Mostrar mensagens com a etiqueta 1975-76. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1975-76. Mostrar todas as mensagens

1618 - RENATO

Ao cevar aquela que era a grande paixão de menino, Renato Gonçalves Paschoal encetaria o percurso formativo no Raposo Tavares. Passaria também pelo Vasco da Gama de Vila Madalena, pelo Vila Albertina, pelo Sete de Setembro até que, na temporada de 1964, ao assinar o primeiro contrato profissional, começaria a envergar a camisola do Palmeiras de Blumenau. Numa carreira caracterizada por alguma errância, seguir-se-iam várias mudanças de emblema, com o plantel de 1965 do Corinthians de Presidente Prudente, para onde haveria de mudar-se depois de um período a treinar no Santos de Pelé, a anteceder a sua integração no grupo de trabalho do Inter de Limeira. Depois das campanhas de 1966 e de 1967 no “Leão da Paulista”, ainda surgiriam no percurso do avançado-centro o União Agrícola Barbarense de 1968 e, ao cumprir apenas a metade inicial da época de 1969, o Guarani de Ponta Grossa.
Já como um intérprete experimentado, Renato apresentar-se-ia em Portugal. Aconselhado ao Olhanense por um jornalista luso que, numa viagem ao Brasil, havia conhecido um familiar do ponta-de-lança, o jogador chegaria ao Algarve como reforço para o plantel de 1969/70. Com o colectivo “rubro-negro” a militar na 3ª divisão, logo na temporada da sua chegada, numa equipa onde brilhava Osvaldo Silva, o atleta transformar-se-ia numa das figuras do título de campeão e da consequente subida. No degrau secundário manteria a preponderância conquistada anteriormente e no termo de 1972/73, num conjunto orientado por Artur Santos, seria a vez de o atacante ajudar à promoção ao escalão maior.
Como uma das figuras centrais no plantel do Olhanense, a época de 1973/74 serviria para o jogador cumprir a estreia entre os “grandes”. Mesmo com duas mudanças de treinador ao longo da temporada, o atacante, ao sublinhar-se com um dos preferidos, primeiro de Jim Lopes, depois de Mário Fuzaro e finalmente de Manuel de Oliveira, marcaria presença, sempre como titular, em todas as 30 jornadas do Campeonato Nacional. Como grande destaque da sua participação na prova de maior monta no calendário luso, ficaria registado um golo frente ao FC Porto. Já na campanha subsequente, o mesmo registo de 30 partidas em 30 rondas e os remates certeiros a vitimizar, não só os “Azuis e Brancos”, como também o Benfica.
Infelizmente, numa altura em que o avançado era o capitão de equipa, o colectivo algarvio, do qual faziam parte nomes como os jovens Dinis e Jorge Jesus ou ainda Ademir e Guaraci, não conseguiria, com termo das provas agendadas para 1974/75, cumprir o objectivo da permanência. A despromoção faria com que o jogador tomasse outro rumo e seria o Famalicão a acolhê-lo nos 2 anos seguintes. Após a experiência no emblema minhoto, surgiria na sua caminhada desportiva o Académico de Viseu. No Fontelo, como um dos nomes habituais no “onze”, contribuiria para a chegada aos lugares de subida à 1ª divisão. Talvez justificada a cisão pela grave lesão sofrida no decorrer da campanha, a ligação do ponta-de-lança à agremiação da Beira Alta findaria com o final da temporada de 1977/78. Já a virar as derradeiras páginas da carreira como futebolista, Renato ainda viria a rubricar um contrato com o Lusitânia de Lourosa, onde permaneceria até ao fim de 1979/80.

