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1395 - CASTRO

Depois de ter vestido outras camisolas de colectividades originárias da Margem Sul do Rio Tejo, casos do Moitense e do Sarilhense, João Manuel de Castro, na temporada de 1968/69, chegaria à principal equipa de futebol do Grupo Desportivo da CUF. Já como membro do conjunto sediado no Lavradio, o defesa-central, mesmo sem grande experiência nos contextos competitivos mais exigentes das provas portuguesas, conseguiria segurar um lugar de destaque. Sob a intendência do mítico Costa Pereira, o jogador, na campanha aludida neste parágrafo, estrear-se-ia nas disputas primodivisionárias e, como um dos titulares, ajudaria à boa época feita pela agremiação fabril.
Daí em diante, tirando algumas excepções, o jogador passaria a figurar como um dos pilares dos esquemas tácticos idealizados pelos diferentes treinadores responsáveis pelos destinos do clube. Nesse sentido, viveria momentos de grande importância na história da agremiação barreirense, nomeadamente o 4º lugar da tabela classificativa, conseguido no Campeonato Nacional, na temporada de 1971/72. Ainda sob a batuta de Fernando Caiado, resultado da posição agora referida, surgiria a presença na Taça UEFA. Naquela que viria a tornar-se na estreia do atleta em competições continentais, Castro acabaria por marcar presença nas eliminatórias frente ao Racing White e Kaiserslautern. Para além dessa participação, no que concerne ao contexto competitivo além-fronteiras, o defesa também faria parte do plantel que, na campanha de 1974/75, após ganhar o Grupo 10, seria declarado como um dos vencedores da Taça Intertoto.
A somar a tudo o que foi dito, há ainda para referir alguns factos que ajudariam a cimentar Castro com um dos nomes icónicos do Grupo Desportivo da CUF. Nesse rol de acontecimentos, o destaque terá de ir para as 9 temporadas consecutivas, feitas pelo jogador, ao serviço do emblema barreirense, sendo que 8 delas acabariam por ser na disputa do patamar máximo da prova de maior relevância no calendário futebolístico português.
Para terminar esta pequena biografia, falta ainda listar aquela que viria a tornar-se na última camisola da sua caminhada como praticante profissional. Ora, depois de acompanhar a CUF na descida de escalão e de, na temporada de 1976/77, ter marcado presença na 2ª divisão, Castro acabaria por mudar de emblema. Já na derradeira fase da carreira, o defesa trocaria as cores da equipa a jogar em casa no Estádio Alfredo da Silva, pelo colorido dos grandes rivais do FC Barreirense. Com o listado vertical alvo-rubro, Castro, tendo regressado ao panorama primodivisionário na campanha 1978/79, ainda jogaria um par de épocas, acabando por pôr um termo ao seu percurso competitivo com o final da última época mencionada.

1356 - ACÁCIO CASIMIRO

Ao surgir no degrau sénior incluído na equipa principal do Sporting de Espinho, Acácio Casimiro cumpriria os primeiros anos da carreira profissional com a camisola dos “Tigres da Costa Verde”. Depois da mencionada estreia na temporada de 1967/68, as 5 campanhas subsequentes, sempre na discussão do escalão secundário, serviriam para sublinhar as suas características e acabariam por proporcionar ao médio um novo salto na caminhada competitiva.
Avaliado como um interior de jogo intenso, intrépido, mas possuidor de grandes capacidades para construir o jogo ofensivo, finalmente o interesse de clubes de maior monta resultaria na sua transferência para o cenário primodivisionário. Com a chegada ao Boavista a acontecer na campanha de 1972/73, a mudança de Acácio Casimiro para um nível futebolístico de maior exigência, não inibiria o jogador de continuar a sublinhar-se como um elemento de elevada preponderância dentro do grupo de trabalho. Com o antigo internacional brasileiro Aymoré Moreira como o treinador dos “Axadrezados”, o médio, no desenho táctico idealizado, assumir-se-ia como um dos esteios do sector intermediário. Tanto nessa primeira época entre os “grandes”, como nas seguintes, o atleta manteria o estatuto de titular. Assim sendo, transformar-se-ia num dos pilares dos triunfos consecutivos de duas edições da Taça de Portugal. Em ambas as finais orientado por José Maria Pedroto, o atleta, ao fazer parte do “onze” inicial em 1974/75 como em 1975/76, contribuiria para as derrotas, respectivamente, do Benfica e do Vitória Sport Clube.
Ainda da passagem do médio pelo Bessa, surgiria outra história deveras curiosa e com referências à apelidada “Prova Rainha”. Com o 25 de Abril de 1974 a deitar abaixo o regime ditatorial vigente em Portugal, as provas futebolísticas nacionais, apesar do abalo social causado pela “Revolução dos Cravos”, depressa seguiriam o seu rumo. Com a calendarização da competição aludida no começo deste parágrafo a indicar, passado um par de dias, os oitavos-de-final, o Boavista preparar-se-ia para disputar a eliminatória frente ao Famalicão. A partida terminaria com o “placard” a indicar 5-1 a favor das “Panteras” e com Acácio Casimiro, não só como o concretizador dos dois golos iniciais do desafio, mas como o autor dos primeiros golos feitos após a restauração da democracia em Portugal.
Com a ligação ao Boavista a terminar com o fim da temporada de 1976/77, o centrocampista acabaria por dar novo rumo à carreira. Voltaria, com o clube a disputar as pelejas do Campeonato Nacional da 1ª divisão, ao Sporting de Espinho. Um ano volvido sobre o regresso ao Estádio Comendador Manuel de Oliveira Violas, surgiria uma nova mudança. Seguir-se-ia, naquela que viria a tornar-se na última campanha do médio no escalão máximo, o ingresso no plantel do Famalicão. Para findar a caminhada enquanto jogador, já a conciliar as funções dentro de campo com as tarefas de técnico, surgir-lhe-iam ao caminho o Paredes e o Amares.
Com a paixão sentida pela modalidade, Acácio Casimiro, nos anos vindouros, continuaria a manter-se ligado ao futebol. Com uma extensa carreira enquanto treinador, depois das experiências já referenciadas, o antigo médio, durante vários anos, passaria a assumir-se como o treinador-adjunto do seu antigo colega no Boavista, João Alves. Aceitaria também comandar o Departamento de Prospecção do FC Porto, seguindo, na campanha imediata e ainda na alçada de António Oliveira, para o Betis de Sevilha. Já na mudança do milénio, encetaria o que viria a revelar-se como uma verdadeira vida de “globetrotter”, tendo vivido em países como a Tunísia, Kuwait, Bahrein, Marrocos, Jordânia, Irão, China, Arábia Saudita e Bósnia. Pelo meio de tantos destinos, uma das passagens de maior importância aconteceria, por certo, ao serviço do Raja Casablanca, onde viria a sagrar-se campeão nacional.

