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1756 - JAIME

Natural de Fiães, Jaime Ferreira da Silva teria na colectividade da terra natal o primeiro emblema do percurso formativo. Já com 15 anos de idade seria conduzido, por um tio, até ao Campo da Constituição. Ficaria aprovado nos testes e a partir desse momento passaria a ser treinado por nomes deveras importantes no cenário das “escolas” portistas, como Artur Baeta, José Valle ou Reboredo. Já a temporada de 1959/60 representaria, na caminhada do extremo-direito, a chegada ao contexto sénior. Ainda durante essa campanha, cumprida praticamente ao serviço dos “reservas”, o atacante teria a oportunidade de fazer a estreia na equipa principal e chamado por Otto Vieira, o jovem jogador participaria numa partida agendada para a Taça de Portugal.
Depois de uma época algo discreta, a época de 1960/61 marcaria o acréscimo da sua assiduidade no primeiro conjunto dos “Azuis e Brancos”. Nesse sentido, seria também durante a referida temporada que o jogador faria a estreia no patamar máximo do Campeonato Nacional. No entanto, apesar da importância desses primeiros passos na prova de maior monta do calendário luso, seria a campanha de 1961/62 a consagrá-lo como um dos titulares do FC Porto. Daí em diante, o avançado, caracterizado pela velocidade e pelos bons centros para a área contrária, passaria a ser visto como um dos principais rostos na hora de nomear o “onze” e a titularidade no FC Porto abrir-lhe-ia as portas de outros contextos competitivos.
Com a sua reputação a crescer, seria no cenário internacional que Jaime também viria a destacar-se. A primeira dessas oportunidades surgiria com a selecção militar. De seguida, a 14 de Abril de 1963, viria a chamada aos “promessas”. A partida frente à Grécia, na qual jogaria ao lado de outros nomes seus companheiros no FC Porto, casos de Custódio Pinto e de Serafim, anteciparia a chamada à equipa “B”. Nesse trajecto, ainda emergiriam as algumas convocatórias ao conjunto principal, inclusive a sua entrada no rol de pré-convocados para o Mundial de 1966. Infelizmente para o jogador, a oportunidade para envergar a mais importante “camisola das quinas” nunca surgiria e o extremo-direito quedar-se-ia pelas 2 partidas feitas pelos agregados afectos à Federação Portuguesa de Futebol.
Apesar da importância das metas internacionais alcançadas pelo jogador, Jaime, pelo FC Porto também viveria momentos de inolvidável importância. Um deles surgira no âmbito da edição de 1963/64 da Taça dos Vencedores das Taças, na qual participaria na primeira vitória de sempre dos “Dragões” no contexto continental. Para além do referido triunfo, 3-0 frente ao Olympique Lyon, talvez o momento de maior glória no trajecto competitivo do extremo-direito tenha brotado da Taça de Portugal de 1967/68. No derradeiro encontro da prova, disputado no Jamor, o atleta veria José Maria Pedroto a escolhê-lo para o alinhamento inicial e ao ajudar a selar a vantagem dos “Azuis e Brancos” por 2-1, sairia do Estádio Nacional como um dos conquistadores da “Prova Rainha”.
Curiosamente, essa partida frente ao Vitória Futebol Clube, mencionada no final do último parágrafo, constituiria uma das últimas aparições de Jaime com o listado portista. A razão para tal, prender-se-ia com uma grave lesão sofrida pelo jogador praticamente no começo da temporada de 1968/69, a qual faria com o jogador terminasse a carreira de forma precoce. Antes ainda, precisamente na 1ª jornada da referida época, o atacante participaria noutro momento histórico, sendo o primeiro jogador de campo a ser substituído numa partida oficial do FC Porto, entrando Lisboa para o seu lugar.

1549 - MESQUITA

Com o percurso formativo feito na totalidade com as cores do Sporting, seria ainda com a camisola leonina que António Gaspar Duarte Mesquita subiria a sénior. No entanto, a forte concorrência no sector mais recuado dos “Verde e Brancos”, onde marcavam presença atletas como Caldeira, Mário Lino, Morato, Galaz, Hilário ou Pacheco, ao invés de permitir, ao jovem praticante, a oportunidade de agarrar um lugar na categoria principal de 1958/59, apenas autorizaria a sua presença nas competições outorgadas ao calendário das “reservas”.
Seguir-se-ia, na ainda curta carreira do defesa, a transferência para a Académica de Coimbra. Com a entrada no emblema beirão a acontecer na campanha de 1959/60, o jogador haveria de conquistar as preferências dos treinadores responsáveis pelos destinos da “Briosa” no decorrer da aludida temporada, ou seja, o húngaro János Biri e o argentino Óscar Montez. Como um dos titulares nessa campanha de chegada às margens do Mondego, a época seguinte, todavia, seria deveras diferente, com Mário Wilson, Mário Torres, Marta ou Curado a figurarem como os preferidos para o alinhamento inicial.
Talvez pela falta de oportunidades alcançadas na segunda campanha ao serviço dos “Estudantes”, Mesquita veria o convite lançado pelo FC Porto como um desafio sem hipótese de recusa. Desse modo, a mudança do defesa para a “Cidade Invicta” ocorreria no âmbito do planeamento da época de 1961/62. Porém, o intuito de mais vezes ser chamado a jogo ficaria muito aquém das expectativas. Já a temporada seguinte, sob a égide técnica do magiar Jeno Kalmár, erguer-se-ia de forma totalmente distinta. Novamente titular, Mesquita participaria em momentos de sublinhada importância na vida dos “Azuis e Brancos”. Dentro desses capítulos, há a destacar o “particular” entre os “Dragões” e o Athletic Bilbao, a assinalar a inauguração do sistema eléctrico do Estádio das Antas, e, principalmente, a presença do jogador em ambas as mãos frente ao Dinamo Zagreb, eliminatória a contar para a Taça das Cidades com Feira.
Depois de uma terceira temporada ao serviço do FC Porto caracterizada, em termos individuais, pela discrição, António Mesquita tomaria a decisão de voltar a Coimbra. Ainda assim, o regresso à “Briosa” mantê-lo-ia agarrado à condição de suplente e o jogador, finda a época de 1964/65, partiria em direcção a sul e à sua Lisboa natal. Já como atleta do Benfica, o defesa, no seio de um plantel a viver inolvidáveis epopeias pela europa do futebol, não conseguiria passar do conjunto de “reservas”. Daí em diante, a reconstituição daquele que terá sido o seu trajecto enquanto futebolista torna-se bastante mais difícil. Ainda assim, existem fontes a garantirem, entre 1968/69 e 1970/71, a sua integração no grupo de trabalho do Sesimbra e a campanha de 1974/75 cumprida com as divisas do Vilafranquense.