1607 - PEDRINHO

Após cumprir passagens pelo Santa Cruz e pelo Juventude, seria na temporada de 1968 que Pedro Morais da Silva, popularizado no mundo futebol pelo diminutivo Pedrinho, ingressaria no Treze de Campina Grande. Ao posicionar-se como médio, começaria a cimentar-se como um praticante fiável em termos tácticos e com uma postura combativa. A evolução da sua carreira, já com a campanha de 1970 em andamento, levá-lo-ia ao plantel do Ceará. Daí em diante, o atleta entraria num ritmo mais errante e o Náutico de 1971 e o América nas duas épocas subsequentes, ambas agremiações sediados no estado de Pernambuco, preencheriam a sua caminhada profissional e antecederiam a viagem do centrocampista até à Europa.
Com a entrada em Portugal a ocorrer na temporada de 1973/74, seria o Gil Vicente e o treinador Joaquim Meirim a acolher o médio. No entanto, a passagem pela 2ª divisão seria curta, com as exibições do atleta a despertar a atenção de colectividades de outra monta. Quem viria a apostar na sua contratação acabaria por ser o Vitória Sport Clube de 1974/75, à altura comandado por Mário Wilson. Sob a orientação do “Velho Capitão”, Pedrinho, muito à custa da sua polivalência, revelar-se-ia de enorme valia para as metas colectivas do emblema de Guimarães. Podendo actuar, como já revelado, em posições mais centrais do terreno de jogo ou, resultado da boa técnica e velocidade, encostado mais às laterais do campo, o atleta, logo à chegada à “Cidade Berço”, consagrar-se-ia como titular e tal preponderância faria de si uma das figuras de proa do grupo de trabalho vimaranense.
A época de 1975/76 ficaria marcada pela chegada do Vitória Sport Clube à derradeira partida da Taça de Portugal. Numa final agendada para o Estádio das Antas, Pedrinho seria, pelo técnico Fernando Caiado, chamado ao “onze” inicial da decisiva peleja. Com o referido treinador a posicioná-lo em tarefas mais ofensivas, o jogador, ao tornar-se no principal apoio ao sector mais ofensivo da equipa minhota, acabaria por transformar-se numa das grandes figuras da campanha referida no começo deste parágrafo. Ainda assim, apesar das belas exibições arquitectadas durante a temporada, qualidade mantida na partida frente aos “Axadrezados”, a sua prestação seria insuficiente para a conquista do almejado troféu e os “Conquistadores” sairiam da cidade do Porto derrotados por 2-1.
Com a cotação de Pedrinho a subir em flecha, numa altura em que o jogador ainda tinha uma ligação contratual com o Vitória Sport Clube, o FC Porto convidá-lo-ia para seguir numa digressão pelo Peru. Devidamente autorizado pela entidade patronal, o médio seguiria viagem até ao aludido país da América do Sul e, ao rubricar excelentes exibições, dizem que seria convidado a prosseguir a carreira nos “Dragões”. Não ficaria ligado aos “Azuis e Brancos”, nem ao Boavista, emblema com o qual chegaria a ser veiculado um hipotético acordo. A verdade é que a época de 1976/77 voltaria a apresentar o médio como parte integrante do plantel minhoto. Em Guimarães, sempre com excelentes registos, manter-se-ia por mais duas temporadas, voltaria a participar na Taça Intertoto e no defeso estival de 1978 mudar-se-ia para uma colectividade diferente.
Em Setúbal, a representar o Vitória Futebol Clube, Pedrinho, muito mais do que passar as suas derradeiras épocas em Portugal, completaria um ciclo de 7 campanhas a actuar nas provas lusas, sendo que 6 dessas temporadas seriam cumpridas nos desígnios primodivisionários. De seguida, surgira a viagem de volta ao país natal. Ao Brasil chegaria para integrar o plantel de 1980 do Botafogo de Paraíba e numa caminhada profissional que viria a conhecer o termo no ano de 1983, o médio ainda revelaria disponibilidade para um regresso ao América e para envergar a camisola do Paulistano.

1599 - JOHN TOSHACK

Nascido na capital do País de Gales, seria no Cardiff City que John Benjamin Toshack encetaria a caminhada no futebol profissional. Logo nessa época de 1965/66, com 16 anos apenas, revindicaria para si o título do jogador mais novo de sempre a actuar pela equipa principal do clube, recorde entretanto batido, em 2007, por Aaron Ramsey. Praticante fisicamente poderoso, forte nas disputas aéreas e com boa propensão para o golo, rapidamente o avançado-centro começaria a impor-se no alinhamento inicial dos “Bluebirds”. Mesmo com o clube a militar nos escalões inferiores de Inglaterra, as diversas conquistas da Welsh Cup, competição a dar acesso às provas sob a alçada da UEFA, dariam ao jogador o destaque necessário para ser notado por outras colectividades. Nesse sentido, uma das edições da Taça dos Vencedores das Taças, a de 1967/68, levaria o clube avante até às meias-finais, caindo apenas aos pés dos alemães do Hamburger SV. Claro que outras portas também viriam a abrir-se para o atleta e a selecção nacional também serviria para projectar a sua carreira.
Com as cores do País de Gales, John Toshack estrear-se-ia a 26 de Março de 1969. Essa partida frente à Republica Federal da Alemanha, chamado por David Bowen, serviria de arranque para um trajecto que daria ao atacante, soma conseguida na passagem pelas três agremiações a comporem a sua carreira enquanto praticante, um total de 40 internacionalizações. Porém, a camisola que maior prestígio traria à sua senda enquanto desportista seria a do “todo-poderoso” Liverpool. Aos “Reds” chegaria com a temporada de 1970/71 já em andamento. Ainda assim, pouco tempo demoraria até ultrapassar a concorrência de outros colegas bem mais traquejados, como são exemplo Ian St. John, Ian Callaghan ou Peter Thompson. A partilhar o balneário com outro conhecido do cenário português, caso do antigo adjunto do Benfica Phil Boersma, seria com um dos nomes mais famosos do futebol mundial que formaria uma das duplas mais temíveis a actuar pelo emblema de Merseyside. No entanto, não seria apenas Kevin Keegan o único a dividir consigo o estrelato e, numa equipa orientada pelo mítico Bill Shankly e mais tarde por Bob Paisley, Ray Clemence, Emlyn Hughes, Kenny Dalglish, Graeme Souness, entre tantos outros, serviriam de esteio para uma série inolvidável de conquistas.
Já com o currículo recheado por 8 temporadas ao serviço do Liverpool e o palmarés colorido pelas vitórias em 3 Division One, 1 FA Cup, 1 Charity Shield e principalmente em 1 Taça dos Clubes Campeões Europeus, 2 Taças UEFA e 1 Supertaça da UEFA, o avançado decidiria regressar ao País de Gales. Já numa fase de mudança na sua ligação ao futebol, John Toshack assumiria, em 1978/79, o cargo de treinador-jogador do Swansea City. Mais uma vez de volta aos patamares inferiores das ligas inglesas, os anos passados à frente dos “Swans” serviriam para engrossar o seu rol de conquistas com mais algumas vitórias na Welsh Cup e, muiito à custa da chegada ao escalão máximo, para cevar os créditos enquanto técnico. Curiosamente, com o desenrolar da caminhada enquanto treinador, a aposta na contratação do antigo avançado viria do estrangeiro. Apresentado no Sporting como o “timoneiro” para a campanha de 1984/85, a escolha do Presidente João Rocha não traria grandes sucessos para os lados de Alvalade. Ainda assim, durante a passagem de alguns meses por Portugal, ficariam nos registos a tentativa de implementar um sistema com 3 defesas-centrais e, acima de tudo, as estreias de Oceano, Litos e Fernando Mendes com a camisola dos “Leões”.
Apesar do desaire na experiência lusa, a fama de John Toshack não sairia muito beliscada, com o convite da Real Sociedad a surgir logo de seguida. Aliás, grande parte dos êxitos da sua senda enquanto treinador emergiria das inúmeras épocas vividas em Espanha. Tendo estado também à frente do Real Madrid, do Deportivo La Coruña e do Murcia o técnico galês atingiria a glória com as conquistas, à frente dos “Merengues”, da La Liga de 1989/90, com o triunfo, ao liderar a referida agremiação basca, na Copa del Rey de 1986/87 ou com a vitória, com as cores do aludido emblema galego, na Supercopa de 1995/96. Para além do já referido, há também que registar os anos em que passou aos comandos do Besiktas, do Saint-Étienne, do Catania, dos azeris do Khazar, dos marroquinos do WAC, dos iranianos do Tractor ou ainda as experiências na selecção do País de Gales e na equipa nacional da Macedónia do Norte.