1220 - TITO

Ao surgir na categoria principal do Atlético Clube de Portugal na primeira metade da década de 60, Tito deparar-se-ia com a agremiação alcantarense a disputar o escalão secundário. Produto das camadas de formação do emblema lisboeta, o jovem avançado acabaria por conseguir estrear-se no escalão maior uns anos após a promoção a sénior. No entanto, a temporada de 1966/67, com o espanhol Ángel Oñoro como treinador, terminaria abaixo do expectável e com o objectivo da manutenção a não ser cumprido. O seu regresso à 1ª divisão, sem deixar o clube, dar-se-ia na campanha de 1968/69. Colectivamente, o resultado seria o mesmo. Todavia, em termos pessoais, o ponta-de-lança destacar-se-ia não só como um dos atletas mais utilizados por Peres Bandeira, mas também como o melhor marcador da equipa.
Os números revelados naquela que viria a tornar-se na última temporada de Tito com as cores do Atlético, serviriam para que o jogador fugisse à descida de divisão. Curiosamente, a mudança para o União de Tomar na época de 1969/70, ainda que mantivesse o avançado no convívio com os “grandes”, terminaria da mesma maneira que as duas experiências anteriores. De volta à 2ª divisão, esse aparente passo atrás na carreira, desembocaria na mais importante transferência da sua vida profissional. Ao ser visto como uma aposta segura, o atacante deixaria a colectividade nabantina e seria apresentado, à altura, como o reforço mais caro de sempre da história do Vitória Sport Clube.
No Minho a partir de 1971/72, o atleta vincaria as suas qualidades e, rapidamente, passaria a ser visto pelos adeptos como um ídolo. Nos 7 anos ao serviço do Vitória de Guimarães, Tito sublinharia aquilo que já era sabido sobre as suas qualidades. Mesmo sem ser uma figura com um físico impressionante, a verdade é que a sua rapidez de movimentos e de execução fariam dele um dos mais mortíferos avançados a actuar nas provas lusas. Mantendo-se sempre como um dos titulares, ajudaria o clube nortenho na luta pelos lugares cimeiros das competições em disputa. Nessas contendas, o maior destaque consegui-lo-ia integrado numa das linhas ofensivas mais famosas a laborar na “Cidade Berço”. Com o brasileiro Jeremias e Romeu como parceiros do ataque, a época de 1974/75 tornar-se-ia icónica. Colectivamente, sob a batuta de Mário Wilson, os vimaranenses terminariam no 5º posto da tabela classificativa. Já em termos pessoais, o avançado conseguiria, no Campeonato Nacional, concretizar 17 golos e, tal marca, levá-lo-ia ao 3º lugar no “ranking” dos Melhores Marcadores.
Já com Fernando Caiado a orientar a equipa, a temporada de 1975/76 também seria de grande importância para a sua caminhada profissional. Com a presença em campo ou, por exemplo, com o golo concretizado frente ao FC Porto nos quartos-de-final, Tito tornar-se-ia numa das figuras do Vitória no galgar de eliminatórias na Taça de Portugal. Com a chegada à final, o avançado seria chamado, como elemento do alinhamento inicial, à disputa marcada para o Estádio das Antas. Porém, a peleja frente ao Boavista não correria de feição para o jogador e companheiros e o 2-1 assinalado pelo placard no final de jogo, entregaria o troféu aos “Axadrezados”.
Numa altura em que já envergava a braçadeira de “capitão”, Tito veria a sua intenção de terminar a carreira no Vitória negada por um desencontro com a direcção. Deixaria o clube como um dos atletas com mais partidas disputadas na 1ª divisão e, com a marca a revelar toda a sua monta, como o mais prolífero goleador da história da equipa no escalão máximo português. No seguimento, na temporada de 1978/79, assinaria contrato com o primodivisionário Famalicão e daria início a uma senda, tão típica por essa altura, em que alternaria as presenças em Portugal com experiências no futebol norte-americano. Passaria pela NASL e pelos Toronto Blizzard e ainda pelo First Portuguese. No nosso país, para além do já aludido, o avançado ainda representaria o Feirense e, no papel de treinador-jogador, vestiria a camisola do Coelima.
Depois de terminada a carreira como futebolista, Tito ainda teria outras experiências como treinador. Destacar-se-ia como adjunto de António Morais no Vitória de Guimarães ou, nas mesmas funções, como braço-direito de Eurico Gomes no Tirsense e no Nacional da Madeira.