Mostrar mensagens com a etiqueta Mundial México 86. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundial México 86. Mostrar todas as mensagens

1732 - BOUDERBALA

Abdelaziz Bouderbala El-Idrissi estrear-se-ia na equipa principal do Wydad Casablanca no decorrer da temporada de 1977/78. Desde cedo começaria a destacar-se como um intérprete com uma capacidade técnica e com uma visão de jogo bem acima da média. Resultado do seu crescimento, o médio-centro depressa viria a tornar-se numa das principais figuras do clube por si representado e em 1980, depois da estreia pela selecção do seu país ter ocorrido no ano anterior, ver-se-ia como um dos elementos arrolados à participação na CAN.
Seria após ter ajudado o Wydad Casablanca a conquistar 1 Campeonato marroquino, 3 Taças do Trono e 1 Taça Mohammed V que Bouderbala, já cotado como uma das grandes figuras futebolísticas do seu país, começaria a ser cobiçado por emblemas europeus. Cumpridas 7 campanhas consecutivas no emblema situado na costa atlântica de África, onde também “apadrinharia” a estreia de Hassan, a proposta do FC Sion, onde alguns anos depois viria a partilhar o balneário com Carlos Manuel, levá-lo-ia, em 1984/85 até à Suíça. Na colectividade helvética participaria na vitória da edição de 1985/86 da Taça para, na época seguinte, inserido o clube nas provas de cariz continental, auxiliar a agremiação a chegar aos quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças. Porém, o momento mais alto dessa sua primeira experiência europeia surgiria com a chamada ao Mundial de 1986. Incluído, pelo brasileiro José Faria, no elenco a viajar para o México, o jogador, no certame organizado no mencionado país da América Central, entraria em campo em todas as partidas disputadas pelo seu conjunto, contribuiria para a chegada de Marrocos aos oitavos-de-final e, ainda na Fase de Grupos, estaria presente no triunfo, por 3-1, frente a Portugal.
Já com a cotação cevada pela presença no Campeonato do Mundo, Bouderbala, na temporada de 1988/89, viria a estrear-se na Ligue 1. Em França, com as cores do Matra Racing, num grupo de trabalho que também contava com Jorge Plácido, o médio-centro começaria por ser orientado por Artur Jorge. Dois anos volvidos sobre a sua chegada a Paris, uma nova transferência levá-lo-ia até ao plantel do Olympique Lyonnais. No emblema do centro-leste do país transformar-se-ia num dos pilares do apuramento e da participação na Taça UEFA de 1991/92. Contudo, no final de uma campanha em que os “Les Gones” acabariam a lutar pela permanência no principal escalão gaulês, o internacional marroquino decidir-se-ia pela mudança de ares e acabaria a experimentar um novo contexto competitivo.
Com a mudança para Portugal a ocorrer na temporada de 1992/93, Aziz Bouderbala passaria a representar o Estoril Praia. Ao voltar a encontrar-se com Carlos Manuel, o centrocampista desde logo assumiria um papel de relevância no conjunto liderado tecnicamente por Fernando Santos. No entanto, mesmo cotado como um dos pilares da bem-sucedida luta pela manutenção dos “Canarinhos” na 1ª divisão, a verdade é que o atleta, com o termo das provas agendadas para a campanha referida no começo deste parágrafo, decidiria voltar ao futebol helvético. Dessa feita no St. Gallen, o par de anos cumpridos na Suíça precederiam o seu regresso a Marrocos. Mais uma vez a defender as divisas do Wydad Casablanca, onde ainda jogaria ao lado de Saber e de Daoudi, o médio somaria ao palmarés pessoal mais uma vitória na Taça do Trono e findada a época de 1996/97 tomaria a decisão de terminar a carreira enquanto futebolista.
“Penduradas as chuteiras”, o antigo jogador, eleito o Melhor Futebolista da CAN 1998, ainda manteria a ligação ao futebol. Nesse novo contexto, passaria pelas funções treinador-adjunto da principal selecção de Marrocos e também experimentaria as tarefas de director-desportivo do Wydad Casablanca.