1395 - CASTRO

Depois de ter vestido outras camisolas de colectividades originárias da Margem Sul do Rio Tejo, casos do Moitense e do Sarilhense, João Manuel de Castro, na temporada de 1968/69, chegaria à principal equipa de futebol do Grupo Desportivo da CUF. Já como membro do conjunto sediado no Lavradio, o defesa-central, mesmo sem grande experiência nos contextos competitivos mais exigentes das provas portuguesas, conseguiria segurar um lugar de destaque. Sob a intendência do mítico Costa Pereira, o jogador, na campanha aludida neste parágrafo, estrear-se-ia nas disputas primodivisionárias e, como um dos titulares, ajudaria à boa época feita pela agremiação fabril.
Daí em diante, tirando algumas excepções, o jogador passaria a figurar como um dos pilares dos esquemas tácticos idealizados pelos diferentes treinadores responsáveis pelos destinos do clube. Nesse sentido, viveria momentos de grande importância na história da agremiação barreirense, nomeadamente o 4º lugar da tabela classificativa, conseguido no Campeonato Nacional, na temporada de 1971/72. Ainda sob a batuta de Fernando Caiado, resultado da posição agora referida, surgiria a presença na Taça UEFA. Naquela que viria a tornar-se na estreia do atleta em competições continentais, Castro acabaria por marcar presença nas eliminatórias frente ao Racing White e Kaiserslautern. Para além dessa participação, no que concerne ao contexto competitivo além-fronteiras, o defesa também faria parte do plantel que, na campanha de 1974/75, após ganhar o Grupo 10, seria declarado como um dos vencedores da Taça Intertoto.
A somar a tudo o que foi dito, há ainda para referir alguns factos que ajudariam a cimentar Castro com um dos nomes icónicos do Grupo Desportivo da CUF. Nesse rol de acontecimentos, o destaque terá de ir para as 9 temporadas consecutivas, feitas pelo jogador, ao serviço do emblema barreirense, sendo que 8 delas acabariam por ser na disputa do patamar máximo da prova de maior relevância no calendário futebolístico português.
Para terminar esta pequena biografia, falta ainda listar aquela que viria a tornar-se na última camisola da sua caminhada como praticante profissional. Ora, depois de acompanhar a CUF na descida de escalão e de, na temporada de 1976/77, ter marcado presença na 2ª divisão, Castro acabaria por mudar de emblema. Já na derradeira fase da carreira, o defesa trocaria as cores da equipa a jogar em casa no Estádio Alfredo da Silva, pelo colorido dos grandes rivais do FC Barreirense. Com o listado vertical alvo-rubro, Castro, tendo regressado ao panorama primodivisionário na campanha 1978/79, ainda jogaria um par de épocas, acabando por pôr um termo ao seu percurso competitivo com o final da última época mencionada.

