alegre, Fábio Rochemback rapidamente conquistou a fama de ser um médio completo. A agressividade que mostrava a defender, em pé de igualdade com a sua aprumada técnica, davam-lhe a oportunidade para poder ocupar qualquer lugar no miolo do terreno. Tanto a “trinco”, como em tarefas mais ofensivas, o jovem atleta, na mudança do milénio, posicionava-se como uma das mais talentosas promessas do futebol brasileiro. Esse vaticínio seria cimentado com a sua chamada à principal selecção brasileira. Com apenas 19 anos, o jogador faria a sua estreia com a “Canarinha”, sendo, nesse mesmo ano de 2001, chamado a disputar a Copa América e a Taça das Confederações.
Claro está que, com tanto alarido, o seu valor aumentaria substancialmente. Na corrida que já se adivinhava, quem acabaria por ganhar o seu concurso seria o Barcelona. Contudo, a sua mudança para a Espanha não traria os resultados esperados. Mesmo após o normal período de adaptação, Rochemback nunca conseguiria atingir os níveis exibicionais exigidos a uma tão grande promessa. Muitos apontariam a sua irreverência, como a principal razão para falta de sucesso no emblema “blau-grana”. A confirmar isso mesmo, seriam, à altura, veiculadas algumas notícias que reportavam o seu mau comportamento e, pior ainda, quezílias com os colegas de equipa.
O azar de uns é a sorte de outros… Depois da desilusão na sua passagem pela Catalunha, é o Sporting que consegue o seu empréstimo. Tendo chegado a Alvalade na época de 2003/04, o médio conseguiria afirmar-se como um dos melhores jogadores do plantel. Nessa primeira temporada, seria eleito como um dos grandes futebolistas a actuar em Portugal. As suas “performances”, já nos anos que se seguiriam ao da sua chegada, manter-se-iam em níveis bem elevados, sendo, inclusive, um dos grandes obreiros da chegada dos “Verde e Branco” à final da Taça UEFA de 2004/05. Ainda assim, a sua passagem pelos “Leões” ficaria marcada por mais um caso de indisciplina. Após ser substituído num jogo frente ao FC Porto, Rochemback dirigir-se-ia ao treinador José Peseiro de uma forma abusiva, sendo alvo de um processo disciplinar.
A temporada de 2005/06 ainda começaria em Lisboa. No entanto, as boas exibições conseguidas ao serviço do Sporting, há muito que tinham despertado a atenção de outros clubes. Nesse sentido, o Middlesbrough acabaria por comprar o seu “passe” ao Barcelona. Os anos que se seguiram na sua carreira, 3 para ser mais exacto, passá-los-ia na “Premier League”. Na principal divisão inglesa, o jogador haveria de conseguir afirmar-se como um dos craques aí presentes e ajudaria o clube a chegar à final de uma competição europeia. Ainda assim, a presença no derradeiro jogo da edição de 2005/06 da Taça UEFA, haveria de trazer a Rochemback, mais uma vez, o amargo sabor da derrota.
Mesmo bem cotado, e finda a sua ligação ao emblema britânico, a sua decisão de voltar ao Sporting sobrepor-se-ia a qualquer outra proposta. Mesmo demonstrando uma forma pouco condizente com o seu papel de atleta de alta competição, condição que já vinha dos seus últimos tempos em Inglaterra, a época de regresso a Alvalade até seria positiva. Já o começo da temporada de 2009/10, sublinharia esse aprumo físico deficiente. Tendo perdido espaço na equipa, é então que surge a oportunidade de jogar no Brasil. O Grêmio, que até já tinha tentado a sua contratação no ano anterior, acaba por conseguir convencê-lo. No entanto, essa etapa no seu país marcaria a última fase do seu percurso profissional. Para além dessa nova passagem pela cidade de Porto Alegre, o médio defenderia ainda as cores dos chineses do Dalian Aerbin e, pondo um ponto final na sua carreira, passaria pelo Ipiranga de Sarandi.