1087 - JAIME

Depois de alguns anos nas “escolas” do Atlético, seria a partir dos escalões de formação do Amora que Jaime ou, se preferirem, Jaime Mercês faria a transição para o futebol sénior. Ao contrário de tantos colegas seus, que demoram algum tempo até conseguirem habituar-se à nova realidade competitiva, o impacto que médio haveria de ter no conjunto da Margem Sul, torná-lo-ia numa das boas surpresas dessa temporada de 1981/82. Nem mesmo a disputa da 1ª divisão assustaria o jovem jogador e a qualidade do seu futebol levaria o treinador José Moniz a entregar-lhe a titularidade.
A preponderância que assumiria no seio do seu clube levaria a que, da Federação Portuguesa de Futebol, olhassem para Jaime como um nome seleccionável. Começaria, em 1981, pela equipa de sub-18. No ano seguinte, ainda no mesmo escalão e ao lado de atletas como Paulo Futre ou Morato, disputaria o Europeu da categoria. Porém, e apesar de uma caminhada rica nas camadas jovens da “Equipa das Quinas”, o atleta não ficaria por aí. Ainda na Fase de Qualificação para o Mundial de 1986, numa partida frente a Malta, o médio jogaria a primeira partida pelo principal conjunto de Portugal. Depois do Campeonato do Mundo disputado no México, voltaria a ser chamado e acabaria por colorir o seu currículo com um total de 9 internacionalizações “A”.
A segunda metade da década de 80, enriquecida pelo percurso com as cores da selecção, acabaria também por estar intimamente relacionada com outro emblema. Ao ser impossível de dissociar o sucesso da sua carreira ao tempo que o médio partilhou com o Belenenses, a passagem do jogador pelo Restelo não pode ser esquecida. Nesse sentido, no prolongar da sua estadia na 1ª divisão, os “Azuis” ajudariam o atleta a cimentar-se como um ilustre elemento do futebol luso. Titular indiscutível e dono de uma qualidade que, no centro ou na direita, faziam dele um futebolista de qualidade superior, Jaime tornar-se-ia numa das figuras icónicas das provas lusas. Para tal, muito contribuiriam os méritos alcançados colectivamente. Os mais mediáticos acabariam por ser a presença na final do Jamor de 1985/86, a conquista da Taça de Portugal de 1988/89, o 3º lugar no pódio de 1987/88 e as presenças nas competições sob a alçada da UEFA.
Numa carreira que não esteve muito longe de chegar aos 40 anos de idade, os últimos anos da mesma seriam passados longe dos palcos principais. Depois de, na condição de “capitão”, ter abraçado a descida do Belenenses à divisão de Honra, seria nesse escalão, e noutros mais abaixo, que daria continuidade à sua actividade profissional. Vitória Futebol Clube, Ovarense, Amora, Desportivo de Beja e Atlético preencheriam essa derradeira etapa. Curiosamente, as últimas épocas no “futebol 11” seriam feitas em paralelo com as suas participações na variante de praia. Nos areais, Jaime vestiria as camisolas do Amora, Belenenses e, com a passagem pelo Mundial e Mundialito, representaria também a selecção de Portugal.
No rescaldo de um percurso indiscutivelmente rico, talvez tenha faltado a Jaime materializar uma pequena história – “Quando estava no Belenenses cheguei a assinar um contrato por três épocas com o Benfica, mas depois não me deixaram sair. Antes, no Amora, aconteceu uma situação idêntica. Mas não me queixo”*.

*retirado do artigo de José Manuel Paulino, publicado em www.record.pt, a 09/03/2000