1356 - ACÁCIO CASIMIRO

Ao surgir no degrau sénior incluído na equipa principal do Sporting de Espinho, Acácio Casimiro cumpriria os primeiros anos da carreira profissional com a camisola dos “Tigres da Costa Verde”. Depois da mencionada estreia na temporada de 1967/68, as 5 campanhas subsequentes, sempre na discussão do escalão secundário, serviriam para sublinhar as suas características e acabariam por proporcionar ao médio um novo salto na caminhada competitiva.
Avaliado como um interior de jogo intenso, intrépido, mas possuidor de grandes capacidades para construir o jogo ofensivo, finalmente o interesse de clubes de maior monta resultaria na sua transferência para o cenário primodivisionário. Com a chegada ao Boavista a acontecer na campanha de 1972/73, a mudança de Acácio Casimiro para um nível futebolístico de maior exigência, não inibiria o jogador de continuar a sublinhar-se como um elemento de elevada preponderância dentro do grupo de trabalho. Com o antigo internacional brasileiro Aymoré Moreira como o treinador dos “Axadrezados”, o médio, no desenho táctico idealizado, assumir-se-ia como um dos esteios do sector intermediário. Tanto nessa primeira época entre os “grandes”, como nas seguintes, o atleta manteria o estatuto de titular. Assim sendo, transformar-se-ia num dos pilares dos triunfos consecutivos de duas edições da Taça de Portugal. Em ambas as finais orientado por José Maria Pedroto, o atleta, ao fazer parte do “onze” inicial em 1974/75 como em 1975/76, contribuiria para as derrotas, respectivamente, do Benfica e do Vitória Sport Clube.
Ainda da passagem do médio pelo Bessa, surgiria outra história deveras curiosa e com referências à apelidada “Prova Rainha”. Com o 25 de Abril de 1974 a deitar abaixo o regime ditatorial vigente em Portugal, as provas futebolísticas nacionais, apesar do abalo social causado pela “Revolução dos Cravos”, depressa seguiriam o seu rumo. Com a calendarização da competição aludida no começo deste parágrafo a indicar, passado um par de dias, os oitavos-de-final, o Boavista preparar-se-ia para disputar a eliminatória frente ao Famalicão. A partida terminaria com o “placard” a indicar 5-1 a favor das “Panteras” e com Acácio Casimiro, não só como o concretizador dos dois golos iniciais do desafio, mas como o autor dos primeiros golos feitos após a restauração da democracia em Portugal.
Com a ligação ao Boavista a terminar com o fim da temporada de 1976/77, o centrocampista acabaria por dar novo rumo à carreira. Voltaria, com o clube a disputar as pelejas do Campeonato Nacional da 1ª divisão, ao Sporting de Espinho. Um ano volvido sobre o regresso ao Estádio Comendador Manuel de Oliveira Violas, surgiria uma nova mudança. Seguir-se-ia, naquela que viria a tornar-se na última campanha do médio no escalão máximo, o ingresso no plantel do Famalicão. Para findar a caminhada enquanto jogador, já a conciliar as funções dentro de campo com as tarefas de técnico, surgir-lhe-iam ao caminho o Paredes e o Amares.
Com a paixão sentida pela modalidade, Acácio Casimiro, nos anos vindouros, continuaria a manter-se ligado ao futebol. Com uma extensa carreira enquanto treinador, depois das experiências já referenciadas, o antigo médio, durante vários anos, passaria a assumir-se como o treinador-adjunto do seu antigo colega no Boavista, João Alves. Aceitaria também comandar o Departamento de Prospecção do FC Porto, seguindo, na campanha imediata e ainda na alçada de António Oliveira, para o Betis de Sevilha. Já na mudança do milénio, encetaria o que viria a revelar-se como uma verdadeira vida de “globetrotter”, tendo vivido em países como a Tunísia, Kuwait, Bahrein, Marrocos, Jordânia, Irão, China, Arábia Saudita e Bósnia. Pelo meio de tantos destinos, uma das passagens de maior importância aconteceria, por certo, ao serviço do Raja Casablanca, onde viria a sagrar-se campeão nacional.

1256 - ARMANDO

Com o percurso formativo dividido entre o Palmense e o Benfica, seria na “Luz” que Armando Gonçalves cumpriria a transição para o escalão sénior. Com a subida de patamar, mesmo sendo um intérprete com capacidade para ocupar diversos lugares no terreno de jogo, a verdade é que a presença de elementos de muito gabarito inviabilizaria a presença do jovem futebolista na equipa principal das “Águias”.
Vetado ao conjunto de “reservas” dos “Encarnados”, Armando optaria por prosseguir a carreira noutro dos mais figurativos emblemas “alfacinhas”. À beira de completar 20 anos de idade, o atleta veria o Clube Oriental de Lisboa a abrir-lhe as portas. Com a chegada à Azinhaga dos Alfinetes a acontecer na temporada de 1970/71, seriam as lides competitivas da 2ª divisão a acolhê-lo. Aferido como um elemento de características polivalentes, a sua combatividade e técnica razoável, muito para além de compensar a falta de rapidez, dar-lhe-iam um lugar de destaque no plantel e, depois de 6 temporadas a defender as cores da colectividade, inscrevê-lo-iam na história da agremiação nascida em Marvila.
Maior parte das vezes escalonado como lateral-direito, mas ao poder posicionar-se também no centro do sector mais recuado ou até como médio, o jogador, como um dos elementos do plantel com maior relevância no desenho táctico, acabaria por juntar o seu nome aos principais episódios vividos pelo Oriental durante a primeira metade dos anos de 1970. Claro está que a página mais importante, escrita durante a referida década, seria o regresso do clube, após 16 anos de ausência, ao patamar máximo do futebol português. Nesse propósito, para selar tal momento e depois de, com a 2ª posição na Zona Sul, conquistarem um lugar na Liguilha da temporada de 1972/73, seria a vitória por 1-0 frente à União de Coimbra a confirmar a subida.
A campanha de 1973/74 empurraria Armando para a estreia no principal degrau das competições lusas. Novo no convívio com os “grandes”, o atleta não deixaria atemorizar-se pelo acréscimo de responsabilidade. Com Pedro Gomes como treinador, ciente o técnico da importância do futebolista para o grupo de trabalho, o jogador manter-se-ia como um dos elementos mais chamados ao “onze” e grande contribuinte para a continuidade do Estádio Engenheiro Carlos Salema nos cenários da 1ª divisão. Na época seguinte, mesmo com o corrupio de “timoneiros”, a sua titularidade alimentar-se-ia com exibições plenas de bravura e abnegação. No entanto, colectivamente os desempenhos não correriam como esperado e, no final da temporada, o Oriental e o atleta ver-se-iam retornados ao 2º escalão.
Ao acompanhar o Oriental na descida à 2ª divisão, a época de 1975/76 marcaria o final da ligação entre o jogador e o emblema da capital. Cotado como um atleta capaz de desafios de maior monta, Armando, para a temporada de 1976/77, acabaria contratado pelo primodivisionário Atlético. No extremo oposto da cidade de Lisboa, a sua entrada na Tapadinha não revelaria os mesmos índices de anos anteriores. Talvez por essa razão, a campanha a jogar pelo conjunto do bairro de Alcântara tornar-se-ia na última do jogador na 1ª divisão. Suceder-se-iam, numa senda um pouco mais errante e que quase duraria uma década, as passagens por diversos emblemas. Amora, União de Santarém, Cova da Piedade, Rio Maior e Torreense, precederiam a experiência no Atlético do Cacém, já como treinador-jogador.
Após deixar as lides de futebolista em 1986 e ao serviço da aludida formação sediada na Linha de Sintra, Armando, ao pertencer há largos anos aos quadros do Montepio, manter-se-ia a trabalhar como funcionário bancário.