746 - MARCO MATERAZZI

Filho de Giuseppe Materazzi, treinador que teve uma curta passagem por Alvalade, a carreira juvenil de Marco acabaria por moldar-se um pouco ao percurso profissional do seu progenitor. Tendo jogado pelas escolas dos clubes onde o pai treinava, acabaria por ser sob a alçada deste que também daria os primeiros passos no patamar sénior. No Messina, no decorrer da temporada de 1990-91, Marco Materazzi faz então a sua estreia numa equipa principal. Depois, tendo abandonado a alçada do seu pai, o jovem central, que chegaria a jogar no lado esquerdo da defesa, começa um pequeno périplo que o levaria a passar por clubes das divisões inferiores do “calcio”.
A sua chegada ao Perugia, em 1995/96, iria alterar a essência da sua carreira. Tendo, a partir dessa altura, começado a fazer parte de um emblema com aspirações maiores, o seu percurso começa a encaminhar-se noutro sentido. Mesmo depois do empréstimo ao Capri e, mais tarde, após uma curta passagem pelo Everton, Marco Materazzi afirma-se como um dos bons elementos do conjunto do centro de Itália.
A disputar, quase sempre, a Serie A, as suas exibições começam a despertar a atenção de outros emblemas. Fortíssimo no jogo aéreo e impiedoso na hora de disputar a posse de bola, Marco Materazzi rapidamente ganha a fama de jogador agressivo. Paralelamente, e ao contrário daquilo que dava a entender, o atleta mostrava alguma habilidade perto da área adversária. Mormente na sequência da marcação de pontapés de canto, mas, também na execução de livres directos, o atleta tornar-se-ia num dos defesas que, na história do futebol italiano, mais golos haveria de conseguir concretizar.
Os bons índices competitivos haveriam de levá-lo à “Squadra Azzurra”. Tendo feito a estreia num particular frente à África do Sul, é ainda durante a sua ligação com o Perugia que Marco Materazzi é chamado à campanha de apuramento para o Mundial de 2002. Quase de seguida, concretiza-se a sua transferência para o Inter. Em Milão a sua vida profissional muda radicalmente e os troféus começam a fazer parte do seu currículo.
Mas se as vitórias, ainda que só mais tarde, começaram a tornar-se um hábito com a sua ida para Milão, rotinas houve que pareciam teimar em manter-se. Tal como no Perugia, ou até na sua estadia em Inglaterra, as advertências disciplinares continuariam uma constante. Entradas arrepiantes, pisadelas nas costas, marcas de pitons em todas as partes do corpo, murros, cotoveladas, hematomas e suturas eram uma pequena parte do rol de “serviços” com que Marco Materazzi presenteava muitos dos seus adversários. Ainda assim, e entendo a força que o jogador representava nas manobras defensivas, a sua presença no “onze” inicial manter-se-ia uma constante.
Tal como no Inter, com a camisola da selecção a sua presença tornar-se-ia indispensável. Já depois de Giovanni Trapattoni tê-lo chamado ao Mundial de 2002 e ao Euro 2004, é sob a batuta de Marcelo Lippi que Marco Materazzi faz parte do conjunto que sairia vitorioso do Mundial de 2006. Na final, muito mais do que o desempate por penalties, e que decidiria o desfecho do encontro, o jogo ficaria marcado por um momento insólito. Após provocar Zinedine Zidane, o defesa acabaria por provar do seu próprio veneno. Contrário à tradição, seria Materazzi a ser agredido. Depois de ouvir ofensas dirigidas à sua irmã, o francês responde com uma cabeçada no peito do italiano.
Voltando ao Inter, é com a chegada de Roberto Mancini (2004/05) e, mais tarde, com a substituição deste por José Mourinho, que o destino do clube embica na senda das vitórias. Já depois do desfecho do caso “Calciopoli”, e com os castigos aplicados a desviar do caminho alguns dos mais importantes rivais, os “Nerazzurri” tomam a dianteira no futebol italiano. Com tudo isso, Materazzi começa a colorir o seu currículo. 5 “Scudettos”, 4 “Coppas” de Itália, 4 “Supercoppas”, 1 “Champions League” e 1 Mundial de Clubes transformar-se-iam no sumário das suas vitórias pelo clube. Nisto de Inter, mais uma imagem em jeito de contraciclo. Na despedida do treinador português, Marco Materazzi não consegue controlar a sua tristeza. Incapazes de disfarçar os sentimentos, foi vê-los, nos braços um do outro, a chorar compulsivamente.
Em 2011, e depois de uma década ao serviço do emblema milanês, a sua ligação com o clube conheceria o fim. Contudo, aquele que seria o seu afastamento dos relvados sofreria um “volte-face”. Depois de ter anunciado o fim da sua carreira, Marco Materazzi decide aceitar novo desafio. Assinando contrato como “player-manager”, o antigo internacional viaja até à Ásia. Na Índia, ao serviço do Chennaiyin FC, assume as rédeas da equipa de futebol e vence a Superliga de 2014/15.