552 - SIMONSEN

Os primeiros anos como sénior, desde logo, revelariam de Simonsen um executante veloz, de bom passe, com excelente finta e com uma capacidade de finalização, que nem a sua baixa estatura parecia prejudicar. Alguns anos na principal equipa do Vejle BK, com dois Campeonatos e uma Taça da Dinamarca vencidos, fariam do atacante um dos melhores atletas da equipa. No entanto, pela fraca visibilidade das ligas escandinavas, seria necessária a presença da selecção dinamarquesa nos Jogos Olímpicos de 1972, para que algo mudasse na vida do jogador.
No torneio disputado na cidade de Munique, Simonsen destacar-se-ia por razão das suas boas exibições. A Dinamarca, que se quedou pela 2ª fase de grupos, não chegaria à disputa das medalhas. Contudo, os 3 golos que Simonsen marcaria, seriam suficientes para que, do país onde se organizavam as ditas olimpíadas, surgisse uma nova proposta de contrato.
Ora, quem decidiria apostar no jovem praticante foi, nada mais, nada menos, do que a formação do Borussia Mönchengladbach. Para quem não se lembra, os anos 70 seriam pródigos para esta equipa germânica, que acabaria por afrontar a hegemonia do Bayern Munique na Bundesliga. Esta ascensão do emblema da Renânia do Norte, acabaria por dar a Simonsen os melhores anos como profissional. Ainda assim, a sua adaptação não seria fácil. Quase sem jogar nos dois primeiros anos, as dúvidas sobre a sua qualidade começaram a surgir. O "volte-face" dar-se-ia na época de 1974/75, quando o Borussia Mönchengladbach se afirma como uma das grandes potências do futebol europeu. Com Simonsen como titular absoluto, a equipa daria nessa temporada o primeiro passo para a conquista do tri-campeonato alemão. Melhor que isso, seria a brilhante campanha que, tanto o atleta, quanto o conjunto, conseguiriam fazer nas provas europeias. Com os golos que concretizaria, Simonsen acabaria por se tornar num dos principais responsáveis pela vitória da sua equipa na Taça UEFA. Os seus 10 golos, 2 dos quais na 2ª mão da final, fariam dele o herói dos adeptos.
Claro está que o estatuto que, doravante, passaria a usufruir entre os fãs, não se justificou apenas por aquilo que o avançado faria nesse ano. Daí para a frente, os números que Simonsen passaria a apresentar no final de cada época, sublinhavam a sua crescente condição de estrela. O pico desse seu brilhante trajecto, atingi-lo-ia em 1977. A vitória na Bundesliga, a somar a uma excelente prestação na Taça dos Campeões Europeus, onde na final perdida para o Liverpool, ainda faz um golo, foram suficientes para que a "France Football" o consagrasse com o "Ballon d'Or".
Com tudo o que ia conseguindo, Simonsen ia vendo outros clubes interessar-se por ele. O Barcelona terá sido um dos que, primeiro, terá apresentado uma proposta para a sua contratação. Não conseguindo convencer os alemães, os "blau-grana" teriam de esperar pelo fim da ligação entre o jogador e o emblema, para que conseguissem contar com o atleta nas suas fileiras. Seria, então, para a temporada de 1979/80, e já depois de, pelo Borussia Mönchengladbach, ter vencido outra Taça UEFA, que Simonsen se muda para a Catalunha.
Na "La Liga", e apesar do seu sucesso pessoal , as prestações colectivas do Barcelona deixariam muito a desejar. Sem vitórias a nível nacional, excepção feita à conquista da Copa del Rey de 1980/81, os três anos que o atacante dinamarquês passaria em Espanha, salvar-se-iam pela conquista de outro troféu internacional. A Taça dos Vencedores das Taças de 1981/82, marcaria mais uma brilhante expedição de Simonsen. O golo marcado na final frente ao Standard Liège, não só ajudaria o Barcelona a arrecadar tão precioso troféu, como faria do jogador um dos poucos (acho que é o único!!!) a conseguir concretizar nas finais de todas as competições organizadas pela UEFA.
Sendo tido com um dos melhores que, à altura (e ainda hoje o é), haviam passado pelo Camp Nou, Simonsen veria esse papel dentro do clube ser-lhe retirado. Num plantel que já contava com Schuster, a chegada de Diego Armando Maradona, e a lei que apenas permitia a utilização de dois estrangeiros, fariam com que o avançado passasse para segundo plano. Não aceitando a condição de "reserva", Simonsen pede para sair. Ora, até aqui tudo normal. O que não se entende é a escolha que faz de seguida e que o leva a Inglaterra! No Charlton, que disputava o 2º escalão, o jogador haveria de ser acolhido como um herói. A reacção da massa adepta era compreensível, ainda para mais quando a escolha do avançado seria feita em detrimento de propostas apresentadas, segundo se contou, por Real Madrid e Tottenham. Mas pior do que a decisão de Simonsen, estavam as contas do clube. Essa época de 1982/83, que de início era vista como a de subida para o Charlton, acabaria com a (quase) bancarrota do emblema da zona de Londres.
A carreira de Simonsen acaba por ter outra curiosidade. Apesar do sucesso conseguido ao longo dos anos, o jogador apenas participaria nas grandes competições de selecções, exceptuando os Jogos Olímpicos acima referidos, quando já estava, mais uma vez, ao serviço do Vejle BK. De volta ao emblema onde completou a sua formação, clube ao qual regressaria depois de deixar o Reino Unido, o avançado seria chamado para representar o seu país no Euro 84 e no Mundial de 1986. Já a dar os derradeiros passos como futebolista, a sua participação nos ditos certames, mormente no realizado no México, seria discreta. Ainda assim, o fim da sua carreira só aconteceria uns anos depois, e com Simonsen já bem perto dos 40!!!