1220 - TITO

Ao surgir na categoria principal do Atlético Clube de Portugal na primeira metade da década de 60, Tito deparar-se-ia com a agremiação alcantarense a disputar o escalão secundário. Produto das camadas de formação do emblema lisboeta, o jovem avançado acabaria por conseguir estrear-se no escalão maior uns anos após a promoção a sénior. No entanto, a temporada de 1966/67, com o espanhol Ángel Oñoro como treinador, terminaria abaixo do expectável e com o objectivo da manutenção a não ser cumprido. O seu regresso à 1ª divisão, sem deixar o clube, dar-se-ia na campanha de 1968/69. Colectivamente, o resultado seria o mesmo. Todavia, em termos pessoais, o ponta-de-lança destacar-se-ia não só como um dos atletas mais utilizados por Peres Bandeira, mas também como o melhor marcador da equipa.
Os números revelados naquela que viria a tornar-se na última temporada de Tito com as cores do Atlético, serviriam para que o jogador fugisse à descida de divisão. Curiosamente, a mudança para o União de Tomar na época de 1969/70, ainda que mantivesse o avançado no convívio com os “grandes”, terminaria da mesma maneira que as duas experiências anteriores. De volta à 2ª divisão, esse aparente passo atrás na carreira, desembocaria na mais importante transferência da sua vida profissional. Ao ser visto como uma aposta segura, o atacante deixaria a colectividade nabantina e seria apresentado, à altura, como o reforço mais caro de sempre da história do Vitória Sport Clube.
No Minho a partir de 1971/72, o atleta vincaria as suas qualidades e, rapidamente, passaria a ser visto pelos adeptos como um ídolo. Nos 7 anos ao serviço do Vitória de Guimarães, Tito sublinharia aquilo que já era sabido sobre as suas qualidades. Mesmo sem ser uma figura com um físico impressionante, a verdade é que a sua rapidez de movimentos e de execução fariam dele um dos mais mortíferos avançados a actuar nas provas lusas. Mantendo-se sempre como um dos titulares, ajudaria o clube nortenho na luta pelos lugares cimeiros das competições em disputa. Nessas contendas, o maior destaque consegui-lo-ia integrado numa das linhas ofensivas mais famosas a laborar na “Cidade Berço”. Com o brasileiro Jeremias e Romeu como parceiros do ataque, a época de 1974/75 tornar-se-ia icónica. Colectivamente, sob a batuta de Mário Wilson, os vimaranenses terminariam no 5º posto da tabela classificativa. Já em termos pessoais, o avançado conseguiria, no Campeonato Nacional, concretizar 17 golos e, tal marca, levá-lo-ia ao 3º lugar no “ranking” dos Melhores Marcadores.
Já com Fernando Caiado a orientar a equipa, a temporada de 1975/76 também seria de grande importância para a sua caminhada profissional. Com a presença em campo ou, por exemplo, com o golo concretizado frente ao FC Porto nos quartos-de-final, Tito tornar-se-ia numa das figuras do Vitória no galgar de eliminatórias na Taça de Portugal. Com a chegada à final, o avançado seria chamado, como elemento do alinhamento inicial, à disputa marcada para o Estádio das Antas. Porém, a peleja frente ao Boavista não correria de feição para o jogador e companheiros e o 2-1 assinalado pelo placard no final de jogo, entregaria o troféu aos “Axadrezados”.
Numa altura em que já envergava a braçadeira de “capitão”, Tito veria a sua intenção de terminar a carreira no Vitória negada por um desencontro com a direcção. Deixaria o clube como um dos atletas com mais partidas disputadas na 1ª divisão e, com a marca a revelar toda a sua monta, como o mais prolífero goleador da história da equipa no escalão máximo português. No seguimento, na temporada de 1978/79, assinaria contrato com o primodivisionário Famalicão e daria início a uma senda, tão típica por essa altura, em que alternaria as presenças em Portugal com experiências no futebol norte-americano. Passaria pela NASL e pelos Toronto Blizzard e ainda pelo First Portuguese. No nosso país, para além do já aludido, o avançado ainda representaria o Feirense e, no papel de treinador-jogador, vestiria a camisola do Coelima.
Depois de terminada a carreira como futebolista, Tito ainda teria outras experiências como treinador. Destacar-se-ia como adjunto de António Morais no Vitória de Guimarães ou, nas mesmas funções, como braço-direito de Eurico Gomes no Tirsense e no Nacional da Madeira.