1244 - EDMUR

Com os passos iniciais no futebol dados, entre o final da sua formação e o começo da caminhada sénior, em emblemas como Mauá, Tamoios e Fonseca Atlético Clube, seriam as boas exibições conseguidas durantes esses primeiros anos que levariam o histórico Flamengo elegê-lo como reforço. A felicidade de, em 1948, ser contratado pelo clube do seu coração, acabaria, no entanto, por ser abalada pela fraca utilização do ainda jovem atacante. Ao posicionar-se preferencialmente do lado direito do ataque, tanto a extremo como a interior, Edmur, para além de enfrentar a concorrência de colegas mais experientes, teria ainda que lidar com o Serviço Militar Obrigatório. Tais contrariedades acabariam por afectar a sua afirmação no “Mengão” e a saída tornar-se-ia uma realidade.
Primeiro por empréstimo do Flamengo, depois a título definitivo, o capítulo seguinte na carreira de Edmur seria escrito com as cores do Canto do Rio. Na colectividade de Niterói, com a entrada do atleta a acontecer na temporada de 1950,o avançado pouco tempo necessitaria até chamar a atenção de outro dos históricos do futebol brasileiro. Contratado pelo Vasco da Gama para fortalecer o grupo de trabalho de 1951, o jogador haveria de ser orientado pelo icónico Otto Glória. A segunda época a envergar a “Cruz de Malta”, serviria para gravar no seu palmarés a conquista do Campeonato Carioca. No entanto, mesmo tido como um elemento valioso, o facto de nunca ter conseguido afirmar-se como titular absoluto, levá-lo-ia a aceitar um novo convite e a rumar a outro estado e a abraçar outra insígnia.
Ao rubricar uma ligação com a Portuguesa dos Desportos na temporada de 1953, o jogador daria aí o primeiro passo para uma das melhores fases da carreira. Como uma das “estrelas” do conjunto paulista, o atacante tornar-se-ia essencial nos sucessos do colectivo. O maior destaque chegaria na época de 1955, com a participação da agremiação “Lusa” no Torneio Rio-São Paulo. Para além da vitória dos “Verde-rubro”, Edmur terminaria a prova como o líder da tabela dos Melhores Marcadores. Ora, tamanho destaque, levá-lo-ia, durante o mesmo ano, às cogitações da Confederação Brasileira de Futebol. Acabaria chamado à “Canarinha” para disputar a Taça Oswaldo Cruz, facto que, a 17 de Novembro de 1955, numa partida agendada frente ao Paraguai, levaria o atleta à primeira internacionalização.
Em 1958 a curta passagem pelo Náutico de Capibaribe, serviria para lançar uma nova aventura na sua caminhada profissional. Descoberto por António Pimenta Machado, empresário radicado no Brasil, homónimo e familiar do futuro dirigente vimaranense, Edmur seria indicado ao Vitória Sport Clube. Chegaria ao Minho para integrar o plantel de 1958/59, onde brilhavam os seus conterrâneos Ernesto e Carlos Alberto. Mesmo com 29 anos, o avançado manteria as suas qualidades intactas. Veloz, como uma leitura de jogo superior e um enorme sentido de oportunidade, facilmente haveria de conseguir assegurar um lugar na ponta-direita da linha-ofensiva da colectividade sediada na “Cidade Berço”. Na segunda campanha ao serviço do clube, e tido como um dos melhores intérpretes a actuar no Campeonato Nacional, o avançado, com 25 remates certeiros, terminaria a época no topo da lista dos Melhores Marcadores da prova maior de Portugal e, em definitivo, gravaria o seu nome na história do futebol luso.
Após a temporada de 1961/62, cumprida ao serviço do Celta de Vigo, Edmur voltaria ao lado de cá da fronteira, para vestir a camisola do Leixões. Numa fase já mais discreta da sua caminhada, a passagem pelo emblema de Matosinhos, com números a aferi-lo como um dos mais utilizados, precederia o regresso do atleta ao Brasil, dessa feita para representar a “carioca” Associação Atlética Portuguesa. Na realidade, a estadia no Rio de Janeiro transformar-se-ia num interlúdio para a derradeira fase da sua carreira. Na Venezuela, ao envergar as cores do Deportivo Italia, sagrar-se-ia campeão daquele país e, em 1966, viria a “pendurar as chuteiras”.
Também como técnico, Edmur conseguiria desenhar um trilho louvável. Ao voltar a Portugal, o antigo avançado abraçaria diversos projectos, em emblemas de índole mais modesta. Aliados do Lordelo, onde ainda participaria como treinador-jogador, AD Fafe, Moreirense, Paredes, Gil Vicente ou São Martinho do Campo acabariam, ao longo de vários anos, por colorir essa faceta.