366 - ADÃO

Nascido na cidade transmontana de Chaves, seria no Desportivo local que, na temporada de 1978/79, Adão subiria pela primeira vez a um relvado na condição de sénior. No entanto, a ligação ao clube tinha começado bem mais cedo, pois o seu pai, em tempos passados, havia sido um dos históricos jogadores da colectividade flaviense. Aliás, o laço ao progenitor seria tão importante para a sua actividade desportiva que o jovem Carlos Manuel Pereira Pinto, decidiria abdicar da própria identificação para, no mundo do futebol, passar a ser conhecido pelo nome do pai.
Depois do começo nas divisões secundárias, a transferência para o plantel de 1980/81 do Varzim, acompanhando a mudança do técnico José Carlos, antigo internacional sportinguista, seu treinador no Desportivo de Chaves e sogro, permitiria ao médio a estreia nos maiores palcos nacionais. Bem, isso não é, de todo, verdade! Adão, na condição de júnior, já tinha experimentado a camisola do FC Porto. Com os "Dragões" haveria de conseguir notoriedade suficiente para chegar, como avançado e como melhor marcador da equipa “azul e branca”, às convocatórias para as camadas jovens da selecção nacional. Contudo, desagradado com a ideia dos "Dragões" quererem, ao invés de promovê-lo à equipa principal, emprestá-lo a outro conjunto, o jogador decidiria não assinar o almejado contrato profissional, acabando por regressar à terra natal.
Onde Adão realmente conheceria o seu grande palco, viria a ser na cidade de Guimarães. Ao serviço do Vitória Sport Clube a partir da campanha de 1985/86, onde o destaque iria para o seu jogo tecnicista e com excelências no municiamento ofensivo das jogadas colectivas, as boas prestações levá-lo-iam à estreia na principal equipa da selecção portuguesa. A partida, um particular contra a Finlândia, seria disputado no contexto dos jogos de preparação para a campanha do Mundial de 1986, certame, para o qual chegaria a fazer parte de um primeiro grupo de atletas pré-convocados, mas onde não viria a marcar presença. Já a maioria das suas internacionalizações aconteceriam depois de disputado o torneio organizado no México. Na sequência do conhecido caso "Saltillo" e dos castigos impostos aos atletas por norma presentes, o médio passaria a ser um dos nomes habituais nas convocatórias para a "Equipa das Quinas" e as 11 internacionalizações conseguidas fariam dele o jogador com mais partidas disputadas por Portugal, enquanto atleta do mencionado emblema vimaranense.
Depois de disputar a final da Taça de Portugal de 1987/88, em que o Vitória Sport Clube perderia frente ao FC Porto, Adão decidiria rumar para sul e assinar contrato com o Belenenses. Logo nesse ano de estreia pelo conjunto do Restelo, o médio haveria de repetir a presença no Jamor. No entanto, ao contrário da experiência anterior, sairia ganhador do embate que, no termo da temporada de 1988/89, oporia a sua equipa à do Benfica.
Já após deixar Lisboa, a temporada de 1990/91 traduzir-se-ia pelo início da ligação do médio com o Penafiel. Nas 5 campanhas seguintes, que representariam os derradeiros anos de Adão como futebolista, o jogador, apesar de não ter conseguido acrescentar qualquer troféu ao palmarés, veria a sua importância a levá-lo a envergar a braçadeira de capitão da colectividade nortenha.