1203 - FRANQUE

Natural de Benguela, seria descoberto pelo Benfica, ainda a jogar em Angola. A viagem para Lisboa, levá-lo-ia a ser integrado nas “escolas” das “Águias” e a partilhar o balneário com nomes como João Alves, Jordão ou Shéu. Nesses primeiros anos, ao destacar-se no sector mais recuado das jovens equipas “Encarnadas”, Alfredo Franque ver-se-ia puxado para os trabalhos das camadas de formação da Federação Portuguesa de Futebol. Com os sub-18 nacionais, seria orientado por Peres Bandeira na discussão da edição de 1971 do Torneio Internacional de Juniores da UEFA. Participaria em 4 das 5 partidas disputadas por Portugal na fase final e, como um dos titulares na derradeira peleja do certame disputado na antiga Checoslováquia, ajudaria a selecção a chegar ao 2º lugar do pódio.
Apesar de ser tido como um praticante promissor, a verdade é que na altura de subir a sénior, o defesa-esquerdo não veria emergir as esperadas oportunidades. Ao não conseguir mais do que marcar presença na equipa de “reservas” do Benfica, Franque encontraria no Boavista de 1972/73 a ocasião de apontar à estreia na 1ª divisão. Já um ano volvido sobre a sua chegada à “Cidade Invicta”, o regresso do lateral a Lisboa encetaria uma das ligações mais importantes da sua carreira. Contratado pelo Atlético, a passagem do jogador pelo emblema do popular bairro “alfacinha” começaria pelo escalão secundário. A promoção conseguida no final da campanha de 1973/74, devolvê-lo-ia às lides primodivisionárias e estabeleceria o atleta como uma digna personagem dos principais palcos do futebol luso. Aliás, os seus desempenhos, lado-a-lado com uma atitude de louvar, levá-lo-ia a ser visto como um digno exemplo para colegas e adversários e, por essa razão, chegaria a envergar a braçadeira de capitão dos alcantarenses.
Apesar da descida do Atlético em 1977, a qualidade patenteada por Franque levá-lo-ia a fugir à despromoção. Seguir-se-ia a passagem de 1 temporada pelo Marítimo, marcada pela estreia dos “Insulares” na 1ª divisão. Depois viria a ligação ao Estoril Praia. Curiosamente, seria pelo emblema sediado na “Linha de Cascais” que, na época de 1979/80, o lateral canhoto disputaria a última campanha no escalão maior. Sem razão para ver beliscada a sua habilidade competitiva, o certo é que o jogador, após a acompanhar o conjunto “canarinho” na queda ao 2º patamar, acabaria empurrado para uma nova etapa da caminhada profissional. Sem mais regressar ao degrau máximo, o seu trajecto tornar-se-ia um pouco mais errante. Juventude de Évora, Benfica de Castelo Branco, União de Tomar, União de Leiria, o regresso ao Atlético, Futebol Benfica e, para terminar, o Atlético da Malveira, tornar-se-iam nos emblemas dessa fase mais “saltitante”.
Afastado dos labores de praticante desde o final dos anos 80, Franque não abandonaria a modalidade. Sempre pronto a honrar o desporto que, durante mais de duas décadas preencheu a sua vida, o antigo defesa tem colaborado, assumindo o papel de dirigente, com o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol.

1194 - FAUSTINO

Natural de Beja, seria no Desportivo local que Faustino, na temporada de 1961/62, daria os passos iniciais no contexto competitivo sénior. Ainda posicionado como extremo-esquerdo, o jovem atleta, com exibições bem positivas, logo conseguiria prender a atenção de emblemas a disputar a 1ª divisão. A mudança dar-se-ia no final da época de estreia na equipa principal bejense e, ao deixar para trás o Baixo Alentejo, ligar-se-ia ao Barreirense.
A transferência para o emblema estabelecido na Margem Sul do Rio Tejo, como já foi destapado, teria o condão imediato de levar o atacante aos palcos maiores do futebol português. Mesmo sem conseguir agarrar a titularidade durante os primeiros anos, ainda assim, a sua evolução projectá-lo-ia como um atleta de qualidades superiores. Essa certeza chegaria com a campanha de 1965/66. Depois de uma passagem pela 2ª divisão, o regresso do Barreirense ao escalão máximo, revelaria Faustino como um elemento preparado para os desafios primodivisionários. Porém, e apesar de garantir um lugar no “onze” em grande parte das jornadas, a verdade é que o final da temporada terminaria com o clube relegado. A descida, faria com o atleta decidisse cambiar de rumo e essa mudança, em definitivo, marcaria o seu trajecto no futebol.
Ao abraçar um novo projecto na época de 1966/67, o jogador estaria longe de imaginar que a sua entrada no plantel do União de Tomar viesse a assumir-se de tão grande importância. Ainda que a mudança para o novo emblema tivesse como significado directo o retorno ao escalão secundário, até esse, entendido como, passo atrás, faria com que o nome do atleta ficasse inscrito na história da colectividade nabantina. A explicação é simples e prende-se com a estreia das cores dos ribatejanos na 1ª divisão. Ora, a temporada de 1968/69, para além do novo e brilhante capítulo na linha de vida da agremiação, confirmaria o que já era bem claro. Essa evidência, toda ela amarrada à importância de Faustino no desenho táctico da equipa, sublinhar-se-ia pelos números alcançados por si. Mantendo-se como um dos elementos mais assíduos do “onze”, o agora transformado em defesa-central passaria a ser visto como uma das peças mais proeminentes do colectivo. Mesmo com uma estatura bem baixa para a posição, o seu 1,68m de altura não seria impeditivo da realização de muitas e boas exibições. As suas prestações mantê-lo-iam como um elemento nuclear e estenderiam o seu laço ao clube por largos anos.
As 13 temporadas a envergar a camisola do União de Tomar, 6 das quais na 1ª divisão, transformariam Justino no futebolista com mais jogos disputados pelo colectivo, naquele que é o patamar mais alto do futebol luso. Essas 152 partidas, a juntar às muitas esgrimidas no 2º escalão e restantes provas nacionais, sublinhá-lo-iam como uma figura histórica. Para além destes factos, outras curiosidades marcariam a sua passagem pela “Cidade dos Templários”. Uma delas prender-se-ia com a presença de duas das maiores figuras do desporto luso. A partilhar o balneário com Eusébio e Simões em 1977/78, Justino, ao repetir o papel de interino nas funções de treinador, teria ainda a oportunidade de orientar as duas “estrelas”. Todavia, por altura dos aluídos acontecimentos, o termo da sua ligação ao clube enquanto praticante estava próximo e o ano de 1979 marcaria esse final.
Nas épocas seguintes, numa carreira que chegaria perto dos 40 anos de idade, Justino teria ainda a ocasião para vestir a camisola de outras colectividades. Mormente a disputar as competições “distritais”, destaque para a passagem pelo Alvaiázere.