715 - GAMA

Nascer no seio de uma família de futebolistas, como que obriga um indivíduo a ter uma postura de dever perante a modalidade. Mas se a obrigação para com a geração dos pais e tios é uma realidade, a responsabilidade de ser o irmão e o primo mais velho, é ainda maior. Augusto Gama, com grande sobriedade e muito trabalho, conseguiu ser sempre um bom exemplo no futebol.
Já depois do pai, os irmãos Augusto, Rui, José, Bruno, e Feliciano e, ainda, o primo Jorge, dariam continuidade ao legado dos Gama. Augusto começaria a destacar-se nas camadas jovens do Sporting de Braga e, por altura da sua transição para os seniores, perdido o primeiro nome não se sabe bem onde, já se apresentava apenas como Gama. Encargo acrescido, o de carregar o apelido sem o escudo de um nome próprio. Contudo, o atacante não deixava atormentar-se por tal e, no decorrer da temporada de 1987/88, apresenta-se com a equipa principal bracarense.
Como é sabido, a chegada à categoria sénior é um momento delicado para qualquer praticante. Neste campo, e apesar do valor já demonstrado, reforçado até por algumas chamadas às selecções jovens, para Gama nada estava garantido. A prova disso mesmo viria nos anos seguintes, e os esforços feitos nas primeiras temporadas, as exibições conseguidas durante o empréstimo ao Fafe e a passagem pelo Arsenal de Braga (equipa satélite), seriam insuficientes para convencer os responsáveis bracarenses.
Pouco utilizado, é então que o jogador decide mudar de ares. Deixa o seu Minho natal e, sem se afastar muito, viaja até Vila do Conde. Para o Rio Ave entra na época de 1992/93. O clube estava então na Divisão de Honra, patamar ideal para o atleta cimentar o já aprendido. Esses anos passados no nosso patamar secundário, voltariam a mostrar aquilo que já se sabia do atleta. Veloz e tecnicista, tinha na garra e no crer as suas maiores armas. Pelas alas do ataque, Gama começava a ser conhecido pela maneira como conseguia vencer as defesas contrárias. No transporte de jogo, no último passe ou, até, em inspirados momentos de finalização, Gama, rapidamente, tornar-se-ia num dos favoritos da massa adepta.
15 anos como jogador, muitos dos quais embelezados pelo uso da braçadeira de capitão, fariam dele o atleta com mais partidas disputadas na história do clube. A dedicação que sempre pôs ao serviço do emblema vila-condense foi, e para sempre será, reconhecida como exemplar. Os agradecimentos, ainda enquanto atleta, foram uma constante. Um desses momentos, que reflecte o apreço conseguido, ser-nos-ia relato pelo próprio – “Num jantar de aniversário do clube, um sócio ofereceu-me o seu emblema de prata que tinha acabado de receber. Recusei, mas ele insistiu e acabei por aceitar”*.
Seria em 2006/07, com o Rio Ave no segundo escalão nacional, que Gama poria um ponto final na sua carreira de futebolista. Todavia, a sua paixão pela modalidade impedi-lo-ia de estar muito tempo afastado do jogo. Já com alguns anos de experiência no cargo, Gama é um dos adjuntos de Nuno Capucho, no Rio Ave de 2016/17.

