Guarda-redes, János Biri teria no Kispesti AC o emblema que, na temporada de 1920/21, abriria a sua carreira como sénior. No emblema húngaro, o jogador depressa assumiria um papel de enorme relevância, ao ponto de, passadas algumas temporadas, começar a ser cogitado para a defesa da baliza da principal selecção do seu país. A estreia, pela mão de Gyula Kiss, aconteceria a 23 de Setembro de 1923. Após essa partida frente à Áustria, o guardião continuaria nos planos da equipa nacional e, nesse sentido, acabaria arrolado como um dos atletas a disputar os Jogos Olímpicos de 1924. Posteriormente às olimpíadas realizadas em Paris, o guardião voltaria a chamado e com a camisola magiar somaria um total de 5 internacionalizações.
As exibições conseguidas nos Jogos Olímpicos levariam a que outros emblemas começassem a olhar para si como um bom reforço. Com a cotação a subir, seria então de Itália que surgiria o desafio para que o atleta mudasse de contexto competitivo. Ao rubricar um contrato com o Padova em 1925/26, o guardião tornar-se-ia num dos intérpretes que, na campanha de 1926/27, competiria no arranque da Serie A. Porém, mesmo tendo em conta a importância desse episódio, a verdade é que a caminhada do János Biri no “calcio” resumir-se-ia apenas ao par de épocas mencionadas. De seguida, o jogador regressaria à Hungria e depois de cumprir a época de 1927/28 no MTK Budapest, encetaria um longo périplo que, em constantes mudanças de emblema, levá-lo-ia igualmente a envergar as cores de Budai 33, Sabaria, Pécs-Baranya e III. Kerületi TVE.
A temporada de 1932/33 marcaria uma nova aventura do guarda-redes pelo estrangeiro. O ano passado em França, a representar o AC Amiens, serviria de interlúdio para aquela que viria a ser a mudança mais importante da sua vida. Já em Portugal, János Biri, ainda enquanto futebolista, começaria por vestir as cores do Boavista. Seria também nos “Axadrezados” que, na campanha de 1935/36 e como treinador-jogador, encetaria as funções de técnico. Posteriormente surgiriam os anos à no FC Porto e no Académico do Porto para, em 1939/40, ser apresentado como o “timoneiro” do Benfica. À frente da agremiação lisboeta, o antigo atleta húngaro abraçaria o projecto para modernizar o futebol das “Águias” e em 8 anos tornar-se-ia numa das grandes figuras da história dos “Encarnados”.
Com o Benfica, János Biri começaria por, nos treinos, dar grande ênfase à parte técnica e táctica. Tamanho trabalho rapidamente traria os seus frutos e os títulos começariam a somar-se nos escaparates do clube. De início, logo na época de chegada às Amoreiras, surgiriam o triunfo no Campeonato de Lisboa e a conquista da primeira Taça de Portugal na história dos “Encarnados”. Porém, os troféus vencidos pelas “Águias”, sob a sua orientação, não ficariam por aqui. Em grupos de trabalho que, ao longo dos anos, teriam nomes como Francisco Ferreira, Valadas, Gaspar Pinto, Espírito Santo, Rogério de Carvalho, Julinho, Albino, Arsénio, Francisco Moreira, Jacinto, Martins, Félix Antunes, Joaquim Teixeira, entre tantas outras estrelas, o resultado seriam as conquistas de outras 2 “Provas Rainhas” e de 3 Campeonatos Nacionais.
Com a saída do Benfica no termo da campanha de 1946/47, János Biri manter-se-ia por Portugal. Seguir-se-iam, sempre na 1ª divisão, as experiências no Estoril Praia, no Vitória Sport Clube e no Atlético. No Vitória Futebol Clube, para onde entraria em 1952/53, levaria a colectividade setubalense até à final da Taça de Portugal de 1953/54, infelizmente para os “Sadinos”, perdida para o Sporting. No Oriental sagrar-se-ia campeão do 2º escalão. Depois, numa carreira que, entre outras experiências, contaria com 24 temporadas no patamar máximo, o treinador ainda passaria por diversos emblemas, casos da CUF, do Lusitânia dos Açores, onde daria a conhecer Mário Lino, Académica de Coimbra, Lusitano de Évora, Vila Real e Académico de Viseu.

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