1182 - BASTOS

Produto da “formação” do Sporting Clube de Portugal, por onde passaria por alguns patamares, Bastos depressa demonstraria qualidades excepcionais para a prática do futebol. Essa avaliação seria corroborada, corria o seu último ano de júnior, pela chamada aos trabalhos das jovens equipas da Federação Portuguesa de Futebol. Com a “camisola das quinas”, no escalão sub-18, participaria no Torneio Internacional de Juniores de 1968 e, ao entrar em todas as partidas do certame organizado, na fase final, em França, contribuiria para o 3º lugar do conjunto luso.
Não tardaria muito para que o Sporting chamasse o defesa-central à equipa principal. Aliás, a época seguinte à da referida competição de selecções, marcaria o começo da caminhada de Bastos como sénior. Porém, e mesmo tendo em conta os atributos revelados em anos anteriores, a sua afirmação seria tudo menos fácil. Com o plantel de 1968/69 a contar com a presença de elementos como José Carlos, Alexandre Baptista ou Armando Manhiça, o jovem atleta poucas oportunidades teria para entrar em campo. A dificuldade em conquistar um lugar em Alvalade, sublinhar-se-ia ainda mais nas temporadas seguintes. O jogador apenas voltaria a envergar a camisola leonina na campanha de 1972/73. Pelo meio, para além do tempo afastado das competições oficiais, a passagem, por empréstimo, pelo Farense e a presença na partida de estreia do emblema algarvio, na 1ª divisão.
Mesmo com uma boa participação nos embates calendarizados para o colectivo, Bastos, na época de 1972/73, ficaria aquém do protagonismo alcançado daí em diante. Por outro lado, a referida temporada começaria a enriquecer o palmarés do defesa. Com presença no “onze” inicial, alinhado para a final pelo treinador Mário Lino, o jogador incluiria a conquista da Taça de Portugal no currículo. Já como titular, a temporada subsequente traria ao atleta, e aos seus colegas, a vitórias no Campeonato Nacional e, mais uma vez, na apelidada “Prova Rainha”.
Curiosamente, seria numa época sem títulos que Bastos acabaria por despertar a atenção de emblemas estrangeiros. Após completar a temporada de 1973/74, mantendo-se como um dos principais intérpretes da táctica leonina, surgiria o interesse do Real Zaragoza. Com a transferência concretizada, o defesa-central mudar-se-ia para Espanha, onde, no emblema da província de Aragão, chegaria a partilhar o balneário com o avançado Rui Jordão. Começaria por disputar o principal escalão de “nuestros hermanos”, mas nunca alcançaria destaque suficiente para conseguir tornar-se num dos indiscutíveis do plantel. Após 3 campanhas a envergar as cores dos “Blanquillos”, com a última já no patamar secundário, dar-se-ia o seu regresso ao Sporting, o retorno à titularidade e mais uma boa série de troféus.
Os 5 anos seguintes, de volta a Portugal e sempre de “Leão” ao peito, significariam para o atleta o enriquecimento do palmarés desportivo. A conquista do Campeonato Nacional de 1979/80, a “dobradinha” de 1981/82 e a Supertaça de 1982/83, sublinhariam o estatuto de figura histórica, que já tinha ganho com todos os anos passados de “verde e branco”. No entanto, antes ainda de terminar a carreira como futebolista, a ligação do defesa ao emblema lisboeta conheceria um interregno. Nesse sentido, passaria pelo Marítimo e, finda a temporada de 1984/85, depois de vestir a camisola do Barreirense, chegaria a altura de “pendurar as chuteiras”. Já como treinador, orientaria diversas equipas nos escalões secundários. Anos mais tarde, um novo convite levá-lo-ia a regressar ao Sporting. Em Alvalade trabalharia como adjunto por vários anos, destacando-se as épocas vitoriosas ao lado de Augusto Inácio e Laszlo Bölöni. Noutras funções, colaboraria também com o Departamento de Prospecção leonino.