 
*retirado de http://reisdoave.blogspot.co.uk/, publicado a 17/03/2011

665 - SERGINHO CUNHA

Havendo na temática deste mês o ensejo de recordar alguns futebolistas que, tendo participado no Mundial S-20 de 1991, também fizeram carreira ao serviço de emblemas portugueses, era impossível esquecer um que foi tão marcante no futebol do nosso país. Bem, talvez haja algum exagero em querer elevar o avançado ao estatuto de figura nacional. No entanto, e esta é a mais pura das verdades, Serginho Cunha, pelo que conseguiu nas nossas competições, é uma das figuras de proa na história de um dos clubes com grande tradição em Portugal.
Sem obter dados suficientes para, indubitavelmente, conseguir reconstituir a sua carreira de desportista, há dois momentos nela que, como já referi, ligam o atacante ao futebol português. Não é difícil adivinhar, até pelo que está escrito no parágrafo anterior, que o Mundial S-20 organizado por Portugal, terá sido o primeiro. Ora, no certame em que a “Equipa das Quinas” acabaria por, na final, levar de vencida a sua congénere brasileira, Serginho era um dos elementos da jovem “Canarinha”. Sem o destaque de alguns dos seus colegas de balneário, a contribuição do atacante para a caminhada da sua selecção, resumir-se-ia a pouco mais do que alguns minutos. Com o Brasil já na fase das eliminatórias, Serginho acabaria por ser chamado a participar nos quartos-de-final. Esses 15 minutos, jogados na vitória frente à Coreia, seriam a sua ajuda para a conquista da medalha de prata.
O segundo momento na sua carreira e que, em definitivo, o ligaria a Portugal, ocorreria uns anos mais tarde. Já com alguma experiência no futebol brasileiro, mas, talvez, sem a projecção que estaria à espera, o avançado viaja até ao Funchal. A sua chegada ao Nacional da Madeira, isto na temporada de 1994/95, apanha um clube que, tendo no começo da década disputado o escalão principal, havia descido para a 2ª divisão de “honra”.
As boas exibições que foi conseguindo, aliado a uma boa série de golos, rapidamente conquistariam o coração dos adeptos e responsáveis pelo emblema. Mesmo sem que o clube conseguisse o regresso ao patamar máximo, o avançado foi-se mantendo nas suas fileiras. Essa fidelidade, nutrida por uma paixão que, em tantos sentidos, ficou provada como sendo recíproca, faria com que Serginho, durante 10 anos, vestisse a camisola do Nacional – “Sei que fui importante para o clube e digo, sem qualquer dúvida, que foi o melhor clube que joguei”*.
Durante tamanha ligação, suficiente para que o avançado conseguisse tornar-se no melhor marcador da história “alvinegra”, Serginho Cunha, muito mais do que uma mera testemunha, seria personagem activa nos mais variados episódios. Desde a queda na 2ª divisão “b”, à recuperação e regresso ao convívio dos “grandes”, o atacante tornar-se-ia numa das maiores lendas do clube. Apesar da importância de tantos outros momentos, haveria um que, pelo seu caracter de “recorde”, exaltaria esta união. Ora, numa equipa que também contava com atletas como o guarda-redes Hilário, Paulo Assunção, Rossato ou Adriano, o Nacional consegue algo de inédito. Com o 4º lugar assegurado na temporada de 2003/04, os madeirenses apurar-se-iam para as provas da UEFA – “No ano em que pela primeira vez conseguimos colocar o Nacional nas competições europeias, foi uma sensação maravilhosa. Tínhamos uma equipa bem montada e com grandes jogadores (…).Nos jogos das eliminatórias da Liga Europa contra o Sevilha, não joguei porque estava em recuperação da lesão que tive. Não posso falar muito sobre esses jogos, mas foram muito importantes para o Nacional e para a Região Autónoma da Madeira”**.


*retirado do artigo escrito por Serginho Cunha, em www.agoramadeira.pt, a 16/01/2015
**retirado do artigo escrito por Serginho Cunha, em www.agoramadeira.pt, a 09/03/2015