1108 - DINIS

Depois da estreia sénior, ainda em idade júnior, no Atlético Sport Aviação (ASA), as vitórias no Campeonato Angolano fizeram com que as suas prodigiosas qualidades encontrassem um novo veículo de promoção. Ao destacar-se no plano físico, mas também por habilidades técnicas bem acima da média, não tardou muito para que Dinis conseguisse despertar a cobiça de emblemas de outra monta. De Lisboa, para a temporada de 1969/70, o Sporting apresentar-se-ia como a solução para o seu crescimento futebolístico. Depois da estreia num “derby” frente ao Benfica, a titularidade, promovida pelo treinador Fernando Vaz, manter-se-ia como uma constante. De tal ordem passariam a ser as suas exibições que, ainda durante a primeira época com as cores do “Leão”, o extremo começaria a ser visto como um elemento válido também para as campanhas da principal selecção nacional. Por Portugal, após a estreia num particular frente à Itália, o atacante jogaria por 14 vezes. Destaque para a sua chamada à Mini-Copa de 1972, onde, com 4 golos concretizados, Dinis transformar-se-ia num dos destaques da participação lusa no torneio disputado em solo brasileiro.
Apesar das boas exibições com a “camisola das quinas”, os momentos mais prolíferos da sua carreira seriam vividos em Alvalade. Os anos passados de “verde e branco”, a par de destacar o avançado como um dos melhores intérpretes portugueses da década de 70, serviriam como um dos grandes mananciais de conquistas na sua caminhada desportiva. A vitória em 2 Campeonatos Nacionais e em 3 Taças de Portugal tornar-se-iam nas grandes jóias de um trajecto que duraria meia-dúzia de anos. Surpreendentemente, sem que a sua preponderância alguma vez fosse beliscada, o fim desse período de 6 temporadas levaria o atleta ao FC Porto. Nas Antas passaria a trabalhar sob a alçada do mítico José Maria Pedroto. Até pelo curto intervalo de tempo vivido de “Dragão” ao peito, os êxitos alcançados na “Cidade Invicta” ficariam aquém dos materializados em Lisboa. Depois do lugar ganho no “onze” de 1975/76, os primeiros passos dados na temporada seguinte seriam interrompidos pelo seu regresso a Angola.
Ao dar corpo ao “Movimento Vamos Regressar”, apelo lançado pelo Presidente Agostinho Neto após a independência da antiga colónia lusa, Dinis, a par de outros atletas profissionais, retornaria a Luanda com o intuito de impulsionar o desporto angolano. Jogaria durante algum tempo pela Académica Social Escola, agremiação que tinha representado ainda em miúdo. Porém, o grande papel dinamizador acabaria por assumi-lo já depois de voltar, mais uma vez, a Portugal. Após tirar o curso de treinador e de, paralelamente, capitanear a União de Leiria no trilho primodivisionário, o extremo-esquerdo, muitas vezes assumindo, lado-a-lado, o papel de técnico e o de praticante, abraçaria diversos projectos. Tendo também vestido a camisola da selecção de Angola, seria com as cores do 1º de Agosto que conseguiria sagrar-se campeão. Orientaria outras equipas, como o Sporting de Luanda ou o Progresso de Sambizanga, emblema onde venceria uma Taça de Angola e onde seria o responsável pela descoberta de Pedro Mantorras. Destacar-se-ia igualmente como seleccionador dos sub-17 e por ter integrado a comitiva dos “Palancas Negros” nas presenças no Mundial 2006 e na CAN 2010.
Também no campo directivo tem escrito um papel de relevo. Com destaque para o seu desempenho como Presidente da Associação de Antigos Futebolistas de Angola, Joaquim Dinis tem demonstrado uma enorme preocupação em promover o bem-estar de ex-atletas e na salvaguarda dos futuros interesses de jogadores ainda em actividade.

638 - PETER BARNES

A primeira parte da carreira de Peter Barnes, desde cedo anunciaria e, seria injusto dizer-se o contrário, cumpriu com a promessa de fazer do jovem futebolista um grande jogador. Com as cores do Manchester City, ao serviço do qual faria a sua formação, o extremo, logo na segunda temporada na categoria principal, seria eleito como o “Melhor Jovem” a actuar na liga inglesa.
Como um impulso, a referida distinção manteria as actuações de Barnes a um nível elevado. A equipa nacional inglesa, na qual o avançado já era presença assídua pelas “Esperanças”, começou, também ela, a ser testemunha das suas qualidades. Novembro de 1977, numa partida frente à Itália, marcaria o início de um percurso que contaria com mais de duas dezenas de internacionalizações e ao qual, para ser perfeito, apenas faltaria uma presença num dos grandes certames para selecções.
Internamente, mesmo sem grandes títulos a abrilhantar a sua carreira (lembramos que o Manchester City dos anos 70 não era o “colosso” de hoje em dia) Peter Barnes ainda conseguiria, durante a época de 1975/76, adornar o seu currículo com a vitória na Taça da Liga.
Apesar da sua ligação ao Manchester City ter sido, em termos de clubes, a mais longa, a separação acabaria mesmo por acontecer. Depois de nos “Citizens” ter participado em perto de centena e meia de desafios, nos quais se incliu a sua estreia nas competições europeias, Peter Barnes, para a temporada de 1979/80, vê Malcolm Allison, num recorde para os “Sky Blues”, vender o seu passe ao West Bromwich Albion (WBA).
As boas exibições de Peter Barnes, que, com o WBA, voltaria a atingir os lugares europeus, levariam a que outras equipas entrassem no seu concurso. Contudo, aquilo que prometia ser uma mudança para melhor, acabaria como um rotundo falhanço. Ao serviço do Leeds United, a adaptação que quiseram fazer dele como avançado-centro acabaria por se provar desastrosa. Resultado disso, ou não, o clube acabaria por enfrentar as agruras da despromoção e Barnes acabaria por ser cedido ao Real Betis de Sevilha.
A passagem por Espanha tornar-se-ia numa espécie de transição na sua vida como profissional. Daí em diante, Peter Barnes acabaria por nunca mais conseguir consolidar-se num só clube. Passaria por uma série de diferentes emblemas. Entre Austrália, Irlanda do Norte e Estados Unidos da América e, ainda, clubes como Manchester United, Coventry e, só para dar mais um exemplo, Sunderland, surgiria, nesse seu errante trajecto, Portugal e o Sporting Clube Farense.